domingo, novembro 11, 2012

Como diria o banqueiro Ulrich: eles aguentam, então não aguentam


Meus amigos, o que aquela senhora, a senhora Jonet, em contraponto à ovelha choné, mas sem nada de choné (não se iludam), a senhora presidente do Banco Alimentar Contra a Fome transmitiu com as declarações que proferiu na SIC, não é nada fora do penico da sua vivência social e política, seja no salão de chá, seja nos corredores bem convividos da (sua) sociedade. Enquadram-se bem, basta reflectirmos um pouco, nas políticas que geram (e engendraram) o determinismo da austeridade, fundamentadas numa ideologia de base que assenta fundamentalmente em três pilares: aviltamento do trabalho (a história começou como flexibilização), e consequente perda de quaisquer direitos adquiridos; a destruição metódica do estado social; a total dependência e subordinação do pensamento e da vida das pessoas aos ditames do credo neoliberal, o mesmo que criou o monstro que agora finge tourear.

Meus amigos, a pobreza é uma condição sine qua nom para as suas políticas. A mão estendida, exposta pela genética social, a mola vergada, condição sine qua nom para as suas políticas. A culpa! – os pobres apenas se podem culpar a si próprios – dizem-nos, é condição sine qua nom, os pobres são uns estoura-vergas, precisam de ser aconselhados, claro, como o foram até aqui pelos bancos, os mesmos bancos que agora são fortalecidos pelos seus impostos. Os pobres precisam de quem lhes indique o caminho. Eles precisam de/dos pobres, e os pobres precisam – dizem-nos – precisam, ou vão precisar de caridade, da caridade deles. Substituir a solidariedade pela caridade: eis o significado último do vamos ter que empobrecer muito, vamos ter que viver mais pobres. Mais ainda?


[cartoon do Angeli sacado daqui]

2 comentários:

Sofia top disse...

Excelente texto, em todos os sentidos:)
não conhecia o blog nem conheço para dizer muito mas gostei do texto e do que vi que foi pouco. A imprensa seja qual for está cada vez pior.

Vidal disse...

Cara amiga,
Não sei se merecemos tanto. Fazemos pouco, e não raro somos tagarelas. Isto é apenas uma contribuição, pouco mais que um desabafo.

Obrigado pela sua visita. Participe.