segunda-feira, setembro 22, 2008

Albufeira mete água... de novo!

Foto de d.r. em Barlavento OnlineOlá a todos.


Como já devem saber, a baixa da cidade de Albufeira acordou novamente inundada! Isto já não é novidade para ninguém, qualquer algarvio sabe que o centro de Albufeira está construído numa área muito sensível, em especial, sob a bacia hidrográfica de um curso de água, chamado ribeira de Albufeira (corrigem-me se estiver enganado!) e entre arribas que sofrem da acção erosiva do mar (talvez, mais do homem do que, propriamente, do mar).

Albufeira candidatou-se ao programa Polis e fez muito bem…
Não vou descrever o objectivo deste programa, nem da intervenção efectuada e/ou a efectuar, mas deixo-vos a ligação onde podem consultar todos os pormenores do Programa Polis – Albufeira.

Tendo em conta o que aconteceu nesta madrugada, gostaria apenas destacar um objectivo:
“i) Articular este plano com as outras acções em curso nas áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente no que respeita a drenagem de águas pluviais e domésticas, infraestruturas eléctricas e outras;”

Sem dúvida nenhuma que este objectivo é mesmo o último a ser concretizado!
Primeiro as obras de fachada, depois as obras de fundo…
Faz-me lembrar quando uma autarquia coloca novo piso numa estrada e passado 1 mês esburaca-a toda para colocar a rede de esgotos e saneamento básico.
Meus amigos…

Mas continuando…
Não se preocupem que os responsáveis autárquicos estão atentos…
Todas as cheias que têm acontecido estavam previstas pela autarquia.

Para os mais desatentos, cito um artigo de 3 de Dezembro de 2007, publicado no jornal Barlavento, com alguns comentários meus:
Obras para resolver cheias na Baixa de Albufeira começam em 2008
"As obras de separação das redes unitárias de águas residuais domésticas e pluviais nas ruas Cândido dos Reis e 5 de Outubro, na Baixa de Albufeira, só vão começar em Outubro de 2008…"
Porque começam só em Outubro? Tendo em conta a urgência da intervenção a efectuar, suponho que só comecem em Outubro para não afectar a vida aos milhares de turistas que visitam a capital do turismo nacional na época balnear e, claro, para não se perder o "negócio da formiga" (ganhar de Verão, para hibernar de Inverno). Afinal, não serviu da nada, pois o "negócio foi por água abaixo"... destruindo todo o formigueiro comerciante!
Em Outubro começam as obras e o presidente é considerado herói municipal, porque soube responder de pronto! (uma coisa que já estava prevista há quase um ano).
Ahah Sou mesmo ridículo a interpretar as coisas, mas gosto de o ser…

“Acrescendo ao facto do centro de Albufeira ser uma zona baixa e de inundações frequentes, a condução das águas residuais domésticas e pluviais era feita por condutas unitárias, sem separação dessas águas.”
Acerca deste assunto lembro-me quando um programa de TV foi, no Verão, a Albufeira. Estavam à conversa com o repórter um grupo de pescadores, de um lado, e um vereador da Câmara, não me lembro qual, do outro. Como já passou algum tempo e não gravei o programa, vou descrever o discurso de uma forma fictícia, mas parecida ao real:
- Gostam das obras do Polis?
- Estão bonitas, mas é para inglês ver. Para nós, habitantes desta terra, não servem de nada!
- Então, porque dizem isto?
Na conversa entra um senhor mais entendido na matéria e fala das intervenções urbanísticas:
- Vamos esperar para ver, mas é certo que continuaremos com cheias à porta de casa. E sabe porquê? Está a ver a dimensão daquele cano? Não tem a dimensão para escoar todas as águas que esta zona recebe das chuvas.
- Sr. Vereador concorda com esta opinião?
- Claro que não. Todas a obras que estão a ser feitas, foram programadas da melhor forma e iremos executá-las com tempo e na melhor qualidade técnica possível.

Na altura fartei-me de rir e hoje recordo-me como os pescadores tinham razão!

Continuando…

Ainda na tentativa de melhorar o problema das cheias, está neste momento a decorrer uma auditoria, a pedido da autarquia, coordenada por João Levy, do Instituto Superior Técnico, no sentido de se efectuar um estudo rigoroso relativamente às infra-estruturas colocadas no âmbito do Programa Polis, para se apurar se, de facto, existem dificuldades que não foram previstas ou mesmo erros de projecto ou execução.”
Pelo que tenho visto, não seria necessário chamar o ISTécnico para tal, bastava consultar a população, os mais velhos, pois sempre que os vejo a falar só saem palavras sábias.
Parece-me óbvio que o projecto tem erros, erros de quem programou no gabinete, ou então, é mesmo má qualidade da equipa projectista…

No mesmo artigo:
“Quem acha que as obras pecam pela demora é José Vieira, proprietário do bar «Marmota», situado na Rua Cândido dos Reis. «Acho que deviam ter sido feitas há mais de 10 anos. A cidade cresceu e não foi feito nada para resolver a situação. Todos os anos temos cheias e inundações e estas obras fazem falta», disse ao «barlavento».
Quando dizem cheias em Albufeira, os técnicos devem associar cheias de turistas e não de água. Daí as obras demorarem…

Deixo-vos ainda outro artigo para lerem:
Polis Albufeira iniciou construção do Emissário Pluvial Submarino junto à praia
17 de Setembro de 2008

O que é isto de Emissário Pluvial Submarino?
É um sistema pluvial que tentará evitar as inundações na baixa de Albufeira.
E, já vem tarde, mais uma vez…

Vamos lá ver se será desta que se resolvem todos estes problemas:
“Desidério Silva, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, já tinha revelado ao «barlavento» que considera a infra-estrutura «um grande investimento para acabar, de uma vez por todas, com o problema da acumulação das águas pluviais, naquela zona», e consequentes inundações, as quais têm sido motivo para queixas de comerciantes e moradores.”

Estaremos atentos…

Manifesto artístico...

No Dia Europeu Sem Carros deixo-vos este pequeno manifesto artístico:


Difundido via e-mail
Fonte: Autor desconhecido, difundido via e-mail.

O Sétimo Selo - Efeito Budyko

Recapitulando: estamos na Sibéria e é nesta passagem que repescamos o conceito de albedo, que já tínhamos explicado aqui. Por acaso (ou estará cada vez mais presente?), este processo foi aflorado de forma leve e nada alarmante num documentário sobre o clima que a RTP2 exibiu ao começo da tarde de ontem, domingo.


"Nunca ouviste falar no efeito Budyko?
Mikhail Budyko descobriu que a neve reflecte para o espaço a maior parte do calor do sol que sobre ela incide, o que ajuda a manter o clima frio." Mas como a temperatura tem vindo a subir, essa "neve tem vindo a derreter, deixando emergir o solo que havia por baixo. Ora esse solo, como é escuro, absorve o calor, o que provoca mais calor, o qual provoca mais derretimento de neve, o que faz emergir mais solo escuro, que provoca ainda mais calor, numa espiral sem fim. É isso o efeito Budyko."

Para quem quiser mais previsões feitas por Mikhail Budyko pode consultar aqui, (em Inglês).

"O grave é que a temperatura cruzou um tal limite que este tipo de processo foi desencadeado em todo o planeta, incluindo o mar. Só em 2005 desapareceu 14% do gelo permanente do Árctico.
(...)
Como a água ficou mais quente, começou a derreter mais gelo, o que é um problema, porque o gelo reflecte mais de 80% do calor do sol. Já o oceano, pelo contrário, absorve mais de 90% desse calor, uma vez que é escuro.
(...)
Como o gelo está a derreter, há mais oceano a receber calor, o que torna a água mais quente e faz derreter ainda mais gelo, o que diminui mais a superfície reflectora e alarga de novo a superfície absorvente de calor, num ciclo vicioso que intensifica o efeito de estufa.
(...)
Como o oceano está mais quente, a água fica mais pobre em nutrientes e algas. Ora são as algas que atiram o dióxido de carbono para o fundo do mar. Como há menos algas, o dióxido de carbono fica à superfície." E por aí fora...

