sábado, julho 20, 2013

Crónica de uma morte anunciada*: cidade de Detroit declara bancarrota




A cidade que é considerada o berço da indústria automóvel norte-americana, e que foi fundada há mais de 300 anos, não consegue sair do poço de dívidas em que tem vindo a afundar-se e, por isso, pediu protecção judicial ao abrigo do capítulo 9 do código de falências, que só se aplica às entidades municipais.

Em 2009, a Administração Obama ajudou financeiramente a salvar dois dos grandes nomes da indústria automóvel de Detroit, a General Motors e a Chrysler. Mas desta vez, a Casa Branca não pôs dinheiro à disposição do município para tentar inverter uma situação financeira cuja gravidade fica patente no défice orçamental anual de 100 milhões de dólares. (sublinhado meu)

(ler mais aqui e aqui; imagem daqui)


(*frase roubada a Gabriel García Márquez)

terça-feira, julho 16, 2013

Contra a Terra Queimada

The spectres scratch on window-slits, 
the hollowed faces and mindless grins 
are only intent on destroying what they've lost. 

"A Plague of Lighthouse-keepers" (SHM), Peter Hammill 

Diz-de da política da terra queimada como da doutrina do choque capitalista: arrasar tudo.
Há quem prediga Portugal a renascer da destruição: há que alimentar não a ele, mas a ela! 

Os mercenários quotidianos, caseiros e foráneos, do capital estão sempre lá, nos bastidores, pois criaram e mantêm, com a nossa cumplicidade, a economia do desperdício e da destruição para dela serem reis e senhores e amestrarem e produzirem, assim, os seus inferiores. 

Há uma cadeira afogada num rio que não é um rio. 
E ninguém vai lá sentar-se. 
Mesmo sem sofrer de rouquidão ou padecer de afonia. 
Será do frio? 

E a água que não é bem água, umas vezes tem peixinhos a querer crescer, outras leva-os, mortos, sem saberem bem o que foi que os matou. 

A saúde de uma cidade pode ver-se pela saúde das suas águas, o desenvolvimento de uma sociedade pela protecção e pelo respeito que confere aos mais velhos e o progresso duma economia aferir-se pelo grau de igualdade entre os rendimentos. 
Mas tudo isso é outra história. Na qual, nos dizem, que não podemos tocar: é inevitavelzinho. 

A política da terra queimada é para ficarmos a sorrir, já sem razão nenhuma, para os destroços que ficarão, se formos nós os assassinos incendiários e destruidores. 
Já que tudo se perdeu, para ninguém mais ficará, diz a inveja depredadora que tudo pretende esterilizar pelo caminho. Deixando para trás caminhos todos por recomeçar. 

E é com tal cinza em pedra que nos vamos confrontando pelos recantos dum país ainda com tanto encanto para cantar. A terra despida, a terra despojada de solo, sulcada e ferida, arrasada pelas chuvas tão úteis mas tão inutilizáveis. Sem estrutura, nada fica. 

Foi para combater isso que o Movimento Terra Queimada surgiu. 
Precisa das mãos de todos os que quiserem ajudar na batalha.





No âmbito de um concurso europeu, o projecto Semear a Vida em Sítios Desertificados aguarda pelo nosso apoio. Neste momento faltam 34 dias para votar os dez melhores e - adivinhem - a proposta deste movimento de Vila Nova de Gaia encontra-se em primeiro lugar. 
Será muito bom - e é bem simples - se tal posição se mantiver. 
Basta votar! 

Neste preciso momento, o Movimento Terra Queimada está a procurar voluntários para vigilância e prevenção de fogos florestais e outros danos na Serra da Freita (distrito de Aveiro), no tão pouco conhecido, pleno de potencialidades, e tão mal protegido Geoparque de Arouca (as parideiras e a Frecha da Mizarela e tal... mas há muito mais neste espaço fantástico!)

Será durante a época de Verão. 
Voluntários precisam-se! 

O Movimento Terra Queimada está no Feicebuque e espera pelo vosso contacto. 
Quem estiver interessado em ajudar no que diz respeito a todos, pode fazê-lo inscrevendo-se aqui

Bem-haja a movimentos como este, apaixonantes e congregadores de fogos criativos e boas energias. Renováveis.
O Georden associa-se-lhe e cá viremos depois dar-vos as nossas impressões da acção.

domingo, julho 14, 2013

No problema está a solução: em quase todos os casos, basta inverter os processos que o originam

 (sim, está em Inglês)

Os espaços que nos estão vedados são privados: de outro modo as pessoas tomariam conta deles. Para uma qualquer actividade. 
Foi para isto que os bancos e as empresas nos roubaram a terra? Para nos matarem com o vazio, com a inutilidade gritante à nossa frente?


Mudar os esquemas calcinados do pensamento:

- Não receias que te roubem a comida?
- Claro que não!! É para isso que ela está na rua!


Enquanto não mudarmos o uso do solo - e recuperarmos o solo - não mudaremos o mundo. Pois foi isso que as empresas fizeram para torná-lo na porcaria em que ele está.

Em cada engano se esconde a verdade e é, aliás, só através dele que ela pode manifestar.

sexta-feira, julho 12, 2013

Ó Mái Góde (OMG - Organismos Manipulados Geneticamente)

Como congrega muitos crentes, os lóbis dos trangénicos já trataram de fazer a cabeça (para não empregarmos outro verbo) à Igreja Católica. Alega a santa instituição, a parte espiritual imperante do sistema materialista imperante, vejam lá, que as culturas transgénicas podem ajudar a acabar com a fome no mundo.
Ler mais aqui.

