sexta-feira, setembro 07, 2012

Descobertas

Para mim novidade, e que novidade, o sítio do Património de Influência Portuguesa: HPIP. Fabuloso. Em construção e actualização, está aberto a colaborações.


Traçado aproximado da muralha

Kochi [Cochim/Cochin/Santa Cruz de Cochim], Kerala, Índia

Lat. 9.967083, Long. 76.244017

quinta-feira, setembro 06, 2012

Imprensa do dia (18): andar de bicicleta é fixe?

As câmaras municipais deviam dar uma bicicleta a cada aluno do 1º ao 9º ano de escolaridade em vez de financiar o seu passe escolar de autocarro, defende a professora catedrática Beatriz Pereira, do Instituto de Educação da Universidade do Minho - in Correio do Minho




Algumas considerações. Ficamos a saber que professora Beatriz Pereira (supostamente) conhecerá a realidade nórdica, isto é, a sua estrutura urbana e respectiva subestrutura (rodo)viária, a possibilidade de transportar as bicicletas nos transportes públicos e de as estacionar facilmente, e enfim, o facto relevante de a bicicleta ser um meio de transporte efectivo, válido como qualquer outro, e como tal considerado, há muitos anos. E não só nos países nórdicos.


Ficamos, no entanto, sem saber se a professora Beatriz Pereira é uma utilizadora da bicicleta, como meio de transporte nas suas deslocações habituais para o trabalho ou outras, ou se o faz por lazer ou para fazer exercício. E já agora, ficamos sem saber, se o faz de forma frequente, por exemplo, na cidade de Braga, já que afirma que “onde circula um automóvel pode circular uma mota ou uma bicicleta, basta haver uma cultura de respeito pelo outro”.


Faço aqui uma declaração de interesses: sou um utilizador da bicicleta como (mais um) meio de deslocação/transporte, de forma mais ou menos regular, na cidade de Braga. Compreendendo a perspectiva e a importância da actividade física nas rotinas diárias de alunos ou de quaisquer outros, aliás, eu próprio sempre me desloquei para a escola a pé, teremos que enquadrar esta situação no espaço geográfico e sociológico em que ocorre.


Deslocar-se de bicicleta na cidade Braga não é, de todo, coisa fácil, ou mesmo aconselhável. Não apenas por falta de “trajetos velocipédicos ou acessos especiais”, que de facto não existem, a não ser a famosa pista em Lamaçães (que apenas serve para umas passeatas e algum exercício, nem sempre em bicicleta), mas porque a estrutura urbana de Braga não está, de forma alguma, pensada para outra coisa que não seja o automóvel (nem sequer para o transporte público), e mesmo para o automóvel é questionável.


A não ser que o passeio se resuma ao centro pedonal, e mesmo nesse caso particular, passível de algumas surpresas desagradáveis com peões, todo o resto é um exercício de destreza e coragem: circular nos passeios (quando não estão automóveis estacionados); superar viadutos e passagens áreas; passar nos interstícios dos prédios e por atalhos; circular no meio dos automóveis com a cabeça a prémio; andar em contramão (isso não existe em Braga para bicicletas); carregar a bicla às costas e subir e descer escadarias; estacionar a dita com cadeado agarrado a uma calha; tentar imaginar o que pensa o peão ou o automobilista em cada situação (a bicicleta pode ser encarada de diversas maneiras e (des)respeitada de outras tantas); já para não falar de tentar circular…na circular urbana. Enfim, o problema é o papel da bicicleta, os direitos e deveres do ciclista na estrada, a ausência de sinalização específica, etc. Um indivíduo de bicicleta não é olhado nunca (ou é muito raramente) como um motociclista, quando muito como um ciclista a passear. E verdade seja dita, não se comporta em conformidade. Agora imaginem com miúdos?


A bicicleta tem que ser encarada por todos como um meio de transporte (não esquecendo o lazer e o exercício), como mais uma alternativa, não apenas porque é fixe ou especial, mas simplesmente…normal. E para isso…


imagem

[voltaremos ao assunto bicicletas x transportes públicos + automóveis]


Os média, os interesses

Interesse = inter + est, "que está entre".
Assim lido, os conceitos de Média e de interesse querem dizer a mesmíssima coisa.


