terça-feira, março 20, 2012

Já repararam como vai estar amanhã? (Viagem à memória a passar-se...)

Já repararam o que vai haver no céu amanhã?

Scorchio!!

Well, I'm in love with a weather girl
She brings sunshine into my world
I expect I won't have to cry
She's dropping clouds out of the sky...

"Weather Girl", Repórter Estrábico(CD Eurovisão, 2004)

A menina da meteorologia...

Quando apareceu a sociedadeindependentedecomunicação, o terceiro canal da têvê que não tardou a transformar numa realidade mais grosseira a epistolar canção dos Táxi ("TVWC" é o nome), havia meninas a apresentar o boletim meteorológico.

Davam a cara. Uma delas era a Cristina Möller (engraçadita, até, a moçoila...).

Depois, pouco tempo depois, surgiu uma televisão muito pouco católica (e nós com isso!...) onde pudemos aprender a pensar no que é ou deveria ser um boletim meteorológico. Era apresentado pelo amigo açoriano Anthímio de Azevedo e nele se mostravam imagens de satélite, com as nuvens sobre o escuro e uns pontinhos com cruzes que delimitavam ou apontavam o território nacional.

E ele explicava, com palavras e gestos, o que se ia passar, ou o que já tinha passado e acontecido e percebíamos bem melhor os habituais fenómenos atmosféricos pelos quais vamos regendo as nossas vidas e as nossas paupérrimas conversas com os conhecidos transeuntes que insistimos em desconhecer.

(Não muito mais tarde, o amigo açoriano dava a cara a uma conhecida marca de tintas, dizendo que eram boas para resistir à agressividade das chuvas químicas das cidades... ou seja, num simples anúncio ficávamos a pensar no porquê de as chuvas, nas cidades, serem agressivas...)

Na RTP, por essas alturas (meados de noventa, acho) lembro-me bem (porque se há coisas que ficam, também há coisas que queremos que fiquem), usaram dois temas do "Antarctica", do Vangelis, nomeadamente este e este, como som de fundo. Apenas uma voz ouvíamos falar e víamos uns quadros electrónicos com o tipo de céu que se previa. Vangelis, deixem-me dizê-lo, que sempre o vi como uma espécie de filósofo, ou então, mais correctamente dizendo, um psicólogo que perscruta a nossa mente e lhe reconhece as faltas. E também a estreita ligação à natureza de que parecem brotar muitas das melodias que compôs. Daí que a música encaixava muitíssimo bem.

Impressionante e marcante, e penso que arredado ficou dos boletins (e talvez não merecesse), foi o tema que se segue... (reparem quão entranhado está na memória de alguns... já lá vão uns bons anitos que isto foi registado...1977...):




Oxygene, Jean Michel Jarre


Observar a natureza faz pensar.

Já - na maior parte dos casos - observar as montras das lojas faz deixar de pensar... Já repararam?

Dantes davam os filmes que iam passar nos cinemas do país (ajudou-me a aprender a palavra "Nimas"...). Era uma longa lista que passava, de baixo pra cima, antes do jornal da noite. Antes de este ter sido transformado no veneno nosso de cada dia.

Dantes davam desenhos animados depois do dito jornal da noite. E ríamos com o Babalú, ou com a Tartaruga Touché ("En garde!...").

Dantes, mais pra trás no tempo, para preencher aquele bocadinho de tempo que faltava até começar tal programa, davam videoclips, sim, assim, soltos, de músicas. Lembro-me tanto da "Canção dos Sapos" (como lhe chamava; ou "We All Stand Together"), do McCartney (o McCartney sempre transportou aquele ar infantil que os Beatles tinham...) ou de algumas do então tão popular e sempre grande Júlio Pereira (como a "Celtibera"...) ou do Rão Kyao...

Já repararam como todas estas pausas para respirar foram suprimidas?...

Tempo passou a ser oportunidade de negócio.
E o Espaço, idem, aspas.
E o espaço/tempo televisivo era o cobiçado alvo dos tantos ossos a um cão. Que eras tu. Raivoso ou amestrado.

E tal como deixamos de ter tempos livres quando os usamos (por exemplo a pensar ou a preparar o trabalho), os vazios deixaram de existir: passaram a estar ocupados... com o VAZIO da publicidade interminável e omnipresente.

Porque a dada altura, alguém deverá ter considerado que as imagens de satélite eram demasiado complicadas de entender.

Mas isso foi já depois de terem retirado os meteorologistas do ecrã. (De facto, assim torna-se mesmo mais difícil...!) Ou seja, foi retirada a linguagem gestual, a expressão facial, e ficou só a voz. Ficámos sem saber quem falava.

Depois, - como ia a dizer - retiraram-nos as imagens de satélite e reduziram-nas a símbolos: nuvens com gotas a cair, escuras ou brancas, com um sol atrás delas, ou um sol com os raios a pingar, rectos.

Depois - tal como os telejornais importaram a tabloidização do Mirror ou do Sunday anglófonos e puseram os hiper-resumos a passar em rodapé (e acháveis mesmo que iam interromper as outras notícias para "apanhares" e "pensares" neles?!?...) - o estado do tempo passou a ser a cauda a abanar dos telejornais e tornou-se despiciendo haver um programa chamado "Boletim Meteorológico". E os símbolos caracterizadores do estado passaram a descurar as diferenças entre céu muito nublado e céu algo nublado...

Quase em suma...
... já repararam como este processo de empobrecimento da comunicação sobre um tema tão comum e comezinho (do dia-a-dia) foi acompanhando (e estimulando) a pauperização da reflexão?

Ignorar as causas das coisas é perdermos o material do pensamento. Até ao ponto em que não conseguirás pensar em nada sobre um assunto: faltam-te dados.

Sem futuro nem passado

Não se pode aferir
se nos estão a mentir
Se há mesmo novidade,
ou se é truque do mercado.
Não sabendo a verdade
do problema colocado
não se pode definir
a estratégia a seguir"

"O Fim da História", Mão Morta

O Novo Acordo Ortográfico (NAO) vai, em demasiados aspectos, neste mesmo sentido: suprime consoantes que fazem com que certas vogais sejam lidas abertas (e por isso é que dizemos as palavras como as dizemos...) e consoantes que nos fazem questionar o lá estarem (por causa da etimologia, isto é, faz-nos pensar na evolução da linguagem e na sua história...; e por causa da regra acima descrita)...

[Por conseguinte, lermos como abertas vogais que não são acentuadas é desrespeitarmos o NAO; do mesmo modo que lermos como fechadas vogais que deixaram de ser abertas pelas consoantes, suprimidas, é ridicularizarmos ainda mais o absurdo e o desmiolamento do NAO.]

Já repararam como o panorama está mais vazio de ideias e mais preenchido de porcarias e lixo e vozearias que nos levam sempre para a peçonhenta fossa dos jargões e linguajares económicos (e da escola de Chicago)?

(O NAO, como uma manifestação mais da vileza do tempo e da perfídia dos seus instituidores e líderes não eleitos, não podia deixar de acompanhar este processo de simplificação e reducionismo...).

Já repararam como estamos a perder muito mais facilmente a memória?

Já repararam como estamos a perder as raízes ao que nos dá sentido, ao contexto de sermos elementos vivos daqui e de agora?

Já repararam que os peixes mortos são levados pela corrente?

Já repararam que continuamos a cometer os mesmos erros depois de sabermos as consequências indesejáveis?

Estamos cada vez mais distanciados do que fazemos, do que sofremos, sofrendo sem cessar, abortando assim formas de saber o que fazemos e de perceber as relações entre umas coisas e as outras.

