segunda-feira, dezembro 07, 2009

"A Invenção da Paisagem", de Anne Cauquelin


Título: A Invenção da Paisagem
Autora: Anne Cauquelin
Edição: Lisboa, Maio de 2008 (2ª ed.)
Colecção: Arte & Comunicação, n.93
Editora: Edições 70
ISBN: 978-972-44-1404-1
Paginação: 147 páginas

"Aquilo que é dado a ver, a paisagem pintada, é a concretização do elo entre os diferentes elementos e valores de uma cultura, ligação essa que oferece uma disposição, uma ordenação e, por fim, uma "ordem" para a percepção do mundo." (p.12)

Na ilusão da transparência é a suposta identificação do representado com o objecto da representação que é capaz de nos satisfazer. Como quando vemos uma fotografia de um espaço natural amplo:

"A referida natureza compunha-se à nossa frente numa série de quadros, imagens artificiais, colocadas diante da confusão das coisas, organizava a matéria diversa e mutável de acordo com uma lei implícita, e quando pensávamos deleitar-nos na verdade do mundo tal como ele se nos apresentava, apenas reproduzíamos esquemas mentais, plenos de uma evidência longínqua, e de milhares de projecções anteriores (...) A natureza dava-se apenas através de um projecto de quadro, e nós desenhávamos o visível com o auxílio de formas e de cores retiradas do nosso arsenal cultural."
(p.20)

Há uma assunção que importa analisar, que não é de todo inata, e que nos força a vermos as coisas como as vemos e, em última instância, a identificarmos a paisagem com a própria natureza. É sobre essa desconstrução que Anne Cauquelin disserta neste pequeno mas interessante livro, originalmente publicado há 20 anos.




Ficou famosa esta obra de Magritte. Isto não é um cachimbo: isto é uma representação de um cachimbo. Relativamente à paisagem, a invenção da perspectiva, no século XV, mudou desde então a nossa visão do mundo:

"De facto, parece um pouco surpreendente que uma simples técnica - é certo que foi durante muito tempo aperfeiçoada - possa transformar a visão global que temos das coisas." (p.29)
"De Grécia a Roma, de Roma a Bizâncio, de Bizâncio à Renascença, foram produzidas certas formas que regem a percepção, orientam as avaliações, instauram práticas. Estes perfis perspectivistas passam de um para o outro, desenhando "mundos" que, para aqueles que os habitam, têm a evidência de um dado." (p.32)

Sendo uma construção, a paisagem é uma expressão da Retórica. E é sobre essa relação indesligável do mundo com a sua representação conceptual, e as linguagens que no-la permitem, que Cauquelin nos faz recorrentemente voltar.
Seguem-se algumas sugestivas passagens, soltas, com um fio condutor que não se vê, mas que está lá:

"Mesmo que saibamos que o sol não se põe, dizemos pôr-se, e não nos poderíamos afastar daquilo que a linguagem afirma com a exactidão do sentimento." (p.32)

"Pela janela pintada sobre a tela ilusionista vemos aquilo que se deve ver - a natureza das coisas mostradas na sua ligação. Então, aquilo que vemos não são as coisas, isoladas, mas a ligação entre elas, ou seja, uma paisagem." (p.64)

"A forma de dispor as coisas, o elo que as une, depende então de uma retórica. O que existe de «natural» na Natureza, a sua sensualidade imediata, só é entendido enquanto enigma pelo artifício de uma construção mental." (p.65)

"A perspectiva preenche, com efeito, a condição que exige a Retórica. (...) A perspectiva configura a realidade e faz dela uma imagem que tomaremos como real. (...) acreditamos firmemente percepcionar de acordo com a natureza aquilo que configuramos por um «hábito perceptual», implicitamente. A própria dificuldade em tomar consciência desta «evidência» implícita que é a percepção em perspectiva mostra bem a profundidade da nossa cegueira - não podemos ver o órgão que nos serve para ver, nem o filtro nem a cortina através da qual e com a qual nós vemos. E, do mesmo modo que não podemos colocar-nos fora da linguagem para falar dela, não conseguiríamos pôr-nos fora da perspectiva para percepcionar... mácula obstinada do olho, da linguagem, macula." (p.84)

"Todos, quem quer que sejamos, usamos utensílios que mal conhecemos. Nós «fazemos» paisagem. Somos retóricos sem o saber." (p.95).

"(...) entre estas figuras da artificialidade, existem aquelas que são mais fundamentais do que outras e detêm o segredo.
Trata-se de duas operações, indispensáveis ao acesso a uma paisagem:
- o enquadramento, em primeiro lugar, pelo qual nós subtraímos ao olhar uma parte da visão. (...) (Pensem no que fazem quando tiram uma fotografia; ao excluir cuidadosamente esse poste do primeiro plano, ao procurar o ponto de vista...).
- um jogo de transporte (...) (p.99)


"O jardim edénico atravessou séculos pela mão dos poetas." (p.114)

"Um local é sempre um local «dito»." (p.39)

"Esta figura da reminiscência, na medida em que articula as nossas percepções na recordação de hábitos que nós não conhecemos, nem temos consciência, gera a nossa relação com os modelos culturais; aqui está exactamente um transporte, e já uma estilística." (p.116)


Boas leituras geográficas.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

domingo, dezembro 06, 2009

A Ameaça dos Livros

Setembro de 1966

Porquê ler este livro e não outro?
Porquê ler Namora e não Pratolini? Porquê ler Cesariny e não Breton? Porquê ler Margarido e não Robbe-Grillet?

A solução parece fácil. É lê-los a todos. E, depois, recusá-los ou aceitá-los. Só que - há muitos livros e pouco tempo para os ler.
E se ler é essencial, se ler os livros-chave é indispensável - a escolha pode ser, muitas vezes é, dramática.

O livro é elemento-base da cultura. A cultura estrutura e dinamiza o indivíduo. Logo, a escolha de um livro, de um autor, pode estabelecer a trajectória desse indivíduo, marcar-lhe o carácter, pautar-lhe o comportamento. Somos, também, os livros que lemos.

O livro que se lê é aquilo que é e, também, a recusa de outro livro. Lemos este e não aquele livro. Não aquele. A leitura de Faulkner pode eliminar a possibilidade da leitura de Steinbeck. Possivelmente, lê-se Durrell e não se lê Cholokov. Por se ler Thomas Mann não se lê Régio. E quem leu, ou viu, Beckett, não leu, nem viu, Santareno. Ou vice-versa. Porque não pôde. Porque não quis.

Ler este livro é recusar aquele livro. Aceita-se este livro e recusa-se aquele livro. Provisoriamente. Às vezes, definitivamente. Aceita-se este livro, considera-se este livro. Porque, se ler um livro não representa adesão à sua estética, à sua ética, à sua filosofia - é, ao menos, promoção desse livro, desse título, desse autor, inserção desse livro no nosso tempo, na área da nossa atenção, no âmbito da nossa crítica.

Ler, com certeza, sempre - mas ler com uma exigência cada vez maior. Ter respeito pelo livro, só porque é livro, é pura ingenuidade. Há muito mais livros maus que livros bons. É necessário ao livro, ele próprio, ter um prestígio fabuloso para suportar a mediocridade da maioria dos escritores. A generosidade e a complacência do leitor que lê tudo quanto lhe cai, composto e brochado, debaixo dos olhos, são verdadeiramente suicidas. A cultura de um indivíduo mede-se, também, pela lista dos livros que se recusou a ler.