A empresa Apple desencantou - já imaginamos que altamente estimulada por uns quantos senhores poderosos - uma forma de bloquear a captação e transmissão de imagens e vídeos em manifestações e protestos. Ou - como querem que fixemos a boa nova - "eventos públicos".

Tais "eventos" são cada vez mais numerosos.
Ou, pelo menos, são cada vez mais numerosos os motivos para rebentarem nas ruas.

A notícia, avançada pelo RT


(cá está um exemplo flagrante de intermediação: no caso, informativa)

[
acontece que a página da RT, ou está a ser pirateada ou deixou de pagar o domínio. Deixou de pagar o domínio a quem?, pergunta-se, portanto.
Portanto, os domínios continuam a não ser de quem os usa.
Há sempre um terceiro envolvido, que pode - basta querer ou lhe serem dadas instruções para tal - desligar a tomada e Zás! tudo fica inútil, inoperacional, insosso, inodoro, inofensivo, invisível, impotente...
]

diz:

"Por outras palavras, estes poderes [governos e polícia] terão o controlo do que pode e não pode ser registado em aparelhos sem fios durante um evento público."


E foi assim que Deus criou o petróleo, 
porque quem controlar o petróleo controla os meios de transporte,

E foi assim que Deus criou o dinheiro,
pois quem controlar e deter o dinheiro controla aqueles que vivem para o adorar,

E foi assim que Deus criou a máquina,
pois quem controlar os maquinismos controla as acções dos seres vivos assim robotizados.

E foi assim que Deus inventou a obsolescência programada.
pois quem dominar tal arte da devastação controlará os impulsos dos consumidores e o negócio da compra e da venda de corpos e almas que todos os dias se vergam aos magotes.
Para dizerem, eu tenho, eu sou feliz, eu já não preciso.

... mas vais precisar. Vais voltar a precisar.


Para cada coisa criada, pelo Deus-Dinheiro, há o produtor e o utilizador. 
Podem nem os controladores controlar o processo de produção. Coisa rara, mas pode dar-se.


Mas o importante é o interface que liga aqueles dois elementos.
Como no processo de produção e consumo para bens alimentares (por exemplo): quem controlar a distribuição pode impor as suas regras. Temos por cá bons samaritanos a pagar impostos na Holanda a pauperizarem - e é se querem!! - os produtores. Pequenos ou grandes, vai tudo a eito. E é também para isso que existem as OMCês, as ALCAs, os MERCOSURes e demais instituições em que nunca algum daqueles a quem dizem servir foi chamado a votar ou eleger.

Assim, enquanto a tecnologia estiver a intermediar o que se passa e o sujeito que o quer dar a conhecer este último será sempre a primeira vítima. Porque ele não controla o tal aparelhinho.
Porque o aparelhinho, controlado por outro, não foi feito para seu uso, mas apenas para seu consumo.
O uso está limitado ao que "pode ou deve", segundo ditam as normas as empresas que o produziram e os poderes que as gerem.

Pagaste o teu aparelho, o dinheiro foi prò lado de lá.
Resultado: ficaste sem o dinheiro e com a sensação de poder.
Por outras palavras: o dinheiro e mais poder ficou do lado de lá.

Porque te despedes tão facilmente todos os dias?
Porque te desperdiças tão inconsciente em cada acto dito social, que não passa de troca comercial,?

É tão fácil o controlo na sociedade intermediada.
É tão óbvia a manipulação na sociedade mediatizada.
É tão fácil destruir a sociedade do espectáculo...

Com tudo aquilo que a contraria:
a luta, a lentidão, o pensamento, o amargo, o sonho, a partilha, a recusa... a emancipação! A vida, pura e simples, directa, tête-a-tête, cara-a-cara, em pé de igualdade e sem intromissão de terceiros, tanto quanto lutável sem intermediação.

Se esta luta não desse trabalho o capitalismo tal como hoje o temos não teria hipóteses de persistir.

