sexta-feira, setembro 21, 2012

Subscrevo integralmente!

Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores
Liga para a Protecção da Natureza e Quercus lançam hoje petição contra nova proposta de regime de arborizações
Hoje, dia 21 de Setembro, comemora-se o “Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores”, que tem como objectivo principal alertar a opinião pública para os impactes associados à alteração do uso do solo, como a afectação da flora e fauna locais, erosão dos solos e assoreamento de linhas de água.
Em Portugal, a principal espécie de árvore utilizada para plantações em monocultura é o eucalipto, cultivado para produção de pasta de papel, o qual apresenta, segundo o Inventário Florestal Nacional em 2005-06, uma área de cerca de 740 mil hectares e com tendência a aumentar.

Liga para a Protecção da Natureza e Quercus lançam petição

No seguimento da proposta de novo regime de arborizações e rearborizações, que esteve em consulta pública recentemente, e dada a gravidade da desregulação que esta proposta apresenta, a LPN e a Quercus apresentaram e lançaram hoje uma petição “Contra a eucaliptização - proposta de revisão da legislação das arborizações”, onde fundamentam os seus motivos para a oposição a esta proposta.

A petição estará disponível para assinatura nos sítios electrónicos das duas Associações, bem como no sítio
http://www.peticaopublica.com/?pi=PCE2012

Espera-se com esta iniciativa mobilizar a sociedade portuguesa no seu todo para tomar posição em relação à referida proposta e incentivar o Governo a efectuar na mesma as necessárias alterações.



Lisboa, 21 de Setembro de 2012

A Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Subscreva quem achar por bem.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Imprensa do dia (23): dois bons exemplos de notícias que podem ser pseudo notícias


Cientistas relatam aumento alarmante da mortalidade em ratinhos alimentados com rações de milho modificado. Especialista português admite que nunca a segurança dos transgénicos foi tão abalada como ontem mas duvida dos resultados.
in I online

A área mínima de gelo em 2012 é menor em 760.000 quilómetros quadrados do que a de 2007. O recorde anterior de 2007 já tinha sido batido a 27 de Agosto, mas o gelo no Árctico continuou a diminuir e a 16 de Setembro terá chegado ao mínimo deste ano, e ao mínimo de sempre desde que começaram os registos de satélite em 1979
. In Público online


Ambas as temáticas são nota de rodapé nas televisões. Apenas interessam quando são minimamente explosivas ou, quando os efeitos colaterais, digamos assim, nos atingem de alguma forma. A semântica conta: um recorde, qualquer que seja, é algo que nos diz muito. Quanto aos transgénicos, dificilmente são conversa para café ao lado dos recordes, embora às vezes transpire qualquer coisa sobre produção de combustível, provavelmente saída do canal National Geographic. Todavia, a questão dos transgénicos encaixa na listagem das traficâncias mais mal contadas das multinacionais. Isto para não lhe chamar outra coisa.

"Entretém-te, filho, entretém-te..."

Via rede

quarta-feira, setembro 19, 2012

Não me digam…e em Braga também?


Parece que a coisa chamada crise chegou aos centros comerciais, último grande elo da cadeia alimentar consumista. Imaginam-se as razões: a coisa precisa de pessoas, ou melhor, de consumidores. De qualquer modo, como tudo isto estava ligado não apenas ao consumo, mas à construção e aos terrenos (solos), não apenas onde se localizam os centros comerciais, mas toda a área em redor, percebe-se que a bolha rebentou. Mais uma. Como escreveu Baudrillard, e não no cansamos de mencionar: “o hipermercado [ou centro comercial] precede a urbanização". Não me digam que agora é que vamos voltar ao centro das cidades?


A notícia é do dinheiro vivo, transcrevemos parte:

Há cada vez menos centros comerciais novos em Portugal e para 2012 as previsões apontavam para três aberturas, mas neste momento só houve uma inauguração e "não se perspectiva mais nenhuma para este ano", reparou a responsável da área de estudos de mercado da da consultora imobiliária Cushman & Wakefield(…).

O Dolce Vita Braga, cuja data de abertura já derrapou pelo menos três vezes, voltou a ser adiado e não há agora nenhuma data prevista para a inauguração, até porque, de acordo com a responsável da área de estudos de mercado da Cushman, Marta Costa, as obras têm estado paradas.

Ler tudo aqui.


Relativamente ao Dolce Vita de Braga, a situação é no mínimo grotesca, arrastando-se interminavelmente e sem fim à vista.


imagem

O outro buraco...


 
O "outro" buraco...
 
não o orçamental, criado pelos corruptos salta-pocinhas,
não o dos nossos bolsos, o dos "endividados", assim nos acusam,
 
mas o buraco do ozono,
 
...o outro buraco, dizíamos, só regrediu, isto é, só se tornou menos... gigante... por um bocadinho.
 
