terça-feira, janeiro 07, 2014
quinta-feira, dezembro 26, 2013
Os ermos onde, julgando que nos compramos, nos vendemos.
Minho (Largo da Sra.-a-Branca, 66)
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Edward Soja
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quinta-feira, dezembro 26, 2013
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domingo, dezembro 22, 2013
O amor do Zé Povinho por Lisboa...
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Rogeriomad
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domingo, dezembro 22, 2013
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Reciclagens: Foto do mês, Fototeca, Portugal Provisório
sábado, dezembro 14, 2013
A Gaia Sapiência (também de Reclus)
Oremos, irmãos.
Ajoelhemo-nos e glorifiquemos o deus guito e os seus propaladores.
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Edward Soja
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sábado, dezembro 14, 2013
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Reciclagens: Antropologia, Estratos, Geógrafos, Manifestos
quarta-feira, novembro 20, 2013
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O engravatado leva o cão pela mão enquanto passeia o telemóvel.
Antes do seu bulot, o prato principal dos que passam fome existencial...
A fila engrossa de descontentes.
Com papás que, para levar os meninos à escola, atropelam os passeios.
Tanto investimento
- é o seu dever, ai deles que os não os ponham a estudar, logo a sociedade os crucificará, sem direito a mártires.
nas crianças
para que as possamos desprezar e explorar com mais desdém
quando entrarem
se entrarem
para
o mercado
mercado
o mercado
marcado
o marcado
de trabalho
a maternidade
a maternidade
a maternidade...
As paredes dos prédios não impedem
os ruídos.
Quem mora nas nossas cabeças?
os adeptos que vão esperar a selecção
bombos da festa
bobos da corte
da corte dos porcos
quais medievalistas
da idade das trevas
em que a educação e a cultura sofrem cortes
e a curiosidade e o conhecimento são mal-vistos
o fim da civilização
ou o fim do civismo
o fim da cidade
a expensas da privatização
e dos espaços exíguos
remanescentes
que sobraram para entreter as crianças
- cuidado!
que o carro pode atropelá-las!
Vinde brincar para dentro.
Do computador,
Computadores.
Computam
computam,
computam...
autistas
mimados
Como se a única legitimidade aceite para não comprar fosse não poder...
Já não há vontade.
Se somos maquinais infernais
ad aeternum
maleficus
sanctificatus...
Louvaminhas,
tu,
Domingo vais à missa
ou então ficas a ver televisão,
que te é concedida a graça
que te desgraça.
E a martelada sincrónica
à batida do coração em descarga
bílis e sangue venoso
a escorrer pelo alcatrão
do ser humano trucidado
pelo cinzentismo
e pela normalização
dos mercados
marcados
tu!
estás marcado
tira a senha!
põe-te na fila,
sê civilizado.
Sê servilizado
e não digas que não vais daqui,
que o respeitinho é muito lindo
e faz girar as sociedades
. ex-clavas .
Há gado no talho
e porcos no açougue.
E todos os cadáveres cheiram ao mesmo.
Há valores que não têm lugar na sociedade.
Por isso há valores que migram.
Ou definham e morrem.
Uma serra dava jeito para derrubar estas tábuas...
E lá fora ouve-se a melodia
de quem há muito vai afiando a faca.
Será Noé?
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Edward Soja
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quarta-feira, novembro 20, 2013
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segunda-feira, outubro 28, 2013
Um hostel onde podes dormir numa caravana vintage
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segunda-feira, outubro 28, 2013
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Reciclagens: Economia, Espaços escritos, Transportes/Mobilidade, Turismo/Lazer, Urbanismo
domingo, outubro 27, 2013
Há mãos portuguesas em projeto que transformou prédio devoluto em arte
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Rogeriomad
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domingo, outubro 27, 2013
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Reciclagens: Arquitetura, Economia, Espaços escritos, Planeamento/OT, Urbanismo
sábado, outubro 26, 2013
Bolsa de terrenos para cultivo disponível online
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sábado, outubro 26, 2013
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Reciclagens: Desertificação, Economia, Espaços escritos, Regiões
sábado, setembro 28, 2013
As Torres do Técnico
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sábado, setembro 28, 2013
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Reciclagens: Arquitetura, Educação, Engenharia/Construção, Humor, Planeamento/OT, Universidade, Videoteca
terça-feira, setembro 24, 2013
O Direito À Cidade, por Henri Lefebvre
2 - Estes dois conjuntos de problemas foram e continuam a ser colocados pelo crescimento económico. A experiência prática demonstra que pode haver crescimento sem desenvolvimento social (crescimento quantitativo sem desenvolvimento qualitativo). Nestas condições, as mudanças na sociedade são mais aparentes que reais. O fetichismo e a ideologia da mudança (dita de outro modo: a ideologia da modernidade) encobrem a estagnação das relações sociais essenciais.