Contradição implícita, não na frase (e por isso, de bem estão com o seu argumentário), mas no que um mínimo de atenção nos demonstra: o que as empresas precisam é de lucro. E a julgar pelos dados que não param de nos conspurcar (a nós também) é de que o sistema está a funcionar muito bem (acumulação de capital nunca visto na História).

Se realmente quisessem acabar com a fome, já o teriam praticado.
Ao invés, os organismos geneticamente modificados são mais um teste, levado à escala global, e em humanos, para a erradicação dos "não economicamente viáveis", os "subalternos", os "desprotegidos, frágeis e pobrezinhos" do mundo, os "excluídos do bem-estar" dos países "desenvolvidos".

Não é que tanto se lhes dê que, durante os testes, morram milhares pelo mundo fora (desde que não morram onde está o poder que controla o mundo), em testes não controlados, forjados, com corrupção como prática efectiva ou regulamentar. O que se lhes dá é isso mesmo: que morram os que não têm direito a consumir mediante pagamento. A redução da população mundial está silenciosamente em curso. Pois os efeitos, sem poderem ser directamente associados, estão pulverizados pelo espaço e pelo tempo.

Vá, ainda abrem excepções para açambarcarem mais propriedade, corpos e almas pelo mundo que, coitado, não se regula pelos mais altos padrões de legalidade internacional (o dinheiro e o capitalismo).

Mas são os ratinhos de laboratório.
A terem tomado todos os recantos da Terra.

Gostava que analisassem connosco o seguinte gráfico
(quadro adaptado e traduzido por E. Soja e publicado originalmente aqui)
(clicai para aumentar)

Mesmo leigos em química, sabemos distinguir números. E os números são muito diferentes entre um milho manipulado e outro não manipulado geneticamente.

Este gráfico é gritante e o que nos espeta na cara é demasiado grave para passar despercebido.

Vede por exemplo o teor em cálcio (ai a osteoporosezinha que afecta os habitantes do mundo rico...), em sódio (ai a hipertensãozita que afecta os habitantes do mundo rico...), o ferro, o zinco, o cobre...

E vêde também a nota número 6, referente à presença de formaldeído (o milho GM tem, o milho normal não tem). O formaldeído é, se bem se lembram e puderam ver na trapaça gigante que foi a introdução do aspartamo nos alimentos processados (tudo porque vamos todos atrás dos produtos "light", sem açúcar...) (vêde este documentário e não passareis mais a olhar os produtos da prateleira com olhos tão desatentos)

Tirai as vossas conclusões.

Uma delas, que vamos nós tirar, é que a comer daquela porcaria andamos, nutricionalmente, a fingir que comemos. É o simulacro braudillardiano ou o fingimento de vida débordiano na sua base: a alimentação.

Sobre a Capacidade de Troca Catiónica, podemos ler mais, por exemplo, aqui, mas parece-nos (alguém pode ajudar-nos?) que, aplicado à alimentação, tal CTC estará ligada à capacidade de absorção dos nutrientes por parte do organismo.

Andam, portanto, a mangar co' a tropa.

E concluímos, no final, que os Organismos Manipulados Geneticamente...
... somos nós.

quarta-feira, julho 10, 2013

Como dizia o outro: primeiro a minha mãe, depois a família...



Tribunal arquiva processo que pedia perda de mandato para Mesquita Machado. Em causa estava o facto de o presidente da Câmara de Braga ter aprovado a expropriação de prédios que foram da sua filha, para serem integrados na futura Pousada da Juventude.


(ler mais no arquivo)

[imagem]


domingo, julho 07, 2013

És a Economia, Estúpido!

Braga, exemplo multi-exemplar à sombra e a reboque de uma esquina predial
Foto de Edward Soja - 08.05.13

Ui, que tem estado um calor!
Úfia...!

Que estranho, há dias, terem decretado ("está decretado!") alerta laranja para 3 distritos do Continente.
E quais eram eles? Évora? Beja? Viseu?
Bragança? Sim, co...rrecto!!
E os outros dois?
Leiria...

Espera, Leiria?! Leiria porquê??
Sei lá!

e qual falta?

Braga!

Ah, sempre na mó de cima.
E com certeza que não é Braga todo o distrito. Por exemplo, Esposende não contribuirá muito.
Nem Barcelos.

Encaminhemo-nos para o centro do distrito. Sim, para o concelho-sede.
Como as fronteiras são arbitrárias e podem ser desconstruídas e analisadas e então percebidas - mais uma vez  - como arbitrárias, também certas intervenções e modos de "desenvolvimento" territorial produzem seus efeitos.

Mas para mais questões ide perguntar aos acólitos que temos sustentado e que têm sustentado os políticos do betão e do cimento, da construção porca, desordenada e miserável em altura, da rarefacção das árvores e dos espaços verdes dignos desse nome, da concessão aos privados e dos favores em cadeia, da trucidação e do esvaziamento do espaço público e de intervenção cívica e democrática. Na Polis.

Braga é excelente.
É bom viver em Braga, mas à medida que nos viramos para outras formas de ver o mundo e de nos apropriarmos dele, vamos verificando que não é isto que nos está a faltar.
O cidadão de Braga sofre.
Os popós de topo com vidro fechadinho no calor abrasador são o outro lado das pobres pessoas que têm de caminhar ao sol sem sombra nem clemência que alguns destinaram, por incúria, desplaneamento, cabeça-tontismo, estupidez, inépcia, corrupção, para nós, a cloaca dos seus apetites parcos em ética e respeito.