Por um bocadinho de tempo e de espaço mensurável lá no alto, em suspensão...
 
A notícia é-nos dada pelo CiênciaHoje
 
As condições de temperatura e a magnitude das nuvens estratosféricas polares este ano indicam que o grau de perda da camada será menor do que em 2011 mas, provavelmente, maior do que em 2010”, diz a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em comunicado. O buraco sobre a Antárctica mede, actualmente, 19 milhões de quilómetros quadrados."
 
Isto é sol de pouco raiar.
Como se, paralelamente, metaforicamente - mas grave é-o, de certeza, bem mais - o saque continuasse e os corruptos, corrompíveis, corrompidores andassem, folgazões, de óculos escuros, a passear-se na nossa praça porca.
 
E isto - questão de consumo, produção e destruição - só talvez se tenha dado por um decréscimo de cada uma dessas coisas que tu e eu, como consumidores numa sociedade de consumo, consumista, consumida legitimamos, alimentamos,  mais ou menos, a cada dia que vamos vivendo, matando, morrendo.

terça-feira, setembro 18, 2012

É o prato do dia: polvo à portuguesa

Os sacrifícios impostos nos últimos meses tinham um nome: défice [orçamental]. Um valor acordado com a troika: 4,5%. Um calendário: final de 2012. O objectivo, obviamente, falhou, como falharam todas as políticas, sendo necessário recorrer a artifícios mais ou menos notórios, que culminaram obviamente em mais austeridade - para alguns, bem entendido. A TSU é apenas mais um desses ardis, tipo deixa ver se passa. Uma infâmia.


Aqui chegados, não se acredita: As Parcerias Público-Privadas (PPP), por exemplo, absolutamente desastrosas para o estado continuam praticamente intocáveis. Hoje, o ex-ministro das Obras Públicas Cravinho enquanto afirmava, por um lado, que a redução da contribuição dos empregadores para a Segurança Social "é um erro colossal" e "uma espécie de 'Robin' dos Bosques ao contrário"; por outro, admitia (ao menos este admite!) numa comissão parlamentar que houve um "erro" na previsão da procura do comboio da Ponte 25 de Abril, no contrato de concessão com a Fertagus, admitindo que podia ter sido evitado. E não foi porquê? Simplesmente porque se achava que ia haver uma transferência maciça do modo rodoviário para o ferroviário. E pronto, fica assim. Quem ganhou com isso?


Para tentar perceber o polvo de caldeirada, deixo aqui uma intervenção de Paulo Morais, ontem, sobre corrupção: PPPs, urbanismo, BPN, etc. Muito esclarecedora. Facilmente encontram todo o programa no you tube (pena que é com o Medina Carreira a tiracolo).



Nota 1: O estudo sobre o emprego e a TSU, do qual falamos ontem, pode ser consultado na sua totalidade em:

http://www3.eeg.uminho.pt/economia/nipe/docs/Policy%20Papers/2012/NIPE_PP_01_2012.pdf

(publicado aqui)


Nota 2: Entretanto, a Benetton lançou uma campanha para encontrar o desempregado do ano. Não acreditam? Sacado daqui.


segunda-feira, setembro 17, 2012

Imprensa do dia (22): estudos

PJ alarga investigação a negócios dos Transportes Urbanos de Braga. – in Jornal de Notícias


Alterações na TSU podem gerar até 68 mil desempregados. – in Jornal de Notícias (publicado originalmente no sítio dinheiro vivo)


Nem por partes lá chegamos. Sobre a famigerada TSU, o estudo é da Universidade do Minho e não resistimos a avançar com algumas conclusões curiosas:

"Considerando um intervalo de confiança de 95%, os nossos resultados sugerem que a perda de empregos pode ser na ordem dos 68.000. Por outro lado, na melhor das hipóteses, o impacto sobre a criação de emprego é praticamente nulo, apenas criaria 1000 empregos", refere o estudo "Emprego e TSU" elaborado por quatro economistas da Universidade do Minho e um da Universidade de Coimbra. Outro dos efeitos prende-se com o aumento do desemprego de longa duração (um ano ou mais).


Com estudo, ou sem estudo, e muito antes da TSU, o saque - porque é disso mesmo que se trata - instalou-se comodamente no país. Uns poucos, avisados, lá tentaram dizer qualquer coisa, logo apelidados de perigosos radicais, enquanto os verdadeiros fanáticos se acomodavam na gestão da cartilha (neo)liberal, se é que nestes existirá algum lastro ideológico, seja ele qual for. De qualquer modo, a coisa vem de trás, as negociatas não são de hoje, e algumas até estão bem próximas de nós, não estão?

domingo, setembro 16, 2012

O homo-estatísticus


Portugal é o país da União Europeia, com excepção da Letónia e Lituânia, a ter maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos das famílias, revela um estudo que vai ser apresentado na sexta e no sábado em Lisboa.

