terça-feira, novembro 27, 2012

Se for preciso a gente colabora



Madeira gasta 1,2 milhões nas iluminações e no fogo-de-artifício.

(ler mais aqui)

quinta-feira, novembro 22, 2012

Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas isto demorou:


O corredor verde de Monsanto, um projecto com mais de três décadas concebido pelo arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, vai ser inaugurado a 14 de Dezembro(…)

Segundo a autarquia, o corredor verde vai contar com 6,5km de comprimento e 51 hectares de área. Este espaço irá englobar duas pontes ciclopedonais, vários jardins, uma área experimental de prado biodiverso de sequeiro, 2 hectares de seara, dois miradouros, um quiosque com esplanada e cinco parques: um juvenil, outro de skates, dois de manutenção física e um hortícola (…)

 De acordo com a mesma fonte foi ainda construída uma nova ponte pedonal e ciclável sobre a Avenida Calouste Gulbenkian, que une a Universidade Nova ao Jardim da Amnistia Internacional (ex-jardins de Campolide), além da ponte de madeira que foi iniciada em Novembro sobre a Rua Marquês de Fronteira e que estará concluída nas próximas semanas. No Jardim da Amnistia Internacional foram ainda criados vários talhões hortícolas. 

Ler mais aqui

terça-feira, novembro 20, 2012

Em que ficamos?


Menezes defende redução do número de vereadores para "poupança significativa" (Ler mais AQUI)

ou

Menezes anuncia criação de dois prémios internacionais superiores ao Pritzker. (Ler mais AQUI)



Meus amigos, lamento informar, mas eles andam aí. Tiranossauros Rex das autarquias contornam a lei que (supostamente) limita os mandatos dos autarcas, nada e criada cheia de interstícios para ser toureada a preceito. Apenas para quem sabe. Apenas para quem pode. De nenúfar em nenúfar, sai daqui arranja ali. Tudo para o bem comum. E ainda dá para ser criativo. 


segunda-feira, novembro 19, 2012

Toca a todos (Braga no dia nacional sem restaurantes)


Restaurante junto à Universidade do Minho, Braga - Vidal (19-11-12)
(clicar na imagem)

Mais dia, menos dia, já o dissemos aqui, toca a todos. Calhando, o melhor é verificar os telhados, não vão estes ser de vidro. Mais importante que fazer ou participar numa greve, mais importante que participar numa manifestação, estejamos ou não de acordo, em parte ou na totalidade com o seu objecto, o mais importante mesmo é sermos solidários. Não confundir com compreensivos: isso é o mínimo. Desta vez, foi a restauração. Mas, alguém se lembra de algo semelhante nesta área? Não nos parece. Mesmo sem saber do impacte efectivo, em Braga, por exemplo, lográmos observar vários casos de restaurantes e snack-bares encerrados, sendo que existem variadíssimos estabelecimentos que servem refeições mas que são funcionalmente cafés e pastelarias, e portanto se enquadram noutra lógica operante. E também notámos que alguns estabelecimentos estavam a funcionar aparentemente de forma normal. 

domingo, novembro 18, 2012

Imprensa: mais bordoada e os supostos “profissionais da desordem”


Gorjetas e subsídio de alimentação vão pagar IRS. 
ler mais Aqui

Meus amigos, os tais ditos profissionais da desordem (clicar na imagem para aumentar)
[fonte Público - daqui]


Desapossados de poesia

Não há poesia nenhuma.
A fome destruiu-a toda.

Teremos de criá-la a partir do fogo e das cinzas que criámos no estômago vazio.

 

quinta-feira, novembro 15, 2012

Dos amadores falará a história?

"Eles não aprendem nada", por Víctor Belanciano (não escreve apenas sobre música):


Não levei com bastonadas, mas ao meu lado, pais com filhos suportaram-nas. Não caí quando corria, em fuga, pelas ruas fora, mas vi quem caísse e fosse agredido violentamente pela polícia.

Sim, minutos antes, também assisti ao arremesso de pedras por parte de manifestantes e repudiei-as, como tantos outros fizeram. E sim, também vi caixotes do lixo incendiados depois pelas ruas.

Não foi a minha primeira vez num contexto daqueles. Sei como é. É como é. A impotência dos manifestantes desemboca em provocação. E do lado da polícia aproveita-se o pretexto para manifestar a força, o poder, indiscriminadamente. Isso não vai mudar nunca. Ambos os lados são o espelho da mesma encenação.

À violência de quem protesta responde o poder com mais violência, numa demonstração de força que serve para se reafirmar. Fomos atacados, dizem, limitámo-nos a responder legitimamente. É a história mais antiga do mundo. O resto são muitas bastonadas.

É uma tentação, a subida de tom dos manifestantes. Só não percebe quem não quer. Como forma de protesto, é discutível a sua eficácia. À violência do poder baseado na força deve responder-se com não-violência vigilante. A história mostra que quando um colectivo supera o medo sem violência, tende a unir-se mais, e a impor a sua vontade. O poder não está nos bastões, nem nas pedras, está na cabeça. Mas isso é a minha cabeça que pensa.

Neste momento de crispação não me parece que existam muitos que pensem da mesma forma. Ontem percebi-o. E hoje compreendi, ao ouvir as reacções, que não se tiraram quaisquer ilações. Ontem custou-me ver amigos com a cara ensanguentada, mas se querem saber o que custa mais é hoje ouvir polícias, sindicatos e políticos repetirem, também eles, as mesmas frases de circunstância, sem nenhuma novidade, nenhuma dedução nova, um enorme vazio, entre a desvalorização a roçar o paternalismo e o repúdio sem nenhum pensamento estruturado por trás. Algo que nos faça pensar, finalmente, para além do folclore habitual.

Será que esta gente não percebe que a próxima vez vai ser pior? E a que virá a seguir a essa, pior será. Porque vai acontecer. É claro que vai acontecer. E das próximas vezes não serão apenas “profissionais do protesto”, como o paternalismo vigente os trata.

Da próxima vez não serão jovens com cartazes de frases “giras”. Da próxima vez não serão “profissionais do protesto”, tratados assim como se fossem a hierarquia da disseminação da violência.

