sexta-feira, março 22, 2013

O desafio do crescimento é que num espaço finito aquele não pode ser infinito


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O aumento da população é uma transformação da biomassa e das matérias que há na Terra em outras coisas. Ora, como só a Natureza sabe bem fazê-lo (tivemos milhões de anos de exemplo) as coisas estão a dar prò torto: assim, agora produzimos desertos, secura, lixo, dióxido de carbono e outros gases, betão, alcatrão, corrupção, esvaziamento, autoritarismo, hipocrisia, escravaturas, destruição de ideias e fechamento de caminhos.

E guerras: a da fome e a das armas.
O objectivo é sempre o mesmo: considerar o "Outro" como inimigo para limpar o respeito do caminho e destruí-lo.
Para que não obste ao...

Crescimento?
Desenvolvimento?
Progresso?
Bem-estar?

Reforço do poder.
Estão a vencer mas cada vez menos a convencer.

Vêde o crescimento demográfico islandês, sustentável, e como ele pode andar associado à raridade da biomassa que sustenta os corpos humanos e a uma outra concepção de vida, do Homem e da sociedade (que difere da imperialista capitalista: crescer, crescer, crescer, crescer...)

Vêde o descrescimento populacional (não sou contra o decrescimento) de Portugal e como para tal desencantaremos inúmeras explicações:

- abandono do sector produtivo em detrimento do ilusório sector especulativo  e engonhador (serviços e comércio)
- falta de perspectivas, de ideias e sobretudo, que são cada vez mais a senti-lo, falta de vontade para estar numa terra em que reina um profundo desprezo e uma algoz prepotência por parte dos decretos administrativos e dos procedimentos ordinários das empresas que nos vão carcomendo cada aspecto da nossa vida, vidinha, social.

Ah... se a Natureza ajudasse Portugal e tudo invadisse.
Mas andámos a maltratá-la e a enfraquecê-la durante demasiados anos para que elas nos venha agora resgatar em momentos de aflição.

E assim se perdem caminhos de sabedoria e respostas ao mundo desorientado que cada um de nós ainda leva dentro.

terça-feira, março 19, 2013

Agora o Chipre

Então foi o seguinte

e atentem bem nos últimos acontecimentos surpreendentes:

A propósito - invocam... - do resgate financeiro ao Chipre, decidiram taxar os depósitos bancários abaixo dos 100 mil euros. Acho que não estou a dizer nenhuma desconformidade.

Resultado talvez sereno, talvez racional, tido como espontâneo por parte de quem tem dinheiro no banco:

Muitas e muitas pessoas foram vistas a levantar dinheiro nas caixas de multibanco! - anunciaríamos, espantados, em tom jornalístico.

O caos, o medo e a sensação de injustiça e roubo instalaram-se nos cipriotas.

(Notícia de domingo.
Segunda os bancos estiveram fechados pois era feriado nacional.)

Resposta ao resultado:

(notícia ouvida há pouquinho na Antena 1 (tanto faz, não é?)

"O Eurogrupo recuou na aplicação de imposto aos depósitos bancários abaixo dos 100 mil euros."
Seguimento da notícia:
"Com esta decisão, o clima ficará menos tenso. Continuará a haver possibilidade de tumultos, mas..."

Análise: 
O que importa aqui verificar é a palavra/expressão-chave "menos tenso", dita, com a boca do poder mas cuja verborreia propagandística sai pela voz dos média (ditos legítimos e confiáveis e representantes e garantes da Democracia e blá blá blá...) e sentida em tons de alívio.
É isso que quem sente?: o Eurogrupo, que é o único sujeito naquele comunicado.
Não, não venhais querer baralhar-nos e afirmar que o sujeito é o povo cipriota que tem dinheiro (uma certa soma) no banco.

A análise não fica por aqui, que agora é que vem o mais importante. Portanto:

Análise à resposta ao resultado:

As pessoas correm a tirar dinheiro do banco, ui! temos de mudar de atitude.
Mudam de atitude.
As pessoas podem, mesmo assim, não recuar na criação de tensão social e física nas so-cidades cipriotas.
Não faz mal.

Vistes o que aconteceu?

A violência não é o problema. A violência contra o poder é a perda de razão (ui!, não menciones essa palavra...) perdão, a perda de legitimidade de quem quer viver num Estado democrático blá, blá, blá.

O problema é atingir o poder racionalmente: levantar o dinheiro em massa é retirar o poder ao poder, pois, em si, signfica o instrumento com que nos abanam e convencem os olhos e nos fazem a cabeça e nos compram.

O problema, para o Poder Económico e financeiro, seria - depois desse (convém impedi-lo a todo o custo!) seria ficarem a descoberto, como as contas bancárias, sim, COM as contas bancárias vazias.

Esvaziadas de sentido e reenchidas do absurdo que seria a demonstração material de que o dinheiro que as pessoas pensam ter não existe na realidade.
E, por conseguinte, o escancaramento de que o dinheiro - tão esquecidos estamos disso, não é? - é uma convenção que nos obrigam a subscrevermos para nos mantermos e nos manterem amestrados.