O estudo da 'Accenture', que vai ser divulgado no Centro Cultural de Belém num encontro promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, revela que, embora tenha vindo a decrescer, as desigualdades na distribuição dos rendimentos pelas famílias portuguesas "são mais elevadas em Portugal do que em todos os países europeus, excepto Letónia e Lituânia".

De acordo com o estudo, os 20% mais ricos têm um rendimento seis vezes superior ao dos 20% mais pobres, embora a diferença tenha sido mais alta um ponto, entre 1995 e 2005.

O risco de pobreza atinge os 43,4% e é atenuado por apoios sociais, cifrando-se nos 17,9%, ou seja, uma em cada cinco pessoas é considerada pobre e uma em cada três pessoas com mais de 65 anos vive só e é considerada pobre (35%), números que estão abaixo da média europeia, que é de uma em cada quatro pessoas (24%).

A discrepância entre ricos e pobres (também designada por Índice de Gini), que se situa nos 33,7%, em contraponto com os 30,5% da média europeia, ajuda a explicar as assimetrias existentes entre quem vive em áreas urbanas de quem vive em zonas rurais. Por isso, o estudo conclui que "o despovoamento do Portugal rural em favor das áreas urbanas e do litoral é uma tendência prevalecente".

Assim se explica que as regiões da Grande Lisboa e do Grande Porto, que ocupam apenas 2,4% do território, concentram 31,5% da população residente. 

No sector económico, Lisboa, Porto e Albufeira (Algarve) são os municípios do país onde se registam mais pagamentos por habitante através das caixas de multibanco. Da mesma forma, entre os 558 ecrãs de cinema existentes no país, 80 estão em Lisboa, 31 em Vila Nova de Gaia e 21 em Oeiras, enquanto 198 dos 308 municípios não têm nenhum.

Na saúde, um médico de família tinha, em 2010, em média 145 utentes no Grande Porto e 757 no Alentejo Litoral. Em relação ao índice de envelhecimento, o número de idosos por cada cem jovens era, em 2011, de 179 no Alentejo e 118 na região de Lisboa, o mesmo se verifica em matéria de densidade populacional: Alcoutim, Mértola e Idanha-a-Nova têm menos de sete habitantes por quilómetro quadrado, ao passo que na Amadora, Lisboa e Porto existem 5.000.

O despovoamento das zonas rurais tem contribuído para a redução do número de explorações agrícolas (de 785.000 em 1979 para 305.000 em 2009) e para o abandono dos campos, aumentando assim o número de incêndios florestais (2349 em 1980 e 22.026 em 2010).


 
Notícia, ipsis verbis, aqui.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Imprensa do dia (21): entretanto e aquilo que (ainda) não se sabe?

Recessão vai destruir mais de 55 mil empregos em 2013: Queda do emprego será o dobro da prevista no próximo ano. Mais de 55 mil empregos serão destruídos. Governo acredita que as alterações na Taxa Social Única (TSU) vão impedir um cenário ainda pior. in Público online




[imagem]

A economia atrofia

Não, não devem ter percebido bem o título.
A economia atrofia, e não "é atrofiada". Que isto ainda é Português.
... mas se ninguém já mais pensa, então qualquer tentativa de comunicação está morta à nascença.
 
A economia desideologizou-se (g'anda palavrão!), dizem.
Que quer isso dizer?
 
Se até a sacrossanta lei da oferta e da procura, que tanto nos asseveram que "é mesmo assim" e "sem perceberes isso, não entenderás nada"...
 
[direi melhor: se não entender aquilo, não entro no reino da manipulação pela estupidez!]
 
...pode ser questionada quando questionamos... o valor.
É a este que temos de atender, é este que devemos analisar e criticar.
Se o preço (não confundir com valor) não passa de uma convenção à qual nem nos perguntaram, primeiramente (instituição), se acedíamos... e à qual acedemos de cada vez que, pobrérrimos, apenas dispondo da miséria do dinheiro, o trocamos pelos produtos que mantêm os nossos cadáveres obedientes e adiados por cá, por mais uns tempos da rentabilização e engrandecimento do capital.
 
Sim, a nós ninguém nos pergunta nada.
A nós não nos chamam para irmos a referendo sobre as coisas que nos afectam directamente a vida e as formas e nos reduzem as possibilidades de viver.
 
 
A Política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem naquilo que lhes diz respeito. Numa época posterior, acrescentaram-lhe a arte de forçar as pessoas a decidir sobre o que não entendem.
Paul Valéry
 
Não entendem, e quanto menos lhes for explicado, melhor!
Porque o Poder mutante, mutante para permanecer Poder - há séculos - sabe bem que ninguém nasce ensinado.
 