Lamento informar, mas quem pensa assim, está enganado. Não são esses os mais tumultuosos. Os mais violentos, prestes a explodir, são os muitos homens e as mulheres à beira do desespero. Quando essas pessoas pegarem fogo às ruas não o vão fazer com os caixotes do lixo colocados, apesar de tudo, a meio da rua, para as chamas não chegarem aos prédios. Vai tudo a eito. Como faz a polícia.

Alguns deles estavam lá ao lado dos “profissionais do protesto”. Eu vi-os. Não têm a cara tapada, não senhor. São pessoas crispadas, com as veias do pescoço dilatadas de gritar irados, à beira do desespero, gritando como se fosse a primeira vez, e para alguns deles até é capaz de ser verdade. Deixemo-nos de histórias. Os diversos poderes adoram “profissionais do protesto”. Dá-lhes jeito. Mas ontem foi mais do que isso. E da próxima vez será pior.

Da próxima vez, se ninguém tirar ilações, esperemos que não seja tarde de mais.

Sacado daqui (originalmente publicado AQUI)

quarta-feira, novembro 14, 2012

VIII Jornadas de Geografia e Planeamento - Campus de Azurém, Guimarães








Entre quinta-feira, 15-11-2012 e sexta-feira, 16-11-2012.

Consultar todo o programa AQUI 

domingo, novembro 11, 2012

Como diria o banqueiro Ulrich: eles aguentam, então não aguentam


Meus amigos, o que aquela senhora, a senhora Jonet, em contraponto à ovelha choné, mas sem nada de choné (não se iludam), a senhora presidente do Banco Alimentar Contra a Fome transmitiu com as declarações que proferiu na SIC, não é nada fora do penico da sua vivência social e política, seja no salão de chá, seja nos corredores bem convividos da (sua) sociedade. Enquadram-se bem, basta reflectirmos um pouco, nas políticas que geram (e engendraram) o determinismo da austeridade, fundamentadas numa ideologia de base que assenta fundamentalmente em três pilares: aviltamento do trabalho (a história começou como flexibilização), e consequente perda de quaisquer direitos adquiridos; a destruição metódica do estado social; a total dependência e subordinação do pensamento e da vida das pessoas aos ditames do credo neoliberal, o mesmo que criou o monstro que agora finge tourear.

Meus amigos, a pobreza é uma condição sine qua nom para as suas políticas. A mão estendida, exposta pela genética social, a mola vergada, condição sine qua nom para as suas políticas. A culpa! – os pobres apenas se podem culpar a si próprios – dizem-nos, é condição sine qua nom, os pobres são uns estoura-vergas, precisam de ser aconselhados, claro, como o foram até aqui pelos bancos, os mesmos bancos que agora são fortalecidos pelos seus impostos. Os pobres precisam de quem lhes indique o caminho. Eles precisam de/dos pobres, e os pobres precisam – dizem-nos – precisam, ou vão precisar de caridade, da caridade deles. Substituir a solidariedade pela caridade: eis o significado último do vamos ter que empobrecer muito, vamos ter que viver mais pobres. Mais ainda?


[cartoon do Angeli sacado daqui]

sexta-feira, novembro 09, 2012

Como, digam lá outra vez?



FMI alerta que austeridade pode tornar-se “socialmente insustentável”:
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que a austeridade em países da periferia da zona euro, como Portugal, corre o risco de se tornar política e “socialmente insustentável”, numa altura em que cresce a contestação interna às medidas de contenção nas economias em dificuldades.

Ler mais aqui

Mas ainda haverá por aí alguém que tenha a mais pequena sombra de dúvida que estes tipos andam a gozar com isto? Uns e outros. E que não fazem a mínima ideia como a coisa vai estourar, mas sabem que os espera uma qualquer sinecura algures, isso sabem. Entretanto…

terça-feira, novembro 06, 2012

Imprensa de Guimarães

Numa semana Guimarães ficou sem metade da imprensa local:

Os jornais Notícias de Guimarães e Expresso do Ave não resistiram à crise e já não saíram para as bancas na semana passada. Há mais dois semanários na cidade, onde os diários com sede em Braga nunca se afirmaram. 

Ler mais aqui

domingo, novembro 04, 2012

Para uma geografia urbana da religião: Braga

Um dia apenas? 
Faculdade de Teologia, Rua de Santa Margarida, Braga - Vidal (03-11-12)


Já expusemos uma imagem semelhante aqui (mas ainda não tinha a rasura nem o acrescento em baixo a verde) 
Muro do Liceu Sá de Miranda, Braga - Vidal (03-11-12)


Pormenor da imagem de cima (clicar na imagem)
Vidal (03-11-12)

sexta-feira, novembro 02, 2012

Todos os nomes *


Não embarcando nesse ideal do primado capitalista do tempo é dinheiro, reconheço-lhe (ao tempo) importância suficiente para não o dissipar em bagatelas. Ainda assim, mais uma vez, dei por mim a assistir (ainda aguentei um bom pedaço) pela TV ao (hipotético) debate do orçamento de estado na Assembleia da República.

Debalde. Já conhecíamos a roupagem néscia, o carneirismo seguidista, a verborreia torrencial, o vazio de ideias, a aflição egoísta pelo poder, mas aquilo que observamos foi uma verdadeira infâmia. Os do costume, as bancadas atreitas ao poder (e são três), ou que apontam acima de tudo ao poder, a digladiarem-se infantilmente como na escola primária, a sacudirem a água do capote: “a culpa é dos senhores”, não “desculpe, a culpa é toda dos senhores”, não desculpe, os senhores isto, os senhores aquilo, numa demonstração miserável de total desdém pelo país, e sobretudo pelas pessoas, sim, os cidadãos que os elegeram.