A dificuldade da escolha não se resolve, é claro, na leitura da badana. Nem na leitura da coluna de crítica. A badana é publicitária - logo, profissionalmente entusiasta. A coluna de crítica é impressionista - logo, profissionalmente inepta.

Acrescenta-se que a edição está organizada para nos provar, a nós, ao mercado, a alta qualidade de todo e qualquer livro. É um complot. Um complot destinado a vender-nos os livros - todos. Os que queremos e os que não queremos. Daí a necessidade da resistência. Resistência feita de critério, de lucidez.

É urgente especializar a leitura. Se não temos, sequer, tempo para ler os livros-base - não faz sentido a curiosidade e a tolerância. Temos tudo a perder. Escrever um livro, ocupar trezentas páginas de corpo sete, é, talvez, um trabalho esgotante. Mas esse esforço pode não merecer o nosso interesse. Ponson du Terrail, por exemplo, deve ter passado anos a produzir o seu Rocambole. O escritor é raro. Isso, porém, não chega. Se há muito mais leitores que escritores, também há muito mais escritores maus do que escritores bons. A condição do escritor não é, por si só, imunidade. Não é o acto de escrever mas o acto de produzir qualidade que privilegia.

Um bom leitor é, sempre, melhor que um mau escritor. E a verdade é que, enquanto aumenta o número de bons leitores - está a aumentar o número de maus escritores.

Ler é uma actividade criativa. Há livros que, lidos, são melhores do que são - escritos. De qualquer maneira, são sempre diferentes, são outros. Fechado, o livro não é - completamente. É, potencialmente. É, em suspenso. A leitura dinamiza-o. O leitor põe o livro a funcionar. A responsabilidade do leitor é enorme. Pode acontecer que "Guerra e Paz" seja, lida por este leitor, um mau livro. Há bons livros que, lidos nos momentos errados, são péssimos. Se ler um livro é, também, escrevê-lo, o livro que se lê, como se lê, pertence-nos, e os livros que se lêem, como se lêem, são - a nossa obra. Assim, também, assume-se a responsabilidade pelo livro que se lê.

Como o escritor, o leitor projecta-se, define-se nas leituras que faz. É-se a leitura que se faz, da maneira como se faz. Ler um mau livro é, em parte, sê-lo. Ler ou não ler este ou aquele livro é extremamente importante. O escritor é responsável pelo livro - e o leitor também. Daí a gravidade da aceitação e da recusa. É dizer não. É dizer não, quase sempre. E, às vezes, sim. Submeter o livro é exigência da qualidade, da necessidade, da modernidade. Só podemos ler os livros de que temos necessidade absoluta. É ler, primeiro, já, Kafka, Joyce, Faulkner, Henry Miller, Durrell, Genet. Quanto tempo demora ler Faulkner? Um tempo confortavelmente longo.

Os livros bons são a nossa muralha contra os livros maus. Esses estão a cercar-nos. Estão a ameaçar-nos. Estão a destruir a própria cultura.


Artur Portela (filho)
in "A Funda - 1º Volume"
Moraes Editores, 1ª edição, 1972, Lisboa, pp.205-207

XVII Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental

A ASPEA - Associação Portuguesa de Educação Ambiental, está a organizar as XVII Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental que decorrerão de 28 a 31 de Janeiro de 2010 em Ponta Delgada, Açores.

Tendo por tema geral "Alterações Climáticas - Aprender para Agir", as Jornadas incluirão a apresentação de comunicações técnicas, a realização de oficinas e grupos de trabalho, de visitas de estudo, e de jogos cooperativos e ambientais.
São destinatários deste evento Educadores/Professores de todas as áreas e níveis de ensino, Técnicos de Educação Ambiental, NGO, Autarquias, Estudantes, representantes de Empresas.

Os principais objectivos das Jornadas são os seguintes:
- Alargar o conhecimento sobre questões sócio-ambientais actuais.
- Promover a divulgação de estudos e investigações sobre os novos desenvolvimentos da Educação Ambiental.
- Realçar o papel das instituições, empresas, NGO e a sociedade civil nas preocupações ambientais actuais.
- Participar na formação de educadores em Educação Ambiental.
- Promover experiências de aprendizagem activa em temas transversais.
- Reflectir sobre as implicações das Alterações Climáticas na Biodiversidade

Os interessados neste importante encontro nacional de Educação Ambiental poderão aceder ao seu programa, a informação adicional e à respectiva ficha de inscrição através do site da ASPEA http://www.aspea.org .

Cordialmente
Rui Borralho


Rui Borralho
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Portugal
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sexta-feira, dezembro 04, 2009

Crónica rente à estrada

Dizem que a chuva quando cai é para todos.
Só que.
Dizem que o sol quando nasce é para todos.
Só que.

(Artur Portela (filho), falta-me o teu engenho, mas a forma destas quatro frases é uma homenagem que aqui te presto).

Onde é que existe realmente Democracia?
Ou seja, um sistema onde todos sejam tratados por igual?

Vem isto a propósito das desigualdades que, mesmo na estrada, se verificam.
É que há regras para se andar na estrada e conviver com os seus utilizadores.
Para o fim último do código da estrada que é, no fundo, a fluidez de trânsito.

Mas também nas estradas, mesmo com regras a serem cumpridas, existem desigualdades de base. Porque uns, pela desigualdade económica, podem poluir mais e ter os seus pópós a arranhar o asfalto com a sua borracha vulcanizada. De modo que uns chegam primeiro que outros ao destino.

Sim, e depois?

Nada.
Era só uma contestação.
E uma constatação.


Mas afinal, quantos lugares onde jogávamos à bola quando éramos pequenos se perderam nesta terra?

"A estrada é nossa!"

- teríamos dito nós, armados já de liberdade precoce e ingénua.
E diríamos também, apequenando-nos imediatamente a seguir:

"Rua daqui!"

A vulgarização do automóvel (a vulgarização é como o lixo: acompanha-a a desvalorização) por publicidades, impingimentos societais e pretensos modos de vida modernos (claro que são modernos, mas, a questão é, até quando ainda fará sentido falar em moderno? Não temos já anos suficientes de modernidade para que o termo tenha perdido o sentido?) veio roubar-nos os pés descalços que pisavam a areia ou um asfalto manhoso que dava para a encomenda de então.

Se queres lá pôr o pézinho, fá-lo rápido, e de preferência, na perpendicular (a recta que te exigem). Por uma passadeira, se possível. Que fora dela o infractor és sempre tu.
Pois já se avizinham os velozes carros que sempre chegam primeiro ao destino. Com esses, o susto do perigo nos estuga o passo. Dos outros, que como as velhas Famel parecem fazer um ruído desproporcional ao andamento, até podemos troçar, como quem vai de muletas, para impaciência do automobilista, parado à nossa frente, de motor ligado e em suspenso.