E quando acedemos a alguma forma de poder que pode destronar a máquina desse poder vigente, então lá se trocam as voltas, mudam-se umas coisinhas para tudo o que trabalhaste nada ou pouco voltar a valer. Num jogo do gato e do rato em que és sempre tu, indivíduo solitário entre os milhões que fazem de ti rolo de carne para canhão a ir para a frente da batalha, a levar e amortecer os tiros que eles próprios estimulam a que dispares, tu do outro lado da barricada de ti mesmo, inimigo de ti próprio, vendido e comprado, parasitado e dependentizado pelo veneno do Poder.
 
Querem-te para produzires.
"O que interessa é que os proles se propaguem; tudo o mais é indiferente", assim preza o grande irmão que é o paizinho a que vais dar de comer todo o santo dia, todo "o patrão nosso de cada dia".
Se a máquina está bem montada e a tua vida é uma roldana mais para a levar ao bom porto onde nunca atracarás para descansar,
então....
 
mata-te!
 
Tu és a base e a cadeira salazarenta, mas amnésica, do poder.
Se tu serrares as tuas pernas, o ditador cai.
Sem ser de podre!

 
Mas isso não é solução, não é suficiente.

Terás de fazer estragos durante a tua passagem.

Não estejas à espera que ele caia: empurra-o como e o mais que puderes!
É isso que te é implorado pela liberdade e negado pelo Poder e as instituições atrofiantes de merda cá do vil e torpe burgo terrestre.


 
"White man came / across the sea / He brought us pain / and misery", já cantava o Bruce Dickinson, vindo com a Dama de Ferro dois anos antes do 1984, ou seja, migalha de tempo metafórica e proporcional à instalação do império da porcaria que nos atola, quais atóis em que fazem experiências atómicas a ver se resistimos, a ver como reagimos, anotando os seus troikistas-cientistas as suas estatísticas a publicar para os manuais do aperfeiçoamento do poder que há-de vir, se este que vigora chegar a partir ou virar de casaca.
 
 
"Em meados de Julho de 1945, quando o general Dwight Eisenhower, então comandante das forças aliadas, é informado pelo secretário de Estado da Guerra americano, Henry Stimson, que a bomba atómica será de qualquer maneira lançada, a sua reacção é também digna de nota:
Enquanto ele expunha os factos, a senti um terrível mal-estar. Comuniquei-lhe as minhas apreensões, baseadas na convicção de que o Japão já estava vencido e que a bomba não tinha utilidade nenhuma."
John Hersey, Hiroshima (Antígona, 1997, p.215)
 
Nós já estamos vencidos, mas o ódio e o mesmo ressentimento que ergueram Hitleres querem criar feridas e furúnculos nos nossos joelhos. de peregrinos aos altares do capitalismo-comunismodoconsumo. E é por isso que ninguém assalta bancos para destruir o dinheiro: assalta bancos para fundar e comprar mais bancos e, aí sim, e assim, roubar mais a quem eles subjugaram.
De vez e até à última gota do suor e do sangue que só te disseram servirem para fazer guerras.
As guerras deles, mas a morte tua, só tua e dos milhares que seguem a teu lado para o abismo que inventaram para ti dizendo que era o possível cèuzinho de merda. (Sim, viram bem, ali está um acento grave, não porque era para esse lado que viravam os acentos quando os determinatizavam, mas porque a palavra deixa de ser aguda... e explicação, quiçá estúpida, era mesmo necessária?)
 
E assim, vais ser tido num hospital que eles compraram e privatizaram e, se puderes, pagas!
Do que não se lembraram antes de ti foi de não ter que poder e deixar esses fazedores de dinheiro à espera do Hulot que tu não serias.
 
E assim, vais crescer com fraldas descartáveis que duram sei lá quantos anos a degradar-se nas condições parcamente ambientais que os teus anteriores permitiram e te deixaram.
E assim, vais andar num carrinho que custou sei lá quantos luxos imbecis e de suores de camisolas.
É fixe a vista? Cospe prà frente, a toda a velocidade!, que não tarda vais levar contigo no focinho!
E assim vais papando a papa que o papa professa para ti, depois de converter o papá e a papisa sentados frente à tvwc, water-closet da propaganda das multinacionais sem rosto decifrável e apagável da alimentação, do vestuário, da educação, da habitação, do imobiliário, do amém serviço de Estado e seus acólitos municipais esbanjadores de alcatrão.
 