E, mal podendo, milhares (a cidade está silenciosa e deserta e alguém pode escrever o teu nome em qualquer parte, que o calor derretê-lo-á...) se desolocam em massa para a praia, tentando sobreviver.
É o comportamento animal, entendível, e, assim, facilmente previsível. E, então, controlável e provocável.

E é destas "racionalidades" comportamentais que se faz a economia da destruição.
Esperam os titeriteiros do capital que o nosso comportamento não sofra desvios. Tal como eles planearam com todo o amor e dedicação para nós.

E assim vamos, atropelando valores que (estão em planos distintos pois criámos um modelo de existir que, para permanecer, teve de ser criado à força e afastar-se do plano original) não se regem pelo mínimo denominador comum que é o lucro.

Olhai como o lucro na imagem se materializa: poupança de tempo, compactação do solo e perda do verde.

É preciso uma análise que nem é difícil, basta... ui... ter memória para termos capacidade de antecipação... e aprendermos com a história mil vezes, mal, repetida, para gáudio de alguns.
Que questione os valores pelos quais nos comportamos como nos comportamos.

E esta economia não é um deus.
Porque mesmo os deuses... és tu que os crias num momento de demissão de ti mesmo.

Tu és o que queres que a economia seja.
Certo, ela não muda toda só por tu mudares todo, mas muda o bocadinho que mudares. 
E é agora que muitas pessoas se manifestam contra a economia que ela está a mudar mais.
Não demos ainda os passos inteligentes que esta lucidez requer.
Mas estamos a recomeçar.

Deixa de ser estúpido: ou tens de mudar o caminho, ou tens (crítica mais profunda, crítica da estrutura) de mudar o destino. 
Sendo que, mudando o caminho, mudarás o destino ou o que lá irás encontrar.

Vê lá o que preferes: o paradigma da auto-estrada ou a sustentabilidade.

sexta-feira, julho 05, 2013

Os Anjos de Pureza

"- Quem foi o responsável por isto??
Quem é que o deixou entrar?
Vamos abrir um inquérito e iremos punir os culpados!
É tudo por agora.
Não haverá lugar a perguntas."


Imagem daqui

Assim falou, em conferência de imprensa, irado e furioso, inquiridor, acusador e inquisidor, o maior cego dos tempos calcinados.

O louco acabara de descobrir, coitado, acolitado e empalado, que deixaram entrar o sol na terra.


(Sim, claro, mas, obviamente, mais do que o habitual.
E sabemos do que estamos a falar...)

Ai o purista!!
Nem admite dúvidas.


(Ah, só para informar os caríssimos cegos de que os culpados irão ser punidos sem necessidade daquele inqueritozinho persecutório.)


O purismo é igual a nada: pois todas as concepções mentais separatistas acabarão a morrer na praia a debater-se entre os dualismos. Sejam os do corpo e da alma ou, primordial, o da forma e do conteúdo.

Mesmo assim, admitem, hipocritamente, quais pregadores da mortífera religião católica, que uma coisa nada tem que ver com a outra e que a independência é um facto.

Só à custa de muita propaganda é que lá chegam.

E se esta julgam necessária é já sinal de que tal ideia não decorre de cada um a descobrir.

Os sistemas fechados, física e geofisicamente, não ocorrem na Natureza. Há sempre algo que escapa, sempre algo que, mesmo que em quantidades diminutas, entra nele.

A água da Terra interage com a biosfera, ela própria tendo-a como constituinte.
E se tudo fosse fechado, sem intervenção do exterior, a luz nem sequer entrava, amigo de óculos escuros e bengala a dar a dar.


Imagina o teu ser, já que podes, antes de ser ser capaz de pensar. Pois seria isso o que serias se não interagisses com o meio, que - já nem vou falar de "ingerires" as coisinhas suculentas e sucurrápidas do meio - a luz não entrava, que o oxigénio não entrava, nem o dióxido de carbono saía...


Tu não existes, ó purista!
E eu aqui te denuncio de uma vez por todas!

As fronteiras são arbitrárias e existem apenas para não perdermos a consciência de que elas são transponíveis. E que é NECESSÁRIO que assim seja.

Para seres o que és e para sermos o que somos.

És um ideólogo quase perfeito da manipulação.
O tal da mão invisível.

Dos mercados.

Sem quaisquer intevencionismo - MANTENHAM OS ESTADOS FORA DA ECONOMIA! - assim gritou o senhor Friedman e seus sequazes petizes boys chicaganos a borrar o mundo.



Mas algo falhou, estúpido.

E não foi a economia.
Foste tu e a tua besta criada teoria.
A dita abertura, a ditadura dos mercados, da economia livre e todas as balelas que nos tens feito engolir, qual merda em vez de pão, desde a década de 50.

E vou passar a explicar-te porquê.


A economia não levou as coisas ao sítio, normalmente: apenas acelerou a transferência da riqueza para o poder. Não está na normalidade, económica ou o raio que a parta mais for, a insustentabilidade dos ciclos com becos ocultos, mas segurados, securitizados.


Imagem daqui


Essa seria a primeira explicação. Mas ainda não te chega, sei que não. 

Crente sou, a querer fazer ver o cego pior, o cego que não quer.
Mas alguém mais - tu nem me interessas, que nada és sem os que se te submetem - há-de ver as razões.