A indústria do entretenimento não fez mais que substituir uma forma de ignorância por outra.
Anselm Jappe


O poder no poder continua o mesmo.
E continua a feder.

terça-feira, setembro 04, 2012

imprensa do dia (16): numerologias

A Europa do Sul tem medo da crise, a do Norte teme mais a doença in Público


Prejuízos das empresas públicas quase duplicam em seis meses:

(…) Nos transportes, continua a existir um défice operacional de 103,3 milhões. Isto apesar das medidas já tomadas pelo Governo (aumentos tarifários, corte de serviços e de pessoal) para cumprir as exigências feitas pela troika: reequilibrar as contas das transportadoras públicas ainda em 2012. – in Público



É preciso medo. Tenham medo, medo do medo, como canta a Capicua. Uma sociedade balofa e vazia entretém-se nas contas, nas estatísticas, nas diferenças castiças entre regiões.


Entretanto, nos transportes, após os imperiosos aumentos e cortes, as empresas continuam a sua caminhada para a gangrena e para (adivinha-se) a privatização, ou concessão, nunca se sabe. O que se sabe é isto:

Portugueses usam cada vez menos os transportes públicos: Todos perderam passageiros: comboios, metro e barcos. Queda foi generalizada nos meios analisados pelo Instituto Nacional de Estatística. Só o aeroporto de Lisboa contrariou a tendência.


Num período de crise profunda e de dificuldades acrescidas, cada vez menos pessoas utilizam os transportes públicos, supostamente mais acessíveis. Os aumentos, obviamente, contribuíram, e muito, para o efeito, mas também o fim de alguns descontos/reduções nas tarifas, a que agora se junta o propósito de corte dos 25% de desconto para os estudantes, arrecadando-se mais uns míseros euros, como se aí estivesse a solução.

Mesmo em Braga (notícia da RUM), registou-se uma diminuição na utilização dos transportes públicos. E já se sabe, menos passageiros, menos dinheiro, igual a cortes em algumas linhas e serviços, a história da bola de neve.


Desperdiçou-se uma oportunidade de promover a utilização do transporte público, não apenas como alternativa, mas como uma opção funcional e acessível financeiramente a todos, ao mesmo tempo que se reduzia a dependência automóvel, o tráfego e respectivos efeitos ambientais, entre outros. Fez-se exactamente o contrário, conseguindo a proeza da diminuição do número de utentes, mesmo com os aumentos nos combustíveis e mesmo com o país a saque. Alguém, com toda a certeza, ganha com isso.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Imprensa do dia (14): demografia de língua portuguesa

População do Brasil é de quase 194 milhões de habitantes:


A população do Brasil chegou a 193.946.886 habitantes a 1 de julho de 2012, segundo estimativa oficial da Fundação Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada esta sexta-feira no "Diário Oficial da União".

A estimativa para este ano foi calculada com base no censo de 2010. O crescimento da população brasileira desde então foi de 3.191.087 pessoas, segundo a fundação.


O estado mais populoso é São Paulo, com 41.901.219 habitantes, seguido de Minas Gerais, com 19.855.332, e Rio de Janeiro, com 16.231.365.


Já entre as cidades, a que tem mais habitantes é São Paulo, capital do estado de mesmo nome, com 11.376.685 pessoas, seguida de Rio de Janeiro, com 6.390.290 e Salvador, com 2.710.968.


in Jornal de Notícias


Nota: Como comparação, segundo os dados disponíveis na Pordata (última actualização: 2011-12-23), a população portuguesa é de 10.561.614 indivíduos. Ainda faltam alguns para a cidade de São Paulo. Uma cidade apenas. Mas isso são outras contas...


quarta-feira, agosto 29, 2012

Imprensa do dia (13): novas geografias

Bragança limita paróquias e admite redução das missas:

Escassez do clero e mobilidade populacional são justificações para medida que já é comum em vários países da Europa. – in Público


Parece que a tal crise toca a todos - mas não será bem assim. Religião ou falta dela, a verdade é que não se pode pastorear quando não há sequer rebanho. Mais difícil ainda, se rareiam os pastores. Não se trata apenas de pobreza franciscana, mas de mudanças profundas no território.

Vulnerabilidade: qual delas?

Portaria n.º 259/2012. D.R. n.º 166, Série I de 2012-08-28

Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

Estabelece o programa de acção para as zonas vulneráveis de Portugal continental

"Os destinatários da presente portaria são os agricultores titulares de explorações agrícolas localizadas nas zonas vulneráveis.
 