E assim, vais aprender bem as lições da história vistas sempre pelo lado do vencedor na tua escola por ele comprada, na tua escola da vida formadora para o "mercado de trabalho", seu colaborador amestrado prometedor e com grande potencial. Da mesma educação que, se for para renovar ou mudar, em nada te ajudará senão a te manteres à parte e não seres integrado e seres um "desleixado" e "vai trabalhar, malandro!", "desnaturado", "marginal", ou até "desempregado".
 
E assim, ao longo do teu crescimento, vais comer, vestir e... UI!!! TRABALHAR!! ao serviço deles, para eles, por eles, que te puseram no seu lugar a fazeres-lhes as vezes.
Eles é que põem as tuas mãos à obra, a tua boca à disposição do próximo produto de laboratório, o teu corpo à mercê das próximas vacinas antigripais e anti-ratinhos, anti-cancros, ratinho-orelhas-nas-costas da tua miséria ligada à máquina...
Eles é que têm motivos de sobra para te adularem, mas também para te rejeitarem se a tua maré de descontentamento subir e os encharcar.
 
E tu, mesmo assim, não vês em que é que o seu Poder está manifesto.
Mas basta olhares já, já tão alargado o seu domínio senhorial, para qualquer coisa tornada produto comprável e vendável, qualquer que seja o resultado não-natural que é erigido à tua volta.
 
 
 
Há muito que eu via este símbolo pelos campos de milho e me perguntava, na dúvida, se não seria isto obra do deus mafarrico que compra, ocupa, manipula (palavra-chave) e faz de cada agricultor-base gato-sapato dos seus pés fedorentos a arder no brómio do dinheiro.
Ainda ontem vi mais uma - estão por todo o lado!, não é na lua!, na lua não há manipulados, portanto não há manipuladores... mas tão-somente porque não há manipuláveis...,triste pena de alguns - e me lembrei de vir investigar.
Hoje ao ver esta imagem, cedida pelo Ondas3, me caíram os queixos da dúvida e se me abriu a boca da ira, ao perceber que esta MERDA está por todo o lado, invadiu tudo, com o beneplácito da ignorância, claro está, sempre ela no pódio a vencer-nos a corrida escorregadia.
 
Atentai bem, seus terroristas, na bela e verde palavrinha do canto inferior direito da placa na imagem e aí tereis as dúvidas estilhaçadas.
 
Não há estatísticas que aguentem o peso deste poder, do poder destruidor do dinheiro e do poder atrofiador da economia que o cria e sustenta.
Não há recenseamento possível para fixar o vento venenoso a semear doença. Imperialmente.
 
Que droga foi que venderam aos agricultores para que eles comprassem esta merda??
Sim, foi a vida.
A vida-doença, a vida-morte.
 
E talvez uma manipulação destas seja, como as ilhas de plástico flutuante e microscópico, o maior progresso da ciência bélica dos tiranos: injectaremos os chips no nosso corpo e um dia lá vamos, accionados a um clique da claque do Poder, para nos desligar. A seu bel-prazer.
Ou plastificados por dentro e aos poucos, ou então teorias da conspiração para o futuro e sempre a merda do futuro, sempre a merda do futuro a ameaçar sem sustentação, dizeis? mas se o futuro não vos serve de explicação, que me dizeis ao poder que é cumprido aqui e agora, sem precisar do futuro para nada? Digam lá?
 
Emprestado do mesmo Ondas3, deixemos então o futuro para o domínio das vossas, dizeis, teorias da conspiração - que isso, acusais, não passa de "ideologia" - e vejamos algumas formas de controlo dos corpos e almas, AQUI E AGORA:
 
- Se um agricultor quiser semear algodão, milho, soja ou colza só o pode fazer comprando sementes transgénicas, uma vez que os gigantes dos transgénicos dominam 90% do mercado; muitos agricultores foram processados e acusados de roubo de patentes de sementes transgénicas quando de facto as suas culturas foram contaminadas por sementes e pólen de culturas transgénicas espalhadas pelo vento; eles não roubaram sementes nem patentes, eles foram vítimas de trespasse, de invasão de propriedade e, por isso, têm tentado fazer aprovar leis que os defendam da invasão de sementes transgénicas;
- São tretas as garantias dadas pelo ministério da Agricultura dos EUA de que os produtos alimentares transgénicos são seguros e que não precisam de rótulo; o próprio ministério já admitiu que essas garantias se baseiam em testes levados a cabo não por entidades independentes mas pelas próprias corporações que lideram o mercado dos transgénicos; o consenso científico mundial diz que os transgénicos não são seguros e, por isso mais de 40 países exigem a sua rotulagem e alguns até os proibem por comprovadamente serem maus, por exemplo, para o fígado e para os rins e contribuirem para a obesidade; se as gigantes das biotecnologias não se cansam de propagandear que os seus produtos vão eliminar a fome, reduzir a aplicação de pesticidas e de fertilizante químico, aumentar a tolerância à seca e a produção, então por que razão acham que rotular uma embalagem que contém transgénico vai confundir o consumidor? se estão assim tão seguros do seu sucesso, se realmente acreditam que os seus produtos são melhores, por que têm medo de os rotular? 
O que a realidade tem mostrado é que o cultivo de transgénicos tem aumentado a necessidade da aplicação de cada vez mais pesticidas, tem aumentado o aparecimento de parasitas cada vez mais resistentes aos químicos aplicados, para não falar do endurecimento das plantas do trigo e do algodão transgénicos a tal ponto que chegam a furar os pneus dos tractores.

