quinta-feira, janeiro 15, 2009

Do cepticismo - I

"(...) Diz-se que existem três níveis de cepticismo em relação a assuntos como as alterações climáticas - ou seja, são três os grandes desafios que emergem do interface ciência-sociedade.

"Primeiro, dizem-lhe que está errado e têm como o provar:
'O clima não está a mudar de forma atípica ou, se estiver, as actividades humanas não são a causa.'

Segundo, dizem-lhe que tem razão, mas não interessa:
'Está bem, está a mudar e os humanos estão a contribuir para tal, mas não será muito nocivo.'

Terceiro, dizem-lhe que tem importância, mas é demasiado tarde para se fazer alguma coisa:
'Sim, as perturbações do clima irão provocar danos reais, mas é demasiado tarde, difícil ou caro para o evitar, por isso temos de nos acomodar e sofrer.'

Todas estas posições são constituídas por subconjuntos daqueles que se mostram cépticos em relação às alterações climáticas e que infestam talk shows, blogues da internet, conversas em festas, cartas ao director e artigos de opinião em jornais tidos como 'equilibrados' ou não-discriminadores.
Com o passar do tempo, é frequente os cépticos passarem da primeira para a segunda categoria e da segunda para a terceira, à medida que as provas científicas de que vão tendo conhecimento se tornam mais difíceis de ignorar ou refutar. Os poucos cépticos com algumas provas dadas na ciência das alterações climáticas passaram praticamente todos, nos últimos anos, da primeira para a segunda categoria. E a passagem da segunda para a terceira - bem como a passagem directa da primeira para a terceira - está a tornar-se mais frequente.

As três posições estão profundamente erradas."

(p.133)

Mais um "estrato" desse livro tão lúcido que é "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora, 2008)...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Causas concretas

"(...) mesmo quando a terra passou de períodos glaciares para interglaciares, sabemos que as alterações totais nas concentrações de CO2 - entre os máximos e os mínimos - não ultrapassavam 120 partes por milhão (ppm). Passava de 180 ppm para 300 ppm e depois regressava aos 180 ppm, fazendo-se acompanhar pela oscilação de seis graus centígrados na temperatura. No entanto, nos últimos dez mil anos tem estado estabilizada em torno de 280 ppm de CO2, pelo que o nosso clima também se mostrou muito estável.

Tudo isto começou a mudar de repente, mais ou menos a partir de de 1750. Logo após o despontar da Revolução Industrial, e sobretudo nos últimos 50 anos, a quantidade de CO2 na atmosfera terrestre aumentou de 280 ppm para 384 ppm, nível em que provavelmente nunca esteve durante 20 milhões de anos. E estamos agora em vias de acrescentar 100 ou mais ppm de CO2 à atmosfera nos próximos 50 anos. Este CO2 não provém dos oceanos. ["Quando os oceanos aquecem, libertam CO2", p.126] Provém da acção humana de queima de combustíveis fósseis e da desflorestação. ["A desflorestação é responsável por cerca de 20% de todas as emissões de CO2", p. 155].
Sabemo-lo porque o carbono pode ser datado e o carbono contido no dióxido de carbono produzido a partir da queima de combustíveis fósseis é de uma idade diferente do CO2 que se encontra nos oceanos. E as medições revelam, sem margem para dúvidas, que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera nos últimos 50 anos teve origem no carbono libertado na combustão de combustíveis fósseis."

(p. 127)

Continuaremos com o livro "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (2008, Actual Editora). Até que a voz nos doa.

terça-feira, janeiro 13, 2009

"Os Cinco Sentidos", de Arsénio Reis

Clica para aumentarOs Cinco Sentidos: Matanto a paz no Médio Oriente
Arsénio Reis [*]

Edição: 2003
Editora: Difel
Páginas: 156

Face aos recentes relatos da escalada de violência no conflito israelo-palestiniano, no Médio Oriente, caso não estivesse já publicado, podia ser este o livro deste mês.
“Os Cinco Sentidos”, de Arsénio Reis, será um livro sempre actual e sugiro a sua leitura a quem queira testemunhar o relato, in loco, de um jornalista português, de alguns acontecimentos que ocorreram, em 2002, aquando da maior operação militar israelita, nos últimos 20 anos, em territórios palestinianos, denominada “Muralha Defensiva”.
A ofensiva israelita passou pela invasão e ocupação da Cisjordânia, com o intuito, segundo o governo israelita, de combater o terrorismo, eliminando os alegados terroristas.

"O povo vive prisioneiro, na sua terra, nas suas casas e reage criando mártires que fazem as vítimas necessárias à construção da prisão em que vivem."

Arsénio Reis, acerca do círculo vicioso de que se alimenta o conflito,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Audição: O cantar das armas em Ramallah, p. 81.

Naquele ano, admitia-se a entrada do exército israelita na Faixa de Gaza, apesar de algumas incursões, a ocupação efectiva não chegou acontecer, no entanto, aquele território, que é considerado uma das zonas mais populosas do Mundo, segundo documentos das Nações Unidas, tinha já o destino marcado...

Gaza sabe que está em lista de espera. Terminada a operação de limpeza – expressão usada por porta-vozes israelitas – na Cisjordânia, ninguém duvida que a Faixa será contemplada com o apertar de um longo abraço há muito erguido pelos militares.

Raji Sourani, o Director do Centro Palestiniano dos Direitos Humanos,
in “Os Cinco Sentidos”, Cap. Tacto: apalpar o medo em Gaza, pp. 95-96.

Por último, transcrevo parte do prefácio, escrito por Mário Soares:
O livro tem um título poético e algo enigmático: Os Cinco Sentidos. É uma reportagem-testemunho, reveladora de grande coragem e sensibilidade, da autoria de um jovem e promissor jornalista da Rádio Renascença, Arsénio Reis.
Trata-se de uma reportagem, escrita a quente, por forma incisiva e isenta, após o choque de uma experiência vivida e única, que vai, seguramente, incomodar os eventuais eleitores, mais também abrir-lhes os olhos para uma das tragédias mais interpelantes do mundo em que vivemos.
Felicito vivamente o autor pelo seu inspirado livro. Partiu, oportuna e significativamente, da frase de Mahatma Ghandi – uma das mais vigilantes consciências morais do século XX – que lhe serve de epígrafe: “Perdoar é o valor dos valentes: Somente aquele que é bastante forte para perdoar uma ofensa, sabe amar”. À bon entendeur...


Mário Soares in prefácio.

[*] Jornalista da Rádio Renascença.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Perfil histórico de Israel

Clica para aumentar1870-96
As primeiras imigrações judaicas organizadas na Palestina, agora controlada pelo Império Otomano, desencadeadas por movimentos violentos anti-semitas na Rússia e na Europa Oriental e pela progressiva implementação do sionismo.