E perguntamo-nos, nós, que estamos a ler isto, com preocupação:

"Mas isso está mesmo a acontecer?
Pois está. Olha para as florestas equatoriais. (...) sem a sombra das árvores o solo aquece mais e, consequentemente, faz aquecer mais o planeta, o que provoca uma maior diminuição das florestas e retira sombra a mais solos, que assim aquecem mais e provocam maior diminuição florestal, num novo ciclo vicioso.
(...)
A Amazónia viveu em 2005 uma seca nunca vista. Secaram vários afluentes do rio Amazonas e a água potável teve de ser enviada por helicópteros para aldeias da grande floresta supostamente húmida. E sabes por que razão se utilizaram helicópteros? Porque a água dos rios estava demasiado baixa para a navegação!
A seca de 2005 pode ter sido o primeiro sinal do iminente e catastrófico colapso da Amazónia, que é inevitável se as temperaturas subirem três a quatro graus Celsius. Nessa situação, a floresta transformar-se-á num deserto."

(E convém relembrar que são as árvores que absorvem o dióxido de carbono...)

"A Terra é um ser vivo com capacidade de auto-regulação, o que significa que sempre conseguiu manter-se próxima da temperatura e da composição química mais adequadas à vida. Fez isso durante 3 mil milhões de anos."

Para acabar com uma imagem ilustrativa, uma passagem sobre os glaciares:
"Os glaciares dos Alpes já perderam 50% do seu gelo e os dos Andes triplicaram a velocidade de recuo, diminuindo um quarto da sua superfície em apenas três décadas".

Ver em detalheFrentes do glaciar Jakobshavn (de 1851 a 2006) e respectivas velocidades de deslizamento
Fonte: UNEP



A imagem, retirada de uma página do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, no acrónimo Inglês), mostra-nos as datas das frentes de um glaciar na Gronelândia. Em baixo, a tabela evidencia que a velocidade do seu gelo tem vindo a aumentar com os anos. E por tudo o que ficou dito e redito, não é grande empreitada perceber porquê...

Há mais para saber - e preocupar-nos - em próximos estratos de O Sétimo Selo.

domingo, setembro 21, 2008

"CYBER-BUTEKIM" 14

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 20, 2008

Passeio BTT pelos trilhos e veredas da Cortelha

"Pegar na bicicleta e descobrir a Serra do Caldeirão é a proposta que a Associação dos Amigos da Cortelha apresenta para o próximo dia 5 de Outubro. Num percurso desenhado para toda a família, o convívio e o contacto com a natureza são argumentos de peso para passar uma manhã de domingo diferente.

Clica para participares É já no feriado do próximo dia 05 de Outubro que a Associação dos Amigos da Cortelha organiza mais um grande Passeio BTT. Depois do sucesso de anos anteriores, com o recorde de participantes a ser consecutivamente batido, este ano o percurso foi escolhido a pensar em toda a família, desde os mais velhos até aos mais jovens.
As características naturais da Serra do Caldeirão são bastante propícias à prática de BTT, com trilhos e veredas adequados a esta modalidade, sendo que para além da natural adrenalina e aventura, o contacto com o interior será ponto forte desta iniciativa.
Para além de poder contar com uma manhã diferente, os amantes das duas rodas juntam actividade física ao contacto com a natureza, razões mais que suficientes para o levar a pegar na bicicleta e partir até ao interior da Serra.
"


ler mais aqui.

Clica para aumentarO valor das inscrições é de 15 € e inclui pequeno-almoço, seguro, abastecimentos sólidos e líquidos, banhos, t-shirt do passeio, almoço e brindes, podendo ser efectuadas até ao dia 1 de Outubro, através do site amigosdacortelha.pt ou nas lojas aderentes.


Organizado pela Associação dos Amigos da Cortelha, o Passeio de BTT da Cortelha conta com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Junta de Freguesia de Salir, Junta de Freguesia do Ameixial, do INATEL, da Associação de Ciclismo do Algarve, da ADJ 3 Sistemas e das Águas Caramulo. São ainda parceiras da organização as lojas Bike Land, Free Bike, On The Rocks, Casa Abilio, MotoSul, AlgarvCycles e Bike Zone.

+ info
Clica para entrares em contacto

sexta-feira, setembro 19, 2008

Apenas uma questão de tempo.

Clique para ver ainda melhorFoto de Eduardo F., Nazaré, 29.04.08.


A foto que vemos foi tirada na famosa falésia (ou, para fugir ao galicismo, a arriba) da Nazaré. Apesar do aviso, e de aquela parte do miradouro estar vedada (de forma ineficaz, é bem fácil de ver), as pessoas continuam a ignorar o que não se vê (o futuro). Através desta foto, o risco de derrocada está mais que escancarado...

Poderíamos versar sobre
+ a fragilidade dos calcários, margas e arenitos,
+ a subida do nível médio do mar (expansão térmica nele incluída)
+ a direcção da corrente marítima que banha o país (devido à orientação da costa, NNE-SSW, do Douro até à Nazaré),
+ a dinâmica sedimentar,
+ as obras humanas que facilitam a erosão (molhes, paredões, esporões, portos, barragens...)
+ os agentes de meteorização (e da reacção do que a água contém sobre o carbonato de cálcio)
+ os agentes erosivos,
+ a assustadora (bem... para alguns) taxa de recuo da linha de costa portuguesa (por se tratar de rocha e não de areia, trata-se de comer a costa a grandes pedaços)
e, em suma, podíamos tentar avaliar qual
= o grau de risco em que esta escarpa se encontra...

...mas quedamo-nos, feitos espectadores-co-autores dos acontecimentos.

Porque um dia
- as pontes ruem,
- os comboios descarrilam,
- os prédios desabam,
- os bancos abrem falência,
- as aerotransportadoras ficam em terra,
- as seguradoras fecham as portas,
- os aviões aterram mal,
- o vulcão entra em erupção,
- a vaga inesperada chega,
- o chão abre-se em fendas,
- o solo deixa de produzir,
- a fonte seca,
- o petróleo acaba,
e então,
= o mundo colapsa!


E os catastrofistas são remetidos ao silêncio.
Porque na urgência do tempo não conseguem comunicar de maneira convincente,
nem são, por conseguinte, capazes de demonstrar a validade do que aprenderam e daquilo em que acreditam...

Porque isso demoraria tempo
e requer entendimento.
E se nem uma mensagem a dizer:
"Proibida a passagem"
sabemos ler,
então perguntamo-nos,
Que fazer?


A propósito disto, acho pertinente propor a leitura do artigo "Estudo Sintético de Diagnóstico da Geomorfologia e da Dinâmica Sedimentar dos Troços Costeiros entre Espinho e Nazaré" (1994, disponível aqui.

E mais três textos relacionados:
Recuo da costa em Aveiro (2005)
Riscos de erosão na costa alentejana
Cromos do litoral (2005)

A quem vai servir o TGV?

Tenho a liberdade de publicar este manisfesto que tomei conhecimento via e-mail. Não conheço o autor, nem a data do seu envio, mas concordo que o investimento português em infra-estruturas ferroviárias deve ser feito de outro modo (não aprofundo as minhas ideias, porque não estão amadurecidas. Vou continuar a investigar).