Outras reflexões e desmontagens aqui 
 
 
Que foi que nos venderam, a nós, consumidores, para continuarmos a comprar esta merda invasiva??
Sim, foi a vida.
A vida doente.

A morte fingida.
 
Estou cansado de ver esta porcaria e esta economia-açougueiraprofissional a arregimentar os homens em varas.
De empalar e (varas) de porcos.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Isto é sobre uma das falácias mais perversas do capitalismo



Para ver com legendas basta clicar em “cc” no vídeo

Nick Hanauer é um milionário americano especializado em capital de risco. No dia 1 de Março de 2012 deu esta palestra numa das famosas conferências TED e os responsáveis desta organização sem fins lucrativos recusaram-se a publicá-la.

Nesta palestra Nick Hanauer desmorona um dos mitos mais malignos associados ao capitalismo: de que os ricos merecem ter privilégios tais como impostos reduzidos para que possam continuar a desempenhar a sua suposta função social num sistema capitalista que é a de criar postos de trabalho.

Nick afirma que é falsa a ideia de que “os ricos são criadores de emprego e que por isso não devem pagar impostos”. Afirma antes que o verdadeiro criador de emprego é o consumidor da classe média.

Sacado daqui.

São leituras...



Em nome da verdade, preferimos outras.
Porque é preciso nomear as coisas.
Sim, porque os palavras querem dizer coisas.

domingo, setembro 09, 2012

“Eurovegas”: até admira em Portugal ninguém se ter lembrado disso (e nós em Braga com cantinhos tão jeitosos)


A operadora de jogo norte-americana Las Vegas Sands anunciou ter escolhido a Comunidade de Madrid, em detrimento da Catalunha, para avançar com a construção do seu projeto de entretenimento e jogo "Eurovegas". JN

O nosso mundo é um parque temático [novo conceito velhas práticas].

Sacado daqui.


Não se trata já (apenas) de um conceito: a aplicação da parquetematização avança a olhos vistos, mesmo em momentos de penúria (para alguns), de retrocessos sociais, de estagnação e recuo da economia real. A economia financeira, em todos os seus formatos, não vacila. Note-se que, no caso específico do Eurovegas, até a legislação espanhola será contornada para que se abram EXCEPÇÕES, por exemplo, relativamente ao fumo ou à construção, criando-se, por outro lado, uma verdadeira zona franca (e um paraíso para o jogo). Note-se o gigantismo extraordinário do projecto (e a quem se dirige?), a disputa deste por duas comunidades (ou quem as representa), Catalunha e Madrid, e os capitais públicos ou benefícios fiscais, que serão aplicados no empreendimento. Note-se mais uma importação de um modelo avulso, e atente-se em quem o coordena e dirige. Para além disso, temos a importantíssima questão ecológica, a não menos importante questão turística (estamos a falar de jogo, hotéis, centros comerciais e por aí fora), e a questão do trabalho. A velha questão da (suposta) criação de postos de trabalho, normalmente precário.

Podemos começar bem e seguir a questão aqui.




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sexta-feira, setembro 07, 2012

Descobertas

Para mim novidade, e que novidade, o sítio do Património de Influência Portuguesa: HPIP. Fabuloso. Em construção e actualização, está aberto a colaborações.


Traçado aproximado da muralha

Kochi [Cochim/Cochin/Santa Cruz de Cochim], Kerala, Índia

Lat. 9.967083, Long. 76.244017

quinta-feira, setembro 06, 2012

Imprensa do dia (18): andar de bicicleta é fixe?

As câmaras municipais deviam dar uma bicicleta a cada aluno do 1º ao 9º ano de escolaridade em vez de financiar o seu passe escolar de autocarro, defende a professora catedrática Beatriz Pereira, do Instituto de Educação da Universidade do Minho - in Correio do Minho




Algumas considerações. Ficamos a saber que professora Beatriz Pereira (supostamente) conhecerá a realidade nórdica, isto é, a sua estrutura urbana e respectiva subestrutura (rodo)viária, a possibilidade de transportar as bicicletas nos transportes públicos e de as estacionar facilmente, e enfim, o facto relevante de a bicicleta ser um meio de transporte efectivo, válido como qualquer outro, e como tal considerado, há muitos anos. E não só nos países nórdicos.