Artigo 2.º
Objectivos
 
O presente programa tem como objectivos reduzir a poluição das águas causada ou induzida por nitratos de origem agrícola e impedir a propagação desta poluição nas zonas vulneráveis."
 
 
Sim, convém definir o âmbito desta portaria.
As "sinopses" das leis estão - é impressão nossa? - a tornar-se como os títulos das notícias, que anunciam coisas relativamente diferentes das que tratam no corpo das ditas?
Ou não estaremos nós a perder o hábito da dúvida e atiramos para cima dos nossos olhos mentais, para podermos passar a página à frente, a interpretaçãozinha errada do costume?
(- Que estupidez: substituir a dúvida pelo preconceito...)
 
Por momentos pensámos que se tratava da vulnerabilidade dos solos (no que toca especificamente à erosão.)
Não que a poluição não lhe esteja intimamente ligada, mas...
Porque a desertificação avança e com o abandono das terras então ninguém fica a lutar por ela (pela Terra, pelo solo propriamente dito).
A não ser que deixá-la em paz... seja a melhor solução para travar a degradação e erosão dos solos.
Aqui ou em qualquer lado, seria bom.
 
Mas não é.
Vamos ter muita luta pela frente, companheiros.
 
Que pequenas acções diárias, minhas e tuas, implicam o avanço ou o retrocesso da desertificação?
Cada um que encontre as respostas possíveis: há muitas, o que importa é o caminho que a elas nos leva, e se for bom, a resposta está sustentada.
Aí, toca a agir!
Sem ser por decreto.
Que temos de ser mais lúcidos que isso!

"A ética não espera pela política."
 
Fernando Savater

terça-feira, agosto 28, 2012

Imprensa do dia (12): a receita


Mais tempo ou mais austeridade na agenda de nova visita da "troika"in Público

IEFP publica anúncio de emprego mas candidato já estava escolhido. – in Jornal de Notícias


Sem comentários. Como se diz na minha terra: “estamos bem servidos, estamos…”

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Amadora conta?


Amadora, em 1940, via-se assim.
 
 
E este retrato é tão impressionante como estoutro que já aqui também divulgámos.

A evolução dos efectivos na Amadoradados do INE, gráfico via cm-amdora.pt
 (reparemos como a coisa está estável, com tendência para o decréscimo, já há duas décadas...)
 
A fotografia aérea lá em cima (passe o talvez pleonasmo), a circular pelo grupo Geografia PT (autor ou arquivo não referidos), deixa-nos a pensar no que RAIO ESTAMOS A FAZER...
À paisagem.
Ao modo de vida.
À concepção da morte.
(Puxa!. sim, sim... Quem se desliga da vida, desliga-se da morte. E vice-versa. Por isso é que a morte é tabu, para que desaprendamos de lutar. Pela vida e contra tudo o que a oprime...)
 
 
À força do crescimento (populacional, porque técnico, porque económico, porque violento...) saem sacrificados os laços, tão duradouros, estáveis e -além do mais- com toda a garantia de futuro - que unem o animal Homem (um animal mais na biota) à Terra.
Talvez já não unam. Talvez esses laços, a havê-los - claro que os há! e essa é a esperança.... dos outros seres vivos- estejam apenas tão frouxos como um suicida que nem força anímica tem para saltar da cadeira...)
 
E se a vida é viver, doravante ou há muito, apenas num tapete flutuante, a empregada da limpeza não se deixará levar: connosco cegos, ela trata de pôr as asneiras para baixo do tapete.
 
Mas nós romperemos esse tecido cada vez mais fino e frágil com as nossas botas cardadas e insensíveis e acharemos duas coisas: um passado longínquo e um presente a prazo.
 
E isso será somente o que o futuro já tem reservado para nós.
Uma réstia, inútil, de consciência.

Amadora conta como exemplo (...a nunca mais seguir)?

segunda-feira, agosto 27, 2012

Imprensa do dia (11): filetes de plástico

A ameaça de plástico saltou fronteiras e já está no Atlântico:

Não será preciso esperar para assistir às consequências da existência destas partículas de plástico – a maioria com menos de três milímetros. “Isto está a matar o oceano, haverá colapsos de espécies inteiras, centenas de milhares de mamíferos a morrer todos os anos”, garante Moore, que tem testemunhado de perto esta realidade. “Não podemos fazer isto ano após ano e esperar que essas espécies sobrevivam”, sublinha.

in Jornal I online


Todo o artigo é merecedor de registo. Mas o problema não é exclusivamente do(s) oceano(s). Apenas não fazíamos a mínima ideia que a coisa estava assim e, muito provavelmente, nada disto terá mais repercussão que duas ou três conversas de café, voltando ao nicho académico e aos rodapés das coisas interessantes. O problema real é que tanto a terra como a água, em geral, estão contaminadas por este derivado de petróleo, entre outros. É um facto.


