domingo, março 29, 2009

"Os pássaros"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

sábado, março 28, 2009

Fora de moda...

Como ninguém liga nada ao que realmente contribui para desmantelar este país, a CP, à socapa lá encerrou duas linhas de caminho de ferro, a saber, a do Corgo e do Tâmega. Nem um pio sobre a coisa. De ninguém. Hoje há bola e congresso leonino. Hoje há páginas inteiras a martelar corrupção sem qualquer desenroscar que se veja. Há um país incompreensivelmente distante daquilo que interessa. O zoológico do interior perfila-se cada vez mais. Faltarão, todavia, as espécies autóctones. O asfalto (não sendo gótico) reflecte a modernidade que temos: uma estranha geografia. 
Apenas encontrei mais uma referência ao assunto num post aqui.

domingo, março 22, 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Boas intenções ou atenções boas?

Vai-não-vai, lá vem o TGV. Para grandes males, grandes obras. Sucede que este é o mesmo país em que praticamente 90% do transporte de mercadorias se faz por via rodoviária (com todas as consequências que daí advêm); o mesmo onde se encerram linhas de caminho-de-ferro (veja-se o Tua entre outras) ou são reconvertidas para fins turísticos (alegres zoológicos a céu aberto); onde uma ligação Braga/Porto demora 1h15m e Barcelos/Porto o mesmo, praticamente, que o meu pai levava na década de 1970. Este é um país pequeno onde uma planeada rede de linhas de média velocidade (por exemplo como os Inter Cidades) faria toda a diferença, mas onde há muito tempo o modelo de desenvolvimento assenta na construção de rodovias. Então para que serve (ou a quem serve) o TGV? Veremos.
Recentemente soubemos também de mais um instrumento para combater a crise disponibilizado pelo governo. As famílias com desempregados vão ter um desconto de 50% na prestação do crédito à habitação. Esta medida tem a duração de dois anos, após os quais o dinheiro terá que ser devolvido. Parece-nos bem. Observando-a reflectidamente, chegamos à conclusão que a par do apoio às famílias com dificuldades é um enorme apoio ás instituições bancárias, pois continuam a receber o seu dinheirinho. Dir-me-ão: os bancos podem sempre vender em leilão os imóveis. Respondo: podem não. Podiam. Já ninguém compra. Se o objectivo fosse ajudar a malta a ultrapassar a crise o apoio seria também para famílias com desempregados que vivem em imóveis arrendados. Não é pois não?
Também estas podem ter dificuldades em pagar. Ou ir para a rua. Mas isso é outra história…

quarta-feira, março 18, 2009

Vergonha de norte a sul

Não temos fotos para vos elucidar sobre aquilo de que tivemos de vir falar aqui.

Por um motivo ou por outro vamos nos deslocando pelo país. As vias de maiores fluxos são, provavelmente (i.e. com provas), as estradas e vias férreas do litoral. Aquela faixa ocupada a que já muitos chamaram a cidade de Viana a Lisboa. As coisas não são bem assim, bem o sabemos, mas... que diferença faz?
Para o que é necessário, o que resta é quase nada.

E nessas viagens, mais ou menos longas, cujas paisagens são condicionadas pela nossa atenção ao percurso e seus obstáculos e, por outro lado, pela localização das próprias vias por onde circulamos, vamos tendo uma ideia mais fundamentada do velho cliché que os professores de geografia nos ensinam: a ideia de Portugal ser ao mesmo tempo pequeno mas rico em diversidade paisagística. E isto tanto a nível geológico (tipo de rochas e morfologias) como - em boa medida, por consequência - a nível humano (tipos de habitação, usos do solo, etc.)

Ou seja, vamos interagindo com as principais componentes física e social através das quais poderemos depreender ou inferir os modos de vida das populações, a sua cultura, isto é, a sua inscrição no espaço ao longo da história.
(É fundamental ler o mestre Orlando Ribeiro para termos o privilégio da fluidez e do amor com que fala destes assuntos... Recuperamos para tal a recomendação de "Introdução ao Estudo da Geografia Regional")

Aquilo que vamos vendo por esse país fora nem sempre se revela. O viajante encontrará situações inexplicáveis, completamente absurdas até, que o farão perguntar-se sobre o que raio andamos aqui a fazer, ou "onde é que está o poder neste país?". Outras vezes, terá que ver e calar, à falta de preparação para saber interpretar o que se lhe é apresentado.

Um exemplo disto prende-se o "tapete vegetal". Nas palavras do professor, "só um conhecimento profundo ou uma investigação sistemática da flora de certa região, inacessível a quem não for botânico (e perito e expedito no trabalho de campo!), permite empreender uma pesquisa deste género". (op. cit. p.116). Ora, isto escapa muitas vezes ao Geógrafo e, no seu calcorrear pelo terreno, é fácil "passar por cima" de elementos que muito lhe poderiam dizer para explicar a paisagem.

Porém, neste caso, salta à vista e não é grande mister perceber a autêntica e alarmante desgraça em que o país está mergulhado: mesmo por baixo dos nossos olhos e narizes, Portugal está infestado de eucaliptos.

Ouvi dizer que a principal das concessionárias (que nomes engraçados para quem detém, para quem roubou - quiçá para sempre - aqueles milhares de hectares) das auto-estradas tem ou faz contratos com os proprietários dos terrenos adjacentes para que plantem eucaliptos. Ouvi dizer! Não sei de mais nada, nem se é verdade. Mas a avaliar pela enorme tristeza que grassa por aí não me admirava nada se fosse...

E quem ganha com isto deve ser a indústria papeleira. É a rodinha da vergonha, que gira sem parar.

Ali na Cova da Piedade (Almada) chegámos a ver eucaliptos como planta ornamental de uns retalhozinhos que para efeitos de PDM funcionam como espaços verdes e a que o comum cidadão também costuma chamar jardins. Também vimos que um desses "jardins" tinha areia (sim, como a da praia da região) em vez de terra. E as plantas que nele cresciam por abandono e desleixo, fazem-nos mesmo pensar quão forçado é o tapete da relvinha verdajante por onde passa o metro (MST - Metro do Sul do Tejo). Eu nada tenho contra a relva ali. Até é preferível. Mas apenas se contrapõe ao empobrecimento do resto.