Ficamos, no entanto, sem saber se a professora Beatriz Pereira é uma utilizadora da bicicleta, como meio de transporte nas suas deslocações habituais para o trabalho ou outras, ou se o faz por lazer ou para fazer exercício. E já agora, ficamos sem saber, se o faz de forma frequente, por exemplo, na cidade de Braga, já que afirma que “onde circula um automóvel pode circular uma mota ou uma bicicleta, basta haver uma cultura de respeito pelo outro”.


Faço aqui uma declaração de interesses: sou um utilizador da bicicleta como (mais um) meio de deslocação/transporte, de forma mais ou menos regular, na cidade de Braga. Compreendendo a perspectiva e a importância da actividade física nas rotinas diárias de alunos ou de quaisquer outros, aliás, eu próprio sempre me desloquei para a escola a pé, teremos que enquadrar esta situação no espaço geográfico e sociológico em que ocorre.


Deslocar-se de bicicleta na cidade Braga não é, de todo, coisa fácil, ou mesmo aconselhável. Não apenas por falta de “trajetos velocipédicos ou acessos especiais”, que de facto não existem, a não ser a famosa pista em Lamaçães (que apenas serve para umas passeatas e algum exercício, nem sempre em bicicleta), mas porque a estrutura urbana de Braga não está, de forma alguma, pensada para outra coisa que não seja o automóvel (nem sequer para o transporte público), e mesmo para o automóvel é questionável.


A não ser que o passeio se resuma ao centro pedonal, e mesmo nesse caso particular, passível de algumas surpresas desagradáveis com peões, todo o resto é um exercício de destreza e coragem: circular nos passeios (quando não estão automóveis estacionados); superar viadutos e passagens áreas; passar nos interstícios dos prédios e por atalhos; circular no meio dos automóveis com a cabeça a prémio; andar em contramão (isso não existe em Braga para bicicletas); carregar a bicla às costas e subir e descer escadarias; estacionar a dita com cadeado agarrado a uma calha; tentar imaginar o que pensa o peão ou o automobilista em cada situação (a bicicleta pode ser encarada de diversas maneiras e (des)respeitada de outras tantas); já para não falar de tentar circular…na circular urbana. Enfim, o problema é o papel da bicicleta, os direitos e deveres do ciclista na estrada, a ausência de sinalização específica, etc. Um indivíduo de bicicleta não é olhado nunca (ou é muito raramente) como um motociclista, quando muito como um ciclista a passear. E verdade seja dita, não se comporta em conformidade. Agora imaginem com miúdos?


A bicicleta tem que ser encarada por todos como um meio de transporte (não esquecendo o lazer e o exercício), como mais uma alternativa, não apenas porque é fixe ou especial, mas simplesmente…normal. E para isso…


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[voltaremos ao assunto bicicletas x transportes públicos + automóveis]


Os média, os interesses

Interesse = inter + est, "que está entre".
Assim lido, os conceitos de Média e de interesse querem dizer a mesmíssima coisa.


A empresa Apple desencantou - já imaginamos que altamente estimulada por uns quantos senhores poderosos - uma forma de bloquear a captação e transmissão de imagens e vídeos em manifestações e protestos. Ou - como querem que fixemos a boa nova - "eventos públicos".

Tais "eventos" são cada vez mais numerosos.
Ou, pelo menos, são cada vez mais numerosos os motivos para rebentarem nas ruas.

A notícia, avançada pelo RT


(cá está um exemplo flagrante de intermediação: no caso, informativa)

[
acontece que a página da RT, ou está a ser pirateada ou deixou de pagar o domínio. Deixou de pagar o domínio a quem?, pergunta-se, portanto.
Portanto, os domínios continuam a não ser de quem os usa.
Há sempre um terceiro envolvido, que pode - basta querer ou lhe serem dadas instruções para tal - desligar a tomada e Zás! tudo fica inútil, inoperacional, insosso, inodoro, inofensivo, invisível, impotente...
]

diz:

"Por outras palavras, estes poderes [governos e polícia] terão o controlo do que pode e não pode ser registado em aparelhos sem fios durante um evento público."


E foi assim que Deus criou o petróleo, 
porque quem controlar o petróleo controla os meios de transporte,

E foi assim que Deus criou o dinheiro,
pois quem controlar e deter o dinheiro controla aqueles que vivem para o adorar,

E foi assim que Deus criou a máquina,
pois quem controlar os maquinismos controla as acções dos seres vivos assim robotizados.

E foi assim que Deus inventou a obsolescência programada.
pois quem dominar tal arte da devastação controlará os impulsos dos consumidores e o negócio da compra e da venda de corpos e almas que todos os dias se vergam aos magotes.
Para dizerem, eu tenho, eu sou feliz, eu já não preciso.

