quarta-feira, fevereiro 25, 2009

"Constituição da República Portuguesa"


"Constituição da República Portuguesa", Edição Almedina
(Tenho também a edição 2007 actualizada com a Lei constitucional nº1/2005

Por exemplo:
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palvra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo de censura
.
Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa

A constituição é normalmente letra morta, não raro, para políticos, inexistente para os autodidactas da sacanice e corruptos da nossa praça, e indiferente para a generalidade dos portugueses que não a conhecem e muito menos a lêem. Alguém por aí tem uma em casa?
Fico incrédulo com os últimos tempos: censura (depois emendada) no Carnaval com o caso das figuras no Magalhães; a polícia a entrar numa feira do livro em Braga e CONFISCAR vários exemplares de livros que reproduziam nas capas, segundo eles, conteúdos pornográficos (não sei se sabem mas a dita imagem é de um quadro que está exposto todo o ano no Museu d'Orsay de Paris), por sugestão e queixinha de uns (quem?) defensores da família(?), nada que eu já não tivesse aqui dito: um polícia a cada esquina e um lápis azul. Entretanto um distinto empresário cá do burgo pagou uma multinha por se ter provado corrupção activa para acto lícito (?), e o nosso D. Nuno Álvares Pereira, será canonizado por alegadamente ter cumprido (nem sei como se diz) actos milagrosos, designadamente no caso de uma queimadela com óleo.
Mas poderíamos recordar ainda a imposição pela DREN a professores para desfilarem no Carnaval e muita malta de bico caladinho para não ser, digamos, atrasado na carreira, ou coisa pior. Pelo menos nos antigamente (como se diz por aqui) a coisa era de caras. 

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Braga, cidade pornográfica

"Origine du Monde" (1866), de Gustave Courbet

Há meses que precisava de ter um pretexto para vir aqui, a um blogue sobre Geografia, falar sobre essa... gente.

Não conheço cidade com gente mais hipócrita, conservadora, retrógrada, puritana, corrupta, imbecil, atrasada, pedante, estúpida, pidesca, e arredada dos valores da liberdade como essa gentalha de Braga que acha que é "inadequado", "desnecessário" haver um livro exposto assim. "Há que proteger as crianças."

Mas essa gentalha, pequenina e mesquinha, mirradinha, estreitinha, egoísta e de intelecto inexistente... lê?
Para isto?


É essa gentalha que bufa, que contou sempre com a lei e a ordem dos bons costumes, que vai caindo, decrépita e em ruínas como os edifícios "históricos" do centro da cidade.

É essa gente que apodrece numa cidade onde "é bom dormir",
numa cidade coitadinha e amorosa que "responde com amor à eutanásia",
numa cidade sitiada que há-de fazer procissões, de vela erguida e cânticos bafientos, contra a legalização do aborto (quando descobrir que já foi legalizado...),
numa cidade vestida de luto e a cheirar a cera...
uma cidade alimentada a hóstia e betão,
na alvura do imobilismo e do provincianismo mais idiotizante à flor deste país,
também ele pequeno...


Indignada deve ter ficado essa gente.
Sua acólita PSP, já sem cónegos corruptos, fascistas e criminosos que a comprem a dinheiro, obras públicas ou empregos, afinal, temerosa, mete o rabo entre as pernas e diz au-au.
Mas muito baixinho, que é para no final da noite, connosco já a ir prà caminha, ninguém notar.

domingo, fevereiro 22, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Braga versus Liège

Vidal: adeptos do Standard de Liège a cervejar hoje de tarde (18-02-09) em Braga

Devo algum do meu conhecimento inicial, e insaciável curiosidade sobre cidades, ao jogo da bola que cultivava em pequenino. Com efeito grande parte dos clubes tem o nome da cidade plasmado no seu próprio nome e símbolo. A partir daí a viagem é imparável. E, não raro, a história de um clube agrega-se à de um bairro ou parte da cidade , tornando-se muitas vezes “bandeira” desse mesma cidade ou de uma região. Assim hoje o Sporting Clube de Braga joga com o Standard de Liège. Liège é a capital da província com o mesmo nome e a terceira maior cidade da Bélgica (primeira da Valônia), tendo aproximadamente 187.000 habitantes no município e cerca de 600.000 na região metropolitana (2006). Se quiserem comparar com Braga podem ir aqui e aqui.

A cidade de Braga está a ficar assim:

Vidal: centro de Braga em Fevereiro, 09

Já repararam?...

domingo, fevereiro 15, 2009

"E.T.: o extra-touro"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Mudar

Voltamos à carga!

Thomas L. Friedman, no livro de que temos vindo a partilhar alguns estratos, "Quente, Plano e Cheio", sugere-nos, num estilo simples e incisivo, por onde terá que passar o mundo com futuro. Papel fundamental desempenha, como é fácil de perceber, a forma como consumimos energia... oh! o tão falado discurso da poupança e tal... Não! Eis a mudança de paradigma, para meditarmos:


"Conforme referi (...), as utilities [o autor refere-se às empresas que nos EUA fornecem energia nos diversos Estados] eram pagas com base na quantidade de electricidade que vendiam e na quantidade de novas centrais eléctricas que construíam. À medida que cada vez mais consumidores começaram a apagar as luzes sempre que mudavam de divisão e que foram instalando electrodomésticos eficientes a nível de energia, a empresa foi penalizada pela diminuição das vendas (...)

"Existe sempre uma tensão entre os interesses dos consumidores em reduzir as suas contas ao utilizarem menos energia e os interesses das utilities e dos seus accionistas em fazer crescer os dividendos, fazendo com que se consuma mais energia"
(...)
É como conduzir com um pé no travão e o outro no acelerador". É exactamente isso que temos estado a fazer. E isso tem que mudar."

Como?