Para além disso, é imperativo sabermos os nomes dos que aprovaram o orçamento, e respectivo círculo eleitoral. Já alguém o havia feito:

Adão Silva (Bragança), Adriano Rafael Moreira (Porto), Afonso Oliveira (Porto), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro), Ana Oliveira (Coimbra), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa), Andreia Neto (Porto), Ângela Guerra (Guarda), António Leitão Amaro (Lisboa), António Prôa (Lisboa), António Rodrigues ( Lisboa), Arménio Santos (Viseu), Assunção Esteves (Lisboa), Bruno Coimbra (Aveiro), Bruno Vitorino (Setúbal), Carina Oliveira( Santarém), Carla Rodrigues (Aveiro), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo), Carlos Alberto Gonçalves (Europa), Carlos Costa Neves (Castelo Branco), Carlos Páscoa Gonçalves (fora da Europa), Carlos Peixoto (Guarda), Carlos Santos Silva (Lisboa), Carlos São Martinho (Castelo Branco), Clara Marques Mendes (Braga), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira), Conceição Bessa Ruão (Porto), Correia de Jesus (Madeira), Couto dos Santos (Aveiro), Cristovão Crespo (Portalegre), Cristovão Norte (Faro), Cristovão Simão Ribeiro (Porto), Duarte Marques (Santarém), Duarte Pacheco (Lisboa), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo), Elsa Cordeiro (Faro), Emídio Guerreiro (Braga), Emília Santos (Porto), Frenando Marques (Leiria), Fernando Negrão (Braga), Fernando Virgílio Macedo (Porto), Francisca Almeida (Braga), Graça Mota (Braga), Guilherme Silva (Madeira), Hélder Sousa Silva (Lisboa), Hugo Lopes Soares (Braga), Hugo Velosa (Madeira), Isilda Aguincha (Santarém), Joana Barata Lopes (Lisboa), João Figueiredo (Viseu), João Lobo (Braga), João Prata (Guarda), Joaquim Ponte (Açores), Jorge Paulo Oliveira (Braga), José de Matos Correia (Lisboa), José de Matos Rosa (Lisboa), José Manuel Canavarro (Coimbra), Laura Esperança (Leiria), Lídia Bulcão (Açores), Luís Campos Ferreira (Porto), Luís Leite Ramos (Vila Real), Luís Menezes (Porto), Luís Montenegro (Aveiro), Luís Pedro Pimentel (Vila Real), Luís Vales (Porto), Margarida Almeida (Porto), Maria Conceição Pereira (Leirie), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa), Maria das Mercês Borges (Setúbal), Maria Ester Vargas (Viseu), Maria João Ávila (fora da Europa), Maria José Castelo Branco (Porto), Maria José Moreno (Bragança), Maria Manuela Tender (Vila Real), Maria Paula Cardoso (Aveiro), Mário Magalhães (Porto), Mário Simões (Beja), Maurício Marques (Coimbra), Mendes Bota (Faro), Miguel Frasquilho (Porto), Miguel Santos (Porto), Mónica Ferro (Lisboa), Mota Amaral (Açores), Nilza de Sena (Coimbra), Nuno Encarnação (Coimbra), Nuno Filipe Matias (Setúbal), Nuno Reis (Braga), Nuno Serra (Santarém), Odete Silva (Lisboa), Paulo Batista Santos (Leiria), Paulo Cavaleiro (Aveiro), Paulo Mota Pinto (Lisboa), Paulo Rios de Oliveira (Porto), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal), Pedro Alves (Viseu), Pedro do Ó Ramos (Setúbal), Pedro Lynce (Évora), Pedro Pimpão (Leiria), Pedro Pinto (Lisboa), Pedro Roque (Faro), Ricardo Baptista Leite (Lisboa(, Rosa Arezes (Viana do Castelo), Sérgio Azevedo (Lisboa), Teresa Costa Santos (Viseu), Teresa Leal Coelho (Porto), Ulisses Pereira (Aveiro), Valter Ribeiro (Leiria), Vasco Cunha (Santarém), Abel Baptista (Viana do Castelo), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa), Altino Bessa (Braga), Artur Rêgo (Faro), Helder Amaral (Viseu), Inês Teotónio Pereira (Lisboa), Isabel Galriça Neto (Lisboa), João Gonçalves Pereira (Lisboa), João Paulo Viegas (Setúbal), João Pinho de Almeida (Porto), João Rebelo (Lisboa), João Serpa Oliva (Coimbra), José Lino Ramos (Lisboa), José Ribeiro e Castro (Porto), Manuel Isaac (Leiria), Margarida Neto (Santarém), Michael Seufert (Porto), Nuno Magalhães (Setúbal), Raúl de Almeida (Aveiro), Telmo Correia (Braga), Teresa Anjinho (Aveiro), Teresa Caeiro (Lisboa) e Vera Rodrigues (Porto).

Levantamento sacado aqui. Um a um, todos os deputados aqui.

[imagem]


*Frase título tirada, com a devida vénia, de um romance de Saramago: “Todos os Nomes”, de 2007. 

quarta-feira, outubro 31, 2012

Adenda ao post anterior (Braga e arredores)


Afinal, o Jornal de Notícias de hoje (edição em papel) actualiza a notícia de ontem (que referimos no post anterior), sobre a iniciativa "encaixa-te" promovida pela citada fundação no âmbito do Braga CEJ 2012. Segundo a mesma, os jovens (três a atentar na foto do jornal) estão "desiludidos com programa para abrir lojas no cento", considerando os "espaços inadequados", ou "longe do casco histórico", sitos em Lomar ou Nogueira, por exemplo, ao contrário do que havia sido acordado, asseguram. Mais, todo este processo está ligado a apenas um intermediário, a "JSQIMO" (uma imobiliária - novidade?). 

Acrescentam ainda (porquê apenas agora?) que "eles nem as lojas tinham para o concurso" e apenas "encaixaram um projecto de uma ideia de uma empresa já existente" (o português não é da nossa responsabilidade). Terminam, assinalando que a CEJ "apenas fez um concurso para se promover". E às três pancadas, pelos vistos, acrescentamos nós. Fica aqui a actualização.