Charles J. Moore reconhece no paradigma económico parte do problema, obrigando-nos a agir, segundo o próprio, de “forma suicida”. Obrigando? O paradigma económico não obriga a nada, é o homem (alguns homens/mulheres!) quem concebe e quem gere o tal paradigma económico. E nem sempre o faz, como sugere Moore, “apenas para promover crescimento económico”, e se o faz é para proveito de alguns, em determinadas regiões. Esta falácia de que a ruína física do planeta é o resultado (inevitável!) da (suposta) busca do desenvolvimento, ou melhor, do famigerado crescimento económico, já não faz qualquer sentido. Ou não deveria. Entretanto, deleitem-se com os “trinta quilos de plástico no estômago de um camelo na África do Sul” ou com as “baleias e golfinhos cujo plano alimentar já integra este derivado do petróleo”.

sábado, agosto 25, 2012

Nada disto é fácil “porque somos um bocado tontos” - Juan José Millás


“As relações impossíveis: Economia real- Economia financeira”


Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.


Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.


Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.


Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.


A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país – este, por acaso -, e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.


Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública – onde estas ainda existem – os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.


E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.


Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.


A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.


A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.


Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.


Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.


Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.


Juan José Millás

(sublinhados meus)

[Sacado daqui; publicado originalmente aqui]

sexta-feira, agosto 24, 2012

Imprensa do dia 10: água no bico

Poderá estar encontrada a solução do Governo para a RTP: fechar a RTP2 e concessionar todo o grupo RTP (canais nacionais, internacionais e rádios) a privados por um período de 15 a 20 anos. in Público


A ânsia de vender (aquilo que não nos pertence) apenas se compreenderá, evidentemente, porque haverá muito por aí quem queira comprar, e aguarde pacientemente compromissos assumidos. O prometido é devido. O que não se compreenderá, à luz de evidências do tão propalado mercado, é que haja tantos a querer comprar coisas supostamente falidas, e sem saída, como parece ser o caso da RTP e afins, ou, pelo menos, assim nos são embaladas diariamente. Se calhar não será necessário grande esforço para se compreender.


Na frente deste forcing estratégico, como não poderia deixar de ser, temos o venerável António Borges, em cujo curriculum vitae, entre outros não menos distintos, constam meritórias passagens pelo FMI e pelo banco Goldman Sachs, um dos obreiros universais da rapina especulativa, com licença para saquear. Não poderíamos estar melhor acompanhados.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Vomitivo, o Poder

Em Novembro do ano passado, o furacão Michelle açoitou as Caraíbas e assanhou-se com Cuba. Segundo Ben Wisner, do Instituto de Desenvolvimento da London School of Economics, o furacao que afectou quase 25 mil habitações, destruiu totalmente 2800, causou apenas cinco mortos entre a população cubana. O governo cubano evacuou 700 mil pessoas, 6,36% da sua população, em apenas 24 horas. As Forças Armadas Revolucionárias de Cuba foram para o sul da ilha ajudar a população, e fizeram-no. Não levaram ordens de disparar a matar para «manter a ordem».

Imagem via Wikipédia

Há uma semana, o furacão Katrina assolou o Estado do Louisiana e os mortos contam-se aos milhares. A maior parte são negros e latinos, e os seus corpos flutuam nas ruas inundadas de Nova Orleães, muito perto do Superdome, o gigantesco estádio que viria a servir de centro de refúgio e evacuação. O presidente Bush estava de férias. Condoleeza Rice comprava sapatos numa loja exclusiva para mulheres como ela.