O Chipre espirra amarelo por sobre o papel verde.
Alerta no vermelho.

domingo, março 17, 2013

Reflexos e Reflexões


Ao começar, o milénio convida-nos a reflectir sobre a própria reflexão que sobre ele poderá vir a ser feita. O verbo reflectir é semanticamente muito ambíguo pois que conota dois fenómenos contraditórios: reflexo e reflexão. Reflectir enquanto produção de reflexos é um fenómeno passivo, não criativo, que assume como só existindo aquilo que lhe é dado reflectir. É assim que a lua reflecte a luz do sol. Ao contrário, reflectir enquanto produção de reflexão é um fenómeno activo, criativo, mobilizado pela identificação de uma falta ou de uma ausência naquilo que existe. É assim que reflectimos sobre as nossas vidas ou sobre a sociedade e o tempo em que vivemos. Claro que a contraposição entre reflexo e reflexão não é total. Há sempre algo de criativo no reflexo: o espelho não reflecte exactamente o nosso rosto; tal como a reflexão tem sempre algo de passivo: as reflexões que fazemos sobre a nossa vida são reflexos da vida que temos. Mas a contraposição é essencial, pois é através dela que medimos o grau de autonomia (ou de alienação) com que vivemos as nossas vidas: dominamos melhor o mundo sobre o qual reflectimos do que o mundo de que somos mero reflexo.

Vivemos o século XX sob a égide de três mestres: um mestre do reflexo: Freud; um mestre da reflexão: Nietzsche; e um mestre da mediação entre reflexo e reflexão: Marx. Foram eles que escreveram o guião da nossa relação com o mundo - mais ou menos activa, mais ou menos conformista - nos últimos cem anos. Ao entrarmos no novo milénio, verificamos que as lições destes mestres têm vindo a perder poder de convicção sem que, no entanto, estejam a ser substituídas por outras lições de outros mestres. Somos hoje mais exigentes ou apenas menos educáveis? Penso que a questão é outra. Só são precisos mestres quando há tensão entre reflexo e reflexão e essa tensão está a desaparecer nas sociedades mais desenvolvidas. Nestas sociedades é cada vez mais fácil passar por reflexão o que é apenas reflexo, passar por actividade o que é apenas passividade, passar por plenitude o que é uma inominável carência. Por isso, nestas sociedades o que está fora da consciência é sobretudo a consciência de que algo está fora dela.



Três exemplos, que são três ângulos sobre o mesmo síndroma. Os consumidores simbolizam hoje o paroxismo de uma actividade que se agita freneticamente no interior de um círculo de escolhas ante as quais é totalmente passiva. O crédito ao consumo permite transformar a carência em plenitude antecipada. O segundo exemplo é a classe política, sobretudo a que está no poder. Como o seu poder é cada vez mais reflexo de outros poderes (capitalismo global, União Europeia), a sua capacidade de reflexão é medida pela sua disponibilidade para ser reflexo. Quem, no interior dessa classe, quiser fazer reflexão, é posto na ordem do reflexo. O terceiro exemplo diz respeito aos criadores de opinião, entre os quais me incluo. Dominados pela vertigem da autonomia e, portanto, da reflexão, ignoram as filiações de que são reflexo. Tendo perdido a mediação entre reflexo e reflexão, quando concordam entre si, ignoram-se porque se repetem, e quando discordam, ignoram-se porque as suas diferenças são incomensuráveis. Nestas condições não é possível nem o consenso nem a polémica. Por isso, nem os educadores educam nem ninguém educa os educadores.


Boaventura Sousa Santos
Publicado na Visão em 28 de Dezembro de 2000
Última crónica, também, da compilação "A Cor do Tempo Quando Foge", Ed. Afrontamento.


Este texto é das coisas mais geniais que alguma vez li.
Para renovar por todas as vezes em que lhe reconheçamos validade.

sexta-feira, março 15, 2013

O Paradigma da Auto-Estrada

Poortugal tem auto-estradas que são uma maravilha de se ver.
E andar!

Neste momento, e se calhar há já algum tempo (pois padece de uma deformação de base...), há é pouca gente a vê-las com bons olhos e, talvez por consequência, ainda menos a andar a pôr nelas os olhos.
Mas, para alguns que o fazem, a deixar os olhos da cara no final de cada troço.

Ontem parece que, diz que, houve aí uma notícia, que querem pôr portagens em todas as auto-estradas e tal.
Ok. Ponde à vontade.
Tapai mais a panela de pressão no lume florestal.

Bom.
Mas não era por aqui que eu queria ir.
Agora, para voltar para trás, tenho que ir até ao final.


O salto acelerado e sem rampa de lançamento para o foguete que este país passou a ser, perdido no éter (sim, sim, esse mesmo que leva muita gente aos comas alcoólicos), após os anos do poder distribuído, que foi isso que o PREC foi, saldou-se na miséria mental e suas materializações que hoje abundam pela bunda cu-lateral que é o Portugal actual.

(Virar o cu prò lado, como fugir co' rabo à seringa, é para dar a vez aos próximos proxenetas que escolhermos pelos anos seguintes.
Tão bem que eles cuidam de nós,,,!)

Sem educação e preparação, saímos da carestia e da miséria para essa outra carestia e miséria invertida que é o consumismo e o subsequente / inconsequente "destrutivismo" paroquial.

Como o problema das drogas pode ser um problema do excesso (tanto de miséria como de dinheiro), o consumismo é um consumo em bicos dos pés para demonstrar sabemos lá o quê a nós mesmos, que estamos "passados" e o que interessa é perder o controlo, se possível, parcial.

O betão é o desígnio deste país, assim no-lo inculcam desde pequenos.
Os nossos pais, que até cresceram a acarretar baldes de massa (não, da outra), os nossos autarcas, que é assim que sobrevivem, acolitados pelas empresas e empreiteiros que... já não se distinguem lá muito bem - é uma massa, homogénea, coloidal, fatal, maquinal.
Que cheira mal.