(Acabo de ver na TVI que os carros eléctricos estarão, em Portugal, e se bem o entendi, isentos de imposto automóvel. E que a frota do Estado terá, até 2012, 20% de veículos assim movidos. E que o Estado vai financiar os primeiros 5 mil veículos, ou todos os veículos vendidos até ao fim de 2012. Isto, mais a poupança no combustível, mais o dinheiro ganho no abate do veículo antigo.... humm... não é estímulo suficiente? A generalização de painéis solares também teve que ter um início...).

Quando dormíamos,
no horário da merenda,
ou quando estávamos na escola,
ou quando íamos passear,
ou tomar banho no rio,
...
os carros podiam passar à vontade.
Fossem eles carros de bois ou carros motorizados.


Agora as estradas são só dos "corpos" com capacidade de atropelar e provocar acidentes que às vezes são mortais.
Como numa questão de décadas se alterou o uso da estrada.
Como numa questão de décadas mudaram os seus frequentadores.

(Quando o uso é mais "local" as estradas ainda não têm o estatuto "internacional": correm o risco de se manterem na "classe inferior" que é dada pela designação "Rua".*
Tal como o cartaz da foto de Outubro no-lo indica.
Pior que isso só ruela, cangosta, carreiro.
Às A-E's, IPs, Circulares, internas e externas, ninguém lhes chega.

Outra forma de despromoção, ou de desfavorecimento, é o piso: alcatrão, macadame, areia, terra batida, empedrado ou "paralelipípedado", quando não, como em muitas das grandes cicatrizes da Amazónia, estradas de lama... a água mal distribuída e fora da vegetação que vamos rarefazendo...)









Sabugal - Eduardo F. 25.04.2008

Como dantes usávamos ruas como hoje alguns rios que atravessam cidades: como escoadouros das nossas águas mal-sãs, vulgo esgotos.
Como hoje eles vão tapados e os pézinhos "embotados" podem voltar limpos para casa.
(É tão grande a solidão de um asfalto, que tão mal conhece a pele de uma gata borralheira...)

...
Como numa questão décadas desta tão temporã industrializo-europeização esses utentes, em número crescente, fizeram multiplicar a cobertura negra e suja (e pensar que há sabonetes de petróleo... Uma poça de água da chuva estagnada numa estrada mal nivelada tem água envenenada. Que depois vai pelo escoadouro. Sem separação necessária, sem discernimento, misturar-se com todas as outras águas, sãs ou menos sãs.) neste país.
Nesta Terra.

Nesta terra impermeabilizada e à sede.
Nesta terra a afogar-se lentamente e em água imprópria.
(água a mais mata na mesma...)

(E de quem é esta terra? De quem é a cidade? Há dias pensei que a cidade voltará, paradoxalmente, a ser nossa quando deixarmos de viver nela. Não tenho explicação para este pensamento. Nem ma peçam. O que me parece é que a cidade tem sido muito pouco de quem nela habita.)

Assim sendo, com mais este trilho aberto, continuamos a fazer-nos a pergunta:

De quem são estradas?
São públicas?
São privadas?
Não sabemos?


(Para "des-sabermos menos" participem no inquérito ali ao lado esquerdo.
Comentários, aqui ou ali, são ainda mais bem-vindos.)


*Sobre estas questões de rua um dia voltaremos cá para vos trazer um livrito.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Comunidades para sustentar... a sustentabilidade

É um bocado longo, este vídeo. Mas nele se põe a tónica na criação de comunidades locais que se libertem do jugo da insustentabilidade e dessa força que (a fase de transição de que fala Rob Hopkins) é o paradigma de um modelo que teremos de ultrapassar.

Ideias em movimento.
Se alguma autoridade incompetente vier ameaçar-nos de que não, que o que queremos é proibido, que vai contra a lei (que vai contra a lei, sabemo-lo bem, que é precisamente isso que queremos mudar) e tal, aí perceberemos de vez quão livres somos e nos perguntaremos, afinal, o que é que andamos aqui a fazer.
Qual é o fim do Homem;
que caminho queremos percorrer;
quais os valores por que vale a pena lutar;
etc. etc.

Na base de todas estas questões, impreterivelmente, as pessoas, que - só elas - são o garante da sustentabilidade.



Curso Integrado de QGIS/GRASS - Software SIG Open Source

A Faunalia.pt está a organizar uma nova edição do curso integrado de QGIS/GRASS - software SIG Open Source, desta vez com o apoio da Associação Leonel Trindade - Sociedade de História Natural.

A acção de formação terá lugar nos dias 19, 20, 26 e 27 de Fevereiro (28 horas) nas instalações da ALT - Sociedade de História Natural, em Torres Vedras.

O curso permite aprender o funcionamento de base de dois software, de forma a unir as potencialidades avançadas de GRASS à estabilidade e simplicidade do uso do Quantum GIS.
Pretende-se que no final do curso o formando tenha aprendido a mover-se com agilidade dentro do ambiente de trabalho do QGIS e a efectuar análises de modo simples e intuitivo.

Esta formação destina-se a quem pretende ganhar competências de utilização de SIG, tendo como pré-requisito ter noções básicas relativas aos Sistemas Informativos Territoriais.

Clica para aumentar
Outras informações podem ser encontradas na brochura da actividade. Consulte também o programa detalhado do curso.

As inscrições deverão ser feitas através da seguinte ficha de inscrição

Para mais informações contacte:

FAUNALIA, LDA
Telfs. 266 429 139 / 93 932 01 04 / 96 705 82 16

Consulte o calendário de formações em http://www.faunalia.pt/formacao

sexta-feira, novembro 27, 2009

Do melhor de nós, lá para fora... que por cá ainda deve ser cedo...

O conceito de urbanismo sustentável vai tomando conta das consciências em nome do ambiente e, pouco a pouco, estratégias transversais vão sendo aplicadas no planeamento de construções mundiais. O futuro «Forwarding Dallas» será um exemplo disso nos Estados Unidos da América e a ideia é importada da Europa, mais precisamente de Portugal.


“E se um quarteirão no Texas se tornasse num modelo sustentável para o mundo, de forma a mudar a paisagem da região?” Ao responder a esta pergunta, duas empresas portuguesas – Atelier Data e MOOV, ambas de arquitectura – re-inventaram a noção de vivência urbana, e com ela, venceram a sexta edição do concurso Re:Vision Dallas.

A estrutura tem pisos diferenciados - entre quatro a 22
Filipe Vogt Rodrigues, um dos autores e arquitecto do Atelier Data, explicou ao «Ciência Hoje» que o objectivo era “substituir o parque de estacionamento [ainda] existente e idealizar um bloco que conjugasse habitação, comércio, espaço de lazer, escritórios e pequena zona agrícola comunitária”, em Dallas (EUA). No entanto, o conceito não se esgota nesse conjunto, já que o projecto teria de “mudar o ambiente urbano” e transformá-lo num lugar “de práticas sustentáveis”.

O repto foi lançado pelo grupo multifacetado Urban Re:Vision e pelo Central Dallas Community Development Corporation (CDC) e a escolha foi unânime: o «Forwarding Dallas». John Greenan, directo executivo do Central Dallas CDC, definiu-o como “o melhor trabalho que incorporasse conceitos de sustentabilidade no design da fundação”.

Mais, em CiênciaViva

O futuro está a passar por ali...

segunda-feira, novembro 23, 2009

As estradas são públicas?

Relembramos o inquérito em aberto e apelamos à vossa opinião sobre o assunto.
Deixem os vossos comentários aqui.
Participem!
Só com a vossa participação faz sentido.

