sábado, janeiro 19, 2013

A metafísica da agregação das freguesias

Vem sempre tarde ou a más horas.
A discussão não é pertinente, a coisa mais premente, "há questões bem mais importantes a tratar, por exemplo, o desemprego."

O despropósito da reforma administrativa manifesta-se em manifestações, associações e solidariedade, reivindicações identitárias, apelos à história.
Bem mais grave que isso, é - claro está, que é disso que se trata - a transferência dos poderes e dos órgãos de decisão ou, melhor, dos institutos e centros de apoio às populações.
Que vivem ali.
E não noutro sítio.

Por exemplo, por haver zonas demograficamente pouco densas,

(aquilo a que os nossos jornalistas e os nossos governantes, quais deles os primeiros papagaios: isto é, quem reproduz a imprecisão geográfica: desertificação difere, e muito, de despovoamento...pronto, esta não íamos deixar passar no branqueamento habitual da estupidificação)

- um tribunal, 
- um centro de saúde, 
- uma repartição de finanças, 
- um centro de dia

e outros instrumentos de apoio social que não dependem - nem necessariamente, nem devem, de todo - do intuito lucrativo que está a destruir tudo o que é colectivo

fecham e transferem-se, em nome da racionalização de recursos, ou da chamada reorganização austera e sinistra (mas, no caso, feita pela direita) em tempos de escassez de meios (e excesso de cabeças bem-pensantes), para áreas...
(aha! lá está!)
... mais povoadas.

Em suma, quando estes organismos passam 
- sim, adivinharam! - 
a ter um comportamento de implantação ou de organização geográfica idêntica a empresas.
Pois, com o lucro.
Em nome da poupança, que é disso que se trata, no fim de todas as contas orçamentais.

Isso são as implicações directas.
Isto são as dificuldades acrescidas que as agregações de freguesias trazem para quem vive nelas.
E não é pouco.

Os hiper-nomes (em tempos de já tudo dito, feito, misturado e deslavado) das paróquias assim daí paridas são mais um folclore de pouca ou nenhuma montaria.
Por exemplo, o concelho com mais freguesias no país, Barcelos, (89 freguesias) dará à luz a linda menina de nome "União das Freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha (São Pedro e São Martinho), como podemos ver nesta proposta.
Barcelos já teve mais que aquelas 89.
Não é engraçado?

Vá, deixemos isso para depois.


Na era das comunicações virtualizadas,
- a mãe a chamar o filho pelo feicebuque para ir jantar,
- o amigo a enviar uma mensagem à moça da fila da frente, 
- o amante de futebol a ler as estatísticas da época da equipa húngara de Zalaergeszeg, 
- acordar às 7h da manhã e ler as notícias no La Vanguardia, no Deutsche Zeitung, no Herald Tribune ou no Monde Diplomatique, para não perder pitada do que se passa lá fora, "que a coisa aqui tá preta...", como cantava, ao meu amigo, o Chico),
- o comentário "lol" à fotografia daquele moço que foi apanhado a fugir, nu, à frente de uma galinha em fúria,
-

Na era da desestruturação social, laboral, familiar, associativa,
- muros de estradas pagáveis que separam pessoas que tiveram que ir trabalhar, sob ameaça de despedimento, para uma sucursal no extremo do país, com as excelentes condições psíquicas e de integração social,
- casais que não têm filhos (sei lá, estéreis por causa dos químicos na porcaria de janquefude que conseguem pagar para comer, que é a mais barata e que serve para aniquilar as "classes inferiores"), que não podem ter filhos (que a vida está cara), a juntarem-se cada vez mais tarde (que não há condições para suportar uma renda, quanto mais pedir crédito a um banco para ficar agarrado o resto da vida a pagar a estúpida da casa em que vais morrer enjaulado), com pouco tempo para socializar, sair à noite (que há consumo mínimo),
- o abandono dos pais depois das férias. Não, o abandono dos pais no HOSPITAL, não no canil,
- o despedimento fácil, barato e a dar milhões a quem não pode perder um bocadinho de tempo a olhar para o outro, que "taime ij mónei", dizem os padres do só funcional mundo utilitário moderno,
- o entretenimento imposto e sorrateiro a criar divisões, desinteresse, a esvaziar ideias e a desestruturar, pela base, qualquer possibilidade de agregação de esforços em prole para lá da limpeza do cotão teu do umbigo. Ah!, viva a a liberdade de associação! Viva a Democracia!
- as horas tão infrutíferas e mal-pagas de vida que perdemos a trabalhar para ganhar a vida. Para trabalhar. E as horas escassas do dito descanso-rentabilização-das-forças-para-amanhã-vergares-de-novo-e-bem, produtivamente-a-mola-que-serve-para-a-máquina-em-que-nunca-te-revês-e-onde-te-perdes-todos-os-dias, que te não deixam espaço senão para dizeres que estás farto e que só queres estar sozinho e que os amigos e os familiares e as viagens e os passeios nos parques que tu não tens na tua cidade podem ficar para outra altura, ok? depois ligo-te, sim?.

Na era da mobilização autocrática
- a da obrigação de deixar o apartamento
- a da obrigação de não permanecer no local
- a da ordem para sair do bairro, que vai ser demolido, a do campo, que vão começar as obras para o futuro e novo aeroporto de Notre-Dame-des-Landes, 
- a da obrigação de sobreviver noutra terra, "plena de oportunidades"
- a da transferência de pessoal para serviços para os quais não estavas preparado e se não te adaptares vais prà rua.

