quinta-feira, outubro 09, 2008

"Corrupção e os Portugueses" de Luís de Sousa e João Triães

Clica para aumentarCorrupção e os Portugueses: Atitudes, Práticas e Valores
Luís de Sousa [1] e João Triães [2]
(org.)

Participação: António Pedro Dores, Carlos Jalali e José M. Magone
Prefácio: Maria José Morgado

Edição: Outubro/2008
Colecção: MAIS ACTUAL
Editora: RCP Edições

P.V.P.: Aprox. 16.50€
Páginas: 220



"O que pensam os cidadãos sobre a corrupção? Que avaliações fazem do combate à corrupção e do seu próprio desempenho nessa luta? Quais os factores que fazem aumentar ou diminuir as percep-ções de corrupção? Qual o impacto da educação nas percepções dos indivíduos sobre corrupção? Qual o grau de importância da cor-rupção em relação a outros temas?
Estas são algumas das questões tratadas por cinco investigadores universitários a partir das respostas dos portugueses no âmbito de um trabalho científico de longo fôlego, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, denominado de “Corrupção e Ética em Democracia: O Caso de Portugal”.
A análise de um dos mais importantes fenómenos da actualidade, ilustrada com exemplos e resultados de estudos nacionais e inter-nacionais, inclui ainda uma reflexão sobre o papel e os efeitos dos media no combate à corrupção.
Os portugueses condenam a corrupção enquanto suborno ou extor-são, mas toleram as suas manifestações mais cinzentas. Somos o país do ‘puxar os cordelinhos’?"

O seu lançamento será no dia 16 de Outubro de 2008 (Quinta-feira), pelas 15h30, no Auditório Afonso de Barros - Ala Autónoma do ISCTE (Av. das Forças Armadas, Lisboa).
Luís de Sousa e João Triães organizaram a Obra, em que também participam António Pedro Dores, Carlos Jalali e José M. Magone.
A Obra será apresentada por Maria José Morgado.

Clica para aumentar
[1] Luís de Sousa
Politólogo e Investigador do ISCTE. Doutorado em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Universitário Europeu de Florença. Fundou a Ancorage-Net e criou o Observatório de Ética na Vida Pública. Foi orador convidado em várias universidades estrangeiras e tem várias publicações sobre corrupção, políticas de controlo à corrupção e financiamen-to político.

[2] João Triães
Licenciado em Sociologia e Pós-Graduado em Economia e Políticas Públicas pelo ISCTE. Foi investigador da Ancora-ge-Net e do Observatório de Ética na Vida Pública e de projectos sobre financiamento político e de controlo da cor-rupção realizados pelo CIES-ISCTE junto da Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos e do DCIAP.


Notas
Esta sugestão de leitura e convite foi-nos enviado por Rui Costa Pinto.
Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Coimbra – geografia humana: a festa? II

Vidal: Praça da república  (o possível entre carros) - Chamavam-se café Académico e Tropical, agora vazios . Maio 08

Última paragem: Estação de Coimbra A. Onde está o centro? Perto. Coimbra não tem um centro: tem uma baixa, uma baixinha e uma alta. Para além do(s) centro(s)… Mas onde? À entrada da estação o Mondego espreita-se à nossa direita e continua por ali à medida que descemos em direcção a uma paragem de Bus. Os TAXIS também se amam? Eu costumava apanhar o 46 que subia em direcção à Praça da República e depois ainda a subir rumo, creio, a Celas. Saia numa paragem perto do Liceu José falcão e encaixava mais uma subida para a Henriques Seco rumo à Real República dos Pyn-Guins.

Mas antes disso parava: tascos, tasquisses, montadas e cumprimentos amigos amontoavam-se nas redondezas. Tínhamos que “fazer” cuidado para chegar a casa ilesos e, de preferência, antes de terça ou quarta-feira (chegava-se ao domingo). Às vezes um lombinho matreiro cozinhado pela manhã moçambicana da mãe do sr. Zé “fire water” desencantava um vinho “frisante” e bingo: a morte do artista. Mas podia ser uma penumbra imaculada em paragem no Jardim da Sereia, já a descer, e o castigo, mais abaixo, sem casa por perto. Onde fica a casa? Ou então, não se encontra a casa , era sempre a estação de Kurst em Moscovo (já leram a "Lucidez de um Alcoólico Genial"?)… e depois acordar.

As manhãs eram aguarelas adormecidas na penumbra do sono. Mas normalmente já seriam tardes noites. A ribanceira despejava-nos na Praça da República. Por ali assomavam as “novidades” e os parceiros atropelavam-se nos cafés. A fauna era diversificada e alegre - estudantes e nativos nas mais variadas poses: punks de trazer por casa e outros verdadeiros e anacrónicos, rockabillies e psichobillies (em portuga: rocabili) góticos, freaks, inclassificáveis, vampiros, académicos, mascarados, normalecos, pimbas e atrasados mentais, disputavam num rebuliço crónico o “espaço vital”. Dá-se o caso que ficaram esquecidos, outra vez, os músicos, os poetas e os bandos organizados literários, todos de costas curvadinhas nos cafés à pinha. Acresce os comunas, os PSRs, os lenços palestinianos, os pós-modernos e os country boys. Ia agora dizer “um regabofe” mas ainda é cedo. Estava tudo sóbrio, ou quase, no quartier latin coimbrão, pelas 22horas.

Se fosse o início de primavera, poderia dar-se o caso de termos janta e celebração celta na rua da matemática (festa da primavera) com feijoada à borla na rua, “fabricada” nas repúblicas da área (e algum vinho a fazer de cidra). Poderia acontecer também, pese o acordo com a polícia e restantes habitantes, acabar-se, pois então, na carrocinha a caminho da esquadra, numa madrugada inesquecível.

Em noite de normalidades efémeras, a coisa desaguaria na Cave das Químicas, lugar de celebrações intermináveis, concertos, borlas de cerveja em final de Semana das Repúblicas; ou, na States, ou quem sabe, nas tascas da "Rua do Brasil", ou ainda (em 1992) no Abismo, ou talvez num jogo de bola às tantas decorrido febrilmente na Praça da Republica, ou ainda…

Continuará com: livros, cinema, teatro, livros, espreitadelas e a… Faculdade de Letras.



terça-feira, outubro 07, 2008

POORTUGAL: Experiências que faltam...

ARTADENTRO - Arte Contemporânea - Associação
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PoortugalPOORTUGAL
experiências não faltam


"Para quem trabalha na área cultural, o que ressalta do fenómeno Allgarvio, é a inequívoca certeza de haver dois países: um, que abrange a região de Lisboa e Porto, onde se concentram as instituições de referência — museus, fundações, galerias, escolas de arte, apoios estatais e, claro está, os artistas; outro, POORTUGAL, o restante país (de onde se emigra para a capital ou ao estrangeiro) e onde o interesse pela acção cultural/artística é negligenciada e/ou desencorajada, todo ele palco apenas da produção autorizada, se ou quando por benesse surge — e que, supostamente, se deve aplaudir com entusiasmo e, agradecendo de forma humilde, pedir por mais com ansiedade.