Grandes e divididos, perdidos da noção do conjunto, sem projectos comuns, ignoramos a magnitude acumulada das pequenas acções.

Já repararam como continuam "sem cometer crime (e ser presos) os que abatem árvores e reduzem a terra a areia"?

One more tree will fall how strong the growing vine.

Turn the earth to sand and still commit no crime.
How one thought will live provide the others die.

(One More Time To Live, Moody Blues, 1971)

Já repararam como o empobrecimento da linguagem empobrece o ser humano?

Já repararam como o afunilamento das visões esvazia a arte e aniquila a vida?
Já reparamos como vivemos sozinhos nas cidades?
Já repararam que a nossa memória de amanhã estará reduzida à miséria que estamos a praticar hoje?

Já repararam que Braga é das cidades com maiores amplitudes térmicas em Portugal? Porque será?

O que é a qualidade de vida, de habitação, de práticas quotidianas, de bem-estar mental e corporal?

O que é o acesso à luz solar e a espaços onde se pode respirar...?
Onde é que eu tenho o direito de não consumir?
O primeiro estudo climático aplicado ordenamento urbano (as coisas começam a religar-se...) tem na Figueira da Foz um exemplo a seguir.
Ler notícia no CiênciaHoje.

Pois...!

....Tragam essas análises para Braga!
Mas para ter consequências práticas!
Se não for para mudar alguma coisa - e quer-se para melhor -, a tão simples e senso-comunal observação desta cidade tem tanta validade como os estudos dos académicos...

segunda-feira, março 19, 2012

Metáfora do dia...

Talvez haja uma qualquer teoria já estudada pelos nossos bem-amados economistas... que não há nada que lhes escape, gostam de analisar tudo ao mais ínfimo pormenor e ter explicação para todas as nossas tragédias e ainda soluçõezinhas de trazer por casa...
mas, já repararam que

quanto mais reduzimos nas velocidades

MENOS percorremos
e
MAIS gastamos

?
Esta constatação respiga a "Do que Um Homem é Capaz", do José Mário Branco, quando canta assim
[Os poderosos]
Ficam cínicos, brutais,
descendo cada vez mais
para subir cada vez menos.
Quanto mais o mal se expande,
mais acham que ser grande
é lixar os mais pequenos.
...
Voltaremos a estes absurdizantes / ensurdecedores silêncios que nos conspurcam...

quinta-feira, março 15, 2012

O líder da destruição (Luta desigual 2)

For now one million bombs are stored,
But they keep building more and more.
Can't you hear the warning sound?
Don't you know there's still time to turn around?´

"Rivers of the Blood", Phil Ochs

Não contamos nada.
Nem contamos para nada.
Não discutimos.
Não questionamos.
A autoridade. Tal como qualquer Salazar proferiria.
O canal Arte difundiu ontem, dia 13, um documentário sobre o tabu dos resíduos nucleares. A cada dia que passa produzimos mais e mais lixo tóxico.
Onde estamos a pô-lo e o que estamos a fazer com ele?
Segue-se um resumo do dito: Dechets: Le cauchemar du nucleaire (Resíduos: O pesadelo do nuclear) (Pode ser visto na íntegra, em Francês, aqui.)
As traduções são nossas (estão em itálico). Acho que em Português poucos mais lugares o terão. Porque "era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto."
Começa lindamente...

"Em menos de 50 anos os países nuclearizados afundaram mais de 100 mil toneladas de resíduos nos diferentes oceanos. Só o Reino Unido, por si, rejeitou 80% do total. E a Suíça, que nem sequer tem costa, fica em segundo lugar." (Dados da Agência para a Energia Atómica)

Em 1993, um tratado das Nações Unidas proibiu finalmente a rejeição de qualquer resíduo nuclear. A França foi a última a ratificar o acordo.

O nuclear foi desenvolvido pelas forças armadas e é difícil saber o que se esconde. Muitas informações são protegidas por segredo militar.


Hanford, Noroeste dos EUA

O primeiro lugar nuclear do mundo foi construído em 1942, em plena segunda guerra mundial, no meio do deserto, sob a administração Roosevelt (Projecto Manhathan), com nove reactores nucleares e cinco fábricas de plutónio. Hoje o terreno de Hanford parece um campo abandonado, mas está cercado. Foi aqui que foi fabricada a bomba atómica de Nagasaki. Usavam a água do rio para arrefecer os reactores e para rejeitar materiais radioactivos.

Na altura, os responsáveis do local deixavam os habitantes de Hanford tomar banho no rio sem os informar do perigo que corriam.


- As pessoas estavam a par desses resíduos?
- Claro que não: era um segredo protegido pelo projecto Manhathan e pelo exército americano.

Perante tantos resíduos químicos, foram construídas gigantes 170 cubas de betão que, para reduzir os riscos, foram afundadas no solo. Esta solução de armazenamento seria provisória. Infelizmente, nos anos 80 os engenheiros descobriram que 60 delas tinham fugas e estavam a contaminar os níveis freáticos. Hoje, restam 200 milhões de litros de melaço altamente radioactivo que urge neutralizar. Esvaziar as cubas é um enorme desafio tecnológico. Enquanto esperam, a contaminação radioactiva continua.


Em 2002, um relatório oficial relatava que 13 de 15 peixes (carpas) apanhados no rio Columbia estavam contaminados (com estrôncio-90). O consumo frequente multiplica o risco de cancro.


Tcheliabinsk (perto de Mayak, Montes Urais, Rússia)

Durante a Guerra Fria, na corrida ao armamento, a União Soviética construiu, desde 1945, dez complexos atómicos. Durante 30 anos, nada se soube do outro lado da cortina de ferro. Em 1976, um dissidente soviético revelou que houvera um grave acidente nos Urais, uma antecipação de Chernobil. Em 29 de Setembro de 1957 uma cuba de resíduos nucleares explodiu - um mega-Hanford - e durante 20 anos ninguém disse nada. Quando Medvedev fez tal revelação, os cientistas ocidentais não acreditaram.

- Porque não acreditaram em si?

- Porque em 1976 todos os países ocidentais ponderavam desenvolver a energia nuclear. Era um problema falar de resíduos nucleares, de contaminação e de riscos de explosões e, para evitar o pânico na opinião pública ocidental, diziam que tal era uma conspiração do KGB. O responsável dos assuntos nucleares da Grã-bretanha declarou que o que eu dizia era falso, que era impossível. De facto, a CIA sabia que era verdade, mas guardou segredo.
- Porquê?
- Provavelmente pela mesma razão. Não deviam querer causar problemas à indústria nuclear. Mas o problema dos resíduos existe hoje. Existe no Japão, existe nos EUA, na França, na Rússia, na Inglaterra e noutros países. Mas como eles gerem os resíduos nucleares, isso ignoramo-lo.

Há poucas informações sobre essa explosão, escondida por todos os serviços secretos, mas ela demonstrou que os resíduos não são apenas tóxicos mas também explosivos.

A explosão na zona de Mayak cobriu o céu e foi o equivalente ao rebentamento de 15 mil toneladas de TNT. Os elementos radioactivos foram projectados a mais de um quilómetro de altitude, contaminando uma área estimada de 15 mil quilómetros quadrados. 200 pessoas morreram no local e mais de 200 mil foram expostas às radiações. Esse foi o acidente mais grave conhecido antes de Chernobil. Mas tudo foi guardado em segredo. 800 quilómetros quadrados de território contaminado foram vedados.
No início dos anos noventa, mercê de uma certa abertura perestroikiana, uma equipa de jornalistas pôde entrar no local e viu como o lago Karashaia eram usados como repositório dos resíduos tóxicos. A céu aberto. Face à quantidade de resíduos, outro lago foi usado. Os lagos são a fonte da contaminação do principal curso de água da região, o rio Tetcha, que atravessa muitas povoações. Muslimovo (a primeira) e ao longo do rio resta toda uma geração de habitantes sacrificados em nome do segredo nuclear. O governo dá um milhão de rublos (cerca de mil euros) aos habitantes para deixar a aldeia. Mas alguns decidem ficar.