Na era dos fluxos instantâneos
- do dinheiro virtual à pressão de um "enter"
- do lixo humano escravo e emigrante à pressão de um "out!" (por xenofobia ou ordem dos serviços de estrangeiros e fronteiras.. bah!, fronteiras...!)
- dos objectos de consumo que mandas vir pela net do outro lado do mundo, mas que vieram da China, sempre da China, ou de um outro país onde fica sempre mais fácil produzir e é mais fácil poluir, que ninguém vai saber e todos lucramos com isso: eles, porque lhes damos trabalho, tu, porque tens a coisa a sair-te mais mais barata, e eu, que tive a brilhante ideia de congregar esforços virtuais e liguei uma coisa à outra, aqui sentado em frente a este computador brilhante e cheio de cristais líquidos,
- do lixo que antes não o era e só agora que já usaste e desembrulhaste o objecto é que te apercebeste que é... lixo, que envias - chamando as forças de limpeza, 24 horas por dia, sempre ao teu dispor, em nome da saúde pública - para longe dos teus olhos cada vez mais mirrados


Nestas eras todas, em que, devido à liquidez, não consegues formalizar uma teoria, pois quando terminas a frase já tudo parece ter mudado e o que querias dizer já aí vem contradito pelo que agora se te apresenta;
nestas eras todas, em que devido à comunicação, física ou informacional, os efeitos já não se restringem a este ou àquele sítio, lugar, zona, região, país...

nós observamos que...

a fusão das freguesias é uma decorrência normal da perda de fronteiras que figuram apenas como ideias ou traços num mapa, também ele desenhado com base em ideias.

A agregação de freguesias é a materialização da enxurrada do capitalismo e dos valores da economia a sobreporem-se a tudo o que possa ser expropriado, esvaziado, explorado, transformado, vendido e transferido.

Na era dos assaltos que ficaram por fazer ninguém sairá seco deste planeta azul de cores misturadas.
Viva a riqueza cultural: enquanto eu profito, (fico com o graveto, 'tás a ver?) tu ficas a ver navios.
Pois, pá, é para isso que...Viva a riqueza cultural e coloral do planeta das notas verdes e do fitoplâncton em redução abismal.

Globalização é o mundo a rodar tão rápido quanto uma batedeira: para misturar bem.
Para desorientar bem.
E envolver tudo.
Mas... sempre a bater no mesmo lado.
E sempre o mesmo a bater bem.
Às claras.
Sem interrupção que nos valha.

A metafísica da agregação das freguesias acaba mesmo aqui: nas fronteiras, vistas, agora sim também aí, como um anacronismo. Barreira finalmente derrubada pela racionalização económica sob a capa do bem comum que fica sempre para depois.

A reformulação de fronteiras e a renomeação ocorrem quando o poder é outro, sendo outro porque assim impõe mudanças, assim se afirmando como novo poder. Numa pescadinha-falácia de rabo-na-boca que não conseguirás comer.

Trata-se, simplística e kuhnianamente, de mudança de paradigma.
A meta deixa de ser física, passou a ser objectivo. 
But, em francês, goal, em inglês, understand silly oldman?

Ou talvez não seja outro paradigma.

Porque este último assalto era um dos assaltos que faltavam depois do despojamento que tem vindo a ser praticado pela rapina secular dos bancos.
Agora que se proporcionou e todos estamos com a corda no pescoço, incluindo os porcos capitalistas dos banqueiros de todo mundo, unidos e divididos, eis o momento.
Vem tarde e a más horas!!!

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Olha, estes chutam para o lado que estão virados



FMI admite risco de falhanço da ajuda a Portugal e contágio à zona euro

Mas afinal em que ficamos, senhor professor: bom aluno, mau aluno, assim-assim, não está a correr bem, vamos indo, falta isto, temos muito daquilo, cábulas, marrões? Não interessa, pois não? No final o resultado já se sabe.

[imagem

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Agora os lugares de estacionamento são propriedade de uma empresa

"A Câmara Municipal de Braga aprova quinta-feira, em reunião de executivo, a minuta do contrato referente à concessão de exploração de estacionamento pago na via pública a celebrar com a empresa Britalar — Sociedade de Construções, SA. Na mesma reunião, a autarquia deve aprovar ainda a autorização para que a Britalar cesse a posição contratual a favor da E.S.S.E., uma empresa do mesmo grupo com sede em Espinho, no distrito de Aveiro.
Quatro milhões cento e dez mil euros é quanto o Município de Braga vai encaixar de imediato com esta concessão, a título de adiantamento. O prazo de concessão é de 15 anos, contados a partir do início da exploração, mas prorrogável. A concessionária fica obrigada ao pagamento de uma renda mensal da concessão equivalente a 51,5% das receitas brutas de exploração.
 
Recorde-se que foi em Setembro último que a Britalar ganhou o concurso público relativo à concessão de estacionamento."
 
Notícia do Correio do Minho, um acólito mais do poder
 
 
Uma das empresas do costume, a quem dão o bonito e peneireiro nome de "concessionária".
 
Relembre-se que a Britalar ganhou o concurso...
Concurso? Qual concurso? Não ouvi falar de concurso "nenhum"!
 
- Ouvisses!
O guito já cá vai cantar!
 
 
Ah, convém dizer que agora que há menos centímetros quadrados com relva (que fosse!) na cidade, para onde foram eles senão ocupados com pedra estacionável ou pedra pura e simples.
 
Ah, na paisagem já esventrada e no horizonte perdido a olhar para as paredes, dizemos que esta região vai ficando cada vez e palpavelmente menos interessante para viver.
É o capital, o tal do gostinho especial.
 
E porque é que são sempre as mesmas empresas a ganhar os consórcios e as empreitadas que a Câmara, a troco do interesse dos munícipes, claro, leva a cabo na cidade cada vez menos verde?
 
Fica a pergunta.
A pergunta a que apenas os corruptos podem responder com precisão e cavalgadamente.
Mas não o fazem.
 