"Os lucros e as vendas têm de ser descorrelacionados.
(...)
Por exemplo, uma utility pode ajudar um consumidor a comprar um aparelho de ar condicionado que seja mais eficiente a nível energético, ou subsidiar um projectista de um novo edifício comercial para reduzir o consumo de energia. (...). O auditor faria então as contas para descobrir qual o custo dessas medidas de conservação e quanto poupariam em termos de energia que não teria de ser gerada. Imaginemos que o novo e mais eficiente aparelho de ar condicionado iria custar mais 500 dólares do que o modelo-padrão, mas que, durante o seu período de vida, pouparia à utility 1000 dólares em quilowatt / hora que não seria necessário gerar. Na verdade, está a substituir a geração que custaria 1000 dólares ao longo do tempo por conservação, que custa apenas até 500 dólares. Essa poupança total de 500 dólares seria então dividida entre a utility e o consumidor."


Nova tabela de eficiência para as empresas
Imagem, adaptada, retirada daqui.


A imposição de preços de energia mais elevados, por parte do Estado, encorajaria "as utilities a estimular melhorias em termos de eficiência.
A situação ideal é que a utility ganhe mais dinheiro quando leva os consumidores a poupar mais electricidade - para que o total dos lucros das utilities aumente e o total das facturas dos consumidores diminua, porque as poupanças de energia mais do que compensam o aumento dos custos de energia. Se tivermos um ecossistema energético que produz valor social (redução das emissões de CO2 e eficiência energética) e não valor económico (grandes poupanlas para os consumidores e lucros para as utilities), não atingirá escala. Temos de conseguir ambas as coisas. Durante demasiado tempo, muitos ficaram ricos com o negócio da energia a fazer as coisas erradas."

(pp.294-296)


"A bala que o mata nunca o atinge entre os olhos. (...) Atinge-o sempre na têmpora. Nunca sabe de onde vem, porque está a olhar na direcção errada". As empresas de energia tradicionais nunca tiveram de se preocupar com uma bala inesperada. [Mas] Quando vir algumas delas estendidas nas bermas das estradas com balas nas têmporas, saberá que finalmente se criou um mundo de "ou mudas ou morres" no sector da energia - e que existiu alguém que não mudou.

(p. 303)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Música do mundo / Música geográfica (I)

Música do mundo.

Que expressão mais pífia e eurocêntrica (ou, por sinédoque ou por antonomásia, ocidental) que é chamar às músicas que não são cantadas em Inglês nem são desse género tão mundializado desde a popularização da guitarra eléctrica que é o pop-rock...!!


(E perguntemo-nos se não costumamos pensar nessa expressão num outro idioma... que quer isto dizer, então?)

Pois... de onde vem a música senão do mundo? Como se o pop-rock, cantado já não só em Inglês, fosse feito num outro planeta, desconhecido...


Estes críticos musicais, jornalistas ou não, não podiam ter pensado um bocadinho melhor? Porque não música geográfica? Sim, também toda a música tem a sua origem espácio-temporal. Mas estamos, com esta designação, a querer pôr a tónica na proveniência específica das músicas que são criadas.

O que está em causa é, uma vez mais, um dos binómios levantados pela chamada mundialização (dos meios de comunicação, da economia, e, por arrasto, das expressões culturais das sociedades - pelo menos das expressões consumíveis e mediatizáveis, mediante troca económica ou não): a (suposta) abolição das fronteiras VS. a consciência das diferenças (logo, das distâncias e fronteiras).

(Já aflorámos a questão das fronteiras (aqui), e prometemos retomar este assunto, a propósito de música).

E com música geográfica estaríamos a salientar o carácter único - a valorizar a diferença (e não a estardardização, dos gostos e expressões) - da talvez mais sublime forma de arte.
A questão é que dentro dessa "nomenclatura" não tem apenas lugar a música tradicional. As coordenadas temporais também são importantes: músicas de um tempo, identificáveis, marcantes, verdadeiros documentos e testemunhos de factos históricos... seriam também música geográfica.


Voltaremos a este assunto, uma vez que o nosso inquérito já nos indicou o próximo caminho a seguir e a partilhar convosco.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Olha! Não me apetece

Microdisney - "The Clock Comes Down the Stairs" (Lp 1985)


(Não sei que entreposto ferroviário está retratado)


São carris que não parecem levar a lado nenhum,
perdido o gosto pela aventura da descoberta.
Nos caminhos já traçados parece ainda não termos encontrado o caminho para nós.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Mudar de Vida

O título deste texto alude ao filme de Paulo Rocha (de 1966), também celebrizado pela sua banda-sonora, da autoria de Carlos Paredes.

Não sabemos em que medida as mudanças de hoje nos são impostas. Urgem. E é isso que temos de compreender.

A toda a volta vemos fábricas a fechar e a despejar no vazio do sem-futuro a matéria que faz o mundo girar. Crise, dizem os seus proprietários, gestores e accionistas.
O objectivo de uma empresa cotada na bolsa de valores é garantir lucro aos seus accionistas. Soa tão bem, não soa? Já sabemos que é assim, não sabemos? E isto soa ainda melhor, não soa?

E a palavra reconversão, como nos soa?
Meditemos sobre ela.

Conta o outro, citado na citação da citação... que as palavras não se perdem quando se repetem de boca em boca:

"Mãe, quando crescer, quero mudar o mundo"

Assim falou o Homem.

E conseguiu!
O Homem mudou o mundo.

Alterou o curso da História da Terra. Se o passado nos trouxe até aqui, que diremos do futuro? Por quanto mais tempo nos é ele garantido? Garantido não é bem a palavra... permitido será mais correcta.

O Homem mudou o mundo.
Mas com o mundo agora mudado, o Homem ainda não mudou.
E tem que mudar. Quanta violência pode conter este "tem que mudar"? Não a suficiente para nos ter já obrigado a.

Por todo o lado há sinais. A dita crise económica poderá ser um deles, mas tal como nos é apresentada pelo discurso dos que, ao contrário dos que deixam de ter, vêem descer os níveis do que têm (comummente chamado "lucro") e das respectivas correias de transmissão do pensamento contrário ao que "tem que mudar", essa mesma crise económica apenas parece estar a ocultar ainda mais a real gravidade da crise. Crise com letra maior.


Da forma que construímos as nossas casas e vidas - quanto mais afastadas da Natureza, mais evoluídas, dizem - ainda não percebemos que somos iguais aos animais que têm de escalar as montanhas em busca das temperaturas suportáveis pelo organismo.