Já tinha ficado desiludido com a realidade ferroviária portuguesa quando visitei Bélgica/Holanda e há bem pouco tempo voltei a sentir-me igual, quando viajei de comboio por terras espanholas. Ontem quase que chorei (até pedi aos ingleses para me levarem com eles para a Inglaterra) quando olhei para a estação de comboios de Portimão. "Porra! Isto está cada vez mais decadente", pensei eu! Portimão é só a segunda cidade mais importante do Algarve (senão a primeira), o Algarve é só a região mais turística do país, como é possível ter uma linha de caminho-de-ferro naquelas condições? Sabendo que não fica no Algarve, para onde vai parar o dinheiro? (ao "bolso" de quem?)
Digam o que disserem: "Pensem positivo! O fazer português é dos melhores do mundo! Somos bons! Somos isto e somos aquilo! O importante é andar sempre de cabeça erguida... Tornem-se empreendedores, criem o seu negócio, o Belmiro e o Nabeiro são exemplos a seguir, Cristiano Ronaldo é o melhor do Mundo, logo todos os portugueses são ricos como ele, etc..."
Eu digo-vos com todo o optimismo (e sou muito optimista), mas, também, com muito realismo:

"Somos mesmo uns pobrezinhos..."

Clica para aumentar

Estação de Zaragoza-Delícias, Agosto de 2008.

Deixo-vos, então, o manifesto que recebi:


"A quem vai servir o TGV?
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO;
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS;
3. AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA.

OS PORTUGUESES FICARÃO, UMA VEZ MAIS, ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA!

Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos "Alfa" por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza. A resposta está:

- na excelência das suas escolas;
-
na qualidade do seu Ensino Superior;
- nos seus museus e escolas de arte;
- nas creches e jardins-de-infância em cada esquina;
- nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não:
- construíram estádios de futebol desnecessários;
- constroem aeroportos em cima de pântanos;
- nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).
É por razões de sensatez que não o encontramos:
- na Noruega;
- na Suécia;
- na Holanda;
- e em muitos outros países ricos.

Tirar 20 ou 30 minutos ao "Alfa" Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:

- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);

- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.
Cabe-lhe a si participar
Se concordar, reencaminhe esta mensagem!
"

quinta-feira, setembro 18, 2008

Semana do Mar

Clica para mergulhar
22 a 26 de Setembro de 2008

"O CCMAR em conjunto com a Biblioteca Municipal António Ramos Rosa (Faro) vão organizar ao longo desta semana uma série de actividades que servirão para comemorar o Dia do Mar (25 de Setembro).

Para além de uma exposição sobre o CCMAR, que estará patente durante toda a semana na Biblioteca, há ainda um programa de palestras que abordarão vários temas relacionados com o Mar e se destinam ao público em geral (entrada gratuita)."



Exposição «BIOMARES e CCMAR»

Ciclo de Palestras às 16h00

Dia 22
"Mapeamento dos fundos algarvios"

Orador: Jorge Gonçalves

Dia 23
"Estão as conchas a dissolver-se no mar? Consequências das alterações globais" - projecto de investigação do circle med

Orador: Pedro Range

Dia 24
"BIOMARES - um projecto LIFE para a recuperação e gestão da biodiversidade do Parque Marinho Luiz Saldanha"
Oradora: Alexandra Cunha

Dia 25
"A importância do peixe numa alimentação equilibrada"
Oradora: Laura Ribeiro

Dia 26
"Findkelp: à procura das florestas marinhas de Portugal"
Orador: Jorge Assis

Local: Biblioteca Municipal de Faro
Hora: palestras - 16:00 h
Entidade: CCMAR / CMF - Biblioteca Municipal de Faro

+ info: infoccmar@ualg.pt

O Sétimo Selo - Gaia

As personagens do diálogo seguinte encontram-se no lago Baikal, na Sibéria. Estamos no capítulo XVIII, quando o livro revela toda a gravidade e importância para poder figurar num blogue sobre a sustentabilidade. O texto, cortado e adaptado, é longo. Mas isso foi porque o que se diz não pode mais ser calado.

Isto é uma espécie de novelo de impactos ambientais que partem da hipótese de Gaia. No fim do novelo, com toda a interdependência dos factores, estão consequências gravíssimas.

(Para quem nunca ouviu falar, o lago Baikal "é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra." (bastou ir à Wikipédia...)


"A Terra tem a capacidade de se auto-regular. Mas, também como qualquer ser vivo, isso só acontece dentro de determinados parâmetros de temperatura. (...) No caso aqui da água, descobriu-se que a temperatura crítica são os dez graus. Quando a temperatura sobe acima dos dez graus, a água tende a ficar livre de nutrientes, o que prejudica a vida. Daí que as águas tropicais sejam transparentes e límpidas: não têm nutrientes, à excepção de uma limitada quantidade de algas. Essas águas estão para o mar como o deserto para a terra. Pela inversa, as florestas do mar são as águas do Árctico e do Antárctico, uma vez que esses oceanos polares estão abaixo dos dez graus e, por isso, podem encontrar-se nutrientes por toda a parte. (...)"

Só lá no fundo, onde a temperatura está abaixo dos dez graus, é que a vida encontra nutrientes. Isto significa que a maior parte dos oceanos são desertos. (...) As águas acima dos dez graus na camada superior cobrem 80% da superfície da água do mundo."

Portanto, se a temperatura global subir, o deserto expande-se.

Cá fora, a temperatura crítica são os 20 graus. Com temperaturas abaixo dos 20º, como no Inverno, a água da chuva mantém-se muito tempo na terra e facilita a vida. Mas no Verão, essa água evapora-se rapidamente e os solos secam. Quando a temperatura média supera os 25 graus, a evaporação torna-se demasiado rápida e, a não ser que a chuva seja quase contínua, a terra transforma-se em deserto.

As florestas equatoriais, como a Amazónia ou a grande floresta do Congo, constituem justamente uma nova resposta de auto-regulação da Terra. Como a evaporação com altas temperaturas é muito rápida, a Terra criou ali um ecossistema que consegue aguentar as nuvens sobre a floresta, obtendo assim chuva quase contínua.
Mas este sistema só é viável dentro de determinados limites térmicos.
Uma subida de 4 graus da temperatura média acelera ainda mais a evaporação e destrói este equilíbrio, transformando a floresta equatorial num deserto.

Sabes o que separa uma floresta equatorial de um deserto? Uns meros quatro graus célsius. O que significa que esses quatro graus cruzam algures um valor crítico. Daí que o aumento da temperatura global seja um problema muito grande se ultrapassar determinado limite térmico.

E o pior é que há indicações de que esse processo já foi desencadeado"...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Labordeta

Uma pequena incursão num dos campos mais maravilhosos da arte, a música, nunca fez mal a ninguém. Sobretudo porque não vem a despropósito. A propósito de Labordeta, que actuou, como não podia deixar de ser, no recinto da Expo 2008 (concerto ao qual, infelizmente, não assistimos), falaremos da sua pessoa, cidadão exemplar e multifacetado.

José António Labordeta nasceu em 10 de Março de 1935 numa casa da Rua Buen Pastor, no casco antigo de Saragoça. No ano seguinte, com a Guerra Civil, o seu pai, Don Miguel, professor de Latim, é detido e expulso do ensino por causa da sua militância na Izquierda Republicana.
A partir de 1949, com o casamento do seu irmão Manolo, Labordeta passa a viver com o Miguel, importante poeta espanhol que marcará o seu percurso artístico e biográfico. (Miguel Labordeta tem uma rua na cidade, localizada aqui).

Com a morte de Don Miguel, em 1953, José António começa a escrever os primeiros poemas. Em 1958 funda e dirige a revista Orejudín e o seu primeiro livro, "Sucede el pensamiento" é editado no ano seguinte. De 1958 a 1960 dá aulas em Aix-de-Provence. Em 1960 licencia-se em Filosofia e Letras. Em 1965, então a viver em Teruel, publica mais dois livros, "Las Sonatas" e "Unamuno: diario poético en Papeles de Sor Armadans". Em 1968 grava um Epê, "Andros II", que foi apreendido pela censura.