No Algarve agora, a cada ano, durante a época balnear, as associações culturais, para as quais o estado e as Câmaras Municipais se mostram, por tradição, pobres e indisponíveis, assistem da berma da rua à sumptuosidade posta à disposição da iniciativa do Ministério da Economia e Inovação, vincando a diferença entre um Allgarve de Verão, abastado, e esse outro, mais a bastardo, de Outono/Inverno, o POORTUGAL do costume.

Com efeito, ao reflectirmos sobre o Allgarve, salta ao olhar um denominador comum — a pobreza. É a económica pobreza do país que motiva a iniciativa; é a da falta de consideração pelo Algarve que lhe dá o nome; é a pobreza de espírito, que se propõe trazer a esta região um life-style de duvidosa qualidade; é a mirrada escassez de espírito democrático, que descrimina o associativismo local e promove a 'sovietização' cultural na região; e é, finalmente, uma miséria, o que resulta da falta de rigor com o que se gasta em projectos de alcance tão curto como as vistas e, além disso, sem qualquer fruto futuro. Mas é, também, a indigência do espectáculo das vaidades pessoais, mais ou menos carreiristas, dos bacocos protagonismos em gravata, das inclusões e exclusões, das apropriações e das inviabilizações.

De facto, a miséria da abordagem Allgarvia é tão notória, que aquilo que tem de melhor é o modo como realça o astigmatismo oficial sobre as questões culturais. Para quem por isso se interessa verdadeiramente não deixa de ser um momento apoteótico do apocalipse poortuguês; aí, no Allgarve, através da desconsideração implícita, se desvela a efectiva pobreza do tecido cultural local — escondida pela demagogia política, estatal e autárquica —, ao ignorar as instituições existentes ou relegá-las a um papel de, quanto muito, meros amparos laterais (naquele que é o maior atestado de incapacidade, de que há memória, lavrado aos agentes culturais do Algarve); aí, também, se manifesta a miséria do 'conceito oficial' que o gerou, ao referir-se a cultura como factor de crescimento, como convém à cartilha economicista, porém, misturando eventos artísticos num programa de entretenimento/promoção turística — e a turistas exclusivamente destinado! —, visando o interesse dos melhor localizados, em vez de a todos acrescentar em humanidade; aí se revela, para mais, outro mau exemplo dado à política localcom a chancela da autoridade governamental e o selo da nobre casa de Serralves —, ao conferir força de referência à recente intuição institucionalizada de que cultura é coisa clean, de bouffet, preferencialmente de curto prazo, pop mix pronto a servir, em 'clima festivo' ou 'convidativo'; aí se confirma, enfim, a existência de uma paupérrima cultura de regime, em que estado e autarquias (detentores únicos dos meios públicos, financeiros e logísticos) têm também a exclusividade de decisão, segundo critérios nada claros e/ou em permanente mutação, sobre quem/o quê deve ser apoiado, impossibilitando, regra geral, quaisquer actividades livres do estigma da subserviência.

A costumeira agitação estival, ora enriquecida pelo glamouroso Allgarve — com suas vernissages e os inevitáveis magustos de haute cuisine, agora avant-gardemente miscigenada com a gastronomia tradicional, mais as vínicas degustações, o sport, as stars, as sasha sessions, o dinâmico kitsch-chique de governantes e políticos agitados dentro de leves fatos, atraídos pelo 'espírito cosmopolita' —, quase nos distraía de uma ausência altissonante, a do Ministério da Cultura. Os indulgentes pensarão talvez ser um modo, modesto e discreto, de reconhecer que nunca se tratou, afinal e de facto, de cultura… ou que, simplesmente, é mais poor do que se quer fazer passar.

Embora compreendendo o melindre da situação (pois não é simpático cortar a onda ao empreendedor Manuel de Pinho), o caso é que, quando se constata que Allgarve tem meios financeiros, públicos, muito superiores aos anualmente dedicados à cultura do Algarve — superiores aos destinados a "Faro, Capital Nacional da Cultura 2005", negativamente apreciada pela Lisboa que a sabotou — e que, já em 2008, a arte contemporânea — um dos componentes do programa Allgarvio —, não merece um único tostão (!) de apoio, para toda (all) a região, o que se sente é a falta de real interesse do Ministério da Cultura por todos (all) os que quotidianamente operam no terreno. A própria Universidade do Algarve, que forma agora os primeiros alunos em Artes Visuais, encontra-se na iminência de, por falta de condições para potenciar os talentos aí formados, ver todos (all) os seus licenciados compelidos à secular migração, contribuindo assim, involuntariamente e em evidente contra-natura, para a perpetuação do empobrecimento cultural e económico. Será que à gente da região não é outorgada vocação para a criação artística e cultural?

Mas também não se pode ignorar a postura da C. M. de Faro. Em indigência financeira crónica, este município mostrou, pela segunda vez (enquanto negligencia o dever de apoiar os seus agentes culturais), uma sua outra pobre faceta — a do mendicante provincianismo perante a iniciativa do Ministério das Inovações. De facto, a falta de sensibilidade cultural mais a ânsia de a mascarar, a urgência de mostrar trabalho, não havendo vontade de o fazer de forma séria e informada, e a aparente ocasião de protagonismo, fácil e grátis — mais à boleia do prestígio que a Fundação do Porto traz —, levaram o actual executivo camarário a aderir sem piscar olho. Em boa hora, dir-se-ia… E, de facto, negociou, disponibilizou espaços e meios que não cede aos agentes culturais do concelho; comprometeu pessoal autárquico e fundos que diz não poder atribuir às instituições locais; enviou convites para a inauguração e, porém, de súbdito indignada, demarcou-se do evento, numa demonstração cabal da penúria política da actual gestão, afinal, paradigmática representante do Poortugal em que vivemos e da 'cultura' que nos servem (*)."

Vasco Vidigal
& Artadentro, Associação
Difundido via e-mail.

(*) Este pequeno manifesto pontual não quer ser exaustivo na apreciação do Allgarve, uma vez que, destinando-se a lançar o debate sobre a matriz do evento — cuja terceira edição já foi prometida —, deverá ser complementado pela contribuição dos que se interessam pela vida da cultura, local, nacional e internacional. Também não pretende apreciar a allgarviada do ponto de vista da sua eficácia, enquanto motivo de atração turística ou de melhoria económica da região — área em que sérias dúvidas subsistem, pese embora as triunfantes declarações de Pinho. Mas também não pode ser interpretado como um mero exercício de mal-dizer, vazio de vias alternativas, até porque, pelo que fica dito, fácil é de perceber que basta algum senso crítico para evitar e inverter as actuais práticas, e encontrar uma justa fórmula que torne esta, ou qualquer outra iniciativa, verdadeiramente proveitosa para todo o Algarve, para o país e até para quem a promove — fazendo jus ao sentido que levou a acrescentar o simbólico "l" e concorrendo para apagar o extra "o" do nosso, infelizmente mais extenso e bem mais realista, Poortugal. De facto, de experiências que marcam está já ele cheio.