Vimos, já entrados no Alentejo (distrito de Beja), quantidades dessa espécie como não esperávamos encontrar. (E também terrenos nus, sujeitos à erosão. Estamos, lenta, tranquila e silenciosamente a perder o suporte de vida)

De norte a sul, o país parece ter-se rendido à rendibilidade do eucalipto. No fundo, sinais dos tempos que correm: paradigma da globalização, do crescimento rápido, do lucro fácil e dos efeitos colaterais que todos pagamos: o empobrecimento (perda de diversidade) da paisagem, que assim se torna mais feia e igual.


Na região dos terrenos terciários (e falamos da faixa de Coimbra a Lisboa) vemos vertentes ravinadas, terras descarnadas, sujeitas à meterorização e à erosão que carimba, sem mais hesitações, a perda do solo. Para abrir estradas, essas "concessionárias" esqueceram-se de tratar das margens. Houve aqui há tempos, no programa Biosfera, uma reportagem sobre requalificação de terrenos degradados, cuja intervenção principal e salutar consistia em recuperar essas vertentes cobrindo-as de vegetação. Sim, é positivo. E essa iniciativa partia da principal das concessionárias. Mas onde estão esses bons exemplos? Há tanto por fazer...!

Olhando à esquerda e à direita vemos acumulações de areia e terra sem explicação. Nem um sinal de que por ali vá passar mais um viaduto...

Outras vezes, como ali bem perto de Oliveira do Douro, vemos coisas semelhantes a isto. Tal como aquele prédio inclinado na Covilhã. E tal como o edifício que prometia vir a ser a sede de uma empresa de construção, em Sequeira (Braga). Ou seja, esqueletos de edifícios. Não estamos a falar de prédios decrépitos por os seus materiais estarem envelhecidos mas, sim, de edifícios nunca habitados! Não percebemos porquê. Apenas aventamos hipóteses...

Depois há sempre os bolos por baixo das cerejas, grandalhões e inescapáveis à vista, diga-se: as escombreiras, as minas, as pedreiras, gigantescos vazios destoantes da cor da paisagem. Há-os ali a uns kms de Lisboa, há-os até em paisagens protegidas e parques naturais! Vejam só.

E o país sempre em obras, um país nunca acabado e a ser esburacado em tons gerais.


Quanta vergonha...

"Shame on... we!"


É assim que tratamos este país?
É agradável à vista?
Será realmente necessário?
Será preciso todos virarmos turistas para vermos, para sentirmos de outra forma?
É isto que queremos?

segunda-feira, março 09, 2009

Tasca Moca, meu?

Vidal: algures por Coruche, 06-03-09

domingo, março 08, 2009

sábado, março 07, 2009

Esqueleto solitário de edifício erigido num monte?...

Vidal: À entrada de Santarém, 06-02-09  (click para aumentar imagem)

quarta-feira, março 04, 2009

Barcelos em 3D

Dos municípios também nos chegam iniciativas interessantes. Está tudo em www.cm-barcelos.pt/earth. Um portal que disponibiliza muita informação de carácter geográfico e turístico. Ainda está no início mas o seu potencial é enorme principalmente se associar outras valências, como mais informação logística, estatísticas e dados sobre a população, tecido industrial, comércio, história e, talvez, mais sobre o património menos óbvio. Acima de tudo é uma ferramenta para todos e não uma mera brincadeira. Faltará, talvez, para que tudo não se esfume no “digital”, a requalificação da zona ribeirinha (em curso), e a abertura de alguns equipamentos essenciais para a cidade, não apenas no contexto local, como no regional e mesmo nacional, a saber: Teatro Gil Vicente e Museu do Rio. Uma visão global do centro histórico, onde cultura, turismo, história e natureza (não esquecer o rio) sejam parte efectiva e afectiva da cidade. Com gente lá dentro. 
Naveguem…

terça-feira, março 03, 2009

Enquanto andamos às voltas

Imagine que, tal como eu e muita mais gente (ninguém é perfeito...), quer deslocar-se ao centro da cidade que tem mais ao pé.

Ou imagine mesmo que vai de viagem para visitar aquela grande cidade. Respirar o ambiente, ver os monumentos, ouvir os linguajares veriegados do cosmopolitismo, sentir outra luz, ir às comprinhas, aceder aos produtos que, por razões de mercado, não é "viável" que estejam à venda noutras cidades mais próximas de si.

Vai de carro.
Sim, numa cidade de nível que se preze (e isto tem que ver com qualidade de vida), terá opção de não ir: utilizará o metro, o comboio, o eléctrico, ou o autocarro. Em último recurso, um táxi.
Estamos a falar de transportes que, pelos acessos e dimensão, possam levar-nos à porta do tal monumento, do tal café, da tal estátua, da tal loja... Ou que nos permita uma caminhada agradável até lá. Predisposição que dependerá da sua duração, da sua dificuldade (orografias e coisas que tais...), da sua paisagem envolvente, do som, dos cheiros... em suma, de um somatório de factores físicos e sociais que se manifestam no sentir do caminhante.

Mas pronto, vai de carro.

Ora, acontece que você não é o único.
Aliás, queria o quê com tanta estandardização no mundo?
Que fosse único no pensar, não?

Portanto, e porventura, não foi o primeiro a chegar à Babel.
Aliás, até consta que já lá havia quem morasse. Imagine só que curioso!

Então o senhor automobilista anda às voltas, em busca do buraquinho onde descansar os seus cavalos.

- Olha, olha, está ali um lugar!!
Ah... é para veículos com pessoas portadoras de deficiência...
(Caramba, é sempre a mesma coisa...)
...
- Olha, aquele até nem estava mau...
Mas não. É arriscado. Depois se vinha a polícia levava logo uma multa. Ou ficava sem carro... e depois como é que me ia safar nesta selva de betão? Esquece...

- Paciência, é continuar a procurar.