Era uma tragédia previsível. No ano 2001, a revista Scientific American chamou a atenção para o estado lastimável dos diques que continham as águas do rio Mississipi, para a obsolescência dos sistemas de bombeamento em caso de inundação, para o crescimento sem controlo de habitações em zonas de alto risco e para a insuficiência das vias de evacuação. Nesse mesmo ano, a Agência Federal de Controlo de Emergências avisou o governo de que, a não serem tomadas medidas imediatas, um furacão traria consequências catastróficas para Nova Orleães. Os engenheiros militares dos Estados Unidos recomendaram a aprovação urgente de um orçamento de 27,1 milhões de dólares para reparar os diques. O governo de Bush aprovou-o, mas, na hora de enviar o dinheiro, decidiu desviar 80 por cento para solver as despesas da ocupação do Iraque, maiores a cada dia que passa. Assim se planificam as catástrofes imperiais. Assim se condenam centenas de milhares de pessoas a morrerem de sede, por falta de assistência médica, esmagadas debaixo dos escombros, afogadas debaixo das águas, ou devoradas pelos jacarés do Mississipi. Vomitivo.

As televisões do mundo inteiro mostravam náufragos em cima dos telhados das suas casas, alguns  deles - nunca faltam - mostrando a bandeira das riscas e estrelas que nem sequer lhes serviu de toalha. Vomitivo.

Quando o Estado nos abandona, quando a necessidade se impõe, quando a sede e a fome ameaçam de morte, o instinto de sobrevivência manda violar as leis que não servem. É legítimo saquear um supermercado se a ajuda não chega. E a governadora do Estado do Louisiana, Kathleen Blanco, em vez de acelerar a ajuda humanitária, armou com espingardas M16 três mil soldados da guarda estadual. «Sabem como disparar, estão mais do que desejosos por fazê-lo e espero que o façam.» As suas palavras fazem parte da história norte-americana. Essa mulher é uma republicana de pura cepa. Vomitivo.

E o preço do petróleo sobe e volta a subir. Alguns governos, entre eles o espanhol, decidem ajudar, não os Norte-Americanos, mas Rumsfeld, Dick Cheney, a Shell, a Texaco, a Halliburton, ao enviarem milhões de barris para que a minoria opulenta dos Estados Unidos não veja alterada a american way of life. Vomitivo.


Carne de blog (1), pp. 31-37, por Luís Sepúlveda, incluído em Crónicas do Sul (Ed. Asa, 2008).
Tradução de Henriques Tavares e Castro.


O artigo foi publicado originalmente aqui (em Castelhano, do Chile, claro está), a 4 de Setembro de 2005.

Hoje passam 7 anos que alguns ficaram com o Katrina nos ouvidos e demasiados com o seu desastre nos pulmões.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Imprensa do dia (9) silly season?

Pingo Doce deixa de aceitar compras com cartões em pagamentos inferiores a 20 eurosin Jornal I

Pingo Doce também limita uso dos cartões de refeiçãoin Diário de Notícias

O número de desempregados no Alto Minho cresceu este Verão pela primeira vez em vinte anos, anunciou a União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC), depois de pedir a intervenção do bispo da diocese. – in Diário de Notícias


Relativamente ao Pingo Doce, ou melhor, grupo Jerónimo Martins, soubemos definitivamente ao que estes vinham quando descobriram a Holanda para assentar arraias fiscais, embora os ordenados por cá continuassem bem portugueses. Sobre isso até poderemos ler mais aqui.


Por falar em ordenados, sítios haverá onde nem são necessários: pois se não existem empregos. Tem graça, agora nem o famoso balão de oxigénio do trabalho sazonal serve para acalmar as hostes estatísticas globais, e respectivas médias. Já nem a silly season é o que era.


segunda-feira, agosto 20, 2012

Imprensa do dia (8): há campos e campos...

Produção de cereais este ano será a mais baixa desde 2005 devido à seca - in Jornal de Notícias

Promotor [parque Alqueva] assegura serviços mínimos na manutenção do campo de golfe até ao final de Agosto, mas não está interessado, neste momento, em dar continuidade ao projecto in Público


Recentemente o jornal Público (05-08-12 - sem link) dava destaque a um estudo de Filomena Duarte, do Instituto Superior de Agronomia, onde se certificava que o país havia baixado significativamente o seu grau de auto-suficiência na carne (apenas nas aves se manteve elevada com cerca de 93% - a de suíno caiu de 100,07% para 51,3%), na fruta e azeite, nas raízes e tubérculos, sendo que nas leguminosas secas terá passado de “80,4% para 10,1%”. Registou-se um equilíbrio positivo apenas nos hortícolas (muito por força da produção de tomate), nos ovos, leite e manteiga, no vinho, cerveja e água. E isto em pouco mais de duas décadas (1980 e 1990 dados do INE), o referido estudo foi efectuado no final da primeira década de 2000.