A tão propalada e defendida não intervenção do Estado, em nome da justiça e da liberdade - ECONÓMICA, claro, seu carecedor de definições, apto às manipulações nas omissões - :


a) "flexibilização" laboral [para despedir melhor, para pagar menos, para reduzir as férias, para impedir liberdade de associação, reivindicação (sim, quem reivindica também está a empurrar-se para a posição de submissão, pois mantém-se na situação de pedir...)... para tomar consciência de que as coisas são ordenadas e que, se assim são ordenadas, de outra forma o podem ser]


e (basicamente)


b) concessão dos serviços aos privados (dizes ser em nome da eficiência económica, mas sua besta, com ou sem ela eu já te descobri a careca!),


e tal inclui tudo o que diz respeito a todos


- a Saúde
- a Educação e o direito à diversidade de opiniões
- a Segurança Social
- a Habitação
- a alimentação
- a água
- os transportes públicos
- as estatísticas
- o DIREITO ao trabalho
- a manutenção dos espaços públicos
- a gestão dos parques florestais e reservas e recursos naturais (detesto o emprego da palavra "recursos", em "recursos naturais", pois faz depender o entendimento de os mesmos são para usarmos... ou que estão ao nosso serviço... económico, até, claro!)
- o poder de decidir sobre estes assuntos
...


Com o cerceamento exacerbado destes direitos, decorre

não o direito de fazer a guerra, que o monopólio, reparámos, está do teu lado, mas o direito de sofrer com ela...


A concessão é a delegação e esta é o princípio da não-representatividade, e, por sinédoque, do funcionamento sempre cambaleante da injustiça. Seja esta praticada em Capitalismocracia, em Comunismo, ou no que mais te apetecer chamar-lhes.


A concessão dos serviços de todos às empresas de alguns (sob as quais se escondem, vermes protegidos, os "accionistas") não é para garantir, necessariamente a sustentabilidade económica, mas - A RAZÃO ESTÁ MESMO À FRENTE DO NARIZ E É POR ISSO, A PROCURAR RESPOSTAS MAIS LONGE, QUE A NÃO VEMOS - para garantir - de imediato e na própria prática presente, sem esperar de resultados futuros - a transferência dos dinheiros públicos para o bolso dos privados.


O que distingue ambos os interesses, não queres perguntar?

É que um, simplesmente, zela pelo interesse da maioria e outro pelo interesse da minoria. Como não se podem confundir, ambos inventaram uma sua correspondente materialização: o lucro para eles, os danos para todos os outros.


O capitalismo é verme por natureza.

Por isso é que nunca deixará de ser injusto, de manter e amplificar as injustiças e as desigualdades.


Vêde bem, como Portugal é dos países onde a desigualdade económica mais tem crescido nos últimos anos.

O Junqueira explicava há dias, que, apesar da crise e da pobreza, os bilhetes dos festivais eram muito caros mas que isso se deve à capacidade para muitos poderem suportá-los, pois que a diferença de rendimentos assim lhos permite. E assim os grandes festivais vão parar às capitais, que são as capitais do capitalismo. Portanto, das maiores disparidades de rendimentos.


E, conclui, é por Portugal ser um país pobre (tratemos de redefinir que a riqueza ou pobreza de um país não é o valor da média dos rendimentos, mas a, respectivamente, menor ou maior desigualdade entre eles) que os festivais campeiam e estão cheios.

E que é por isso que tem tanto sucesso o Rock in Rio, festival exportado, mera coincidência?, de um dos países mais pobres (i.e. injustos) do mundo. O Brasil.

(Vêde como o sobrinho do Cavaco e a sua terratenente-pavilhão-atlanticizada privada empresa nos vai enojando até à exaustão com a publicidade ao maior cartaz de sempre do festival de Oeiras. É um privado a inundar a televisão e a rádio do Estado... são parasitas, como sempre foram e não PIDEm deixar de ser - está na sua natureza imperial).

Imagem daqui

O capitalismo é uma festa, mas a maior parte são convidados que não têm para onde ir, inebriados pelo espírito que não lhes resolve a pobreza, a eles, com a opulência ali escancarada à frente...


E é assim que podemos dizer que a promessa da mão invisível só resultou se este acelerar das desigualdades fosse o primeiro ou o único propalado benefício da desregulação e do esvaziamento dos Estados enquanto moderadores da economia.


Assim, sim. E a economia livre está a funcionar bem e bem de mais!

O problema (e já lá vou) é que isto equivale a dizer que economia livre é contrário de democracia.
Tal como, a par e passo, o desenvolvimento (tido como crescimento, para uns, e destruidor, para todos) é incompatível e contrário da ecologia.
Tal como, qual espelho, o exercício da democracia directa representa uma ameaça ao "normal" funcionamento depradatório e assassino dos mercados.
E é por isso que eles reagem quando algo os pode pôr em causa.
É a censura dos mercados.
Tão livre que ela é...!


Esta perversão deve-se, dizes, a que ainda não houve suficiente desregulação e privatização.

Por isso o pequeno deus caseiro Gaspar dizia que o pior erro era aquele que ainda não tinha cometido, mas que estava prestes a cometer. ("inevitavelzinho a dar c'um pau...") Porque a ideologia do mercado não permite desvios nem intromissões e se o caminho está errado então é porque tem de ser levado até às últimas consequências. Errado para todos os outros, certo para os iluminados da mão invisível. (Mão invisível? A quererem tanta desregulação??)


Mas esta foi a única perversão quiseste iluminar para nós.


Pois o tal purismo que defendes, tu e os teus mal paridos filhos, não deu prò torto só aí: a questão é que nunca o quiseste praticar.

