quarta-feira, novembro 20, 2013

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O engravatado leva o cão pela mão enquanto passeia o telemóvel.
Antes do seu bulot, o prato principal dos que passam fome existencial...

A fila engrossa de descontentes.
Com papás que, para levar os meninos à escola, atropelam os passeios.

Tanto investimento
- é o seu dever, ai deles que os não os ponham a estudar, logo a sociedade os crucificará, sem direito a mártires.
nas crianças
para que as possamos desprezar e explorar com mais desdém
quando entrarem
se entrarem
para
o mercado
mercado
o mercado
marcado
o marcado
de trabalho

a maternidade
a maternidade
a maternidade...

As paredes dos prédios não impedem
os ruídos.

Quem mora nas nossas cabeças?

os adeptos que vão esperar a selecção
bombos da festa
bobos da corte
da corte dos porcos
quais medievalistas
da idade das trevas
em que a educação e a cultura sofrem cortes
e a curiosidade e o conhecimento são mal-vistos

o fim da civilização
ou o fim do civismo

o fim da cidade
a expensas da privatização
e dos espaços exíguos
remanescentes
que sobraram para entreter as crianças
- cuidado!
 que o carro pode atropelá-las!

Vinde brincar para dentro.
Do computador,
Computadores.

Computam
computam,
computam...

autistas
mimados

Como se a única legitimidade aceite para não comprar fosse não poder...
Já não há vontade.

Se somos maquinais infernais
ad aeternum
maleficus
sanctificatus...


Louvaminhas,
tu,
Domingo vais à missa
ou então ficas a ver televisão,
que te é concedida a graça
que te desgraça.

E a martelada sincrónica
à batida do coração em descarga
bílis e sangue venoso
a escorrer pelo alcatrão

do ser humano trucidado
pelo cinzentismo
e pela normalização

dos mercados
marcados
tu!
estás marcado
tira a senha!
põe-te na fila,
sê civilizado.

Sê servilizado
e não digas que não vais daqui,
que o respeitinho é muito lindo
e faz girar as sociedades
. ex-clavas .

Há gado no talho
e porcos no açougue.

E todos os cadáveres cheiram ao mesmo.

Há valores que não têm lugar na sociedade.
Por isso há valores que migram.
Ou definham e morrem.

Uma serra dava jeito para derrubar estas tábuas...
E lá fora ouve-se a melodia
de quem há muito vai afiando a faca.

Será Noé?

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