A mutação - na vida que mudámos, a vida que muda, a vida que nos muda - está a transformar-nos em ursos polares. Com o gelo a derreter, já o sabemos, morreremos afogados.


Milhões de pessoas fogem para as cidades em busca de trabalho.
Milhões de pessoas buscam outras terras, aráveis, que lhes dêem de comer.
Milhares de pessoas estão a abandonar as suas ilhas de palmo e meio, porque as ondas não precisam de ser gigantes para serem demasiado altas.
Milhões de pessoas estão a ficar sem água potável.
À sombra do vulcão, milhares de pessoas aguardam as avalanchas do futuro.

Milhões de pessoas lutam por sobreviver.
Num mundo esterilizado pela poluição, pela guerra, pela delapidação dos recursos naturais e humanos... qual o caminho?


Quantos anos nos trouxeram até aqui?
-
Quantos anos demorámos a mudar o mundo?
=
Quantos anos separam estes dois conjuntos de anos?

O que se verifica nesta equação resume-se a uma palavra: insustentabilidade.
E insustentabilidade significa uma de duas coisas. Ou uma ou outra, portanto:

1 - necessidade de adaptação
X
2 - morte inescapável


O Homem mudou o mundo mais rapidamente que o tempo que esse mundo - ESTE - precisa para mudar. E para NOS mudar.

Escolhamos.


Agora, com o mundo mudado, muitos mundos deixaram de fazer sentido. Com novos olhos, com a nova concepção do mundo, deixámos - num ápice - de ter razões para sustentar esses mundos, de repente ultrapassados.

Novos esforços se requerem. A mudança necessária.
Na busca de um só objectivo. E um só, porque urgente:
a sobrevivência.

domingo, fevereiro 08, 2009

"Parque Jurássico"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

E agora aparece?


Não deixa de ser uma infâmia a forma como certas empresas, algumas pertencentes a grupos bem sólidos e que ainda há bem pouco tempo reclamavam lucros fabulosos, já para não falar dos milhões em subsídios e outros incentivos que encaixaram, aproveitam agora a onda da crise para despedir à tripa forra trabalhadores ou pedir umas massas ao governo. Para quem nos últimos anos passava a vida a reclamar menos Estado, não está nada mal. Alguns destes casos ocorrem também em pequenas e médias empresas no Minho. É certo que algumas estão completamente estranguladas (e muitas fazem das tripas coração) e sem recurso ao crédito (neste particular, não é de agora que não têm acesso, há muito que a banca e o Estado os deixou à sua sorte enquanto propagandeava planos e estratégias para o sector têxtil e vestuário), mas outras, a reboque das suas viagens ao Brasil e Caraíbas, carros de alta cilindrada e jantaradas tropicais (não sei se me entendem?...), aproveitam para humildemente reivindicar qualquer coisinha, despedindo funcionários que são como uns filhos porque já não se aguenta, e desaparecer com as máquinas. Às vezes também desaparecem os próprios sem deixar rasto. Nada disto surpreende. Quando há alguns anos uma média fábrica do distrito de Braga ao receber uns milhares para formação (tecnológica e novas maquinarias) colocou uns funcionários a dar formação a outros para Inglês (fiscalização) ver, estava tudo dito. De qualquer forma nem seria necessário maquinar a formação. O Inglês nunca aparecia…

domingo, fevereiro 01, 2009

quinta-feira, janeiro 29, 2009

AntenaGeo

Caros amigos,

O presente inquérito da AntenaGeo termina dentro de horas. Porém, os resultados mostram-nos um empate entre duas das opções.

Querem ajudar-nos a resolver o impasse?

Como?

Votando!!

domingo, janeiro 25, 2009

segunda-feira, janeiro 19, 2009

"Mas o melhor são as crianças..."

Foto de Diniz Silva, Castanheiro do Ouro, Tarouca, 26.12.2008


Porque cabe a mim a publicação da foto do mês, pareceu-me apropriado, para a época, enviar uma saudação especial ao amigo Diniz Silva. A foto é dele, e, como todas as pessoas que fotografam a liberdade das crianças, captou a sua alegria pela dádiva que a Natureza decidiu oferecer-lhes.

Este é um mundo de contrastes e, talvez mais nesta altura que em qualquer outra, de extremos. Um mundo que sempre foi e não sabemos - quanto à componente humana, claro está - se sempre irá ser de coexistências. Coexistências desses contrastes, desses contrários. Porque o mundo é grande e porque - parece que o esquecemos - é o único.

Um mundo que nos torra nas areias laranja e nos congela nas alturas brancas.
Um mundo em que há monções que afogam quem sempre por elas aprendeu a esperar e secas inesperadas, que desidratam lentamente a vida que teima em resistir.
Lugar onde cada vez mais milhares morrem com problemas cárdio-vasculares, por consumo excessivo de hidratos de carbono, e onde há uma pesssoa a morrer a cada segundo que passa. Devido à fome, se é preciso lembrá-lo...

O mesmo mundo de um povo que sofreu das piores barbáries da triste história da desumanidade e que se julga com autoridade moral para decidir dar semelhante destino aos vizinhos.
Um mundo que prega à paz no sapatinho pendurado na lareira que é, nada mais nada menos, o mundo que bombardeia e destrói telhados e tudo o que por baixo deles se encontrar.
O mesmo mundo onde a grande democracia e garante de paz é a mesma que mais armas produz, usa, exporta, faz usar, financia - para a paz, pois então?!

Mundo onde coexistem os que pagam impostos a um Estado que vai sendo destruído pelos que não pagam, que disso se riem e que parecem ficar cada vez mais beneficiados com isso.
Mundo capaz de assinar protocolos de luta contra as alterações climáticas e -quão capaz! - que em apenas 6 anos (2000-2006) triplica as emissões de dióxido de carbono.

Um lugar que apela a um sono tranquilo ao mesmo tempo que as cidades vão ficando desertas e carcomidas nos seus miolos.
Onde coexistem as maiores fortunas do mundo com pessoas apelidadas de "terceiro mundo", com "menos de 2 dólares por dia", "subnutridos", "subalternos", "classes inferiores", ou eufemisticamente "pessoas humildes".