A 1 de Agosto de 1969 morre o seu irmão Miguel, tragédia que o afectará profundamente na sua obra e vida. Em 1971 edita o seu livro fundamental, "Cantar y callar", edição que trazia o seu primeiro disco, apreendido. Em 1972, Labordeta e alguns amigos aragoneses, fundam a revista Andalán. Publica também "Treinta y cinco veces uno" (poesia) e escreve "Mitologías de mamá" (romance que só será publicado em 1992). No ano seguinte publica novo livro de poemas, "Tribulatorio".

Em 1974, ano do seu primeiro élepê, "Cantar i callar" (editado em França), publica "Cada qual que aprenda su juego" (reunião de pequenos romances), e recebe o Premio San Jorge, atribuído pela Diputación Provincial de Zaragoza. No ano seguinte, no seu segundo álbum, "Tiempo de espera", surge uma das suas canções mais conhecidas, "Canto a la libertad", canção que se tornará o hino não oficial de Aragão.

De 1976 a 1989 publica dez álbuns (dois deles ao vivo) e seis livros, além de artigos em revistas e jornais. Durante esse período milita no Partido Aragonesista (PSA) e, findo este, na Chunta Aragonesista (CHA) . Em 1991 abandona a vida de músico, recebe o prémio Juan de Lanuza e em 92 a Medalha de Ouro de Zaragoza. De 1991 a 1998 realiza o documentário sobre a Espanha rural "Un país en la mochila" (transmitido pela TVE2). Em 1999 é eleito deputado para a Assembleia de Aragão pela CHA.

Em 2000 é eleito deputado para o Congresso (equivalente à nossa Assembleia Nacional), pela CHA. Vai publicando discos e livros e em Junho de 2004 faz parte da comissão que investiga os acontecimentos do 11 de Março. No começo deste ano abandona a actividade política.

Além de poeta, escritor, cantor, deputado, "el abuelo" foi também actor (em dois filmes), comentador e apresentador (na rádio e televisão). Um homem ligado assim à sua terra e às suas gentes foi, podemos dizê-lo, um excelente comunicador das paisagens e da geografia humana das vastas, ricas e diversas regiões espanholas. A sua voz grave e forte canta o carácter agreste da paisagem aragonesa. Na AntenaGeo (ao fundo, no Georden) podem ouvir algumas das suas canções mais representativas e marcantes.

Num âmbito mais geral, o documentário que dirigiu e apresentou durante 8 anos, "Un país en la mochila", proporcionou a quem pôde vê-lo um maior conhecimento do país vizinho.
Documentário de grande interesse geográfico e cultural do qual vos propomos a vizualização de um vídeo, disponível no YouTube, com extrato de um episódio sobre a região e o rio Duratón (afluente do Duero). Vale bem a pena. Há outros (basta procurar por "Labordeta" e "mochila").
Para picar o ponto ao habitual queixume português, pena a RTP já não ter programas que lhe cheguem aos calcanhares...



Pequena biografia extraída do livreto da compilação "Cantar y No Callar", caixa com 13 cds que reúne os seus álbuns de 1975 a 1995 (editada em 2004, pela Fonomusic)
Imagens retiradas de 10lineas.com
+ info
10lineas.com
Blogue de Labordeta

terça-feira, setembro 16, 2008

O albedo não é um segredo

Capa de Albedo 0.39 (Lp, 1975, RCA), de Vangelis Papathanassiou


O conceito de Albedo, importante termo em Climatologia, traduz a proporção entre as radiações luminosas recebida e reflectida por um corpo não luminescente, ou seja, um corpo desprovido de luz própria. (Esses corpos podem ser planetas, como a Terra, satélites, como a Lua, ou outros (neve, nuvens...)

É um termo que aprendi pela primeira vez muito antes de o estudar nas aulas, pois o senhor Vangelis tem um álbum (de 1975) chamado Albedo 0.39, com cuja capa, aliás, me apeteceu começar este artigo. (É por estas e por outras que continuo a defender que a música nos pode ensinar muito...)

O número 0,39 (ponto é o que os saxónicos usam... nós, ao referir-nos a números decimais, usamos vírgulas...) é o mesmo que 39%. O albedo de um corpo exprime-se na grandeza de 0 a 1, ou de 0 a 100%. O 39% refere-se ao valor do albedo da Terra. Quer dizer que a Terra reenvia para o espaço 39% da luz que recebe.

É por exemplo o albedo da neve que nos obriga a usar óculos (se não quisermos ficar com queimaduras na retina), e não necessariamente a luz do sol, quando (se...) subimos a altas montanhas. Porque a neve tem um albedo muito alto. E o seu valor é mais alto quanto mais fresca ela for. Aliás, como podemos verificar numa tabela como esta, o albedo do gelo pode variar entre os 20 e os 40% e o da neve entre os 40% (se for antiga) e valores superiores aos 80% (se for acabadinha de cair). (Tomem atenção aos valores com que o asfalto se fica...)

O albedo depende, entre basicamente de 3 factores:
(um, relativo ao corpo emissor)
- da intensidade da luz,
(outro, relativo à posição entre o emissor e receptor)
- do ângulo de incidência,
(outro, relativo ao corpo receptor)
- do superfície do corpo que reflecte (ou não) essa luz.

É graças ao albedo que a Terra pode, por um lado (através das nuvens, que a filtram) proteger-se da radiação, ou, por outro, manter uma temperatura agradável (quando corpos escuros, com pouco albedo, retêm a energia recebida).


ver maiorO albedo da Terra
Imagem extraída de Visible Earth (NASA)


Da análise da imagem acima podemos perceber a importância do terceiro factor enunciado. As maiores taxas coincidem com partes do globo (no mapa não foram considerados a água, a Antárctida e parte da Gronelândia) que estão cobertas de corpos claros: neve, numas partes, areia, noutras. E a diferença entre ambas as áreas é também visível, com os extremos norte da Sibéria e da América do Norte num vermelho mais denso / carregado que o do deserto do Saara. E isso não é só por haver outros corpos nesta parte do norte de África, mas porque, vimo-lo acima, a neve reflecte mais que a areia.

E sobre o amigo albedo, para já, ficamos falados.
"Quem tem medo do albedo mau, albedo mau...?"


Este é um artigo introdutório a mais um estrato do livro de JRS, "O Sétimo Selo".

segunda-feira, setembro 15, 2008

Energias Renováveis e Mobilidade Sustentada 2008

Foto difundida via e-mail"É já a partir de dia 18 e até 22 de Setembro que Monte Gordo receberá a grande exposição ENERGIAS RENOVÁVEIS / MOBILIDADE SUSTENTADA 2008 e de ambiente em geral, integrada na Semana do Baixo Guadiana Sustentável, englobando muitas iniciativas nos Municípios de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim.

O programa de actividades é muito interessante, sendo esperados muitos visitantes, empresários e mais de 500 alunos de diferentes escolas da Zona do Baixo Guadiana: para além de 2 seminários, demonstrações de funcionamento das energias renováveis e de veículos amigos do ambiente.

Em destaque está a divulgação pública, pela primeira vez, da HIDROGENPOWER da utilização do hidrogéneo em qualquer veículo convencional a gasolina ou a gasóleo com uma poupança considerável de combustíveis fósseis e poluentes.