Já que quem o quer não o pode.
Fica, portanto, a curta pergunta interminável.

Continuemos a comer produtos processados para troçarmos desta moça, então.



(Desculpem lá qualquer coisinha, que vem em Inglês)

terça-feira, janeiro 15, 2013

Depardieuvsky foi aquele que realizou o "Paris-Bamako", não foi?

Enquanto andamos enchufados, quais bonecos de palha, com as porcarias-foles que nos chegam - e nós comemos - via impérios vis, há que saber separar o trigo do joio.
 
Para isso, convém evitar pesticidas e - sobretudo - as multinacionais do sector agro-industrial.
E prosseguindo no paralelismo agrícola, vamos ter a Bamako, vindos directamente de Texas. Ou Paris, dá no mesmo.
 
A paisagem é desoladoramente monocromática, cansativa, homeofóbica, fascista e - pasme-se - até engraçada e gira, que disso se encarregam os verdugos da informação nossa de cada puto de dia.
 
Aqui há uns meses, os tuaregues reclamaram a independência de parte do território maliano.
Parece que
- o chamado "diz que..." anónimo e que dá para todas as partidas à partida já perdidas (quando não podemos verificar por nós mesmos e apenas acreditamos. Juntando-nos, assim, à enorme massa obediente dos fiéis mandados contra as paredes das traseiras do mundo dos pobres ricos) -
 
agora há para lá uns fundamentalistas, assim apelidados pelos ocidentalistas de islamistas, que foram mexer - claro está! - numa ferida sensível e
 
AI!!!
 
aí não podes!, se fazes favor.
 
E o senhor ministro, com o beneplácito da população a quem ele deve responder, que foi muito auditada - fizeram referendos e consultas apuradas por trabalhosos inquéritos estatísticos veiculados pelos média oficiais e não reconhecidos ("estamos nisto, juntos", parecem querer dizer)* - decidiu:
 
- para o Mali e em força!
 
E lá foram eles.
 
Nas televisões fala-se em guerra.
Tal como na Somália se falava em pirataria e afinal até eram bons moços, aqueles criminosos valentes que tentam afrontar o poder do complexo agro-mediático-bélico europeu (o leitor chegou mesmo a ver este vídeo?).
 
Ou seja, se lhes for pedido - MAS SÓ SE LHES FOR PEDIDO, ouviste bem, ó Miguel Relvas lá do sítio? - invocam um motivo estapafúrdio qualquer, assim, daqueles muito bem enquadrados na problemática do terrorismo global, que parece que está muito na moda e está a vender muito bem
 
- Veja só, consegue tirar nódoas do Iraque, do Irão, no Afeganistão...
- e então aqueles tecidos da Síria e do Paquistão, tem-se falado muito deles, como é que está aquilo?
- Sim, repare, estamos ainda a trabalhar nisso com o maior afinco. Não tem de se preocupar com nada. Não tem, isto é, se não for você a nódoa que caíu naqueles maus lençóis...
 
(agora a metáfora virou para as lavagens. Melhor que ainda nada têm que ver com as Ilhas Caimão, que, essas, coitadas, estão ameaçadas pelo aquecimento anti-global que vai acabar com todos os paraísos fiscais deste mundo e dos que mais vierem a ser processados por computador...!)
 
e que os rebeldes (os rebeldes são sempre os inimigos, tal como os inimigos são sempre os que estão do outro lado, o que os faz ter interesses divergentes e até inconciliáveis... ou será o contrário?) estão a oprimir as populações;
 
b) estão a perpetrar-se crimes horrendos contra a Humanidade (sim, toda ela ali concentrada no Mali)
c) foram presos cidadãos ocidentais em missões de paz e ajudas humanitárias
d) "causaram" um golpe militar e a destituição do governo DEMOCRATICAMENTE eleito
e) ... (é pá! inventem lá mais chorradas que isto já cansa de tantas omissões e mentiras; vós já sabeis como isto do Poder funciona, etc, etc.)
 
 
Blá, blá, blá.
 
A quase nota de rodapé

- sei que não foi descuido, porque, lá está outra vez a fé!, acho credível o canal -
com que adornaram a reportagem foi bem mais esclarecedora que a porcaria de horas e horas - se horas houvesse (aquilo é só prar encher a hora nobre dos nossos jantares de fome) dedicadas pela televisão cá do Portugal dos pequeninos - com que temos levado em cima sobre o assunto.
 
Há quem se desvie (e mude de canal).
 
Dizia algo como isto, tal rodapé:
 
"a região centro do Mali é rica em urânio e tem fábricas exploradas pela França e pela China"
 
E já está.
Era só isto que queríamos dizer.
 
 
Isto enquanto víamos imagens, gentilmente cedidas pelo ministério da defesa respectivo - de balas para canhão a rebolar no chão e a manusear armas da pesada, que eles não produziram, que talvez tenham tido que comprar ao amigo espanhol, ao amigo israelita, ao amigo russo, ao amigo inglês, ao amigo estadunidense - sim, que lá parece que eles têm uma indústria militar muito bem desenvolvida...
 
Tomara a nós não termos que importar!, diriam os nacionalistas, os austeros e tripartidos gauleses.
 
E depois vêm mais países e nações - também elas consultando os seus povos, como é normal nos Estados democráticos - apoiar e juntar as suas tropas para intervenções consertadas e com o baptismo da nobelizada ONU.
 
Pois, que o urânio é o futuro.
 
 
Para haver equilíbrio no mundo em de haver paz num hemisfério e guerra no outro.
(O mundo é o teu umbigo e o mundo é tanto mais mundo quanto maior for a tua capacidade de impores o teu umbigo aos umbigos dos outros.)
 