A auto-estrada é uma das marcas do mundo dito pós-industrial (pós para quem? Deixou de haver indústrias? Pelo menos, parecemos apostados em expulsá-las do nosso buraco umbilical ocidental.
E transferi-las para outras terras, que, por isso, já não cabem na designação imaculada e fraternal do o "Ocidente".
Mas a praia ocidental lusitana ainda está longe.
Pois parece haver duas tendências opostas: internamente, a mando, dizem, lá das Europas (onde fica isso?), a destruir o "tecido industrial nacional" e tal e tal e por outro alguma ou outra multinacional a ver nos mendigos que somos, que aguentamos, aguentamos, uma excelente oportunidade para fazer mais lucros com a poupança no custo laboral.

Entalados como enlatados, o prazo aproxima-se do final.

Mas ainda não é isso.

Na era e na capital da auto-estrada, não podemos viver já da mesma forma como dantes. Isto é uma questão antropológica, pois trata da forma como nos relacionamos com o espaço e como o percebemos. E - pescadinha de rabo na boca, cães aos círculos, em espiral infernal - trata-se da forma como nos relacionamos com o espaço e o que lhe fazemos.

Não se pode amar o que se não conhece.
Não se pode cuidar do que não se aprende a amar.
Não se conhecer o que... já passou.

A auto-estrada alterou esta forma de vivermos e passámos a desprezar os locais. Somos estranhos por todo o lado e bestas de lado nenhum.
Nos fluxos horários, migratórios, informativos e relacionais esboroamo-nos como um pedaço de terra de vaso a deixar de ser regado.

Que prazer há em viver numa viagem que se não vive?
Cadáver adiado não seremos na auto-estrada, pois esta trata de fazer de nós um cadáver adiantado.
Para mais, as auto-estadas são cada vez mais iguais.
Mas talvez por causa desta mesma razão o são.

É preciso saber viver a tempo, diz o Nietzsche.

Não devemos forçar a travessia, pois chegaremos ao fim sem nada do que devíamos colher pelo caminho, resume Kavafis.

Viver aqui e agora.
Lutar pelo que temos agora e contra o que hoje nos afecta.
No desfiladeiro, cada passo em falso é o aproximador não da queda mas do embate, que é isso que nos mata.
De vez.

Auto-estrada é destruição do presente ao fazer-nos almejar o futuro.
Pelo futuro onde nunca ninguém viveu ou poderá viver.
É como comprar o céu a prestações e morrer de fome pela falta de dinheiro que se emprega a tratar do futuro.
Esta é a ética protestante, ideologia inflamável a corroer as sociedades há tanto tempo em declínio.
E o capitalismo não trata de a professar nas igrejas e espaços de adoração moderna, veiculada pelo gás metano e o brómio da informação "ao minuto", na "ânsia de tudo saber", para nada entender e tudo perder.

Sempre a merda do futuro, a merda do futuro!, grita, Zé Mário que todos somos.

Contrairmos dívida hoje, que estará saldada no futuro, cujos juros vamos pagando com o nosso presente cada vez mais morto.
E o objectivo é perdoar um ano, ou, traduzido por outras palavras, continuarmos a aumentar os juros e o tempo infindável do seu pagamento.

Já! Não, pagas agora.
Pagas já, usufruis depois.

A propriedade leva à apropriação
e a parida propaganda trata de te comer o pão 
com a promessa de te vir dar de comer à mão.



"Com tanto passado, pobre é o presente.
Com tanta ignorância, muitos mais tiranos.
Com tantos hipócritas o amor ao próximo desaparece."

Cemitério dos prazeres nas chamas dos semáforos vermelhos.
Prepare pagamento.

quarta-feira, março 13, 2013

"O papa que resignou não deixa saudades"

Foi com esta frase que o jornalista passou a palavra a uma comerciante (ou vários) de artigos religiosos em Fátima.

Isto quer dizer que Ratzinger rendeu pouco, fez vender pouco, ou, foi pouco lucrativo para quem vende artigos religiosos. Desculpai lá, longe de mim estar a irreconhecer a vossa inteligência para concluírdes isto.

Todo este processo é tão asqueroso que as televisões e noticiários de todo o mundo tratam de o acompanhar, "ao minuto", como anuncia uma, o que se vai passando no Vaticano e no Conclave (meter à pressão, como quem tira com saca-rolhas, uma palavra nas bocas dos papalvos que somos é tão estranho como

- não conhecermos o próximo de lado nenhum e, uma vez escolhido, ele passar a ser adorado, quais novos Beatles (olha, Lennon, tenho mesmo muita pena, o Papa voltou a ser maior que vós... a irreverência, a energia e a alegria da juventude voltou a ser ultrapassada pelo imobilismo e pela doença), por milhões.

- estarmos sempre todos a falar do mesmo que os meios de enquadradamento, vulgo encaixotamento, em massa (para as massas) nos vão propondo e renovando.

termino aqui o parêntesis. Ai não tínheis reparado que havia ali um?
)


quando um fumo preto ou branco é tão rápido como a morte

"Estavas e de repente já não estás", como diz o Saramago

e portanto não faz sentido andar a engonhar e a ludibriar com os acompanhamentos "ao minuto".