A importância da bricolage

O mote foi dado através do livro “Duas Linhas” da autoria dos arquitectos Pedro Campos Costa e Nuno Louro, que percorreram o país no sentido Norte-Sul, seguindo duas linhas paralelas, uma pela costa (partindo de Vila Nova de Cerveira) outra pelo interior (Montesinho), com a mesma latitude e parando para fotografar de dez em dez quilómetros. Começou assim ontem o programa da RTP2, “Câmara Clara”, cujo tema central, Território e Paisagem, motivou o convite ao geógrafo Álvaro Domingues e ao arquitecto paisagístico João Nunes, os quais também escreveram, a convite dos autores, textos para o livro acima referido, livro sobre o qual eu já lera qualquer coisa no suplemento Ípsilon, do jornal Público.

Pese a tentativa da apresentadora, aliás habitual, para inserir (e imiscuir-se interrompendo constantemente) a despropósito, a sua (suposta) imensa sapiência, e conduzir a cavaqueira para determinados campos (aproveitando todos os lugares - sem ela o saber? - comuns), a conversa foi das mais estimulantes em termos de pensamento do território que presenciei em termos televisivos. Falou-se um pouco de tudo: interior e litoral; “redes” de estradas e outras ligações; agricultura; produtos regionais; “patrimonalização da paisagem”; comunicações móveis e hipertexto; regiões demarcadas; parque-tematização e encenação de espaços; de turismo e da necessidade de um actualizado “observatório do território”, entre outros.

Momento raro assistir-se a verdadeiras deambulações reflexivas sobre paisagem, não enclausurando o pensamento do geógrafo em temas (supostamente) da sua área. E Álvaro Domingues a referir que mais importante que perspectivar uma casa ou uma urbanização, por exemplo, sob (apenas) o ponto de vista estético ou mesmo funcional, importa saber-se o porquê de estas terem sido concebidas de determinada maneira. Importa saber o porquê. Daí, o investigador vislumbrar (não sabemos se levado pela emoção), “muito trabalho para o geógrafo” para se poder conhecer o território nas suas várias facetas, “antes de este ser canabilizado”. Igualmente importante foi Domingues desmontar a irrelevância (e falácia) de determinadas palavras ou expressões, como “desenvolvimento sustentável”, à qual nós acrescentaríamos “património”, já por aqui referidas, muito habilidosas para acudir a tudo e ao seu contrário.

Mais que traçar uma linha e fazer ciência, importa notar que o percurso é composto de rendilhados e de altercações, tendo-se que, não raro, recorrer à bricolage, intentando desvendar, objectivamente, como é que as coisas se apresentam, de que resultam e qual foi o seu curso. Nem sempre a imagem conjecturada que temos, e que nos é (e foi sendo) ministrada devidamente embalada, corresponde à realidade. Isto serve tanto para os centros históricos, como para (pretensas) tradições regionais, passando pelas casas dos emigrantes, ou alguns pastiches que por aí sobressaem. Daí decorrem as penas e, já agora, as construções fantasmáticas.

domingo, novembro 22, 2009

Olha, apetece-me um inquérito!

The Church - Megalopolis (7", 1990)


Esta questão surgiu-me à noitinha, pré-sono, e era bom se cada leitor que nos visita regularmente e está silencioso deste lado pudesse dar a sua achega.

Pensemos nos anos de vida que já levamos (bastam 20, para o caso) e lembremo-nos como as ruas dos lugares onde crescemos (sobretudo aldeias) foram sendo alteradas.
Sem cairmos em nostalgismos vazios, que imagem fazemos das mudanças ocorridas?
Será a paisagem de hoje mais "preenchida" que a que tínhamos então?

Reflictamos sobre todos as componentes de uma rua ou de uma estrada, nos fins que têm e nos fins para que foram feitas...

Esqueçamos as estradas com portagem, para a pergunta que fazemos - e que vamos pôr à discussão no inquérito ali na barra da esquerda - que é esta:

As estradas são:

a) Privadas
b) Públicas
c) Nem privadas, nem públicas
d) Não sei mesmo


Tragam as vossas perspectivas e abordagens.
Filosóficas, económicas, geográficas, jurídicas, até.

Comentários aqui.
Participem e sustentem o sustentável.

sábado, novembro 21, 2009

Criar Bosques - Reposição de espécies autóctones em Lisboa

Inscrições abertas.

No próximo dia 23 de Novembro junte-se a nós nesta iniciativa do projecto Criar Bosques, da Quercus, de reflorestação de espécies autóctones. Apanhe o comboio gratuito até Vila Franca de Xira e venha plantar árvores, neste Dia Ibérico da Floresta Autóctone. Informações e inscrições em http://vfxira.pt.

Participe!


Via Quercus

terça-feira, novembro 17, 2009

Brincadeiras de miúdo?

Qual máquina com sensor...!

A propósito disto e disto um dia decidimos, dada a maravilhosa vista e a oportunidade, pôr-nos a contar as viaturas deste eixo viário.

Foi no dia 13 de Outubro de 2009.
(Em frente à então novíssima entrada do Centro Comercial que quase se confunde com o nome de uma empresa de um corrupto muito ridente.
Direcção: Piscinas da Rodovia /Lamaçães - Amares / Vila Verde)

Das 18h10 às 18h20 contámos 600 viaturas movidas a combustíveis fósseis (que suicídio ou desafio da autoridade alguém atrever-se a ali passar de bicla...)
Das 18h30 às 18h40 contámos 558 viaturas...
Das 18h40 às 18h50 contámos 612 viaturas...

A hora, sabemo-lo, não é indiferente às contagens.

Mas... tentemos fazer as contas.

Esta será, de certeza, a via com maior circulação da cidade de Braga.
Depois há lindas torres que já são feitas cinzentas, para só muito mais tarde (mas alguma vez irão demoli-las? É preciso ganhar o estatuto do Coutinho? Pois, é que esse ainda está de pé...) se notarem os efeitos do tempo e da poluição automóvel.
O ruído não se vê.
Mas cada habitante daquela recta bem o deve sentir.
(e com isto estamos, automaticamente, a dizer que não vivemos ali).

Façamos as contas, multipliquemos os números da insustentabilidade.
Depois, o tempo que podemos demorar a mover-nos DENTRO da cidade.
De automóvel ou de autocarro...
Insustentável um e desvantajoso o outro.
Mas lá vamos continuando e rindo.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Antoine Bailly na FLUP

Dia 19 de Novembro, Antoine Bailly está no Porto e pelas 17h30, profere uma conferência (com entrada livre), no Anfiteatro 1 da FLUP, sobre o Passado e o Futuro da "Nova Geografia".

Estão todos convidados!


Alguns apontamentos curriculares:
Professor Emérito da Universidade de Genebra (Suíça).

Docente em universidades da Suíça, França e Canadá de Geografia Económica, Geografia Urbana e em Ciência Regional.

Doutor pela Universidade de Paris-Sorbonne e Honoris Causa pelas universidades de Quebec e Lisboa.

Editor e autor de 30 livros e 50 obras colectivas e mais de 300 artigos.