Onde coexiste a urgência de mudar com o emperramento das máquinas económico-políticas.
O burburinho anunciador do vulcão com a vida tranquila dos habitantes nos seus sopés.
Polders para albergar população com gelos que derretem.
A ganância das mãos invisíveis e amorais com vislumbramentos de futuros prósperos.
...


O mesmo mundo de bigodes pequenos e saudações nazis não foi capaz... de destruir o sorriso das crianças, pois que é força viva que se renova como os ciclos naturais e o mundo que gira.

Deixemos as crianças serem. Estão no seu tempo.
A neve é invulgar e dá alegria.

Quanto a nós, que já somos crescidos, aprendamos a compreender, de vez, o significado destes sorrisos. E de fenómenos meteorológicos anormais.
Que as tempestades se agigantam. Agigantamo-las nós, se ainda não o percebemos...

domingo, janeiro 18, 2009

sábado, janeiro 17, 2009

Que poder?

Plataforma Sabor Livre consegue embargo da obra da Barragem do Sabor

No âmbito da providência cautelar interposta pela Plataforma Sabor Livre, o Tribunal Administrativo de Mirandela determinou, no passado dia 29 de Dezembro, a paragem da obra da barragem do Baixo-Sabor, por decretamento provisório.

Dado que a obra de construção da barragem no vale do rio Sabor continuava a avançar destruindo habitats protegidos, a PSL veio requerer ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela (TAF de Mirandela) o decretamento provisório da providência cautelar de suspensão da execução do contrato de concessão de utilização dos recursos hídricos, celebrado em 26 de Junho de 2008, entre o INAG e a EDP Produção, invocando uma situação de especial urgência decorrente do início das terraplanagens que podem, de modo irreversível, destruir muitos habitats e espécies protegidos.

O TAF de Mirandela no passado dia 29 de Dezembro, decretou provisoriamente a providência determinando a suspensão da execução do contracto de concessão de utilização de recursos hídricos, por reconhecer que configura uma situação de especial urgência, tendo a obra sido embargada, facto que foi já comprovado no terreno.

A PSL reconhece que nesta situação foi feita justiça e aguarda serenamente pelo desenvolvimento dos processos, esperando que os tribunais nacionais e europeu possam impedir a destruição deste Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura.

Sobretudo, contestamos a justificação avançada pelo governo para aprovar a barragem do Sabor e a destruição de importantes habitats protegidos, ao dizer que não havia alternativa. Afinal, logo após a aprovação, o governo revelou os planos para a construção de dez alternativas.

EDP Produção disponibiliza documentos quase um ano após o pedido

A PSL solicitou à EDP Produção em Janeiro de 2008 a consulta dos documentos do concurso, o que lhe foi prontamente negado. Após processo de intimação à EDP para que facultasse a consulta dos documentos, processo esse em que o tribunal deu já, em duas instâncias, razão às ONGA’s, a EDP ainda assim interpôs um recurso de carácter excepcional para o Supremo Tribunal Administrativo, para evitar dar o acesso aos documentos pretendidos. Esse recurso foi recusado pelo tribunal e a EDP só agora veio manifestar a disponibilização dos referidos documentos. O desfecho desta acção vem assim assegurar o acesso a documentos de interesse público, mesmo quando detidos por privados, como é o caso da EDP Produção.

Secretário de Estado do Ambiente efectuou despacho para obra avançar

No passado dia 3 de Dezembro, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa emitiu um despacho que determinava a suspensão das obras e a suspensão provisória da prorrogação da validade da Declaração de Impacte Ambiental (DIA). As empresas de construção contratadas pela EDP Produção prosseguiram com as obras no vale do Sabor, em violação da Lei dos Tribunais Administrativos, até que o Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa emitiu um despacho no passado dia 15 de Dezembro com uma Resolução Fundamentada referindo o suposto prejuízo para o interesse público, o que permite a EDP Produção avançar com as obras até decisão final da providência cautelar. Ao contrário do que é defendido nessa resolução fundamentada (prontamente contestada pela PSL) construção desta barragem em pouco contribui para combater os efeitos das alterações climáticas e para suprimir as necessidades energéticas nacionais, para além de não trazer mais valias para o desenvolvimento da região, como já foi diversas vezes demonstrado pela PSL.

A Plataforma Sabor Livre (PSL) tem acompanhado o processo para aprovação da Barragem do Baixo Sabor e tem detectado diversos atropelos legais e várias decisões não se encontram devidamente fundamentadas.

Ao nível comunitário, foi contestado junto do Tribunal de 1.ª instância da União Europeia[1], a Decisão da Comissão Europeia de arquivar a queixa apresentada pela PSL em Fevereiro de 2008, devido a violação da Decisão da CE que reconhece o Sítio de Importância Comunitária do Sabor, da Directiva Habitats e diversa regulamentação ambiental. Ao nível nacional, estão a ser impugnados, junto dos Tribunais Administrativos, o contrato de construção da barragem (30 de Junho de 2008), assim como outras autorizações administrativas relativas à construção e exploração da Barragem.


Lisboa, 9 de Janeiro de 2009


Comunicado difundido via Quercus

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Do cepticismo - I

"(...) Diz-se que existem três níveis de cepticismo em relação a assuntos como as alterações climáticas - ou seja, são três os grandes desafios que emergem do interface ciência-sociedade.

"Primeiro, dizem-lhe que está errado e têm como o provar:
'O clima não está a mudar de forma atípica ou, se estiver, as actividades humanas não são a causa.'

Segundo, dizem-lhe que tem razão, mas não interessa:
'Está bem, está a mudar e os humanos estão a contribuir para tal, mas não será muito nocivo.'

Terceiro, dizem-lhe que tem importância, mas é demasiado tarde para se fazer alguma coisa:
'Sim, as perturbações do clima irão provocar danos reais, mas é demasiado tarde, difícil ou caro para o evitar, por isso temos de nos acomodar e sofrer.'