1917
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha promete aos Árabes, de um modo muito ambíguo, que reconhecerá um futuro Estado árabe, e aos judeus o apoio a uma colónia judaica em território palestiniano.
A 2 de Novembro, a declaração de Lorde Balfour, ministro britânico dos negócios estrangeiros, promove a instituição de uma «casa nacional judaica» na Palestina.
Ofensiva inglesa no Sinai e fim do domínio turco.

1922
A Sociedade das Nações atribuiu um mandato à Grã-Bretanha sobre a Palestina.

1936
Os Árabes formam uma organização para se opor à imigração dos judeus.
Começam os conflitos entre as duas comunidades
e ingleses decidem pôr termo à imigração dos judeus refugiados.

1945
A Liga Árabe pronuncia-se contra a criação do Estado Judaico na Palestina.

1946
Campanha sistemática de terrorismo anti-britânico por parte de grupos clandestinos judeus.
Multiplicaram-se os conflitos armados entre Árabes e judeus.

1947
A 29 de Novembro, a ONU decide a divisão da Palestina e a criação de um Estado judaico independente.

Jerusalém fica sob administração da ONU.

1948
Retirada britânica da Palestina.

Um governo provisório, presidido por Ben Gurion, proclama o nascimento do Estado de Israel a 14 de Maio. Começa a primeira guerra israelo-árabe. Os israelitas, apoiados pelos EUA e pela URSS, expulsam as tropas da Liga Árabe e consolidam as próprias fronteiras.

1951...




Clica para lerClica para ler


[Clica na respectiva página para ler o perfil histórico, entre 1951-2005]



...2005

Clica para aumentarFonte: Geografia Universal, Grande Atlas do Século XXI, Volume 6 – Médio Oriente e Ásia Central, Planeta de Agostini, 2005, pp. 90-91.

domingo, janeiro 11, 2009

sábado, janeiro 10, 2009

Projecto iNovmap Coimbra

Clica para entrarNo passado mês de Dezembro, no dias 12 e 13, foi apresentado ao público, no VI Colóquio de Geografia de Coimbra, o novo projecto iNovmap Coimbra. Este foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, no seio do Instituto de Estudos Geográficos e tem como objectivo produzir a mais variada cartografia interactiva, em especial, do concelho de Coimbra.
A partir do conceito de comunidades virtuais e/ou rede sociais, desenvolvido na chamada Web2.0, e apoiada na tecnologia ArcGIS-Google Maps, esta nova ferramenta cibernética desenvolve um sistema interactivo de partilha de informação de base cartográfica, que permite aos utilizadores aceder e fornecer, de forma gratuita, um conjunto de cartografia em formato .png, .kmz e .kml.

Para além disso, são, também, disponibilizadas outras ferramentas, tais como: tarefas de routing e tarefas de análise de proximidade.

Para terem uma melhor noção do que se trata, aconselho-vos a leitura do resumo do projecto de autoria de José Gomes, Rogério Coelho e Luís Miranda.

"Ensaio metodológico iNovmap, o que é?

Serviços KML para concepção e partilha de "mashups" em ambiente web2.0; Interfaces ArcGIS-Google Maps como exemplo de um novo "geoweb-paradigma": "Consumer-Generated Media" (CGM)

De José Gomes; Rogério Coelho e Luís Miranda
Instituto de Estudos Geográficos

Ler aqui.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Ecobuild & Futurebuild 2009

Clique para entrar

O Ecobuild & Futurebuild 2009 ocorrerá entre 3 e 5 de Março, em Londres. É considerado o maior evento mundial dedicado ao design e construção eco-sustentável.
Estão previstos cerca de 800 expositores e 30 mil visitantes, para além de estarem programadas mais de 100 conferências, seminários e dezenas de atracções especiais.

"O Ecobuild começou em 2004 como uma pequena conferência a respeito de green building. Porém, imediatamente, cativou a atenção de arquitetos e designers pioneiros e atraiu também produtores de artigos inovadores relacionados à construção sustentável.
O entusiasmo foi tão grande que no ano seguinte, em 2005, se realizou o segundo evento - este já com as características de hoje. Em 2006, em conjunto com seu co-irmão, o Futurebuild, ele mais do que dobrou em tamanho e audiência – fato que vem se repetindo desde então.
Mais de 500 expositores e quase 26 mil visitantes participaram da edição de 2008, fazendo do Ecobuild & Futurebuild o maior evento dedicado ao design sustentável, a construção e arquitetura ecológica."


E-mail enviado por
Jesse Salgado
(Representante do evento no Brasil)
fone: 55-11-7605-8159
e-mail:
jesse_salgado@yahoo.com.br

Imagens na cidade: simbologias

Vidal: Algures em Braga, Dezembro 08.

Não tenhas medo Sara. A coisa até seria para temer se não tivesse saído do peito de um gaiato imberbe e, importantíssimo, não tivesse no final aquele símbolo, ou desenho se quisermos, acrescido de um narizinho para todos percebermos que é um sorriso. Era como quando jogávamos ao pião e colocávamos uma taxa pregada no cimo para funcionar como seguro contra terceiros e livre transito para quebrar janelas e cabeças. Todavia, confesso que este remake que nos transporta para um novo (an)alfabeto terá as sua consequências, e o mundo da tecnologia esbarra na desculpa do facilitismo funcional que redundará em silêncios e afeições à distancia. Veremos. Entretanto é preciso compreender que um alfabeto será sempre muito mais que isso. Sigamos as palavras do grande repórter e viajante polaco Kapuscinsky quando ainda novato chegou primeiro à Índia e depois à China, em plena guerra-fria:

Que saudades tinha de encontrar alguma letra conhecida ou uma palavra, para me ancorar nelas, respirar um momento, sentir-me em casa, mas tudo era vão! Tudo era ilegível, incompreensível e misterioso (…). Mas de onde veio essa torre de Babel linguística-alfabética? E como nasce um alfabeto? Seguramente, no início alguém teve de começar por um signo. Colocou um signo para se lembrar de alguma coisa, para transmitir algo a outrem ou para enfeitiçar algum objecto ou território(…) e a lógica infernal de um alfabeto faz com que, com o tempo, este se complique cada vez mais, ficando cada vez mais ilegível para os não iniciados(…). (in Andanças com Heródoto).

Não precisamos de mais um alfabeto, ou neste caso de mais um conjunto de símbolos sem grande criatividade. Para isso temos o Esperanto. Por outro lado, como dizia Pessoa para esquecer a gramática é preciso sabê-la. Para se brincar com a linguagem é preciso sabê-la. Um mal entendido pode ser fatal. 