(Não sei se já viram. Surgiu-me esta imagem no decurso da prosa... No Truman Show, há uma cena em que a personagem principal, na sua cidadezeca, se pôe a caminho do trabalhinho no seu carrito... e logo surgem dezenas de carros, num supetão, a obstruir a estrada.

Bem... esta não era a imagem mais adequada...
Vamos a outra.

Montagem e colagem de Eduardo F.
Já pensaram quanto do espaço das nossas cidades é ocupado por carros?


Sabeis daqueles videojogos em que somos como deuses, e temos de construir a cidade ou o povo e pôr aquilo tudo a funcionar (os construtores, os lavradores, as fábricas, montar a rede de energia, de esgotos... etc.). Ora acontece que nesse mundo a fingir - tudo parece correr bem - os popós lá vão circulando nas estradinhas que desenhámos. Parecem baratas tontas, de um lado para o outro. Nunca ninguém, nesses jogos, pode descer até ao vidro de um desses carros e perguntar ao seu condutor:

- Mas afinal para onde é que vai?

(E isto faz-me lembrar esse filme existencialista que é "Abre los Ojos" (de Alejandro Amenábar), em que todos são figurantes - incluindo, até determinada altura, nós próprios - e fazem precisamente o que lhes dissemos para fazer...)


Voltemos à realidade.
Imagine-se o deus dessa cidade, suba ao nível dos olhos dele:

Quantos carros como o seu estarão por ali, às voltas?
Apenas às voltas, e numa fila inconsciente (enquanto só virmos o particular nunca nos aperceberemos do absurdo de algumas situações)...

Que sentido é que isto faz?
Pois é, mas só pode pensar em pensar nessa "questão filosófica" quando parar. E na estrada o carro de trás não tarda a apitar-lhe se se distrai em pensamentos perigosos...

Pois bem. Não enveredando, apesar de sem isso nada poder ser pensado,
pela habitabilidade das cidades, pela sua ocupação, pela sua geometria e orografia, pelo uso (habitacional, industrial, administrativo, comercial...) que os agentes económicos e os decisores com poder legislativo atribuíram aos seus centros (ou seus bairros e suas avenidas)...,
...sabia que os seus habitantes, ou seja, uma parte daqueles que chegaram antes de si, podem prestar-lhe um óptimo serviço?

Numa cidade que para tal tenha sido pensada (com perspectiva de futuro, ou adivinhando os rumos que o futuro traria, coisa sempre a fazer e por fazer...), pode acontecer que as garagens das suas habitações e prédios estejam vagas.
E isto porque ou não precisam de carro para ir trabalhar e não têm um,
ou porque foram trabalhar para a outra banda e só voltam à noite.

Ou seja, você e eu andamos ali às voltas, a jogar ao tempo perdido, e mesmo ali ao lado, por trás daquele portão, está um lugarzinho - e você só precisa de um...! - onde estacionar o seu carrito...
(mas lembre-se, tenha visão: a cidade, com baratas tontas como você e eu, precisa de muitos desses lugarzinhos...)

Pois bem,
parece que houve alguém que reflectiu sobre isto.
Pelo menos, já aqui ao lado.

Tuplaza.es é um serviço de mobilidade muito útil para os automobilistas que há muito andam metidos nisto e já perceberam que o espaço é limitado, escasso, talvez até insuficiente.
Façamos as contas das quantidades de carros que entram nas cidades todos os dias, pelo espaço que os pode conter...
Se tivermos tudo muito bem calculado, talvez descubramos muitas vezes que esse produto é negativo.

Como funciona?
Basta indicar para onde vai e poderá deixar a sua viatura (alugando por metade do preço, ou pelo valor acordado com o proprietário do espaço àquela hora vago) mesmo ali ao pé. Caminhe o resto que lhe falta.
Claro, do outro lado, estarão outros, talvez mais, mas normalmente menos, a disponibilizar as suas garagens.

(É normal que não estando nós inscritos nesse serviço não podemos dar-nos conta das suas potencialidades e possibilidades.
Mas o princípio é tão simples, tão simples...)


Ou seja, o serviço nada mais faz que atender aos princípios de gestão, supervisão, compartilha e rendibilização do espaço. O planeamento também se faz disto.

(E claro que isto ajuda a que continuemos a atafulhar as nossas cidades com carros.
Adiando uma mudança maior. Ou de paradigma.)


Mas é que enquanto andamos às voltas andamos a queimar tempo e combustível. E isso também não é lá muito saudável.
Nem para nós, nem para as cidades, nem para o planeta.

domingo, março 01, 2009

"Portugaleconomic"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

"Constituição da República Portuguesa"


"Constituição da República Portuguesa", Edição Almedina
(Tenho também a edição 2007 actualizada com a Lei constitucional nº1/2005

Por exemplo:
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palvra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo de censura
.
Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa

A constituição é normalmente letra morta, não raro, para políticos, inexistente para os autodidactas da sacanice e corruptos da nossa praça, e indiferente para a generalidade dos portugueses que não a conhecem e muito menos a lêem. Alguém por aí tem uma em casa?
Fico incrédulo com os últimos tempos: censura (depois emendada) no Carnaval com o caso das figuras no Magalhães; a polícia a entrar numa feira do livro em Braga e CONFISCAR vários exemplares de livros que reproduziam nas capas, segundo eles, conteúdos pornográficos (não sei se sabem mas a dita imagem é de um quadro que está exposto todo o ano no Museu d'Orsay de Paris), por sugestão e queixinha de uns (quem?) defensores da família(?), nada que eu já não tivesse aqui dito: um polícia a cada esquina e um lápis azul. Entretanto um distinto empresário cá do burgo pagou uma multinha por se ter provado corrupção activa para acto lícito (?), e o nosso D. Nuno Álvares Pereira, será canonizado por alegadamente ter cumprido (nem sei como se diz) actos milagrosos, designadamente no caso de uma queimadela com óleo.
Mas poderíamos recordar ainda a imposição pela DREN a professores para desfilarem no Carnaval e muita malta de bico caladinho para não ser, digamos, atrasado na carreira, ou coisa pior. Pelo menos nos antigamente (como se diz por aqui) a coisa era de caras. 