(p.139)
O esvaziamento dos poderes das comunidades, distraídas com os restos dos prazeres (ou impaladas pela cruz da propaganda), vai a par da perda dos espaços de convívio e de outras formas de fazer cidade que não a de consubstanciar e reforçar as práticas... despojadoras do poder. Mediante o servilismo mercantil e suas dependências ocupacionais.
A cidade, tal como ela for e nos aparecer, revela o conjunto dos poderes organizados, espacializados em instituições ou sedes, colonizados em áreas (maiores ou menores) do seu espaço vital visível.
Não existe nenhuma sociedade sem ordem, sem um significado, perceptível e legível no terreno. (p.32)
A materialização do poder organiza-se hierarquicamente, em lógicas que traduzem (convencionámos) a rentabilidade e eficácia da sua acção e pressupostos.
Urge a inversão das práticas que construíram o inferno para a maioria e o céu para os "deuses do Olimpo".
O processo vem desenhando-se desde longe e aparece-nos hoje como dado adquirido, inquestionável e dogmático, e - pior - como se não fosse analisável e desconstrutível.
A transformação do espaço (qualquer espaço) em espaço urbano, na voragem industrial, acarreta externalidades (reparemos na palavra: externalidades, como sugerindo algo que afecta os que estão fora. No caso, fora dos espaços urbanos...) Mas a crise surge quando tais "danos colaterais" assumiram tal dimensão que se anunciam já DENTRO do espaço urbano. É o caso da sustentabilidade alimentar, caucionada pela praxis betonizante dos modos de vida até então óbvios ou intocáveis.
Para o Poder, desde há um século, qual é a essência da cidade? ela fervilha de actividades suspeitas, de delinquências: é um centro de agitação. O poder de Estado e os grandes interesses económicos só podem conceber uma estratégia: desvalorizar, degradar, destruir a sociedade urbana. (p.87)
A crise espacial entrelaça-se / é produto da crise da organização, com a sobreposição dos interesses da maioria pelos interesses da minoria capitalista ou institucional (não necessariamente económica, mas visando uma certa racionalidade que pretende atingir a eficácia, o domínio através da acumulação):
Esta crise da cidade é acompanhada, um pouco por todo o lado, de uma crise das instituições urbanas (municipais) devida à dupla pressão do Estado e da iniciativa industrial. Tanto o Estado, como a empresa, como os dois (rivais ou concorrentes, mas frequentemente associados) tendem a apoderar-se das funções, atributos e prerrogativas da sociedade urbana. Em certos países capitalistas, deixa a iniciativa "privada" ao Estado, às instituições e organismos públicos, algo mais do que aquilo que recusa encarregar-se por ser demasiado oneroso? (p.88)
O mundo da mercadoria tem a sua lógica imanente, a do dinheiro e do valor de troca generalizado sem limites. Uma tal forma, a da troca e da equivalência, mantém apenas indiferença em relação à forma urbana; ela reduz a simultaneidade e os encontros aos que praticam trocas, e o lugar do encontro reduz-se ao lugar onde se firmam contratos ou quase-contratos de troca equivalente: ao mercado. (p.91)
O cerco aperta-se, as fugas, dêem por onde derem, vislumbram-se na loucura e na alienação ao virar da esquina. Seja no património, seja no turismo, seja em qualquer aspecto, transformado, kitchizado, para consumo dos ávidos carentes do real.
De forma muito estranha, o direito à natureza (ao campo e à «natureza pura») entra na prática social desde há alguns anos através do lazer. Esse direito fez o seu caminho através de protestos que se foram tornando banais contra o ruído, a fadiga, o universo «concentracionário» das cidades (enquanto a cidade apodrece ou explode). Estranho encaminhamento, dizemos nós: a natureza entra no valor de troca e na mercadoria. (p.118)
A materialização mais evidente deste conflito de visões do mundo e de valores (públicos e privados) tem, como vimos na primeira citação (que é das últimas passagens do livro), na sua base a discrepância e mútua necessidade (mão-de-obra para escravizar, caixotes para a enfiar, por um lado, e actividades económicas para acumular e reprodução e colonização espacial para crescer e se afirmar, por outro) entre desenvolvimento (social) e crescimento (económico):
As massas, pressionadas por múltiplos constrangimentos, alojam-se espontaneamente em cidades-satélite, em subúrbios programados, em guetos mais ou menos «residenciais», possuindo apenas para si um espaço cuidadosamente medido, enquanto o tempo lhes foge. As massas conduzem a sua vida quotidiana de forma subordinada (sem o saberem) às exigências da concentração dos poderes. Mas não se trata aqui de um universo concentracionário. Tudo isto pode suceder na ideologia da liberdade e sob a capa da racionalidade, da organização e do planeamento. Estas massas que não merecem o nome de povo, de popular, de classe operária, vivem «relativamente bem», tirando o facto de a sua vida quotidiana ser telecomandada, e sobre elas pesar a ameaça permanente do desemprego, o que contribui para um terror latente e generalizado. (p.123)
A materialização conceptual que de tudo isto se releva pode ser lida como paralela à globalização, pois parece ignorar fronteiras e obstáculos. Porque a globalização vigente é a da economia capitalista, não a da cultura da diversidade e da transformação (para melhor) das condições de vida das massas disformes (disformadas) do planeta (cada vez mais cinzento), Lefebvre vê no automóvel o "objecto-piloto no mundo das mercadorias, que tende a levantar [suprimir] esta última barreira: a cidade." (p.129):
Os habitantes do Olimpo, como a nova aristocracia burguesa (quem o ignora?) já não habitam. Eles andam de palácio em palácio ou de castelo em castelo; eles comandam uma frota ou um país a partir de um iate; eles estão em toda a parte e em nenhuma. Exercem assim fascínio sobre as pessoas mergulhadas no quotidiano, eles que transcendem a quotidianidade; possuem a natureza e deixam os seus esbirros fabricar a cultura. (p.119)
Agora não é só a corrosão física das fronteiras jurisdicionais (pelos transportes) que praticam o poder, mas também a das institucionais e mentais, mediante o fluxo de dados e informação via meios de comunicação para as massas. Detidos pelas minorias, claro está.