- Quantos aldeões não morreram já de cancro, mas para onde é que podemos ir? Com as nossas pequenas reformas ficamos aqui até morrermos. Não temos escolha.
- Explicaram-vos o que podíeis consumir?
- Eles dizem que tem de vir tudo de fora, mas que é que eu posso comprar com 80 euros por mês?
- E o vosso leite, bebei-lo muitas vezes?
- Sim, é o nosso leite, como não o haveríamos de beber. Eles analisaram o leite, a água..
- Quem é que analisa?
- È um serviço de controlo sanitário que analisa tudo o que comemos. Vêm quase todos os anos fazer análises.
- E sabeis os resultados?
- Eles não nos dizem nada: fazem as análises para eles.

As análises da terra do rio Tetcha acusam quase 2200 bequeréis por quilo. Quando deviam ser de ZERO.

Aqui diz-se aonde também vão parar estas águas radioactivas.

O plutónio é o material das bombas atómicas. Militares ou civis, as fábricas nucleares têm sempre um ponto em comum: elas produzem OBRIGATORIAMENTE resíduos radioactivos, que elas rejeitam em parte no ambiente.

La Hague (Noroeste da França)

A França também possui a sua fábrica atómica (de tratamento de resíduos). É idêntica à de Mayak.

- Estamos precisamente na conduta de rejeição dos resíduos da fábrica. Por aqui sai o equivalente a 30 milhões de litros de resíduos que todos os anos, desde 1993, passam por esta conduta e são enviados para o mar.
A resolução de 1993 interditou a rejeição de resíduos no mar, mas somente a partir de barcos. Paradoxalmente, a rejeição através de condutas terrestres continua legal. A conduta da fábrica de La Hague rejeita por dia 400 metros cúbicos de material radioactivo nas correntes (do Canal) da Mancha.
- Através de medições das emissões gasosas analisamos a dispersão do kripton-85 acima da chaminé da fábrica e concluímos que estamos numa situação de acidente contínuo. É como se tivéssemos um acidente nuclear permanente, mas legal.
A concentração de kripton-85 na atmosfera tem vindo a acumular-se.


Desde a criação da fábrica que pedimos aos responsáveis um exercício de comunicação impossível: têm de reconhecer que a sua actividade deposita resíduos no ambiente sem empregar o termo "contaminação". E que "há apenas vestígios".


As fábricas de tratamento de resíduos são responsáveis por 80% dos resíduos nucleares na Europa. Os ambientalistas contestam esta actividade. Para quê o tratamento?
Na página da Areva, o ciclo do combustível é-nos apresentado como um ciclo aparentemente fechado. Os resíduos nem sequer são mencionados.

Quando reciclamos o vidro reutilizamos 100% do material. E qual é a percentagem para os resíduos nucleares?

Depois de tratados os resíduos da produção de energia, ficamos com 1% de plutónio, 95% de urânio e 4% de resíduos finais. Isto demonstra que o tratamento dos resíduos não faz desaparecer totalmente a radioactividade, como muitos pensam, mas que esta é concentrada nos resíduos finais, que são extremamente perigosos porque, em si, representam 99% da radioactividade. Resíduos que são postos em "pilhas" de ferro fundido e armazenados.
Quanto a estes 4%, nada a fazer. A sua produção total para o consumo da França é negligenciável, mas a sua radioactividade manter-se-á durante CENTENAS DE MILHARES DE ANOS.
O plutónio é tratável, porque contém muita energia, e pode ser reintroduzido no processo de produção eléctrica.
Mas a maior parte dos resíduos tratados diz respeito ao urânio: 95%. E se o processo é realmente fechado (reciclado),
como são utilizados estes 95%?

Um porta-voz da Areva
(empresa de energia nuclear) diz-nos que ficam armazenados para quando o CLIENTE quiser usá-los - uma vez que estes resíduos ainda podem gerar energia. Assim, enviamo-los para a Alemanha, para os Países Baixos ou para a Rússia, pois não dispomos da tecnologia de enriquecimento do urânio.
- E esse urânio enriquecido, o que fazem com ele?
- Isso tem de perguntar aos nossos clientes: a partir daí, esses resíduos são sua propriedade.
Seguimos o rasto dos resíduos.

Tomsk (Sibéria)

O material que vem de França parte, em verdade, para Tomsk, na Sibéria.
Quando chega a Tomsk estes material altamente perigosos percorreram cerca de 8 mil quilómetros.

A imagem destes contentores (de 10 metros, daí poderem ser vistos por satélite) é impressionante, pois são guardados a céu aberto.

- Depois de serem enriquecidos com urânio-235 para criar combustível para as centrais nucleares, reenviamo-las de volta para França.
- Quer dizer que tudo o que chega aqui (Rússia) volta para donde veio?
- Não, de maneira nenhuma. Cerca de 80%, talvez mais - não tenho bem presente o valor - fica aqui, armazenado.
Isso representa 9% dos materiais, confirma a EDF (Éléctricité de France). Este novo dado muda as contas da reciclagem: cerca de 80% dos resíduos não são reutilizados. Recalculando, o tratamento dos resíduos não consegue senão abranger 10% da matéria. Ficamos muitíssimo longe da taxa de 96% anunciada pela Areva, que usa estes números para apresentar a energia nuclear como energia reciclável.

Só três países optam pelo tratamento dos resíduos: a França, a Inglaterra e o Japão. Os outros ainda não decidiram o que fazer.
Estamos a fazer da Sibéria o nosso caixote do lixo.
O tratamento dos resíduos não existe.
Uma ex-ministra do ambiente francesa diz:

- Em primeiro lugar, não a tenho a certeza de que a energia nuclear seja de facto rentável. Mas aquilo de que tenho a certeza é que ela está na origem de muitos males da sociedade francesa, da opacidade na qual o sistema se fechou, que transvasou para outras coisas, que esconde o facto de que tudo é feito para o nuclear, e, em segundo lugar, está na origem de uma parte das dificuldades da economia actual, na medida em que investimos tudo no nuclear em detrimento do desenvolvimento nas energias renováveis, na eficácia energética, nos novos materiais, etc., etc. e é por isso que a nossa indústria está atrasada.

Mesmo se o nuclear está em causa, isso escapa às pessoas: ela tem sido imposta desde o começo.

Ao nível político, ninguém se interessa pelo sector da energia.

(RIR / CHORAR COM OS PRIMEIROS MINUTOS DO VÍDEO)

Ségolene Royal (SR) - Você sabe qual é a parte do nuclear (no consumo da energia em França)?
Nicolas Sarkozy (NS)- (...) metade da nossa energia é de origem nuclear.
FALSO

SR - 17%, apenas, 17%!
FALSO

(...)

NS - É preciso que os franceses saibam.
VERDADEIRO!

É preciso que os franceses saibam, mas ninguém lhes explica.
Desde o princípio, que se faz crer aos cidadãos que o nuclear é demasiado complicado e que devemos deixar isso para os engenheiros.

- O que faz a riqueza de uma sociedade: é a inovação, e a inovação supõe, a meu ver, uma ligação estreita com a democracia. Não se faz a inovação contra a população, mas PARA a população e a população deve aceitar a sua inovação.