Por LEMEm Março de 2007, com o título "ALLgarve CameLION", escrevi um artigo no Georden sobre o projecto ALLgarve, do qual transcrevo parte aqui:

"(...) Se cada uma destas marcas investisse 3 milhões de euros para promover eventos culturais, ao logo de todo o ano, na região, seria óptimo. Quando há “cultura” no Algarve é sempre sazonal. Os apoios estatais na “cultura algarvia” surgem apenas no Verão, para inglês ver.
Vejo muito dinheiro investido em grandes eventos (muitos que pouco interessam ou passam ao lado dos algarvios), mas não vejo nada quando se trata em apoiar pequenos grupos/associações culturais da região. São eles que mostram o que é o Algarve e a cultura algarvia.

Devíamos fazer o seguinte inquérito à população algarvia:
- Sabe o que foi o Algarve Summer?
- Presenciou algum evento sob o desígnio Algarve Summer?
- Vai assistir a algum evento programado no Allgarve – Experiências que marcam?
As respostas seriam óbvias, pois o público-alvo destes investimentos foi/é, essencialmente, estrangeiro.

Mas compreendo que devemos pensar em termos económicos/políticos:
“Organizar eventos para encher hotéis. Hotéis cheios, geram dinheiro. Se há dinheiro, há emprego. Se há emprego, não há desemprego. O governo pode ficar descansado.”


Naquela altura, apesar de aceitar o termo "ALLgarve" e que até seria bom para a região a vinda daqueles fundos governamentais, cheguei a uma conclusão que muitos algarvios chegam...

O ALLgarve não é para os algarvios!

Mas algures noutro artigo, perguntei: "há algarvios no Algarve?
"

Estou com os azuis

(Crónica do quotidiano)

She calls across the sea
Through autumn rains
She screams
She howls in ecstasy

She calls
She calls through wind and rain

"She Calls", Slowdive



As manhãs luminosas lembram-me o perfume que se pressentia quando chegava à escola. Subíamos a Rua da Devesa e o cimento dos prédios rosa dava - sinto-o agora - a cor que não estava lá. Desmaiada por entre os crescentes ruídos do tráfego de uma via lateral e que para nós, enquanto peões, pouco existia.

Sentir esse cheiro da manhã brilhante é lembrar a flor de laranjeira que secou.

Hoje, passo por outras ruas, que se tornaram sempre as mesmas. Num espaço fechado e anti-comercial um papel à entrada sugere-nos que circulemos. E no absurdo de fugir ao estarmos parados, caímos na subversão dos que por contemplarem ordens não as cumprem. Acaso seremos marginais?

Vejo os espaços ocupados, tenho de fazer desvios, porque o caminho está barrado, porque é privado, ou porque tem carros. Ou porque vivemos em becos que se multiplicam. Se for preciso piso a relva. Não teria sido o único. Nesse canteiro-oásis de caniches não se cultivará nunca o espelho das nossas aspirações.

(Quando as cidades perderem de vez o carácter lúdico, cívico e habitacional, mandará a ASAE encerrá-las por nelas não dispormos de silêncio, ar puro e espaços verdes?)

Passo por entre crianças que não têm espaço para brincar.
E detenho-me a pensar onde se namora nos dias e nos lugares que correm.

Escondidos numas escadas do Campo Novo, sentados num muro de mármore dos Granjinhos, a meio do estreito e alvo corredor do Braga Parque, numa esplanada de café. Ou então, num banco de uma qualquer praça de empedrado junto à igreja, capela ou museu, sobre húmidos frios graníticos de outonos que despontam.

Reconheço os tempos de recolhimento e sei que algumas memórias hibernam. Porque, às vezes, quando paramos, sentimo-nos a retroceder.
E em entardeceres azuis sinto o cheiro de manhãs que não voltam.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Centro de Música Tradicional Sons da Terra

Ver maiorFoto: Eduardo F., 03.07.07

O Centro de Música Tradicional Sons da Terra está sediado em Sendim, uma das terras quentes do planalto mirandês, "capital das arribas do Douro".
É um centro cultural que se dedica à recolha, recuperação e revivificação do património etnográfico (sobretudo musical) das terras e das gentes.
As recolhas são efectuadas maioritariamente na região transmontana de aquém e além fronteira política. Porque esse risco invisível não faz qualquer sentido - a cultura está nas pessoas, testemunhos vivos e repositórios da herança que a terra ajuda a lavrar.

Ver maiorFoto: Eduardo F., 03.07.07

A casa está de portas abertas a quem se interessar pela investigação etnomusicológica, dispondo de uma sala de estudo, de um rico espólio de documentos escritos, sonoros, fotográficos, espécimes de instrumentos musicais, bem como outras fontes de informação.

O Centro Sons da Terra, e o seu director-mentor, Mário Correia, é também responsável pela edição de discos e livros, bem como pela realização de eventos, entre os quais o já incontornável Festival Intercéltico de Sendim (FIS), ao qual, no primeiro fim-de-semana de Agosto de cada ano, têm rumado gente de várias proveniências e nacionalidades.

Marquem já na vossa agenda e não faltem à 10º edição do FIS, que promete ser (uma vez mais) uma grande festa.

Este centro é motivo de auto-estima e valorização da região onde se insere. E o Georden está cá para o apoiar e divulgar, em prol dos valores da sustentabilidade e do respeito para com a história, a cultura e o meio.

domingo, outubro 05, 2008

"O regresso às aulas"

Clica para aumentarPor LEM, 2007.

No Dia Mundial do Professor interrompemos a publicação semanal da série de cartoon "CYBER-BUTEKIM" para publicar um cartoon de LEM, da série "A minha vida dava um cartoon" (próxima série a ser publicada no Georden), que retrata o regresso às aulas dos nossos professores. Na próxima semana o "CYBER-BUTEKIM" estará de regresso.

sábado, outubro 04, 2008

Ser jurista em Portugal...

Um professor, da Faculdade de Direito de Lisboa, perguntou a um dos seus alunos:
- Laurentino, se você quiser dar uma laranja a uma pessoa chamada Sebastião, o que deverá dizer?

O estudante respondeu:
- Aqui está, Sebastião, uma laranja para si.

O professor gritou, furioso:
- Não! Não! Pense como um Profissional de Direito!

O estudante pensou um pouco e então respondeu:
- Está bem, eu refaço o que diria:

"Eu, Laurentino Marcos Rosa Sentado, Advogado, por meio desta dou e concedo a você, Sebastião Lingrinhas, BI6543254, NIF50829092, morador na Rua do Alecrim, 32, A, do concelho de Vila Nova de Gaia, casado, com dois filhos e um enteado, e somente a você, a propriedade plena e exclusiva,inclusive benefícios futuros, direitos, reivindicações e outros títulos,obrigações e vantagens no que concerne à fruta denominada laranja, juntamente com sua casca, sumo, polpa e sementes transferindo-lhe todos os direitos e vantagens necessários para espremer, morder, cortar, congelar, triturar ou descascar com a utilização de quaisquer objectos ou de outra forma comer, tomar ou ingerir a referida laranja, ou cedê-la com ou sem casca, sumo, polpa ou sementes, e qualquer decisão contrária, passada ou futura, em qualquer petição, ou petições, ou em instrumentos de qualquer outra natureza ou tipo, fiscal ou comercial, fica assim sem nenhum efeito no mundo cítrico e jurídico, valendo este acto entre as partes, seus herdeiros e sucessores, com carácter irrevogável, declarando Sebastião Lingrinhas que o aceita em todos os seus termos e condições conhecendo perfeitamente o sabor da laranja, não se aplicando, neste caso, o disposto no Código do Consumidor, cláusula 28, alínea b, com a modificação dada pelo DL 342/08 de 1979".