Não vou deter-me mais sobre esta porcaria de abordagem que os chupa-cabras das noticiárias arranjam para nós.
Estamos transformados em vampiros e em ovelhas e vamos alternando.
Estamos transformados em actores que nos dizem nada podermos fazer quando se trata de decidir (e ainda não reparamos bem quando é essa a hora ou o acto) e em espectadores da decadência e podridão dos valores morais que tanto dizemos defender.

Olhem, por cá, o papa que resignou não deixar saudades é como as comitivas de empresários que vão com o ministro dos negócios estrangeiros ver se exploram outras terras, outros recursos e outros corpos e almas.

Porque é que cada vez mais detesto empresas e empresários e bancos, que cada vez mais se me assemelham a assassinos e gente sem escrúpulos?

Ide todos prà prisão!
A prisão que eu proporia era a reconversão do ramo de actividade.
Mas para isso, primeiramente, seria necessário reeducar e inculcar outros valores que não o de fazer negócio com os corpos e almas e o que elas trazem nos bolsos e nas bolsas de valores.

Cada um aproveita para chupar cada um, não importa como.
E assim vai o hominídeo para o curral das bestas todas as manhãs.
Os que tiverem trabalho assalariado, destruidor, alienante e produtor de escravos (incluindo os que escravizam os chamados "subalternos").

Olhai como estas religiões e estas instituições são sempre um poder que emperra, que, está na sua natureza, é conservador, porque se quer conservar, e não agita águas nem, como já o foi mais o bispo Torgal, incitam à insubmissão e à ao enfraquecimento, pela base (alto, está a falar das massas), dos poderes que nos governam.


Pormo-nos de joelhos, baixarmos o olhar, por vergonha e por fome, e alombarmos com o peso de trabalhos que só nos tiram saúde significam apenas a subserviência.

Seja para que for.

Esta religião, este sistema económico e este tipo de trabalho não estão a deixar saudades.
Este é que é o Homem do Eterno retorno: está continuamente a querer ser sempre outra coisa, mas / porque vai sempre adiando ser outra coisa.

Inevitabilidade, dizem os economistas.
Irreversívelzinho, diz o Zé Mário.

Enredado e a funcionar muito bem, diz o poder mediático-plutocrático-financeiro-militar capitalista.

Vêde os lucros que alguns (sempre só alguns) estão a fazer com esta tríade de misérias nomeadas acima e aí tendes o facto contra o qual só actos urgem.

segunda-feira, março 11, 2013

Ibéria em palavras... ou talvez não...


Foto de Rogério Madeira, Dublin, 26.02.2013.

domingo, março 10, 2013

Aquecimento central


O aquecimento global de origem humana nas últimas décadas é reconhecido pelos cientistas como uma evidência. Mas ao longo dos últimos 11 mil anos, a Terra ainda foi mais quente. É isto o que sugere um estudo pioneiro, que tentou fazer uma reconstituição mais consistente da temperatura global ao longo de milénios.

O estudo, publicado na revista Science, não deixa porém margem para optimismos: os termómetros estão hoje a um nível em que nunca estiveram em 75% de todo o Holoceno –  a época geológica que se estende desde a última glaciação e que corresponde ao auge da civilização humana – e podem chegar a 2100 ao maior nível de sempre nesse período.

(ler mais AQUI)

sábado, março 09, 2013

Área obrigatória para ovelhas...

Indicação de que os condutores de rebanho são obrigados a conduzi-lo para esta área especialmente reservada para esse fim.

Foto de Rogério Madeira, Dublin, 05.03.2013.

quarta-feira, março 06, 2013

Coisas para que queremos chamar a vossa atenção*

* isto é, se ainda tendes atenção ao que se passa à vossa volta.



Começo logo a matar, e quem quiser que saia.


Nada de substancial ou útil se pode dizer se não tiver cabeça - sobretudo cabeça -, tronco e membros.
Por isso, a atenção costuma ficar a rastejar pelo caminho da lucidez e morre logo após o local de partida.
Assim não é que não valha a pena.
Do que se trata é de mais um desperdício de energia, da energia que todos despendemos a cada dia que passa, e que é bem útil para ir construindo caminho.



Feito este aviso, podemos prosseguir.





Gosto muito de livros.


Não gosto de ver os livros tratados como os óculos e os sapatos dos judeus que se preparam ou já foram enviados para os fornos do nazismo censório actual: chama-se democracia elitista.
Sim, um contra-senso, já sabemos. Pois se "demos" é o povo, como pode ser "elitista"?
Lá chegarei.



Estamos em 2013. Portugal.


Em altura de irmos buscar substrato para sustentar os altos castelos que hoje  estão ruídos e estilhaçados, e sem entrarmos em revisionismos ou vontades conducentes a emperros - ainda mais? - da evolução, relembramos que este povo (o que é um povo?) teve, para não ir muito atrás, que perdemos a "emocionalidade" (emoção+racionalidade) que devemos ter para com algo que nos devia ser próximo, 



Monarquia, República aos sobressaltos, uma ditadura fascista de 48 (!) anos e uma revolução, pacífica, organizada, sabedora e segura, que lhe pôs fim.


Tivemos o PREC - Processo Revolucionário Em Curso, ao qual puseram termo, apontam essa a data fulcral para tal, a 25 de Novembro de 1975.
Ou, se quisermos mesmo o carimbo, nas eleições de 25 de Abril de 1976.



E estamos neste sistema há 37 (!) anos.



Terminada a revisão, é nesta relação de 48 anos de uma coisa, 2 anos de outra e 37 desta que quero começar esta crónica crítica.



