domingo, dezembro 09, 2012

Praticar Geografia é descrever para dar sentido às coisas

"One more tree will fall
how strong the growing vine
turn the earth to sand
and still commit no crime"
John Lodge, "One More Time to Live"
Moody Blues, 1971
Sabemos que não é a primeira vez que estes versos aqui são partilhados.
Quem há-de defender os direitos de outrem?
Quem há-de defender melhor os direitos de outrem senão esse mesmo "outrem"?
Imagem provinda daqui

Centenas de ouriços-cacheiros morrem, fora outras causas, atropelados pelas estradas deste país cada vez mais alacatroado, abandonado, especulado, comprado, vendido, desertificado, desordenado, desbaratado, delapidado. 

Quando eu era mais pequeno, via com alguma frequência na freguesia onde vivia uma ou outra cobra. Essa oportunidade foi escasseando cada vez mais. Há anos que não vejo uma cobra.
Sim, já parámos para pensar nisto? Nesta constatação tão simples e prática?
Já parámos para pensar e ter esta constatação?

Lembramo-nos de que a tendência, pelo que fomos observando à nossa volta, foi sempre a da desaparição de árvores. Dali, dali, dali, dali e dali.
Seja porque estorvava o trânsito, porque levantava o alcatrão, porque dificultava a visão, porque era um bom sítio para construir uma casa...

Quantas vezes acontece o contrário?
Quantas pessoas - assim chamadas de defensoras do público (do que é de todos ou para benefício de todos ou da maioria), serão precisas para fazerem valer as acções sobre este e aquele e aquele e o outro - assim nem sequer apelidado de privado- ?

Isto é política.
Política que, por prevalência de uns ou outros valores, por omissão ou por acção, se vai materializando no espaço à nossa volta.

Quem regula o abstracto, assim chamado / caluniado ao que não tem consequências observáveis, "para já", ou "para ontem"?
Quem defende os direitos dos animais?
Os animais têm direitos?
(que sexos dos anjos andamos nós a discutir enquanto não aprendemos nada...)
(Olha, aqueles homens ali estão a decidir se te podem matar ou não, diz o coelho bravo para a avestruz...)

É só uma área equivalente à do Reino Unido.

O genocídio de um povo, como o que uns tentaram fazer com alguns e estes alguns tentam, a pretexto de segurança nacional, fazer com outros, é condenável, não é?

"Pois, todos temos culpas no cartório, não foi isso que te ensinaram?"

O que significa a extinção de uma espécie?
A extinção de uma espécie humana (ou raça ou lá o que a nomenclatura convencionar chamar-lhe) é bem mais condenável e alvo de críticas que a extinção de uma espécie - olha, lá vai mais uma!... - ups... - não-humana, não é?

Pois, e já sabemos que a partir daí nada a fazer para essa.

"Agora é irreversível. Irreversivelzinho a dar c'um pau."

Se o John Lodge e os Moodies eram visionários, não queremos dizê-lo, envergonhados talvez estejamos.
O que me parece é que a baixeza moral e ética talvez já existisse à altura em que o escreveram e cantaram. E o pior é que, na esperança da evolução, não evoluir significa, comparativamente, andar literalmente para trás.
No caso, espacialmente são os seus elementos que existiam e já não existem.
Anos e anos de trabalho lento da natureza literalmente sumidos.
Manchas e elementos da paisagem a recuar.
Recuar.

E, ideia que tive há pouco e que me fez cá vir reflectir, já repararam que o recuo dos elementos ditos naturais - aqueles que existem independentemente de nós os colocarmos lá - vai a par do aumento dos produtos transformados que comemos e com que vamos lidando no quotidiano?

Se o leite já não é bem leite porque as vacas já não pastam e têm de dar as tetas a máquinas com uma periodicidade absurda, que mudou senão a transformação e o uso que fazemos dos recursos?

Se a porcaria que vamos ingerindo, à pressa nos nossos intervalos de tranalho (vulgo "maior fatia do nosso dia"), é resultado da "optimização" do tempo, tais como "comer é divertido" ou "aproveite a vida" ou ainda "sensação de viver",... que mudou senão a forma como vamos rastejando nestes cimentos à beira-mares implantados?

Se dizem que preferimos,
ou,
se nos destinam caixotes epilhados para nos aglormerarmos
(partindo daquele princípio biológico tão escondido que diz que "juntos sobrevivemos com menos dificuldades face às - vejam só - ameaças da natureza),

não significam a desorientação e a maquinização uma consequência necessária da transformação dos modos de vida?

Vêde bem: os sinais estão por todo o lado.
Saibamos analisá-los: isso também é fazer / praticar Geografia.
E estamos a precisar muito para encontrarmos o equilíbrio.
A natureza parece que anda sempre à procura do equilíbrio.
O homem, que ela pariu e ele parece rejeitar, parece andar sempre à procura de (__________________________)
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