E o professor então comenta:
- Melhorou bastante, mas não seja tão sucinto.

Autor desconhecido, difundida via e-mail.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Fórum Fantástico 2008

Clica para aumentarOlá a todos.


Deixo-vos aqui uma sugestão para uma escapadinha a Lisboa:

Fórum Fantástico 2008
Auditório da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa
2 a 5 de Outubro em Lisboa.

Com a presença de autores do colectivo Dr. Makete que colaboram, regularmente, no Georden, na rubrica BD/Cartoon, este evento será uma mostra do melhor que se vai fazendo em Portugal na área do Fantástico.

+info

Palestra e Curso Intensivo de Geobiologia

Clica para entraresA Universidade do Minho, o DEC e DAA, e a Habitarmonia organizarão uma Palestra de entrada livre e um Curso Intensivo de Geobiologia (20horas) que será orientado pelo Geobiólogo Allan Lopes Pires do Instituto Brasileiro de Geobiologia.

Consultar programa [.pdf].

"A Geobiologia, ou Biologia da Construção, é uma ciência que nos ensina a criar lares e locais de trabalho saudáveis, através da escolha correcta da localização das edificações, escolha de materiais e práticas saudáveis de construção, aplicação de formas e proporções harmónicas e hábitos benéficos para manter um dia a dia harmonioso dentro de nosso habitat. Além disso estuda ainda as influências electromagnéticas terrestres no habitat.
A Geobiologia, em outros países europeus, faz parte das disciplinas leccionadas na Licenciatura ou Mestrado em Arquitectura e tem vindo a ser cada vez mais procurada pelos arquitectos e pela população em geral."


+ info

quarta-feira, outubro 01, 2008

Manifesto Animal

Clica para aumentar

NÃO FALTE às Manifestações Nacionais em Lisboa pelos Direitos dos Animais:

Nesta 5.ª Feira (2 de Outubro), PARTICIPE na Manifestação Nacional Contra as Touradas – A partir das 19h30m, em frente à Praça de Touros do Campo Pequeno

No próximo Sábado (4 de Outubro – Dia Mundial do Animal), NÃO FALTE à Marcha Nacional Por Um Código de Protecção dos Animais – Concentração Inicial às 15h, em frente ao Campo Pequeno

Para download e consulta
"Manifesto Animal: Proposta Orientadora para um Código de Protecção dos Animais", Associação Animal, 2007. [894kb, 110 páginas]

terça-feira, setembro 30, 2008

Inquérito à sustentabilidade

Como se fosse sequer importante à beira do que enuncia, o mini-inquérito que fizemos à sustentabilidade, e que se encontra aqui ao lado, termina amanhã.

As respostas que pusemos à escolha, sempre poucas, é certo, procuraram englobar pequenos males em grandes despoletadores - por incúria, desleixo ou vontade deliberada - da tão mal-fadada insustentabilidade.

Neste último dia, participe.
Obviamente em consciência.


segunda-feira, setembro 29, 2008

O Sétimo Selo - Desertificação

Na roleta, o deserto aposta nos homens.
Altair, 29.11.98


Decorre hoje e amanhã o I Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas, na Universidade de Aveiro.

Clique na imagem para mais informações


A propósito, em boa hora regressamos ao tema, com mais um "estrato" do muito didático livro "O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos.
(Advertência: o texto que se segue não tem cortes, e pode ser encontrado nas páginas 248 e 249. Se não tem tempo para ler o livro, guarde mais estes ingredientes do futuro na sua cabeça...)


E ninguém vai escapar. O Midwest dos Estados Unidos, por exemplo, tem sido o celeiro da América, está em vias de se tornar um deserto. E o sul da Europa também. As vagas de calor tornaram-se mais frequentes e mais longas e um processo de desertificação gradual já se encontra em curso em Itália, na Grécia, em Espanha e em Portugal, com o Saara a crescer para norte. Isto tem implicações catastróficas. Olha o que se passou com as grandes vagas de calor de 2003 e 2007 no Sul da Europa. Para além de gigantescos fogos que consumiram em Portugal uma superfície florestal do tamanho do Luxemburgo, a onda de temperaturas elevadas em 2003 provocou uma quebra de 20% na colheita de cereais e inflacionou os preços em 50%. E em 2007 ainda foi pior, com temperaturas recorde a provocarem milhares de incêndios na Grécia, na Turquia e nos Balcãs. Dubrovnik chegou a ser evacuada e os gregos tiveram de declarar o estado de emergência em todo o país quando os incêndios descontrolados mataram mais de sessenta pessoas em três dias e chegaram aos subúrbios de Atenas.
- Achas que essas calamidades se vão tornar frequentes?
- Ah, não tenhas dúvidas. Estes incêndios foram apenas o prelúdio do que vem aí e repara que surgem numa altura em que se percebe que o planeta precisa de alimentar nos próximos 30 anos, de modo a sustentar uma duplicar a sua produçãopopulação que deverá duplicar em 60 anos. O problema é que a desertificação, a erosão dos solos e a salinização estão a reduzir a terra arável a um ritmo de 1% ao ano. - Inclinou a cabeça para sublinhar este ponto. - Um por cento ao ano significa 10% em dez anos. Há quem diga que, daqui a algumas décadas, metade do globo encontrar-se-á coberto pelo deserto. Os resultados já estão à vista: o crescimento da produção alimentar atingiu o seu pico em meados da década de 1980 e apresenta-se agora em declínio.
- Estás a falar a sério?
- Por que razão pensas tu que estamos tão preocupados? Os modelos mostram que, duplicando o dióxido de carbono na atmosfera, a maior parte dos Estados Unidos estará submetida a graves secas, com o consequente colapso agrícola. Bastará subir um grau pra que apareçam desertos no Nebraska, no Wyoming, em Montana e no Oklahoma. E acima dos dois graus Celsiusm também o sul da Europa estará transformado num deserto. Alguns cientistas franceses, por exemplo, puseram-se a projectar em quanto aumentará a evaporação da água de toda a região mediterrânica quando ocorrer uma ligeira subida da temperatura. Os modelos de computador revelaram que a evaporação diminuirá, o que é surpreendente, uma vez que o calor aumenta a evaporação. Depois de analisarem melhor os dados, os cientistas perceberam que a evaporação irá diminuir pela simples razão de que deixará de haver água no solo: sem água não há evaporação. Isso significa que o Saara cruzou o Mediterrâneo e o sul da Europa estará transformado num deserto. - Acenou com três dados. - O painel da ONU prevê que, se o limiar dos três graus for cruzado, a desertificação poderá conduzir a uma fome generalizada no planeta. A produção agrícola chinesa, por exemplo, entrará em ruptura total, com os campos de arroz, milho e trigo a decaírem 40%.