A história demonstra que as populações têm sido SISTEMATICAMENTE DESINFORMADAS.
...
Os lugares onde são armazenados estas bombas relógio não estão protegidos para a nossa escala temporal, quanto mais para o tempo de decaimento radioactivo...!!
Assim é a globalização (só um globo...) da porcaria que vamos fazendo.
Consumir mais energia é demandar mais produção da mesma. Alguém decide por nós de que forma.

Por cá, há Patricks Monteiros de Barros... mas isso só demonstra a pobreza destes caciques que se querem infiltrar na opinião pública. E quanto mais progredir a ignorância, a estupidez e o controlo mediático e institucional neste país, mais perto estaremos de ter a energia nuclear... COM TODO O GOSTO!, diremos nós.

Vendem-nos o futuro sem acautelar o presente.
Prometem-nos o presente sem pensar no futuro.

Não é preciso dizer que o termo "sustentável" é estranho a estas orientações morais / amorais / imorais.

Não contamos para nada?
6000 gerações, o equivalente a 200 mil anos é muito tempo.
É a duração da radioactividade dos resíduos nucleares.
Porque, Ah, esquecemo-nos de dizer, tudo isto entra facilmente na cadeia alimentar...

E mais cedo ou mais tarde virão bater-nos às costas.
LITERALMENTE.
(Nota: este documentário vai ser redifundido no dia 22 de Março, pelas 9h30. Para quem tiver acesso por satélite ou por zóne. Quem tem méu, está impossibilitado. São novas formas da velhinha censura...)

quarta-feira, março 14, 2012

Em nosso nome, OBRIGADO, UE!!!

Imagem redifundida desta paginazita bem engraçada e pitoresca...

Quão apressados são os "NOSSOS" eleitos em autorizar coisas assim... Que fantástico é a UÉ e que eficazes são!
Porque o dinheiro é o fim, se este é atingido, não importa como, mas importa quando, jogam connosco mais um bocado.
Vamos ver até onde deixamos...

A notícia é
esta.
Quem fica a ganhar, desde já e à partida, são as multinacionais da alimentação e das sementes Monsanto e Bayer e o raio que as parta.

Se são resistentes a insecticidas, quer dizer que estes são incorporados pelas plantas.
Adivinhem aonde vão parar...

Estamos a meter porcaria por tudo quanto é sítio e a abortar antros, sequer, onde nos possamos meter. Cada vez mais porcos, nós, somos. Bichos feitos à imagem e semelhança do criador Dinheiro.

A UE não me pediu a opinião.
Pediu opinião a quem diz que me representa.

As regras vêm de lá longe, aonde o meu braço não chega...
Mas os tentáculos, esses, sim, chegam a tudo o que puderem papar.
Derrubados alguns muros de hesitação, há muito que a hora da comezaina chegou...

Desequilíbrio de forças. Aumentativo.
Como vermes a corroerem o corpo a putrefazer-se, a paralisar-se, a putificar-se incessantemente...
Continuemos, pois.

Será que não posso exterminar os meus ditos representantes?
Acho que não seria nada parecido como ficar amputado de um braço...

Luta desigual (1)

É uma metáfora mais das estratégias de dominação.
No caso, até nem se passa com o homem. Se bem que lá vá meter a pata.
...No fundo, o que os eucaliptos fazem é preparar o terreno: libertam azoto no solo numa quantidade que será nefasta para outras espécies - assim, têm caminho aberto para proliferarem.
Agora, o que é engraçado é ter reparado como esta notícia apareceu, durante algum tempo e em destaque, na página do jornal Público e, quando fomos procurá-la... já lá não estava.

Contudo, o estudo, realizado pelo Centro de Biologia Ambiental (CBA) da Universidade de Lisboa, foi noticiado pelo Ciência Hoje.
Aqui.


O lóbi dos eucaliptos
- não, não venham com acusações de teorias da conspiração! -
atacou uma vez mais.
E à frente dos nossos narizes, de tão escancarada que está a imoralidade dos nossos inanes capitalistas industriais...
"Esta merda não anda,
porque a gente não quer qu'esta merda ande.
Tenho dito!"
JMB, FMI

terça-feira, março 13, 2012

DGT

Decreto Regulamentar n.º 30/2012. D.R. n.º 52, Série I de 2012-03-13
(clicar)

Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

Aprova a orgânica da Direcção-Geral do Território

"Piramiza, filho. Piramiza!"

Foto de Eduardo F.
Lisboa, 7.03.2012


Canta bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia

Cantai cantai melancolias serenas
Como o trigo da moda nas verbenas
Cantai cantai guizos doidos dos sinos
Os vossos salmos de embalar meninos
Cantai bichos da treva e da opulência
A vossa vil e vã magnificência.
"Coro dos Caídos", José Afonso, 1964

segunda-feira, março 12, 2012

Como já sabíamos...

São Paulo, 26 feb (EFECOM).

O professor de Antropologia inglês David Harvey diz que a crise internacional está a fomentar o nacionalismo político e é da opinião de que Grécia deve abandonar o Euro para controlar a sua política monetária e combater a recessão, numa entrevista difundida hoje pela imprensa brasileira.

"Não é só a direita que está a crescer, mas todo o movimento nacionalista, que também existe na esquerda. Uma das respostas políticas é tentar cortar as amarras à globalização e procurar um programa de autonomia e de autodeterminaçãon local, buscas que estão à esquerda e à direita", disse Harvey nuna entrevista ao diário "Folha de São Paulo".

O geógrafo, que lecciona na Universidade da Cidade de Nova Iorque, assinalou que este aumento do nacionalismo traz o risco de incrementar as tensões, ainda que descarte conflitos como as grandes guerras do século passado.

"Gerará mais tensõe, conflitos militares regionais, mas não o tipo de guerras dos anos 40", disse o estudioso, conhecido defensor do conceito do direito à cidade.

A seu ver, "as crises não são acidentais. São fundamentais para o funcionamiento do capitalismo. O capital não resolve as crises, transfere-as de um lugar para outro".


Ler +
(em Castelhano)

sábado, março 10, 2012

A culpa é do PH

Ácidos somos, na água nos afogamos, a pó passaremos...

E que estamos nós a fazer para, sequer, minimizar esta situação?

sexta-feira, março 09, 2012

ACTUA! - acampamento pelo rio Tua, 10 a 18 de Março


Via Indymédia.pt
Entramos na fase crítica para podermos travar uma das maiores atrocidades cometidas num dos mais belos rios de Portugal. Esta é uma luta que já dura há vários anos. Contudo, todos os esforços que têm sido feitos para preservar o Vale do Tua, a sua riqueza natural e cultural, têm sido contrariados pelas forças políticas e económicas que querem expropriar-nos de um bem comum universal.

A construção da barragem já começou! O Vale do Tua faz parte do Alto Douro Vinhateiro – Património Mundial da Humanidade que celebrou o 10° aniversário da classificação atribuída pela Unesco em Dezembro passado – e vê-se agora em risco de ser completamente destruído. Temos de agir. Temos de nos unir para preservar um Património que é nosso.

A construção da Barragem em Foz-Tua faz parte do Plano Nacional de Barragens, um plano energético concebido pelo Governo deposto que promulgou a construção de 10 Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no país. Muitas das organizações da sociedade civil se insurgiram contra este plano, que dá forma ao maior atentado ambiental a acontecer em Portugal. Apesar de todo o esforço feito por estas organizações, os interesses económicos que estão por detrás das construções das barragens têm ultrapassado todos os entraves colocados.