Membro da comissão científica das revistas L'Espace Géographique, Progress in Geography, La Revue d'Economie Régionale et Urbaine, TREMA, La Revue Canadienne de Science Régionale, The Annals of Regional Science, The Papers of Regional Science, Espace et Société, La Révue de Géographie Alpine, Geographica Helvetica, Finisterra e Mappamonde.

domingo, novembro 15, 2009

Também virtualmente

Já tínhamos chamado à atenção para este assunto há cerca de dois meses atrás.
Estamos perante um caso de apropriação de espaço a que não podemos pôr cobro.
A que polícia ou tribunal vamos pedir para interceder?

Nas cidades, basta dar um tempo, se estivermos atentos, vemos como um mesmo espaço vai tendo diferentes usos. Isso acontece no âmbito, digamos, interno (em que a actividade é dentro do mesmo sector. E aqui o comércio será talvez o caso mais frequente) ou externo, em que uma actividade dá lugar a outra com a qual pouco ou nada tem a ver (o mais habitual, para estes casos, é vermos áreas de REN ou RAN a cederem sempre ao mesmo: cimento e betão).

No caso que aqui trazemos podemos invocar as teorias da conspiração, que têm por base o princípio básico de há um objectivo que é, como sempre foi e continuará a ser o dos poderes obscurantistas e anti-liberdade, o controlo do pensamento. O pensamento é feito daquilo que se sabe (sim, a frase é mesmo esta... vá, leia-a lá novamente: O pensamento é feito daquilo que se sabe). Daí livros como "1984", de George Orwell, ou "Farenheit 451", de Ray Bradbury, onde fica bem patente que "o conhecimento é subversivo".

Também a informação que vai contra os poderes dominantes e que querem esmagar todos os aspectos da nossa vida - os poderes totalitaristas como a música nos centros comerciais, que, onde quer que estejamos (até na casa-de-banho, onde gostamos de estar sossegados) infiltram o seu veneno - tende a ser substituído. Como uma peça avariada, um pensamento indesejado...

Também virtualmente os espaços são substituídos.
Os endereços, cujos registos supostamente deviam estar protegidos (por que autoridade? Se essa autoridade falha, que autoridade é essa?), são "roubados" e aquilo que pensávamos lá ir encontrar... já lá não está. O pior é que, em vez de nada lá estar, está outra coisa que em nada nos ajuda.

A vítima virtual é a PSL - Plataforma Sabor Livre.
As vítimas reais são aqueles que como nós, queremos divulgar e fazer respeitar os valores da sustentabilidade e da biodiversidade.


sábado, novembro 14, 2009

Sabor Livre - Novo passo

Decisão do Supremo Tribunal Administrativo contraria a EDP

As associações que integram a Plataforma Sabor Livre (PSL) recebem com optimismo a recente decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que vai contra as pretensões da EDP. Esta tentou evitar a análise da providência cautelar apresentada pela PSL em relação à validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da construção da barragem do Baixo Sabor. O Tribunal veio agora recusar o recurso da EDP.

O referido tribunal analisou a Providência cautelar e o recurso da EDP, tendo concluído que à EDP não assiste razão. Como principal consequência, o Tribunal terá mesmo de se pronunciar sobre a validade da DIA. Recordamos que desde a instauração deste processo, antes do início das obras, os juristas da PSL apontaram a caducidade da DIA, o que obrigaria a novo estudo de impacte ambiental.

Por outro lado, apesar da decisão favorável à PSL, lamenta-se que a análise de um recurso a uma providência cautelar seja tão morosa, tendo tardado vários meses a Decisão, a qual aguardamos com expectativa. Entretanto, as obras no terreno continuam, consumando o facto antes do tribunal se pronunciar.

A PSL considera que, apesar de a EDP ter dado início às obras de construção da barragem, é ainda possível, através dos processos judiciais em curso e das diligências efectuadas junto das instâncias comunitárias, evitar a destruição dos habitats protegidos do Sítio de Importância Comunitária e Zona de Protecção Especial do Sabor.

Lisboa, 06 de Novembro de 2009


Plataforma Sabor Livre:
Associação Olho Vivo;
FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens);
GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente);
LPN (Liga para a Protecção da Natureza);
Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza)
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).

sexta-feira, novembro 13, 2009

quinta-feira, novembro 12, 2009

Os tempos mudaram, dizem, mas a estrutura é a mesma

Dizem que os tempos mudaram.
Mas vamos ser lúcidos: a falência de um dos regimes ou sistemas económicos que dominaram o Século XX não é bem o mesmo que a falência das ideias que esse regime queria pôr em prática.

Aliás, se formos a ver bem, aquilo que criticamos, que é o capitalismo, entendido como a propriedade por (algumas) cabeças, continuou - não sei se haverá fuga, mas não somos fatalistas como os que o professam (Srs. Fukuyama e "Amayukuf", um pelo lado de que o Capitalismo é último estágio, o outro de que a sociedade sem classes atingiu a perfeição) - a prevalecer.

Vejamos bem: quem detém os meios usa-os em seu benefício. Ou, em casos mais altruístas, em benefício de terceiros, mas garantindo sempre a sustentabilidade dos mesmos e o princípio de que se mantenham nas mãos que isso assegurem.

Em tempos de boleias partilhadas (por crises energéticas, vulgo (quanto tempo demoraremos a mudar a associação?) crises do petróleo e de outros combustíveis fósseis ou finitos à escala humana, quem é aquele que irá sempre dar boleia ao colega sem não pedir o mesmo serviço ao fim de algum tempo?
Essa, a cobrança.

Os transportes públicos não são gratuitos. Mesmo que paguemos uma taxa, para uns quase insuportável, para outros insustentável ou irrisória (porque o real preço a pagar não é medido nos reais impactos que o seu uso tem), eles são usados como serviço que tenta manter-se. E além de se manter, de pagar aos que o fazem funcionar.
O princípio económico, sempre na base de tudo, a limitar-nos.

Queres, pagas!

E a maior fonte criadora de desigualdade reside nisto: é que a utilização dos meios por parte de quem não os detém, ao mesmo tempo que lhes faz ficar mais pobres - porque têm de continuar a pagar esse uso -, cerceia a possibilidade de os ter.
Nas leis da raridade e do trabalho necessário para se conseguir um meio produtivo (mesmo que só produza dinheiro, como no caso que já vamos referir), há muita gente a fazer subir os seus preços.

Só quem investe, dizem, poderá dispor de capital para adquirir, por exemplo, uma fábrica que produz um dado bem.

Um exemplo gritante de acumulação de capital (que se baseia na diferença entre os gastos e dos ganhos, e neste caso é maior) é a propriedade do espaço.
Nas nossas cidades, onde ele é escasso, os proprietários de um prédio pagam à Administração o espaço ocupado. As rendas e IMI's.

Há uma empresa, com um nome familiar, que apesar do esmagamento do cimento e do betão que nos atira para cima, consegue manter espaços vazios. É aí que reside o seu potencial.
Essa empresa é uma empresa de parqueamento de automóveis (e pequenas também as há, sob forma de garagens, por vezes decadentes, sem condições e que, descoberta a mina há muito escavada, nem para tal foi pensada) e não produz nada: a obra está feita, apenas gasta dinheiro com o pessoal e a manutenção do espaço.
O resto é dinheirinho a entrar nos bolsos dos seus detentores. É um meio que não é um recurso, pois não se esgota, não entra na categoria de ser ou não ser renovável.