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Coisas Concretas

"Aqui em Montana fazemos a nossa vida fora de casa (...) e por isso sabemos quando o clima está a mudar"
(...)
Todos os anos, o Estado verifica a temperatura dos seus rios de trutas em Julho. As trutas gostam dos rios cujas águas são esfriadas pelo efeito da corrente proveniente das montanhas glaciares durante o Verão. Infelizmente, na última década, a camada de neve nalgumas montanhas derreteu toda em Julho, por isso os rios não estão a receber essa corrente fria e a truta está a ficar sob stress. A temperatura do famoso rio Flathead de Montana, que flui directamente do Glacier National Park, era de 11,3 graus centígrados em Julho de 1979 (...). Em Julho de 2006, era de 15,95 graus centígrados no mesmo mês e os rios que 20 anos antes corriam com cerca de cem por cento de neve derretida correm agora com 50 por cento de água da chuva e de nascentes. A truta de Montana tornou-se tão "stressada" que o Estado teve de vedar alguns rios à pesca.
(...)
E depois há os fogos florestais. A noroeste de Montana, as montanhas estão cobertas de abetos e lariços até ao limite florestal. Devido à subida média das temperaturas no Inverno, as árvores tornaram-se muito mais vulneráveis a insectos e outras pragas, cujas larvas normalmente morriam a temperaturas entre os 29 e os 35 graus negativos, temperaturas que eram habituais todos os Invernos, nos meses de Janeiro e Fevereiro. E tal não tem acontecido nos últimos anos.
"Agora temos hectares e hectares de árvores mortas ou moribundas nas montanhas rochosas (...) A Natureza tem o seu próprio método de lidar com o assunto - através de relâmpagos. Uma floresta saudável arderá um pouco e a seguir cai alguma chuva e volta a ficar tudo equilibrado. Agora, com tantas árvores mortas ou moribundas, cai um relâmpago e bum, ardem 200 mil hectares de árvores. Isso está a alterar toda a composição da floresta"

(pp. 138-139)

No seguimento dos avisos chocantemente expostos em "O Sétimo Selo", estamos a ler "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora) e não resistimos a vir transcrever esta passagem. Não estranheis se viermos com outras...

Se pudermos alterar hábitos que até agora encarámos como insignificantes, mas que, grão a grão, vão enchendo o papo desta galinha colossal que estamos a enfrentar... pensemos que vale a pena gastar energia para nos transmitirmos novas concepções. De vida, não de morte anunciada, como as que temos vindo a ter,
despreocupada e alegramente, desde a Revolução Industrial do Séc. XVIII...

Sustentemos o Sustentável.
Não é uma questão de ética ou de política.
É de vida ou morte.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"O Mar Aqui Tão Perto", de José Carlos Fernandes

Clica para aumentarO Mar Aqui Tão Perto
José Carlos Fernandes [*]

Edição: 1998
Editora: Instituto da Conservação da Natureza
Páginas: 28


Andava eu a vaguear na Feira dos Parques Naturais, em Olhão, quando numa das bancas me saltou à vista um pequeno livro com um título tão forte como a ilustração que o acompanha. Desde logo, identifiquei-me com o personagem do livro, que acabei por o ler, ali mesmo.
“O mar aqui tão perto”, do conhecido autor de Banda Desenhada, José Carlos Fernandes, e promovido pelo Parque Natural da Ria Formosa, dá-nos a conhecer, de uma forma clara e pedagógica, o processo de erosão que tanto afecta a nossa costa, em particular, demonstra de que forma se reconstrói as dunas que se encontram em mau estado após os constantes galgamentos dos temporais de Inverno.

Se és um apaixonado e defensor fervoroso do meio natural, mas que desconheces os factores naturais e antrópicos que fazem evoluir a erosão costeira, lê o que a gaivota tem para te contar neste livro:

Escuta deixa-me contar-te uma história...

Ilustração de José Carlos FernandesNum imenso palácio de vidro, algures no Pólo Norte, vive o Sr. Efeito de Estufa. Parece ser uma morada improvável para alguém que, como ele, não suporta o frio e sofre de frieiras, mas acontece que ele vive fascinado pela paisagem do Árctico (...) mantém o aquecimento do palácio a funcionar dia e noite, se é que se pode falar de dias e noites num lugar como aquele. O que o Sr. Efeito de Estufa não sabe é que, cada vez que sobe um décimo de grau no termóstato, milhares e milhares de toneladas de gelo se despenham no oceano com um estrondo espantoso.
E assim, o nível do mar vai subindo todos os dias um bocadinho, uma coisinha de nada (...) mas ao fim de anos, de décadas, é o que se vê, as ondas começam a galgar as dunas, a empurrar as ilhas-barreiras em direcção ao continente.Ilustração de José Carlos Fernandes E como se isso não bastasse, temos o homem a asnear, obras a esmo, marinas, portos, esporões, dragagens, enrocamentos, como se pudesse moldar o mundo a seu bel-prazer.
E quando as dunas estão cobertas por vegetação ainda é o mal menor, o pior é quando há betão por todo o lado, jipes por todo lado, roullotes, barracas, vivendas, blocos de apartamentos, restaurantes, pizzarias, parques de estacionamento, tudo em cima das dunas, tudo espezinhado, nem uma planta para amostra. E depois espantam-se com os resultados...
As pessoas não são muito espertas, pois não?


Com “O mar aqui tão perto” encontraremos todos a resposta...

Boas leituras geográficas.

[*] José Carlos Fernandes nasceu, em 1964, em Loulé. É licenciado em Engenharia do Ambiente, foi assistente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou Botânica e fez investigação em Metais Pesados. Começou a dedicar-se ao desenho e à BD em fins de 1989. Entre 1989 e 1999, trabalhou no Parque Natural da Ria Formosa, onde viria a editar o livro “O mar aqui tão perto”. Tem colaborado em várias revistas e jornais, nomeadamente, O Independente e O Público. Nos últimos anos trabalhou sobretudo na série “A Pior Banda do Mundo”, que conta com 6 volumes editados. O seu primeiro volume, “O Quiosque da Utopia”, foi eleito o Melhor Álbum Português de 2002, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e pelo Diário de Notícias.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que, posteriormente, publicaremos, neste mesmo espaço.

domingo, janeiro 04, 2009

sexta-feira, dezembro 26, 2008

"Introdução ao Estudo da Geografia Regional", de Orlando Ribeiro

Ver capa em tamanho maior

Título: Introdução ao Estudo da Geografia Regional
Autor: Orlando Ribeiro
Ano: 1987 (2ª edição, 1995)
Editora: João Sá da Costa
ISBN: 972-9230-09-9
Paginação: 148 páginas


Enquanto os frios do Norte não passam, aproveite para pegar num livrinho. Vai ver que o aquece num instante. Pelo menos com este pode acontecer-lhe.

Deste livro do mestre Orlando Ribeiro posso dizer que já comecei a lê-lo por duas vezes. Obviamente que ainda não o li. Passo a explicar o obviamente: só de ler o prefácio e o enquadramento dos estudos regionais na ciência geográfica nasceram em mim tantas ideias fascinantes, mundos por descobrir e abordar... A escrita é simples, mas concisa, a personalidade é humilde mas apurada, o saber do autor é - sentimo-lo só pelo prefácio - muito mais vasta que a que as suas palavras deixam entrever.

Deixo-vos então com um cheirinho desse prefácio (no seu último parágrafo), que de tão delicioso nos aguça o apetite por estes assuntos. Desfrutem.