Precisamos de todo o apoio possível para parar a construção da barragem de Foz-Tua por isso apelamos à mobilização de todos para a defesa, preservação e valorização do nosso património!!!

O dia 14 de Março é o Dia Internacional de Acção pelos Rios. O rio Tua, o rio Sabor, o rio Tâmega, os rios ameaçados não podem ser esquecidos. Queremos assinalar este dia com um evento em que a nossa voz se faça ouvir. Do dia 10 ao dia 18 de Março iremos organizar um acampamento pela preservação do Vale do Tua e pela censura pública dos promotores deste empreendimento.

Actua pelo Tua: o acampamento

Este acampamento pretende reflectir sobre o momento actual que vive Trás-os-Montes e, em especial, a Linha do Tua e ao mesmo tempo, partilhar a realidade, a cultura de uma comunidade que há muitos anos sente e vive o Vale do Tua. O acampamento será também uma ocasião para criar redes entre as pessoas, fortalecendo a aprendizagem entre todos e todas: a troca de experiências e difusão de informação sobre questões ambientais, sociais e políticas. Será também um espaço para acções de protesto, junto aos locais e com as pessoas afectadas pela construção da barragem, para exigir a suspensão imediata dos trabalhos de construção. Não podemos permitir que a construção da barragem condene a Região do Vale do Tua com a desclassificação do Alto Douro Vinhateiro e a submersão da centenária Linha do Tua.Caminhemos juntos contra a construção da Barragem da EDP!

Os danos irreversíveis

Os impactos que a construção da barragem vai provocar são inúmeros e irreversíveis. Entre eles contam-se:

o afogamento de uma linha de comboio com 125 anos, que tem a função de servir as populações locais ao nível de transporte de bens e pessoas, como tem também um potencial turístico enorme, e por isso de importante desenvolvimento económico e social;

a hipoteca causada a todas as gerações futuras pela construção da barragem: o PNB está previsto custar 16 mil milhões de euros ao Estado e ter uma produção de 0,07% que subtraindo os custos de produção e de transporte de energia e o aumento anual do consumo de energia é praticamente nulo;

as grandes barragens destroem irreversivelmente os solos agrícolas, os ecossistemas, as paisagens naturais e humanizadas, o património cultural, ou seja, a sustentabilidade social, ecológica, económica da região envolvente;

o Ministério da Economia e Emprego e o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, autorizaram à EDP o abate de mais de 1104 sobreiros e 4134 azinheiras em povoamentos e núcleos de valor ecológico elevado no Vale do Tua;

a desclassificação do ALTO DOURO VINHATEIRO – Património da Humanidade (ver relatório da ICOMOS sobre os impactos da barragem da EDP na Paisagem Cultural do Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial pela UNESCO);

a perda incomensurável de fluxo turístico, de identidade cultural e de criação de riqueza na Região;

a violação da Directiva Quadro da Água, um plano de acção da Comunidade Europeia para a protecção das águas.

Todas as mãos são bem-vindas! Não deixemos afundar o Vale do Tua!

Acampamento Actua 10 a 18 Março 2012 Foz-Tua
Concurso de Artes Actua pelo Tua // Exposição 14 Março // Inscrições Abertas

Contacto: acampamentoactua@gmail.com
Notícias: http://acampamentoactua.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/events/175654479212010/

Pavilhão Atlântico à venda

É assim.
Fazer umas maquias no Presente e deitar o Futuro fora.
Privatize-se tudo: Pavilhões Atlânticos, É-dê-pês, Águas de Portugal, Érre-tê-pês "e a puta que vos pariu."
São valores.
Mais os da bolsa que os da tábua.
Tábua de salvação, dirão.

Adie a morte para depois.
Os clientes nem vão notar.
Até ver.

Segundo a resolução publicada hoje, 9 de Março, em Diário da República.
Aqui.

Ah-ah-ah.... é de morrer a rir...

"A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, revelou recentemente que não iria accionar ainda os fundos de emergência europeus para casos de seca, preferindo aguardar pelas chuvas."

Via
CiênciaHoje

quinta-feira, março 08, 2012

A barragem é Tua, os lucros são da EDP

Caros amigos,

Nos últimos dias, foi tornado público o projecto de arquitectura de Souto Moura, para um edificio da Barragem do Tua. Tem como objectivo "esconder" os impactos que a construção da barragem tem no Douro Vinhateiro, enterrando todo o edifício no terreno, com custos que mais cedo ou mais tarde, serão reflectidos na factura da electricidade, paga por todos nós.

Para quem não teve ainda a oportunidade de conhecer o projecto, aqui está:
http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/Artigo/CIECO036382.html


Claro que a imagem divulgada pela comunicação social não contempla o paredão da barragem! Como se fosse possível ignorá-lo...e como se esta construção, não fosse por si só, um dos maiores impactos no Douro Vinhateiro, assim como a instalação de Linhas de Alta Tensão ao longo do território, entre outros...

De lembrar que a Direcção Regional de Cultura do Norte, deu um parecer negativo à instalação de Linhas de Alta Tensão entre a Barragem de Foz Tua e Armamar:

http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/cultura-da-parecer-desfavoravel-a-linha-de-muito-alta-tensao-e-obriga-a-reformular-projeto-da-edp_13916392.html


Por último, segue abaixo um comunicado dos Verdes onde estes dão conta de alguns aspectos que interessa a todos conhecer, a propósito da proposta de Souto Moura e dos impactos da construção da barragem no Vale do Tua e no Douro Vinhateiro.

Atentamente,
Célia Quintas

--- On Fri, 3/2/12, Imprensa Verdes wrote:


From: Imprensa Verdes
Subject: Comentários feitos por "Os Verdes" sobre a proposta de Souto Moura para a Barragem de Foz Tua
To:
Date: Friday, March 2, 2012, 2:53 PM


Comentários feitos pelos Verdes sobre a proposta de Souto Moura para a Barragem de Foz Tua



A EDP e o Governo tentam fazer passar a ideia de que a proposta arquitetónica de Souto Moura em relação à Barragem de Foz Tua elimina os impactos ambientais do empreendimento hidroelétrico e os perigos de desclassificação que pesam sobre o Alto Douro Vinhateiro, Património da UNESCO. Para “Os Verdes”, esta mensagem veiculada pela EDP e pelo Governo, não passa de uma falácia.



“Os Verdes” têm o seguinte a dizer sobre esta matéria:

1. A proposta arquitectónica de Souto Moura só vem atenuar um dos impactos gerados pelo empreendimento hidroeléctrico (impactos da central hidroeléctrica). Todos os outros impactos negativos persistem, nomeadamente os impactos socioeconómicos, ambientais, impactos sobre a mobilidade decorrentes da submersão da Linha do Tua, impactos sobre a navegabilidade do Douro, cuja segurança está ameaçada, e os impactos paisagísticos e patrimoniais, nomeadamente com o paredão e o espelho de água que têm um impacto grande e danoso sobre o Vale do Tua e que se localizam na Zona Especial de Protecção (ZEP) à área classificada e para a qual a UNESCO exige as mesmas regras de protecção e ainda a Linha de Muito Alta Tensão Foz Tua- Armamar que rasga a zona classificada e ZEP com impactos impossíveis de minimizar sobre a paisagem.


2. A intervenção de Souto Moura é, ela própria, geradora de impactos ambientais que não foram avaliados. Esta proposta para enterrar a central eléctrica da Barragem implica intervenções pesadas na encosta direita do Tua, com impactos geológicos evidentes. Uma questão que não foi avaliada nos estudos geológicos do Estudo de Impacto Ambiental nem nos estudos apresentados em fase de RECAPE. Uma intervenção que obrigará, por certo, a muitos rebentamentos, geradores de instabilidade nestas encostas rochosas, tal como se tem verificado com os acidentes já ocorridos na Barragem.