Veja esta situação, com uma entrada só aparentemente absurda de grande espaço vazio, como a convidar "Entre, entre!", entre o espaço construído ali por trás do Tribunal de Braga. Uma empresa que também tem a cidade no nome e um senhor a rir-se, no alto da sua impunidade e na cadeira assim adquirida, a dizer que voltava a fazer tudo de novo.

Ao lado, há uma praça.
Qual a razão de ser das praças?
(Voltaremos a este assunto.)

quarta-feira, novembro 11, 2009

"Remote Sensing with IDRISI Taiga: a Beginner´s Guide"

A GEOSFERA, em parceria com a Geocarto International Centre (Centro de recursos IDRISI em Hong Kong) está a promover a publicação "Remote Sensing wih IDRISI Taiga: a Beginner´s Guide", da autoria de Timothy Warner e David J. Campagna.

Esta é a publicação que faltava para todos os utilizadores do software IDRISI, composta por um conjunto de exemplos diversificados de técnicas de processamento digital de imagens e devidamente ilustrada. Este livro contém ainda um CD-ROM com dados utilizados nos exercícios que se apresentam.

O livro está disponível para encomenda no site da GEOSFERA (http://www.geosfera.pt/clark-labs/clark-labs-publicacoes.html), a partir do preenchimento da ficha de encomenda e o seu envio para o email geosfera.comercial@geosfera.pt.

Confira já em www.geosfera.pt!

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GEOSFERA Lda
Drawing the future in GIS
Rua General Ferreira Martins, nº10, 8ºA
1495-137 Algés (Portugal)
Tel. 00351 211502004

terça-feira, novembro 10, 2009

Para quando vai ser?

Retirado de CiênciaHoje


Se no dia 08 de Agosto de 2010 ocorresse um sismo como o de 01 de Novembro de 1755, o efeito seria o de uma "grande calamidade" porque cerca de 76 por cento da população portuguesa habita no litoral.

O alerta é dado por um especialista em geologia costeira, área de estudo que se dedica, entre outras matérias, à análise de registos geológicos consequência de Tsunamis (onda de porto, na tradução literal do japonês) para perceber a distância temporal com que estes fenómenos acontecem e as suas consequências.

O "Registo Geológico de Tsunamis em Portugal" foi o tema da conferência que hoje decorreu no auditório do Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, e que faz parte de um ciclo intitulado "O Mar nas Veias - História, Ciência, Surf", que decorre todos os sábados desde 31 de Outubro até 14 de Novembro.

De acordo com César Andrade, a vantagem de estudar os registos geológicos está sobretudo na "janela de oportunidade" que se abre para aumentar a dimensão de tempo "da informação de base que é necessária para calcular, por exemplo, intervalos de retorno de eventos extremos".


César Andrade
César Andrade
Tal como explicou este especialista do Departamento de Geologia e Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, os registos documentais "podem recuar para trás no tempo alguns séculos", os registos instrumentais "obviamente são mais curtos", enquanto os registos geológicos recuam no tempo "alguns milhares de anos".

"Isto permite-nos, se formos capazes de identificar nesse registo os sedimentos que correspondem a antigas inundações motivadas por Tsunamis, constituir uma boa base de dados que depois podemos utilizar para retirar alguma informação quantitativa sobre essas inundações, que por sua vez será útil para adaptação ao risco ou para efeitos de protecção civil", explicou à Lusa César Andrade.
Impossível prever

Sublinhou que "não é possível prever um sismo ou qualquer catástrofe natural", mas é possível calcular o risco de retoma e é provável que nos próximos 3 mil anos ocorra um sismo e um tsunami com a dimensão daquele que ocorreu em Portugal no século XVIII.


"São acontecimentos muito espaçados no tempo, o que, para uma pessoa mais distraída pode resultar numa falsa sensação de segurança, mas não deve estar porque isto são estatísticas de distribuição médias e nada impede que dois acontecimentos se sucedam num intervalo de tempo muito curto", sustentou.

Razões para alarme que aumentam quando, actualmente, um terço da orla costeira de Portugal Continental está "irremediavelmente ocupada", seja por portos, habitação, turismo ou industria, e mais de três quartos (3/4) da população habita em permanência na costa.


É por isso que este especialista não tem dúvidas em afirmar que se o evento de 1755 ocorresse a 08 de Agosto de 2010 (data escolhida por ser um pico de ocupação costeira por causa do período de Verão), ocorreria uma "grande calamidade".

"Fundamentalmente pelo elevadíssimo número de pessoas que estarão a ocupar as praias, obviamente porque dentro da faixa costeira é a região mais exposta a um acontecimento desta natureza", explicou.

Graças ao estudo do registo geológico, disse ainda César Andrade, é possivel saber que houve ocorrência de tsunamis na costa portuguesa nos anos 60 a.C., 380 d.C, em 1531, em Lisboa, em 1722, em Tavira e em 1755, em Lisboa.

segunda-feira, novembro 09, 2009

1959... em 2009... Parece-me actual...

Resolução da Assembleia da República n.º 96/2009. D.R. n.º 217, Série I de 2009-11-09

Assembleia da República

Aprova, para adesão, o Tratado para a Antártida, adoptado em Washington em 1 de Dezembro de 1959


Decreto do Presidente da República n.º 107/2009. D.R. n.º 217, Série I de 2009-11-09

Presidência da República

Ratifica o Tratado para a Antártida, adoptado em Washington em 1 de Dezembro de 1959

sábado, novembro 07, 2009

SuperMap Deskpro 6

A GEOSFERA Lda. informa toda a comunidade que utiliza as tecnologias de informação geográfica, que o SuperMap Deskpro 6 (nova versão) já está disponível. Para informações mais detalhadas sobre as principais inovações, consulte o documento em anexo.


Para testar as novas funcionalidades do programa como versão de avaliação, poderá fazer a transferência do software SIG SuperMap Deskpro 6 e do Gestor de Licença (License Manager) a partir da secção de software SuperMap da página da GEOSFERA (http://www.geosfera.pt/supermap/supermap-produtos.html). Preencha a ficha de requisição de licença e envie para geosfera.comercial@geosfera.pt para lhe atribuirmos uma licença "trial" do software SuperMap Deskpro 6.


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Bruno Pires (Delegado Comercial)
GEOSFERA Lda
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sexta-feira, novembro 06, 2009

Portal das Energias Alternativas

Clique para entrar

Se quiserem saber um pouco mais sobre energias alternativas sugerimos a consulta do Portal das Energias Alternativas.
É um espaço que concilia a agradável imagem gráfica com a boa organização da extensa e variada informação que disponibiliza: para além de nos dar uma resposta técnica sobre o que são energias alternativas, responde-nos também alguns mitos sobre energia e propõe várias formas como podemos poupar energia.
É sem dúvida alguma, um espaço cibernético de passagem obrigatória!

Visão Urgente

Na edição desta quinta-feira, dia 5 de Novembro, a revista Visão apresenta-nos muitas e muitas páginas para devorar e saber mais sobre a sustentabilidade no planeta.

Ver vídeo ilustrativo sobre esta edição.

Por outro lado, a página da revista fornece-nos um Guia com 25 ideias para poupar o Ambiente.