Mas haverá muitos outros pontos de interesse, tais como o ALGARVE GREEN VEHICLE CHALLENGE 2008 (uma prova que se realizará pela terceira vez no Algarve, no dia 22 de Setembro, em que apenas podem participar veículos amigos do Ambiente, e que este ano percorrerá os municípios do Baixo Guadiana) e claro, a possibilidade de experimentar os novos conceitos de mobilidade sustentada, tais como Segways, Easy Glyders, Scooters eléctricas, trotinetes e bicicletas assistidas electricamente , automóveis eléctricos, automóveis solares, entre muitos outros.
Todos poderão também verificar as temperaturas atingidas pelas diferentes marcas de colectores solares térmicos a funcionar nas mesmas condições de exposição solar, entre muitas outras demonstrações de energias renováveis, nomeadamente a energia eólica, e ver fornos solares a funcionar com o magnífico Sol algarvio.

Clica para aumentar

De entre as entidades institucionais / empresariais presentes contam-se até esta data, as seguintes já confirmadas:

Entidades Institucionais
1 - CM de Vila Real de Santo António
2 - CM de Castro Marim
3 - CM de Alcoutim
4 - Associação Odiana
5 - Área de Medio Ambiente Y Energias Renovables - Diputacion de Huelva
6 - CCDR Algarve / Europe Direct
7 - CCDR Algarve PO21
8 - Globalgarve
9 - Centro de Ciência Viva de Tavira
10 - INUAF
11 - LIBERTY SEGUROS
12 - DECO
13 - ALGAR + Autocarro de Educação Ambiental

Entidades Empresariais
14 - SOLARINOX (Energias Renováveis)
15 - ECOPERL "
16 - REFRISUN "
17 - NATURAL ENERGY "
18 - GUADICLIMA "
19 - ESTELAÇÃO "
20 - JORO "
21 - AEROSOLAR "
22 - ECOSPEED (Veículos Amigos do Ambiente)
23 - SEGWAY "
24 - HIDROGENPOWER (Combustíveis alternativos)
25 - BIODIESEL EM CASA "
26 - BIOCAR "
27 - RESIVALOR "
28 - RECICLIMPA "
29 - SMART ENERGY "

Porque esta é uma exposição interactiva, onde tudo pode ser experimentado e visto a funcionar, onde inclusivamente um dos seminários será feito ao ar livre, não faltando portanto pontos de interesse, contamos com a vossa presença!"

+ info
António José Brito

964144312
algarverenovavel.com

Recordo que se encontram na Videoteca Georden dois filmes da edição de 2007:
Algarve Green Vehicle Challenge 2007 (2:59)
Algarve Green Vehicle Challenge [Filme fotográfico] (6:42)

Inquérito à sustentabilidade

Informamos que até ao final de Setembro estamos a perguntar aos nossos visitantes (mesmo aqui ao lado) sobre quais as maiores ameaças à sustentabilidade.

Colocámos 5 hipóteses de resposta, a saber:

- O consumismo
- O défice democrático
- O individualismo
- A concentração de capital
- A sobredependência energética

Bem podiam estar outros factores / razões, por isso convidamos todos os interessados a deixarem os seus comentários, complementando, explicando, reflectindo sobre a questão.
Sustentem o sustentável com o Georden.

domingo, setembro 14, 2008

Expo Zaragoza 2008

No dia do encerramento da Exposição Internacional de Saragoça, que decorreu entre os dias 14 de Junho e 14 de Setembro de 2008 (hoje), com o tema "Água e Desenvolvimento Sustentável", publicamos um breve filme fotográfico que nos mostra o centro da cidade e o recinto da Expo Zaragoza 2008.
As fotografias foram tiradas entre os dias 22.08.2008 e 25.08.2008 e a sua visualização é acompanhada pela música do cantor aragonês, Labordeta.

Em breve colocaremos mais novidades sobre Zaragoza, com destaque para a Expo2008.

Eduardo F.
Rogeriomad

"CYBER-BUTEKIM" 13

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 13, 2008

As cores da bandeira nacional...

Antes...
Quando tinha trabalho...
Quer dizer...
Quando tinha um emprego remunerado...
Sonhava!

Sonhava...
Casar...
Viajar...
Comprar casa...
Ter filhos...
Ter sucesso profissional...

Ultimamente...
Já sem trabalho...
Quer dizer...
Já sem um emprego remunerado...
Sonho!

Sonho...
Com assaltos a gasolineiras... a bancos... a seguradoras... a supermercados... a tabacarias... a multibancos...

O desemprego torna-nos criativos!

sexta-feira, setembro 12, 2008

O Sétimo Selo - energia e hidrogénio

(Continuação)

José Rodrigues dos Santos (JRS) procura sempre a pedagogia. Está tudo nos livros, costuma(va) dizer-se. Bem, em muitos, não em todos... Pelo menos, quem leu este ficou a saber muitas coisas.

É mesmo nos últimos capítulos desta obra (não sei porque lhe chamou romance, ficava mais bem catalogado como policial...) que se explica, tal como se estivéssemos numa aula de física - boquiabertos com o entusiasmo e o interesse suscitados por tanta clareza - o processo de produção de energia através do Hidrogénio.

A utilização deste recurso para produzirmos energia vai ser - segundo o que JRS põe nas bocas dos cientistas - a salvação do planeta. Se lá chegarmos, claro.
(Ai estas últimas duas frases suscitaram alguma acusação, ao escritor, de alarmismo? Tal como nos telejornais, em que o mais importante fica para a segunda parte, esperem até próximos estratos.) É sobre ele que vamos falar aqui, porque o Georden também é pedagógico.


O Hidrogénio foi o primeiro átomo a ser criado após o Big Bang, é o mais abundante no universo, o primeiro da tabela periódica e o mais simples de todos os átomos conhecidos.

Apesar de abundante, por ser altamente reactivo, é quase impossível encontrá-lo no seu estado puro. Porque se associa aos átomos do meio em que se encontra. Ao juntar-se o hidrogénio armazena energia.

A fotossíntese provoca a cisão das moléculas da água que existe nas plantas. "O oxigénio e o hidrogénio separam-se. Mas devido àquele "ódio à solidão", o hidrogénio vai logo associar-se ao carbono, formando os hidratos de carbono. É por estarem carregados da energia solar (ganhos com a fotossíntese), que os açucares são altamente energéticos.

Ao comermos esse açúcar o nosso metabolismo vai dissociar os átomos do hidrogénio dos de carbono. O hidrogénio volta a juntar-se então ao oxigénio, originando moléculas de água, perdendo para isso o calor que tinha armazenado - "funciona como a fotossíntese ao contrário". Daí que o nosso corpo liberte calor. Mas essa energia pode assumir outras formas, como as energias eléctrica, mecânica e química.

"E o que é interessante é que essa energia, em vez de ser libertada, também pode ser guardada por milhões e milhões de anos. (...)" Se as folhas das plantas não forem comidas por nenhum animal ou queimadas num incêndio, mas, em vez disso, caírem ao chão e se forem enterrando, ao fim de muito tempo transformar-se-ão em... carvão. Ora, que uso damos nós ao carvão?"

Ao queimarmos o carvão ou qualquer outro hidrocarboneto (petróleo e gás), a energia solar liberta-se. "O hidrogénio larga o carbono e associa-se ao oxigénio, (...) e o carbono, que também ficou sozinho, também se associa ao oxigénio, criando o dióxido de carbono."
"- Se bem entendi, a
energia não está no carbono (...) Está no hidrogénio"

Depois de falar de quais os hidrocarbonetos mais energéticos o cientista pergunta:
" E se, em vez de queimarmos um combustível que tem carbono e hidrogénio, queimarmos apenas hidrogénio?"
(...)
Ou seja,
eu não preciso do carvão, do petróleo ou do gás natural para nada. Apenas preciso do hidrogénio"

A resposta àquela importantíssima pergunta é que deixamos de produzir dióxido de carbono. Simplesmente porque sem carbono, não há dióxido de carbono...