Pois como os sistemas puros, fechados não existem, tu sempre fizeste o teu necessitar do que pretendias combater

- Para impores a ditadura dos mercados, precisaste, helás!, da ditadura militar. 

E o EXÉRCITO é, olha, olha... uma instituição do Estado.
Sim, tens resolvido esse assunto, cortando financiamentos à Defesa e profissionalizando as Forças Armadas, mas só porque começaste a criar mercenários privados. Acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


- Para garantires os seguros de saúde, as reformas para quem trabalhou e trabalha, criaste empresas e bancos de investimento, enquanto ias depauperando o sistema de segurança social. Mas só se o ESTADO, lá está permitisse que essas tuas empresas pudessem fazê-lo e, MAIS, te pagassem para o fazeres. De que pagamento falo eu então? Não te chega esse dinheiro de todos passar a estar nas tuas mãos??

Assim, acaba-se com um serviço estatal e os dividendos ficam todos do teu lado.


Para forneceres - só a quem pagar, e BEM (leia-se MUITO)! - água, habitação, saúde e alimentação às massas, à ralé, coisas que tu é que decides e classificas e produzes e instituis, crias empresas para o efeito. Delegadas, por despacho administrativo, local e nacional, nunca internacional, que este é o somatório dos grãos a grãos de areia daqui e dali. 

E, para acelerares este processo de transferência, destruíste esses bens enquanto não estivessem ao teu serviço.
Mais uma vez, deu-se a transferência dos dinheiros. Do público para ti.
Por um punhado de milhões.
Que por só estares nisto pelo dinheiro é que te distingue do público.
E assim dita a lei do mercado.
E assim, dita ela, acaba-se com os serviços estatais e os... DIVIDENDOS ficam todos do teu lado.

PERCEBESTE???
SEU ESTÚPIDO...


O Mercado só existe se o Estado existir.

Pois que ainda não acabaste com ele de vez para continuares a chupá-lo.
A nós.


Porque és de natureza injusta, não representativa, e a tua legitimidade nunca foi referendada...


(NÃO SE ABREM INQUÉRITOS, POIS SE SE ABRISSEM DESCOBRIRIAM A RESPOSTA...
E a resposta seria oficializada: NÃO TENDES LEGITIMIDADE PARA CONTINUARDES A EXISTIR E A "funcionar normalmente".)


... é que precisas do Estado: escondes-te atrás dele para fazeres o teu trabalho sujo que é EXISTIRES.

E queres, via propaganda mil vezes repetida, fazer-nos à tua imagem e semelhança, deus vil e estuporado!
Queres reproduzir o teu sistema de pensamento dentro de nós e por todos os países, terras, povos e sociedades.


O buraco financeiro dos países é uma forma anódina e antónima de falar do dinheiro que os privados sugaram aos Estados. Sim, bancos e empresas chupam tudo e depois vêm com reacções dos mercados e sermões de agências de notificação financeira para imporem o seu pagamento.

E os juros da dívida é para os manterem para sempre acorrentados e garantirem a sua sustentabilidade. Sim, a dos bancos, que as pessoas já não querem ter nada a ver com eles. 
Por isso apelam ao Estado, o Estado de que eles sempre dizem ter querido ver-se livres, para salvar a economia. Pois a economia, tal como ela está e existe, é A DELES

Imagem daqui

Para que o Estado apenas continue a transferir o dinheirinho e o poder para os privados. 

Que o capitalismo tem de crescer e crescer, indefinidamente, sem volta atrás e sem interferências. A ritmo constante, senão... crise!!!!

A crise é o estado permanente, nos que comem muito e nos que não comem ou comem mal (de menos e de mais), por isso, não nos venhas falar que o Capitalismo é o melhor sistema com excepção de todos os outros, seu encurralador NATO implacável que tudo esterilizas...

Se não és puro
se não podes ser puro,
se não consegues ser puro,
se não queres ser puro,
Só podes ser corrupto.
E é corrompendo que te exercitas.



Mas, olha, vê lá:

é que isto está tão mau, tão mau, tão desequilibrado, levaste a um agravamento tal das desigualdades, corrompeste as relações sociais de tal forma, fodeste de tal forma o Estado que, imagina tu, é o próprio ESTADO que está agora a ser posto em causa.


E as instabilidades nos Governos não são senão a antecâmara do que pode chegar a ti. São os Governos e os ESTADOS a linha da frente, a carne de canhão que te protege a rectaguarda enquanto tentas dar à sola.


Mas nós vamos cercar-te.

Tal como nos tens feito durante estas décadas todas.
E, lamento, mas também não vamos ter piedade de ti.

quarta-feira, julho 03, 2013

Representatividade

Quando um país está desagregado e o seu Governo não o acompanha, ou está a tentar agregá-lo ou está em vias de se esboroar ele próprio.

Mau sinal era que, assim, o Governo se mantivesse de pedra e cal.

Que significaria isso senão um completo divórcio, mesmo que filosófico, entre governantes e governados?

(Nem merece uma palavra a arte do bacoquismo de quem preside a esta piolheira de república dos bananas, ele próprio um banana da pior espécie e com provas dadas nas "negociatas em cadeia sem cadeia à vista".)
(Só para definir os fálicos amarelos: são aqueles que, não denunciando a corrupção, e acomodando-se às migalhas da mesma, obstam a que ela seja combatida.)

Mais: se se verifica tal divórcio, como pode um ser considerado governo e outro governado?

A pança deste Governo, como a ministra Assunção disse sobre os eucaliptos, "cresce um bocadinho": que há lá dentro? o joguinho e o rato.