O título Introdução ao Estudo da Geografia Regional pode parecer pretensioso em relação a uma matéria cujos fundamentos científicos são discutíveis. O meu pensamento a esse respeito é claro: ciências com "objecto, método e leis", tal como são indicadas nos manuais de Lógica, não existem fora do domínio do mundo físico e orgânico. As Ciências humanas, ou as Ciências da Terra que possuem também conteúdo humano, como a Geografia, são muitas vezes hesitantes no objecto, variadas nos métodos e raramente conduzem a leis, formuláveis de maneira concisa e invariavelmente repetidas na relação dos fenómenos entre si. Deixam de ser Ciências por isso? De modo nenhum, se procurarem a objectividade, a precisão, estabelecendo aproximações e correlações entre o que é vário e mutável e se pode combinar de maneiras diversas e imprevistas. Em nome precisamente do espírito científico não se deve simplificar o que é complexo nem considerar "necessárias e previsíveis" relações contingentes e variáveis na maneira com que se exercem. A Ciência é uma atitude: partindo da observação, apurar, ordenar, aproximar factos, procurando tirar daí um nexo explicativo e construindo com eles um relato coerente, navegando com prudência no mar da variedade, tal é a maneira de trabalhar do geógrafo. Mais imprecisa do que a dum naturalista? Por certo, mas também a deste é menos precisa do que a dum astrónomo...

domingo, dezembro 21, 2008

"Bom Natal"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Inquérito

Relembramos que está a decorrer o inquérito sobre músicas que vos propomos para ouvirdes na AntenaGeo.

O prazo de votação é alargado, o que fará com que os resultados só sejam conhecidos bem após o Natal.

Mas lá diz o dito:
"Natal é quando a gente quiser".

Participem! A blogosfera é assim mesmo.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Horta Pedagógica de Guimarães

Visite, cultive e descubra o prazer do campo
Quando, recentemente, regressei a Guimarães assisti, com bom agrado, à concretização do projecto "Horta Pedagógica de Guimarães". Achei fabuloso o destino que deram àquelas terras da Veiga do Creixomil, próximas do Pavilhão Multiusos. Muito bem! Parabéns aos projectistas e mentores da ideia, uma ideia sustentável, sem dúvida. E podemos mesmo dizer que é um caso de sucesso, pois todos os seus talhões encontram-se 100% ocupados (atribuídos através de concessão).

Para terem uma ideia mais fidedigna do que se trata, transcrevo a descrição do projecto e deixo-vos algumas fotos que estão no site do Município de Guimarães:

"A Horta Pedagógica de Guimarães foi pensada com a ideia de que o espaço de habitar deve partilhar do equilíbrio com a natureza, tornando esses dois lugares complementares, parte de um mesmo imaginário. Da casa passamos ao espaço de habitar colectivo e da Horta ao continuum naturale de uso público.
A aproximação e confronto destes dois lugares com identidades próprias, posiciona-os perante um diálogo permanente com a natureza mais próxima da vida urbana, onde se transporta para a cidade a experiência do campo. A agricultura peri-urbana e urbana assume assim um papel fulcral de interesse cultural, social, recreativo e económico, na medida em que para além do abastecimento da família se foca na ocupação sadia dos tempos livres.

Clica para aumentar Clica para aumentar
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A Horta Pedagógica e Social de Guimarães é um espaço de domínio público onde se possibilita a melhoria da qualidade de vida das populações e o aumento da experiência prática e sensorial na ligação com a Natureza que se traduz na possibilidade de contacto entre a população e as espécies agrícolas que utilizamos na nossa alimentação, através do seu envolvimento em diversas actividades.
A Horta Pedagógica apresenta um conjunto de actividades de educação ambiental, nomeadamente um espaço dedicado à compostagem, disponibiliza diversos serviços e promove múltiplas iniciativas, nomeadamente para festejar datas comemorativas do calendário rural/ambiental."

+ info

terça-feira, dezembro 16, 2008

CM Guimarães disponibiliza pinheiros de Natal...

"A Câmara Municipal de Guimarães, com a colaboração da Direcção Geral de Florestas, vai disponibilizar Pinheiros de Natal a título gratuito. Os Vimaranenses interessados deverão dirigir-se ao Horto Municipal, de segunda a sexta-feira das 08h00 ás 12h00 e das 13h00 ás 16h00.

Esta iniciativa pretende contribuir
para a defesa do património florestal evitando os abates indiscriminados e mutiladores de árvores jovens, que põem em causa o equilíbrio dos ecossistemas florestais."

Se ainda não montaram a árvore de Natal e se pretendem um pinheiro verdadeiro, para manter a tradição, estejam atentos a estas iniciativas, pois é seguida por muitos outros municípios.

domingo, dezembro 14, 2008

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Imagens da cidade enquanto é tempo...

Vidal: São Vicente, Braga, Novembro 08

Esta é a senhora do(s) caminho(s) que se bifurcam. Guardiã de uma área onde se mesclam os bairros antigos, ruas e ruelas, viadutos e pontes aéreas, enclausurados entre filas de prédios. Se procurarmos bem, nichos de casas antigas prolongam edifícios enormes e, mais além, sem sabermos bem como, estamos ao lado de uma via rápida (embora fora-da-lei) e de um galinheiro ou pombal. Por vezes as deambulações simplesmente não tem um “caminho” definido. De igual modo, essas estradas que se bifurcam levar-nos-ão a algum lado? A atentar no jornal Público de 11-12-08, quer-nos parecer que não: só este ano “faliram 440 empresas no distrito de Braga”, um “aumento de 50 por cento face a 2007”. Fala-se de “sangria”, “pré-colapso” e até de “ruptura social”. Acontece que há anos a esta parte se sucedem os estudos e os planos de apoio, hoje claramente malfadados (dizem eles) por essa pantomina universal que se denomina crise, espécie de entidade etérea, sem (parece que também nos dizem) controlo, ou mão humana. Maneta, pois. Talvez seja por isso que a senhora parece estar tão zangada. Por vezes é nisto que penso enquanto vagueio tempo sem fim. 

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O verbo derivado é bem mais forte...

(
- Desbloqueia aí os processos, compincha.
- Não te preocupes. Nem que seja no último dia antes de cessar funções, verás o teu PIN aprovado.
)


Portugal soma e seguePúblico, 09.12.08, p.18
(Clicar na imagem para ler)


E eu, tão mal informado estava, a pensar que PIN queria dizer Projecto de Interesse Nacional... Afinal, é menos que isso - o P é só de Potencial...
Mas as perdas, essas, não levam esse P. Levam um E, de Efectivas. E começam já nos pinheiros, que deixam de ser verticais para sempre.

Destruam o coberto vegetal, desestruturem o solo. E depois abandonem a região por falta de água com qualidade. Prever, planear... verbos que implicam visão de futuro. Prever as fases é já estruturar o calendário das nossas acções. Agora destróis, amanhã constróis, depois de amanhã foges do que construíste. Talvez para lugares onde ainda não tenhas feito nada disso.