Todas estas posições são constituídas por subconjuntos daqueles que se mostram cépticos em relação às alterações climáticas e que infestam talk shows, blogues da internet, conversas em festas, cartas ao director e artigos de opinião em jornais tidos como 'equilibrados' ou não-discriminadores.
Com o passar do tempo, é frequente os cépticos passarem da primeira para a segunda categoria e da segunda para a terceira, à medida que as provas científicas de que vão tendo conhecimento se tornam mais difíceis de ignorar ou refutar. Os poucos cépticos com algumas provas dadas na ciência das alterações climáticas passaram praticamente todos, nos últimos anos, da primeira para a segunda categoria. E a passagem da segunda para a terceira - bem como a passagem directa da primeira para a terceira - está a tornar-se mais frequente.

As três posições estão profundamente erradas."

(p.133)

Mais um "estrato" desse livro tão lúcido que é "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora, 2008)...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Causas concretas

"(...) mesmo quando a terra passou de períodos glaciares para interglaciares, sabemos que as alterações totais nas concentrações de CO2 - entre os máximos e os mínimos - não ultrapassavam 120 partes por milhão (ppm). Passava de 180 ppm para 300 ppm e depois regressava aos 180 ppm, fazendo-se acompanhar pela oscilação de seis graus centígrados na temperatura. No entanto, nos últimos dez mil anos tem estado estabilizada em torno de 280 ppm de CO2, pelo que o nosso clima também se mostrou muito estável.

Tudo isto começou a mudar de repente, mais ou menos a partir de de 1750. Logo após o despontar da Revolução Industrial, e sobretudo nos últimos 50 anos, a quantidade de CO2 na atmosfera terrestre aumentou de 280 ppm para 384 ppm, nível em que provavelmente nunca esteve durante 20 milhões de anos. E estamos agora em vias de acrescentar 100 ou mais ppm de CO2 à atmosfera nos próximos 50 anos. Este CO2 não provém dos oceanos. ["Quando os oceanos aquecem, libertam CO2", p.126] Provém da acção humana de queima de combustíveis fósseis e da desflorestação. ["A desflorestação é responsável por cerca de 20% de todas as emissões de CO2", p. 155].
Sabemo-lo porque o carbono pode ser datado e o carbono contido no dióxido de carbono produzido a partir da queima de combustíveis fósseis é de uma idade diferente do CO2 que se encontra nos oceanos. E as medições revelam, sem margem para dúvidas, que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera nos últimos 50 anos teve origem no carbono libertado na combustão de combustíveis fósseis."

(p. 127)

Continuaremos com o livro "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (2008, Actual Editora). Até que a voz nos doa.

terça-feira, janeiro 13, 2009

"Os Cinco Sentidos", de Arsénio Reis

Clica para aumentarOs Cinco Sentidos: Matanto a paz no Médio Oriente
Arsénio Reis [*]

Edição: 2003
Editora: Difel
Páginas: 156

Face aos recentes relatos da escalada de violência no conflito israelo-palestiniano, no Médio Oriente, caso não estivesse já publicado, podia ser este o livro deste mês.
“Os Cinco Sentidos”, de Arsénio Reis, será um livro sempre actual e sugiro a sua leitura a quem queira testemunhar o relato, in loco, de um jornalista português, de alguns acontecimentos que ocorreram, em 2002, aquando da maior operação militar israelita, nos últimos 20 anos, em territórios palestinianos, denominada “Muralha Defensiva”.
A ofensiva israelita passou pela invasão e ocupação da Cisjordânia, com o intuito, segundo o governo israelita, de combater o terrorismo, eliminando os alegados terroristas.

"O povo vive prisioneiro, na sua terra, nas suas casas e reage criando mártires que fazem as vítimas necessárias à construção da prisão em que vivem."

Arsénio Reis, acerca do círculo vicioso de que se alimenta o conflito,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Audição: O cantar das armas em Ramallah, p. 81.

Naquele ano, admitia-se a entrada do exército israelita na Faixa de Gaza, apesar de algumas incursões, a ocupação efectiva não chegou acontecer, no entanto, aquele território, que é considerado uma das zonas mais populosas do Mundo, segundo documentos das Nações Unidas, tinha já o destino marcado...

Gaza sabe que está em lista de espera. Terminada a operação de limpeza – expressão usada por porta-vozes israelitas – na Cisjordânia, ninguém duvida que a Faixa será contemplada com o apertar de um longo abraço há muito erguido pelos militares.

Raji Sourani, o Director do Centro Palestiniano dos Direitos Humanos,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Tacto: apalpar o medo em Gaza, pp. 95-96.

Por último, transcrevo parte do prefácio, escrito por Mário Soares:
O livro tem um título poético e algo enigmático: Os Cinco Sentidos. É uma reportagem-testemunho, reveladora de grande coragem e sensibilidade, da autoria de um jovem e promissor jornalista da Rádio Renascença, Arsénio Reis.
Trata-se de uma reportagem, escrita a quente, por forma incisiva e isenta, após o choque de uma experiência vivida e única, que vai, seguramente, incomodar os eventuais eleitores, mais também abrir-lhes os olhos para uma das tragédias mais interpelantes do mundo em que vivemos.
Felicito vivamente o autor pelo seu inspirado livro. Partiu, oportuna e significativamente, da frase de Mahatma Ghandi – uma das mais vigilantes consciências morais do século XX – que lhe serve de epígrafe: “Perdoar é o valor dos valentes: Somente aquele que é bastante forte para perdoar uma ofensa, sabe amar”. À bon entendeur...


Mário Soares in prefácio.

[*] Jornalista da Rádio Renascença.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Perfil histórico de Israel

Clica para aumentar1870-96
As primeiras imigrações judaicas organizadas na Palestina, agora controlada pelo Império Otomano, desencadeadas por movimentos violentos anti-semitas na Rússia e na Europa Oriental e pela progressiva implementação do sionismo.

1917
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha promete aos Árabes, de um modo muito ambíguo, que reconhecerá um futuro Estado árabe, e aos judeus o apoio a uma colónia judaica em território palestiniano.
A 2 de Novembro, a declaração de Lorde Balfour, ministro britânico dos negócios estrangeiros, promove a instituição de uma «casa nacional judaica» na Palestina.
Ofensiva inglesa no Sinai e fim do domínio turco.