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Braga, cidade pornográfica

"Origine du Monde" (1866), de Gustave Courbet

Há meses que precisava de ter um pretexto para vir aqui, a um blogue sobre Geografia, falar sobre essa... gente.

Não conheço cidade com gente mais hipócrita, conservadora, retrógrada, puritana, corrupta, imbecil, atrasada, pedante, estúpida, pidesca, e arredada dos valores da liberdade como essa gentalha de Braga que acha que é "inadequado", "desnecessário" haver um livro exposto assim. "Há que proteger as crianças."

Mas essa gentalha, pequenina e mesquinha, mirradinha, estreitinha, egoísta e de intelecto inexistente... lê?
Para isto?


É essa gentalha que bufa, que contou sempre com a lei e a ordem dos bons costumes, que vai caindo, decrépita e em ruínas como os edifícios "históricos" do centro da cidade.

É essa gente que apodrece numa cidade onde "é bom dormir",
numa cidade coitadinha e amorosa que "responde com amor à eutanásia",
numa cidade sitiada que há-de fazer procissões, de vela erguida e cânticos bafientos, contra a legalização do aborto (quando descobrir que já foi legalizado...),
numa cidade vestida de luto e a cheirar a cera...
uma cidade alimentada a hóstia e betão,
na alvura do imobilismo e do provincianismo mais idiotizante à flor deste país,
também ele pequeno...


Indignada deve ter ficado essa gente.
Sua acólita PSP, já sem cónegos corruptos, fascistas e criminosos que a comprem a dinheiro, obras públicas ou empregos, afinal, temerosa, mete o rabo entre as pernas e diz au-au.
Mas muito baixinho, que é para no final da noite, connosco já a ir prà caminha, ninguém notar.

domingo, fevereiro 22, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Braga versus Liège

Vidal: adeptos do Standard de Liège a cervejar hoje de tarde (18-02-09) em Braga

Devo algum do meu conhecimento inicial, e insaciável curiosidade sobre cidades, ao jogo da bola que cultivava em pequenino. Com efeito grande parte dos clubes tem o nome da cidade plasmado no seu próprio nome e símbolo. A partir daí a viagem é imparável. E, não raro, a história de um clube agrega-se à de um bairro ou parte da cidade , tornando-se muitas vezes “bandeira” desse mesma cidade ou de uma região. Assim hoje o Sporting Clube de Braga joga com o Standard de Liège. Liège é a capital da província com o mesmo nome e a terceira maior cidade da Bélgica (primeira da Valônia), tendo aproximadamente 187.000 habitantes no município e cerca de 600.000 na região metropolitana (2006). Se quiserem comparar com Braga podem ir aqui e aqui.

A cidade de Braga está a ficar assim:

Vidal: centro de Braga em Fevereiro, 09

Já repararam?...

domingo, fevereiro 15, 2009

"E.T.: o extra-touro"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mudar

Voltamos à carga!

Thomas L. Friedman, no livro de que temos vindo a partilhar alguns estratos, "Quente, Plano e Cheio", sugere-nos, num estilo simples e incisivo, por onde terá que passar o mundo com futuro. Papel fundamental desempenha, como é fácil de perceber, a forma como consumimos energia... oh! o tão falado discurso da poupança e tal... Não! Eis a mudança de paradigma, para meditarmos:


"Conforme referi (...), as utilities [o autor refere-se às empresas que nos EUA fornecem energia nos diversos Estados] eram pagas com base na quantidade de electricidade que vendiam e na quantidade de novas centrais eléctricas que construíam. À medida que cada vez mais consumidores começaram a apagar as luzes sempre que mudavam de divisão e que foram instalando electrodomésticos eficientes a nível de energia, a empresa foi penalizada pela diminuição das vendas (...)

"Existe sempre uma tensão entre os interesses dos consumidores em reduzir as suas contas ao utilizarem menos energia e os interesses das utilities e dos seus accionistas em fazer crescer os dividendos, fazendo com que se consuma mais energia"
(...)
É como conduzir com um pé no travão e o outro no acelerador". É exactamente isso que temos estado a fazer. E isso tem que mudar."

Como?

"Os lucros e as vendas têm de ser descorrelacionados.
(...)
Por exemplo, uma utility pode ajudar um consumidor a comprar um aparelho de ar condicionado que seja mais eficiente a nível energético, ou subsidiar um projectista de um novo edifício comercial para reduzir o consumo de energia. (...). O auditor faria então as contas para descobrir qual o custo dessas medidas de conservação e quanto poupariam em termos de energia que não teria de ser gerada. Imaginemos que o novo e mais eficiente aparelho de ar condicionado iria custar mais 500 dólares do que o modelo-padrão, mas que, durante o seu período de vida, pouparia à utility 1000 dólares em quilowatt / hora que não seria necessário gerar. Na verdade, está a substituir a geração que custaria 1000 dólares ao longo do tempo por conservação, que custa apenas até 500 dólares. Essa poupança total de 500 dólares seria então dividida entre a utility e o consumidor."


Nova tabela de eficiência para as empresas
Imagem, adaptada, retirada daqui.


A imposição de preços de energia mais elevados, por parte do Estado, encorajaria "as utilities a estimular melhorias em termos de eficiência.
A situação ideal é que a utility ganhe mais dinheiro quando leva os consumidores a poupar mais electricidade - para que o total dos lucros das utilities aumente e o total das facturas dos consumidores diminua, porque as poupanças de energia mais do que compensam o aumento dos custos de energia. Se tivermos um ecossistema energético que produz valor social (redução das emissões de CO2 e eficiência energética) e não valor económico (grandes poupanlas para os consumidores e lucros para as utilities), não atingirá escala. Temos de conseguir ambas as coisas. Durante demasiado tempo, muitos ficaram ricos com o negócio da energia a fazer as coisas erradas."