Numa fuga prà frente, sem fim à vista? Sim, porque ciclos destes não se renovam, não são sustentáveis.
(Ah! as Cidades Invisíveis, do Calvino, sempre a virem à baila....)


Que andam os governos - nacionais e europeu - a fazer a Portugal?
(Vá lá, uma ajuda: é um verbo...)


Do título deste artigo de jornal extrai-se a errada dicotomia em que querem pôr-nos a ver o mundo: o da coexistência das actividades humanas com os espaços naturais, saudáveis, desabitados pelo Homem, com funções ecológicas...

Importa ressalvar que o que está uma vez mais em questão é o facto de que - e com projectos destes o corroboram - CRESCIMENTO é incompatível com DESENVOLVIMENTO.

Não, amigos. O que é incompatível são as visões mesquinhas e o umbiguismo fatídico da nossa curta duração por esta Terra. Só porque os filhos continuarão a viver lá porque deixou de haver uns hectares de pinhal, quer dizer que não eram necessários? E a viver, sim, mas com mais qualidade de vida? Só se for para os turistas e endinheirados desmiolados que lá forem alimentar estas ilusões.

Pelo menos, a haver uma subida do nível médio do mar, eles serão dos privilegiados, para assistir ao desmoronar da sua cara qualidade de vida. Que pena não ser selectivo um hipotético tsunami...
Que pena...

terça-feira, dezembro 09, 2008

AntenaGeo - inquérito

Caros visitantes,

Chamamos à atenção para o novo inquérito ali ao lado. Desta vez sobre o nosso serviço de divulgação musical AntenaGeo (na barra lateral do blogue).

O Georden dá-vos prendas imateriais.

Sugestões para especificar o que quereis ouvir são bem-vindas. O espaço deste ecoponto (caixa de comentários) serve para isso mesmo. Participem!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Vícios hollywoodescos

Há um não escrito ditado estadunidense - ou pelo menos difundido pelos meios da Madeira Sagrada (sob prescrições governamentais, acreditamos) - que caracteriza o conflito dos poderes.

O dito não-ditado, mas praticado, aparece nos moldes seguintes: um polícia (símbolo do poder militar do Estado) não deixa passar o actor principal àquela hora da noite; ou por aquela porta (que é só para pessoas "não estranhas ao serviço"). No entanto, a estrela do filme, com o seu sorriso sedutor virado para a câmara, saca uma nota do bolso (aqui, símbolo do poder económico sobre tudo o resto), e faz o polícia retroceder na sua firmeza e pensar na decisão que estava prontinho para dar: só lhe faltava a senha.

Estais a imaginar a estrela do filme a acenar com a nota na mão, e o polícia (ou qualquer personificação do poder na circunstância em caus), qual criança a lutar por chegar ao seu chupa-chupa, a ter que ceder algo em troca?

Quantas vezes não vimos já isto passar-se. A chamada "mundialização" (um nome então novo para encapotar o já por demais conhecido "capitalismo") veio espalhar hábitos, costumes e não-ditados da mesma família.


Ver a beleza projectadaLer o discurso vazio dos vereadoresPovo de Guimarães, 5.12.08, pp. 1-2
(Clicar para detectar, além dos erros ortográficos da jornalista, os vícios do discurso do vereador: as redundâncias, o vazio e as promessas)


No caso, o que se costuma ver por estas bandas, à força da nossa pequenez geográfica, económica e mental, é essas notinhas estarem revestidas sob a forma de empregos. Não sei se estais a ver o filme, mas aqui os papeis invertem-se: o poder económico assume-se numa "persona" do poder político e administrativo (normalmente um vereador de uma Câmara Municipal) e aqueles que vão ser comprados não pertencem a poder nenhum (pelo menos, enquanto não reconhecerem o poder de que dispõem).

Então, o poder acena para o público, desesperadamente ansiando pelos doces que lhe serve de sustento. E o público reza, na sua negligência atrasada:

"Amén! Salvai-nos dos nossos desempregos. O dinheiro estará no meio de nós"

Esta é a solução final para um país que foi destruindo a sua economia produtiva e que se limita a vender. Mais valem empregos precários que empregos nenhuns.

Não duvidamos que haverá camisolinhas de lã suficientes para manter a corte muito frequentada, a julgar pelas confusões, a evitar a todo o custo, que convergem aos fins-de-semana para a catedral do consumo e de contemplação já existente (Guimarães Shopping).

Os poderes representados já sabem.
Mas do nosso lado, já nos perguntámos realmente:

- Será que é isto que queremos?

?

domingo, dezembro 07, 2008

sábado, dezembro 06, 2008

Acabaram-se as palavras

Já não sei mais o que dizer.
Nem sei como é que ainda conseguimos falar.

"Vivemos tempos de ignomínia", alguém escreveu uma vez.

Simplesmente não compreendo porquê tantas dúvidas, tantas reticências, tanta vontade em saber as respostas, em entender as explicações, em analisar os argumentos.
Simplesmente não compreendo.

Sinto.
Simplesmente sinto e não consigo escapar às tragédias que nos preparam para a hora de jantar.


Não. As palavras já não servem.

Lixo - já não tem o mesmo significado.
Podridão - já não tem o mesmo significado.
As palavras não podem transmitir o que significam as palavras "fedor nauseabundo".

As palavras estão gastas e já ninguém parece comunicar.
O grande silêncio da incomunicação.


"O público é a retrete", disse alguém uma vez.

Toda a gente tem as suas dúvidas, manifesta a sua indignação, expõe as suas reticências, quer saber porquê...

MAS PARA QUÊ????

Há um governo, mascarado de Estado, que vai a correr salvar os coitadinhos dos jogadores do casino que, no jogo da sorte, ficaram sem os seus trocados.

Como é que é possível HAVER PESSOAS a tentar perceber o que levou o Estado a fazer isso?

Simplesmente não compreendo.
Não compreendo essas pessoas.
Nem o Estado compreende...

Nem o Estado sabe já o que mais dizer.



(Ainda não percebemos que estamos em tempos de acções?)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Mercadinho de Natal

Clica para aumentarCacela Velha, Vila Real de Santo António (Algarve)
14 Dezembro (Domingo)
das 10h30 às 17h00

"A Associação de Defesa, Reabilitação, Investigação e Promoção do Património Natural e Cultural de Cacela (ADRIP), em colaboração com o Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA, está a organizar um Mercadinho de Natal, a decorrer em Cacela Velha, no dia 14 de Dezembro de 2008, das 10h30 às 17h00. Neste dia será possível encontrar à venda toda uma variedade de produtos tradicionais, artesanato, bijutaria, sabonetes naturais e produtos de design a par de diversas actividades de animação de rua (teatro, marionetas, música, jogos tradicionais).
Para além da animação natalícia que se pretende promover no núcleo histórico de Cacela Velha, é também objectivo deste mercadinho estabelecer a ponte entre as produções mais tradicionais e as novas propostas criativas de jovens artesãos, procurando oferecer à comunidade toda uma diversidade daquilo que poderão vir a ser os presentes neste Natal."

