quinta-feira, outubro 08, 2009

O que é ser central?

Já contactei com várias pessoas a quem não dá jeito (entenda-se, ou entendo, a quem fica fora de mão) ir ao centro da cidade.

Ora, o que quererá isto dizer?


Vamos contextualizar.

Vias de comunicação

Em termos de circulação rodoviária, Braga está servida por uma circular onde, por dia, passam milhares de automóveis.
Essa circular, que, como todas, tem por objectivo permitir bons acessos aos lugares onde as coisas se passam (entenda-se, neste caso, serviços, bancos, o comércio retalhista... situados nas freguesias que se confundem com a cidade: Maximinos, Cividade, Sé, São João do Souto, São Vicente, São Victor... estão todas?), apresenta - talvez necessariamente - duas partes mais complicadas, uma em cada lado da cidade:
- por um lado, onde entronca com o tráfego que vem da zona da estação de caminhos de ferro;
- por outro, onde o trânsito é obrigado a abrandar (grandes fluxos), na recta que abrange Lamaçães e São Victor.

Fora desta circular, e mais dentro do burgo, Braga tem dois eixos que rasgam, em cruz, a matriz construída de um lado ao outro:
- por um lado, podemos considerar a Av. da Liberdade (e a ela podíamos equiparar a Av. 31 de Janeiro, sua paralela)
- por outro, a linha que junta Av. João XXI (a oeste daquela) e Av. Imaculada Conceição (a este).

A estes dois conjuntos de estradas podemos acrescentar duas zonas particulares, tão próximas da cidade como já à sua saída (aqueles não-lugares, com a circulação como uso principal ):
- um que fica na direcção de Vila Verde, em que as filas são bem problemáticas mas onde ainda vão tendo espaço... para se avolumarem;
- outra, em direcção a Gualtar (e ao campus de Gualtar da Universidade do Minho), que geram também acrescidos fluxo de automóveis.

Todas as manhãs e todos os fins de tarde, por volta das horas habituais dos movimentos pendulares (entrada e saída do trabalho) é o mesmo frenesim, o mesmo ruído que nos retira qualidade ambiental, sonora e atmosférica, e que nos rouba anos de vida.

A situação é, claro, mais grave nas zonas de maior concentração habitacional e, por coincidência, onde a construção é vertical. Isso ocorre sobretudo na parte este da circular. Só no vale de Lamaçães há filas de prédios em toda a recta. A parte oeste referida está mais afastada de habitações (via desnivelada).

Quanto aos eixos centrais, por mais antigos, as habitações são, em maior medida, moradias ou prédios baixos (dois ou três pisos). A 31 de Janeiro é um bom exemplo disto. Encontram-se também antigas indústrias e armazéns, uma escola... que acabam por ocupar o espaço e funcionar como zona-tampão ou fina barreira para os prédios mais próximos.

Este breve esboço vai ao encontro da imagem da expansão do espaço construído ao longo das estradas, algumas vezes em forma de estrela (não neste caso), com as ramificações que convergem para o suposto centro (funcional) ou para o centro (histórico) da cidade.



Serviços, comércio retalhista, habitação.

Como podemos caracterizar o tipo de ocupação daquelas freguesias?
Bancos, agências de seguros, cafés, quiosques, livrarias e papelarias, mercearias, os mais antigos centros comerciais (alguns completamente desvitalizados e/ou decrépitos - seria interessante averiguarmos os porquês dessa situação), pequenos "supermercados", retrosarias, talhos, lojas de roupa (atraem muitos jovens às ruas do Souto ou dos Capelistas, por exemplo)... além das muitas igrejas, dos museus, de hospitais, centros de saúde, escolas e outras instituições ou repartições públicas...

Sim, ainda há muita gente a viver bem no centro e a tal ajudam os prédios da Av. da Liberdade e suas intersecções imediatas. Os espaços verdes e de recreio são diminutos. Não houve tempo para pensar nisso. No entanto, as zonas de protecção e certas antiguidades controlam a densidade e, ainda assim, arriscamos dizê-lo, há alguma qualidade de vida ambiental.

O problema quanto à habitação é que - e isto não é próprio da capital de distrito - os serviços e o comércio "fashion" e "good-lookin" tendem a ocupar todos os pisos térreos enquanto vamos vendo os prédios degradar-se. Basta caminhar pela zona da Câmara Municipal, pelo Jardim de Santa Bárbara, pela zona da Sé, pela Rua dos Chãos, pela Rua de S. Vicente... tudo a ficar abandonado, castanho, empoeirado e sem vida.

São políticas e valores, prioridades de investimento.
Braga está sempre em obras. Aliás, as cidades portuguesas parecem estar sempre em obras. Seja por prédios que caem, seja calcetar ruas, para criar jardins (quando), ou para restauro ou reabilitação de prédios (quando, e vai havendo algumas intervenções nesse sentido... mas insuficientes para desacelerar o definhamento e a morte por dentro que vai corroendo a cidade)...


Em jeito de conclusão


Temos então o central histórico a ficar despido de pessoas. E as pessoas a residirem mais à margem desse centro. E com a deslocação da razão de ser do razão de ser das cidades, o grande comércio, com maiores hipóteses de expansão, e já pensado para isso, sofreu um arrastamento para partes mais recentes e mais laterais. Ou seja, o centro atractivo (o consumo das massas) marginalizou-se.

Lojas de telemóveis, perfumarias, ginásios, cafés, bancos também lá nasceram. Obviamente as grandes cadeias de roupa, os hipermercados, típicos destes "subúrbios interiores".
A perder e presas ao "centro histórico" ficaram os tradicionais cafés (nas praças e espaços abertos, com estátuas ou pontos de referência, que os "novos centros" não estão a ver nascer junto de si) e as pequenas mercearias.

O que atrai ainda as pessoas ao "centro histórico"?
A necessidade de andar a pé em espaços menos ofegantes?
A inevitabilidade das repartições públicas?

Por outro lado, o que impede as pessoas de a ele acederem?
Uso abusivo do automóvel para deslocações? (Numa cidade tão pequena como Braga?)
Falta de tempo?
Falta de espaço (outra vez a primeira pergunta... espaço onde deixar o carrinho...)?

Centralidades que se vão desenvolvendo à margem da nossa reflexão.
Núcleos que se vão multiplicando, invisíveis, como bolhas de tinta.
Quando rebentam salpicam o que está à volta.

Fica confuso e feio o quadro?
Que diria o barcelonês e "ortogonal" Joan Miró sobre estas pinturas que por cá vamos criando?
Nada sonhadas, pois não, amigo?