(pp.294-296)


"A bala que o mata nunca o atinge entre os olhos. (...) Atinge-o sempre na têmpora. Nunca sabe de onde vem, porque está a olhar na direcção errada". As empresas de energia tradicionais nunca tiveram de se preocupar com uma bala inesperada. [Mas] Quando vir algumas delas estendidas nas bermas das estradas com balas nas têmporas, saberá que finalmente se criou um mundo de "ou mudas ou morres" no sector da energia - e que existiu alguém que não mudou.

(p. 303)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Música do mundo / Música geográfica (I)

Música do mundo.

Que expressão mais pífia e eurocêntrica (ou, por sinédoque ou por antonomásia, ocidental) que é chamar às músicas que não são cantadas em Inglês nem são desse género tão mundializado desde a popularização da guitarra eléctrica que é o pop-rock...!!


(E perguntemo-nos se não costumamos pensar nessa expressão num outro idioma... que quer isto dizer, então?)

Pois... de onde vem a música senão do mundo? Como se o pop-rock, cantado já não só em Inglês, fosse feito num outro planeta, desconhecido...


Estes críticos musicais, jornalistas ou não, não podiam ter pensado um bocadinho melhor? Porque não música geográfica? Sim, também toda a música tem a sua origem espácio-temporal. Mas estamos, com esta designação, a querer pôr a tónica na proveniência específica das músicas que são criadas.

O que está em causa é, uma vez mais, um dos binómios levantados pela chamada mundialização (dos meios de comunicação, da economia, e, por arrasto, das expressões culturais das sociedades - pelo menos das expressões consumíveis e mediatizáveis, mediante troca económica ou não): a (suposta) abolição das fronteiras VS. a consciência das diferenças (logo, das distâncias e fronteiras).

(Já aflorámos a questão das fronteiras (aqui), e prometemos retomar este assunto, a propósito de música).

E com música geográfica estaríamos a salientar o carácter único - a valorizar a diferença (e não a estardardização, dos gostos e expressões) - da talvez mais sublime forma de arte.
A questão é que dentro dessa "nomenclatura" não tem apenas lugar a música tradicional. As coordenadas temporais também são importantes: músicas de um tempo, identificáveis, marcantes, verdadeiros documentos e testemunhos de factos históricos... seriam também música geográfica.


Voltaremos a este assunto, uma vez que o nosso inquérito já nos indicou o próximo caminho a seguir e a partilhar convosco.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Olha! Não me apetece

Microdisney - "The Clock Comes Down the Stairs" (Lp 1985)


(Não sei que entreposto ferroviário está retratado)


São carris que não parecem levar a lado nenhum,
perdido o gosto pela aventura da descoberta.
Nos caminhos já traçados parece ainda não termos encontrado o caminho para nós.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Mudar de Vida

O título deste texto alude ao filme de Paulo Rocha (de 1966), também celebrizado pela sua banda-sonora, da autoria de Carlos Paredes.

Não sabemos em que medida as mudanças de hoje nos são impostas. Urgem. E é isso que temos de compreender.

A toda a volta vemos fábricas a fechar e a despejar no vazio do sem-futuro a matéria que faz o mundo girar. Crise, dizem os seus proprietários, gestores e accionistas.
O objectivo de uma empresa cotada na bolsa de valores é garantir lucro aos seus accionistas. Soa tão bem, não soa? Já sabemos que é assim, não sabemos? E isto soa ainda melhor, não soa?

E a palavra reconversão, como nos soa?
Meditemos sobre ela.

Conta o outro, citado na citação da citação... que as palavras não se perdem quando se repetem de boca em boca:

"Mãe, quando crescer, quero mudar o mundo"

Assim falou o Homem.

E conseguiu!
O Homem mudou o mundo.

Alterou o curso da História da Terra. Se o passado nos trouxe até aqui, que diremos do futuro? Por quanto mais tempo nos é ele garantido? Garantido não é bem a palavra... permitido será mais correcta.

O Homem mudou o mundo.
Mas com o mundo agora mudado, o Homem ainda não mudou.
E tem que mudar. Quanta violência pode conter este "tem que mudar"? Não a suficiente para nos ter já obrigado a.

Por todo o lado há sinais. A dita crise económica poderá ser um deles, mas tal como nos é apresentada pelo discurso dos que, ao contrário dos que deixam de ter, vêem descer os níveis do que têm (comummente chamado "lucro") e das respectivas correias de transmissão do pensamento contrário ao que "tem que mudar", essa mesma crise económica apenas parece estar a ocultar ainda mais a real gravidade da crise. Crise com letra maior.


Da forma que construímos as nossas casas e vidas - quanto mais afastadas da Natureza, mais evoluídas, dizem - ainda não percebemos que somos iguais aos animais que têm de escalar as montanhas em busca das temperaturas suportáveis pelo organismo.

A mutação - na vida que mudámos, a vida que muda, a vida que nos muda - está a transformar-nos em ursos polares. Com o gelo a derreter, já o sabemos, morreremos afogados.


Milhões de pessoas fogem para as cidades em busca de trabalho.
Milhões de pessoas buscam outras terras, aráveis, que lhes dêem de comer.
Milhares de pessoas estão a abandonar as suas ilhas de palmo e meio, porque as ondas não precisam de ser gigantes para serem demasiado altas.
Milhões de pessoas estão a ficar sem água potável.
À sombra do vulcão, milhares de pessoas aguardam as avalanchas do futuro.

Milhões de pessoas lutam por sobreviver.
Num mundo esterilizado pela poluição, pela guerra, pela delapidação dos recursos naturais e humanos... qual o caminho?


Quantos anos nos trouxeram até aqui?
-
Quantos anos demorámos a mudar o mundo?
=
Quantos anos separam estes dois conjuntos de anos?

O que se verifica nesta equação resume-se a uma palavra: insustentabilidade.
E insustentabilidade significa uma de duas coisas. Ou uma ou outra, portanto:

1 - necessidade de adaptação
X
2 - morte inescapável


O Homem mudou o mundo mais rapidamente que o tempo que esse mundo - ESTE - precisa para mudar. E para NOS mudar.

Escolhamos.


Agora, com o mundo mudado, muitos mundos deixaram de fazer sentido. Com novos olhos, com a nova concepção do mundo, deixámos - num ápice - de ter razões para sustentar esses mundos, de repente ultrapassados.