APAREÇA!

+ info
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Tel./Fax: 281 952 600
Email: ciipcacela@gmail.com

domingo, novembro 30, 2008

"O Casanova"

Clica para aumentarPor LEM, 2006.

sábado, novembro 29, 2008

Oferta de emprego...

Um desempregado compareceu no Centro de Emprego, em Lisboa, para ver se havia alguma coisa. Ao chegar, viu um cartaz que dizia 'Precisa-se de assistente de ginecologista'. Foi ao balcão e perguntou:
- Pode dar-me mais informações sobre este trabalho?
E o funcionário:
- Com todo o gosto. O trabalho consiste em preparar as pacientes para o exame. Você deve ajudá-las a despir-se e lavar cuidadosamente as suas partes genitais. Depois faz a depilação dos pêlos púbicos com creme de barbear e uma 'Gillete' novinha. A seguir esfrega gentilmente óleo de amêndoas doces, para que elas estejam prontas para ser observadas pelo ginecologista. O salário mensal é de 2.500 Euros. Mas o senhor tem de ir até ao Carregado.
- Mas isso ainda fica a 40 km de Lisboa! O emprego é lá?
– Não, é lá que está o fim da fila!

quarta-feira, novembro 26, 2008

A vida normalmente...


Não sei se viram ontem a Tia Preta? Foi no programa “A Vida Normalmente” (último episódio de 10 que passa(va) antes do City Folks perto da meia-noite), este sobre o Bairro da Quinta da Flamenga em Chelas, Lisboa. O bairro em questão é a coisa mais parecida com uma prisão (curiosamente americana) que já vi. Pela sua arquitectura e organização, pelas pessoas  e  de parecer ter caído do espaço no nada. A impressão não foi apenas minha. Seria interessante reflectir-se sobre a insistência nestas ilhas e, já agora, na questão de saber o que pensam aqueles tipos sobre os outros…lá fora.

A não perder, sobre biclas (em Lisboa), esta posta que foi resposta a esta (embora a coisa já se prolongue…)

terça-feira, novembro 25, 2008

"Fundamentos de Informação Geográfica", de João Matos

"Fundamentos de Informação Geográfica"
5º Edição Actualizada e Aumentada

João Matos

LIDEL, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Empreender viagens

 W. G. Sebald na paisagem Inglesa (retirado de "Os Anéis de Saturno")


Quer voemos sobre a Terra Nova ou ao anoitecer sobre a profusão de luzes que vai de Boston até Filadélfia, sobre os desertos nacarados da Arábia, sobre a região do Ruhr ou a cidade de Frankfurt, é sempre como se não houvesse pessoas, como se houvesse só o que as pessoas criaram e aquilo onde se escondem. Vemos as casas e os caminhos que as ligam, vemos o fumo que sai das suas habitações e instalações industriais, vemos os veículos em que vão sentadas, mas as próprias pessoas não as vemos. E no entanto há-as na terra inteira, são cada vez mais a cada hora que passa, movem-se nos alvéolos das altas torres e estão metidas em redes de complexidade que ultrapassa a compreensão de cada indivíduo, desde os milhares de cabos e roldanas de outrora nas minas de diamantes da África do Sul até à rede de informação que circula hoje incessantemente à volta do globo terrestre através dos escritórios das bolsas e agências. Quando nos vemos lá de cima, é terrível perceber quão pouco sabemos de nós próprios, do nosso propósito e do nosso fim, pensava eu enquanto íamos deixando a costa para trás e sobrevoávamos o mar de um verde gelatinoso.

“Os Anéis de Saturno”, W.G. Sebald, Teorema, 2006, pp 92/93

Em breve seguirão, dentro das limitações, algumas postas sobre/com literatura de viagens (eu prefiro a designação literatura de lugares mas concedo que nem toda a literatura de viagens seja efectivamente de lugares), alguns romances históricos, sendo sempre estes (e são-no normalmente) necessariamente geográficos. Pelo meio, ou em sequência, algumas obras de cariz “inclassificável”, onde, arriscamos, navega a obra de Sebald, e algumas surpresas agarradas.

domingo, novembro 23, 2008

sexta-feira, novembro 21, 2008

Dinheiro honesto

Não sei se entre os caros habituais leitores do Georden se encontram ex- ou ainda actuais leitores de banda desenhada da Disney. Bem, quem isto escreve pertence ao grupo dos que foram (e já não são).

E a propósito deste pequeno texto lembrei-me de uma história dessas, em que a figura principal era um dos Metralhas. Tomado por uma espécie de cegueira (para desenfastiar; e para mostrar aos pequenos de que lado está o bem e o mal) que nos leva a desviar-nos do normal caminho, um dos Metralhas foi interpelado por um miúdo (um patinho...) a pedir dinheiro para um fim caridoso. E o Metralha lá lhe deu, com todo o desafogo do momento, a notinha (verde, como se ainda estivesse coberta de clorofila...).

O miúdo então logo lhe perguntou:
- Sr. Este dinheiro é dinheiro honesto?
É que se não for, não quero.

A memória não é a que sempre desejamos quando a invocamos, por isso já não me lembro do que o ladrão disse. Mas voltou a ficar com a nota e prometeu a si mesmo que iria resolver aquela situação.

Ponto.

Cada nota ou moeda devia conter um chip com todo o seu currículo. Já temos uns carolas que se dedicam a detectar as notas de euro pelo mundo. E isso é um bom começo para percebermos em que mãos anda o dinheiro que nos chega às mãos.

Mas o dinheiro é dos objectos mais despersonalizados que existem. Isto, apesar do número de série de cada nota, que a torna única (sem falar das falsas, claro).

Diz-se que o dinheiro faz o mundo girar. Mas é o mundo humano, relembremo-lo. Porque o mundo gira sem haver dinheiro (pareceu-nos bem ir ao bê-á-bá da coisa...). E é por isso que se sucedem os dias e as noites num dado lugar. Em ciclos mais ou menos longos e dependendo da região, da inclinação do eixo terrestre e da época do ano (que é, por conseguinte, consequência destas alterações astronómicas. E não o contrário...).

O dinheiro é o motor deste mundo que criámos e vamos destruindo.

Como peças do mercado, a maquinação do mundo que só não nos esmaga para a mantermos a funcionar, damos atenção ao que imediatamente se nos segue. É por esse motivo que tanto nos fascinamos e cegamos com as luzes publicitárias; é por esse motivo que compramos lixo (sim, vimos bater sempre na mesma tecla, porque o mercado é o cerne da questão) sem ter noção disso. Sem termos noção do lixo, pois importa-nos o que vem dentro do lixo. E as embalagens, por assim dizer (quando não a totalidade do que compramos), são os "danos colaterais" do fantástico e existencializador acto de comprar.

Viramos a cara aos enormes buracos que deformam serras e montanhas do nosso país?