Portanto,


Eu gosto de livros.
Costumo, sempre que posso, passar o corpo e os olhos por alfarrábios.
Não sei se os caros leitores fazem gosto de fazer o mesmo.
Bem.
Sobretudo nestes e em feiras de venda de livros usados, que é como irmos a museus por explorar, não sei se já repararam que há, por vezes (e quando há, poucos não são), livros sobre política.
Para o leigo, diremos que costumam ter capas vermelhas (isto tem explicação) e versar sobre Marxismo, o salazarismo, o capitalismo, o golpe de Abril, a organização do MFA, a revolução do proletariado, a reforma agrária, a constituição revolucionária, sobre situações políticas na União Soviética, no Chile, em Espanha (sim, ainda tivemos cerca de 3 anos para falar do franquismo), no Biafra, na Grécia, na Checoslováquia, na RDA e na RFA, entrevistas a capitães de Abril, as incongruências destes ou daqueles episódios, etc.



Já nos perguntámos, se já reparámos nisto, como é que estes livros foram ali parar? Porque é que estes livros estão ali à venda, a maior parte deles bem acessíveis (preço),?




Eu tenho uma teoria.


Sim, tem que ver com aqueles anos que relacionei acima.
E, sim, a teoria não está desligada nem da observação da natureza, nem, se assim o quisermos, de uma formulação freudiana do comportamento. Que neste caso, do comportamento humano.



Tivemos um regime opressivo, cerceador das liberdades de escolha e decisão (é por aqui que se afere da democracia, quanto a mim, em primeiro lugar), que nos manteve arrebanhados no atraso material (calma...) e mental de que ainda não só padecemos como parecemos nunca ter deixado de padecer.


Estas dificuldades e estreitamentos aguçaram o espírito, a criatividade e desenvolveram o músculo de combate.
Durante os 48 anos as coisas foram-se acumulando.
A sageza e os entraves funcionam como a água que quer chegar, custe o que custar, ao mar.
E um dia, "a horas certas", a tampa saltou e a panela explodiu.



A ditadura não caiu de podre.


Tivemos de a fazer cair.
Talvez por isso o caso português se diferencie do espanhol, que teve aquilo a que chamaram "transição". 
Não, aqui houve, aqui fizemos uma "Revolução".



É certo e sabido que, se bem que fosse a maioria da população que sofria com a ditadura (escapavam-lhes os seus "instituidores" políticos, económicos e religiosos... e mais os acomodados ou conformados), a revolução foi feita por uma minoria.


Raios!
Quero com isto dizer que os organizados, além da vantagem de terem um instrumento, a instituição militar e seus meios, representando aquela que - veio não a descobri-la mas a formulá-la - era a vontade popular, não eram representativos no número.



E assim partimos para o PREC.


Foram dois anos de conquistas, "as conquistas de Abril!", de muitas alterações estruturais na organização social, política, económica, agrícola, produtiva, demográfica e geográfica e mental de um povo.
Um povo que foi arredado da cultura e da política ("basta-lhe que saiba ler e escrever" e "um copo de vinho alimenta muitos portugueses" e "Fadai-vos, que nos Fartamo-nos de vos Foder", vulgo política dos três FF's, com os instrumentos de manipulação, esvaziamento, desinteresse e amesquinhamento que constituem a religião, o futebol e o fado institucionalizado, autorizado, oco e bacoco) durante 48 anos (mais os que vinham de trás) teve, em 2 anos, de aprender tudo sobre marxismo, comunismo, de saber o que é a democracia, de se organizar em comissões de trabalhadores, de moradores, em sindicatos, em cooperativas...



Ou seja, já estamos a chegar lá, ...toca a instruir-se.


Claro, antes disso ainda tiveram, muitos, de aprender a ler.



Foram 2 anos (não sabíamos que iam ser dois anos) de aprendizagem à pressa, para estar por dentro das mudanças.


A questão não se trata tanto de "depressa e bem não haver quem".
A questão é que o 25 de Novembro pôs fim a essa continuidade revolucionária necessária para consolidar a mentalidade que é o fogo da democracia.
Em 1976, então, entregamos tudo, novamente, com toda a confiança - o povo assim o quis!, dirão uns, talvez a maioria - a uns quantos.



Nós, que nos organizáramos em comissões disto e daquilo para que as decisões fossem tomadas pelos envolvidos, que lutáramos pelo seu esclarecimento para tomarmos nas nossas mãos aquilo que era nosso e que trabalhávamos, que construímos, durante dois anos, uma pirâmide mais equitativa e representativa do poder, fomos, passados esses dois anos, entregar, novamente e confiantes, tudo a uns poucos.




E, confiantes, deitámos aqueles livros fora.


"Já não preciso disto" e "Já li" e ainda "eles agora tratam de tudo, por nós".
Confiantes, enchemos os alfarrabistas com os livros, agora lixo, que deixaram de fazer sentido termos lá por casa a apanhar pó e aliás a ocupar o espaço necessário para as revistas da moda.



E fomos adormecendo.


Esquecendo a história, as nossas capacidades.
Destruindo a criatividade e a força de intervenção.
Esvaziando e substituindo os valores democráticos pelos do umbigo.



E estamos nisto há 37 anos.


37 anos de alternância bipartidária, sempre a insistir, confiantes a cada 4 anos, no mesmo. Ora num, ora noutro.



E a democracia foi tomada de assalto.