Novos esforços se requerem. A mudança necessária.
Na busca de um só objectivo. E um só, porque urgente:
a sobrevivência.

domingo, fevereiro 08, 2009

"Parque Jurássico"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

E agora aparece?


Não deixa de ser uma infâmia a forma como certas empresas, algumas pertencentes a grupos bem sólidos e que ainda há bem pouco tempo reclamavam lucros fabulosos, já para não falar dos milhões em subsídios e outros incentivos que encaixaram, aproveitam agora a onda da crise para despedir à tripa forra trabalhadores ou pedir umas massas ao governo. Para quem nos últimos anos passava a vida a reclamar menos Estado, não está nada mal. Alguns destes casos ocorrem também em pequenas e médias empresas no Minho. É certo que algumas estão completamente estranguladas (e muitas fazem das tripas coração) e sem recurso ao crédito (neste particular, não é de agora que não têm acesso, há muito que a banca e o Estado os deixou à sua sorte enquanto propagandeava planos e estratégias para o sector têxtil e vestuário), mas outras, a reboque das suas viagens ao Brasil e Caraíbas, carros de alta cilindrada e jantaradas tropicais (não sei se me entendem?...), aproveitam para humildemente reivindicar qualquer coisinha, despedindo funcionários que são como uns filhos porque já não se aguenta, e desaparecer com as máquinas. Às vezes também desaparecem os próprios sem deixar rasto. Nada disto surpreende. Quando há alguns anos uma média fábrica do distrito de Braga ao receber uns milhares para formação (tecnológica e novas maquinarias) colocou uns funcionários a dar formação a outros para Inglês (fiscalização) ver, estava tudo dito. De qualquer forma nem seria necessário maquinar a formação. O Inglês nunca aparecia…

domingo, fevereiro 01, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

AntenaGeo

Caros amigos,

O presente inquérito da AntenaGeo termina dentro de horas. Porém, os resultados mostram-nos um empate entre duas das opções.

Querem ajudar-nos a resolver o impasse?

Como?

Votando!!

domingo, janeiro 25, 2009

segunda-feira, janeiro 19, 2009

"Mas o melhor são as crianças..."

Foto de Diniz Silva, Castanheiro do Ouro, Tarouca, 26.12.2008


Porque cabe a mim a publicação da foto do mês, pareceu-me apropriado, para a época, enviar uma saudação especial ao amigo Diniz Silva. A foto é dele, e, como todas as pessoas que fotografam a liberdade das crianças, captou a sua alegria pela dádiva que a Natureza decidiu oferecer-lhes.

Este é um mundo de contrastes e, talvez mais nesta altura que em qualquer outra, de extremos. Um mundo que sempre foi e não sabemos - quanto à componente humana, claro está - se sempre irá ser de coexistências. Coexistências desses contrastes, desses contrários. Porque o mundo é grande e porque - parece que o esquecemos - é o único.

Um mundo que nos torra nas areias laranja e nos congela nas alturas brancas.
Um mundo em que há monções que afogam quem sempre por elas aprendeu a esperar e secas inesperadas, que desidratam lentamente a vida que teima em resistir.
Lugar onde cada vez mais milhares morrem com problemas cárdio-vasculares, por consumo excessivo de hidratos de carbono, e onde há uma pesssoa a morrer a cada segundo que passa. Devido à fome, se é preciso lembrá-lo...

O mesmo mundo de um povo que sofreu das piores barbáries da triste história da desumanidade e que se julga com autoridade moral para decidir dar semelhante destino aos vizinhos.
Um mundo que prega à paz no sapatinho pendurado na lareira que é, nada mais nada menos, o mundo que bombardeia e destrói telhados e tudo o que por baixo deles se encontrar.
O mesmo mundo onde a grande democracia e garante de paz é a mesma que mais armas produz, usa, exporta, faz usar, financia - para a paz, pois então?!

Mundo onde coexistem os que pagam impostos a um Estado que vai sendo destruído pelos que não pagam, que disso se riem e que parecem ficar cada vez mais beneficiados com isso.
Mundo capaz de assinar protocolos de luta contra as alterações climáticas e -quão capaz! - que em apenas 6 anos (2000-2006) triplica as emissões de dióxido de carbono.

Um lugar que apela a um sono tranquilo ao mesmo tempo que as cidades vão ficando desertas e carcomidas nos seus miolos.
Onde coexistem as maiores fortunas do mundo com pessoas apelidadas de "terceiro mundo", com "menos de 2 dólares por dia", "subnutridos", "subalternos", "classes inferiores", ou eufemisticamente "pessoas humildes".

Onde coexiste a urgência de mudar com o emperramento das máquinas económico-políticas.
O burburinho anunciador do vulcão com a vida tranquila dos habitantes nos seus sopés.
Polders para albergar população com gelos que derretem.
A ganância das mãos invisíveis e amorais com vislumbramentos de futuros prósperos.
...


O mesmo mundo de bigodes pequenos e saudações nazis não foi capaz... de destruir o sorriso das crianças, pois que é força viva que se renova como os ciclos naturais e o mundo que gira.

Deixemos as crianças serem. Estão no seu tempo.
A neve é invulgar e dá alegria.

Quanto a nós, que já somos crescidos, aprendamos a compreender, de vez, o significado destes sorrisos. E de fenómenos meteorológicos anormais.
Que as tempestades se agigantam. Agigantamo-las nós, se ainda não o percebemos...

domingo, janeiro 18, 2009

sábado, janeiro 17, 2009

Que poder?

Plataforma Sabor Livre consegue embargo da obra da Barragem do Sabor

No âmbito da providência cautelar interposta pela Plataforma Sabor Livre, o Tribunal Administrativo de Mirandela determinou, no passado dia 29 de Dezembro, a paragem da obra da barragem do Baixo-Sabor, por decretamento provisório.