Abordando ideias, factos (população, cidades, energia, clima, habitação e arquitectura, transportes, consumo, reciclagem, ordenamento, um estudo sobre a cidade de Lisboa... tudo recorrendo a importantes textos, fotografias, gráficos, sondagens) e bons exemplos que nos enchem de esperança e nos dão força para lutarmos pela causa.
A causa para a qual temos, NECESSARIAMENTE, de dirigir os nossos esforços.
E quanto mais tempo passa, mais esforços.

Não costumamos fazer publicidade, mas aconselhamos aos nossos leitores que a leiam.
É o que faremos.
A mudança do mundo começa na nossa cabeça.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Curso Integrado de QGIS/GRASS

A Faunalia.pt organiza mais uma acção de formação em SIG Open Source:

Curso Integrado de QGIS/GRASS - software SIG Open Source
13, 14, 20 e 21 de Novembro de 2009 - Lisboa (centro).

Última semana para inscrições!

Clique para aumentar


Programa e outras informações no seguinte link:



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Para permitir um acesso mais generalizado à formação, a FAUNALIA
decidiu instituir uma política de preços nas suas acções de formação,
com descontos de 40% para estudantes e desempregados.

Confira o regulamento de inscrição e descontos em:



-
Vânia Neves
Faunalia.pt
Sistemas de Informação Geográfica Open Source
Portugal

Email & Jabber: vania.neves@faunalia.pt
PGP Key available
Tel. + 351 93 932 01 04

quarta-feira, novembro 04, 2009

"Los domingos siempre son días tristes..."*

No domingo de 27 de Setembro passado, o tempo não esteve especialmente chuvoso. Isso até podia ser um bom prenúncio para os resultados da abstenção. Mas pronto, o défice democrático, que não se mede só em pessoas que deviam ter ido e não foram meter o boletim, é o que é.
Os resultados foram o que foram e - vamos admiti-lo - somos os votantes que somos.

Se a Democracia, o sistema democrático que temos, digo, nos permite eleger os nossos representantes políticos (elegermos os económicos é que era bom...), concluamos que os representantes que temos são a representatividade que quisemos, dentro da que pudemos, ter.

Os domingos de eleições, não importa de que lado se esteja, são sempre dias tristes.
No fim do dia, uns, porque ganharam, fazem a festa, outros, porque quase ganharam, fazem a festa também.
Até a abstenção faz a festa, porque a cada legislatura que passa vai tendo mais apoiantes.
Desta vez 40 % dos votantes, não tendo ido votar, votaram no PA (Partido da Abstenção), contra os cerca de 35 % de 2005.

Os resultados do dia 27 de Setembro de 2009, convém tê-los bem presentes para o que aqui se pretende, foram os seguintes (e apenas mostramos as 6 primeiras forças):


Não vamos, se bem que podíamos... e devíamos, fazer uma análise territorial dos resultados. Ou seja, tentar compreender onde se vota em quem, como quem quer arranjar bodes expiatórios e poder apontar os dedos da vergonha ou da satisfação.
Até porque, por vezes, é preconceituoso estar a associar certo tipo de rótulos a este ou àquele partido ou movimento. (Mesmo que se sinta carência, e muita, de frescura de ideias e de processos que possam levá-las avante.)

O que importa reter é que:
36,55 % da população que votou foi, no acto da votação (sabemos como isto é flutuante; mesmo sabendo de antemão que não valeria esperar pelos resultados se tudo fosse igual, sabemos também que os partidos mais votados têm vindo a alternar-se no poder para incredulidade e desmemória deste povo que, por esta, abortando aquela, continua a teimar em chamar a isto Eleições Democráticas. As eleições democráticas até vão sendo, muito do seu exercício por aqueles que nos supostamente nos representam é que nem tanto...), partidossocialista (não quisemos chamar-lhes socialistas, pois isso é outra coisa),
29,11 % da população que votou, foi, no acto da votação, partidossocialdemocratista (este nome é bem mais engravatado que o dos rosas, antes punhos: até tem democrata no nome, logo só pode ser melhor...)
10,43 % ... (blá, blá) foi centrodireitassocialistapopularista,
9,82 %, blocoesquerdista,
etc., etc.


Nas escolas (aqui um corte abrupto) ensinam-se muitas coisas às nossas crianças. Há tanta gente a escrever para as crianças aprenderem os valores da democracia, do respeito pelo ambiente, da segurança na estrada, os valores da amizade, do não-bufismo e do não-copo-de-leitismo, os valores humanistas que, caso não as obrigássemos a deitá-los fora, com os nossos mesquinhos status quo instituídos e calcinados, fariam deste um povo melhor.
Os resultados eleitorais seriam, com certeza, diferentes, mas até podiam ser semelhantes: o empenho e a abertura mental, que não se traduzem necessariamente em dígitos mas mais em actos, seriam bem maiores.

As crianças têm personalidade. Até jurídica. Mas quem manda nelas são os professores e outros que elas nem sequer vêem na sua sala de aulas. São tuteladas.

Seria bom fazer um inquérito à população escolar do 1º Ciclo sobre as suas preferências partidárias. Como seriam os resultados? Pela representatividade, os estatísticos diriam que "não andariam muito longe dos resultados das últimas eleições".
Mas - continuando a desenvolver esta questão absurda - será que a maioria se absteria de votar, de se pôr do lado deste ou daquele partido ou movimento?

A partir de que idade uma criança tem consciência suficiente, sentido da história esboçado e visão do mundo necessária para optar por este ou por aquele partido, movimento ou ideias?

Não, não: a questão é da maior importância para o que se pretende.

Falando em termos de clubes (claro, neste país, pensa-se logo em clubes de futebol...), que direito tem, quem quer que seja, mesmo sendo pais (há quem trate os filhos como alguns vão tratando o Estado: usam-no como uma propriedade, decidem o que fazer com ela, até a vendem se preciso for), de, aos 0,1 anos de idade da criança, ir "matriculá-la" ou torná-la sócia deste ou daquele clube?
Que direito?
Falando em termos de Catolicismo, que direito têm os pais de baptizar os filhos?
Mas aqui se calhar já estamos a enveredar por fundamentalismo...


O INE, nos Recenseamentos Gerais da População, questiona-nos, em cada decénio, sobre a religião. Mas só o faz à população residente com 12 ou mais anos.

Deixá-los crescer e, quando eles bem entenderem, se assim o entenderem, eles que decidam por si. Vivemos em Democracia, não vivemos? Então apliquemos esse valor também aí.
Que ninguém tenha a arrogância de defender que, como em relação aos aterros sanitários e às auto-estradas, "Democracia, sim senhor, mas no meu quintal não!" (na minha família não!). Se assim se verificar, então a herança fascista ou outro "ista" que não democrática está de pedra e cal por aí, em algumas famílias ou zonas deste país.

Depois, claro, dependendo do grau de "mesmismo" que se reproduz na sociedade e reproduz as estruturas sociais, lá iremos ter tais e tais resultados eleitorais, tais e tais ideias a governar os nossos pensamentos e actos
Como aquela senhora, entrevistada para o efeito e seleccionada para um efeito, que disse que achava mal, porque era católica.
E quem não é católico, não achará bem?