Nota: os pormenores (duas primeiras imagens) e a montagem (nossa; terceira imagem) foram obtidos da obra que serve de capa ao disco "Cançons de la Roda del Temps", de Raimon, da autoria de Joan Miró.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Emissões de CO2 diminuíram 3% em 2009

Um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), apresentado hoje em Banguecoque, revela que a crise mundial teve efeitos benéficos no meio ambiente, uma vez que provocou uma diminuição nas emissões de dióxido de carbono em três por cento durante o ano de 2009.

A redução da actividade industrial verificada desde Setembro de 2008, altura em que a recessão económica começou a ganhar forma, é apresentada como a principal causa da contracção mundial de emissões.
Esta descida é a mais significativa dos últimos 40 anos, visto que até ao momento tinha havido um aumento de três por cento, por ano, precisou Fatih Birol, economista-chefe da AIE.

Além disso, o relatório declara que um quarto desta diminuição é resultado das políticas públicas para a redução das emissões poluentes, nomeadamente as que foram lançadas nos EUA, as medidas de estímulo à eficiência energética na China e a meta da União Europeia em baixar as suas emissões até 20 por cento em 2020.

A última queda dos níveis de CO2 (1,3%) tinha sido registada em 1981, no contexto da recessão económica motivada pela crise do petróleo.

Via CiênciaHoje


Lá está: quando as coisas boas não decorrem do nosso esforço isso só pode continuar a saber a fracasso. O fim atingido é o mesmo a atingir, mas os meios do nosso empenho são ainda insuficientes para se fazerem sentir, para terem impacto. O que pode significar que, retirado o factor temporário do decréscimo de consumo de combustíveis fósseis, os mesmos meios continuarão a resultar na desgraça que temos tido: o aumento da concentração de gases nocivos para a atmosfera e suas consequências no desequilíbrio biótico de várias regiões do planeta.

Há muitas coisas que estão a mudar.
Há ainda muitas coisas mais a mudar.

Áreas Protegidas Privadas

Portaria n.º 1181/2009. D.R. n.º 194, Série I de 2009-10-07

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

Estabelece o processo de candidatura e reconhecimento de áreas protegidas privadas

domingo, outubro 04, 2009

Geopolítica é zelar pelos interesses fora de portas

Já tínhamos trazido este assunto aqui há uns tempos atrás.
A situação não se alterou. Nem parece que se vá alterar...

Mais um pormenor de como funcionam estas coisas da geopolítica mundial é-nos dado pelo sucinto "estrato" (retirado da última Visão 1-10-2009, p.92):


Suu Kyi Aceita Diálogo

Os EUA vão tentar dialogar com a Junta Militar e, talvez, reforçar a ajuda humanitária e aliviar as sanções à antiga Birmânia. A oposicionista Aung Suu Kyi - que amanhã, 2, conhece a decisão do recurso sobre o prolongamento da sua prisão domiciliária - apoia a estratégia americana, desde que a oposição seja incluída no diálogo.


1- Como li há dias já não sei onde, dizia-se que a Democracia só funciona se houver um líder. O que pressupõe, sempre, regras e convenções a que todos se devem submeter ou que todos devem aceitar.
A capacidade, o poder de dialogar com criminosos significa uma coisa muito simples: que quem dialoga tem também poder. Talvez mais. Isso torna-os criminosos também?

2- Por conseguinte, as sanções são uma dessas expressões de um poder maior, imposto a outro poder.

3 - Que curioso, os EUA vão "talvez, reforçar a ajuda humanitária". Na outra notícia (clique aqui, se não clicou lá em cima) chamávamos à atenção para o pormenor de financiar a mesma Junta Militar com armas. E agora vão, "talvez, reforçar a ajuda humanitária". Que curioso.

Última nota: é tão curiosa e tão bem orquestrada esta forma de fazer política que até a prrópria a vítima está de acordo.
- Ou seja, podeis continuar a financiar os militares que me mantêm na prisão... "desde que a oposição seja incluída no novo diálogo".


Esqueçam esta parvoíce, que não nos leva a lado nenhum.


Imagem retirada daqui.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Regime aplicável às contra-ordenações ambientais - alteração

Declaração de Rectificação n.º 70/2009. D.R. n.º 191, Série I de 2009-10-01

Assembleia da República

Rectifica a Lei n.º 89/2009, de 31 de Agosto, que procede à primeira alteração à Lei n.º 50/2006, de 29 de Agosto, que estabelece o regime aplicável às contra-ordenações ambientais, publicada no Diário da República, 1.ª série, n.º 168, de 31 de Agosto de 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

Já estamos a regressar?


Investigadores europeus afirmam que, desde 1997, houve um pequeno acréscimo da camada do ozono. Esta convicção resultou da análise de dados atmosféricos obtidos ao longo de mais de uma década pelos satélites ERS-2 e Envisat, da Agência Espacial Europeia, e do MetOp-A, da Organização Europeia de Satélites Meteorológicos.


“Verificámos uma tendência global positiva. Houve um ligeiro aumento de um por cento por década na quantidade total de ozono”, afirmou Diego Loyola, do Centro Aeroespacial Alemão, que colaborou na realização deste estudo.

Apesar das boas notícias, os investigadores não se iludem, referindo que se trata de uma tendência nula de crescimento. “Ainda assim, esperamos ver uma recuperação significativa do ozono na estratosfera superior nos próximos anos”, afirmou Joachim Urban, da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia.

A camada de ozono não é distribuída de maneira uniforme pela atmosfera e as maiores mudanças são verificadas sobretudo nas camadas mais elevadas da estratosfera. Os dados foram recolhidos horizontalmente e não apenas de maneira vertical, o que, segundo os autores do estudo, permitiu obter medidas mais exactas.
Apesar de os dados terem demonstrado resultados positivos, também indicaram que houve uma diminuição da camada de ozono entre 1979 e 1997. “A nossa análise demonstrou um declínio do ozono estratosférico nas latitudes médias dos hemisférios Norte e Sul de sete por cento, por década, de 1979 a 1997”, referiu o investigador sueco.

Os resultados do estudo foram apresentados este mês na Conferência de Ciência Atmosférica, organizada em Barcelona, pela Agência Espacial Europeia.


Via CiênciaHoje

quarta-feira, setembro 30, 2009

Trabalho de geólogo da UTAD homenageado em Arouca

Artur Sá com uma trilobite gigante
Artur Sá com uma trilobite gigante
A Câmara Municipal de Arouca atribuiu a Medalha de Honra a Artur Abreu Sá, geólogo e docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e um dos mentores do Arouca European Geopark, integrado na Rede Europeia de Geoparques da Unesco.