Dado que a obra de construção da barragem no vale do rio Sabor continuava a avançar destruindo habitats protegidos, a PSL veio requerer ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela (TAF de Mirandela) o decretamento provisório da providência cautelar de suspensão da execução do contrato de concessão de utilização dos recursos hídricos, celebrado em 26 de Junho de 2008, entre o INAG e a EDP Produção, invocando uma situação de especial urgência decorrente do início das terraplanagens que podem, de modo irreversível, destruir muitos habitats e espécies protegidos.

O TAF de Mirandela no passado dia 29 de Dezembro, decretou provisoriamente a providência determinando a suspensão da execução do contracto de concessão de utilização de recursos hídricos, por reconhecer que configura uma situação de especial urgência, tendo a obra sido embargada, facto que foi já comprovado no terreno.

A PSL reconhece que nesta situação foi feita justiça e aguarda serenamente pelo desenvolvimento dos processos, esperando que os tribunais nacionais e europeu possam impedir a destruição deste Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura.

Sobretudo, contestamos a justificação avançada pelo governo para aprovar a barragem do Sabor e a destruição de importantes habitats protegidos, ao dizer que não havia alternativa. Afinal, logo após a aprovação, o governo revelou os planos para a construção de dez alternativas.

EDP Produção disponibiliza documentos quase um ano após o pedido

A PSL solicitou à EDP Produção em Janeiro de 2008 a consulta dos documentos do concurso, o que lhe foi prontamente negado. Após processo de intimação à EDP para que facultasse a consulta dos documentos, processo esse em que o tribunal deu já, em duas instâncias, razão às ONGA’s, a EDP ainda assim interpôs um recurso de carácter excepcional para o Supremo Tribunal Administrativo, para evitar dar o acesso aos documentos pretendidos. Esse recurso foi recusado pelo tribunal e a EDP só agora veio manifestar a disponibilização dos referidos documentos. O desfecho desta acção vem assim assegurar o acesso a documentos de interesse público, mesmo quando detidos por privados, como é o caso da EDP Produção.

Secretário de Estado do Ambiente efectuou despacho para obra avançar

No passado dia 3 de Dezembro, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa emitiu um despacho que determinava a suspensão das obras e a suspensão provisória da prorrogação da validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA). As empresas de construção contratadas pela EDP Produção prosseguiram com as obras no vale do Sabor, em violação da Lei dos Tribunais Administrativos, até que o Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa emitiu um despacho no passado dia 15 de Dezembro com uma Resolução Fundamentada referindo o suposto prejuízo para o interesse público, o que permite a EDP Produção avançar com as obras até decisão final da providência cautelar. Ao contrário do que é defendido nessa resolução fundamentada (prontamente contestada pela PSL) construção desta barragem em pouco contribui para combater os efeitos das alterações climáticas e para suprimir as necessidades energéticas nacionais, para além de não trazer mais valias para o desenvolvimento da região, como já foi diversas vezes demonstrado pela PSL.

A Plataforma Sabor Livre (PSL) tem acompanhado o processo para aprovação da Barragem do Baixo Sabor e tem detectado diversos atropelos legais e várias decisões não se encontram devidamente fundamentadas.

Ao nível comunitário, foi contestado junto do Tribunal de 1.ª instância da União Europeia[1], a Decisão da Comissão Europeia de arquivar a queixa apresentada pela PSL em Fevereiro de 2008, devido a violação da Decisão da CE que reconhece o Sítio de Importância Comunitária do Sabor, da Directiva Habitats e diversa regulamentação ambiental. Ao nível nacional, estão a ser impugnados, junto dos Tribunais Administrativos, o contrato de construção da barragem (30 de Junho de 2008), assim como outras autorizações administrativas relativas à construção e exploração da Barragem.


Lisboa, 9 de Janeiro de 2009


Comunicado difundido via Quercus

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Do cepticismo - I

"(...) Diz-se que existem três níveis de cepticismo em relação a assuntos como as alterações climáticas - ou seja, são três os grandes desafios que emergem do interface ciência-sociedade.

"Primeiro, dizem-lhe que está errado e têm como o provar:
'O clima não está a mudar de forma atípica ou, se estiver, as actividades humanas não são a causa.'

Segundo, dizem-lhe que tem razão, mas não interessa:
'Está bem, está a mudar e os humanos estão a contribuir para tal, mas não será muito nocivo.'

Terceiro, dizem-lhe que tem importância, mas é demasiado tarde para se fazer alguma coisa:
'Sim, as perturbações do clima irão provocar danos reais, mas é demasiado tarde, difícil ou caro para o evitar, por isso temos de nos acomodar e sofrer.'

Todas estas posições são constituídas por subconjuntos daqueles que se mostram cépticos em relação às alterações climáticas e que infestam talk shows, blogues da internet, conversas em festas, cartas ao director e artigos de opinião em jornais tidos como 'equilibrados' ou não-discriminadores.
Com o passar do tempo, é frequente os cépticos passarem da primeira para a segunda categoria e da segunda para a terceira, à medida que as provas científicas de que vão tendo conhecimento se tornam mais difíceis de ignorar ou refutar. Os poucos cépticos com algumas provas dadas na ciência das alterações climáticas passaram praticamente todos, nos últimos anos, da primeira para a segunda categoria. E a passagem da segunda para a terceira - bem como a passagem directa da primeira para a terceira - está a tornar-se mais frequente.

As três posições estão profundamente erradas."

(p.133)

Mais um "estrato" desse livro tão lúcido que é "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora, 2008)...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Causas concretas

"(...) mesmo quando a terra passou de períodos glaciares para interglaciares, sabemos que as alterações totais nas concentrações de CO2 - entre os máximos e os mínimos - não ultrapassavam 120 partes por milhão (ppm). Passava de 180 ppm para 300 ppm e depois regressava aos 180 ppm, fazendo-se acompanhar pela oscilação de seis graus centígrados na temperatura. No entanto, nos últimos dez mil anos tem estado estabilizada em torno de 280 ppm de CO2, pelo que o nosso clima também se mostrou muito estável.