[
Imagem retirada de Ciência Hoje (clique), de um artigo cujo título é:
"Portugal entre os três países mais desertificados da Europa"


Pelo que aprendemos, a "desertificação" não é considerada um risco. Tampouco parece ser uma preocupação. Mas o termo não nos soa a algo já consumado? É um somatório de impactos humanos e climáticos que depois se traduzem no solo. De progressão lenta, vai avançando, como a súbita surdez derivada do ruído em crescendo. Quebrar o ciclo, sair "da cepa torta", consiste em alimentar o solo (de humidade, raízes, consistência, matéria orgânica, coberto vegetal...). Porque se a formação de uns míseros centímetros de solo é processo que demora muitas décadas, é melhor empenharmo-nos já. E em FORÇA!
Sem parecer ir em modas ou em alarmismos momentâneos e amanhã já arrefecidos, essa devia ser uma das prioridades de topo de qualquer Ministério da Defesa e da Administração Interna. Mas é para isso que serve esse ministério?
- Não...
- Não??? Mas, então?! O nome está mesmo a dizer!!!!!
]

(...) (p. 250)
E receio não te ter revelado ainda o pior.

World Web Map: o mapa-mundí da internet

Clica para aumentar
No World Web Map cada país foi substituído por um sítio de internet com o tamanho equivalente (com dados de 2007), o qual permite-nos ter uma ideia da dimensão de cada website.
Por exemplo, a dimensão total dos sites da Google compara-se à dimensão da Rússia, a do Time Warner à dos Estados Unidos, a da Microsoft representa o Canadá e assim sucessivamente.

Na Europa, os sites são, lógicamente, mais pequenos, pois os países têm menor superfície. Portugal corresponde ao Linkedin.com e a Espanha ao badoo.com.

Clica para aumentarMapas retirados e texto traduzido, parcialmente, do site microsiervos.com.

domingo, setembro 28, 2008

sábado, setembro 27, 2008

Salário de um licenciado...

Empresário: Bom dia Sr. Eng.º, há quanto tempo?!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000 euros, agrada-te?
Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?
Ministro: Sim, um lugar de Secretário
se ganha 3000!
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada por volta dos 600/700?
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!

Difundida via e-mail

Ah! Ah! Ah!
Numa situação destas, só nos podemos rir... ;P
Pelo que tenho visto por aí, esta anedota encaixa, como uma linha na cabeça da agulha, a grande parte dos licenciados do nosso país, pelo menos em determinadas áreas de formação.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Imagem do projecto “Quadrilátero”

Logótipo do QuadriláteroNo âmbito da implementação das Redes Urbanas para a Competitividade e a Inovação, o projecto “Quadrilátero”, constituído pelos municípios de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães, criou recentemente a sua imagem identificadora. O logótipo encontrado ilustra as sinergias regionais.

"A criação deste logo resulta da união dos quatro pólos de desenvolvimento, que juntaram esforços para desenvolver uma rede de sinergias capaz de reforçar a posição de terceira concentração urbana e de conhecimento do país.

A utilização do "q" de quadrilátero, representando cada um dos pólos, e a relação que se estabelece entre os quatro concelhos, converge numa imagem dinâmica e moderna, com quatro cores primárias, que representam os fluxos, influências e a rede de sinergias criada.

Cada um dos pólos surge, assim, interligado com todos os outros, resultando numa imagem passível de ser desdobrada mediante o contexto em que for aplicada: turismo, ciência, cultura, etc."


Ler mais aqui.

quinta-feira, setembro 25, 2008

terça-feira, setembro 23, 2008

Jornadas Europeias do Património em Cacela

O município de Vila Real de Santo António, volta a associar-se este ano às Jornadas Europeias do Património, uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, com o envolvimento de mais de 50 países, com vista sensibilização dos povos europeus para a importância da salvaguarda do Património.

Neste âmbito, o sítio histórico de Cacela Velha acolhe durante os dias 25, 26 e 27 de Setembro:
"Estórias vivas de lendas antigas. Mourinhos e mouras encantadas em Cacela", um projecto de encenação teatral de lendas da tradição oral de Cacela, com o seguinte programa:

Clica para aumentar Clica para aumentar

"As mouras encantadas aparecem, belas e enigmáticas, junto a fontes, ribeiras, penedos ou ruínas, penteando os seus longos cabelos, com preciosos pentes de ouro. Dos espaços de reclusão, onde cumprem encantamentos de muitos séculos, saem em momentos mágicos para oferecer os seus tesouros - disfarçados em coisas banais como figos, carvão ou bugalhos - ao afortunado que as desencante.
Em Cacela, ainda se ouvem, pela boca dos mais velhos, muitas destas antigas lendas, estórias de encontros e desencontros com belas mouras e pequenos mourinhos de barrete encarnado, em alguns dos lugares que a tradição oral ainda recorda como mágicos: o sítio da Ponte, o sítio da Canilha, a ribeira de Cacela, o serro dos Barros, o Maldonado...
Venha ouvi-las e vivê-las em Cacela Velha!"

+ info

Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela / CMVRSA
Antiga Escola Primária de Santa Rita
Tel. / Fax: 281 952600
ciipcacela@gmail.com
ciip-cacela.blogspot.com

"Dicionário de Ciências Cartográficas", de Joaquim Alves Gaspar

Clica para aumentarDicionário de Ciências Cartográficas
Joaquim Alves Gaspar [*]

Edição: 2004
Editora: Lidel, edições técnicas
P.V.P.: Aprox. 25€
Páginas: 336


Há pouco tempo, para executar um trabalho (de ocupação de tempos livres), necessitava de ter a noção exacta dos vários tipos de cartas que existem e uma descrição detalhada de cada uma delas. Muita informação há na Internet, mas assim que encontrei este dicionário, se não estou em erro numa feira do livro, decidi comprá-lo.

“O Dicionário de Ciências Cartográficas é uma obra multidisciplinar, abrangendo temas aparentemente tão distantes como a Geodesia, os Sistemas de Informação Geográfica e a Navegação. Constitui, contudo, um elemento comum a todos eles o facto de tratarem do estudo e representação do nosso planeta, e dos fenómenos que nele se situam.” É sem dúvida um instrumento útil para a consulta por parte de alunos, professores e profissionais.

Este dicionário conta com cerca de 2000 conceitos, alguns deles acompanhados com figuras, e está organizado de acordo com as seguintes áreas científicas:
- Cartografia
- Geodesia, topografia e hidrografia
- História
- Navegação
- Geografia e Ciências da Natureza
- Ciência e Sistemas de Informação Geográfica
- Matemática, Teoria dos Erros, Metrologia e Termos Gerais

Boas leituras geográficas,

[*] Joaquim Alves Gaspar nasceu em Lisboa, em 1949. É oficial da Armada, licenciado em Ciências Militares Navais (Escola Naval), especialista em navegação marítima (HMS Dryad, Reino Unido), engenheiro hidrógrafo (Instituto Hidrográfico), Master of Science em Oceanografia Física (Naval Postgraduate School, EUA) e pós-graduado em Ciência e Sistemas de Informação Geográfica (ISEGI – Universidade Nova de Lisboa). Prestou serviço no Instituto Hidrográfico e foi professor na Escola Naval. É membro da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Albufeira mete água... de novo!

Foto de d.r. em Barlavento OnlineOlá a todos.