A montanha pariu o rato.
Somos nós os paridos.

E os mercados já reagiram!
Ui...

Aí está a tão propalada independência da Política face ao poder económico.

Os tais condicionamentos, as tais fivelas do cinto que nos aperta a barriga e a respiração democrática: como resultado, se qualquer país, dito aberto, ocidental, globalizado (i.e., sujeito às forças da globalização, que mais não são que as forças dos agentes multinacionais e de nação nenhuma, incluindo as ditas duras instituições "dos países todos, que se reúnem para discutirem dos seus assuntos..." como o FMI, e também as agências de notação financeira e os bancos...) quiser um rumo distinto...

...os mercados reagem!

Como consequência, morreremos encaixados (no caixão) no centrão e no lodaçal que extingue e trucida quaisquer ondas.

Mesmo que numa hipótese remota de o "povo", que o polvo adora tragar, eleger um governo dito das extremidades, que condicione a acção das tais ditas duras que o condicionam, a reacção será automática e proporcional.

Vejam o que cozinharam para o Chile no dia 11 de Setembro de 1973.
Nada de muito diferente, até e portanto: sacrificam a confiança dos portugueses em nome da confiança dos estrangeiros, das instituições internacionais e dos mercados. 
E sacrificam as pessoas em nome da economia.

No fim, aos pedaços, aos despojos, comentam os exilados:
"A operação foi um sucesso, mas o paciente morreu."

quarta-feira, junho 05, 2013

Não são prenúncios, senhor: são já a coisa propriamente dita.


Ao analisar a temperatura da superfície da terra, a NASA apurou que 2012 figura como o nono ano mais frio desde 1880. Os cientistas da NASA do Instituto Goddard para os Estudos Espaciais (IGEE) comparam a média global da temperatura de cada ano com a normal climatológica que vai de 1951 a 1980. O período de 30 anos permite uma base de análise a partir da qual se pode medir o aquecimento que a Terra tem sofrido devido ao aumento de concentração de gases com efeito de estufa. 2012 foi o nono ano mais frio mas os dez anos mais frios analisados pelo IGEE foram registados desde 1998, continuando a ter temperaturas bem acima da média das registadas durante o século XX.

As medições fazem-se desde 1880 pois foi a partir dessa data que passou a haver estações meteorológicas suficientemente distribuídos no mundo para apurar a temperatura global.


Vídeo e texto da Agência Nacional Norte-Americana


Ah, para quem reparou, hoje é Dia mundial do Ambiente, mais um dia a maltratá-lo.
Malgrat os esforços dos Davids que lutam pela calada contra os engenhos da destruição.

domingo, maio 12, 2013

Aí está ela.

Aprovada na Comissão Europeia.



Agora, "quem cultivar, reproduzir ou trocar sementes que não tenham sido registadas, testadas e aprovadas pela nova agência* incorre em 

acto ilegal".


Pronto.
É tão-só isto.
Vamos ver o que é que vai acontecer agora.





* uma nova agência a criar: algo como Agência de [e não Para a] Variedade de Plantas da União Europeia.


Saber mais aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui...



"O capitalismo generalizado não pode deixar de destruir o planeta tal como destruiu a sociedade e tudo o que é colectivo.


Serge Latouche

terça-feira, abril 09, 2013

Fafenses: somos todos Madeirenses! Terceirenses, Micaelenses, etc. etc.

Quando os erros não são pagos pelos que já se puseram a andar,

isso tem nomes: corrupção, prepotência, usurpação, desrespeito, abuso de poder, manipulação e outros procedimentos da mesma índole com que os nossos empreiteiros / autarcas / políticos / empresários sem escrúpulos e valores que não os do bolso e da bolsa aprenderam a viver, impunes.

Ordenamento do território desordenado, território vilipendiado, uma vítima é uma vítima a mais.




Para funcionar bem e fazer da prática um sistema, não basta haver corrupção nas altas instâncias que beneficiam com as infracções ao que a lei quer salvaguardar: é preciso que as bases alimentem e sustentem essa corrupção. Por exemplo, com a ignorância dos riscos, indo alimentar erros.
Depois sofrem as consequências.
Que de nada adiantará procurar culpados se o desastre já tiver destruído vidas.

Quereremos apanhá-los, nós, por entre os despojos e os detritos que deixaram para nós. Só para nós.

 Imagem do Jornal de Fafe




Imagem do Jornal Público

Importa em tudo o que tem carácter geográfico o que em si está implícito: o enquadramento. Por isso, a imagem do jornal Público é elucidativa do desnível a que as casas estão.

Isso é só a topografia. 
Que, para a força gravítica, é quase tudo.

Mas depois vem o historial daquelas terras: se eram dali, se resultaram de aterros, se eram só terras, se se encontravam solidificadas, se continham rocha-mãe...

Quanto ao clima, devemos sempre lembrar-nos que há uma quantidade de precipitação a que os sólidos passam a comportar-se como líquidos.
Esse comportamento pode ser coadjuvado pela topografia e pela composição.

Há ainda outros factores a ter em conta: 

- o impacto que o terreno estava a suportar (fundações das casas, peso por área...)

se o mesmo tinha alguma força que as contivesse face ao desnível (muro, paredão...).

- se o Plano de ordenamento vedava a construção, devido à classificação da área e face ao declive. Claro que não devia ser o caso, como já não é assim tão óbvio.