Aliás, os partidos, os detentores e organizadores deste país, tiveram, até ao momento, 37 anos para o fazerem.



E nós deixámos.


Porque, adormecidos, confiámos.
Pois é, estar atento e ser lúcido dá trabalho, não é?
Pois, eles que decidam!



Pois, eles decidiram que tu deixaste de decidir.


Que tu deixaste de contar.
Agora só te contam contos e fábulas.



A teoria - não nos perdemos na meada - é a de que o excesso de uma coisa leva ao excesso do seu contrário.


Aos 48 anos de modorra e anti-vida corresponderam 2 anos de força e ter a história na mão.



Freudianamente, podemos dizer que o que é recalcado mais cedo que tarde virá ao de cima. E mais violentamente quanto mais tarde vier.




Gaiamente, diremos que a após à calma sucede a tempestade, o frio ao calor, a chuva ao tempo sem chuva, a dormência do vulcão à - conforme a sua natureza - sua erupção.




Livrescamente, a abundância daqueles livros por ler e à espera de serem lidos em alfarrabistas corresponde a indecência, a nulidade e a estupidez das escolhas que temos vindo a fazer, a cada 4 anos, e a cada 5 (veja-se o maior bacoco desde Amércio Thomaz que fomos eleger, de seu nome Aníbal Cavaco Silva...), durante estes 37 anos, nas eleições.




Ora bem, parece que já temos uns anitos, 37, para andarmos a fartar-nos disto, não acham?




Não se pode enganar um bébé com a mesma brincadeira durante 37 anos!!!, diria o nosso amigo Bradbury.






Pois, mas



Vamos supor que havia eleições em Portugal amanhã. Os eleitores poderiam escolher entre: 
a) uma opção de primeiro-ministro que foi durante muito tempo líder de uma juventude partidária, escreveu um manifesto chamado “Portugal Primeiro” e governaria, naturalmente, de acordo com as indicações da troika; 
e, 
b) uma opção de primeiro-ministro que foi durante muito tempo líder de uma juventude partidária, escreveu um manifesto chamado “Portugal Primeiro” e governaria, naturalmente, de acordo com as indicações da troika.
(Sim, é verdade, copiei e voltei a colar a última frase.)
Evidentemente, isto não é tudo. Os portugueses escolheriam um pouco mais de duzentos deputados, que por sua vez já teriam sido escolhidos por outros cinco portugueses, dois dos quais são os descritos acima na alínea a) e b). Dos cinco partidos a que pertencem estes deputados, sabemos que dois se colocariam imediatamente de fora de qualquer governo — apesar competirem entre si pela intenção de formarem “um governo de esquerda”, num caso, e “um governo de esquerda e patriótico”, no segundo. Se houvesse eleições amanhã, em suma, a grande surpresa consistiria em saber-se com qual dos portugal-primeiristas, ex-jotinhas e atuais troikistas iria Paulo Portas fazer um governo de coligação e, subsidiariamente, em saber quem seria o Miguel Relvas do PS.

(desculpem, mas não consigo senão citar todo o artigo de Rui Tavares.)


Por isso, o cronista ateu e de esquerda acaba por ter de resignar-se à realidade de que, após 700 anos, o cardeal Ratzinger acabou de provar que é hoje mais imprevisível seguir a política do Vaticano do que a portuguesa.
Não é para admirar que, estudo após estudo, os portugueses sejam dados como os europeus que menos acreditam na democracia, menos participam na vida política ou partidária, e em que a degradação desta crença cívica vai avançando mais rapidamente. No Barómetro da Qualidade da Democracia do ano passado só 55% dos portugueses consideravam a democracia superior a outros regimes. Mas somente 15% dos portugueses se diziam favoráveis a um regime autoritário. Que se passa aqui? Muito simples: os portugueses não têm nada contra a democracia em geral, mas contra a forma como esta democracia em particular está a ficar.
A reflexão crucial é a que apareceu numa opinião publicada recentemente neste jornal por João Nogueira Santos e Carlos Macedo e Cunha, segundo os quais 99% dos portugueses nunca votou numa eleição para candidato a primeiro-ministro. Ao contrário dos italianos, dos franceses, e dos cidadãos de muitos outros países onde já se escolhem os candidatos a chefe de executivo em primárias abertas a vários partidos todos os cidadãos.
Em Portugal há alguns alvores de esperança, como agora o movimento de cidadãos de esquerda que, cansados de esperar pelos respetivos partidos, pretende discutir as eleições em Coimbra. No dia em que um destes movimentos decidir escolher os seus candidatos por primárias abertas aos cidadãos, ou em que apareça um partido (existente ou novo) com coragem para fazer o mesmo, estarão abertas novas portas à participação política no país, e as pessoas voltarão a encontrar um sentido para as escolhas em democracia.
Até, e tal como nos EUA o movimento do Occupy Wall Street propôs fazer dos 99% o símbolo da exclusão económica, defendo que deveria fazer-se deste 99% que nunca votaram para escolher os candidatos a primeiro-ministro, ou os candidatos a deputados, o símbolo da exclusão política a que quase todos os portugueses estão sujeitos.

E há uma questão fundamental que era ter a ousadia de fazer um último teste. 
Um último teste ao que nos resta, que é - já repararam, sequer? - estas mesmas eleições que nos dizem ser o tudo e o nada, conforme os apologistas, da democracia que temos.
Esse último teste por fazer - continua por fazer! - já vinha narrado, em tentativa, no "Ensaio Sobre a Lucidez".
Esse teste consiste em votar diferente, mas completamente!, do que temos vindo a fazer nestes 37 anos.