Imprensa: Braga e arredores


Ficamos a saber através do JN de ontem (sem link), que um dos vencedores da iniciativa “Encaixa-te”, um projecto no âmbito de Braga CEJ 2012 que (supostamente) premiou 5 ideias de negócio, acusava a Fundação Bracara Augusta de “falta de interesse” e de “não proporcionar” as condições exigidas e acordadas, nomeadamente no que respeita à área disponibilizada para o negócio. Não conhecemos o processo, todavia, gostaríamos de perceber, afinal, para que serve (ou a quem serve, vai dar ao mesmo) a  augusta fundação em causa.

Bom, e já aqui estamos, gostávamos de saber da vida de (mais) dois desígnios emblemáticos da Braga CEJ, os quais, aliás, já haviam começado com atrasos, a saber: a reconversão do antigo quartel da GNR em Casa da Juventude, o famoso GeNeRation, e a construção da nova pousada juvenil no antigo convento de S. Francisco em Real.

Relativamente ao primeiro, o jornal Público em edição de 03-02-12, anunciava (ler mais aqui) que o projecto que acolherá indústrias criativas e associações juvenis, já tinha derrapado em mais de 200 mil euros relativamente ao inicialmente previsto (onde isso já deve ir), e que na melhor das hipóteses estaria pronto apenas no final de 2012. Não nos parece. A nova pousada da juventude que passou ao lado da capital europeia da…juventude, também se declarava em atraso, mais uma vez, por isto e por aquilo, e mais uma vez por descobertas arqueológicas. O facto (de somenos) de todo o processo ter sido pensado em cima do joelho não terá representado, obviamente, qualquer obstáculo. Vai uma aposta em que estarão ambos prontinhos para inaugurar perto das eleições?

Entretanto, ficamos a saber de uma notícia importante para a terra: O Ferrari 599 GTB Fiorano que Cristiano Ronaldo destruiu em Manchester foi parar às mãos de um empresário de Braga. (ler tudo aqui).

[imagem: boa onda]

terça-feira, outubro 30, 2012

"A Cidade da Saúde", por Artur Portela

[Artur Portela]
Faz questão de sublinhar que todas as semelhanças das suas personagens e histórias
com a realidade e figuras reais são coincidências absolutas.
 
 
 
Título: A Cidade da Saúde


Autor: Artur Portela
Edição: Outubro de 2012
Editora: Bizâncio
ISBN: 978-972-530-514-0
Paginação: 205 páginas

 
 
Silencioso.
Silencioso, não: calado.
 
O regresso a edições em papel. ("Cama Desfeita", está apenas via rede, via pdf)
O anterior, neste mesmo veículo de comunicação, fora já de 2009, "A Guerra da Meseta".
 
Actualíssimo, sarcástico e mordaz, este romance, como consta na capa, nada tem de romântico. Será mais, ou melhor, uma narrativa. Uma novela, quanto muito. Fragmentariamente, como que a acompanhar a nossa percepção do real que se impõe, que nos impõem: mediaticamente. Mas, a atestar a inteligência de qualquer criador (e a atestar o respeito por aqueles que contemplam as suas criações), cujos elos somos nós a coser.
 
O desencanto e o amesquinhamento da tão fugidia realidade em que vivemos fica, narrado e descrito pelo tom irónico e sabedor acutilante, tapado pelos sorrisos com que a lemos neste novo livro de Artur Portela. E os sorrisos amargos são folhas a tapar a podridão, e a amargura é, ela mesma, claro, devida a essa mesma podridão dos costumes comezinhos que caracterizam e emperram a sociedade pequenina dos portuguêsmente alienados povo e valores miúdos.
 
A prosa de Artur Portela (caiu há muito o Filho das inscrições nos livros: terá sido pela quebra da memória?) é irrepreensivelmente correcta. Coisa para nós fascinante, tanto mais que ele usa as vírgulas e as sub-orações como mais ninguém. Talvez apenas assemelhável (escola da extensão?) a um Saramago mais ensaísta. Já noutro livro da Bizâncio aludimos à rectidão da língua, o que, voltando a dar-se, é renascido oásis na propalação fétida reinante que encharca as anteriormente-conhecidas-por livrarias agora supermercados de papel com letras.
 
Esta, com as instituições que tudo tomam e organizam, tal como as agências, as económicas e as de vigilância, que tudo registam, é uma distopia mais nos escaparates para ninguém ler.
Pois que mesmo sendo a realidade mais rica que a ficção, importa a forma como ela no-la é descrita, importa a maneira como a vamos apreendendo: cartesianamente - paradigma de toda a lógica renascentista de uma luz que se vai eclipsando - argumentos mal construídos derivam em erros de conclusões e consequências práticas desacertadas.
 
Em 122 capítulos eloquentes, a acção vai tomando forma. Na cidade paradigmática do saque, no bairro da Saúde. Por entre o lodo e a pequenez. Totais. Talvez por isso, o livro, em apoteose, termine em topos. Numa construção humana, ainda uma faulty tower.
Mas depois ascendendo aos ares.
Esperançadamente.
Que a podridão é apenas o começo de algo.
 
Deixamo-vos, sem querer desvendar mais, algumas das melhores espêlhicas passagens de "A Cidade da Saúde".
 
 
Artur Portela continua - descobrimos há poucos dias - a escrever no Jornal do Fundão. E há décadas que o faz.
Acto contínuo pelo qual nos sentimos honrados.
 
 
8 - A Embaixada
 
As Embaixadas, agora, são duas. Uma fica do lado de lá da cidade e o Embaixador recebe um número elevado de ex-ministros das Finanças. In fact, you, Portuguese economists, you are really a state within a state. E depois, em voz baixa, para o Secretário da Embaixada: Pity they are so often totally wrong.
 
27 - O Telefone [ou A telefonista...]
 