Estas coisas passam(-nos) totalmente ao lado. Resultado de políticas nacionais e europeias (ou da ausência destas), Portugal revela uma cada vez maior dependência do exterior, a todos os títulos notável. E a tudo isto teremos forçosamente que associar os inevitáveis riscos naturais, os imponderáveis.


Talvez fosse importante uma definição decisiva no que toca à produção agrícola, à agricultura e ao mundo rural, e respectivas indústrias adjacentes. Não se trata de escolher entre campos de cultivo ou de golfe, mas às vezes lá que parece, parece.

sábado, agosto 18, 2012

imprensa do dia (6): agora tudo tem o seu preço

La marca Sagrada Família vale 90.366 millones:Un informe de la Cámara de Comercio de Monza y Brianza (Italia) pone precio a los monumentos europeos más representativos | La Torre Eiffel de París alcanza un valor de más de 434.000 millones de euros.in La Vanguardia


O meu monumento é melhor (vale mais) que o teu. Assim poderia começar uma conversa entre cidadãos europeus. Não tarda, teremos um show sobre monumentos, e quem sabe um monumento dos segredos. A seguir, a China ou o Qatar avançam com umas réplicas, mais em conta no caso chinês, ainda mais carotas na versão Qatar, com meia pensão incluída.


Aqui há uns anos, contava-se a história de um tipo que era tão treteiro, mas tão treteiro, que até era capaz de vender a Torre dos Clérigos a um camone. O visionário agora já teria concorrência à altura.

sexta-feira, agosto 17, 2012

A Monsanto e seus clones voltam a atacar...

Fantástico: a Monsanto e outros gigantes dos trangénicos e dos químicos parecem ter conseguido o cúmulo do absurdo – pagar uma pipa de massa para manter o cidadão desinformado e no escuro. Para conseguir derrotar a Proposta 37, que exigia a rotulagem dos alimentos transgénicos,  a Monsanto contribuiu com 4,2 milhões de dólares, perfazendo 23 milhões de dólares só esta semana. Refira-se que a Dupont, a Dow, a BASF, a Syngenta e a PepsiCo também injetaram dólares para boicotar a lei da rotulagem dos alimentos transgénicos, num total calculado em mais de 13 milhões. Right To Know.

Via Ondas3

Imprensa do dia (5): projectos há muitos

Alqueva já tem condições para que o Alentejo volte a ser o "celeiro da nação". - in Público


Soubemos na semana passada da falência do gigantesco “Parque Alqueva” do grupo de José Roquette. Segundo parece, a Caixa Geral de Depósitos desconfia (agora) da sustentabilidade do projecto, e não se chega à frente com o financiamento, o que seria de louvar, não tivéssemos nós a impressão que a história terá água no bico (ou contrapartidas?). De qualquer modo, não tenhamos pena do Grupo de Roquette, que coitado lá se aguentará, e já que tanto se reclama por iniciativa privada, mercados e afins, que invista capitais próprios nos seus projectos donde retirará, como se sabe, os seus dividendos.


A questão é outra: qual a função primordial do Alqueva? Regadio. Agricultura. Servir a população da região. Ponto. Depois, obviamente, projectos que criem desenvolvimento e emprego, respeitando as idiossincrasias do território e da região.


Como ressalva Fernando Madrinha (Expresso 11-08-12), pode ser que "por linhas tortas, se comece agora a escrever direito". E para além disso, questiona se não haverá outro modo de explorar o potencial turístico proporcionado pela barragem do Alqueva, “se não com projectos megalómanos que replicam o Algarve uns quilómetros mais para Norte”?

Claro que há, e certamente que não precisam de ser grandiosos como o “Parque Alqueva” (hotéis e campos de golfe?) o qual até já recebeu 7,2 milhões de Euros do QREN, que terá agora que devolver.