(nem vamos referir a vibração da circulação rodoviária, ou outra, pois se um terreno sofresse solifluxões assim por essa palha, seria como estarem os construtores a tentar erigir castelos na areia...)


Mas quando as coisas correm mal vamos então observar se as regras foram cumpridas, para perceber o que pode ter ajudado à destrutiva festa.
Ou seja, temos o proverbial e péssimo hábito de procurar depois o que devia ter sido salvaguardado no devido tempo e em sede própria.
Na altura das intervenções humanas no terreno e modificações da paisagem e  dos usos do solo.

É o pla-ne-a-men-to!, estúpido!

E assim vai o funcionamento dos países das cabeças pequeninas.

Talvez nos contraponham:

- Cabeças pequeninas, as deles, que os meus bolsos estão cheios.
E numa terra de burros, quem tem olho prò negócio é o rei da máfia.

Assim tem dito e escrito a lei, o corrupto-tipo imperante, cabeça-de-altifalante, propagandista-asfixiante, comprador-de-almas-alienante.

Não percamos a lucidez: a posterior solidariedade para com as vítimas ou os familiares das vítimas não é justiça.

terça-feira, março 26, 2013

É pra rir?

É que não me dá gozo bastante para vir aqui denunciar a anedota em que foi transformada a cidade de Braga.

Não disponho de testemunhos fotográficos para o demonstrar.

Desde que as "regenerativas" obras ficaram concluídas - assunto que está sempre pendente e subconsciente no Georden - que os resultados esperados aí estão. Para valer.

Há duas coisas, para começar e pelo menos, que enfastiam os moradores ou passadores frequentes no burgo.


Cidade onde é mais que habitual chover, e muito, é incrível que os engenheiros, os arquitectos, britaleiros e politiqueiros - olhem, vem agora aquele Vítor Sousa, corrupto (caso do caso da TUB, com mais, pelo menos, sublinhe-se, outra senhora) que não pudemos escolher para candidato pelo PS a substituir o dinossauro - ainda não tenham tido sequer a ideia de resolver o problema da falta de escoamento dos passeios e da Praça da República.

Chamemos-lhes ineptos, vendidos, dorminhocos (no mínimo!) ou estúpidos, desfasados, bonecos de gabinete, empecilhos, sorvedouros do nosso dinheiro... a questão é que eu e centenas de pessoas temos de levar com a água pluvial a dar com uns bons centímetros acima do chão.
E o problema assim não se resolve.

Aliás, esta água podia ser aproveitada.
Se esta cidade tivesse algum planeamento sustentável. Em termos ecológicos, claro.

Porque com estas obras houve uma sustentabilidade em que os "estrategas" não se esqueceram de pensar:

a redução de espaços de estacionamento livre.
Pois há que ir buscar receitas aonde se puder, que o poder central já anda chateado convosco e além disso pobretanas.
Olha, até com uma empresa ligada - pagamento de favores, só pode!, que é para isso que eles estão lá infiltrados. Quando não são as mesmas e únicas intervenientes - para controlar os parcómetros.

Parece que têm andado com pouca sorte, os senhores da ESSE.
MAS QUE AUTORIDADE têm estes senhores?
Quem lhes concedeu a tarefa sabemos bem quem foi, mas foi com o reconhecimento, provado, dos cidadãos sobre os quais incumbe a decisão e escolha?

Quando quiserem multar-me, chamem, DE IMEDIATO, um agente "oficial", da polícia, pois então. 
Que um sujeito com aparelho nas mãos a verificar se a avença que nós pedimos e que teima em não nos ser passada (um dos jornais do município, isto é, com infiltrados e financiamentos reversíveis, vulgo favores e enche-cefálicas ideias do status quo, falava há umas semanas que a Câmara não estava a emitir avenças há mais de dois meses... que curioso!) não é agente nenhum.
Eu não o reconheço com autoridade.
Porque eu não lha dou.

E com isto da concessão, onde não fomos chamados a meter o bedelho, até vão mais longe que o objectivo previsto que era o das pessoas irem meter o popó nos parques dos senhores Rodrigues e Névoa. E muita gente, talvez como protesto (se a lucidez já aterrou por aqui...), tem recorrido a esse esquema. 
O que vai dar no mesmo e resulta em: "Conseguimos! O plano está a funcionar na perfeição. Bela ideia esta da "regenerar Braga"!" 


Exemplo 1 - Concavidade junto ao chafariz - Praça da República
Foto de E. Soja - 23.8.12 

Exemplo 2 - Um excelente acabamento - transição da Praça da República para via de rodagem automóvel.
Foto de E. Soja - 23.8.12

Exemplo 3 - Obra por terminar - "ad infinitum" (ler texto para mais explicações)
Frente ao Banco de Portugal
Foto de E. Soja - 23.8.12

O retratado no primeiro exemplo é um problema que permanece. E que permanecerá enquanto a balança do poder estiver inclinada para o presente lado - o dos valores privados a primarem sobre quaisquer outros. É que nem a estética parece contar, eles que gostam tanto de "deves e haveres"...

Tal como o atraso dá em insurgirmo-nos contra os adeptos do clube "inimigo" e nisso esgotarmos as energias, bem úteis são, para - se quisermos continuar na mesma linha de violência - destruir uns patrimónios privados dos que nos andam a tratar da vidinha (em seu benefício, claro) - coisa para a qual era preciso mais cabeça e menos fanatismo bacoco...