Onde foi que lemos isto?
Terá sido no "1984", do Orwell?
 
Ah, não, foi na marca d'água da nota que trago no bolso...



* - foi só uma piada: nenhum governo decide intervir num país longínquo baseado na vontade do seu povo. A não ser quando já lhe trataram da saúde e fizeram a habitual lavagem emocional e cerebral perpetrada pelo... ai!! completo complexo de inferioridade... não, pelo complexo militar e mediático nacional.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

De olhos em bico (o resto está tapado pela máscara)



Poluição atinge novos máximos em Pequim:

Durante o fim-de-semana, a poluição na capital chinesa registou níveis nunca antes vistos e considerados perigosos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, a média de concentração de minúsculas partículas de poluição – Tiny Particulate Matter – (100 vezes mais finas do que um cabelo humano) não deve ultrapassar os 25 microgramas por metro cúbico. Acima dos 100, o ar é considerado não saudável e ao atingir os 300 as crianças e os idosos devem permanecer dentro de casa.
Leituras oficiais chinesas revelam, no entanto, que, no sábado, os níveis de poluição em Pequim ultrapassavam os 400 microgramas por metro cúbico, diz a BBC. Monitorizações não oficiais da embaixada dos Estados Unidos registaram valores superiores a 800 microgramas.

(ler mais AQUI)

A desenfreada industrialização chinesa não olha a meios para apanhar o comboio em andamento, queimando literalmente etapas, entre outras coisas. Associada a esta, a rápida urbanização acompanha o progresso a toque de caixa, saltando para o comboio com o êxodo rural às costas. Os automóveis rodeiam o cortejo. Milhões e milhões de pessoas assistem de cátedra e máscara na cara. Os resultados estão à vista e não são surpresa para ninguém. A queima, todavia, irá continuar.

[smog]

sexta-feira, janeiro 11, 2013

É isto.




Mas cabe perguntar... 

Em nome de quem?

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Diz que é um relatório bem feito (?)


FMI propõe corte de 20% dos funcionários públicos e de 7% nos salários do Estado.[e muito mais]
 (sacado daqui)




Quase tão bem feito como aqueloutro que dizia que há limites para a austeridade. Para estes tipos, meus amigos, não há limites, ou melhor, os limites estão balizados ao nosso bolso. O capital, esse, é pecúlio alheio, intocável, já se sabe. 

[obey]

segunda-feira, dezembro 31, 2012

A continuar (o intervalo foi só para corroborar as partes)

Braga, capital do fiasco (e da pedra, da corrupção e destruição do betão...)
24.12.12, Foto de Edward Soja
 
Até prò ano, amanhã.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Intocável República dos Miguéis Frasquilhos



"Todos os anos é publicado o IPC, o Índice de Percepção da Corrupção e todos os anos também as Nações Unidas publicam o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano.

[Portugal: 33º Lugar no IPC.

Somos melhores que Itália, onde há Máfia, e somos melhores que a Grécia, que está completamente desestruturada. É isto que os nossos governantes devem dizer lá fora, nas reuniões sobre corrupção, com grande orgulho.]

E se se derem ao trabalho de comparar as tabelas dos dois índices, ou, se quiserem, os mapas do IDH e os do IPC, vão ver que eles decalcam exactamente.
Vê-se a olho nu, mas mesmo que não se vissem, já há muitos trabalhos académicos que demonstram que há uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento. Ou seja, a corrupção desenvolve-se ao contrário do desenvolvimento. 
Pelo que, se não há países corruptos desenvolvidos e nem há países desenvolvidos corruptos, nós sabemos que se na próxima geração queremos ter algum desenvolvimento, temos de combater a corrupção. E só combatendo a corrupção, combatemos também a crise em que estamos. Porque se foi a corrupção que gerou a crise, a única forma de evitar a crise é combater a corrupção."



Se os nossos corruptozinhos de tigela-cheia adoram mostrar gráficos lá para casa de alguém, alguém devia pintar mapas de IPC e IDH nas paredes das suas casas. 

Há alguém com capacidades de "bombing" informativo por aí?

(calma, não é "bombing" neles... Ide aprender a gíria, que é linguagem tecnocrática...)

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Meus amigos, anda alguém a gastar à barão e não somos nós...

mas já se imaginava, não?



Quando alguém lhe disser que “gastamos acima das possibilidades” poderá recomendar a quem o diz a leitura de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.

O estudo está aqui  (sacado daqui)

terça-feira, dezembro 18, 2012

Óculos escuros?



Privatizações. Governo esconde há cinco meses relatório sobre a EDP
(Daqui)

Não se trata de esconder. O que se verifica, na prática, é a abertura dos bolsos dos consumidores aos novos (?) transeuntes da modalidade eléctrica. O negócio da privatização, em si mesmo, não esconde mesmo nada, antes liberta (eu diria isenta). E essa (suposta) liberdade, meus amigos, é que encapota o rabiosque da questão.  Mas se calhar não é bem isso. 

domingo, dezembro 16, 2012

Meus amigos, asfixia é isto

PORTUGAL


Paula Montez, activista defensora da “estratégia da não violência, da desobediência civil e da resistência pacífica”, foi constituída arguida sem provas, tem termo de identidade e residência e foi notificada por telefone registado em nome de outra pessoa?
(Sacado DAQUI)

Seja quem for, activista ou (das)activista. É absolutamente inaceitável. Não vai lá com a minha bomba da asma, pois não? Bom, sempre a podemos mandar à cabeça de alguém. 

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Centro de emprego natalício



Desempregados fazem de Pai Natal por 43 cêntimos/hora.