Em busca do granito para as bancas das nossas cozinhas, e da sílica para o cimento das nossas vivendas, cada vez maiores...

Viramos a cara à desflorestação das regiões equatoriais?

Porque adoramos aquele móvel fantástico feito de madeira tropical, raríssima, valiosíssima...

Aprendemos a viver a vida que o mercado nos destinou.
O dinheiro sujo, já se sabe, basta ir parar a pessoas honestas, e torna-se dinheiro honesto, por um qualquer toque de Midas que torna a criação semelhante ao criador.

É daí que vem a expressão "lavagem de dinheiro". Todas as máculas e cadastro que lhes ficariam a pesar no currículo, de repente, soltam-se, ganham asas e voam para o buraco do esquecimento.

O petróleo; a escravatura sexual, laboral, infantil; as armas, importante sector produtivo de vários países (como a Espanha, a França, os EUA... "se eles são bons, nós também podemos - se a produção de armas cria postos de trabalho, isso é bom. Se a matança de uns permite a sobrevivência de outros, isso é bom. Tudo depende de que lado estão uns e outros. Nós, somos os honestos. Matai-vos uns aos outros, que - QUANTA ARROGÂNCIA! - não temos nada a ver com isso: sois livres e povos soberanos e não vamos imiscuir-nos na vossa vida"); o desordenamento, as indústrias poluidoras do ar, da terra, da água, a energia nuclear e os seus imortais e mortíferos resíduos radioactivos...

Quanta vergonha! E pensar que são as mãos dos homens, honestos, que mexem nisso tudo.

O direito de expressão e a liberdade de informação são para não encher as panelas de pressão que somos em potencial para rebentar com isto tudo. Criar um mundo novo. Onde o consumismo seja consciente e não tenhamos vergonha (só falaremos verdadeiramente de vergonha quando houver consciência) daquilo que usamos, daquilo que compramos, daquilo que desperdiçamos, daquilo que queremos comprar.

O meu telemóvel, o meu ordenador portátil, o meu sistema de alta-fidelidade, o meu aipode... fontes de liberdade pessoal, esquecida a liberdade colectiva... remetidos a um canto, onde não incomodemos nem nos incomodemos com o canto em que nos pusemos...

Guerras, matanças e atrocidades da mais infindável imaginação não passam de notícias de telejornal. Nos países dos homens honestos.

Nos países dos homens honestos, os mesmos homens-palhaços que saem sempre pela porta dos fundos, carregados com a massa e as matérias-primas para irem fazer o seu negócio, justo e honesto... rasto de destruição nas suas costas... atravessadas as fronteiras da barbárie física e militar, não se pensa mais nisso... o que passou, passou. Vamos lá vender. Ninguém distingue duas notas de mesmo valor. Como as paredes, não podem falar.

- Sabeis por que eu já passei? - perguntar-nos-ia essa nota.

- Quanto sangue, quantos mortos, quantos deslocados, quantos refugiados estão dentro desta nota? - perguntar-nos-ia a nossa consciência.

Os nossos aparelhos tecnológicos, que nos chegaram às mãos, são limpinhos. Vêm embalados e imaculados. De onde vêm as matérias-primas? Quem as transformou? De que forma foram tratados esses transformadores?

Os nossos aparelhos tecnológicos são como as paredes. E aqueles que no-los vendem não se chegarão à frente a falar por eles. Revelar essas respostas é mau para o negócio. E manter empregos é bom para a economia. Tudo a favor da economia, nada contra a economia. Para as casas dos consumidores, e em força!

Coitadinhos dos primatas da floresta congolesa. Com sorte, a BBC ainda consegue fazer mais uns documentários, antes que desapareçam. Com sorte, muitas ONG's têm mais argumentos para conseguir fundos para a protecção dos primatas da floresta congolesa. E para a criação de parques nacionais e reservas de protecção especial. E com sorte a UNESCO virá com as suas certificações e prémios. Para continuar a lutar por um mundo melhor. Até aí chega a sua mão. Interferir nas empresas sem rosto é que não. Isso, nunca! Cruzes, credo, que blasfémia.

Somos os justos e os honestos que financiamos a extracção do tântalo para os nossos portáteis, aipodes, aifais... a destruição dos habitats não passa de danos colaterais.

E a tudo isto se chama globalização da corrupção. Ou simplesmente o normal funcionamento do capitalismo.

Depois não nos venham perguntar se as notas são verdes.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Em sentido...

Clica para aumentarFoto de Rogério Madeira, Faro, 26.10.2008.

domingo, novembro 16, 2008

"Clube de Combate"

Por LEM, 2007.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Como construir / destruir uma sociedade

Ciclos viciosos num sistema de reprodução diária e chocantemente absurdo como o da acumulação da riqueza são dos pratos que temos de comer.

O sociólogo diria, para nos calar, que
"Tudo tem que ver com tudo"
e daí não sairia nada, que é como quem diz, na gíria popular
"Muita parra, pouca uva".

Este breve pensamento anárquico começa com as razões que levam os populações a fixarem-se num dado espaço (ora aqui está a disciplina - a biogeografia ou a geografia - numa das suas questões basilares).

Sim, há as razões históricas que todos evocam. Mas convém desmontar este item, vazio se tomado só por si. A História é o pano de fundo: são os outros factores que a explicam e lhe dão sentido. Depois, sim, a História já pode condicionar - e não pode deixar de fazê-lo - a própria História.

Mas há, em primeiro lugar, os "suportes físicos": a geologia e o clima, que permitem os solos aráveis, e estes permitem, à custa de séculos de esforço pela sobrevivência, a comidinha que temos de ingerir para cá continuar.

Depois, assegurada a necessidade básica que é a alimentação, virá talvez uma panóplia de factores com os quais a sociedade É, e pelos quais se rege (ou devia). Como por exemplo as dependências mútuas entre as pessoas. A divisão do trabalho, dir-nos-ia quem anda mais por dentro, é o cimento dos laços sociais, da própria sociedade e do progresso, ou não, desta.

Assim, e começando pelo fim,

- o coveiro (e suas empresas) é necessário para que os vivos não se misturem com os mortos;
- o alfaiate, necessário para não andarmos ao frio a envergonhar a moral que construímos;
- o professor, para nos ensinar a aprender e a questionar os professores que nos ensinam sem nos fazer pensar;
- o construtor, para termos infra-estruturas que nos protejam das adversidades naturais (ai era para isso que se devia construir? Nos primeiros tempos, sim.);
...
- o comerciante, o grande cimentador (ou demolidor, se analisarmos a questão por outro prisma - aquele que nos conduz à razão última da acumulação do capital) para distribuir aos que não têm certos produtos, mas têm algo com o qual adquiri-lo. (Tomara que não fosse uma coisa tão desprovida de valor como o dinheiro... Porque utilidade, acabamos de relembrá-lo, tem... e demasiada!)

Falta uma profissão básica, não falta?
Sim, faltam imensas. Mas além desta que falta, não serão elas derivadas do desenvolvimento e da especialização da sociedade?