Então, voltamos ao princípio: aonde vamos nós buscar hidrogénio em estado puro?
A resposta é também simples: à água. Vamos buscar o hidrogénio da água, através da electrólise, que não é mais que um processo de decomposição química através de uma corrente eléctrica.
Submetidos a essa energia os átomos de hidrogénio separam-se dos de oxigénio e juntam-se aos seus semelhantes, com essa energia armazenada. Se invertermos o processo, voltamos a ter água. Com a vantagem de podermos usar aquela energia armazenada, que então se liberta.


Imagem animada extraída de Hydrogen-FC


Para podermos fazer isso precisamos de uma caixa, com duas partes que separam oxigénio e hidrogénio. Na parte deste elemento "posicionamos um metal especial, designado catalista, de modo a provocar uma reacção química que forçará os átomos de hidrogénio a soltarem-se." Como "não suportam a solidão", vão associar-se ao oxigénio, através de um segundo corredor, "instalando um fio metálico entre os dois lados da caixa".
"- O protão do átomo de hidrogénio passa pelo electrólito e o electrão tem de ir pelo fio metálico."
"(...) Um electrão é, na prática, uma descarga de corrente eléctrica, o que significa que a sua deslocação liberta energia sob uma forma que pode ser usada para o que quisermos".

Para o que quisermos!
Se TODOS quisermos, porque se os que têm os meios não quiserem, continuaremos a percorrer este caminho sem futuro e que não muda.

Ponto de água da Penha

"A Câmara Municipal de Guimarães levou a cabo um considerável investimento com a construção do Ponto de Água da Penha, na senda do trabalho que tem vindo a realizar na Prevenção de Fogos Florestais. (...)

O Ponto de Água da Penha é uma infra-estrutura de abastecimento de água com capacidade de armazenamento de 2600 m3 de água, fundamentalmente proveniente de minas e de um furo artesiano. (...) É devidamente impermeabilizado, vedado para protecção de pessoas e fauna.

Constitui-se como um precioso meio para ser utilizado pelos Bombeiros, quer para meios terrestres, quer para meios aéreos (helicópteros pesados) e destina-se a defender a Montanha da Penha, mas também as manchas florestais do concelho de Guimarães, assim como a região envolvente."


Publicado a 09 de Setembro 2008, no cm-guimaraes.pt

quinta-feira, setembro 11, 2008

Coimbra: próxima paragem

Vidal: Rua da Matemática, Maio 08

Coimbra B: Estação velha. “Tem que ir até Coimbra A, no centro”, presume-se, então que no centro é a estação nova(?). Não Parece. Desde o início da década de 1990 que a distinção me faz pasmo. E continua. Mas eu não continuo a ir a Coimbra. Ou vou muito pouco, raramente mesmo e, das últimas vezes, por motivos de doença de pessoa conhecida. Despojei-me de Coimbra. Lambi as feridas, voltei, fui não sei onde e voltei.
Coimbra foi a minha geografia humana durante uns bons cinco anos. Base de partida para outras descobertas e assim continuou mesmo quando já lá não vivia. Mas tudo isso foi há muito tempo, tanto que ainda existia o “Abismo” perto do Norton de Matos e o “Moçambique” panque na Praça da República, onde eu comecei a rasgar as calças e passei com distinção nas viagens pendulares ao WC. A “minha” Coimbra era pequenina, a das repúblicas (algumas), das viagens intermináveis, dos desvarios previsíveis, das tasquisses mundanas; não era a Coimbra académica, era a estudantil sim, mas a Coimbra dos coimbrões (não são forricas, não!), estava lá a estudar como se estivesse a trabalhar e era de “lá”, como todos os outros.
Lá aprendi a beber absinto, genebra, martini gin e a deambular mesmo sentado numa esplanada. Lançavam-se (literalmente) fanzines para a rua, escavacavam-se argumentos entre “facções” nas mesas de café. O Carlinhos velhote despia-se num happening/perfomativo (hoje em voga) de rua e vendíamos todos os fanzines.
Em Coimbra os empregados de mesa eram companheiros de mesa, da noite e da serventia, se necessário fosse. Os empregados tinham nome. E alguns eram amigos. Em Coimbra aprendi a beber absinto com favas estufadas às cinco da manhã e, de certa forma aprendi a amar, ou desaprendi, já não recordo bem. Era a Coimbra da “cave das químicas” com concertos e festas fabulosas, da “States”, dos Tédio e do tédio, das iscas de fígado ao fim da noite no “mija cão” ao som dos Nirvana; da Venda do Sr. João que era do Belenenses e na qual não se podia dizer palavrões. A minha geografia Coimbrã carrego-a tatuada no corpo e confunde-se-me, por vezes, com a alma.

Durou pouco, um, dois anos, antes da mordaça pós-moderna enlatar-nos os dias. Apenas ficou algum refugo dos anos “loucos” da década de 1970/80. Depois veio o teatro, mais no café que no palco; os esquerdismos balofos e de fancaria e um conservadorismo sem lastro. O casario da alta e da baixa, antigo, velhote, digno, por vezes taciturno, outras alegrete foi-se tornando decrépito e sujo. A cidade, ainda mais, se enquistou na colina sagrada. Uma caricatura de si própria. Pior: cada vez mais parecida com “outras”.

Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a (minha) geografia de Coimbra.

quarta-feira, setembro 10, 2008

O que não vemos...

Clique para lerPúblico, 04.09.2008, p.16

Não há como contornar: o que nasce, nasce de algo. (Deixemos de lado as explicações criacionistas religiosas...).

Vários factores contribuem para um dado resultado. Os fenómenos regionais podem ter (e muitas vezes têm) causas exteriores à região. Já o aplicamos quando se falou de globalização. Os furacões, como outros factores que representam um risco (até que ponto meramente natural?) para as populações, ENGLOBAM-SE na tão propalada questão das alterações climáticas.

As coisas que não sentimos, podem ser tão pequenas como 0,3 graus célsius, mas em certos fenómenos, o factor multiplicador é grande e incontornável.
Que são 0,3 graus? O nosso corpo nem o sente...

Mas a frequência e a intensidade dos furacões cada vez mais noticiados nos últimos tempos deixam marcas, em forma de estatísticas e danos materiais e humanos.

Quando deixamos de olhar para o lado, deparamo-nos com cenários de destruição.
De menosprezarmos o que não se vê, passamos a não conseguir evitar o que se abate sobre nós.

terça-feira, setembro 09, 2008

Braga: acidente grave II

Rua dos chãos, 9 Set. 08. O edifício em requalificação e a seu lado o que ruiu. No local confundem-se.

Fachada do edifício em ruínas

Se eu bem percebi, pelas imagens é difícil, a cratera por detrás dos dois edifícios é significativa. Acresce que estes, e aliás, todos os outros edifícios desta rua confinam uns com os outros. Sem especulações, não se pode mexer num sem conhecer o estado dos outros. E mesmo assim…
A rua mantém-se encerrada ao tráfego.

E entre 2 x 2 e bê-á-bá...

Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.
Mas ninguém acusa as margens que o comprimem!
Bertolt Brecht



Ler para relembrarDiário do Minho, 07.09.2008, p.3


Hoje em dia, levarmos com uma notícia destas é quase insólito. Como é que foi possível tamanha razoabilidade?
A questão é mais complexa do que o que parece, mas dito desta forma, espantamo-nos como é que é possível ainda estarmos a discutir as questões básicas da ocorrência de cheias em meio urbano...

Ao ver um mapa, a carta topográfica, o googlemaps alguém já esbarrou com o caminho que o rio Este faz desde que entra na cidade até que sai? Já alguma vez viram curso de água tão recto em tão pequeno percurso? Pois cá por casa, se pudéssemos acelerar como fazemos nas estradas, era neste afluente do Cávado que atingiríamos as maiores velocidades.

É esta a concepção que temos de um rio?
Que querem dizer com essa coisa de margens?