(Ler mais aqui - sacado daqui)

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Braga: apareçam, cá vos espeeeeeeramos


Vidal, Rua Quinta Armada, Braga (Dez. 2012)

A festa de encerramento do CEJ marcada para dia 15 de Dezembro aqui no burgo foi cancelada. Anunciada há semanas, de repente, não se sabe bem porquê, a labita mudou. Já não se vai ver Orelha Negra? Calma, não é bem assim. Afinal, a coisa foi adiada por premonição de chuva para o próximo fim-de-semana, e a fundação Bracara Augusta, após ter consultado a opinião fidedigna de S. Pedro, não fosse Braga uma das suas cidades de eleição, chegou à conclusão que deveria adiar o evento para o dia 22 de Dezembro, concluindo-se sem mais delongas que nesse dia teremos, obviamente, céu limpo ou pouco nublado.

Nada disto destapará mais uma questão resolvida em cima do joelho e ao pé-coxinho, segundo as conveniências conformes a uma agenda encapotada e, pelos vistos, (pre)vidente. Nada relacionado, nem com dinheiro, nem com a outra capital (elas são tantas) que também tem a sua festa de encerramento a 22 de Dezembro (embora já se saiba que tem prolongamento de 3 meses – o carcanhol logo se vê), tudo a bem do quadrilátero cultural e do planeamento regional.

Entretanto, do quartel das forças criativas (ainda) aguardamos o seu términus e respectivos resvalamentos. Entretanto, a pousada da juventude envelhecida em cascos de carvalho fica adiada sine die, por motivos de achamentos maiores, lá teremos um sucedâneo, mais um fazer de conta plano b, sem se rirem. Entretanto, as instalações da antiga fábrica dos sabonetes arderam mais um bocadinho, cozem em lume brando, enquanto se mastigam planos fabulosos e se engendram negociatas no interior dos gabinetes previdentes. Entretanto, paga-se a bucha de natal aos professores/técnicos das AEC fora de horas, sem dar cavaco, porque sim, já não é mau uma bucha.

Entretanto, encerram estabelecimentos comerciais por entre as quiméricas obras de adornamento adiado: veja-se o encerramento das obras na cidade, anunciadas após sucessivos adiamentos para 14 de Dezembro, adiadas lá para 21 de Dezembro, ou proximidades. Entretanto, outras ruas, as traseiras do comércio viçoso, jazem esquecidas no limbo das prioridades: note-se a Rua da Quinta da Armada, um sólido exemplo da mais profunda indiferença, deteriorada e com cada vez mais automóveis a simularem bermas, um singular exemplo da inexistência de qualquer ideia de planeamento urbano nesta cidade, para mais congestionada, sendo mais uma das ligações ao novo Hospital, já para não falar da ligação privilegiada a uma escola primária e a um ATL.
Entretanto(…)

segunda-feira, dezembro 10, 2012

A poc a poc

A poc a poc els nens s'adormen
A poc a poc, Pi de la Serra 




Centro Paroquial e Social de São José de São Lázaro, Braga
Foto de Edward Soja, 15.11.2012


"Pouco a pouco", cantava o Pi de la Serra (e aqui o Serrat) a canção popular catalã, "os pequenos vão adormecendo".
Diz o Kundera (e o Anselm Jappe) que a sociedade assiste à infantilização.
Crianças a assistir a criançados.
(Há dias uma notícia dizia que proliferava na publicidade o tutubear - ou seja, apelar ao consumidor tratando-o por tu: coisa que vai no mesmo sentido do que aqui vamos falar).

O império da criança - não no que tem de sonho, liberdade etológica e inquirição descobridora - não veio para retemperar uma ameaça de insustentabilidade no sistema do mal-estar capitalista a cair no precipício do consumo "negativo" (consumo negativo ocorre quando era "esperado" que ele crescesse x e só cresceu y: isto é, cresceu menos, mas cresceu!).
Veio para afirmá-lo.
Depois da criança - já estamos a ver - não há mais nada.

Passamos a explicar.

A criança é o ser humano com menos memória criada.

Pronto, está explicada.
O bebé ainda não existe, praticamente.
O condicionamento de que fala o Huxley está em curso, por exemplo, nos cursos de inglês na pré-primária: quer dizer isto que, ainda antes de aprender Português, já estão - para uma integração plena na sociedade do futuro - a aprender outra língua.

A língua materna quer dizer o quê?

Aliás, com tantos ésse-éme-ésses como forma quase preponderante de comunicação - à distância e distanciada - dos nossos alunos até aos secundário (nem queremos ir mais longe), a língua sofre uma transformação que, noutros lugares, conseguimos apelidar de "crioulização".
Há piadas sobre os pais não entenderem o que dizem as mensagens dos filhos.
E chegam a casa e é toda uma nova aprendizagem para os entender e... controlá-los (que é isso a que chamamos educação, não é?)

- Atualiza-te, velhota!

(dizem eles - e nós - sem o "c")
(ah, repararam no "velhota" e escandalizaram-se, foi?
Pois, tudo é relativo, não foi isso que te ensinaram?)

A liberdade que associamos à infância - talvez devida àquela inocência que provém da falta de memória e esta de conhecimentos e, portanto, da capacidade de relacionar e formar juízos e "explodir" em ideias - é coarctada, no que aqui nos concerna, por exemplo, na limitação espacial.

O condicionamento ambiental é palpável, visível.
Só que, como vai sendo pouco a pouco, talvez nem nos apercebamos.
Às vezes, o que está mais longe dos nossos olhos é o que está mesmo à frente do nosso nariz.

Igreja e Creche de São Lázaro, via gúgal
(conservada para memória futura,
Se o mesmo paizinho gúgal assim o quiser. $alvé!)