... também o panorama, ou as vistas, que temos da avenida, limpa e desobstruída de construções em altura (ali como na Praça Conde de Agrolongo), não resultam do gosto estético ou dos valores de planeamento, mas sim de não ser possível nem desejável, tal como não erguemos casas no mar, de sobrecarregar o espaço com muito peso.
Sob risco de abatimento, o que seria uma catástrofe, alguns carros esmagados, alguns mortos e tal.

Porque os túneis e os parques de estacionamento a eles associados estão a minar esta parte da cidade, impossibilitando obras. E a isto se chama o poder instalado e bem instalado, incapaz de ser removido, pois daria, além de muito trabalho, muitos problemas a quem por isso se pautasse ou isso propusesse.

Curiosamente, não é tanto pelo buraco toupêirico que há por baixo, grande galeria das térmitas do poder económico, que aquela concavidade se dá, mas sim porque, é visível e audível, há ali uma conduta de água.
Ora, se há coisa que sabemos é que os líquidos são, por natureza física, móveis. E a água, grande agente de transporte. Se as coisas não estiverem bem acauteladas e canalizadas, as pequenas areias em que se vai transformando o solo (matéria orgânica mais sais minerais e ar, não esqueçamos) serão, aos poucos, arrastadas e removidas. O resultado é um vazio que a não ser preenchido provocará um abatimento.
E, voilá, aí temos aquela concavidade. Talvez até fazer cair o mais desatento transeunte, por uma ou outra pedra mal colocada ou um erro de expectativa no andamento.

Do exemplo 2, aquele mesmo foi resolvido passados poucos dias. Pois além do desalinhamento das pedras, também houve um desnivelamento entre as pedras que separavam o passeio e via. Até isso ser corrigido algumas pessoas tropeçaram naquele mau acabamento.

O exemplo 3 serve mais como ilustrativo situante para vos vir falar da anedota de hoje.

Como podemos ver, há uma diferença de piso entre a pedra da - novamente ali posicionada, e tudo bem - passadeira e a pedra geral por onde os carros passam. Vulgo paralelo. Que não sei se serve para infiltração, estudo a ser feito (e coisa que duvido), mas serviu muito bem para aumentar o ruído emitido. Talvez tenha conduzido a uma redução da velocidade dos senhores automobilistas que se esquecem da adequação e regra imposta dentro das zonas urbanas. Ainda por cima, com tantos transeuntes em movimento.

Esta diferença de piso serve para indicar aos automobilistas e aos peões que, além da lomba (fixem esta palavra), há ali algo a apelar a uma mudança de comportamento. No caso dos peões, que é por ali que se atravessa. No caso dos automobilistas, que é por ali que os peões poderão atravessar-se. Mesmo no vermelho do semáforo, os incívicos!

Mas não só.
Esta pedra, ao longo da Avenida Central (que é dela que estamos a falar) e da Rua dos Cãos ocorre pelo cinco vezes. Quatrs lombas/passadeiras e uma não-lomba, à entrada do túnel que vai sair na Avenida da Liberdade.

Ora, se estamos bem atentos, desde que as obras foram concluídas, houve cerca de seis problemas a elas associados. Estas lombas têm pedras, todas do mesmo tamanho, muito grandes. E a pedra, já se sabe, não verga. A inclinação inicial e final de cada uma das três não estava bem segura e houve o partimento das mesmas. Do levantamento de hoje já vamos falar.

E toca os operários a substituir ou a pôr areia por baixo, para as mesmas não ficarem a balouçar. Lajes partidas vimo-las já à entrada do túnel, na lomba em frente ao Banco, na lomba / passadeira junto à entrada lateral do Centro Comercial Avenida / BragaShopping e - primeira a partir-se - no Largo dos Penedos (junto à Regina Doce e à paragem dos autocarros).

Põem umas vergas com uma fitinha vermelha e branca a sinalizar "Cuidado", não chegar perto, obra a reparar, parece dizer.
Assim, esta é a obra que nunca acaba. Como estava na legenda da foto. Pois que a estrutura está mal feita, os problemas serão recorrentes.

E tal como a mudança recorrente dos amores-perfeitos nos cântaros que escorrem areia para o fundo na Avenida da Liberdade, este é mais um tachito assegurado à fornecedora da pedra retirada do sítio onde os adeptos se inspiram para violentar pessoas, camionetas e sedes de clubes "inimigos" pelas redondezas.


Mas se há motivo para rir foi o de hoje.
E que pena não haver foto!
Não era tão digna como aquele engolimento junto ao Aqueduto das Águas Livres em Campolide daqui há uns tempos, mas também foi muito giro.
Conta quem passou.


A TUrBa que passou...

Uma destas pedras estava levantada a tal ponto que um autocarro da TUB... 

(daqueles que a empresa promove com a cara de uma jovem toda gira e com um sorriso de quem vai alheada de que, na realidade, os TUBs só andam, lentamente, com idosos ou crianças que outro meio não têm para se deslocar pela cidade e para irem para a escola ou dela voltarem) 

...lá ficou preso.

Isto terá sido pela manhã, talvez pelas 9h e tal, a julgar pelos apitos dos automobilistas assim imobilizados e em tensão para chegar ao trabalho escravizante ou à escolinha encaixotante do filhinho.

Na azáfama e indignação, até veio uma jornalista entrevistar os "transeuntes"...

Ah, que pena...
Não haver foto.

Mas...

Ah!, que pena esta cidade não funcionar para os cidadãos e não oferecer uma melhor qualidade de vida aos que nela vivem.

E ficar com a nítida impressão de que esta cidade só funciona para os que dela vivem e fazem negócio.

(Nota: só tivemos oportunidade de falar de alguns aspectos)