A Democracia é a coexistência das diferenças, mas o exercício da Democracia é pugnar por que essas diferenças não destruam a Democracia.
Isto é, permitindo a diferença e até a oposição, a Democracia não é neutra.
A Democracia defende valores democráticos, não os impõe.
A Democracia nem, tampouco, impõe as diferenças de ideias. Permite-as.
Esta distinção é fundamental. E só os valores humanistas e democráticos no-la podem ensinar


A confusão de valores dá sempre numa salgalhada em que todos discutem e ninguém come o pão.
A polémica que nos trouxe aqui não tem muito que se lhe diga. Aliás, parece-nos uma perda de tempo.
Nesta altura da nossa Democracia
(o que, afinal, nos leva a duvidar da sua real idade...)
andamos ainda a aprender o bê-a-bá do republicanismo?


A Constituição da IIIa República, aprovada em 1976, regula a matéria como "direito, liberdade e garantia", no seu artigo 41º que prescreve:

« 1. A liberdade de consciência, religião e culto é inviolável.

« 2. Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.

« 3. As Igrejas e comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.
(...)


Caso seja possível o diálogo, eis aqui a ideia inviolável:
Defendemos a liberdade de credo.
E com isso defendemos, claro e também, a liberdade.


É claro que a população portuguesa professa inquestionável e maioritariamente - aqui e agora - o Catolicismo. Mas esses números não contam para nada, porque estamos a falar do valor que vigora, da separação das esferas num espaço que é público.
Não venham cá com a tradição, nem com falácias bolas-de-neve.


Imagem original, da Igreja de Santa Eulália (em Tenões, Braga) retirada da Wikipédia.
Intromissão da esfera política na esfera religiosa por Eduardo F.


Acham chocante, anti-religioso até, retirar os crucifixos das escolas?
Ai é?

Então, façam o favor de,
em 36,55 % das Igrejas de Portugal colocar a rosa dos partidossocialistas,
em 29,11 % (blá, blá) colocar o setinha dos partidossocialdemocratistas,
em 10,43 % ... (blá, blá) colocar as setinhas e a bolinha dos centrodireitassocialistapopularistas,
etc., etc.

...

Não.
Isto é estúpido.

Mas é tão triste estarmos a deter-nos nisto.
Como são tão tristes estes monólogos domingueiros (do "dia do senhor")...


*Alusão ao primeiro verso de "Los Domingos", do asturiano Víctor Manuel.

"O Fundo da Linha"

“O oceano profundo é o maior ecossistema do planeta, porém, continua amplamente inexplorado. Quanto mais desvendamos os seus mistérios, mais descobrimos o quão único este mundo estranho realmente é. Longe de ser uma simples planície árida, o fundo do mar alberga habitats e formas de vida complexos.”





"Sigourney Weaver apoia este vídeo que alerta para a ameaça da pesca industrial a grande profundidade e insta os governos de todo o mundo a adoptar medidas concretas e urgentes que defendam a vida marinha nas profundezas dos oceanos.

Em Novembro deste ano a Assembleia Geral das Nações Unidas vai voltar a abordar este tema e vai decidir os próximos passos relativamente à implementação da resolução 61/105. Esta resolução pede a tomada de medidas imediatas que administrem os stocks de peixe de maneira sustentável e que protejam os ecossistemas marinhos vulneráveis de práticas de pesca destrutivas.

É urgente alertar a comunidade para a importância de proteger estes ecossistemas ameaçados antes das reuniões da AGNU.

Em Portugal a Greenpeace está a pedir aos grandes supermercados que dêem o exemplo assumindo as suas responsabilidades e deixando de comercializar espécies de profundidade. Estas empresas têm o dever de garantir aos seus consumidores a sustentabilidade de todo o peixe que comercializam e de não encorajar a destruição do fundo dos oceanos.

Desde o dia 16 de Outubro que a Greenpeace está na estrada para sensibilizar consumidores para as ameaças que os ecossistemas vulneráveis em alto mar enfrentam e para pressionar os retalhistas a tomar a liderança parando de comercializar espécies de peixe de profundidade.

Na Greenpeace acreditamos que este vídeo é uma boa oportunidade para divulgar as ameaças que os ecossistemas das águas profundas enfrentam e encorajar os portugueses a assinar a petição aos supermercados. Por isso estamos a pedir que divulguem o vídeo e a petição junto dos vossos contactos; que o coloquem nos vossos blogues ou sites, que o partilhem em redes sociais como o Facebook ou o Twitter e que o publiquem em fóruns."



+ info

terça-feira, novembro 03, 2009

Ajudemo-nos a proteger os oceanos

A Greenpeace Portugal está a levar a cabo uma campanha de sensibilização e de angariação de assinaturas contra a comercialização de espécies de peixe de profundidade.

A quem vai ela dirigida?
Primeiro: aos grandes distribuidores de produtos de pesca (vulgo hipermercados, vendedores sem dor) mas também aos pequenos retalhistas que temos espalhados pelo país e que, sem grandes meios de escape, alimentam o sistema destruidor, indo abastecer-se àqueles.

Mas... Primeiro?

É aqui que entramos nós.
Esta campanha vai dirigida, sobretudo, a nós, os consumidores.
Não há que enganar, apenas ainda não o percebemos (QUÃO CEGOS NOS FAZEM...) :

O sistema económico capitalista baseia-se, como em tantos aspectos da vida, no simples princípio da recompensa: se um produto vende, parte do esforço (dinheiro) é investido para que ele volte ao lugar onde é vendido.

Não nos iludamos:
NÓS É QUE TEMOS O PODER!
NÓS, OS CONSUMIDORES.
(ACONTECE QUE AINDA NÃO O USÁMOS.)

Por isso, no seguimento de campanhas de sensibilização, que só com a força, o empenho comprometido e a persistência de todos poderá trazer resultados, importa manter a consciência e estar alerta.

Esta questão não é, tal como não devia ser (mas é), como depois de ir enfiar o boletim na urna e, pronto, já está: eles que decidam por nós, que agora é com eles, foi para isso que fizemos a Revolução e tal...

NÃO.
Aprendermos o que se passa implica não mais o esquecermos.
Tê-lo presente no acto de consumir.
Estarmos atentos.
Face à inexistência de informação em contrário, em caso de dúvida... RECUSARMOS FAZER PARTE.
Não alimentarmos mais esta cadeia de destruição.
Quebrar o ciclo da insustentabilidade...


Vamos pensar mais à frente?


Uma imagem sugestiva:
O leitor está a ver o campo de futebol ali ao lado?
Imagine-o coberto de árvores. Consegue?
Agora imagine uma moto-serra com uma lâmina a toda a largura, a passar de uma baliza à outra.
Se essa imagem lhe dói, como se sentiria se a multiplicássemos por 5000?


Pois...


Uma só viagem de um grande barco de pesca industrial a fazer "varrimento" com redes do tamanho de um campo de futebol arrasa, assim, em questão de segundos, o que a Natureza levou séculos a criar.


Para trás, por sabemos lá quantos séculos, fica o vazio, a esterilidade da rocha nua e o fundo do oceano morto.

O fundo das coisas não é coisa pouca - é a base de tudo o que lhe está acima e que dele depende. A base da cadeia alimentar da vida marinha sem suporte.
Os oceanos são demasiado grandes para não terem relevância.