1922
A Sociedade das Nações atribuiu um mandato à Grã-Bretanha sobre a Palestina.

1936
Os Árabes formam uma organização para se opor à imigração dos judeus.
Começam os conflitos entre as duas comunidades
e ingleses decidem pôr termo à imigração dos judeus refugiados.

1945
A Liga Árabe pronuncia-se contra a criação do Estado Judaico na Palestina.

1946
Campanha sistemática de terrorismo anti-britânico por parte de grupos clandestinos judeus.
Multiplicaram-se os conflitos armados entre Árabes e judeus.

1947
A 29 de Novembro, a ONU decide a divisão da Palestina e a criação de um Estado judaico independente.

Jerusalém fica sob administração da ONU.

1948
Retirada britânica da Palestina.

Um governo provisório, presidido por Ben Gurion, proclama o nascimento do Estado de Israel a 14 de Maio. Começa a primeira guerra israelo-árabe. Os israelitas, apoiados pelos EUA e pela URSS, expulsam as tropas da Liga Árabe e consolidam as próprias fronteiras.

1951...




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[Clica na respectiva página para ler o perfil histórico, entre 1951-2005]



...2005

Clica para aumentarFonte: Geografia Universal, Grande Atlas do Século XXI, Volume 6 – Médio Oriente e Ásia Central, Planeta de Agostini, 2005, pp. 90-91.

domingo, janeiro 11, 2009

sábado, janeiro 10, 2009

Projecto iNovmap Coimbra

Clica para entrarNo passado mês de Dezembro, no dias 12 e 13, foi apresentado ao público, no VI Colóquio de Geografia de Coimbra, o novo projecto iNovmap Coimbra. Este foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, no seio do Instituto de Estudos Geográficos e tem como objectivo produzir a mais variada cartografia interactiva, em especial, do concelho de Coimbra.
A partir do conceito de comunidades virtuais e/ou rede sociais, desenvolvido na chamada Web2.0, e apoiada na tecnologia ArcGIS-Google Maps, esta nova ferramenta cibernética desenvolve um sistema interactivo de partilha de informação de base cartográfica, que permite aos utilizadores aceder e fornecer, de forma gratuita, um conjunto de cartografia em formato .png, .kmz e .kml.

Para além disso, são, também, disponibilizadas outras ferramentas, tais como: tarefas de routing e tarefas de análise de proximidade.

Para terem uma melhor noção do que se trata, aconselho-vos a leitura do resumo do projecto de autoria de José Gomes, Rogério Coelho e Luís Miranda.

"Ensaio metodológico iNovmap, o que é?

Serviços KML para concepção e partilha de "mashups" em ambiente web2.0; Interfaces ArcGIS-Google Maps como exemplo de um novo "geoweb-paradigma": "Consumer-Generated Media" (CGM)

De José Gomes; Rogério Coelho e Luís Miranda
Instituto de Estudos Geográficos

Ler aqui.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Ecobuild & Futurebuild 2009

Clique para entrar

O Ecobuild & Futurebuild 2009 ocorrerá entre 3 e 5 de Março, em Londres. É considerado o maior evento mundial dedicado ao design e construção eco-sustentável.
Estão previstos cerca de 800 expositores e 30 mil visitantes, para além de estarem programadas mais de 100 conferências, seminários e dezenas de atracções especiais.

"O Ecobuild começou em 2004 como uma pequena conferência a respeito de green building. Porém, imediatamente, cativou a atenção de arquitetos e designers pioneiros e atraiu também produtores de artigos inovadores relacionados à construção sustentável.
O entusiasmo foi tão grande que no ano seguinte, em 2005, se realizou o segundo evento - este já com as características de hoje. Em 2006, em conjunto com seu co-irmão, o Futurebuild, ele mais do que dobrou em tamanho e audiência – fato que vem se repetindo desde então.
Mais de 500 expositores e quase 26 mil visitantes participaram da edição de 2008, fazendo do Ecobuild & Futurebuild o maior evento dedicado ao design sustentável, a construção e arquitetura ecológica."


E-mail enviado por
Jesse Salgado
(Representante do evento no Brasil)
fone: 55-11-7605-8159
e-mail:
jesse_salgado@yahoo.com.br

Imagens na cidade: simbologias

Vidal: Algures em Braga, Dezembro 08.

Não tenhas medo Sara. A coisa até seria para temer se não tivesse saído do peito de um gaiato imberbe e, importantíssimo, não tivesse no final aquele símbolo, ou desenho se quisermos, acrescido de um narizinho para todos percebermos que é um sorriso. Era como quando jogávamos ao pião e colocávamos uma taxa pregada no cimo para funcionar como seguro contra terceiros e livre transito para quebrar janelas e cabeças. Todavia, confesso que este remake que nos transporta para um novo (an)alfabeto terá as sua consequências, e o mundo da tecnologia esbarra na desculpa do facilitismo funcional que redundará em silêncios e afeições à distancia. Veremos. Entretanto é preciso compreender que um alfabeto será sempre muito mais que isso. Sigamos as palavras do grande repórter e viajante polaco Kapuscinsky quando ainda novato chegou primeiro à Índia e depois à China, em plena guerra-fria:

Que saudades tinha de encontrar alguma letra conhecida ou uma palavra, para me ancorar nelas, respirar um momento, sentir-me em casa, mas tudo era vão! Tudo era ilegível, incompreensível e misterioso (…). Mas de onde veio essa torre de Babel linguística-alfabética? E como nasce um alfabeto? Seguramente, no início alguém teve de começar por um signo. Colocou um signo para se lembrar de alguma coisa, para transmitir algo a outrem ou para enfeitiçar algum objecto ou território(…) e a lógica infernal de um alfabeto faz com que, com o tempo, este se complique cada vez mais, ficando cada vez mais ilegível para os não iniciados(…). (in Andanças com Heródoto).

Não precisamos de mais um alfabeto, ou neste caso de mais um conjunto de símbolos sem grande criatividade. Para isso temos o Esperanto. Por outro lado, como dizia Pessoa para esquecer a gramática é preciso sabê-la. Para se brincar com a linguagem é preciso sabê-la. Um mal entendido pode ser fatal. 