"Renaturalizar o rio para minorar cheias" significa tentar recuperar o original, voltar ao princípio das coisas, aquele que se manteve durante tantos séculos e que subitamente foi quebrado. Significa que é patente a insustentabilidade da forma como planeamos as nossas cidades e o papel que atribuímos aos rios que por elas passam (meros escoadouros de resíduos que queremos é ver longe da vista. Por isso apertamos as margens e as fazemos em cimento - para que não fique cá nada, para que tudo seja levado. E depressa!
"- O mar é muito grande!", vamos ainda dizendo
...)

Renaturalizar o rio? Sim, mas fazê-lo em todo o percurso urbano parece-me muito difícil, pois será necessário demolir alguns prédios (um deles bem recente, na zona junto às piscinas da rodovia) e habitações (observar o que se passa no começo da Rua dos Barbosas. Isto para não mencionar o caso de Celeirós, onde depois de passar bem pelo meio do parque industrial é entubado e parece desaparecer da superfície...
Porque esta é a concepção que vamos tendo dos rios...).

Estão a ver a Câmara a demolir prédios? A mesma que permitiu e sua edificação? Em nome de um rio? E para onde vão as pessoas? Estão a ver?
Mas eu, ainda crente, não me espantaria assim tanto se isso acontecesse.
COMO? - perguntais.
Ora, se isso der para sacar dividendos em indeminizações.
Os interesses empresariais e privados infiltram-se no poder para em nome do interesse público conseguir umas massas... Sabem-na toda!

Ah, mas estou a fazer previsões para amanhã e ainda nem chegamos a ontem!...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Braga: acidente grave

 Rua dos Chãos, 18h. Acidente ocorreu do lado esquerdo da imagem junto ao taipal (onde se encontra o camião). Esta imagem não manifesta a dimensão do ocorrido.

Acidente em Braga, mais concretamente na rua dos Chãos em pleno centro histórico. Quando lá passei, pelas 18h o aparato era grande: televisões, bombeiros, policia, protecção civil. Segundo me foi dado entender o prédio (em obras) terá ruído. Aparentemente (as versões são muitas) existem vítimas mortais e pessoas ainda soterradas (operários da obra e transeuntes ?). Uma desgraça, amigos. Sem mais comentários...

Faro, viver a ria...

1º Concurso de Arte Fotográfica do Município de Faro

"O Município de Faro, consciente das potencialidades que a Ria Formosa encerra em si, resolveu chamar as atenções dos portugueses e dos seus munícipes em particular, para a sua área ribeirinha promovendo pela primeira vez, um Concurso anual, onde se procurou a excelência de expressão de cada um na Arte da Fotografia, dedicado ao tema – FARO, viver a Ria.

(...)

No período de 18 de Julho a 18 de Agosto de 2008, a organização recebeu centenas de trabalhos fotográficos, dos quais 219 foram aceites a concurso, pela qualidade apresentada.

(...)

O Júri analisou a qualidade técnica e estética dos trabalhos, tendo como base os seguintes critérios: o tema na sua generalidade e a forma como foi abordado, a qualidade técnica da imagem e a sua composição.

Os vencedores da 1ª edição deste concurso foram:
Monocromo, suporte PapelFoto de Ana Abrão. Clica para aumentar
1º - Ana Abrão (ao lado)
2º - Carlos Sousa
3º - Luís Silva
4º - Carlos Sousa
5º - José Gonçalves






Cores, suporte PapelFoto de José Ferreira. Clica para aumentar
1º - José Ferreira (ao lado)
2º - João Eduardo Pinto
3º - J. Pinheiro Correia
4º - Carlos Sousa
5º - Pompílio Rombinha






Digital – MonocromoFoto de Malin Löfgren. Clica para aumentar
1º - Malin Löfgren (ao lado)
2º - Maria de Cortes
3º - Malin Löfgren
4º - Malin Löfgren
5º - Jorge Manzano





Digital - CoresFoto de Carlos Sousa. Clica para aumentar
1º - Carlos Sousa (ao lado)
2º - Carlos Neto
3º - Tiago Grosso
4º - Malin Löfgren
5º - Jorge Manzano








O Prémio Cidade de Faro foi atribuído à concorrente Malin Löfgren, por ter apresentado o melhor conjunto de trabalhos fotográficos e de consistente qualidade superior."

Organização: Município de Faro, Teatro Municipal de Faro, E.M. e Associação Cultural Música XXI.
Apoios: Águas do Algarve; ALGAR; EPSON; Gráfica Comercial; Hotel EVA; Niobo Fotografia; Studio 8a e Vinilconsta.

Difundido via e-mail.

Inverte-se a marcha...

Clique para ver em detalheImagem extraída do Diário do Minho, 05.09.2008, p.9


A partir de hoje, segunda-feira, 8 de Setembro, o túnel da Av. da Liberdade vai ter trânsito no sentido contrário. As obras que agora começam visam o prolongamento do túnel e a requalificação do topo norte desta avenida.

Não é só nesta artéria que se inverte o sentido do tráfego. Também pelas Av. António Macedo, Rua do Anjo e Rua D. Afonso Henriques se circulará ao contrário do que até aqui. Isto vai obrigar a alguns encerramentos e condicionamentos.

As obras vão aumentar a zona pedonal no topo norte da Av. da Liberdade e prevê-se (estaremos atentos!) que estejam acabadas daqui a 8 meses.

Esta informação está a ser veiculada, com umas palavras mais terra-a-terra, pelo dinossauro Mesquita Machado nos meios do burgo... E é só por essa forma menos formal de se dirigir aos concidadãos que se pode explicar - parcialmente, no entanto - que a mensagem venha acompanhada de um "Pub" (no canto superior esquerdo da imagem). Mas quê? Isto não é do interesse de todos? Será que foi paga?
Quem sabe...
+ info

domingo, setembro 07, 2008

Olha, apetece-me! (III)

Também o regresso desta rubrica.
E as saudades de uma paisagem idílica, à justa medida de um desenvolvimento em equilíbrio. Mais abaixo, acima e a quase toda a volta é o descalabro total, com o turismo massivo, incapaz de proporcionar umas boas férias a turistas conscientes, mas que, graças ao milagre mercadológico das agências de viagem de hotéis sem telhado, vai somando cada vez mais adeptos. Ficam os destroços. Em altura e no chão.

Ver com maior pormenorImagem 3 - Ep Catalunya Canta, pela Polifónica de Gerona (Zafiro, 1961)

Esta imagem é de um disco de sardanas, as canções populares da Catalunha, de um tempo mais protegido do mercantilismo e da rentabilização do espaço. O pormenor dos espaços de cultivo (sim, não parecem meros jardins) junto a cada habitação não é um pormenor qualquer. Pode traduzir uma forma de vida, talvez com menores deslocações para o abastecimento das populações; traduz uma maior ligação ao sector produtivo, um espaço conpaginável com a arquitectura popular, modesta...

Que bela paisagem para um domingo!*

* Nota: aos domingos em Portugal não parece acontecer nada a que a televisão ache conveniente chamar notícias: "morrem uns automobilistas", "a praia está boa", "hoje joga o Benfica" (sempre que o dizem assim, parece que joga sozinho...), "o evento teve muita "aderência" por parte do público", "vai haver sol", e "um gato salvou um homem".
Muito boa tarde e voltamos a ver-nos amanhã.

"CYBER-BUTEKIM" 12

Clica para aumentar Por Toni Stalker, 2005.

sábado, setembro 06, 2008

"O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos




Título: O Sétimo Selo
Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano: 2007
Editora: Gradiva
ISBN: 978-989-616-208-5
Paginação: 504 páginas


Por onde começar?
Qualquer escritor já se deve ter interrogado sobre quais os resultados que o seu livro pode ter. Na sociedade ou no mero leitor. Há alguns que num esforço imenso tentam controlar todas as frases, escolher aquelas palavras e não outras, moderar o fôlego com as pausas necessárias, deixar espaço para pensar, às vezes, ser dúbio... tudo para controlar, para agarrar pelo pescoço o "querido leitor".