Eu agora não tenho cá mais médicos, pois, queria falar com a Sr.ª Dr.ª, queria, também eu queria muita coisa, mas não, a Sr.ª Dr.ª não a atende, não insista, a Sr.ª Dr.ª agora não a atende, a Sr.ª Dr.ª agora está numa consulta, foi o que a Sr.ª Dr.ª me disse para dizer à Sr.ª e a todas as Sr.as e a todos os Srs., en não dá, a Sr.ª Dr.ª não nos deixa dar o número do seu telemóvel pessoal, isso é que era bom!, ó meu caro Sr., não interrompa que eu agora estou a atender esta Sr.ª, ó minha Sr.ª, eu, se fosse dizer às Sr.as Dr.as e aos Sr.s Drs. tudo quanto me pedem para eu lhes dizer, e imediatamente!, eu não fazia outra coisa, quer dizer, não, não, eu não posso tomar nota de recados nenhuns, quais recados!, importantes?, são todos importantes, urgência?, ó minha Sr.ª, não, nem pensar, não, ó minha Sr.ª, eu agora tenho a Sala de Espera cheia e não posso estar aqui e não posso prometer nada, a Sr.ª Dr.ª foi para um congresso e agora só para o mês que vem, princípio do outro, na melhor das hipóteses...
 
33 - Os Escoteiros
 
O Economista Bancário marido da psiquiatra-directora quer saber as linhas com que se conse a Clínica. E acrescentar, pensa, qualquer coisa. Acrescentar qualquer coisa à estatística contabilística pura e dura com que os médicos, nos seus intervalos das grandezas dos seus actos justamente médicos, cansadamente assumem o seu amadorismo como gestores. (O marido da psiquiatra-directora será, virá a ser, um gestor hospitalar, virá a ser mais que um gestor hospitalar. Jogou râguebi. Está a começar a mudar para o golfe). Quer implementar na Clínica uma intervigilância de tecnologia OM, Olho de Mosca. Todos, menos aqueles que não, vêem todos a vê-los, a eles. Isto é, o crescimento exponencial de uma sensação de responsabilidade, digamos, de punidade. Ou seja, de fecunda insegurança. Ganha-se o ambiente justo. E até talvez se levante alguma descuidada e ansiosa lebre. Já se sabe que os médicos são narcisos ajuramentados e que a Saúde é uma anarquia. Um sentimentalismo. E um populismo sempre em riso de Requiem demagógico. De feroz aproveitamento político. A Clínica Berlim, que é para os psiquiatras-associados e os psicólogos-associados uma cúpula, é, para ele, economista bancário, uma primária. Uma estação suburbana que dá direito a aceder a desafios maiores. Os doentes não são pessoas. Os doentes são doenças com apelidos em anexo. Tanto os doentes como os médicos são transmissíveis. O acto médico não é do médico. É do sistema. O médico é um instrumento. O que interessa são as articulações nas superestruturas. Carteiras de doentes. Cotações dos médicos. Rentabilidade de cada médico. Rentabilidade de cada psicólogo. E depois protocolos. Negociações de protocolos. Centros de compras. Companhias de seguros. Associações profissionais. Corporações. Instituições. Depois, muito, muito acessoriamente, a perspectiva micro. Doente puxa doente. Domicílios. Internamentos. Casas de saúde. Topografias. Companheirismos. Cumplicidades universitárias. Tu agora onde é que estás? Não me digas! Digo, digo. Discipulismo. O quê, tu foste aluna do Prof. Macarena? Em que ano? Pois eu. Tu lembras-te do? Eu ainda tive o Malines como assistente!
 
45 - Os Seguranças
 
O Administrador do Condomínio não percebe por que lhe pediram, no átrio, os documentos. E por que foi um médico. Aquele. E com que autoridade? E de bata, no átrio do Prédio? A porteira decidiu tratar todos aqueles estranhos por Srs. Doutores.
Batem, na Álea, portas de carros. Os polícias das segways não sabem quem ali vai, mas batem, pelo sim, pelo não, continências.
 
56 - O Turismo de Saúde
 
O Economista bancário futuro gestor hospitalar teme pela imagem do Bairro Pinel como Bairro de Saúde Mental, no quadro mais amplo da Cidade da Saúde e no quadro ainda mais amplo de um país virado para o «Turismo da Saúde». Turismo de qualidade de saúde de qualidade. Qualidade que só se assegura em binómio com a rentabilidade. Não sendo a saúde um valor absoluto. Muito menos a doença. Que preferivelmente deve ser rica, pelo menos abonada. Pedindo técnicas viáveis. Justificando-se assim o investimento em doenças ditas sustentáveis. Ou seja, não de caixão à cova.
 
68 - Os Bons Rapazes
 
Os Ex-Ministros das Finanças reiteram que não são políticos. Política é a circunstância. Eles intervêm após se desenhar e começar a firmar a conjuntura. Começam a intervir. Avisando que tinham previsto tudo. Um deles, para espanto de todos os outros, admite que se enganou. O que, confidenciam entre si, os outros, cria um precedente. Definem-se como uma geração de técnicos. Digamos que consentem ser tomados por altíssimos técnicos. Todos, ao fim e ao cabo, da mesma geração. Embora sejam de várias gerações. E o que admite que se enganou é de todos o mais velho. Embora, vendo bem, são todos velhos. As Finanças, elas próprias, grisalhas. Têm de ser. O dinheiro é muito antigo. Tem uma dignidade intrínseca. Pelo que todos têm de ter, e sempre, razão. Há entre eles uma cumplicidade de casta. Altíssimos funcionários do Estado, consentem que se diga, deles. Embora, para eles, os superlativos sejam uma vulgaridade. Um nervosismo. E um jornalismo. Ou seja, uma futilidade. Ninguém sabe nada a não ser eles. O primeiro-ministro é antes. Eles são. Antes, durante e depois. De resto, foi aluno de todos eles. Lembram-se, quase todos, de terem sido chamados pelo outro regime, exactamente por um professor de óculos amargos. Ficaram secretários de Estado. O regime seguinte, quando chegou, abriu a porta. Estavam todos. Nem tinham, técnicos, que não estar. Era tudo muito complicado: serviço é serviço, cognac é cognac. Ficaram. Na generalidade são bons rapazes. Quando discordam uns dos outros, predomina a solidariedade entre eles. Nunca nenhum deles disse ao mais velho que não devia ter dito que se tinha enganado. Recentemente, uma agência de comunicação tentou explicar-lhes que não, que até humanizava. O mais velho ouviu e sorriu. Um sorriso que era simultaneamente antiquíssimo e inovador.
Estão, porém, ou estiveram, quase todos, sentados em larguíssimas mesas, cujos tampos, vendo bem, são extensas árvores genealógicas. Que começam lá onde a genealogia se esboça. Na Baixa Idade Média. Ou seja, estão nos bancos. Nos apelidos que os bancos trazem. E enleiam. Não usam esses apelidos.
 