3. “Os Verdes” consideram que as ameaças sobre a classificação do Alto Douro Vinhateiro (ADV) persistem, mesmo com a proposta de Souto Moura, não só pelos impactos já referidos no ponto 1, dos quais destacamos a Linha de Muito Alta Tensão e o paredão, mas porque a artificialidade desta proposta não se enquadra nos atributos que levaram à classificação da paisagem do ADV, que são o seu carácter genuíno, autêntico e integral como paisagem vinícola.


4. “Os Verdes” não podem deixar de estranhar que a EDP, que se recusou a estudar e a construir um canal ferroviário alternativo para a área a submergir da Linha do Tua - exigência do caderno de encargos e da declaração de impacto ambiental, porque esta acarretava custos que considerou demasiado elevados - venha agora propor uma intervenção de dissimulação dos impactos da Barragem que tem custos elevadíssimos. Custo que a EDP faz recair sobre os portugueses através do aumento das tarifas cobradas.


5. Esta encomenda ao arquitecto Souto Moura é a prova de que, na fase de pré-projecto e de projecto, a EDP assumiu uma postura de arrogância óbvia e nem se esforçou para minimizar alguns impactos de maior gravidade. Uma postura de arrogância que se deve também à atitude de complacência que os poderes políticos assumiram. A proposta agora apresentada é fruto da luta travada por todos aqueles que se opuseram à Barragem de Foz Tua, nomeadamente a queixa apresentada pelos Verdes junto da UNESCO, que obrigou a EDP e o Governo a reconhecerem a gravidade de alguns impactos e a apresentar soluções para os mitigar.


6. “Os Verdes” não poderiam comentar esta proposta sem fazerem também algumas considerações sobre declarações proferidas por Souto Moura a órgãos de comunicação social, nomeadamente quando diz que não compreende os ecologistas/Verdes, quando estes preferem as eólicas à energia hidroelétrica. Estas declarações são a prova de que o arquitecto tem andado bastante distraído e desconhece o que está em causa, visto que o aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, tal como os restantes empreendimentos do Programa Nacional de Barragens, estão intimamente ligados aos interesses económicos que o sector hidroeléctrico obtém na utilização de energia eólica através da bombagem nestas centrais, com reversibilidade. “Os Verdes” aconselham o arquitecto a procurar novas informações, antes de se pronunciar sobre este assunto.

Com ou sem intervenção de Souto Moura, “Os Verdes” reafirmam que os impactos da Barragem da Foz Tua são inaceitáveis para a região e para o país, destroem um valioso património único, a Linha e o Vale do Tua, e ameaçam a classificação de Património da Humanidade, atribuído pela UNESCO, ao Alto Douro Vinhateiro.


Como tal, “Os Verdes” reafirmam o sem emprenho em tudo fazer para parar a barragem de Foz Tua.


O Partido Ecologista “Os Verdes"
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

(T: 213919 642 - F: 213 917 424 – TM: 917 462 769 - imprensa.verdes@pev.parlamento.pt)

www.osverdes.pt

Lisboa, 2 de Março de 2012

domingo, fevereiro 19, 2012

Vá, acabem lá com isso...

O risco sísmico na central nuclear de Fukushima 1 (Daiichi), no Japão, aumentou depois do terramoto de 11 de Março do ano passado, de magnitude 9.0. Um estudo publicado agora na revista «Solid Earth», da União Europeia de Geociências que utilizou dados de mais de seis mil terramotos demonstra que o sismo reactivou uma falha sísmica que se encontra perto da central nuclear.

Via CiênciaHoje

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

É coisa para demorar uns anos mas...



Supercontinente Amásia deverá formar-se junto ao Pólo Norte (Ler tudo AQUI)

terça-feira, fevereiro 07, 2012

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Pois, mas assim para que serve afinal?


Vidal: Rua Quinta da Armada, Braga (02-02-12)

quinta-feira, janeiro 26, 2012

"O Urbanismo Depois da Crise", de Alain Bourdin


Título: “O urbanismo depois da crise”
Autor: Alain Bourdin
Tradução: Margarida Souza Lôbo
Edição: Livros Horizonte (2011)

«Este urbanismo liberal não é monolítico e aceita grandes variações; existem mesmo versões “de direita” e versões de “esquerda” (ou seja, “dirigistas”). Isto não impede que se apoie num conjunto de constantes. Privilegia a concorrência, com tudo o que ela arrasta de efeito de imagem e de benchmarking, o desenvolvimento das actividades de serviços, a finança (para aqueles que podem atraí-la), a economia criativa e o consumo como um modo de vida das camadas médias diplomadas.
Se não impede o desenvolvimento periférico e remete para o automóvel um papel privilegiado, este urbanismo liberal focaliza-se nos espaços centrais: os das cidades históricas e as áreas centrais de negócio ou as que foram abandonadas pelas indústrias e pelas actividades portuárias tradicionais. O urbanismo liberal concede uma nova importâncias aos transportes colectivos e privilegia a realização de grandes eventos, em particular os de nível internacional (Jogos Olímpicos, grandes campeonatos, reuniões do G7 – até ao momento em que correm muito mal -, grandes exposições, rótulos temporários como “capital europeia da cultura”, etc). A cultura e os seus lugares ocupam um espaço cada vez maior.
Este urbanismo prefere as grandes intervenções urbanas, faz do arranjo do espaço público um desafio, mobiliza as vedetas da arquitectura através de concurso internacionais e concede um lugar importante aos operadores privados. Este modelo não implica qualquer pensamento social, salvo uma resposta à procura de duas categorias-chave: os grandes consumidores e a agregação de indivíduos que constitui a “classe média diplomada”. A emigração, a diversidade cultural e a pobreza são fruto de políticas destinadas a recuperar ou a incluir, e a sua tradução em termos de ordenamento urbano não é mais do que um problema que é preciso resolver».

(pp. 15-16)

sábado, janeiro 21, 2012

Todo um mundo

Zona de Dalston, Nordeste de Londres
Vidal (14-01-12)

segunda-feira, janeiro 02, 2012

"Para onde vamos depende de onde estamos"

Eu não sei se já viram o vídeo abaixo...

quinta-feira, dezembro 22, 2011

domingo, dezembro 18, 2011

Por exemplo, Gonçalo Ribeiro Telles: “Talvez os governantes queiram destruir o país”

Essa ideia – que passou também pela construção de muitas auto-estradas ou dos estádios de futebol – é uma ideia nossa ou um problema europeu?

É um problema muito nosso, de não fazer um planeamento coordenado. Temos auto-estradas, mas não temos caminhos locais de relação com a vida local. Vê-se a vida passar na auto-estrada, mas não se sente. Desprezamos as aldeias porque não fazem parte desse modelo. O próprio povoamento do país não faz parte desse modelo e portanto não há que tratar sequer da sua dignidade como pessoas. É preciso que acabem.

Já passou essa euforia, principalmente porque acabou o dinheiro para construir.

Hão-de vir mais euforias. Já viu alguma política económica e social que vá ao encontro da recuperação económica e social do mundo rural? O que me aflige é termos um país de alto a baixo, principalmente no Interior, despovoado e apodrecido.


Se calhar, a não perder toda a entrevista de Gonçalo Ribeiro Telles ao Jornal I, AQUI.

domingo, dezembro 11, 2011

Cimeira onde? Sobre quê? Não, não vi no telejornal, não...