Como já devem saber, a baixa da cidade de Albufeira acordou novamente inundada! Isto já não é novidade para ninguém, qualquer algarvio sabe que o centro de Albufeira está construído numa área muito sensível, em especial, sob a bacia hidrográfica de um curso de água, chamado ribeira de Albufeira (corrigem-me se estiver enganado!) e entre arribas que sofrem da acção erosiva do mar (talvez, mais do homem do que, propriamente, do mar).

Albufeira candidatou-se ao programa Polis e fez muito bem…
Não vou descrever o objectivo deste programa, nem da intervenção efectuada e/ou a efectuar, mas deixo-vos a ligação onde podem consultar todos os pormenores do Programa Polis – Albufeira.

Tendo em conta o que aconteceu nesta madrugada, gostaria apenas destacar um objectivo:
“i) Articular este plano com as outras acções em curso nas áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente no que respeita a drenagem de águas pluviais e domésticas, infraestruturas eléctricas e outras;”

Sem dúvida nenhuma que este objectivo é mesmo o último a ser concretizado!
Primeiro as obras de fachada, depois as obras de fundo…
Faz-me lembrar quando uma autarquia coloca novo piso numa estrada e passado 1 mês esburaca-a toda para colocar a rede de esgotos e saneamento básico.
Meus amigos…

Mas continuando…
Não se preocupem que os responsáveis autárquicos estão atentos…
Todas as cheias que têm acontecido estavam previstas pela autarquia.

Para os mais desatentos, cito um artigo de 3 de Dezembro de 2007, publicado no jornal Barlavento, com alguns comentários meus:
Obras para resolver cheias na Baixa de Albufeira começam em 2008
"As obras de separação das redes unitárias de águas residuais domésticas e pluviais nas ruas Cândido dos Reis e 5 de Outubro, na Baixa de Albufeira, só vão começar em Outubro de 2008…"
Porque começam só em Outubro? Tendo em conta a urgência da intervenção a efectuar, suponho que só comecem em Outubro para não afectar a vida aos milhares de turistas que visitam a capital do turismo nacional na época balnear e, claro, para não se perder o "negócio da formiga" (ganhar de Verão, para hibernar de Inverno). Afinal, não serviu da nada, pois o "negócio foi por água abaixo"... destruindo todo o formigueiro comerciante!
Em Outubro começam as obras e o presidente é considerado herói municipal, porque soube responder de pronto! (uma coisa que já estava prevista há quase um ano).
Ahah Sou mesmo ridículo a interpretar as coisas, mas gosto de o ser…

“Acrescendo ao facto do centro de Albufeira ser uma zona baixa e de inundações frequentes, a condução das águas residuais domésticas e pluviais era feita por condutas unitárias, sem separação dessas águas.”
Acerca deste assunto lembro-me quando um programa de TV foi, no Verão, a Albufeira. Estavam à conversa com o repórter um grupo de pescadores, de um lado, e um vereador da Câmara, não me lembro qual, do outro. Como já passou algum tempo e não gravei o programa, vou descrever o discurso de uma forma fictícia, mas parecida ao real:
- Gostam das obras do Polis?
- Estão bonitas, mas é para inglês ver. Para nós, habitantes desta terra, não servem de nada!
- Então, porque dizem isto?
Na conversa entra um senhor mais entendido na matéria e fala das intervenções urbanísticas:
- Vamos esperar para ver, mas é certo que continuaremos com cheias à porta de casa. E sabe porquê? Está a ver a dimensão daquele cano? Não tem a dimensão para escoar todas as águas que esta zona recebe das chuvas.
- Sr. Vereador concorda com esta opinião?
- Claro que não. Todas a obras que estão a ser feitas, foram programadas da melhor forma e iremos executá-las com tempo e na melhor qualidade técnica possível.

Na altura fartei-me de rir e hoje recordo-me como os pescadores tinham razão!

Continuando…

Ainda na tentativa de melhorar o problema das cheias, está neste momento a decorrer uma auditoria, a pedido da autarquia, coordenada por João Levy, do Instituto Superior Técnico, no sentido de se efectuar um estudo rigoroso relativamente às infra-estruturas colocadas no âmbito do Programa Polis, para se apurar se, de facto, existem dificuldades que não foram previstas ou mesmo erros de projecto ou execução.”
Pelo que tenho visto, não seria necessário chamar o ISTécnico para tal, bastava consultar a população, os mais velhos, pois sempre que os vejo a falar só saem palavras sábias.
Parece-me óbvio que o projecto tem erros, erros de quem programou no gabinete, ou então, é mesmo má qualidade da equipa projectista…

No mesmo artigo:
“Quem acha que as obras pecam pela demora é José Vieira, proprietário do bar «Marmota», situado na Rua Cândido dos Reis. «Acho que deviam ter sido feitas há mais de 10 anos. A cidade cresceu e não foi feito nada para resolver a situação. Todos os anos temos cheias e inundações e estas obras fazem falta», disse ao «barlavento».
Quando dizem cheias em Albufeira, os técnicos devem associar cheias de turistas e não de água. Daí as obras demorarem…

Deixo-vos ainda outro artigo para lerem:
Polis Albufeira iniciou construção do Emissário Pluvial Submarino junto à praia
17 de Setembro de 2008

O que é isto de Emissário Pluvial Submarino?
É um sistema pluvial que tentará evitar as inundações na baixa de Albufeira.
E, já vem tarde, mais uma vez…

Vamos lá ver se será desta que se resolvem todos estes problemas:
“Desidério Silva, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, já tinha revelado ao «barlavento» que considera a infra-estrutura «um grande investimento para acabar, de uma vez por todas, com o problema da acumulação das águas pluviais, naquela zona», e consequentes inundações, as quais têm sido motivo para queixas de comerciantes e moradores.”

Estaremos atentos…

Manifesto artístico...

No Dia Europeu Sem Carros deixo-vos este pequeno manifesto artístico:


Difundido via e-mail
Fonte: Autor desconhecido, difundido via e-mail.

O Sétimo Selo - Efeito Budyko

Recapitulando: estamos na Sibéria e é nesta passagem que repescamos o conceito de albedo, que já tínhamos explicado aqui. Por acaso (ou estará cada vez mais presente?), este processo foi aflorado de forma leve e nada alarmante num documentário sobre o clima que a RTP2 exibiu ao começo da tarde de ontem, domingo.


"Nunca ouviste falar no efeito Budyko?
Mikhail Budyko descobriu que a neve reflecte para o espaço a maior parte do calor do sol que sobre ela incide, o que ajuda a manter o clima frio." Mas como a temperatura tem vindo a subir, essa "neve tem vindo a derreter, deixando emergir o solo que havia por baixo. Ora esse solo, como é escuro, absorve o calor, o que provoca mais calor, o qual provoca mais derretimento de neve, o que faz emergir mais solo escuro, que provoca ainda mais calor, numa espiral sem fim. É isso o efeito Budyko."

Para quem quiser mais previsões feitas por Mikhail Budyko pode consultar aqui, (em Inglês).