O projecto, gerido pela Associação Geoparque Arouca (AGA), que é presidida por Campelo de Sousa, tendo como coordenador executivo o economista António Carlos Duarte, ex-aluno da UTAD, foi idealizado e implementado por Artur Sá, a quem cabe a coordenação científica.


Este especialista tem vindo, há anos, a dirigir trabalhos louváveis em Arouca em torno de um conjunto importante de espécies de natureza única, tais como as designadas “Pedras Parideiras da Castanheira” ou as “Trilobites gigantes de Canelas”.

O Geoparque de Arouca é composto por área de 327 quilómetros quadrados, onde estão inventariados 41 geo-sítios, de rara qualidade no mundo interior e com elevado interesse educacional e paisagístico, onde se destaca, para além das chamadas pedras parideiras, fosseis marinhos com 480 milhões de anos, a cascata da Mizarela, aldeias tradicionais, etc. Trata-se de um verdadeiro livro aberto da história da Terra.

Via CiênciaHoje

terça-feira, setembro 29, 2009

Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna

Portaria n.º 1112/2009. D.R. n.º 188, Série I de 2009-09-28

Ministérios do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

Cria a Rede Nacional de Centros de Recuperação para a Fauna

segunda-feira, setembro 28, 2009

A Maninfestação


Eu, nos cartazes que marcam, para em frente do Palácio de Belém, um encontro entre o sr. Presidente da República e a maioria silenciosa, só adianto dúvidas a dois pontos.
Que seja a maioria.
Que seja silenciosa.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar da vida democrática, e da saúde moral, assumir as atitudes, um cartaz anónimo é uma ambiguidade.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar da colocação de cartazes numa sociedade democrática, e não só, a utilização da cola, um cartaz colado à ponta de pistola é uma originalidade.
De resto, está tudo bem.
Ou quase. Na medida em que, sendo uma regra elementar do cartazismo uma leitura a razoável distância, e só podendo ler-se esse cartaz à distância de um jornal, o cartaz é um amadorismo.
De resto, está tudo bem.
Ou quase.

É interessante saber que há, neste país, atrás de um cartaz, uma silenciosa maioria.
Até porque, não tendo ainda dito ninguém, nem o sr. Sottomayor Cardia, nem o sr. Manuel Alegria, nem o sr. Octávio Pato, nem o sr. Melo Antunes, que eram a maioria, é extremamente interessante saber que quem tem, consigo, a maioria, é o sr. Quito Hipólito Raposo.
O sr. Quito Hipólito Raposo.
É interessante saber que essa maioria é contra os extremismos mas é a favor do sr. Presidente da República.
Logo, a favor do Movimento das Forças Armadas.
Logo, a favor da democratização.
Logo, a favor do Governo Provisório.
Logo, a favor do sr. Vasco Gonçalves.
Logo, a favor do sr. Álvaro Cunhal.
Uma pergunta:
O sr. Quito Hipólito Raposo é, por acaso, comunista?

Qualquer cartaz pode dizer qualquer coisa.
Que a manifestação.
Que ao Presidente.
Que da República.
Que em Belém.
Que às tantas.
Que ao Caudilho.
Que de Espanha.
Que no Pardo.
Que às tantas.
Que à Rainha.
Que da Inglaterra.
Que em Buckingham.
Que às tantas.
O que um qualquer cartaz não pode dizer é que o papel é da maioria, a cola é silenciosa, a pistola é democrática, as letras são MFA, o boneco é do Quito.
E que o saldo é do sr. Presidente da República.
E isto porque a democracia não é exactamente um carnaval.
E isto porque, podendo, em democracia, qualquer cidadão produzir, e afixar, qualquer cartaz, deve esse cidadão obedecer às regras elementares que são: dizer a verdade, fazer a verdade, ser a verdade.
Onde está a prova de que o sr. Quito Hipólito Raposo tem, consigo, a maioria?
Como é que o sr. Quito Hipólito Raposo, que grita esta cartaz, prova que não grita, e que está silencioso?

O sr. Quito Hipólito Raposo é um fait-divers. Mesmo com cola, e pistola, e maioria, e silenciosa.
O que não é um fait-divers é que a reacção não desarma.
E que não se limita a atacar de fora para dentro mas de dentro para fora.
E que assume a maioria silenciosa.
E que crê dever usar o nome do sr. Presidente da República.
E que crê poder marcar, com o sr. Presidente da República, na Praça do Império, um encontro.
O que não pode ser um fait-divers é a reacção da democracia a esta manifestação.
O que não pode ser um fait-divers é a reacção do sr. Presidente da República a esta manifestação.

A maioria é uma coisa que está para ver nas próximas eleições.
Se é silenciosa ou não é uma coisa que está para ver nas próximas abstenções.
De resto, a democracia não proíbe a abstenção. Torna-a imoral. Pelo que a abstenção é, politicamente, a imoralidade.
Pelo que este cartaz é, talvez, prematuro. Quer dizer, não é.
Que a reacção pense poder usar o nome do sr. Presidente da República levanta alguma inquietação.
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, a função ou o homem?
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, um alibi ou uma ideologia?
O sr. Presidente da República é, neste cartaz, um desespero ou um investimento?
Claro que o sr. Presidente da República não tem nada a ver com este cartaz.
A não ser com o facto de este cartaz o citar.
A não ser com o facto de, havendo, neste país, algumas leis, e protegendo essas leis, da inverdade, e do ridículo, o Presidente da República, continuar colado, à esquina da Avenida António Augusto de Aguiar, e na base do monumento ao Marquês de Pombal, um cartaz que envolve o Presidente desta República na inverdade do ridículo e no ridículo da inverdade.
A não ser com o facto de, não havendo, contra este cartaz, uma acção clara, imediata, decidida, ninguém poder evitar, amanhã, que o sr. Elmano Alves mande colar, nas estradas deste país, um cartaz marcando encontro com o sr. Marcello Caetano, e São Bento, e que o sr. Henrique Tenreiro mande afixar um cartaz aprazando encontro com o sr. Américo Tomás, e que o sr. Paulo Rodrigues mande apor um cartaz preparando encontro com Oliveira Salazar, no Panteão.
O maior risco de uma democracia excessivamente permissiva não é tanto que os srs. Elmano Alves, Henrique Tenreiro e Paulo Rodrigues sejam autorizados a afixar encontros com os srs. Marcello Caetano, Américo Tomás e Oliveira Salazar, mas que, indo por eles os srs. Elmano Alves, Henrique Tenreiro e Paulo Rodrigues, encontrem, já realmente reinstalados em São Bento, em Belém, e no Panteão, os srs. Marcello Caetano, Américo Tomás e Oliveira Salazar.
Coisa que produziria, no Estádio Nacional, a mais gigantesca enchente de todos os tempos.
Não me refiro a um comício de protesto.
Refiro-me à conversão do Estádio Nacional, de todos os estádios deste país, em gigantescas prisões.
Pelo que é urgente que esta República defina, e faça funcionar, um aparelho legal que defenda, na guerra dos cartazes, as instituições democráticas e a dignidade do Presidente desta República, não apenas contra a agressão, mas também contra a hipocrisia.
Pelo que importa que o sr. Presidente da República desautorize, imediatamente, não apenas este cartaz, que é pobre, e mau, e mal, e frouxo, e rabo escondido com gato de fora, mas tudo quanto ameaça a democracia.
Isto é, a República.
Isto é, a Presidência da Democracia.
Isto é, a Presidência da República.