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Coisas Concretas

"Aqui em Montana fazemos a nossa vida fora de casa (...) e por isso sabemos quando o clima está a mudar"
(...)
Todos os anos, o Estado verifica a temperatura dos seus rios de trutas em Julho. As trutas gostam dos rios cujas águas são esfriadas pelo efeito da corrente proveniente das montanhas glaciares durante o Verão. Infelizmente, na última década, a camada de neve nalgumas montanhas derreteu toda em Julho, por isso os rios não estão a receber essa corrente fria e a truta está a ficar sob stress. A temperatura do famoso rio Flathead de Montana, que flui directamente do Glacier National Park, era de 11,3 graus centígrados em Julho de 1979 (...). Em Julho de 2006, era de 15,95 graus centígrados no mesmo mês e os rios que 20 anos antes corriam com cerca de cem por cento de neve derretida correm agora com 50 por cento de água da chuva e de nascentes. A truta de Montana tornou-se tão "stressada" que o Estado teve de vedar alguns rios à pesca.
(...)
E depois há os fogos florestais. A noroeste de Montana, as montanhas estão cobertas de abetos e lariços até ao limite florestal. Devido à subida média das temperaturas no Inverno, as árvores tornaram-se muito mais vulneráveis a insectos e outras pragas, cujas larvas normalmente morriam a temperaturas entre os 29 e os 35 graus negativos, temperaturas que eram habituais todos os Invernos, nos meses de Janeiro e Fevereiro. E tal não tem acontecido nos últimos anos.
"Agora temos hectares e hectares de árvores mortas ou moribundas nas montanhas rochosas (...) A Natureza tem o seu próprio método de lidar com o assunto - através de relâmpagos. Uma floresta saudável arderá um pouco e a seguir cai alguma chuva e volta a ficar tudo equilibrado. Agora, com tantas árvores mortas ou moribundas, cai um relâmpago e bum, ardem 200 mil hectares de árvores. Isso está a alterar toda a composição da floresta"

(pp. 138-139)

No seguimento dos avisos chocantemente expostos em "O Sétimo Selo", estamos a ler "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora) e não resistimos a vir transcrever esta passagem. Não estranheis se viermos com outras...

Se pudermos alterar hábitos que até agora encarámos como insignificantes, mas que, grão a grão, vão enchendo o papo desta galinha colossal que estamos a enfrentar... pensemos que vale a pena gastar energia para nos transmitirmos novas concepções. De vida, não de morte anunciada, como as que temos vindo a ter,
despreocupada e alegramente, desde a Revolução Industrial do Séc. XVIII...

Sustentemos o Sustentável.
Não é uma questão de ética ou de política.
É de vida ou morte.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"O Mar Aqui Tão Perto", de José Carlos Fernandes

Clica para aumentarO Mar Aqui Tão Perto
José Carlos Fernandes [*]

Edição: 1998
Editora: Instituto da Conservação da Natureza
Páginas: 28


Andava eu a vaguear na Feira dos Parques Naturais, em Olhão, quando numa das bancas me saltou à vista um pequeno livro com um título tão forte como a ilustração que o acompanha. Desde logo, identifiquei-me com o personagem do livro, que acabei por o ler, ali mesmo.
“O mar aqui tão perto”, do conhecido autor de Banda Desenhada, José Carlos Fernandes, e promovido pelo Parque Natural da Ria Formosa, dá-nos a conhecer, de uma forma clara e pedagógica, o processo de erosão que tanto afecta a nossa costa, em particular, demonstra de que forma se reconstrói as dunas que se encontram em mau estado após os constantes galgamentos dos temporais de Inverno.

Se és um apaixonado e defensor fervoroso do meio natural, mas que desconheces os factores naturais e antrópicos que fazem evoluir a erosão costeira, lê o que a gaivota tem para te contar neste livro:

Escuta deixa-me contar-te uma história...

Ilustração de José Carlos FernandesNum imenso palácio de vidro, algures no Pólo Norte, vive o Sr. Efeito de Estufa. Parece ser uma morada improvável para alguém que, como ele, não suporta o frio e sofre de frieiras, mas acontece que ele vive fascinado pela paisagem do Árctico (...) mantém o aquecimento do palácio a funcionar dia e noite, se é que se pode falar de dias e noites num lugar como aquele. O que o Sr. Efeito de Estufa não sabe é que, cada vez que sobe um décimo de grau no termóstato, milhares e milhares de toneladas de gelo se despenham no oceano com um estrondo espantoso.
E assim, o nível do mar vai subindo todos os dias um bocadinho, uma coisinha de nada (...) mas ao fim de anos, de décadas, é o que se vê, as ondas começam a galgar as dunas, a empurrar as ilhas-barreiras em direcção ao continente.Ilustração de José Carlos Fernandes E como se isso não bastasse, temos o homem a asnear, obras a esmo, marinas, portos, esporões, dragagens, enrocamentos, como se pudesse moldar o mundo a seu bel-prazer.
E quando as dunas estão cobertas por vegetação ainda é o mal menor, o pior é quando há betão por todo o lado, jipes por todo lado, roullotes, barracas, vivendas, blocos de apartamentos, restaurantes, pizzarias, parques de estacionamento, tudo em cima das dunas, tudo espezinhado, nem uma planta para amostra. E depois espantam-se com os resultados...
As pessoas não são muito espertas, pois não?


Com “O mar aqui tão perto” encontraremos todos a resposta...

Boas leituras geográficas.

