quarta-feira, março 16, 2011

Os generais do sistema perfeito

No sistema perfeito, também os polícias estão tomados.

Se um dos grupos económicos dominantes pagasse à Polícia (entidade) para assegurar que podiam fazer o seu trabalho habitual, isso levantaria uma questão ética: estaria a comprar a Polícia, ou seja, a torná-la uma agência privada.

Mas isso é que era bom!

Pelo que ouvi, e creio ter ouvido bem, foi a própria Polícia a escoltar os camionistas do grupo.
A polícia vai de bom grado: tão zeladora que ela é...

Mas então... o que é que isto quer dizer?

Quererá isto dizer que uma entidade que é pública está a fazer um serviço privado?
Num sistema perfeito, deve ser isso.

E diz que é por razões de segurança.
Pois claro que é por razões de segurança.
E porque é que se fazem greves? Não será também por razões de segurança?
Ah...! e que polícia é que vem apoiar os grevistas?

A raiva nasce da impotência e do vazio.

Dêem-lhes isso, tirando-lhes tudo: a vida digna.

Depois (só) eles é que são violentos.



No sistema perfeito, os centros das cidades são esvaziados de pessoas para que quando comece o novo dia de trabalho, milhares e milhões de pessoas por esse mundo fora, que neles não cabem (e que deles são expulsos por várias razões... económicas é forma de calar-nos a todos!) a eles se dirijam. Para quê?

Ora, no sistema perfeito, saem beneficiados os que vendem e controlam o petróleo e os transportes.

No sistema perfeito, há governos que dizem querer melhorar o ambiente e reduzir a dependência do petróleo, mas que têm todo o interesse em que se consuma. E quanto mais caro, mais dinheiro recebem. E quanto mais combustível, melhor.
Até acabar.

No sistema perfeito, os governos querem evitar a especulação imobiliária e o desordenamento, mas fazem consórcios com empreiteiros e ainda por cima (aqui a perversão está à vista, na lei) recebem dinheiro pelo número de habitantes que a sua área de jurisdição tiver.
E quantos mais, mais recebem.

Até acabar.


No sistema perfeito destruímos as casas de quem protesta. Para que quem protesta fique de tal modo enfraquecido e sem poder que não consiga protestar e lutar por um sistema menos perfeito.

No sistema perfeito, as massas saem a perder.
Sempre.
Até acabar.
Até acabarmos com o sistema perfeito.

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