... mas vais precisar. Vais voltar a precisar.


Para cada coisa criada, pelo Deus-Dinheiro, há o produtor e o utilizador. 
Podem nem os controladores controlar o processo de produção. Coisa rara, mas pode dar-se.


Mas o importante é o interface que liga aqueles dois elementos.
Como no processo de produção e consumo para bens alimentares (por exemplo): quem controlar a distribuição pode impor as suas regras. Temos por cá bons samaritanos a pagar impostos na Holanda a pauperizarem - e é se querem!! - os produtores. Pequenos ou grandes, vai tudo a eito. E é também para isso que existem as OMCês, as ALCAs, os MERCOSURes e demais instituições em que nunca algum daqueles a quem dizem servir foi chamado a votar ou eleger.

Assim, enquanto a tecnologia estiver a intermediar o que se passa e o sujeito que o quer dar a conhecer este último será sempre a primeira vítima. Porque ele não controla o tal aparelhinho.
Porque o aparelhinho, controlado por outro, não foi feito para seu uso, mas apenas para seu consumo.
O uso está limitado ao que "pode ou deve", segundo ditam as normas as empresas que o produziram e os poderes que as gerem.

Pagaste o teu aparelho, o dinheiro foi prò lado de lá.
Resultado: ficaste sem o dinheiro e com a sensação de poder.
Por outras palavras: o dinheiro e mais poder ficou do lado de lá.

Porque te despedes tão facilmente todos os dias?
Porque te desperdiças tão inconsciente em cada acto dito social, que não passa de troca comercial,?

É tão fácil o controlo na sociedade intermediada.
É tão óbvia a manipulação na sociedade mediatizada.
É tão fácil destruir a sociedade do espectáculo...

Com tudo aquilo que a contraria:
a luta, a lentidão, o pensamento, o amargo, o sonho, a partilha, a recusa... a emancipação! A vida, pura e simples, directa, tête-a-tête, cara-a-cara, em pé de igualdade e sem intromissão de terceiros, tanto quanto lutável sem intermediação.

Se esta luta não desse trabalho o capitalismo tal como hoje o temos não teria hipóteses de persistir.

A indústria do entretenimento não fez mais que substituir uma forma de ignorância por outra.
Anselm Jappe


O poder no poder continua o mesmo.
E continua a feder.

terça-feira, setembro 04, 2012

imprensa do dia (16): numerologias

A Europa do Sul tem medo da crise, a do Norte teme mais a doença in Público


Prejuízos das empresas públicas quase duplicam em seis meses:

(…) Nos transportes, continua a existir um défice operacional de 103,3 milhões. Isto apesar das medidas já tomadas pelo Governo (aumentos tarifários, corte de serviços e de pessoal) para cumprir as exigências feitas pela troika: reequilibrar as contas das transportadoras públicas ainda em 2012. – in Público



É preciso medo. Tenham medo, medo do medo, como canta a Capicua. Uma sociedade balofa e vazia entretém-se nas contas, nas estatísticas, nas diferenças castiças entre regiões.


Entretanto, nos transportes, após os imperiosos aumentos e cortes, as empresas continuam a sua caminhada para a gangrena e para (adivinha-se) a privatização, ou concessão, nunca se sabe. O que se sabe é isto:

Portugueses usam cada vez menos os transportes públicos: Todos perderam passageiros: comboios, metro e barcos. Queda foi generalizada nos meios analisados pelo Instituto Nacional de Estatística. Só o aeroporto de Lisboa contrariou a tendência.


Num período de crise profunda e de dificuldades acrescidas, cada vez menos pessoas utilizam os transportes públicos, supostamente mais acessíveis. Os aumentos, obviamente, contribuíram, e muito, para o efeito, mas também o fim de alguns descontos/reduções nas tarifas, a que agora se junta o propósito de corte dos 25% de desconto para os estudantes, arrecadando-se mais uns míseros euros, como se aí estivesse a solução.

Mesmo em Braga (notícia da RUM), registou-se uma diminuição na utilização dos transportes públicos. E já se sabe, menos passageiros, menos dinheiro, igual a cortes em algumas linhas e serviços, a história da bola de neve.


Desperdiçou-se uma oportunidade de promover a utilização do transporte público, não apenas como alternativa, mas como uma opção funcional e acessível financeiramente a todos, ao mesmo tempo que se reduzia a dependência automóvel, o tráfego e respectivos efeitos ambientais, entre outros. Fez-se exactamente o contrário, conseguindo a proeza da diminuição do número de utentes, mesmo com os aumentos nos combustíveis e mesmo com o país a saque. Alguém, com toda a certeza, ganha com isso.