"O grave é que a temperatura cruzou um tal limite que este tipo de processo foi desencadeado em todo o planeta, incluindo o mar. Só em 2005 desapareceu 14% do gelo permanente do Árctico.
(...)
Como a água ficou mais quente, começou a derreter mais gelo, o que é um problema, porque o gelo reflecte mais de 80% do calor do sol. Já o oceano, pelo contrário, absorve mais de 90% desse calor, uma vez que é escuro.
(...)
Como o gelo está a derreter, há mais oceano a receber calor, o que torna a água mais quente e faz derreter ainda mais gelo, o que diminui mais a superfície reflectora e alarga de novo a superfície absorvente de calor, num ciclo vicioso que intensifica o efeito de estufa.
(...)
Como o oceano está mais quente, a água fica mais pobre em nutrientes e algas. Ora são as algas que atiram o dióxido de carbono para o fundo do mar. Como há menos algas, o dióxido de carbono fica à superfície." E por aí fora...

E perguntamo-nos, nós, que estamos a ler isto, com preocupação:

"Mas isso está mesmo a acontecer?
Pois está. Olha para as florestas equatoriais. (...) sem a sombra das árvores o solo aquece mais e, consequentemente, faz aquecer mais o planeta, o que provoca uma maior diminuição das florestas e retira sombra a mais solos, que assim aquecem mais e provocam maior diminuição florestal, num novo ciclo vicioso.
(...)
A Amazónia viveu em 2005 uma seca nunca vista. Secaram vários afluentes do rio Amazonas e a água potável teve de ser enviada por helicópteros para aldeias da grande floresta supostamente húmida. E sabes por que razão se utilizaram helicópteros? Porque a água dos rios estava demasiado baixa para a navegação!
A seca de 2005 pode ter sido o primeiro sinal do iminente e catastrófico colapso da Amazónia, que é inevitável se as temperaturas subirem três a quatro graus Celsius. Nessa situação, a floresta transformar-se-á num deserto."

(E convém relembrar que são as árvores que absorvem o dióxido de carbono...)

"A Terra é um ser vivo com capacidade de auto-regulação, o que significa que sempre conseguiu manter-se próxima da temperatura e da composição química mais adequadas à vida. Fez isso durante 3 mil milhões de anos."

Para acabar com uma imagem ilustrativa, uma passagem sobre os glaciares:
"Os glaciares dos Alpes já perderam 50% do seu gelo e os dos Andes triplicaram a velocidade de recuo, diminuindo um quarto da sua superfície em apenas três décadas".

Ver em detalheFrentes do glaciar Jakobshavn (de 1851 a 2006) e respectivas velocidades de deslizamento
Fonte: UNEP



A imagem, retirada de uma página do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, no acrónimo Inglês), mostra-nos as datas das frentes de um glaciar na Gronelândia. Em baixo, a tabela evidencia que a velocidade do seu gelo tem vindo a aumentar com os anos. E por tudo o que ficou dito e redito, não é grande empreitada perceber porquê...

Há mais para saber - e preocupar-nos - em próximos estratos de O Sétimo Selo.

domingo, setembro 21, 2008

"CYBER-BUTEKIM" 14

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 20, 2008

Passeio BTT pelos trilhos e veredas da Cortelha

"Pegar na bicicleta e descobrir a Serra do Caldeirão é a proposta que a Associação dos Amigos da Cortelha apresenta para o próximo dia 5 de Outubro. Num percurso desenhado para toda a família, o convívio e o contacto com a natureza são argumentos de peso para passar uma manhã de domingo diferente.

Clica para participares É já no feriado do próximo dia 05 de Outubro que a Associação dos Amigos da Cortelha organiza mais um grande Passeio BTT. Depois do sucesso de anos anteriores, com o recorde de participantes a ser consecutivamente batido, este ano o percurso foi escolhido a pensar em toda a família, desde os mais velhos até aos mais jovens.
As características naturais da Serra do Caldeirão são bastante propícias à prática de BTT, com trilhos e veredas adequados a esta modalidade, sendo que para além da natural adrenalina e aventura, o contacto com o interior será ponto forte desta iniciativa.
Para além de poder contar com uma manhã diferente, os amantes das duas rodas juntam actividade física ao contacto com a natureza, razões mais que suficientes para o levar a pegar na bicicleta e partir até ao interior da Serra.
"


ler mais aqui.

Clica para aumentarO valor das inscrições é de 15 € e inclui pequeno-almoço, seguro, abastecimentos sólidos e líquidos, banhos, t-shirt do passeio, almoço e brindes, podendo ser efectuadas até ao dia 1 de Outubro, através do site amigosdacortelha.pt ou nas lojas aderentes.


Organizado pela Associação dos Amigos da Cortelha, o Passeio de BTT da Cortelha conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Salir, Junta de Freguesia do Ameixial, do INATEL, da Associação de Ciclismo do Algarve, da ADJ 3 Sistemas e das Águas Caramulo. São ainda parceiras da organização as lojas Bike Land, Free Bike, On The Rocks, Casa Abilio, MotoSul, AlgarvCycles e Bike Zone.

+ info
Clica para entrares em contacto

sexta-feira, setembro 19, 2008

Apenas uma questão de tempo.

Clique para ver ainda melhorFoto de Eduardo F., Nazaré, 29.04.08.


A foto que vemos foi tirada na famosa falésia (ou, para fugir ao galicismo, a arriba) da Nazaré. Apesar do aviso, e de aquela parte do miradouro estar vedada (de forma ineficaz, é bem fácil de ver), as pessoas continuam a ignorar o que não se vê (o futuro). Através desta foto, o risco de derrocada está mais que escancarado...

Poderíamos versar sobre
+ a fragilidade dos calcários, margas e arenitos,
+ a subida do nível médio do mar (expansão térmica nele incluída)
+ a direcção da corrente marítima que banha o país (devido à orientação da costa, NNE-SSW, do Douro até à Nazaré),
+ a dinâmica sedimentar,
+ as obras humanas que facilitam a erosão (molhes, paredões, esporões, portos, barragens...)
+ os agentes de meteorização (e da reacção do que a água contém sobre o carbonato de cálcio)
+ os agentes erosivos,
+ a assustadora (bem... para alguns) taxa de recuo da linha de costa portuguesa (por se tratar de rocha e não de areia, trata-se de comer a costa a grandes pedaços)
e, em suma, podíamos tentar avaliar qual
= o grau de risco em que esta escarpa se encontra...

...mas quedamo-nos, feitos espectadores-co-autores dos acontecimentos.

Porque um dia
- as pontes ruem,
- os comboios descarrilam,
- os prédios desabam,
- os bancos abrem falência,
- as aerotransportadoras ficam em terra,
- as seguradoras fecham as portas,
- os aviões aterram mal,
- o vulcão entra em erupção,
- a vaga inesperada chega,
- o chão abre-se em fendas,
- o solo deixa de produzir,
- a fonte seca,
- o petróleo acaba,
e então,
= o mundo colapsa!


E os catastrofistas são remetidos ao silêncio.
Porque na urgência do tempo não conseguem comunicar de maneira convincente,
nem são, por conseguinte, capazes de demonstrar a validade do que aprenderam e daquilo em que acreditam...

Porque isso demoraria tempo
e requer entendimento.
E se nem uma mensagem a dizer:
"Proibida a passagem"
sabemos ler,
então perguntamo-nos,
Que fazer?