Essa profissão é a do médico. A Saúde, necessidade básica que antes ainda do estadunisticamente apelidado "Estado do bem-estar" se tentava administrar às pessoas. Isso de usar os corpos, vivos ou mortos, para fins medicinais e científicos, só deve ter "renascido", como prática industrial, aí nos fins da Idade Média (sei lá, que digo eu?). Depois é que lá se percebeu que, pronto, quem traz o dinheiro de volta ao dono são as pessoas e lá se convencionou que era dever dos Estados mantê-las vivas para assim irem consumindo. Nem que seja comprimidos para adiar a vinda da decisiva parca. (A indústria farmacêutica é bem lucrativa, di-lo-nos a bolsa de valores.)

Ora bem, o médico, o que faz?
Trata da saúde das pessoas. Resposta mais simples que esta não pode ser dada. E nem queremos ir por segundos sentidos.

E voltamos ao início. Onde estão os médicos? Numa aldeia ideal, em que houvesse solidariedade, como nos filmes quando acontece algo que intervala ou desestabiliza o funcionamento de um organismo, sempre saltaria de uma fila ou de um magote de pessoas alguém a dizer
"Eu sou médico".

E nessa "aldeia ideal" haveria sempre um médico para valer às pessoas.
Logo, uma sociedade de "aldeias ideais" teria sempre um médico por perto (atente o leitor neste termo geográfico, em si relativo).
Portanto, a conclusão última deste raciocínio válido (mas não verdadeiro) é que onde há pessoas, há um médico. Faltaria calcular quantos médicos per capita haveria nessa "sociedade ideal".

Indo mais atrás. São do domínio público e do senso comum os contrastes deste país: não se trata só de meros antónimos (litoral-interior, norte-sul, cidade-campo...), que, como aludimos acima, podem posteriormente gerar mais desequilíbrios. As desigualdades existem realmente, e gritantes. Na população, na distribuição, nos recursos naturais e transformados, no rendimento per capita, na densidade de construção...

Há menos população nas montanhas. Há menos população nas zonas rurais. Há menos população onde não há solo arável (haverá? E então as cidades, verdadeiros desertos ocultos pelo alcatrão e o cimento? ah... pois... então há aqui alguma coisa que não bate certo...). Há, em suma, menos gente onde há menos gente.

"Como? Desculpe, não percebi. Podia repetir?"

O que queríamos dizer é que há menos possibilidade de vida social onde há menos interdependência entre as pessoas. Uma outra forma de dizer aquilo, rebuscando a historinha do professor, do coveiro, do agricultor, do alfaiate, do construtor... e do médico, não esqueçamos o médico.

Onde é que íamos?... Ah! Quantos médicos per capita é preciso haver na sociedade portuguesa? Isso é tarefa de estudiosos, especialistas e decisores com poder executivo. Mas não um poder executivo qualquer! É preciso que a lei que valha seja concordante com as necessidades que os estudos apurariam / apurarão. Senão, pouco nos vale algo que não nos ajuda. De uma coisa já sabemos: as estatísticas dizem-nos que estamos muito mal.

Não estamos a insinuar que há médicos a mais. Longe disso: (e vem sempre a bela frase que se segue) estão é mal distribuídos. Em questões de distribuição há várias formas de resolver o problema. Uma delas consiste em dividir um dado território em parcelas iguais. Geometrica e matematicamente falando, essas pequenas parcelas só podem ser quadrículas. Isto, obviamente, para abranger a totalidade do território. (Com círculos, ficavam muitos "cantinhos" de fora...). E, além do factor orográfico, que complica as contas, ainda temos de nos lembrar que, devido à irregularidade desse mesmo território (por causa dos recortes dos limites e das fronteiras), algumas regiões teriam que ficar com umas quadrículas um bocado esquisitas e nada parecidas com quadrados.
E também teríamos de decidir quanto de lado teria cada um desses quadrados.

Bem, esta era uma forma. Atribuir uma malha quadriculada ao país e fazer com que em cada quadrícula houvesse um x número de médicos.
Mas isto não podia ser assim. Pois haveria quadradinhos com mais pessoas que noutros, motivo do qual resultaria uma menor densidade de médicos por pessoa.

Há uma outra forma, muito usada em economia (a disciplina que não é ciência...), que se baseia no conceito de "raio de influência" ou "raio de acção". Aqui, a tal malha, mais condizente com a realidade, assumiria formas mais... "arredondadas": há um centro, prestador de serviços, de onde "saem" linhas rectas, "em busca" das pessoas que precisam ou das pessoas que deles podem usufruir.

Imagem retirada daqui

Num território orograficamente desigual e urbanisticamente desorganizado, as manchas encontradas seriam talvez parecidas com estrelas do mar (o centro corresponderia ao "coração" da estrela e as ramificações, gordas, à concentração das pessoas ao longo dos eixos viários... sei lá, digo eu!) Um maior raio de influência achado pesaria na escolha dos decisores.

Entre os tais decisores figuram sempre economistas. E quando se trata de instalar empresas, bem sabem eles se será rentável instalá-las naquele ou noutro sítio. Sim, muitas vezes os resultados são um desastre. Mas baseiam-se sempre na existência de consumidores. Logo, de mercado.

E aqui é que está o busílis da questão: duas concepções opostas sobre o que deve ser o Estado. Se o Estado age à maneira de empresas, que apenas se procupam com a sustentabilidade económica (e já nem falamos no lucro, que está acima disso), então não serve de nada. A palavra Estado, em regimes democráticos, tem de ser sinónima de "bem comum". E se a economia pesa mais que as pessoas isoladas que não têm sequer um médico de família, então esqueçamos esse "Estadozinho" que pretende representar-nos.

Como costuma acontecer (isto está tudo ligado, dizia o sociólogo, não é?), é em regiões com população envelhecida e longe dos centros (note uma vez mais o emprego destes termos geográficos), que falham serviços básicos de dependência de outrem. Como os da saúde. (Pesquise o leitor pelas palavras "sem médico de família", por exemplo, e verá quantos resultados se encontram escritos na rede). E muitos outros serviços, claro. Porque as pessoas "da terceira idade" figuram entre os mais pobres (como não produzem, e se não o tiverem acumulado, não têm dinheiro. Logo, não tendo dinheiro não atraem as empresas...).

Nessas regiões, talvez nem os coveiros se safem. Mas se não fizerem o seu trabalho, mais cedo precisarão do trabalhinho de um seu colega de profissão.

Sem funções sociais essenciais se vai erodindo e carcomendo, apodrecendo isso a que chamamos "sociedade".

Conjuguemos formas de administrar o território. Façamos o que fizermos, não nos esqueçamos NUNCA das pessoas. Onde houver pessoas temos de estar lá. Que não seja preciso fazer quilómetros e perder minutos vitais. E a Saúde como os transportes públicos, a Educação, e muitas outras necessidades humanas.

Vamos pensar nisto?
Ou já não podemos contar contigo, Estado,?