E aqui saltamos para outro exemplo.
Enquanto milhares de milhões de nós andamos, por todo o mundo e  à trela dos média, entretidos com uma mudança que apenas pode ser decidida por menos que os países que esse mundo conhece e em que esse mundo tem de viver, não sei se repararam que houve eleições ali ao lado, a toda a volta do Vaticano, esse estado absolutista criado pelo mui democrático Mussolini.

Vistes quais foram os resultados?
Vá, todos tivestes de ser metralhados com a propaganda!...
E vistes quais foram as consequências / reacções a esses resultados?

Eu vou explicar e chamar-vos à atenção, para o caso de não terdes tido a lucidez de análise.
O candidato que resignou, o mandatado do FMI para aquele país, Monti, teve uns 10% dos votos. O palhaço Berlusconi teve 29%, o outro, Bersani, teve também 29% e a personagem, populista, não tardaram logo os média em fazer-nos cabeça, Beppe Grillo teve uns assombrosos, perigosos 25%.
Populista? Ok, mas não será o único, e não ouvi os "imparciais" jornalistas a usarem dessa palavra para falarem do imperialista palhaço corrupto Berlusconi.

A organização do poder deu num impasse, pois houve maioria de um dos candidatos num sítio e maioria do outro noutro sítio, i.e., Câmara de Deputados e Assembleia.

O país ficou num impasse.
Talvez tenha sido isto o foco principal das notícias.
Mas não descuremos o comediante Grillo.

Agora reparai nesta anedota.
Mal se souberam os resultados, primeira notícia que ouvi:
Os mercados reagiram em baixa.

Os mercados???
Mas o que é que os mercados têm que ver com umas eleições?
Mas porque é que...

No livro do Saramago, a escolha do voto em branco deu prò torto e os instalados do sistema partidário e do poder logo trataram de arranjar um bode expiatório para sanear o problema e repor a "normalidade democrática".

Por cá, sempre que se vota diferente, os mercados reagem.
Assim, diriam eles se fossem entidades concretas e humanas, não vale a pena continuarmos com eleições!
Como se a Democracia não passasse da melhor invenção do Poder oligárquico (que instituiu a Escravatura, o Absolutismo, e todas as demais Idades Médias por todos os tempos) para atravessar e sobreviver aos tempos e aos lugares.

Nós damo-vos a liberdade de elegerdes, mas só se aqueles que elegerdes forem do nosso agrado e confiança!
Tudo o que sair fora desse espectro não conta.

Esta é a última dúvida que temos de tirar. De uma vez por todas.
E era essa, quanto a mim, a reflexão última do livro "Ensaio Sobre a Lucidez".
Temos, para ter a certeza absoluta (para não virem depois acusar-nos que não tentámos...), de tirar essa última prova dos nove: votar, ou na extrema direita, ou na extrema esquerda e não reservar um voto que seja para os partidos siameses do centro estagnado, instalado e manipulado.

Aí veremos o poder que o Poder nos reserva ou realmente nos concedeu para tratarmos da nossa vida.

E, sabeis de uma coisa, acredito há muito tempo que a consequência imediata será uma intervenção militar eivada de libertação. Os poderes que realmente nos governam, se estrangeiros são, logo tratarão de mobilizar os exércitos para intervirem nesta porcaria de jardim à beira-mar podado.
Claro, que, antes, tratam de mobilizar os embaixadores, quais Carluccis renovados, e de pôr, tal como põem os mandatados do FMI, peças fundamentais para que as coisas não saiam do sítio.
As chamadas forças de bloqueio.
A reacção e os "insiders".

Na Grécia, antes das eleições de 1967, houve um golpe militar que pôs o país a ferro e fogo, de que aliás já por cá falámos.
Não deixaram que houvesse eleições.
E sabeis porquê?
Porque de antemão sabiam que a vontade da maioria era um governo de orientação socialista. A história do povo levou a que ele se organizasse e assim pensasse. E portanto, as eleições já não serviriam para a fachada para que servem por cá. Por cá e por muitos desses países que se dizem democráticos.

Os coronéis é que trataram, evitando as eleições, de nos dar, há muitos anos, a razão que teimámos em adiar conhecer: a de que estas não servem para mudar o essencial - só servem para dar continuidade.
Isto pode parecer um raciocínio circular, mas é assim que compreendemos as alternâncias entre os partidos do centro, que não distinguimos os democratas dos republicanos: os interesses que realmente governam e que nós não elegemos estão instalados, legislam e mexem os cordelinhos para que o poder nunca seja repartido ou transferido.

Ui, o poder cair na rua seria o desastre!
(Ouvimos esta de um comentador, depois do sábado passado)
Seria, não seria?
A que desastre estarão eles a referir-se mesmo?
À desacreditação final do sistema?
Ou será à "rebaldaria" e ao "perigo" do populismo e da deriva do poder?

O problema posterior vai ter àqueles livros a ganhar pó.

"It's a large nation, but still very weak", 
acertava o Leonard Cohen no Festival da Ilha de Wight

Mesmo se isto se desse por uma revolta de lucidez (votar só e apenas nos extremos, ou num ou noutro) faltar-nos-ia depois a capacidade de nos organizarmos para podermos tomar conta do nosso destino.
Sem patrões nem senhorios.