[*] José Carlos Fernandes nasceu, em 1964, em Loulé. É licenciado em Engenharia do Ambiente, foi assistente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou Botânica e fez investigação em Metais Pesados. Começou a dedicar-se ao desenho e à BD em fins de 1989. Entre 1989 e 1999, trabalhou no Parque Natural da Ria Formosa, onde viria a editar o livro “O mar aqui tão perto”. Tem colaborado em várias revistas e jornais, nomeadamente, O Independente e O Público. Nos últimos anos trabalhou sobretudo na série “A Pior Banda do Mundo”, que conta com 6 volumes editados. O seu primeiro volume, “O Quiosque da Utopia”, foi eleito o Melhor Álbum Português de 2002, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e pelo Diário de Notícias.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que, posteriormente, publicaremos, neste mesmo espaço.

domingo, janeiro 04, 2009

sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Introdução ao Estudo da Geografia Regional", de Orlando Ribeiro

Ver capa em tamanho maior

Título: Introdução ao Estudo da Geografia Regional
Autor: Orlando Ribeiro
Ano: 1987 (2ª edição, 1995)
Editora: João Sá da Costa
ISBN: 972-9230-09-9
Paginação: 148 páginas


Enquanto os frios do Norte não passam, aproveite para pegar num livrinho. Vai ver que o aquece num instante. Pelo menos com este pode acontecer-lhe.

Deste livro do mestre Orlando Ribeiro posso dizer que já comecei a lê-lo por duas vezes. Obviamente que ainda não o li. Passo a explicar o obviamente: só de ler o prefácio e o enquadramento dos estudos regionais na ciência geográfica nasceram em mim tantas ideias fascinantes, mundos por descobrir e abordar... A escrita é simples, mas concisa, a personalidade é humilde mas apurada, o saber do autor é - sentimo-lo só pelo prefácio - muito mais vasta que a que as suas palavras deixam entrever.

Deixo-vos então com um cheirinho desse prefácio (no seu último parágrafo), que de tão delicioso nos aguça o apetite por estes assuntos. Desfrutem.


O título Introdução ao Estudo da Geografia Regional pode parecer pretensioso em relação a uma matéria cujos fundamentos científicos são discutíveis. O meu pensamento a esse respeito é claro: ciências com "objecto, método e leis", tal como são indicadas nos manuais de Lógica, não existem fora do domínio do mundo físico e orgânico. As Ciências humanas, ou as Ciências da Terra que possuem também conteúdo humano, como a Geografia, são muitas vezes hesitantes no objecto, variadas nos métodos e raramente conduzem a leis, formuláveis de maneira concisa e invariavelmente repetidas na relação dos fenómenos entre si. Deixam de ser Ciências por isso? De modo nenhum, se procurarem a objectividade, a precisão, estabelecendo aproximações e correlações entre o que é vário e mutável e se pode combinar de maneiras diversas e imprevistas. Em nome precisamente do espírito científico não se deve simplificar o que é complexo nem considerar "necessárias e previsíveis" relações contingentes e variáveis na maneira com que se exercem. A Ciência é uma atitude: partindo da observação, apurar, ordenar, aproximar factos, procurando tirar daí um nexo explicativo e construindo com eles um relato coerente, navegando com prudência no mar da variedade, tal é a maneira de trabalhar do geógrafo. Mais imprecisa do que a dum naturalista? Por certo, mas também a deste é menos precisa do que a dum astrónomo...

domingo, dezembro 21, 2008

"Bom Natal"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Inquérito

Relembramos que está a decorrer o inquérito sobre músicas que vos propomos para ouvirdes na AntenaGeo.

O prazo de votação é alargado, o que fará com que os resultados só sejam conhecidos bem após o Natal.

Mas lá diz o dito:
"Natal é quando a gente quiser".

Participem! A blogosfera é assim mesmo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Horta Pedagógica de Guimarães

Visite, cultive e descubra o prazer do campo
Quando, recentemente, regressei a Guimarães assisti, com bom agrado, à concretização do projecto "Horta Pedagógica de Guimarães". Achei fabuloso o destino que deram àquelas terras da Veiga do Creixomil, próximas do Pavilhão Multiusos. Muito bem! Parabéns aos projectistas e mentores da ideia, uma ideia sustentável, sem dúvida. E podemos mesmo dizer que é um caso de sucesso, pois todos os seus talhões encontram-se 100% ocupados (atribuídos através de concessão).

Para terem uma ideia mais fidedigna do que se trata, transcrevo a descrição do projecto e deixo-vos algumas fotos que estão no site do Município de Guimarães:

"A Horta Pedagógica de Guimarães foi pensada com a ideia de que o espaço de habitar deve partilhar do equilíbrio com a natureza, tornando esses dois lugares complementares, parte de um mesmo imaginário. Da casa passamos ao espaço de habitar colectivo e da Horta ao continuum naturale de uso público.
A aproximação e confronto destes dois lugares com identidades próprias, posiciona-os perante um diálogo permanente com a natureza mais próxima da vida urbana, onde se transporta para a cidade a experiência do campo. A agricultura peri-urbana e urbana assume assim um papel fulcral de interesse cultural, social, recreativo e económico, na medida em que para além do abastecimento da família se foca na ocupação sadia dos tempos livres.

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A Horta Pedagógica e Social de Guimarães é um espaço de domínio público onde se possibilita a melhoria da qualidade de vida das populações e o aumento da experiência prática e sensorial na ligação com a Natureza que se traduz na possibilidade de contacto entre a população e as espécies agrícolas que utilizamos na nossa alimentação, através do seu envolvimento em diversas actividades.
A Horta Pedagógica apresenta um conjunto de actividades de educação ambiental, nomeadamente um espaço dedicado à compostagem, disponibiliza diversos serviços e promove múltiplas iniciativas, nomeadamente para festejar datas comemorativas do calendário rural/ambiental."

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terça-feira, dezembro 16, 2008

CM Guimarães disponibiliza pinheiros de Natal...

"A Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração da Direcção Geral de Florestas, vai disponibilizar Pinheiros de Natal a título gratuito. Os Vimaranenses interessados deverão dirigir-se ao Horto Municipal, de segunda a sexta-feira das 08h00 ás 12h00 e das 13h00 ás 16h00.

Esta iniciativa pretende contribuir
para a defesa do património florestal evitando os abates indiscriminados e mutiladores de árvores jovens, que põem em causa o equilíbrio dos ecossistemas florestais."

Se ainda não montaram a árvore de Natal e se pretendem um pinheiro verdadeiro, para manter a tradição, estejam atentos a estas iniciativas, pois é seguida por muitos outros municípios.