Durban deu um passo em frente para um tratado global mas continuamos num caminho para um aumento de temperatura de 4 ºC em relação à era pré-industrial e portanto acima de um aumento de 2 ºC que constituem o limite acima do qual as alterações climáticas serão catastróficas. O denominado “Pacote de Durban” tem falta de ambição, não apresenta um caminho claro de redução de emissões e concordou com um fundo climático que está vazio. As conversações nas Nações Unidas sobre o clima apenas são fortes se as políticas forem igualmente fortes. Houve uma importante e positiva aliança da União Europeia, países menos desenvolvidos e países pequenas ilhas. Os EUA conseguiram impedir muitos dos países progressistas de tomarem as acções desejadas, e nesse sentido foram apoiados pelo Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O Japão e a Rússia não desempenharam o papel que podiam ter assumido.

Via Quercus
Continuar a ler aqui.

terça-feira, novembro 22, 2011

Petição contra os chacais que por cá nos vampirizam e destroem

Ajude-nos a combater a construção de uma Mini-Hidrica no rio Mondego!

A Trans Serrano está envolvida através da Plataforma Mondego Vivo numa luta para evitar a construção de uma Mini-Hidrica no rio Mondego (Foz do Caneiro) pela Mota-Engil. O projecto preve a instalação da infraestrutura em pleno sector das descidas.

Caso se concretize, as descidas do rio Mondego, tal como as conhecemos hoje, irão terminar ou ficar severamente afectadas, assim como serão afectadas as desovas das lampreiras e de outros peixes, irá alterar todo o ecossistema e prejudicar as populações ribeirinhas... tudo em prol de um processo que apenas foi criado para reduzir o défice do Estado em 2010 vendendo uma licença por 3,5 milhões de euros à Mota-Engil... só agora é que estão a fazer os estudos técnicos e a medir o Impacte Ambiental. E tudo apenas para produzir apenas escassos 9 MW. Por 9 MW o último troço do rio Mondego navegável acaba!

Como nossos clientes e amigos, apelamos ao espirito altruista de todos no sentido de assinarem a petição on-line, para que no início do ano consigamos reunir as 4.000 assinaturas necessárias para levar este processo à Assembleia da República e aí obrigar o Estado a parar este crime ambiental e económico.

Ajude-nos a acabar com este processo! Ajude-nos a censurar o Estado pelas "negociatas" que faz com empresas que têm vastas ligações ao mundo da política e que destroem uma mais valia da região e do país.

Assine e divulgue a petição pelos seus amigos...

Pela equipa de gerência da Trans Serrano

Paulo Silva

Link da petição

Faça-se amigo no facebook da Plataforma (www.facebook.com/plataformamondegovivo) e consulte o nosso blogue plataformamondegovivo

Vai tudo lá ter

"Durante a Revolução Industrial, a partir do século XVIII e no século XIX, a contaminação disparou exponencialmente.

Hoje em dia, a concentração de arsénico é mil vezes superior ao nível normal e o chumbo 250 por cento superior."



Sobre a poluição no mar Mediterrâneo, notícia de CiênciaHoje


Este é um modelo de desenvolvimento constrangedor.
Se é um modelo constrangedor, o que é este desenvolvimento?

domingo, novembro 13, 2011

sábado, novembro 12, 2011

Uma bandeira que vale por sete

Descobre as sete bandeiras:
Exercício proposto no blog, há 1 semana.

Resolução:


sexta-feira, novembro 11, 2011

You destroyed this city


Ei-la que avança como mancha de óleo (foi assim que ouvi caracterizar a expansão urbana portuguesa, ao longo dos eixos rodoviários...) e nós estamos sequiosos do líquido negro da morte!!


A insustentabilidade é pura e cruamente assim.
A reconversão é uma necessidade.
Para um modelo que recupere a vida.
Enquanto andarmos desviados dessa direcção, tudo é paleio de pop xula...

A democracia não é incompatível com o capitalismo (...Pois... é a isto a que chamamos e os capitalistas adoram chamar democracia): É CONTRÁRIA àquele.

Que sentido faz andar a acumular, a acumular -

(bens, capital, meios de produção, difusão, de trabalho... sim!, pessoas que tornam escravas para seus usos... em nome da "produtividade" e do "crescimento económico"... os economistas nunca se descuidam nos termos e não os ouvimos proferir a palavra "desenvolvimento" que se refira à melhoria das condições humanas. De convivência e não de acesso ao puto do consumo... é só isso que lhes interessa??!)

- sempre, mais e mais depressa?


Seduzido pelo rodopio
Embriagado de vertigem
Os néons ferindo como gritos
Deixo-me possuir pelo frémito da multidão
Num desejo de girar sem parar
Até cair...
Até cair...

Tudo são sombras difusas
Incertezas, especulações sem sentido...
(Uma mulher disforme e cara esborratada,
Insiste para que lhe apalpe os seios flácidos)
Quero mais é o rodopio
A lascívia sem fim deste carrocel atroz


"Até Cair", Mão Morta,
(há tantos anos que o dizem...)

Até onde? Para quê?
Para todos? Não faz sentido ser para todos.
Viva a concorrência, porque senão, advogam os defensores, o homem deixava-se estar...
Viva a concorrência, que nos move para a frente, "move forward" (até já me põe a pensar em inglês, este cabrão...) e nos dá a solução para o enigma do absurdo da acumulação...

Uns têm, outros não.
Uns têm para outros não terem.
Uns produzem para OUTROS terem e viverem à grande.
Os que produzem - pois é, isto é filosofia básica marxista, mas quem me leu até aqui vai continuar a ler - não conseguem juntar.
Dos que gerem, a sua função, o seu trabalhinho, é juntar, acumular. Para fazer frente à concorrênciazinha, onde, espreitando ameaçadores, estão os capitalistas que te querem comer...
Coitado, logo tu, que és tão liberal... e até gostas dos pobrezinhos... e não queres fazer mal a ninguém,

"Fazes o que tens a fazer"...

Como o escorpião, que te pica.
Porque é a sua natureza, nem esperes outra coisa.

Pois é, coitados, perdoai aos escorpiões pois não sabem atacar o que os faz ser escorpiões...


etc. etc. etc (blá, blá, blá).


Este sistema está a dar de si e os seus beneficiários estão a tentar mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma. Apodrecido está o capitalismo e ainda nos exige que lhes apalpemos as tetas??

Continuemos, pois.
Que esta onda de construção destrutiva (natureza virgem, se ainda a há, ou já há muito ocupada, que vai sendo arrasada para dar lugar a um rosto lavado, "

...mas nem por isso fraco,
eis a imagem on the rocks do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco...

(FMI, tens citação para toda a ocasião...)

Estamos a transformar-nos em fantasmas, porque nos estamos a carcomer por dentro e, expansiva, imperialística e antropofagicamente, aos outros.
Vamos todos emigrar. Como o fazem todos os refugiados que nós não queremos e produzimos.
Vamos todos emigrar e não queremos. Mas temos de sobreviver!...
Vamos todos emigrar... mas, para onde? Se está tudo tomado pela podridão do consumo, da alienação frenética do consumo e da pobreza mental, corporal.

"O capitalismo precisa da erosão espiritual para prosperar", mais ou menos nestas palavras falava o Antonioni.

Será o deserto compatível com a sobrevivência do Homem?
Não é evidente que... um mundo fantasma é já sinal da desaparição do mundo?

Blame de economy, stupid I am...
É a economia estúpida, estúpido que eu sou...

quarta-feira, novembro 09, 2011

Isto tem um nome. Chama-se "Política"

Porque a política é a escolha de uns valores.