A democracia não é, só, a maioria, mas é, também, e sobretudo, a maioria.
A democracia não é, só, a voz da maioria, mas é, também, e sobretudo, a voz da maioria.
Uma democracia que seja a minoria, a voz da minoria, o silêncio, o silêncio da maioria, é uma democracia doente.
O cartaz do sr. Quito Hipólito Raposo é um cartaz doente.
Um que aviva, e promove, a doença.
O cartaz do sr. Quito Hipólito Raposo precisa de ser isolado.

A reacção só pode ser uma plasticidade.
Pelo que não é de estranhar que a antidemocracia apoie a democracia.
E que o sr. Álvaro Cunhal, uma destas manhãs, tenha, ao abrir a janela, na rua, o sr. Cazal Ribeiro gritando:
- Pê-Cê-Pê! Pê-Cê-Pê! Pê-Cê-Pê!
E que o sr. Raul Rêgo, uma tarde destas, tenha, à saída deste jornal, ao assestar, no crânio, a bóina basca, o sr. Barradas de Oliveira* berrando:
- Viva a "República". A voz do Povo é a voz do Rêgo!
E que o sr. Francisco Balsemão, uma destas madrugadas, tenha, à saída do "Caberetíssimo", o sr. Kaúlza de Arriaga soltando:
- Francisco, sentiúpe!
Mas se a reacção é uma plasticidade, a democracia tem de ser uma firmeza.
Pelo que é de estranhar que a democracia se deixa apoiar pela antidemocracia.
Porque, se todo o cidadão tem liberdade para apoiar a democracia, nenhum cidadão tem liberdade para se camuflar de democrata com o fim de assestar, na democracia, o seu golpe.

A democracia portuguesa não está feita.
Estamos a fazê-la.
A democracia não é um suicídio.
Tem de ser uma coerência.
A democracia é, simultaneamente, o ódio, e a oportunidade do fascismo.
Não porque a democracia queira ser, fundamentalmente, a oportunidade do fascismo, mas porque, para ser a oportunidade da liberdade, tem de ser a oportunidade de várias liberdades.
Mas não da liberdade de destruir a liberdade.
Mas não da liberdade de desacreditar a liberdade, parodiando-a, caricaturando-a, povoando-a de silêncio, de medo, de ódio.
Colando-a.
À piscola.

Artur Portela Filho, Setembro de 1974
(A Funda, 5º volume, pp. 175-182)

*
Barradas de Oliveira foi fundador do jornal "A Revolução".

Há sempre uma data no presente que nos faz esquecer uma data do passado.
O 28 de Setembro de 1974 será, hoje, esquecido por ser hoje o dia que se seguiu às eleições legislativas. De ontem.

domingo, setembro 20, 2009

Quem cala consente

A maioria é uma coisa que [se] está para ver nas próximas eleições.
Se é silenciosa ou não é uma coisa que [se] está para ver nas próximas abstenções.

De resto, a democracia não proíbe a abstenção.
Torna-a imoral.
Pelo que a abstenção é, politicamente, a imoralidade.


Artur Portela Filho, Setembro de 1974
(A Funda, 5º volume)


Dia 28 de Setembro, o "estrato" integral aqui no Georden.

Imperdível.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Vamos todos virar verdes?



Como as cheias rápidas, que tudo arrasam, não podemos virar verdes assim de repente. Se o verde está na moda, quantas irracionalidades não temos observado nas modas da História?
É que depois há confusão de conceitos.

Verde, sim. Mas com qualidade.
Porque depressa e bem, costuma-se dizer, não há quem.


Mais informações
Vídeo retirado daqui

Como a Wikipédia vai definindo a Eutrofização

quarta-feira, setembro 16, 2009

Vamos Limpar o Mundo 2009

19 de Setembro - Braga
O Núcleo da Quercus de Braga junta-se também à Campanha "Clean up the World" e organiza no dia 19 de Setembro uma iniciativa de limpeza na qual todos podem participar gratuitamente. Basta fazer a inscrição e comparecer no parque de estacionamento da Ex-Bracalância (actual Instituto de Nanotecnologia) pelas 14h.
/



Informações:
Quercus - Núcleo Regional de Braga
Urbanização das Andorinhas, loja 7, 4700-359 Braga
Telf: 253 276 412 (quintas-feiras a partir das 21h)
Tlm: 927 986 133
E-mail: braga@quercus.pt

terça-feira, setembro 15, 2009

LifeCycle - Um curso com pedalada


A campanha 'Lifecycle - Um curso com pedalada', promovida pela Universidade de Aveiro e pela Câmara Municipal de Aveiro, e com o apoio da Associação Académica da UA e do Conselho Salgado, vai ter sua apresentação pública na Universidade de Aveiro no próximo dia 21 de Setembro (segunda) no dia de acolhimento aos novos alunos.


Esta campanha “Um curso com pedalada” insere-se no Projecto Europeu Lifecycle que visa estimular comportamentos de vida saudável, nomeadamente pela utilização da bicicleta (http://www.lifecycle.cc/). Com esta campanha pretende-se alertar os alunos para a importância da utilização da bicicleta, nomeadamente para efectuar pequenas distâncias e também como complemento a outros modos de transporte (em particular o comboio ou autocarro).


A apresentação pública da campanha terá o seguinte conjunto de actividades:

Acção de INFORMAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO dos alunos (em particular os recém chegados à UA) para a importância do uso da bicicleta na cidade e para a necessidade de práticas de condução adequadas;

Lançamento do CONCURSO para selecção de três alunos que irão trabalhar na campanha ao longo do próximo ano lectivo desenvolvendo actividades de promoção do uso da bicicleta na UA e na cidade;

FESTA DA BICICLETA (Programa provisório)


Mostra de tecnologia e produtos associados à bicicleta (desenvolvidos por empresas da cidade/região)


SPORTIS - Projecto ‘Bike Tour’

IDEIA BIBA - Projecto RikBee (bicicleta com materiais recicláveis)

FIRSTEP – Bicicleta e Energia

Reparadora Santa Joana (Sr. João Maio, inventor) – mostra de bicicletas únicas

RN2S – Tecnologias ligada à mobilidade


Venda de bicicletas a um preço mais acessível (estarão presentes vários fabricantes e vendedores da cidade/região)

Passeio de bicicleta ao final do dia (16:30). Para participar no passeio de bicicleta os alunos podem trazer as suas bicicletas, adquirir uma bicicleta no evento ou pedir emprestada uma bicicleta emprestada (a organização tem cerca de 150 disponíveis). A participação está sujeita a inscrição prévia (ver boletim de inscrição em anexo).


PROMOTOR

CÂMARA MUNICIPAL DE AVEIRO

UNIVERSIDADE DE AVEIRO

APOIOS

ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

CONSELHO SALGADO

IDEIA BIBA

SPORTIS

FIRSTEP

REPARADORA SANTA JOANA

RN2S

terça-feira, setembro 08, 2009

Música das Regiões - Mediterrâneo (conclusão)

Começámos em Maiorca e para concluir este capítulo vamos terminar em Portugal. Há o debate comum e sempre inconclusivo sobre se devemos encaixar o nosso território continental nos países mediterrânicos ou nos países atlânticos. Não há maniqueísmos: somos o fruto de ambos, na história e na língua, no clima e na paisagem. Onde estão as fronteiras? As consensuais continuarão a ser as que separam o mar da terra. É sobre esta questão que podemos contextualizar as canções de hoje. Depois partiremos para outras regiões e territórios.

Lembramo-vos que para ouvir as músicas basta pô-las a reproduzir na AntenaGEO, a caixa de música do Georden, que podeis encontrar à esquerda, um pouco mais abaixo.


Intérprete: María del Mar Bonet
Origem: Espanha (Maiorca)
Tema: Cor Perdut
Extraído do álbum "Anells d'aigua", de 1985

Do único nome repetente, María del Mar Bonet, dissemos que é um concentrado, natural e com muitas vitaminas aliás, da riqueza cultural que sempre procurou beber. Mas não só do Mediterrâneo, pois se já cantou Theodorakis e Livanelli, também já versionou Rolling Stones e Milton Nascimento. E se por vezes persiste a dúvida em considerar o fado como um produto do mar aberto, cremos que com a interpretação de um tema de Amália Rodrigues a resposta, pelo menos aqui, pende mais para o mar interior.


Intérprete: Madredeus
Origem: Portugal (Lisboa)
Tema: Pregão
Extraído do álbum "O Espírito da Paz", de 1994

Com "O Espírito da Paz" os Madredeus obtiveram definitivamente o reconhecimento internacional que parecia estar-lhes destinado. Quando Teresa Salgueiro ainda cantava aqueles agudos com toda a naturalidade do mundo. Deste disco, gravado na Inglaterra, pouca gente se lembrará já desta pérola arabizante que é "Pregão".


Intérprete: Janita Salomé
Origem: Portugal (Redondo)
Tema: Estrela Cadente
Extraído do álbum "Olho de Fogo", de 1987

Terminamos com o cantor português que mais bebe dos ares norte-africanos. E o nosso muito obrigado a quem percebe e pratica o serviço público ao digitalizar discos perdidos ou inacessíveis a quase toda a gente. A verdadeira riqueza está em termos o que pertence a todos.

domingo, setembro 06, 2009

Mapas da Desgraça (IV) - Mondim de Basto

Local:
Zona do sopé do Monte Farinha, mais conhecido como Senhora da Graça
MONDIM DE BASTO

Ocorrência: Pedreiras e extracção de rocha (granito, no caso)
Suspeito / Acusado : Por cá, desconhecemos os seus nomes, mas ao que parece serão mais de 30 as entidades que ali exploram.



Outras informações: Todos os anos a volta a Portugal em bicicleta por ali passa; os postais ilustrados costumam ou ser tirados a partir do lado sul ou a partir de determinada cota, para que o que é feio (ah, mas desenvolve a economia da região!) não fique na fotografia; já morreram trabalhadores nas pedreiras, devido à insegurança das condições.


Ponto da situação:

- A cada ano que passa as covas ficam mais fundas, mais espalhadas.

Crime: destruição da paisagem, delapidação de recursos geológicos, florestais...


Se estas actividades não dão garantias de sustentabilidade (exploração de um recurso não renovável) nem tratam de mitigar os seus impactos (poluição sonora e atmosférica (restrita no tempo e no espaço), degradação das águas (que nunca pode ser apenas local) e poluição visual (sentida a grandes distâncias), pensemos muito bem na hora de escolher os materiais com que vamos ornamentar as nossas casinhas (por fora e por dentro)...

sábado, setembro 05, 2009

Plataforma Sabor Livre saúda decisão do Parlamento Europeu

As associações que integram a PSL saúdam a recente decisão da Comissão das Petições do Parlamento Europeu de convidar as autoridades portuguesas e a Plataforma Sabor Livre, autora de diversas queixas contra a construção da barragem do Baixo Sabor, para uma acareação. A referida comissão analisou duas petições que lhe foram apresentadas, a primeira das quais de 2004 e a segunda de 2006, contra a construção da barragem do Sabor e ouviu a Comissão Europeia sobre a questão.

Nas petições, a PSL solicitou ao Parlamento Europeu que inste a Comissão Europeia (CE) a não atribuir fundos estruturais à construção da barragem e que "vele por que as autoridades portuguesas suspendam o projecto" até que as medidas de compensação previstas sejam devidamente avaliadas pela CE.

A PSL considera que, apesar de a EDP ter dado início às obras de construção da barragem, através dos processos judiciais em curso e das diligências efectuadas junto das instâncias comunitárias é, ainda possível evitar a destruição dos habitats protegidos do Sítio de Importância Comunitária e Zona de Protecção Especial do Sabor.

Lisboa, 02 de Setembro de 2009

Comunicado via Quercus


Que se passa com a página da Plataforma Sabor Livre?
Querem ver que o Governo português ou o ainda presidente da Comissão Europeia ligou para o Yukio Hatoyama a pedir para mexer uns cordelinhos...!

Humm.... Isto cheira mesmo a sabotagem!
Os poderosos são capazes das manobras mais democráticas e inimputáveis....

Não nos deixemos iludir: quando o fim alcançado serve os interesses de alguém, de certeza que esse alguém esteve por trás. E quando esse alguém estiver lá para colher os frutos... é como o suspeito voltar ao local do crime.

Teorias da conspiração?
Que não acredite quem quiser continuar a não saber.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Automóvel eléctrico europeu comercializado na Primavera



Bluecar, do grupo francês Bolloré, começa a ser produzido no final de Setembro.

Ler mais em Ciência Hoje

quinta-feira, setembro 03, 2009

Palavras sobre a Ria

Piratas e mercadores no Sotavento Algarvio
Com Hugo Cavaco

6 de Setembro
Às 19h00, em Cacela Velha (entre a fortaleza e a igreja)

Em Cacela Velha, no Verão, a memória e o presente juntam-se para a partilha da Ria Formosa. É esse o convite. Conversas ao cair da tarde, aos Domingos com o areal da península a enquadrar os azuis da paisagem da Ria Formosa.
Os poemas de Ibn Darraj al-Quastalli, nascido em Cacela por meados do século X, chegaram até nós em Castelos de açucena que “as mãos da Primavera edificaram”, ou no voo de um pato “ a tivessem emprestado as asas da aurora”. Talvez estes versos nos possam servir de inspiração e ponto de partida para uma conversa com Alice Fernandes sobre os vestígios islâmicos no nosso patronímico linguístico, ou com António Baeta sobre esse rumor que o al-Andalus nos trouxe pelo lado da poesia. Com Hugo Cavaco , entretanto, deixaremos desfiar histórias de piratas e mercadores.

Apareça e divulgue!


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Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Tel./Fax: 281 952 600

quarta-feira, setembro 02, 2009

Formação em software SIG SuperMap pela GeoPoint

No passado mês de Junho de 2009, a GeoPoint tornou-se parceira de formação da GEOSFERA em software SIG da SuperMap Co. (distribuído em Portugal pela GEOSFERA).
Consulte o cartaz em anexo para conhecer o calendário das formações em SuperMap Deskpro 6, leccionadas pela GeoPoint, a decorrer nos meses de Setembro e Outubro, em Lisboa e Porto. O primeiro curso de formação em software SIG SuperMap (Nível I) em Lisboa (GeoPoint) começa já a 14 de Setembro e está limitado ao número de vagas disponíveis.

Clique para aumentarInscreva-se e venha conhecer em primeira mão o futuro dos sistemas de informação geográfica, a um preço imbatível.
Para mais informações contacte a GeoPoint (www.geopoint.pt / 21 387 95 57) ou consulte a área de formação da GEOSFERA (www.geosfera.pt / geosfera.comercial@geosfera.pt).

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GEOSFERA Lda
Drawing the future in GIS
Rua General Ferreira Martins, nº10, 8ºA
1495-137 Algés (Portugal)
Tel. 00351 211502004

terça-feira, setembro 01, 2009

Esfregar as mãos em tempo de gripe - CORRECÇÃO

Recebemos nos comentários ao artigo anterior um esclarecimento importante e que transcrevemos na íntegra.


"Eu acho que vai aqui alguma confusão...
O hospital a que te referes, em Nogueira, o Estado nada teve a ver e nem investiu um centimo! É um hospital totalmente privado.
Mas sim, o dia 31 de Agosto foi o limite para o Hospital de S. Marcos que passou para a gestão de privados. Mas esses privados são o grupo Mello e uma construtora de Lisboa. Não tem nada a ver com a Britalar.
"

Reconheço o erro cometido e com este pequeno comentário se precisa a verdade.
Pelo que à luz dele deve ser relido.
Obrigado, amigo Caesar.

Esfregar as mãos em tempo de gripe


Agentes portadores de (uma outra) gripe em Braga.
Montagem de Eduardo F.


Os corpos suados dos jogadores que se abraçam quando marcam golos ostentam nas costas quatro palavrinhas que nos fizeram reflectir. Hospital Privado de Braga, são elas. Vermelho e branco, o equipamento. Futebol, o desporto. S.C.B., o clube.
(Ah! ao lado acompanha-lhes uma outra palavra. Que não vem dicionário mas cujo significado não passará despercebido. Britalar é ela.)

Ontem, 31 de Agosto, foi o dia limite.
A Saúde é de todos. Esfreguemo-nos de contentes. Mesmo em tempo de gripe, dêmo-nos por contentes, que agora o concelho de Braga vai ter melhores e maiores acessos a cuidados de saúde. Todas as especialidades e mais alguma ao dispor dos clientes... perdão!, UTENTES, nós dissemos Utentes.

O Estado apetrechou esta nova unidade com os mais modernos equipamentos e coisa e tal. O Estado investiu. Isto é, nós investimos. Milhares de euros, sabe-se lá quantos. E investir na Saúde é acautelar o futuro.
"A cavalo dado não se olha dente, meu filho."

Foto de Eduardo F., Nogueira, Braga, 12.03.08.


Ontem, 31 de Agosto, foi o dia limite.
Hoje, a empresa do grupo Trofa Saúde pega na administração da unidade.
E já esfregam as mãos de contentes.
Prevêem-se sucessos de gestão estrondosos e lucrativos.
"Para provar que o Estado não sabe gerir e que é sempre preferível, para os portugueses, entregar aquilo que pertence a todos a uns quantos que estão a tomar conta de tudo.
Para comprovar e erguer a bandeira do empreendedorismo com futuro em Portugal.
Vivam os grupos económicos! Abaixo o Estado!
(excepto para abrir nos caminho...)"

Proponho o seguinte: destituirmos não o Governo, mas o Estado.
Assim, só para experimentar. Só durante, vá lá, uns dois mesitos.
Para ver se concluímos que é verdade que o Estado é apenas uma fachada atrás da qual tudo se desenrola com a normalidadezinha em que temos vivido.

O Estado, a acreditarmos neste postulado, apenas existe para garantir a coesão social.
Ao atribuir os subsídios de desemprego, invalidez, ao patrocinar instituições que retiram da miséria um número estatístico de pessoas dando-lhes a esmola com que aguentam a sua vidinha...

Foi a isto que reduzimos o Estado.
O Estado é o primeiro a apoiar as empresas e é o primeiro a ser criticado pelas empresas.

"Não votes para não perder o poder" era uma das ideias escritas nas paredes da cidade nos anos 80. Uma espécie endógena de "Sejamos razoáveis, exijamos o impossível".
Olhem como fazem sentido aquelas palavras!...


Despesas públicas, ganhos privados.
Sementes da plebe, frutos para os reis.
Num tempo de gripe que há muitos, muitos anos assola esta terra mesquinha e podre.

Escandaloso. Degradante. Intolerável.
Inqualificável? Não
Perfeitamente normal.
Perfeitamente normal.

E o actual presidente do SCB ser - vejam lá a coincidência! - o administrador da empresa Britalar nada traz de novo. Nem o hábito de ser a grande / habitual vencedora dos concursos para construção e reconstrução que por cá se fazem. Porque a promiscuidade entre negócios e entretenimento, entre serviços públicos de fachada e interesses privados destruidores, entre política e empresas, é do que mais se semeia por estas terras de betão.
E que frutos bem gostosos elas dão.

Mas nós sabemos bem quem eles são, foram e, por sucessão dinástica, nunca votada, continuarão a ser.
E olhá-los-emos sempre pelas mãos.
Venham eles vestidos de cónegos, padres e bispos, de ministros, vereadores e autarcas, de gestores de empresas, hospitais e bancos, de administradores de construtoras ou de presidentes de clubes de futebol.
As mãos, e o que nelas está, não mentem.

Por mais tempo que demorem a lavá-las sempre transmitirão doenças malignas.
Podem não matar tanto como outras (aprendemos a viver no meio da imundície), mas corroem-nos por dentro até ao tutano.
Braga como laboratório da democracia nacional.
Maior e saudável. Da Democracia falamos.

É bom roubar em Braga!

domingo, agosto 30, 2009

Mapas da Desgraça (III) - Loures

Local:
Bobadela
LOURES

Ocorrência: Aterro com 35 mil metros quadrados na margem esquerda do rio Trancão.
Suspeito / Acusado : Transai - Investimento Imobiliário, Lda.




Outras informações : ligeiramente mais abaixo, outra enorme área, que o mapa registou com muitos automóveis estacionados, onde se comete o mesmo erro: impermeabilizar espaço vital que devia ser do rio. (Queira arrastar ligeiramente o mesmo para Noroeste.)
Relembre-se que em Fevereiro deste ano, houve cheias naquelas zonas.



Ponto da situação:

- A obra não estava licenciada.
- A verdade é que apesar de embargada a obra, o aterro está concluído e ali continua. Que fazer agora? (Ah! a tal irreversibilidade dos danos...)
- Para além de depositar terra no local, a empresa terá revestido de tout-venant (uma mistura de gravilha e pó de pedra) cerca de 14 mil metros quadrados do terreno em causa.
- Por consequência, houve a alteração da topografia do terreno.


Notícia do JN de 11 de Agosto de 2009. Ler aqui.


Crime: Destruição e impermeabilização de solos em terreno que, se não está, devia estar classificado como Rede Ecológica Nacional, uma vez que se trata de uma área de infiltração. O resultado é o incremento do risco de cheias e inundações, bem como da velocidade da corrente. Qualquer criança percebe isso.

Quando houver mortes nas próximas inundações, alguém no tribunal aceitará este aterro como prova para responsabilizar pessoas? A prova faz o culpado.
E os cúmplices que permitem uma coisa destas não terão também de ir parar ao banco dos réus?

quarta-feira, agosto 26, 2009

"Psicologia Social - Ambiente e Espaço", de Carlos Barracho

Título: Psicologia Social - Ambiente e Espaço
Autor: Carlos Barracho
Edição: Lisboa, 2001
Editora: Instituto Piaget
ISBN: 972-771-419-6
Paginação: 98 páginas



Este pequeno livrinho funciona como uma breve introdução à temática da psicologia do espaço. É de alguns "conceitos, abordagens e aplicações" (como no-lo diz o subtítulo) que Carlos Barracho nos fala, citando vários estudos e autores.

Dividido em duas partes, as suas páginas são usadas sobretudo para falar de teorias sobre a relação do Homem com o Meio (1ª parte) e sobre a relação entre paisagem, espaço e turismo (2ª parte). Eis algumas, curtas e soltas, passagens que achámos interessantes:


"De notar ainda que a apropriação do espaço exige primeiramente uma identificação desse mesmo espaço, a saber, o reconhecimento entre o 'aqui' e o 'acolá'. (...) Se o local não possui identidade, essa será a primeira tarefa a fazer, dar-lhe identidade"
(2.1.3 - A Abordagem Psicossociológica, p.32)



"
A distância íntima, corresponde na fase próxima ao contacto directo entre os corpos (...). A distância pessoal corresponde a uma 'esfera fenomenológica' que nos separa dos outros e vai dos 80 cm ao metro e meio. A distância social é uma distância convencional, diferente de cultura para cultura (...). A distância pública (...) é uma fase que corresponde a cerimónias protocolares e em que é necessário muitas vezes elevarmos a voz para que a comunicação seja perceptível"
(2.2.2. - A Comunicação Homem-Meio, p.43)



"A apropriação, para Sansot, mais afectiva que activa, é um acesso aos diversos processos de identificação (...). Proshansky refere ser a apropriação um acto de domínio do espaço físico ou psicológico sobre um dado local. (...)
A apropriação consiste, então, em sistemas comportamentais ao nível das espécies gregárias, assegurando a coesão e a estabilidade dos grupos através da divisão entre indivíduos ou grupos (...)"
(2.2.3 - Apropriação e Territorialidade, p.48)



"Estes graus de apropriação dependem da criação de barreiras ou muros, que modificam a percepção e originam um 'interior' e um 'exterior', um 'dentro' e um 'fora', um 'aqui' e um 'acolá', separando definitivamente o 'eu' dos 'outros'. Importante é salientar a definição das paisagens como uma quantificação espacial da continuidade da trajectória do ser humano e da sua hierarquização em função de critérios que são estéticos (...) O indivíduo forma determinada imagem não só dele próprio, como também dos seus limites perceptivos, que irão recortar o espaço contínuo em camadas descontínuas."
(2.2.4 - A Escola de Abraham André Moles ou Escola da Comunicação e Espaço, p.56)



"Ulrich (1979) refere a descoberta de ansiedade e tristeza após a apresentação de cenários urbanos aos sujeitos, bem assim como uma diminuição do nível de ansiedade e um maior nível de respostas afectivas após a apresentação de cenários da natureza (...)
(2 - Espaço, Representações e Dimensões Psicossociais da Paisagem, p.71)



"Paisagem é uma porção de espaço visível que podemos ver, sentir, absorver e finalmente 'consumir'. (...) Nos dias de hoje, o Homem, para as contemplar e absorver, percorre grandes distâncias e gasta uma parte das suas energias e dos seus recursos, pois esta actividade dá-lhe prazer e sugere-lhe qualidade de vida: são os paraísos bem idealizados através das viagens turísticas e difundidas por todo o tipo de meios de comunicação de massa. (...)
Os responsáveis, embriagados pelos benefícios obtidos através da visita dos 'curiosos', tentam maximizar o produto desta exportação invisível onde o turista gastará a sua energia, o seu tempo e o seu dinheiro: sobretudo o seu dinheiro. Estas acções original um ciclo irredutível do consumo das paisagens: a ideia intuitiva de paisagem inalterável aos olhos e vagas sucessivas de consumidores é indirectamente destruída por aqueles que a estimam ("Poluição visual", Moles, 1986; Covarrubias, 1989). Ora, a concentração massiva de visitantes origina determinados efeitos que nós apelidaremos de poluição social, transformando ao fim de certo tempo, uma paisagem bela e célebre num lugar povoado e descaracterizado. A capacidade de atracção diminui e instala-se uma motivação negativa originando um custo psicológico elevado. O turista sentir-se-á incomodado pelo tráfego excessivo, pelas urbanizações selvagens, pelo comércio crescente e pela falta de higiene. Mais do que isso: ele, que quis fugir à rotina, encontrar-se-á num ambiente semelhante ao que acabou de deixar antes de partir para férias."
(3 - Paisagem e Turismo: Abordagem Psicossociológica, pp.75 e 77)


Para além disto, no que concerne à Geografia, pouco mais quisemos ou conseguimos extrair. É de referir ainda que o autor comete alguns erros de sintaxe, que lamentamos e não gostaríamos de ter encontrado neste livro de leitura bastante acessível.


Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

terça-feira, agosto 25, 2009

Música das Regiões - Mediterrâneo (recta final)

Nesta recta final em torno do Mediterrâneo, centramo-nos em terrenos das proximidades, com canções das terras "de parla catalana". Mas apenas em questões de idioma. Porque a música e quem a canta, esses, são de todo o lado.

Relembramos a quem nos visita que as músicas podem ser escutadas na AntenaGEO, na barra da esquerda, um pouco mais abaixo.


Intérprete: María del Mar Bonet
Origem: Espanha (Maiorca)
Tema: Sa Núvia d'Aljandar
Extraído do epê "Cançons de Menorca", de 1967

Ora cá trazemos novamente María del Mar Bonet. Maiorquina a cantar canções da ilha vizinha das Baleares. "Sa Núvia d'Aljandar" é a primeira canção do seu primeiríssimo disco. Estávamos em 1967 e já mais de 42 anos são passados desde que começou a sua enriquecedora viagem a dar-nos música.



Intérprete: Lluís Llach
Origem: Espanha (Catalunha)
Tema: Vaixell de Grècia
Extraído do álbum "Camp del Barça, 6 de Juliol de 1985", de 1986

Já tínhamos mencionado o nome de Lluís Llach antes. Há em Llach uma suavidade, uma fluidez, um sentido melódico muito difícil de encontrar na vastidão da canção popular. Originalmente gravada no álbum "I Si Canto Trist", de 1974, esta interpretação ao vivo, no inesquecível e grandioso concerto que encheu o Camp Nou de sonho (procurem no YouTube, que há vídeos de outras canções, como a nossa tão querida "Abril 74" ou o hino "L'Estaca"), é bem mais suave. Com "Vaixell de Grècia" Llach parece pôr todo o Mediterrâneo no mesmo barco, a navegar ao sabor das ondas, tranquilamente, "que anem al mateix port".


Intérprete: Arianna Savall
Origem: Suíça
Tema: El Mariner
Extraído do álbum "Bella Terra", de 2003

O apelido não engana: Arianna é filha de Jordi Savall e Montserrat Figueras. Harpista com voz de soprano, nascida em 1972, em Basel, interpreta esta canção tradicional catalã que é também conhecida como "A la vora de la mar".

domingo, agosto 23, 2009

Mapas da Desgraça (II) - Castelo Branco

Local:
Alcains
CASTELO BRANCO

Ocorrência: Descarga poluente na ribeira da Líria.
Suspeito / Acusado : Oviger - Produção, Transformação e Comércio de Carnes e Derivados, S.A.

Ponto da situação:

- Desde Março de 2008 que o SEPNA tem recebido várias denúncias.
- “A vegetação existente no leito da ribeira e nas margens são o espelho da ausência de actuação por parte das entidades”.


Informações extraídas do Jornal Reconquista online, de 30 de Julho de 2009. Ler aqui.


Crime: poluição das águas.

O princípio do poluidor pagador é caro para o poluidor? E para nós? O poluidor tem de tratar os produtos do desempenho da sua actividade. Só depois, em condições verificadas pelas autoridades competentes (ligadas à Saúde e ao Ambiente), poderão estes ser repostos no meio.


quarta-feira, agosto 19, 2009

Comunicação ao país e passeio pedestre pela linha do Tua - 22AGO09

Caros(as) amigos(as),

Para conhecimento de todos os interessados, segue abaixo informação relativa a uma iniciativa organizada pela Coagret-Portugal, a ter lugar no próximo dia 22 de Agosto, na qual o MCLT estará também presente.

Atentamente,

Movimento Cívico pela Linha do Tua
www.linhadotua.net


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A COAGRET-Portugal propõe a todas as organizações idóneas da sociedade civíl, em particular aquelas que já tiveram intervenção no caso da linha do Tua que se unam em torno desta acção, a realizar no próximo sábado, dia 22 de Agosto de 2009.


Comunicação ao país e passeio pedestre pela linha do Tua
09h30 - concentração junto a estação de comboio de Mirandela, rumo à estação de Abreiro/Vieiro
09h37 - partida em transporte próprio ou em transporte público (Metropolitano para o Cachão onde se embarca no transporte complementar)
10h30 - conferência de imprensa em jeito de denúncia dos responsáveis pela actual situação da linha do Tua. Intervenção breve de todos os colectivos representados, segundo estrutura definida
11h00 - início da marcha rumo a estação da Brunheda e romagem simbólica ao local do último acidente ocorrido na linha do Tua
13h00 - almoço volante


Para mais informações, contactar:
Pedro Felgar Couteiro
COAGRET-Portugal
https://coagret.wordpress.com
coagret.pt@gmail.com
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela, 4
5370-408 MIRANDELA
PORTUGAL
telm.COAGRET: (+351) 969761301