Tudo isto começou a mudar de repente, mais ou menos a partir de de 1750. Logo após o despontar da Revolução Industrial, e sobretudo nos últimos 50 anos, a quantidade de CO2 na atmosfera terrestre aumentou de 280 ppm para 384 ppm, nível em que provavelmente nunca esteve durante 20 milhões de anos. E estamos agora em vias de acrescentar 100 ou mais ppm de CO2 à atmosfera nos próximos 50 anos. Este CO2 não provém dos oceanos. ["Quando os oceanos aquecem, libertam CO2", p.126] Provém da acção humana de queima de combustíveis fósseis e da desflorestação. ["A desflorestação é responsável por cerca de 20% de todas as emissões de CO2", p. 155].
Sabemo-lo porque o carbono pode ser datado e o carbono contido no dióxido de carbono produzido a partir da queima de combustíveis fósseis é de uma idade diferente do CO2 que se encontra nos oceanos. E as medições revelam, sem margem para dúvidas, que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera nos últimos 50 anos teve origem no carbono libertado na combustão de combustíveis fósseis."

(p. 127)

Continuaremos com o livro "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (2008, Actual Editora). Até que a voz nos doa.

terça-feira, janeiro 13, 2009

"Os Cinco Sentidos", de Arsénio Reis

Clica para aumentarOs Cinco Sentidos: Matanto a paz no Médio Oriente
Arsénio Reis [*]

Edição: 2003
Editora: Difel
Páginas: 156

Face aos recentes relatos da escalada de violência no conflito israelo-palestiniano, no Médio Oriente, caso não estivesse já publicado, podia ser este o livro deste mês.
“Os Cinco Sentidos”, de Arsénio Reis, será um livro sempre actual e sugiro a sua leitura a quem queira testemunhar o relato, in loco, de um jornalista português, de alguns acontecimentos que ocorreram, em 2002, aquando da maior operação militar israelita, nos últimos 20 anos, em territórios palestinianos, denominada “Muralha Defensiva”.
A ofensiva israelita passou pela invasão e ocupação da Cisjordânia, com o intuito, segundo o governo israelita, de combater o terrorismo, eliminando os alegados terroristas.

"O povo vive prisioneiro, na sua terra, nas suas casas e reage criando mártires que fazem as vítimas necessárias à construção da prisão em que vivem."

Arsénio Reis, acerca do círculo vicioso de que se alimenta o conflito,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Audição: O cantar das armas em Ramallah, p. 81.

Naquele ano, admitia-se a entrada do exército israelita na Faixa de Gaza, apesar de algumas incursões, a ocupação efectiva não chegou acontecer, no entanto, aquele território, que é considerado uma das zonas mais populosas do Mundo, segundo documentos das Nações Unidas, tinha já o destino marcado...

Gaza sabe que está em lista de espera. Terminada a operação de limpeza – expressão usada por porta-vozes israelitas – na Cisjordânia, ninguém duvida que a Faixa será contemplada com o apertar de um longo abraço há muito erguido pelos militares.

Raji Sourani, o Director do Centro Palestiniano dos Direitos Humanos,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Tacto: apalpar o medo em Gaza, pp. 95-96.

Por último, transcrevo parte do prefácio, escrito por Mário Soares:
O livro tem um título poético e algo enigmático: Os Cinco Sentidos. É uma reportagem-testemunho, reveladora de grande coragem e sensibilidade, da autoria de um jovem e promissor jornalista da Rádio Renascença, Arsénio Reis.
Trata-se de uma reportagem, escrita a quente, por forma incisiva e isenta, após o choque de uma experiência vivida e única, que vai, seguramente, incomodar os eventuais eleitores, mais também abrir-lhes os olhos para uma das tragédias mais interpelantes do mundo em que vivemos.
Felicito vivamente o autor pelo seu inspirado livro. Partiu, oportuna e significativamente, da frase de Mahatma Ghandi – uma das mais vigilantes consciências morais do século XX – que lhe serve de epígrafe: “Perdoar é o valor dos valentes: Somente aquele que é bastante forte para perdoar uma ofensa, sabe amar”. À bon entendeur...


Mário Soares in prefácio.

[*] Jornalista da Rádio Renascença.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Perfil histórico de Israel

Clica para aumentar1870-96
As primeiras imigrações judaicas organizadas na Palestina, agora controlada pelo Império Otomano, desencadeadas por movimentos violentos anti-semitas na Rússia e na Europa Oriental e pela progressiva implementação do sionismo.

1917
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha promete aos Árabes, de um modo muito ambíguo, que reconhecerá um futuro Estado árabe, e aos judeus o apoio a uma colónia judaica em território palestiniano.
A 2 de Novembro, a declaração de Lorde Balfour, ministro britânico dos negócios estrangeiros, promove a instituição de uma «casa nacional judaica» na Palestina.
Ofensiva inglesa no Sinai e fim do domínio turco.

1922
A Sociedade das Nações atribuiu um mandato à Grã-Bretanha sobre a Palestina.

1936
Os Árabes formam uma organização para se opor à imigração dos judeus.
Começam os conflitos entre as duas comunidades
e ingleses decidem pôr termo à imigração dos judeus refugiados.

1945
A Liga Árabe pronuncia-se contra a criação do Estado Judaico na Palestina.

1946
Campanha sistemática de terrorismo anti-britânico por parte de grupos clandestinos judeus.
Multiplicaram-se os conflitos armados entre Árabes e judeus.

1947
A 29 de Novembro, a ONU decide a divisão da Palestina e a criação de um Estado judaico independente.

Jerusalém fica sob administração da ONU.

1948
Retirada britânica da Palestina.

Um governo provisório, presidido por Ben Gurion, proclama o nascimento do Estado de Israel a 14 de Maio. Começa a primeira guerra israelo-árabe. Os israelitas, apoiados pelos EUA e pela URSS, expulsam as tropas da Liga Árabe e consolidam as próprias fronteiras.

1951...




Clica para lerClica para ler


[Clica na respectiva página para ler o perfil histórico, entre 1951-2005]



...2005

Clica para aumentarFonte: Geografia Universal, Grande Atlas do Século XXI, Volume 6 – Médio Oriente e Ásia Central, Planeta de Agostini, 2005, pp. 90-91.

domingo, janeiro 11, 2009