segunda-feira, dezembro 20, 2010

Voltei a acordar com o capitalismo

Imagem retirada daqui

Em cada história que vamos ouvindo, o traço da competição e do individualismo.
- Ah, mas essas características não são apanágio do sistema que tanto criticas...
- Pronto, foi esse o teu "argumento final"? (aquele que termina com os diálogos? ou... com os monólogos...).

O senhor Carlos Malainho, vereador da Câmara Municipal de Braga e Presidente do Conselho de Administração dos TUB (Transportes Urbanos de Braga) anuncia que para o ano talvez haja novas carreiras (percursos) para cobrir as necessidades da população.
A linguagem do politicamente correcto e dos aplausos num político ainda inexperiente, pois lá deixou escapar algumas palavras que mancham o discurso.

Primeiro diz que essas novas carreiras se centrarão sobretudo "no casco urbano".
MAS QUAL CASCO??
De que é que este homem está a falar? Braga tem casco? Onde fica e onde termina? Poderia, mais correctamente, ter usado a expressão "cidade".
Em Braga, não há casco. Um casco, mesmo que usado em termos aproximativos, está muito longe de dar a ideia do que é esta cidade: um contínuo não pensado de cimento e betão quadrado, mal construído e em zonas impróprias. Isso, sim, é a cidade Braga.
Casco têm, mais evidentemente, as cidades e vilas limitadas por uma muralha, por exemplo.
Braga tem (ou tinha...) muralha, mas penso que o vereador não se estaria a referir a espaço tão pequeno para "servir a população"... Que população haverá ali, até?

Servir quem mais precisa?
Nesta cidade a apodrecer por dentro, o ideal típico da cidade desequilibrada do capitalismo...


Depois diz que a Câmara Muncipal de Braga é o principal accionista da empresa.
Pois claro.

Porque o que as empresas fazem, fazem-no em nome dos accionistas: é a esses que elas servem, é para esses que elas servem, é para isso que elas servem.
Pensávamos nós que era para servir as populações...
Somos tão virgens...

Isto é só um comentário de pacotilha.

Mas amanhã, em cada narrativa do quotidiano, voltaremos a acordar com conversas de transeuntes que falam do que compraram e usam, do que vão comprar e usar, do que vão deixar de usar e substituir, da melhor forma de colher dividendos, fugir aos impostos e negar o serviço e o dever públicos.
Em nome de deus e do lixo!, amén.
Porque amanhã voltaremos a acordar em capitalismo.

E eu já não sei onde o sonho, onde o sono...

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