A salvaguarda da sociedade urbana (da cidade, como o autor a entende) não é (ou nem é, de todo) a mera protecção da memória dos monumentos, ou a organização saudável dos "bairros residenciais", ou a racionalidade (económica) dos comportamentos (visem eles, até, a ecologia), mas sim a prática de valores que contrariem, em todos os domínios da vida social, o valor imperante: o de troca. A apropriação da cidade pelos cidadãos é caminho que desbrava e destrói a privatização da cidade (dos corpos e das almas) pelas empresas e instituições.
É essa a crise basilar que está a inquinar e destruir o mundo.
E Lefebvre, já em 1968, o sabia bem.
* Rurbano refere-se à interpenetração ou hibridização do rural e do urbano, que representa, aliás, uma grande extensão actual do mundo, quer em materialização espacial, quer comportamental. Esta é também a crítica / análise feita por Álvaro Domingues, em "Vida no Campo".
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Edward Soja
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terça-feira, setembro 24, 2013
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Reciclagens: Antropologia, Biblioteca, Cidades, Economia, Livro do mês, Urbanismo
sábado, setembro 14, 2013
Meus amigos, o urbanismo à la Odorico Paraguaçu
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sábado, setembro 14, 2013
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Reciclagens: Portugal Provisório, Urbanismo
segunda-feira, agosto 26, 2013
In Memoriam
É privado.
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Edward Soja
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segunda-feira, agosto 26, 2013
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Reciclagens: Efemérides, Manifestos
quinta-feira, agosto 15, 2013
Meus amigos, diz que não há nada como a vida no campo
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Vidal
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quinta-feira, agosto 15, 2013
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Manifestos
segunda-feira, agosto 12, 2013
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segunda-feira, agosto 12, 2013
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Reciclagens: Cidades, Minho, Portugal Provisório
quarta-feira, julho 31, 2013
E se for já neste século?
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Edward Soja
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quarta-feira, julho 31, 2013
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Reciclagens: Climatologia, Hidrologia, Riscos
sexta-feira, julho 26, 2013
Dos exércitos (e) da farda que não desbota, renovada
Tu és o exército e vens bem munido.
Tu és o exército a recrutar mais exército, a fazer baixar os salários, a fazer aceitar o depauperamento da dignidade no trabalho e a impossibilidade da vida sem o trabalho.
És o promotor dos vendedores da propaganda que cada vez menos gente vai comprar.
Porque cada vez mais há exércitos de gente que não pode comprar tal ideologia.
E é por isso que os supermercados estão cheios de ideias de que cada vez mais desconfiamos, venham elas embaladas em políticos, partidos, empresas, bancos, opinadores e todos os vizinhos do lado e até a tua mãe e o teu pai, que isto é guerra que grassa sem piedade nem olhar a quem.
Aqui não se salva nem Deus: assassinaram-no!
São ideias demasiado caras para as nossas posses.
Por isso há interesse num certo equilíbrio das contas: o tal algo que mude para que tudo fique na mesma.
Mesmo que uma crescente maioria possa ir ficando de fora do sistema...
E chamar-te-ão.
Chamarão a todos.
"Que te compras, que te vendes, é o que pensa o tirano..."
Mas tende cuidado, generais, para manterdes o exército bem ocupado.
E a chacina já se desenha em cada rua, em cada praça.
Onde quer que houver um homem que ficou sem trabalho e conservou a cabeça. E que não quer alimentar uma engrenagem injusta e niveladora, por baixo, alcatrão quente e moldável no calor da crise.
Onde quer que estejas.
Fedes na tua natureza e sabemos onde te encontrar.
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Edward Soja
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sexta-feira, julho 26, 2013
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Reciclagens: Economia, Manifestos, Música