 
 
Obrigados, uma vez mais, Artur Portela.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Braga cidade capital


Vidal (Outubro 2012)

Alguns se recordarão, por certo, da piscina coberta a que aqui (já) nos referimos. De momento, parece, está vazia, como podemos ver pela imagem, talvez para manutenção e limpeza, porventura porque esteja a ser pensada a sua requalificação, ou talvez porque o São Pedro não tem ido aos treinos e não tem chovido o suficiente. Entretanto, o andar inferior, o tal que não servia para nada, a não ser para criar girinos, e por isso se encontrava tapado, parece que aos poucos começa a ganhar vida e a ter outra serventia, assim a humidade o permita.

O que mais salta às vistas, todavia, nem será isso: mas a incúria que permite que o novo nasça já decadente, desaproveitado, escondido e degradado. Isto num espaço comercial relativamente recente, sito ao lado de outro espaço comercial bem conhecido de todos. Não aludimos apenas aos edifícios nem apenas ao sítio onde foram construídos, mas a todo o espaço envolvente, principalmente a sua retaguarda, paredes meias com a antiga fábrica de sabonetes, a cair aos pedaços. Lixo e abandono.


                                                     Vidal (Outubro 2012)

Agora que (supostamente) as autoridades desviam o olhar para o centro, empedrando e embelezando (eles lá o saberão) algumas praças, a moda assim o pauteia, e já cheira a eleições, talvez fosse necessário encarar os grandes desígnios, os grandes projectos urbanísticos das décadas anteriores, o celebrado crescimento. Atentem bem nesta zona, meus amigos. Lá que Braga cresceu, cresceu… topograficamente, como diria o Camilo Castelo Branco.
   

domingo, outubro 28, 2012

O cheiro a napalm pela manhã




Entretanto, prosseguimos na senda das revelações, como se estes tipos que por lá andam e que nos pastoreiam, insisto neste ponto, não soubessem ao que vinham, quer dizer, mesmo sendo uns cepos irresponsáveis e incompetentes, o trabalhinho que lhes estava destinado terá que ser concretizado, e esse passa por desmembrar o tecido social, aniquilando a vontade e a capacidade de reacção. Em suma, tornar-nos uns pedintes, individualmente, egoisticamente, mas ainda assim uns pedintes.

No Expresso de ontem, Pedro Adão e Silva fala de “napalm social”, e já não é o primeiro a recorrer a analogias explosivas, acrescentado: “Não sabendo onde cortar, o governo acabou por poupar, com desvelo pornográfico, na protecção aos mais desfavorecidos: pobres, idosos e desempregados. Esta opção não é politicamente neutra [olha a novidade]: enquanto se degrada a rede de mínimos sociais, empurrando milhares de cidadãos para abaixo do limiar da pobreza, vamo-nos aproximando de um passado onde a fome a indigência social eram o último recurso dos desempregados. Quando temos um mercado de trabalho profundamente deprimido, é caso para dizer: bem regressados à barbárie social”.

Tudo isto é certo, mas sendo aparentemente profundo, não sai ainda da superfície, da epiderme do problema global. O canastro das pessoas é duro. O objectivo vai além, mais fundo, visa a (suposta) dinamização que eles tanto falam do mercado de trabalho, assente na pedinchice, assente na miséria de ter de aceitar qualquer coisa, a qualquer preço, assente na necessidade última da sobrevivência da prol, na destruição do valor do trabalho, enfim, dos direitos legítimos conquistados ao longo de décadas. E assente, por fim, na liberalização perfeita e no enchimento dos bolsos de uns poucos que controlam o processo. Pelo caminho, estarão dispostos a aceitar algumas - recorrendo ao eufemismo - baixas. Talvez seja isso, afinal, a denominada (ninguém notará o paradoxo?) guerra preventiva.   

quinta-feira, outubro 25, 2012

Coisas concretas, palavras simples: cuidado com a carteira


Agora imaginem isto, as pessoas que trabalham fazem descontos, esses descontos servem para muita coisa, vamos apenas referir duas dessas coisas: reforma e subsídio de desemprego. O (ainda) estado social tem coisas sensatas. Agora imaginem que ficando sem emprego continuam a descontar através do subsídio de desemprego, sim através do subsídio. E para quê? Mas não serão descontos sobre descontos, não seria menos intrujão baixar logo o subsídio?- perguntam bem. Pois foi o que estes senhores e senhoras que nos pastoreiam pensaram: primeiro a história dos 6%, de descontos sobre os subsídios, isto sobre trabalhadores que têm subsídio porque… fizeram descontos, como é evidente. Será? Muita gente riu, para o lado: não é possível.

Entretanto, ontem, informaram o rebanho que mesmo os subsídios mais baixos, sejam eles de desemprego ou o social, iriam encurtar em 10%. Não pode ser! Claro que não: praticamente no mesmo dia, os senhores e as senhoras que nos pastoreiam condescenderam, magnânimos, e lá informaram que se calhar não será bem assim. Claro que não será. O que será é a condescendência planeada resultar na medida inicial, os tais descontos sobre o subsídio, os tais descontos sobre descontos, mesmo nos subsídios mais baixos. É esta a gente com a qual lidamos.

Outra falácia, uma grande falácia, é a história da equidade e da justiça no novo escalonamento do IRS e respectivas contribuições. Já nem falamos da ausência a jogo do grande capital, deslocado para países com 3 meses de inverno e 9 de mau tempo, como diria o Assis Pacheco, ou deslocados para paraísos fiscais, offshores bem quentinhos, ou escondidos em SGPS, ou lá como isso se chama. Na verdade as pessoas não pagam o mesmo, nem sentem o mesmo. É diferente ganhar 600 euros, 1000 euros, 1500 euros, e por aí fora, e é diferente o impacto em distintas regiões. Sabendo que sofrimento não se mede aos palmos e que a estatística serve para moldar distribuições em médias convenientes, decidimos recorrer a quem também faz estudos e contas. Fica ao vosso critério: (basta clicar nos títulos)



Estudo e folha de cálculo retirados daqui.