E a falta de criatividade e de inteligência que perpassou na manifestação de sábado passado é o mais preocupante de tudo isto.
O poder não é nada sem controlo, dizia um anúncio de pneus de que alguns se lembrarão. Se o viveram e se o guardam na memória (a possível...).
O poder cair na rua será o desastre se se tratar de força bruta, esta força bruta que é sempre tão maleável que basta um qualquer charlatão que cante melhor que o Relvas para a mobilizar a seu favor, crendo, crentes, os indignados ter ali, perante, eles, mais um salvador da pátria saído do nevoeiro que criámos por desleixo.
Tal como Salazar.

A qualidade da democracia está intimamente com a capacidade do seu povo.
E se quiserdes prova cabal disto, FODA-SE, fiquemos e aprendamos com isto:


Porque tiveram um presidente da república que, ao contrário dos fantoches e sucedâneos de Kissingers, preferiu sacrificar a economia em vez da democracia e porque o povo se organizou para decidir o que fazer com o que lhe diz respeito.

As bases da estupidez grassam, alimentadas por quem quer manter as coisas tal como estão. E assim, toda a mudança se vê dificultada ou mesmo impossibilitada.

Lá está, os tais 37 anitos.
Continuamos uns bébés...

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Meus amigos, pequenas coisas que vão passando à margem


Um sismo de intensidade 6,1 na escala de Richter abalou hoje a região de Vanuatu, no Pacífico Sul, sem que as autoridades tenham informado sobre a existência de vítimas ou danos materiais, ou emitido alerta de tsunami.
A República do Vanuatu está localizada no chamado "Anel de Fogo do Pacífico", registando abalos sísmicos com frequência.
(Ler mais AQUI)

Ministros europeus aprovam fim das rejeições de peixes no mar. Mas há excepções [e algumas omissões pelo meio]
(Ler mais AQUI)

À estratégia de mercadorização do mar corresponde a apoteose do desperdício mais insano. Esta verdadeira infâmia ocorre há vários anos. Recordo-me de assistir na RTP2 em 2012 a um documentário bem elucidativo a este respeito, denominado "Hugh's fish fight", vertido para português "Hugh e a causa das pescas". 

Deixo aqui um vídeo promocional.




terça-feira, fevereiro 26, 2013

São bons hipoteticamente, ou lá fora, mas aqui, ou quando se vai a aplicar a sua bondade, dá nisto


O Grupo IKEA, após ter promovido a construção das suas fábricas de móveis em Paços de Ferreira, numa área que estava integrada na Reserva Ecológica Nacional, e também após o abate de sobreiros no terreno previsto para a loja em Coimbra, pretende agora construir uma nova área comercial em solos da Reserva Agrícola Nacional (RAN), no concelho de Loulé, revelando uma enorme falta de responsabilidade ambiental.

A Quercus teve conhecimento que a IKEA Portugal pretende construir uma nova área comercial no Algarve, tendo a empresa imobiliária (IMO 224 – Investimentos Imobiliários SA.) promovido a compra de terrenos em solos da Reserva Agrícola Nacional, no sítio de Alfarrobeira, em Loulé, próximo da A 22 - Via do Infante.

Plano de Urbanização Caliços – Esteval elaborado para viabilizar IKEA

Para viabilizar a construção deste novo centro comercial da IKEA, o Município de Loulé elaborou um "Contrato para Planeamento" com a IKEA Portugal e a INTER IKEA, que visa elaborar os estudos e acções, com a finalidade da aprovação do Plano de Urbanização Caliços – Esteval. Este Plano incide numa área com 355 ha, mas em que 12 ha estão condicionados devido aos solos da Reserva Agrícola Nacional, estando prevista a sua aprovação nesta sexta-feira pela Assembleia Municipal de Loulé, sem que tivesse sido avaliada uma alternativa de localização para este Centro Comercial do IKEA.

A exclusão de solos inseridos na RAN traduz-se na reclassificação de solo rural para solo urbano, mas apenas com carácter de excepcionalidade. No entanto, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve concordou com o proposto Plano de Urbanização. Para além da DRAP do Algarve, nunca a CCDR do Algarve deveria ter viabilizado este Plano de Urbanização sem que tivessem sido estudadas alternativas de localização para o Centro Comercial do IKEA, uma vez que esta expansão urbanística não estava prevista no Plano Director Municipal de Loulé.

Verifica-se uma vez mais a subversão total dos princípios de planeamento e de um correcto Ordenamento do Território, no sentido da contenção da expansão urbana e da concomitante preservação dos solos agrícolas e do património natural. Com efeito, o País continua a perder os melhores solos agrícolas, boa parte das vezes apenas e só devido à especulação imobiliária.

Basta ver o recente exemplo do Município de Oeiras, cujo Presidente viu recusada (pela CCDR) a sua pretensão de transformar todo o solo do Município em solo urbano, no âmbito da revisão em curso do respectivo PDM, deste modo sacrificando solos de elevada capacidade agrícola ainda existentes naquele Concelho.

A Quercus deixa claro que, apesar de considerar o investimento do Grupo IKEA importante para a região, entende que a localização deveria ser escolhida evitando as áreas da RAN ou outras condicionantes previstas nos instrumentos de ordenamento do território. A Quercus lamenta que o Grupo IKEA insista na construção de empreendimentos em áreas ecologicamente sensíveis e condicionadas, quando existem alternativas que deveriam ser ponderadas na seleção de locais para investimento.

Lisboa, 7 de Fevereiro de 2013