A propósito disto, acho pertinente propor a leitura do artigo "Estudo Sintético de Diagnóstico da Geomorfologia e da Dinâmica Sedimentar dos Troços Costeiros entre Espinho e Nazaré" (1994, disponível aqui.

E mais três textos relacionados:
Recuo da costa em Aveiro (2005)
Riscos de erosão na costa alentejana
Cromos do litoral (2005)

A quem vai servir o TGV?

Tenho a liberdade de publicar este manisfesto que tomei conhecimento via e-mail. Não conheço o autor, nem a data do seu envio, mas concordo que o investimento português em infra-estruturas ferroviárias deve ser feito de outro modo (não aprofundo as minhas ideias, porque não estão amadurecidas. Vou continuar a investigar).

Já tinha ficado desiludido com a realidade ferroviária portuguesa quando visitei Bélgica/Holanda e há bem pouco tempo voltei a sentir-me igual, quando viajei de comboio por terras espanholas. Ontem quase que chorei (até pedi aos ingleses para me levarem com eles para a Inglaterra) quando olhei para a estação de comboios de Portimão. "Porra! Isto está cada vez mais decadente", pensei eu! Portimão é só a segunda cidade mais importante do Algarve (senão a primeira), o Algarve é só a região mais turística do país, como é possível ter uma linha de caminho-de-ferro naquelas condições? Sabendo que não fica no Algarve, para onde vai parar o dinheiro? (ao "bolso" de quem?)
Digam o que disserem: "Pensem positivo! O fazer português é dos melhores do mundo! Somos bons! Somos isto e somos aquilo! O importante é andar sempre de cabeça erguida... Tornem-se empreendedores, criem o seu negócio, o Belmiro e o Nabeiro são exemplos a seguir, Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, logo todos os portugueses são ricos como ele, etc..."
Eu digo-vos com todo o optimismo (e sou muito optimista), mas, também, com muito realismo:

"Somos mesmo uns pobrezinhos..."

Clica para aumentar

Estação de Zaragoza-Delícias, Agosto de 2008.

Deixo-vos, então, o manifesto que recebi:


"A quem vai servir o TGV?
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO;
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS;
3. AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA.

OS PORTUGUESES FICARÃO, UMA VEZ MAIS, ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA!

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos "Alfa" por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está:

- na excelência das suas escolas;
-
na qualidade do seu Ensino Superior;
- nos seus museus e escolas de arte;
- nas creches e jardins-de-infância em cada esquina;
- nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não:
- construíram estádios de futebol desnecessários;
- constroem aeroportos em cima de pântanos;
- nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).
É por razões de sensatez que não o encontramos:
- na Noruega;
- na Suécia;
- na Holanda;
- e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao "Alfa" Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:

- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.
Cabe-lhe a si participar
Se concordar, reencaminhe esta mensagem!
"

quinta-feira, setembro 18, 2008

Semana do Mar

Clica para mergulhar
22 a 26 de Setembro de 2008

"O CCMAR em conjunto com a Biblioteca Municipal António Ramos Rosa (Faro) vão organizar ao longo desta semana uma série de actividades que servirão para comemorar o Dia do Mar (25 de Setembro).

Para além de uma exposição sobre o CCMAR, que estará patente durante toda a semana na Biblioteca, há ainda um programa de palestras que abordarão vários temas relacionados com o Mar e se destinam ao público em geral (entrada gratuita)."



Exposição «BIOMARES e CCMAR»

Ciclo de Palestras às 16h00

Dia 22
"Mapeamento dos fundos algarvios"

Orador: Jorge Gonçalves

Dia 23
"Estão as conchas a dissolver-se no mar? Consequências das alterações globais" - projecto de investigação do circle med

Orador: Pedro Range

Dia 24
"BIOMARES - um projecto LIFE para a recuperação e gestão da biodiversidade do Parque Marinho Luiz Saldanha"
Oradora: Alexandra Cunha

Dia 25
"A importância do peixe numa alimentação equilibrada"
Oradora: Laura Ribeiro

Dia 26
"Findkelp: à procura das florestas marinhas de Portugal"
Orador: Jorge Assis

Local: Biblioteca Municipal de Faro
Hora: palestras - 16:00 h
Entidade: CCMAR / CMF - Biblioteca Municipal de Faro

+ info: infoccmar@ualg.pt

O Sétimo Selo - Gaia

As personagens do diálogo seguinte encontram-se no lago Baikal, na Sibéria. Estamos no capítulo XVIII, quando o livro revela toda a gravidade e importância para poder figurar num blogue sobre a sustentabilidade. O texto, cortado e adaptado, é longo. Mas isso foi porque o que se diz não pode mais ser calado.

Isto é uma espécie de novelo de impactos ambientais que partem da hipótese de Gaia. No fim do novelo, com toda a interdependência dos factores, estão consequências gravíssimas.

(Para quem nunca ouviu falar, o lago Baikal "é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra." (bastou ir à Wikipédia...)


"A Terra tem a capacidade de se auto-regular. Mas, também como qualquer ser vivo, isso só acontece dentro de determinados parâmetros de temperatura. (...) No caso aqui da água, descobriu-se que a temperatura crítica são os dez graus. Quando a temperatura sobe acima dos dez graus, a água tende a ficar livre de nutrientes, o que prejudica a vida. Daí que as águas tropicais sejam transparentes e límpidas: não têm nutrientes, à excepção de uma limitada quantidade de algas. Essas águas estão para o mar como o deserto para a terra. Pela inversa, as florestas do mar são as águas do Árctico e do Antárctico, uma vez que esses oceanos polares estão abaixo dos dez graus e, por isso, podem encontrar-se nutrientes por toda a parte. (...)"

Só lá no fundo, onde a temperatura está abaixo dos dez graus, é que a vida encontra nutrientes. Isto significa que a maior parte dos oceanos são desertos. (...) As águas acima dos dez graus na camada superior cobrem 80% da superfície da água do mundo."

Portanto, se a temperatura global subir, o deserto expande-se.

Cá fora, a temperatura crítica são os 20 graus. Com temperaturas abaixo dos 20º, como no Inverno, a água da chuva mantém-se muito tempo na terra e facilita a vida. Mas no Verão, essa água evapora-se rapidamente e os solos secam. Quando a temperatura média supera os 25 graus, a evaporação torna-se demasiado rápida e, a não ser que a chuva seja quase contínua, a terra transforma-se em deserto.

As florestas equatoriais, como a Amazónia ou a grande floresta do Congo, constituem justamente uma nova resposta de auto-regulação da Terra. Como a evaporação com altas temperaturas é muito rápida, a Terra criou ali um ecossistema que consegue aguentar as nuvens sobre a floresta, obtendo assim chuva quase contínua.
Mas este sistema só é viável dentro de determinados limites térmicos.
Uma subida de 4 graus da temperatura média acelera ainda mais a evaporação e destrói este equilíbrio, transformando a floresta equatorial num deserto.

Sabes o que separa uma floresta equatorial de um deserto? Uns meros quatro graus célsius. O que significa que esses quatro graus cruzam algures um valor crítico. Daí que o aumento da temperatura global seja um problema muito grande se ultrapassar determinado limite térmico.

E o pior é que há indicações de que esse processo já foi desencadeado"...