[imagem perdida na rede]

Por falar em democracia (isso inclui Israel, EUA, Europa e por aí fora, não?)


Sou daqueles que leram uns livros do Chomsky, alguns estão até bem à mão, nem sempre estivemos ou estamos de acordo, nem faz falta, mas é sempre um bom interlocutor para o pensamento. Não tem aparecido. Curiosamente os microfones que estão sempre por aí, raramente agora o encontram. Talvez por isto:

O linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky considera que os países ocidentais, com os EUA à cabeça, receiam que a Democracia se instale no Médio Oriente, porque dificultaria o controlo da região, noticia a agência Efe.

Ler mais Aqui

[imagem daqui]

quarta-feira, outubro 24, 2012

Financiamento descomunal para a repressão policial

 
Retirado daqui
 
(Para corroborar a ideia de que o estado financia o circo e os teatros das mais importantes operações)

Repressão comercial, capitalismo demasiado banal

A repressão é um modo de vida.
 
 
 
Repressão policial,
Terrorismo oficial
Alerta Geral, Peste & Sida
 
 
Há governos que passam o tempo a lançar repressões prò ar, a ver se alguém as quer agarrar, quais pombinhas violadas a voar.
E como mais vale morrer para a vida ser mais segura, vêm mesmo a calhar uns cortezitos nos que já olham, a lamber as beiças, para a tumba ali de fronte.
Sim, - ah grande Natália profeta Correia! - "para organizarmos o enterro mais adiante".
 
Mas já não há paciência para o João Proência.
Parece um Ren apático, com aquele balbuciar chato e a precisar de umas calorias decibélicas valentes. Sempre que se anuncia uma medida que nos prejudica e se aguarda pelas suas declarações, veementes, ... quando vamos, expectantes, a ouvi-lo... parece um Vítor Gaspar a ameaçar mudar, porventura, o tom de voz se os jornalistas voltarem a insistir na mesma impertinente pergunta...
Já as montanhas são crescidinhas para parir super-ratos, ou não??
Ou não estaremos infestados de roedores?
Que sejam lémingues, ao menos!
Repressão sindical.
 
Nas igrejas clonadas, cloacadas, deste país miúdo, todos os domingos se professa, via cardeal patriarca de Lisboa, que as manifestações deviam era ficar em casa, e que não vale a pena sair à rua.
Repressão clerical.
 
Agora a repressão, no mínimo, comercial.
E laboral, claro é.
 
O presidente da Associação Comercial de Lisboa, Bruno Bonone, criticou ontem a manifestação dos estivadores.
- O que acha que devia ser feito, ou, qual a principal medida que devia ser desde já levada a cabo, senhor Bruno Bonone?
- Deviam é trabalhar, para contribuir para o desenvolvimento da economia do país.
 
Estas são palavrinhas acabadinhas de ouvir ali na telefonia.
Quer isto dizer que os estivadores não querem contribuir. Hoje dir-se-ia mais - há que usar a nomenclatura dos novos tempos e ai de nós se ficarmos para trás no livre discorrer da evolução... - hoje empregar-se-ia mais, dizíamos, "os colaboradores não querem... colaborar".
E de seguida, se fosse por ele, as metralhadoras seriam disparadas contra os sul-africanos estivadores dos portos portugueses, armados de... sei lá! contentores em miniaturas!!
Ui! que medo! Os polícias e as associações comerciais vão agir em legítima defesa e matá-los a todos. Com moedas! Ou com o Carlos Moedas!
A bem da nação!
 
Porque os estivadores não querem contribuir - nem precisam! - para o seu desenvolvimento humano.
Devem ser ratos do porão e, como tal, devem para toda a vida roer as rolhas com que os reis lhes querem tapar o ralo.
A bem do atrasão!
 
 
E no passado domingo, o tal dia da semana que Sttau Monteiro dizia ser a medida do provincianismo de um povo, houve uma manifestação contra a repressão policial... nas manifestações. Foi agendada ali para a praça do Saldanha Sanches - ah, exemplo do que deve ser um homem! -, em Lisboa.
Pelas fotografias tiradas por alguns dos cidadãos que se manifestaram, a dita dura deve ter reunido umas largas meias-dúzias de pessoas.
Já passaremos a explicar.

Atenção, isto não é negativo.
As manifestações justas (nem vamos entrar nesse jogo sujo do "legítimas", que isso careceria de toda uma discussão sobre a história do Direito) não têm de encher o olho do cu-operante cidadão mediático. As manifestações mais importantes são as que se fazem individualmente. E são-no tanto mais quanto mais numerosas forem essas acções individuais. Que nós não temos de fazer saber a milhões, basta que nós não deixemos de saber e fazer.
 
Quando atingiu a mais numerosa expressão, as largas meias-dúzias de pessoas (a rondar uns vinte anónymos) junto à estátua da mulher de ferro, foram - para grande espanto de fiscalistas do despesismo e do surripiamento do erário privatizado - escoltados e "protegidos" por, vejam lá:
 
- 8 carrinhas da polícia,
- 1 ambulância,
- várias viaturas descaracterizadas de onde saíam uns cavalheiros vestidos à civil que ora confraternizavam com os de divisa ora se encostavam ociosos à parede. Alguns tiravam fotos com ar de “paparazzi” saídos de uma telenovela mexicana de escassa qualidade. Lentamente começaram a chegar mais pessoas, tranquílas, alguém trouxe mesmo o cadela a passear…
E começaram a chegar mais carrinhas até serem
- catorze,
- mais uma ambulância,
- mais viaturas descaracterizadas,
- motas e
- aqueles senhores com estranhas perversões que insistem em vestir-se entre o que seria de esperar num clube de masoquistas e os figurantes de um vídeo de uma cover manhosa dos “Village People”.
 
