sexta-feira, novembro 11, 2011

You destroyed this city


Ei-la que avança como mancha de óleo (foi assim que ouvi caracterizar a expansão urbana portuguesa, ao longo dos eixos rodoviários...) e nós estamos sequiosos do líquido negro da morte!!


A insustentabilidade é pura e cruamente assim.
A reconversão é uma necessidade.
Para um modelo que recupere a vida.
Enquanto andarmos desviados dessa direcção, tudo é paleio de pop xula...

A democracia não é incompatível com o capitalismo (...Pois... é a isto a que chamamos e os capitalistas adoram chamar democracia): É CONTRÁRIA àquele.

Que sentido faz andar a acumular, a acumular -

(bens, capital, meios de produção, difusão, de trabalho... sim!, pessoas que tornam escravas para seus usos... em nome da "produtividade" e do "crescimento económico"... os economistas nunca se descuidam nos termos e não os ouvimos proferir a palavra "desenvolvimento" que se refira à melhoria das condições humanas. De convivência e não de acesso ao puto do consumo... é só isso que lhes interessa??!)

- sempre, mais e mais depressa?


Seduzido pelo rodopio
Embriagado de vertigem
Os néons ferindo como gritos
Deixo-me possuir pelo frémito da multidão
Num desejo de girar sem parar
Até cair...
Até cair...

Tudo são sombras difusas
Incertezas, especulações sem sentido...
(Uma mulher disforme e cara esborratada,
Insiste para que lhe apalpe os seios flácidos)
Quero mais é o rodopio
A lascívia sem fim deste carrocel atroz


"Até Cair", Mão Morta,
(há tantos anos que o dizem...)

Até onde? Para quê?
Para todos? Não faz sentido ser para todos.
Viva a concorrência, porque senão, advogam os defensores, o homem deixava-se estar...
Viva a concorrência, que nos move para a frente, "move forward" (até já me põe a pensar em inglês, este cabrão...) e nos dá a solução para o enigma do absurdo da acumulação...

Uns têm, outros não.
Uns têm para outros não terem.
Uns produzem para OUTROS terem e viverem à grande.
Os que produzem - pois é, isto é filosofia básica marxista, mas quem me leu até aqui vai continuar a ler - não conseguem juntar.
Dos que gerem, a sua função, o seu trabalhinho, é juntar, acumular. Para fazer frente à concorrênciazinha, onde, espreitando ameaçadores, estão os capitalistas que te querem comer...
Coitado, logo tu, que és tão liberal... e até gostas dos pobrezinhos... e não queres fazer mal a ninguém,

"Fazes o que tens a fazer"...

Como o escorpião, que te pica.
Porque é a sua natureza, nem esperes outra coisa.

Pois é, coitados, perdoai aos escorpiões pois não sabem atacar o que os faz ser escorpiões...


etc. etc. etc (blá, blá, blá).


Este sistema está a dar de si e os seus beneficiários estão a tentar mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma. Apodrecido está o capitalismo e ainda nos exige que lhes apalpemos as tetas??

Continuemos, pois.
Que esta onda de construção destrutiva (natureza virgem, se ainda a há, ou já há muito ocupada, que vai sendo arrasada para dar lugar a um rosto lavado, "

...mas nem por isso fraco,
eis a imagem on the rocks do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco...

(FMI, tens citação para toda a ocasião...)

Estamos a transformar-nos em fantasmas, porque nos estamos a carcomer por dentro e, expansiva, imperialística e antropofagicamente, aos outros.
Vamos todos emigrar. Como o fazem todos os refugiados que nós não queremos e produzimos.
Vamos todos emigrar e não queremos. Mas temos de sobreviver!...
Vamos todos emigrar... mas, para onde? Se está tudo tomado pela podridão do consumo, da alienação frenética do consumo e da pobreza mental, corporal.

"O capitalismo precisa da erosão espiritual para prosperar", mais ou menos nestas palavras falava o Antonioni.

Será o deserto compatível com a sobrevivência do Homem?
Não é evidente que... um mundo fantasma é já sinal da desaparição do mundo?

Blame de economy, stupid I am...
É a economia estúpida, estúpido que eu sou...

Sem comentários: