sexta-feira, maio 01, 2009

No 1º de Maio em Braga: procura-se trabalho e vende-se baratinho

Vidal: Braga: Abril, Maio, Junho...

Dia do Trabalhador?

A aritmética da catástrofe (I)

Uma das ilusões criadas pela globalização económico-mediático-cultural-blá-blá-blá é pôr-nos a olhar para longe e descurar o que está aqui ao pé, que é, pese a nossa megalomania, onde podemos actuar com mais controlo e onde há maior possibilidade de resultados.

Não espanta, por isso, que os que conduzem essa mesma globalização se empenhem tanto em nos chatear a cabeça com "o longínquo". Sabem muito bem que só instigarão em nós o sentimento de impotência, fracasso e resignação. No fundo, as anti-forças do nivelamento universal que insistem em puxar-nos sempre para baixo, para o fundo, para que tudo continue a ser e estar como sempre tem sido e estado: nas mesmas mãos.


Um desses exemplos é quando se põem a gritar, quais cabeças de altifalantes, sobre a destruição da Amazónia. Que por dia não sei quantos campos de futebol são arrasados. Ou que em não sei que período vai à vida uma área do tamanho da Bélgica etc. e tal.

E nós, armados em JFKs de altifalantes sem pilhas, dizemos, solidariamente:
"Nós também somos amazónicos".

No entanto, na nossa pequenez, na nossa pequenez de grãos de milho, grão a grão vamos alimentando a congestão da galinha estéril.

Foto de Eduardo F., Braga, 23.03.2008

Basta olhar à nossa volta, no nosso dia-a-dia. Estando ou não nós em tempo de autárquicas (sintoma péssimo do estado da nossa democraciazinha é associarmos imeadiatamente tempo de eleições a intervenções nos nossos burgos - e com intervenções, entendam-se obras a que costumam apelidar públicas (mais as autarquias) ou ainda de interesse público (mais o governo central), é ir vendo como, aos poucos, o nosso espaço mais próximo vai sendo alterado.

Uma coisa é sabida (mas raramente sistematizada): como a água do lavatório após retirarmos o ralo, 99,9% das obras que se fazem conduzem sempre ao mesmo de que viemos hoje aqui falar.

Proponho um exercício que muito divertirá o caro leitor. Mesmo sem dados concretos (que a matemática dá-nos cabo do juízo), pense então em:

cada parque de estacionamento alcatroado,
cada linha férrea construída,
cada auto-estrada alargada,
cada estrada rasgada,
cada incêndio ocorrido,
cada solo esgotado e tornado areia,
cada estufa montada,
cada átrio de igreja calcetado,
cada loteamento que aguarda,
cada campo de futebol coberto,
cada campo de golfe jogável,
cada telhado pronto,
cada centro comercial aberto,
cada árvore cortada,
cada bloco de pedra extraída,
cada área agrícola convertida em temos sabido bem o quê,
cada heliporto à espera,
cada prédio erguido,
cada retrocesso da linha de costa,
cada deposição de inertes,
cada aterro hermeticamente selado,
cada cidade que se expande,
cada margem de rio artificializada,
cada jardim público que se perde,
...

Pense nestes e em muitos mais exemplos.
Não sei se já nos apercebemos, qual exercício infantil para desenvolver as nossas capacidades cognitivas, no que têm todos eles em comum.


Vá lá, pensemos mais um bocadinho.
Pense na / numa consequência que todos eles têm...

Aceitam-se palpites e sugestões (nos comentários).

Segunda-feira voltaremos a esta aritmética da catástrofe.

quinta-feira, abril 30, 2009

Os porcos vêm de avião

O fedor existe, mas além de nunca termos querido erradicar as suas causas, afogando-nos em perfume, sempre temos contribuído para o alimentar.

Este é apenas mais um sinal de que a sociedade industrial que o dito Ocidente construiu e já por todo o mundo colonizou está assente em pilares de areia.

A questão é que agora chega ao fim da linha: a cadeia alimentar. E aí, nós, coitadinhos de nós, já nos sentimos afectados.

A multiplicação do negócio de formas insustentáveis tem os seus "danos colaterais". Daí a insustentabilidade.
Até ser descoberto, contestado, proibido ou erradicado, quem o gere pouco se importa com o "fogo amigo". Os ganhos valem incontestavelmente mais que as perdas.

Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogénicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.

Aí vêm eles!(Foto vilipendiada por Eduardo F.)


Agora, tomados já pela ante-febre, encetemos a contestação e a tomada de medidas. Medidas contra a nossa própria concepção do mundo:

Fechemos as portas!!!
Não deixemos entrar nenhum animal com termómetro na boca e bochechas rosadas.
Sobretudo se vier de avião!

quarta-feira, abril 29, 2009

"Matar também é preciso"

Nem sei por onde começar...

Em primeiro lugar gostaria de vos chamar à atenção para um aspecto que me parece essencial revelar-vos, como quem sussurra, em segredo, algo de que nos esquecemos ou em que ainda não tivemos possibilidade de reparar. E vou fazê-lo com uma imagem. Pode ser esta:


Retirada daqui


Não, não é nenhuma piada de mau gosto.
Com esta imagem apenas optei pela estratégia do "inimigo", que anda a roubar-nos a atenção e a capacidade de discernimento: os textos longos, como este ameaça tornar-se, são enfadonhos e desviam-nos das coisas importantes que neles por vezes se dizem.

Daí a imagem. Para vos prender mais um bocadinho.
Não, não estou a brincar. Estou a ser transparente. Vêde quantas vezes já caísteis nesta armadilha sem pestanejar. Agora até podeis dizer "este gajo quem é que pensa que é?", ou até já ter clicado para uma outra qualquer página na teia (net). Não me interessa. Quem quiser saber porque pus aquela frase no título terá de "enfadar-se" com o resto deste texto. Porque a liberdade que nos permite expressar-nos vale muito pouco se não nos permitir também ser ouvidos.

Ora bem, certamente estareis lembrados do beijo da Britney e da Madonna aqui há uns tempos. Correcto? Não houve uma velhinha lá pràs bandas dos EUA que interpôs um processo à estação televisiva que transmitiu tal "imoralidade", obrigando-a a pagar uma multa de não sei quantos dólares?

Quer dizer, e quem percebe de Direito poderá corrigir-me, estamos perante uma discussão entre liberdades: a liberdade de transmitir, sem censura, o "directo", e a liberdade / respeito de "não ter que levar" com certas coisas. Talvez, nesta questão ética de justiça, estejamos a falar de "liberdade de informar" e "direito à privacidade". Não sei bem precisá-lo.

Na mesma situação estaria, então, este triste episódio. Sim, estamos a meter a mão numa parte sensível da sociedade dita democrática.

Pois bem, da mesma forma eu gostaria, e ainda hei-de pegar num qualquer artigo da Constituição da República Portuguesa à luz do qual eu possa fazê-lo, de processar a Rádio Renascença. Porquê, perguntais-vos a estas horas da maturidade?

Nem vale a pena vir com a contextualização da frase que entitula este artigo. Tal soar-me-ia, sem outra hipótese, a desculpabilizar, a minimizar a gravidade do que ela, nua e crua, quer dizer só por si.

Foi na noite de 24 de Abril, pouco antes das zero horas, 35 anos depois de umas zero horas em que este país iria começar a mudar.

Um sujeito - "Ei! Ei!, atenção à liberdade de expressão, que é sagrada" (dir-me-ão. Espera, que eu já te respondo...) - estava a dar a sua opinião sobre o 25 de Abril, a falar das colónias e a dizer que as mesmas foram entregues muito cedo... Tudo bem. Não discuto, porque é passível de discussão.

Depois, a dada altura, diz isto:

"Matar também é preciso."


Não sei o que dizer. O que sei é que, em nome da liberdade pela qual lutaram, e que esse senhor, ao que parece, despreza, ou odeia, então também posso dizer o seguinte:

"Por uma frase dessas, o senhor devia ser preso."


O Georden vem , contudo, manifestar o repúdio contra a falta de valores, ou contra ditos valores que são contrários à dignidade humana, ao respeito pela diferença e à amizade entre os povos. Falta de valores expressa na belíssima frase do sujeito que falou, em directo e sem censura, na Rádio Renascença.

Esse, e outros seus semelhantes, são atrasados mentais.
Continuamos a insistir que não têm outro qualificativo.


E se querem realmente que vos diga, ou confesse, digo-vos que, apesar de beneficiarem dos seus frutos, não foi por pessoas a pensarem assim que os militares fizeram a revolução.

terça-feira, abril 28, 2009

Geosfera: Drawing the future in GIS

Clica para projectares o futuro
Caros amigos,

Propomos a visita do novo site da Geosfera!

Para quem não sabe a GEOSFERA "começou a sua actividade em 2007, tendo começado a operar na qualidade de um gabinete de estudos, congregando áreas de actividade tão diversificadas como aquelas que o acrónimo GEOSFERA evidencia — Gabinete de Estudos de Ordenamento, SIG, Formação E Riscos Ambientais."

"Acresce ainda que é a distribuidora oficial de software SIG da Clark Labs, (entre os quais se conta o IDRISI) e também da companhia asiática SuperMap em Portugal. A GEOSFERA passou por um período de reestruturação recente e está a assumir uma vocação direccionada para a apologia de soluções SIG alternativas para uma maior abertura de mercado e melhor adequação dos recursos em face às necessidades reais dos utilizadores das geotecnologias."

+ info
morada Rua General Ferreira Martins,
nº10, 8ºA,
1495-137 Algés (Portugal)
telf. (+351) 211 502 004

segunda-feira, abril 27, 2009

Expomar 2009

Clique para entrar

"Vimos por este meio trazer ao vosso conhecimento a realização da Expomar de 30 de Abril a 3 de Maio de 2009 em Olhão. A Expomar é uma iniciativa da Câmara Municipal de Olhão, organizada pela Efeito Eventos em conjunto com a Fesnima e com o apoio da Alentexpo, que consiste numa mostra relacionada com o mar e actividades náuticas.

Com o objectivo de assinalar a 6ª edição da Expomar de forma única na história e na relação que cada um de nós individualmente, as empresas, associações e outras entidades da região têm com o mar e com a ria Formosa, propomos este ano a realização de acções de sensibilização e limpeza de algumas zonas marítimas.

A Marear é, portanto, uma iniciativa paralela à Expomar, apoiada pela Câmara Municipal de Olhão, Hidroespaço, Natura Algarve, Jornal O Algarve e SPEA, que tem como objectivo sensibilizar a opinião pública para os efeitos nefastos dos detritos de origem diversa no bem-estar ecológico, visual e económico da ria Formosa.
Vamos promover uma acção de limpeza subaquática e de superfície das ilhas barreira no dia 30 de Abril das 9:00 às 13:30, disponibilizando transporte e materiais para os todos os voluntários.

Convidamos-vos a unir os vossos esforços aos nossos contribuindo, de forma exemplar, para a manutenção de um dos nossos maiores recursos, o mar, promovendo em simultâneo o bem-estar de todos nós que vivemos no coração da Ria Formosa, a porta do nosso mar!"


Para mais informação e inscrições contacte por favor:

Sandra Godinho
917241252

domingo, abril 26, 2009

"Democracia Light"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

domingo, abril 19, 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

Dá-nos licença para falar, Sr. Alberto Martins?


Faz hoje 40 anos que o sr. Alberto Martins, à época presidente da Associação Académica de Coimbra, e residente (como mais tarde este escriba) na Real República dos Pyn-Guins, hoje por hoje, deputado na Assembleia da República pelo PS; faz hoje 40 anos (1969), dizia eu que, o sr. Martins pediu a palavra, na famosa sala Infante D. Henrique (hoje 17 de Abril), ao sr. Presidente da República Américo Tomás, para falar em nome dos estudantes (vínhamos do Maio de 68 e os estudantes tinham várias reivindicações e queriam ser ouvidos). Foi-lhe negada. Falaria a seguir o ministro (acho) das obras públicas. Os estudantes protestaram. À noite Alberto Martins estava preso. Ele e outros. Seguiu-se-lhe um período de prisões, perseguições e exército nas ruas. Foi decretado o luto académico. Meses de tensão abraçaram os estudantes unidos. Ainda apanhei no início da década de 1990 um pulsar genuíno da força e do potencial estudantil quando unido e quando esclarecido. Lia-se muito. Avidamente, o que ajuda. Queria-se (alguns pelo menos) conhecer a história e as estórias da academia e da sua intervenção política e social, e menos a mascarada das praxes e da tradição retocada e fantasmática. Não sei se ainda resta alguma coisa. Mas hoje na Assembleia parece que é proibida a utilização de certas palavras ("autista", por exemplo, a pedido de certas famílias) na senda do que já vem sendo habitual, com a censura de livros e de desfiles de Carnaval, entre outras mordaças. Já agora, dá-nos licença que tomemos a palavra sr. Alberto Martins?
Não seja autista…

domingo, abril 12, 2009

"Flexigurança"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

sexta-feira, abril 10, 2009

Seminário Comunidades Saudáveis e Promoção de Estilos de Vida Activos

Clica para aumentarDivisão de Desporto - Câmara Municipal de Oeiras
Mais informações mexa-semais@cm-oeiras.pt

quinta-feira, abril 09, 2009

Incompetência, Negligência ou Má-fé

Clica para aumentar "Serpenteando entre montes", em linhadotua.net


Carta Aberta ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações


Incompetência, Negligência ou Má-fé



Exmo. Sr. Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Exma. Sra. Secretária de Estado dos Transportes


"A calamitosa política de transporte seguida para as Vias Estreitas (VE) do Douro nas últimas três décadas atingiu o ponto de ruptura. A falácia do prejuízo nestas vias-férreas, mesmo tratando-se de um serviço público a manter para bem da solidariedade e coesão social, e malgrado a forma danosa como têm sido administradas, esquece convenientemente os desastres financeiros da Carris e dos Metros do Porto e de Lisboa, averbando respectivamente prejuízos crescentes na ordem dos 18, 150 e 160 milhões de euros, suportados por todos os portugueses, do Litoral ao Interior e Ilhas.

O fundamentalismo do alcatrão culminou na imobilização de todo o país em Junho de 2008, face à dependência do petróleo e da rodovia, assistindo-se a uma escassez de víveres preocupante numa questão de dias, enquanto apenas 3% das mercadorias é transportada por via ferroviária. O favorável panorama petrolífero actual é passageiro, e será agravado pela imposição das chamadas taxas ecológicas, com impactes muito pesados para o transporte rodoviário de mercadorias. A terrível dependência energética de Portugal sobressai no sector dos transportes, responsável por mais de metade deste bolo de poluição e ineficiência, que em nada será aplacado pela construção de barragens. Ainda assim, assiste-se à construção mediatizada de mais e mais auto-estradas, mormente no Litoral, em investimentos de milhares de milhões de euros, enquanto o investimento nos caminhos-de-ferro atinge o seu valor mais baixo em 13 anos (250 milhões de euros), numa queda que com o actual Governo acelerou notavelmente. De facto, apenas a Grande Lisboa e o Grande Porto reúnem tanto investimento em estradas num ano como o país inteiro em caminhos-de-ferro em quatro."

Ler mais aqui.

Movimento Cívico pela Linha do Tua, 2 de Abril de 2009

segunda-feira, abril 06, 2009

INSPIRE


INSPIRE PT - Blogue dedicado à transposição da directiva europeia INSPIRE para o quadro legislativo português, regulamentando a produção de informação geográfica nacional de acordo com as normas europeias.

Holocausto na Lagoa dos Salgados

Em youtube.com

domingo, abril 05, 2009

domingo, março 29, 2009

"Os pássaros"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

sábado, março 28, 2009

Fora de moda...

Como ninguém liga nada ao que realmente contribui para desmantelar este país, a CP, à socapa lá encerrou duas linhas de caminho de ferro, a saber, a do Corgo e do Tâmega. Nem um pio sobre a coisa. De ninguém. Hoje há bola e congresso leonino. Hoje há páginas inteiras a martelar corrupção sem qualquer desenroscar que se veja. Há um país incompreensivelmente distante daquilo que interessa. O zoológico do interior perfila-se cada vez mais. Faltarão, todavia, as espécies autóctones. O asfalto (não sendo gótico) reflecte a modernidade que temos: uma estranha geografia. 
Apenas encontrei mais uma referência ao assunto num post aqui.

domingo, março 22, 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Boas intenções ou atenções boas?

Vai-não-vai, lá vem o TGV. Para grandes males, grandes obras. Sucede que este é o mesmo país em que praticamente 90% do transporte de mercadorias se faz por via rodoviária (com todas as consequências que daí advêm); o mesmo onde se encerram linhas de caminho-de-ferro (veja-se o Tua entre outras) ou são reconvertidas para fins turísticos (alegres zoológicos a céu aberto); onde uma ligação Braga/Porto demora 1h15m e Barcelos/Porto o mesmo, praticamente, que o meu pai levava na década de 1970. Este é um país pequeno onde uma planeada rede de linhas de média velocidade (por exemplo como os Inter Cidades) faria toda a diferença, mas onde há muito tempo o modelo de desenvolvimento assenta na construção de rodovias. Então para que serve (ou a quem serve) o TGV? Veremos.
Recentemente soubemos também de mais um instrumento para combater a crise disponibilizado pelo governo. As famílias com desempregados vão ter um desconto de 50% na prestação do crédito à habitação. Esta medida tem a duração de dois anos, após os quais o dinheiro terá que ser devolvido. Parece-nos bem. Observando-a reflectidamente, chegamos à conclusão que a par do apoio às famílias com dificuldades é um enorme apoio ás instituições bancárias, pois continuam a receber o seu dinheirinho. Dir-me-ão: os bancos podem sempre vender em leilão os imóveis. Respondo: podem não. Podiam. Já ninguém compra. Se o objectivo fosse ajudar a malta a ultrapassar a crise o apoio seria também para famílias com desempregados que vivem em imóveis arrendados. Não é pois não?
Também estas podem ter dificuldades em pagar. Ou ir para a rua. Mas isso é outra história…

quarta-feira, março 18, 2009

Vergonha de norte a sul

Não temos fotos para vos elucidar sobre aquilo de que tivemos de vir falar aqui.

Por um motivo ou por outro vamos nos deslocando pelo país. As vias de maiores fluxos são, provavelmente (i.e. com provas), as estradas e vias férreas do litoral. Aquela faixa ocupada a que já muitos chamaram a cidade de Viana a Lisboa. As coisas não são bem assim, bem o sabemos, mas... que diferença faz?
Para o que é necessário, o que resta é quase nada.

E nessas viagens, mais ou menos longas, cujas paisagens são condicionadas pela nossa atenção ao percurso e seus obstáculos e, por outro lado, pela localização das próprias vias por onde circulamos, vamos tendo uma ideia mais fundamentada do velho cliché que os professores de geografia nos ensinam: a ideia de Portugal ser ao mesmo tempo pequeno mas rico em diversidade paisagística. E isto tanto a nível geológico (tipo de rochas e morfologias) como - em boa medida, por consequência - a nível humano (tipos de habitação, usos do solo, etc.)

Ou seja, vamos interagindo com as principais componentes física e social através das quais poderemos depreender ou inferir os modos de vida das populações, a sua cultura, isto é, a sua inscrição no espaço ao longo da história.
(É fundamental ler o mestre Orlando Ribeiro para termos o privilégio da fluidez e do amor com que fala destes assuntos... Recuperamos para tal a recomendação de "Introdução ao Estudo da Geografia Regional")

Aquilo que vamos vendo por esse país fora nem sempre se revela. O viajante encontrará situações inexplicáveis, completamente absurdas até, que o farão perguntar-se sobre o que raio andamos aqui a fazer, ou "onde é que está o poder neste país?". Outras vezes, terá que ver e calar, à falta de preparação para saber interpretar o que se lhe é apresentado.

Um exemplo disto prende-se o "tapete vegetal". Nas palavras do professor, "só um conhecimento profundo ou uma investigação sistemática da flora de certa região, inacessível a quem não for botânico (e perito e expedito no trabalho de campo!), permite empreender uma pesquisa deste género". (op. cit. p.116). Ora, isto escapa muitas vezes ao Geógrafo e, no seu calcorrear pelo terreno, é fácil "passar por cima" de elementos que muito lhe poderiam dizer para explicar a paisagem.

Porém, neste caso, salta à vista e não é grande mister perceber a autêntica e alarmante desgraça em que o país está mergulhado: mesmo por baixo dos nossos olhos e narizes, Portugal está infestado de eucaliptos.

Ouvi dizer que a principal das concessionárias (que nomes engraçados para quem detém, para quem roubou - quiçá para sempre - aqueles milhares de hectares) das auto-estradas tem ou faz contratos com os proprietários dos terrenos adjacentes para que plantem eucaliptos. Ouvi dizer! Não sei de mais nada, nem se é verdade. Mas a avaliar pela enorme tristeza que grassa por aí não me admirava nada se fosse...

E quem ganha com isto deve ser a indústria papeleira. É a rodinha da vergonha, que gira sem parar.

Ali na Cova da Piedade (Almada) chegámos a ver eucaliptos como planta ornamental de uns retalhozinhos que para efeitos de PDM funcionam como espaços verdes e a que o comum cidadão também costuma chamar jardins. Também vimos que um desses "jardins" tinha areia (sim, como a da praia da região) em vez de terra. E as plantas que nele cresciam por abandono e desleixo, fazem-nos mesmo pensar quão forçado é o tapete da relvinha verdajante por onde passa o metro (MST - Metro do Sul do Tejo). Eu nada tenho contra a relva ali. Até é preferível. Mas apenas se contrapõe ao empobrecimento do resto.


Vimos, já entrados no Alentejo (distrito de Beja), quantidades dessa espécie como não esperávamos encontrar. (E também terrenos nus, sujeitos à erosão. Estamos, lenta, tranquila e silenciosamente a perder o suporte de vida)

De norte a sul, o país parece ter-se rendido à rendibilidade do eucalipto. No fundo, sinais dos tempos que correm: paradigma da globalização, do crescimento rápido, do lucro fácil e dos efeitos colaterais que todos pagamos: o empobrecimento (perda de diversidade) da paisagem, que assim se torna mais feia e igual.


Na região dos terrenos terciários (e falamos da faixa de Coimbra a Lisboa) vemos vertentes ravinadas, terras descarnadas, sujeitas à meterorização e à erosão que carimba, sem mais hesitações, a perda do solo. Para abrir estradas, essas "concessionárias" esqueceram-se de tratar das margens. Houve aqui há tempos, no programa Biosfera, uma reportagem sobre requalificação de terrenos degradados, cuja intervenção principal e salutar consistia em recuperar essas vertentes cobrindo-as de vegetação. Sim, é positivo. E essa iniciativa partia da principal das concessionárias. Mas onde estão esses bons exemplos? Há tanto por fazer...!

Olhando à esquerda e à direita vemos acumulações de areia e terra sem explicação. Nem um sinal de que por ali vá passar mais um viaduto...

Outras vezes, como ali bem perto de Oliveira do Douro, vemos coisas semelhantes a isto. Tal como aquele prédio inclinado na Covilhã. E tal como o edifício que prometia vir a ser a sede de uma empresa de construção, em Sequeira (Braga). Ou seja, esqueletos de edifícios. Não estamos a falar de prédios decrépitos por os seus materiais estarem envelhecidos mas, sim, de edifícios nunca habitados! Não percebemos porquê. Apenas aventamos hipóteses...

Depois há sempre os bolos por baixo das cerejas, grandalhões e inescapáveis à vista, diga-se: as escombreiras, as minas, as pedreiras, gigantescos vazios destoantes da cor da paisagem. Há-os ali a uns kms de Lisboa, há-os até em paisagens protegidas e parques naturais! Vejam só.

E o país sempre em obras, um país nunca acabado e a ser esburacado em tons gerais.


Quanta vergonha...

"Shame on... we!"


É assim que tratamos este país?
É agradável à vista?
Será realmente necessário?
Será preciso todos virarmos turistas para vermos, para sentirmos de outra forma?
É isto que queremos?

segunda-feira, março 09, 2009

Tasca Moca, meu?

Vidal: algures por Coruche, 06-03-09

domingo, março 08, 2009

sábado, março 07, 2009

Esqueleto solitário de edifício erigido num monte?...

Vidal: À entrada de Santarém, 06-02-09  (click para aumentar imagem)

quarta-feira, março 04, 2009

Barcelos em 3D

Dos municípios também nos chegam iniciativas interessantes. Está tudo em www.cm-barcelos.pt/earth. Um portal que disponibiliza muita informação de carácter geográfico e turístico. Ainda está no início mas o seu potencial é enorme principalmente se associar outras valências, como mais informação logística, estatísticas e dados sobre a população, tecido industrial, comércio, história e, talvez, mais sobre o património menos óbvio. Acima de tudo é uma ferramenta para todos e não uma mera brincadeira. Faltará, talvez, para que tudo não se esfume no “digital”, a requalificação da zona ribeirinha (em curso), e a abertura de alguns equipamentos essenciais para a cidade, não apenas no contexto local, como no regional e mesmo nacional, a saber: Teatro Gil Vicente e Museu do Rio. Uma visão global do centro histórico, onde cultura, turismo, história e natureza (não esquecer o rio) sejam parte efectiva e afectiva da cidade. Com gente lá dentro. 
Naveguem…

terça-feira, março 03, 2009

Enquanto andamos às voltas

Imagine que, tal como eu e muita mais gente (ninguém é perfeito...), quer deslocar-se ao centro da cidade que tem mais ao pé.

Ou imagine mesmo que vai de viagem para visitar aquela grande cidade. Respirar o ambiente, ver os monumentos, ouvir os linguajares veriegados do cosmopolitismo, sentir outra luz, ir às comprinhas, aceder aos produtos que, por razões de mercado, não é "viável" que estejam à venda noutras cidades mais próximas de si.

Vai de carro.
Sim, numa cidade de nível que se preze (e isto tem que ver com qualidade de vida), terá opção de não ir: utilizará o metro, o comboio, o eléctrico, ou o autocarro. Em último recurso, um táxi.
Estamos a falar de transportes que, pelos acessos e dimensão, possam levar-nos à porta do tal monumento, do tal café, da tal estátua, da tal loja... Ou que nos permita uma caminhada agradável até lá. Predisposição que dependerá da sua duração, da sua dificuldade (orografias e coisas que tais...), da sua paisagem envolvente, do som, dos cheiros... em suma, de um somatório de factores físicos e sociais que se manifestam no sentir do caminhante.

Mas pronto, vai de carro.

Ora, acontece que você não é o único.
Aliás, queria o quê com tanta estandardização no mundo?
Que fosse único no pensar, não?

Portanto, e porventura, não foi o primeiro a chegar à Babel.
Aliás, até consta que já lá havia quem morasse. Imagine só que curioso!

Então o senhor automobilista anda às voltas, em busca do buraquinho onde descansar os seus cavalos.

- Olha, olha, está ali um lugar!!
Ah... é para veículos com pessoas portadoras de deficiência...
(Caramba, é sempre a mesma coisa...)
...
- Olha, aquele até nem estava mau...
Mas não. É arriscado. Depois se vinha a polícia levava logo uma multa. Ou ficava sem carro... e depois como é que me ia safar nesta selva de betão? Esquece...

- Paciência, é continuar a procurar.


(Não sei se já viram. Surgiu-me esta imagem no decurso da prosa... No Truman Show, há uma cena em que a personagem principal, na sua cidadezeca, se pôe a caminho do trabalhinho no seu carrito... e logo surgem dezenas de carros, num supetão, a obstruir a estrada.

Bem... esta não era a imagem mais adequada...
Vamos a outra.

Montagem e colagem de Eduardo F.
Já pensaram quanto do espaço das nossas cidades é ocupado por carros?


Sabeis daqueles videojogos em que somos como deuses, e temos de construir a cidade ou o povo e pôr aquilo tudo a funcionar (os construtores, os lavradores, as fábricas, montar a rede de energia, de esgotos... etc.). Ora acontece que nesse mundo a fingir - tudo parece correr bem - os popós lá vão circulando nas estradinhas que desenhámos. Parecem baratas tontas, de um lado para o outro. Nunca ninguém, nesses jogos, pode descer até ao vidro de um desses carros e perguntar ao seu condutor:

- Mas afinal para onde é que vai?

(E isto faz-me lembrar esse filme existencialista que é "Abre los Ojos" (de Alejandro Amenábar), em que todos são figurantes - incluindo, até determinada altura, nós próprios - e fazem precisamente o que lhes dissemos para fazer...)


Voltemos à realidade.
Imagine-se o deus dessa cidade, suba ao nível dos olhos dele:

Quantos carros como o seu estarão por ali, às voltas?
Apenas às voltas, e numa fila inconsciente (enquanto só virmos o particular nunca nos aperceberemos do absurdo de algumas situações)...

Que sentido é que isto faz?
Pois é, mas só pode pensar em pensar nessa "questão filosófica" quando parar. E na estrada o carro de trás não tarda a apitar-lhe se se distrai em pensamentos perigosos...

Pois bem. Não enveredando, apesar de sem isso nada poder ser pensado,
pela habitabilidade das cidades, pela sua ocupação, pela sua geometria e orografia, pelo uso (habitacional, industrial, administrativo, comercial...) que os agentes económicos e os decisores com poder legislativo atribuíram aos seus centros (ou seus bairros e suas avenidas)...,
...sabia que os seus habitantes, ou seja, uma parte daqueles que chegaram antes de si, podem prestar-lhe um óptimo serviço?

Numa cidade que para tal tenha sido pensada (com perspectiva de futuro, ou adivinhando os rumos que o futuro traria, coisa sempre a fazer e por fazer...), pode acontecer que as garagens das suas habitações e prédios estejam vagas.
E isto porque ou não precisam de carro para ir trabalhar e não têm um,
ou porque foram trabalhar para a outra banda e só voltam à noite.

Ou seja, você e eu andamos ali às voltas, a jogar ao tempo perdido, e mesmo ali ao lado, por trás daquele portão, está um lugarzinho - e você só precisa de um...! - onde estacionar o seu carrito...
(mas lembre-se, tenha visão: a cidade, com baratas tontas como você e eu, precisa de muitos desses lugarzinhos...)

Pois bem,
parece que houve alguém que reflectiu sobre isto.
Pelo menos, já aqui ao lado.

Tuplaza.es é um serviço de mobilidade muito útil para os automobilistas que há muito andam metidos nisto e já perceberam que o espaço é limitado, escasso, talvez até insuficiente.
Façamos as contas das quantidades de carros que entram nas cidades todos os dias, pelo espaço que os pode conter...
Se tivermos tudo muito bem calculado, talvez descubramos muitas vezes que esse produto é negativo.

Como funciona?
Basta indicar para onde vai e poderá deixar a sua viatura (alugando por metade do preço, ou pelo valor acordado com o proprietário do espaço àquela hora vago) mesmo ali ao pé. Caminhe o resto que lhe falta.
Claro, do outro lado, estarão outros, talvez mais, mas normalmente menos, a disponibilizar as suas garagens.

(É normal que não estando nós inscritos nesse serviço não podemos dar-nos conta das suas potencialidades e possibilidades.
Mas o princípio é tão simples, tão simples...)


Ou seja, o serviço nada mais faz que atender aos princípios de gestão, supervisão, compartilha e rendibilização do espaço. O planeamento também se faz disto.

(E claro que isto ajuda a que continuemos a atafulhar as nossas cidades com carros.
Adiando uma mudança maior. Ou de paradigma.)


Mas é que enquanto andamos às voltas andamos a queimar tempo e combustível. E isso também não é lá muito saudável.
Nem para nós, nem para as cidades, nem para o planeta.

domingo, março 01, 2009

"Portugaleconomic"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

"Constituição da República Portuguesa"


"Constituição da República Portuguesa", Edição Almedina
(Tenho também a edição 2007 actualizada com a Lei constitucional nº1/2005

Por exemplo:
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palvra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo de censura
.
Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa

A constituição é normalmente letra morta, não raro, para políticos, inexistente para os autodidactas da sacanice e corruptos da nossa praça, e indiferente para a generalidade dos portugueses que não a conhecem e muito menos a lêem. Alguém por aí tem uma em casa?
Fico incrédulo com os últimos tempos: censura (depois emendada) no Carnaval com o caso das figuras no Magalhães; a polícia a entrar numa feira do livro em Braga e CONFISCAR vários exemplares de livros que reproduziam nas capas, segundo eles, conteúdos pornográficos (não sei se sabem mas a dita imagem é de um quadro que está exposto todo o ano no Museu d'Orsay de Paris), por sugestão e queixinha de uns (quem?) defensores da família(?), nada que eu já não tivesse aqui dito: um polícia a cada esquina e um lápis azul. Entretanto um distinto empresário cá do burgo pagou uma multinha por se ter provado corrupção activa para acto lícito (?), e o nosso D. Nuno Álvares Pereira, será canonizado por alegadamente ter cumprido (nem sei como se diz) actos milagrosos, designadamente no caso de uma queimadela com óleo.
Mas poderíamos recordar ainda a imposição pela DREN a professores para desfilarem no Carnaval e muita malta de bico caladinho para não ser, digamos, atrasado na carreira, ou coisa pior. Pelo menos nos antigamente (como se diz por aqui) a coisa era de caras. 

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Braga, cidade pornográfica

"Origine du Monde" (1866), de Gustave Courbet

Há meses que precisava de ter um pretexto para vir aqui, a um blogue sobre Geografia, falar sobre essa... gente.

Não conheço cidade com gente mais hipócrita, conservadora, retrógrada, puritana, corrupta, imbecil, atrasada, pedante, estúpida, pidesca, e arredada dos valores da liberdade como essa gentalha de Braga que acha que é "inadequado", "desnecessário" haver um livro exposto assim. "Há que proteger as crianças."

Mas essa gentalha, pequenina e mesquinha, mirradinha, estreitinha, egoísta e de intelecto inexistente... lê?
Para isto?


É essa gentalha que bufa, que contou sempre com a lei e a ordem dos bons costumes, que vai caindo, decrépita e em ruínas como os edifícios "históricos" do centro da cidade.

É essa gente que apodrece numa cidade onde "é bom dormir",
numa cidade coitadinha e amorosa que "responde com amor à eutanásia",
numa cidade sitiada que há-de fazer procissões, de vela erguida e cânticos bafientos, contra a legalização do aborto (quando descobrir que já foi legalizado...),
numa cidade vestida de luto e a cheirar a cera...
uma cidade alimentada a hóstia e betão,
na alvura do imobilismo e do provincianismo mais idiotizante à flor deste país,
também ele pequeno...


Indignada deve ter ficado essa gente.
Sua acólita PSP, já sem cónegos corruptos, fascistas e criminosos que a comprem a dinheiro, obras públicas ou empregos, afinal, temerosa, mete o rabo entre as pernas e diz au-au.
Mas muito baixinho, que é para no final da noite, connosco já a ir prà caminha, ninguém notar.

domingo, fevereiro 22, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Braga versus Liège

Vidal: adeptos do Standard de Liège a cervejar hoje de tarde (18-02-09) em Braga

Devo algum do meu conhecimento inicial, e insaciável curiosidade sobre cidades, ao jogo da bola que cultivava em pequenino. Com efeito grande parte dos clubes tem o nome da cidade plasmado no seu próprio nome e símbolo. A partir daí a viagem é imparável. E, não raro, a história de um clube agrega-se à de um bairro ou parte da cidade , tornando-se muitas vezes “bandeira” desse mesma cidade ou de uma região. Assim hoje o Sporting Clube de Braga joga com o Standard de Liège. Liège é a capital da província com o mesmo nome e a terceira maior cidade da Bélgica (primeira da Valônia), tendo aproximadamente 187.000 habitantes no município e cerca de 600.000 na região metropolitana (2006). Se quiserem comparar com Braga podem ir aqui e aqui.

A cidade de Braga está a ficar assim:

Vidal: centro de Braga em Fevereiro, 09

Já repararam?...

domingo, fevereiro 15, 2009

"E.T.: o extra-touro"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mudar

Voltamos à carga!

Thomas L. Friedman, no livro de que temos vindo a partilhar alguns estratos, "Quente, Plano e Cheio", sugere-nos, num estilo simples e incisivo, por onde terá que passar o mundo com futuro. Papel fundamental desempenha, como é fácil de perceber, a forma como consumimos energia... oh! o tão falado discurso da poupança e tal... Não! Eis a mudança de paradigma, para meditarmos:


"Conforme referi (...), as utilities [o autor refere-se às empresas que nos EUA fornecem energia nos diversos Estados] eram pagas com base na quantidade de electricidade que vendiam e na quantidade de novas centrais eléctricas que construíam. À medida que cada vez mais consumidores começaram a apagar as luzes sempre que mudavam de divisão e que foram instalando electrodomésticos eficientes a nível de energia, a empresa foi penalizada pela diminuição das vendas (...)

"Existe sempre uma tensão entre os interesses dos consumidores em reduzir as suas contas ao utilizarem menos energia e os interesses das utilities e dos seus accionistas em fazer crescer os dividendos, fazendo com que se consuma mais energia"
(...)
É como conduzir com um pé no travão e o outro no acelerador". É exactamente isso que temos estado a fazer. E isso tem que mudar."

Como?

"Os lucros e as vendas têm de ser descorrelacionados.
(...)
Por exemplo, uma utility pode ajudar um consumidor a comprar um aparelho de ar condicionado que seja mais eficiente a nível energético, ou subsidiar um projectista de um novo edifício comercial para reduzir o consumo de energia. (...). O auditor faria então as contas para descobrir qual o custo dessas medidas de conservação e quanto poupariam em termos de energia que não teria de ser gerada. Imaginemos que o novo e mais eficiente aparelho de ar condicionado iria custar mais 500 dólares do que o modelo-padrão, mas que, durante o seu período de vida, pouparia à utility 1000 dólares em quilowatt / hora que não seria necessário gerar. Na verdade, está a substituir a geração que custaria 1000 dólares ao longo do tempo por conservação, que custa apenas até 500 dólares. Essa poupança total de 500 dólares seria então dividida entre a utility e o consumidor."


Nova tabela de eficiência para as empresas
Imagem, adaptada, retirada daqui.


A imposição de preços de energia mais elevados, por parte do Estado, encorajaria "as utilities a estimular melhorias em termos de eficiência.
A situação ideal é que a utility ganhe mais dinheiro quando leva os consumidores a poupar mais electricidade - para que o total dos lucros das utilities aumente e o total das facturas dos consumidores diminua, porque as poupanças de energia mais do que compensam o aumento dos custos de energia. Se tivermos um ecossistema energético que produz valor social (redução das emissões de CO2 e eficiência energética) e não valor económico (grandes poupanlas para os consumidores e lucros para as utilities), não atingirá escala. Temos de conseguir ambas as coisas. Durante demasiado tempo, muitos ficaram ricos com o negócio da energia a fazer as coisas erradas."

(pp.294-296)


"A bala que o mata nunca o atinge entre os olhos. (...) Atinge-o sempre na têmpora. Nunca sabe de onde vem, porque está a olhar na direcção errada". As empresas de energia tradicionais nunca tiveram de se preocupar com uma bala inesperada. [Mas] Quando vir algumas delas estendidas nas bermas das estradas com balas nas têmporas, saberá que finalmente se criou um mundo de "ou mudas ou morres" no sector da energia - e que existiu alguém que não mudou.

(p. 303)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Música do mundo / Música geográfica (I)

Música do mundo.

Que expressão mais pífia e eurocêntrica (ou, por sinédoque ou por antonomásia, ocidental) que é chamar às músicas que não são cantadas em Inglês nem são desse género tão mundializado desde a popularização da guitarra eléctrica que é o pop-rock...!!


(E perguntemo-nos se não costumamos pensar nessa expressão num outro idioma... que quer isto dizer, então?)

Pois... de onde vem a música senão do mundo? Como se o pop-rock, cantado já não só em Inglês, fosse feito num outro planeta, desconhecido...


Estes críticos musicais, jornalistas ou não, não podiam ter pensado um bocadinho melhor? Porque não música geográfica? Sim, também toda a música tem a sua origem espácio-temporal. Mas estamos, com esta designação, a querer pôr a tónica na proveniência específica das músicas que são criadas.

O que está em causa é, uma vez mais, um dos binómios levantados pela chamada mundialização (dos meios de comunicação, da economia, e, por arrasto, das expressões culturais das sociedades - pelo menos das expressões consumíveis e mediatizáveis, mediante troca económica ou não): a (suposta) abolição das fronteiras VS. a consciência das diferenças (logo, das distâncias e fronteiras).

(Já aflorámos a questão das fronteiras (aqui), e prometemos retomar este assunto, a propósito de música).

E com música geográfica estaríamos a salientar o carácter único - a valorizar a diferença (e não a estardardização, dos gostos e expressões) - da talvez mais sublime forma de arte.
A questão é que dentro dessa "nomenclatura" não tem apenas lugar a música tradicional. As coordenadas temporais também são importantes: músicas de um tempo, identificáveis, marcantes, verdadeiros documentos e testemunhos de factos históricos... seriam também música geográfica.


Voltaremos a este assunto, uma vez que o nosso inquérito já nos indicou o próximo caminho a seguir e a partilhar convosco.