(citado do relato com ligação acima)
 
A manifestação, pacífica, foi comunicada ao Governo Civil e agendada por volta das 17h. Das largas meias-dúzias de pessoas presentes, parece que, afinal, aí uns 80% eram da PSP (nem queremos admitir que o exército estivesse presente, pois também têm motivos para se reunirem JUNTO e não À VOLTA da estátua) e puseram cones no meio da estrada para "ordenar" e "proteger" os cidadãos. Incluindo aqueles que se manifestavam.
Sim, senhor.
Eu acho que, com muito boa antecipação e preparação, se deviam agendar manifestações destas por todas as cidades. Pois ficariam assim demonstradas ao menos duas coisas. Gritantes e que ninguém, aliás, quer ver:
 
1- Que a polícia não reprime os manifestantes. Bem como outras pessoas que por ali estejam a passar.
 
(pausa para propaganda.
Voltamos já.)
 
(Lisboa, 22.03.12, da rede)
 
(voltando à programação em vigor)

 
Para acabar de uma vez por todas com os burburinhos e imagens falsas como estas, ou esta. E também aquela do moço lá em Génova, como é que ele se chamava? Carlo Giuliani, não era? (Vejam a que ponto a manipulação chegou! O próprio Guardian, na altura, jornal de referência (na altura) deixou-se de levar por imagens como esta...)
 
2- Que a polícia beckettiana, godotiana, nos traz cultura, mas que nós não queremos ir comprar, e tudo porque somos mal-agradecidos e não fomos educados para reconhecer o valor do teatro.
 
Qualquer governo democrático deve primar pela elevação dos seus cidadãos e é por isso que uma fatia importantíssima do seu orçamento geral ou local vai sempre para a cultura.
Para que o teatro e o circo sejam livres e acessíveis, na praça pública.
Aliás, de fazer parar o trânsito.
(Saudável, que a gasolina parece, dizem os mercados, estar prò cara...)
 
Como dizíamos supra (é super dizer supra, não é? Supimpa!), deviam ser agendadas manifestações destas.
Bem preparadinhas e atempadas.
E nunca aparecer ninguém a não ser os zelosos do poder do costume.
Mas - atenção - para não aparecer absolutamente ninguém.
Nada de sair de casa!
Depois veremos as anti-manifestações pela televisão.
Ou nas redes sociais.
E, juntos, cada um por si, poderemos rir dos demais.
 
Dia 14 de Novembro vai haver novo arraial, não vai?
Vejam só que grupinho de más companhias já anunciou, ameaçou, estar presente. (Tony e os seus supermercadores vão roer-se, quais ratos, de inveja)
 
Talvez com isto os presidentes das repúblicas comerciais, de Portugal e de alguns dos outros ORCOS, tenham de pedir umas aulinhas de urgência aos polícias sul-africanos para saber como proceder no palco que se está a montar.
 
Não queremos ser todos mineiros de platina.
Exigimos, alguns, ser mineiros de ouro.
Para com a sua venda podermos pagar as tão-nossas dividazinhas.
 
A bem de algumas nações comerciais.
 
(Trazei mais pesticida para alimentar os ratos, que estão com üa fome de tédio...)

segunda-feira, outubro 22, 2012

Isto para nós é chinês?


Es indudable que las relaciones de poder asumen una forma
 espacial-territorial, dado que el espacio es el ámbito donde se materializan.
Joan-Eugeni Sánchez *




Em 2011, a proporção urbana da população chinesa ultrapassou os 50% pela primeira vez, tocando nos 51,3%, que compara com um número abaixo de 20% em 1980. De acordo com as projecções da OCDE, a florescente população urbana deverá expandir-se em mais de 300 milhões até 2030 – um aumento quase equivalente à actual população dos Estados Unidos. Com a migração dos espaços rurais para espaços urbanos a uma média de 15 a 20 milhões de pessoas por ano, as cidades-fantasmas de hoje vão rapidamente tornar-se prósperas áreas metropolitanas de amanhã.

A área de Pudong, em Xangai, é o exemplo clássico de como um projecto de construção urbano "vazio" no final dos anos 90 se tornou, de modo acelerado, num centro urbano totalmente ocupado, com uma população de cerca de 5,5 milhões de pessoas. Um estudo da McKinsey estima que, em 2025, a China terá mais de 220 cidades com populações acima de um milhão, superior às 125 de 2010. O estudo prevê que 23 mega cidades tenham, pelo menos, uma população de cinco milhões.

A China não se pode dar ao luxo de esperar para construir as suas novas cidades. Ao invés, o investimento e a construção têm de estar alinhados com o influxo de moradores urbanos do futuro. Os críticos das "cidades-fantasma" esqueceram-se, totalmente, deste ponto.

"A China está bem", Stephen Roach (Ler todo o artigo AQUI




* in "Geografía Política", Editorial Sintesis.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Governem-se, é a palavra de ordem


A história, no fundo, é sempre a mesma, o cheiro, por vezes, é que é diferente. No meio do saque generalizado, é bom saber que coisas há que nunca mudam, verdadeiros fenómenos do entroncamento que espelham a desorientação e a total ausência de planeamento ou ordenamento do território, a total ausência de orientação dos recursos, isto perpetrado pelos mesmos que se auto-intitulam de salvadores da pátria, de cumpridores das metas. Para o bem comum, dizem.  Bom, sucede que em Mesão Frio o ministério da justiça pretende encerrar o tribunal, o mesmo ministério da justiça que está a pagar as obras de remodelação do PALÁCIO DA JUSTIÇA (onde aquele sita), desde Setembro. Nem sequer um ajudante do ministério foi capaz de detectar as coisas? Talvez um contínuo possa dar conta do recado, sem problemas. Mas estes senhores e senhoras pensam em alguma coisa? São estes os mesmos que nos governam, perdão, pastoreiam?

Transcrevo parte da notícia:
O presidente da Câmara de Mesão Frio reagiu hoje com perplexidade à manutenção do tribunal na lista de encerramentos, porque o Palácio da Justiça do concelho está a receber obras de remodelação desde Setembro, pagas pelo Ministério da Justiça.

Ler tudo AQUI.