Em detrimento de outros, claro está.
Como a redundância já o fazia prever, por exclusão de partes.

Pelos valores descobrimos quem temos pela frente.
É sempre isso que julgamos. Ou devemos julgar.

"I am the love you try to hide,
but which all can understand;
I am the hate you still deny,
though the blood is on your hands"

Whatever would Robert have said?, Peter Hammill

Assim:

O Governo português tenciona utilizar as receitas do leilão de licenças de emissões para financiar produção de electricidade poluidora.


Ler mais aqui

terça-feira, novembro 08, 2011

Preços da habitação por metro quadrado

Acaba de ser publicada a Portaria n.º 291/2011. D.R. n.º 212, Série I de 2011-11-04, que Fixa, para o ano de 2012, os preços da habitação por metro quadrado, consoante as zonas do País, para efeitos de cálculo da renda condicionada.


A determinação da renda condicionada, regulada pelo Decreto-Lei n.º 329-A/2000, de 22 de Dezembro, em vigor por força do disposto no artigo 61.º da Lei n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, assenta no valor do fogo, ao qual é aplicada uma certa taxa de rendimento.
Um dos factores de determinação do valor actualizado do fogo em regime de renda condicionada é, nos termos do n.º 2 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 329-A/2000, de 22 de Dezembro, o preço da habitação por metro quadrado (Pc), o qual, de acordo com o artigo 4.º do mesmo diploma,
é fixado anualmente, para as diferentes zonas do País, mediante portaria.

Assim:
Atento o disposto no artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 86A/2011, de 12 de Julho, e ao abrigo do n.º 1 do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 329-A/2000, de 22 de Dezembro:
Manda o Governo, pela Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, o seguinte:

Artigo 1.º

Preços da habitação por metro quadrado de área útil
Os preços da habitação por metro quadrado de área útil
a vigorarem durante o ano de 2012 são os seguintes:
a) Na zona I — € 767,42;
b) Na zona II — € 670,84;
c) Na zona III — € 607,77.


Artigo 2.º

Zonas do País
As zonas a que se refere o artigo anterior são as zonas do País constantes do quadro anexo à presente portaria, que desta faz parte integrante.

A Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Maria de Assunção Oliveira Cristas Machado da Graça, em 2 de Novembro de 2011.



QUADRO ANEXO
(a que se refere o artigo 2.º)

Zonas do País Concelhos

Zona I
Sedes de distrito bem como Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Gondomar, Loures, Maia, Matosinhos, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Póvoa do Varzim, Seixal, Sintra, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Vila Nova de Gaia.

Zona II
Abrantes, Albufeira, Alenquer, Caldas da Rainha, Chaves, Covilhã, Elvas, Entroncamento, Espinho, Estremoz, Figueira da Foz, Guimarães, Ílhavo, Lagos, Loulé, Olhão, Palmela, Peniche, Peso da Régua, Portimão, Santiago do Cacém, São João da Madeira, Sesimbra, Silves, Sines, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vila Real de Santo António e Vizela.

Zona III
Restantes concelhos do continente.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Guia da sustentabilidade urbana


Equipa LFTC.
Equipa LFTC.

Edifício passa a integrar problemas do seu ambiente


Uma equipa do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho (UMinho) está a preparar um sistema de certificação da sustentabilidade urbana em Portugal, após já o ter feito ao nível do edifício. A avaliação das áreas citadinas incidirá entre o valor "excelente" e"insustentável", segundo parâmetros como a proximidade a serviços, a coerência urbanística e o respeito ambiental, segundo revelaram os professores Luís Bragança e Ricardo Mateus.

É preciso gastar um litro de gasolina para ir comprar outro de leite em Lisboa? Que potencial energético gratuito é desperdiçado com a má orientação solar de um loteamento em Gaia? Qual é o impacto socioeconómico de construir sobre linhas de água na Madeira, se numa cheia o esforço de anos pode vir a ser destruído? Estas são alguns casos elencados no guia que está a ser elaborado no Laboratório de Física e Tecnologia das Construções (LFTC) da UMinho, em Guimarães. O manual aplica à realidade e lei portuguesas o sistema internacional «Sustainable Building Tool - SBTool», desenvolvido pela International Initiative for a Sustainable Built Environment (iiSBE).
“Deixámos de analisar apenas o edifício e passámos a integrá-lo nos problemas do seu ambiente urbano. Esperamos concluir esta ferramenta complexa em dois anos”, avançou Luís Bragança. A delegação iiSBE Portugal vai depois formar os avaliadores e promover a certificação da sustentabilidade urbana.

Pioneiros em construção sustentável à escala do edifício
O grupo do LFTC foi pioneiro no país a estudar a construção sustentável à escala do edifício, em 1998, e lançou o livro «Tecnologias Construtivas para a Sustentabilidade da Construção» em 2004, considerado uma referência para os projectistas. Em 2009 criou o certificado de sustentabilidade do edifício, desenvolvendo a versão portuguesa do SBTool. A terceira fase da investigação (certificação da sustentabilidade urbana) está em curso. Esta equipa organizou ainda em Portugal a primeira conferência mundial no domínio da construção sustentável, «Sustainable Building», em 2007, e acaba de editar a obra«Avaliação do Ciclo de Vida dos Edifícios».
Diversas autarquias têm já acordos com a iiSBE ao premiar e dar benefícios relativamente a edifícios de nível superior de desempenho (“A” ou ‘A+’). O ranking incluirá critérios existentes e outros em desenvolvimento, comparando dezenas de situações de referência e ponderando que categorias podem compensar ou anular outras, para definir o comportamento global. “É importante ver o local que usamos diariamente (casa, escritório, escola) face a serviços como correio, farmácia, café, banco, comboio, shopping. Isso evita deslocações, poluição e traz qualidade de vida”, realça o investigador.

Luís Bragança nota que a receptividade para regenerar cidades “é sempre boa”, mas ao chegar à prática esbarra na conjuntura económica. “Estamos a sensibilizar cidadãos, municípios, associações, empresas e, em particular, os governos, só com estes se avança para a regulamentação clara e para intervenções gerais”, sublinhou. Nas intervenções localizadas, o perito elogiou Guimarães, Património Mundial desde 2001 e Capital Europeia da Cultura 2012.

Preocupações actuais

As urbes dos países desenvolvidos atingiram o limite do edificado, acumulando fogos devolutos e fogos novos sem comprador. A preocupação actual é não deixar degradar o ecossistema construído e reabilitar de modo agradável, duradouro, sem grandes impactes. “Isto devia ter sido feito a montante, mas as sociedades ocidentais desenvolveram-se pela iniciativa privada e individual. As manchas urbanas expandiram-se para terrenos mais baratos, como manchas de óleo, razão pela qual se ocupou solo agrícola e ecológico e porque a maioria do povo vive nos subúrbios, exigindo movimentos pendulares diários de/para o centro, com consequências nefastas”, reflectiu ainda.

Certificação irá definir comportamento global.
Certificação irá definir comportamento global.
Os projectos do LFTC têm associado entidades como o Instituto Fraunhofer (Alemanha), Centro Técnico de Investigação da Finlândia, Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (França) e universidades como Flórida (EUA), British Columbia (Canadá), UNAM (México) ou Santa Catarina (Brasil).

A nível europeu, basta citar um estudo recente coordenado por Luís Bragança que envolveu 28 países. “Concluímos que a intervenção no ambiente natural e construído deve ser integradora a nível tecnológico, da vivência sociocultural, da memória futura. Não construímos para amanhã, mas para 50 a 100 anos”, realça. A UMinho tem 18 mil alunos, um milhar dos quais em cursos de Engenharia Civil.