Mais um exemplo, a par dos elefantes brancos desportivos, da total ausência de um planeamento/ordenamento do território, sério e abrangente. E já agora, no meio de tudo isto, depois destes anos todos, alguém sabe quanto dinheiro foi gasto?

A MONSANTO FORJA, OCULTA E MENTE a todos. Aos quais, contudo, quer chegar

Dêem as vossas opiniões (sobre as questões colocadas, e - inevitavelmente - tal como estão colocadas) sobre a Política Agrícola Comum da União Europeia.

O endereço é este:

Está em Português e é bem curto.


O Parlamento Europeu (PE) está a consultar os cidadãos sobre a Política Agrícola Comum (PAC), através de um questionário que pode ser respondido na internet. A PAC está em processo de reforma e o PE quer saber a opinião dos europeus sobre questões como a produção agrícola sustentável, os excedentes, os subsídios ou a qualidade dos alimentos que consumimos.

Notícia via Correio do Minho. (Clicar para ler mais)


Façamos-lhes chegar o que pensamos. Pelo menos sobre o que nos perguntam...

Entretanto, aqui fica uma grande reportagem que foi censurada em França - com legendas em Castelhano - sobre os malefícios dos OGM, organismos geneticamente modificados

 
Reportagem francesa sobre transgénicos censurada (Documental) from angel284014 on Vimeo.

1
Interessante, interessantíssimo saber que, na peça (com cerca de 22 minutos valiosíssimos), os jornalistas tinham visitado o "quartel general" da Monsanto e que... essa foi uma das últimas vezes que jornalistas lá estiveram. Desde então não mais lhes foram abertas as portas. Humm... estranho! Muito estranho, este comportamento obscurantista por parte de uma empresa que nos governa ou quer governar o organismo...

2
Se os OGM são inofensivos para a saúde, como é que um OGM que está "programado" para resistir aos herbicidas pode passar incólume à óbvia acumulação com que vai levar? Pois, se resiste, pode-se aplicar à vontade. Se os herbicidas matam plantas indesejáveis (dizem eles), será que isso é bom para quem vai ingerir os alimentos assim conseguidos?

3
(ISTO NÃO É NOVO)
Ratos alimentados a OGM sofreram alterações nos órgãos. Um laboratório independente em Itália concluiu-o mas o governo deixou de financiar a investigação. Giro, não é? Tudo nos conformes. Do controlo implacável.

4
(10m00s) Documentos forjados para passar no aval do, vejam, Comité do Gene Biomolecular (se traduzi bem). Ah, grande Corinne Lepage (que já aparecera antes no documentário sobre o nuclear que publicámos aqui há uns tempos), ex-ministra do Ambiente de Alain Jupé!
Os estudos pedidos que lhe enviaram, porque ela os pediu ao Ministério da Agricultura, não eram os mesmos que foram usados para dar o aval aos OGMs e sua comercialização. Novamente pedidos, a resposta fez-se chegar assim: trata-se de um estudo confidencial. Bonito, não é?

(11m50s)
"Depreendemos, portanto, que o governo francês deu prioridade à vontade da multinacional estadunidense [Monsanto] [de manter o estudo confidencial] à transparência que deve aos seus cidadãos."

Ora, "O segredo sobre um estudo relativo à saúde pública é ILEGAL. Deve ser do conhecimento público."
ESTA É UMA VERDADE TÃO ÓBVIA! 

AH, QUE RAIVA!!!!!!!!!!!!!

5
(21m00s)
Já viram alguém a aplicar o PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO depois de o mal estar já no terreno?? 
Pois bem, o mesmo comité que avalizou os OGM em França, depois de as cobaias serem os ratos para passarem a ser nós mesmos, vai estar atento e que..."deverá ser feita uma vigilância"...


Agora em off:
Como os transgénicos poderão ser produzidos sem problema, talvez o preço seja mais baixo que os então "outros" alimentos. (Já vistes um filme chamado Soylent Green?) Isto significa que os primeiros a ingeri-los serão as camadas mais baixas da população.

Ora, já estais a ver aonde quero chegar.
Mas deixo a conclusão para vós mesmos.

Entretanto, mais ou menos alteração do fígado, do pâncreas e do sangue, como se diz na reportagem, vemo-nos daqui a 5, 10 ou 20 anos.
Vemo-nos?