Tal como no cinema, onde muitos não procuram - mas não lhe podem fugir - a alienação, eu gosto desse grupo de escritores. Porquê? Ora, porque na minha maneira de ver foram / são capazes do domínio da arte da escrita, da arte de comunicar, de emocionar, de passar - enterrando-a bem em nós! - a preciosa mensagem de que querem a toda a força libertar-se. E sabemos muito bem que chegar aos outros, com ou sem megafones, requer muito trabalhinho...

Que o digam os visionários, desacreditados pela cegueira do presente e pelo umbiguismo dos valores da sociedade... Ou - entrando assim na história deste "Sétimo Selo" - que o digam os cientistas, a quem
- cortam fundos para investigação
- são comprados por empresas
- escolhem sobre o que devem investigar
e / ou
- oferecem balas na cabeça
(e ponto final, parágrafo)

O livro que escolhi para hoje, pela matéria que aborda, não precisa de nada dessa "arte" de manipular os leitores. José Rodrigues dos Santos não é (não há problema em dizê-lo; o próprio tem humildade suficiente para reconhecer que não é a isso que aspira...) um prosador de primeira água, que desses há poucos (e isto sou eu quem o afirma). Jornalista de formação, percebe-se de imediato o intento em transmitir factos reais, baseados e confirmados por quem sabe. E isso é notoriamente o mais importante. Daí que no posfácio não deixe de agradecer aos colaboradores, revisores científicos e conselheiros (diremos quem foram no próximo artigo sobre o livro do mês) que ajudaram a tornar este "Sétimo Selo" naquilo que deveria ser.

E que deveria ser este livro?
(Atenção, afirmo-o já: não fui pago para fazer publicidade, nem sou vendedor da editora que lançou este livro no mercado...
Bem, feita esta a advertência, vou prosseguir)
Devia ser um livro para mudar tudo. A frase na contra-capa está lá e é (não devia, É!) para ser levada a sério:

"Prepare-se para o choque."

(Continua.)

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.


sexta-feira, setembro 05, 2008

Um visão que se tornou realidade...

Há uns dias li este breve texto sobre a Quinta do Lago, que vos transcrevo na íntegra e com alguns comentários meus, entre parênteses e a vermelho:

"26 Abril de 1970...
Clica para aumentarUma suave brisa primaveril envolvia André Jordan enquanto este caminhava por entre o pinhal e praia... (será que alguém, hoje, consegue caminhar, na Quinta do Lago, entre pinhal e praia sem ter um segurança à perna?
Claro que sim... mas, também, entre campos de golfe, moradias de luxo, hotéis, etc.)
tinham-lhe dito que o Algarve estava prestes a tornar-se numa mina de ouro... (uma mina de ouro para alguns, um buraco já sem minério para muitos...)
Na época, um terreno com uma área de 550 hectares (ora, isto dá X campos de golfe, X moradias de luxo, X hotéis, X...), fora propriedade da família Pinto de Magalhães por mais de 3 séculos; depois de algumas dificuldades para encontrar o sítio, ele chegou à antiga casa da Quinta, hoje a Casa Velha; a vista era estonteante (pois era, o meu pai também me disse isso!) e Jordan comentou: “Este é o sítio!E assim, uma visão se tornaria realidade. (Quem bom, estamos todos felizes!)
As negociações para fechar a compra demoraram cerca de 12 meses e Jordan rodeou-se de um grupo de colaboradores de reconhecido mérito internacional, cujas capacidades ele admirava há muito. O primeiro Plano Geral foi concebido por um grupo de arquitectos e engenheiros liderados por Pedro Vasconcelos e Luís Nobre Guedes. (Se foi por arquitectos e engenheiros, estamos descansados!).
A filosofia da Quinta do Lago era oferecer aos seus clientes (Clientes? O território será sempre um produto!), quando eles assim o desejem, a possibilidade de desfrutarem de privacidade, tranquilidade e isolamento (Qualquer empresa de segurança trata disso!) e, ao mesmo tempo, de uma activa vida social e desportiva conjugada com uma ampla gama de infra-estruturas de lazer. (Pois, pena essas infra-estruturas não serem acessíveis à comunidade).

Clica para aumentarUma eficaz campanha de publicidade e marketing, que visava a elite dos EUA e Europa, cedo começou a dar os seus frutos. A Quinta do Lago começou a atrair as atenções de uma série de nomes sonantes da aristocracia, da alta sociedade, do mundo da política, dos negócios e do desporto.
“O período que teve início em finais de 1973 foi de enorme crescimento e vinham compradores de todo o lado, incluindo Portugal, Bélgica e França... nos dias que se seguiram à Páscoa de 1974, foram vendidos 50 lotes em apenas uma semana”, disse-nos Capela, então no Dept. de Vendas (1972).

Mas, com o 25 de Abril em 1974, o sonho de Jordan tornar-se-ia num pesadelo. ("pesadelo"... Começou a dormir com insónias... pronto!)

Em 1975 o estado Português tomou conta da Quinta do Lago. (Poxa! Antes os privados que o Estado a gerir um aldeamento turístico) Jordan volta ao Brasil, e em 1982, quando regressou, apenas o campo de golfe sob os cuidados de Mário Barruncho, se apresentava em condições razoáveis. O mercado imobiliário tinha estagnado. “As vendas pararam por completo e, claro, alguns dos clientes que tinham reservado lotes, retraíram-se”, recorda Capela. (Afinal o 25 de Abril foi mau).

Mas a equipa de trabalhadores (De trabalhadores? Ou de exploradores? Ah! Referem-se à maioria dos retornados e operários da construção civil que ergueram a Quinta do Lago) nunca parou e continuou a acreditar no futuro do empreendimento (onde há lucro, há sempre futuro!); em 1981 a Planal voltou às mãos dos seus accionistas.
Decidido a fazer voltar a Quinta do Lago à sua forma inicial e a convencer potenciais compradores da sua viabilidade, Jordan começa a sondar grandes empresas com vista a atrair novos investidores interessados, não nos pequenos lotes, mas em grandes projectos, e em 1985 já tinha transformado as dívidas de cerca de 8 milhões de dólares em activos no valor de mais de 30 milhões de dólares.
Em 1987, Jordan vende a Planal S.A a um consórcio inglês liderado por Roger Abraham e David Thompson, enquanto a Quinta do Lago goza ainda dos benefícios do incremento imobiliário no Algarve. Em 1989 Abraham vende o consórcio e Thompson nomeia Domingos da Silva Administrador da Planal S.A. e das empresas associadas.
Domingos da Silva tinha agora nas suas mãos a difícil tarefa de manter a imagem da Quinta do Lago e enfrentar a concorrência emergente, criada pelos vários empreendimentos de categoria elevada que surgiram ao longo da costa algarvia (Quantos são? Já são centenas?).
Os anos 90 assistiram à consagração da Quinta do Lago, não só como um dos mais importantes empreendimentos turísticos da Europa, mas também, como líder do turismo de qualidade no Algarve, facto comprovado pelos vários prémios que recebeu. (Sempre acreditei no potencial da Reserva Natural da Ria Formosa).
Em Julho de 1998 os donos da Quinta do Lago mudaram de proprietários e a família Thompson vendeu a Planal, S.A à família O’Brien da Irlanda, os actuais proprietários."


Fotos e texto retirado de quintadolago.com

Apesar de ter nascido no início da década de 80, como algarvio, este texto despretou em mim algo muito forte. Quase que me chegaram as lágrimas aos olhos quando o acabei de ler.
Ainda bem que há pessoas como o Jordan que conseguem concretizar os seus sonhos e de mais alguns...