O pátio onde gritavam e corriam - experienciámo-lo por diversas ocasiões - os miúdos no Centro Paroquial e Social de São Lázaro, que podemos ver na ainda disponível imagem de satélite do paizinho gugle (as perspectivas são distintas, mas permitem a comparação) ficará agora reduzido a insignificância. Apenas ao espaço em que já não faça sentido correr.
Apenas a uma área onde já não caibam todas as crianças na hora do recreio.
E brincarão lá dentro.
Talvez para um dia (esta é das nossas falácias predilectas!, a do "efeito bola-de-neve") estarem acostumadas a viver sem sol.
Como aliás já muitos "aprendem", obrigados, a "colaborar" (antigamente dizia-se "trabalhar"), dentro de caixotes que são autênticas cidades de consumo e destruição dos mundos além-olhos.

Com o turismo barato a crescer, normal é que aumentem e destruam mais espaço com aeroportos.
Mas, sob que pretexto estão a ampliar a creche?
Afixadas nos tapumes das obras - em todas - apenas nos informam do "quê", mas nunca do "porquê".

Como se tudo o que acontecesse tivesse que acontecer e tudo fosse irreversível ou irremediável.
E como se tudo pudesse acontecer e mudar com a condição de estarmos de acordo com os valores que presidem a essas mudanças.
E é por ainda não sermos todos crianças - elas não podem defender-se, e cada vez menos poderiam... - que não somos todos quadrados e encaixotados nas ideologias dominantes que nos fazem dizer
Amén.

Não somos todos gregos, nem somos todos troianos.
Eis porque os motivos são sempre a maçã das maiores discórdias.

Uma coisa é visível - estas mudanças têm impactos.
Nesses impactos não económicos não estão os patos bravos a pensar, que isso... "não é da sua competência"

(Eles só agem à maneira de empresas: visam o lucro.
E se mostrarem obra aos pacóvios, todos aplaudem o vício.
Assim se compram as pessoas, assim são alienadas as pessoas.

Próximo!!



domingo, dezembro 09, 2012

Praticar Geografia é descrever para dar sentido às coisas

"One more tree will fall
how strong the growing vine
turn the earth to sand
and still commit no crime"
John Lodge, "One More Time to Live"
Moody Blues, 1971
Sabemos que não é a primeira vez que estes versos aqui são partilhados.
Quem há-de defender os direitos de outrem?
Quem há-de defender melhor os direitos de outrem senão esse mesmo "outrem"?
Imagem provinda daqui

Centenas de ouriços-cacheiros morrem, fora outras causas, atropelados pelas estradas deste país cada vez mais alacatroado, abandonado, especulado, comprado, vendido, desertificado, desordenado, desbaratado, delapidado. 

Quando eu era mais pequeno, via com alguma frequência na freguesia onde vivia uma ou outra cobra. Essa oportunidade foi escasseando cada vez mais. Há anos que não vejo uma cobra.
Sim, já parámos para pensar nisto? Nesta constatação tão simples e prática?
Já parámos para pensar e ter esta constatação?

Lembramo-nos de que a tendência, pelo que fomos observando à nossa volta, foi sempre a da desaparição de árvores. Dali, dali, dali, dali e dali.
Seja porque estorvava o trânsito, porque levantava o alcatrão, porque dificultava a visão, porque era um bom sítio para construir uma casa...

Quantas vezes acontece o contrário?
Quantas pessoas - assim chamadas de defensoras do público (do que é de todos ou para benefício de todos ou da maioria), serão precisas para fazerem valer as acções sobre este e aquele e aquele e o outro - assim nem sequer apelidado de privado- ?

Isto é política.
Política que, por prevalência de uns ou outros valores, por omissão ou por acção, se vai materializando no espaço à nossa volta.

Quem regula o abstracto, assim chamado / caluniado ao que não tem consequências observáveis, "para já", ou "para ontem"?
Quem defende os direitos dos animais?
Os animais têm direitos?
(que sexos dos anjos andamos nós a discutir enquanto não aprendemos nada...)
(Olha, aqueles homens ali estão a decidir se te podem matar ou não, diz o coelho bravo para a avestruz...)

É só uma área equivalente à do Reino Unido.

O genocídio de um povo, como o que uns tentaram fazer com alguns e estes alguns tentam, a pretexto de segurança nacional, fazer com outros, é condenável, não é?

"Pois, todos temos culpas no cartório, não foi isso que te ensinaram?"

O que significa a extinção de uma espécie?
A extinção de uma espécie humana (ou raça ou lá o que a nomenclatura convencionar chamar-lhe) é bem mais condenável e alvo de críticas que a extinção de uma espécie - olha, lá vai mais uma!... - ups... - não-humana, não é?

Pois, e já sabemos que a partir daí nada a fazer para essa.

"Agora é irreversível. Irreversivelzinho a dar c'um pau."

Se o John Lodge e os Moodies eram visionários, não queremos dizê-lo, envergonhados talvez estejamos.
O que me parece é que a baixeza moral e ética talvez já existisse à altura em que o escreveram e cantaram. E o pior é que, na esperança da evolução, não evoluir significa, comparativamente, andar literalmente para trás.
No caso, espacialmente são os seus elementos que existiam e já não existem.
Anos e anos de trabalho lento da natureza literalmente sumidos.
Manchas e elementos da paisagem a recuar.
Recuar.

E, ideia que tive há pouco e que me fez cá vir reflectir, já repararam que o recuo dos elementos ditos naturais - aqueles que existem independentemente de nós os colocarmos lá - vai a par do aumento dos produtos transformados que comemos e com que vamos lidando no quotidiano?

Se o leite já não é bem leite porque as vacas já não pastam e têm de dar as tetas a máquinas com uma periodicidade absurda, que mudou senão a transformação e o uso que fazemos dos recursos?

Se a porcaria que vamos ingerindo, à pressa nos nossos intervalos de tranalho (vulgo "maior fatia do nosso dia"), é resultado da "optimização" do tempo, tais como "comer é divertido" ou "aproveite a vida" ou ainda "sensação de viver",... que mudou senão a forma como vamos rastejando nestes cimentos à beira-mares implantados?

Se dizem que preferimos,
ou,
se nos destinam caixotes epilhados para nos aglormerarmos
(partindo daquele princípio biológico tão escondido que diz que "juntos sobrevivemos com menos dificuldades face às - vejam só - ameaças da natureza),

não significam a desorientação e a maquinização uma consequência necessária da transformação dos modos de vida?

Vêde bem: os sinais estão por todo o lado.
Saibamos analisá-los: isso também é fazer / praticar Geografia.
E estamos a precisar muito para encontrarmos o equilíbrio.
A natureza parece que anda sempre à procura do equilíbrio.
O homem, que ela pariu e ele parece rejeitar, parece andar sempre à procura de (__________________________)
(preencher este espaço vazio)

sábado, dezembro 08, 2012

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Meus amigos, atenção a isto:


A editora da Tinta-da-China Bárbara Bulhosa será constituída arguida no processo contra o jornalista angolano Rafael Marques, por ter publicado o seu livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola". 
(ler mais AQUI)




Fabuloso: territórios e fronteiras da Europa desde o Séc. XI ao XXI




Muito mais em  The Centennia Historical Atlas: AQUI

(sacado daqui)

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Quando o avanço da técnica corrobora o atraso moral

1
Prà rua ia üa figura, Nuno Santos, assim lhe chamaram da banda de lá, da banda da GNR, a tal do Um Dó Li Tá, quem está preso preso está.
Assi lhe preguntaram:
- Qu'é isso, compadre irmão de todos os que cá 'stavam e para lá foram: agora tu também vais prò céo?
Ao que o home respondeo:
- Eu num vou: elles me lleban. Bela prisão esta, a que convostedes me juntam.
Para mais sclarecimentos u informaciones, cunbém tirar provas com o Relvas e sua cu-mandita-mandada.

2
O pugrama Clara Câmera está prestes a atingir o orgasmo: a coroação é o fim e as palmas que se erguem são para o calar. A voz enserenadora de Luís Caetano é a rainha a morrer: viva a rainha, aplaudem da Ponte os Senhores Doutores Albertos das Cervejas e os amigos dos Compáis.
Assi também se fuíram o Coelho que Acontecia e mais o Rosa Mendes e a Raquel Freire, que tiveram que emigrar, porque iesta tierra num é par bós. Ah, esperai um cachico, que o Rosa Mendes já 'staba lá fuora.
Mas agora que os processos submarínicos de privatização da nossa retrete pública estão concluídos e que a venda de 49% da RTP eliminará, diz o rei Borges (outro doutor que os cegos num puderam eleger) a “extraordinária tentação que tem o poder público de intervir na televisão”, agora, íamos dizendo, vamos ver finalmente a "a extraordinária tentação que tem o poder privado de intervir na televisão".
Passa a redundância e a troca, sem possibilidade de escrutínio...

3
Também a escolha, obscura, da Rosa Veloso para correspondente em Madrid cheirou tão mal que levou o Rodriguinhos a sair do cargo que aquele primeiro inforcado de cima foi ocupar.
E se as pressões por algo que o Marcelo, não o Caetano, mas o sobrinho, tenha dito também levou a uma comissão de inquérito parlamentar que em nada deu, agora vem a TVI querer meter o bedelho no Governo Sombra, razão pela qual também este pode bem chegar ao fim.
Que se estará a passar dentro da fortaleza do Eixo do Mal para nengun turpedo atingir aqueles ímpios?


4

Na Madeira, o senhor Raimundo Quintal foi acusado judicialmente por uma empresa de construção, a BRIMADE - Sociedade de Britas da Madeira, S.A., por estar a ofender o seu bom nome. Motivo: Quintal aponta a extracção de pedras e britagem na ribeira de Santa Luzia. Como os seus apontamentos não extravasam o direito de liberdade de expressão e são críticas cientificamente fundamentadas, o juíz não lhe pôde apontar qualquer pena. Caramba! o poder dos que querem fazer dinheiro ainda não conseguiram atingir o direito de falar... Pelo menos neste caso não foi suficiente.


5

Em Braga, enquanto os velhotes de Diário do Minho na mão vão, parados, olhando as obras que o cimento armado tece contra o espaço privatizável...
- a estrada é de quem a usar, sim, mas os materiais que lá puserem são de algures, foram extraídos e trabalhados pelas empresas costumeiras do compadrio corrupto e foi para elas que se dirigiu, canalizado sem podermos mexer a nossa palha, o dinheiro que indirectamente para lá atirámos - 
... as ruas continuam escuras, a iluminação da época consumista consome muito e ainda não foi ligada - para bem de todos os bracarenses, que protestam em risos desbragados com os dentes amarelos do desemprego e do desamparo, o ruído e o pó imperam e, mesmo em frente dos nossos olhos contentes, vão substituindo as flores dos canteiros do cimo da Liberdade. Bela forma de renovar o contrato com os jardineiros (coitados, não têm culpa, não é?), rentabilizar a negociata "verde" e chupar mais um bocadinho do sangue dos contribuintes que podem contribuir só pra dar dinheiro mas não para escolher o que fazer com ele.
É idêntica a acção medieval que repetem no Porto do Funchal, ao despejar recursos que o mar insiste em levar enquanto a lei de meios insiste em pagar e os burgomestres insistem em aplicar.


6

O Dióxido de Cloro é um produto desinfectante, usado em muitos Estados europeus e americanos para tratar as suas águas, que, ao contrário do hipoclorito de sódio (lixívia), não provoca metabolitos cancerígenos. Embora esta seja usada em toda a Espanha.
O Império ataca sempre três vezes e por isso Andreas Kalcker enfrenta pena de prisão e uma multa entre 90 e 100 mil euros. "Não querem argumentos, usam a força" do dinheiro. Para vergar a razão.

7
"Portugal subiu oito lugares no índice sobre desempenho nas alterações climáticas, sendo o 3.º entre 58 países, um comportamento justificado pela crise e pela política energética", desta notícia nos encheram os ouvidos, mas "as previsões de seca são as piores para Portugal e por isso são necessárias políticas para reduzir a vulnerabilidade. Neste momento 28% do território está em seca, enquanto 21% está em boas condições. O número e a intensidade das secas tende a aumentar, durante o seculo XXI, especialmente nos cenários com maior aumento dos gases de efeito de estufa." 
"Portugal tem das maiores variações do índice de produtibilidade hidroelétrica da Europa, o que coloca desafios à produção de energia elétrica com necessidade de um sistema de apoio por outra fonte de energia. Este ano Portugal já perdeu 250 milhões de euros pela importação de combustíveis fósseis e de eletricidade devido à seca do início do ano." (Quercus)

E com as construções na zonas húmidas dos nossos litorais e com a submersão de muitas zonas ribeirinhas com "potencial de negócio" via chupistas da electricidade... de Portugal, dizem eles, que estamos nós a fazer para inverter ou travar isso?
Somos melhores, mas não é por nossa mão: é por desleixo.
E se pioramos nos indicadores de qualidade ecológica, não é por desleixo, mas por acções. Erradas.
Donde se depreende que era bem melhor morrermos todos e deixarmos a Terra em paz.
Recuperaria no seu ritmo, mas era um instantinho comparado com as porcarias que andamos a fazer desde a revolução industrial.

8
Apesar da tentativa (e da parvoíce na cerimónia dos Prémios da Gazeta) o presidente de alguns portugueses continua calado.

9
Em Alberta, no Canadá, está à espreita o negócio da extracção de petróleo a partir de areias betuminosas. Os chacais, venham eles donde vierem, estão prontos a abocanhar os lucros e a deixar por lá, a espalhar-se, os detritos e seus problemas ambientais. Que não é nada com eles. Nem connosco. Uma reportagem fotográfica do Daily Mail mostrava imagens de meter medo, mas por algum motivo que desconhecemos "the page you search does not exist".
Mas há esta notícia, com algumas imagens.
E as forças da autoridade, já habitual e esperadas, controlam manifestantes.

10
No bairro de Santa Filomena, na Amadora, mais pessoas foram desalojadas sob as forças policiais. As forças da ordem, braço armado da força do dinheiro.
Para desalojar e poder demolir sem matar ninguém. 
Para rentabilizar o espaço. Com o espaço já cuidadosamente trabalhado pelo poder económico, lá mais não conseguirão entrar. Paredes económicas limitativas, segregacionistas os afastam do sítio donde foram expulsas.
Fizeram o mesmo para construir a barragem das Três Gargantas e fazem o mesmo para expandir as cidades, quando estas, infladas pela pobreza dos que a ela chegam, crescem demasiado rapidamente.
Saber mais aqui.

11
A polícia aguentou horas, não quis dissuadir os davids e deu-lhes, aos davids e a outras personagens que nada tinham que ver com aquela história nada bíblica, com uma "carga de serenidadezinha". Como se o uso da violência fosse apanágio das forças que estão do lado da Democracia. 
Parabéns aos polícias, então.

12
Como é bom viajar a preços baixinhos, nas companhias de baixo custo tão na moda, os tráfegos nos aeroportos e a massificação do turismo aumenta de ano para ano. Malgrat a perda de poder de compra. Ou, melhor, DEVIDO à perda do poder de compra. Por isso, em Nantes se preparam para - oh! consequência impensável! - construir um aeroporto. Na luta contra está a ZAD - Zone a Défendre, cuja página na internet foi "classificada por uma autoridade" (?, qual? porquê? para quê?) como não segura.
Desejamos prosseguir?

13
"Os cidadãos das democracias antigas, que passavam o dia em discussões sobre os negócios da cidade, em debates públicos, ao ar livre, escutando o orador do momento, passeando no fórum, não se poderiam conceber no clima húmido e enevoado de Londres ou de Hamburgo, que, pelo contrário, favorece a vida interior, no club e no lar.
A construção rápida de cimento armado está mudando a fisionomia das cidades, tanto pela demolição dos bairros velhos e pitorescos como pelo alastrar de subúrbios industriais e dormitórios, de altos e insípidos edifícios, tristes símbolos da vulgaridade de uma civilização universal, arrogante nos seus recursos mecânicos mas empobrecida no conteúdo humano. Nada o mostra melhor que a aviltante renovação das cidades."

Orlando Ribeiro, "Portugal, O Mediterrâneo e O Atlântico
(primeira edição em 1962)


Deseja prosseguir?

terça-feira, dezembro 04, 2012

Aí está a passagem do tempo num muro de Braga



Muro do Liceu Sá de Miranda, Braga - Vidal (Dez. 2012)


(Primeiras fotografias: aqui e aqui)

domingo, dezembro 02, 2012

Não é preciso ser bruxo…


Observatório da ONU conclui que OE2013 conduz Portugal à situação grega: os resultados vão ser "catastróficos" se não mudar radicalmente a atual política.

(ler mais aqui)


Mas por via das dúvidas coloquem o Zandinga a comentador e analista político, pior que os habitués que por lá andam a disseminar a voz do dono, seja ele qual for, será difícil.