quarta-feira, abril 30, 2008

Expo Europa e Ambiente 2008

Clica para aumentarJá aqui foi noticiado, no entanto, uma vez que se aproxima da data da sua realização, deixo-vos aqui mais algumas informações sobre este evento.
A Expo Europa e Ambiente terá uma exposição dedicada à União Europeia, às Energias Renováveis e Mobilidade Sustentável intitulada "Expo Europa e Ambiente", animação de rua com a apresentação da peça de teatro "Uma Viagem à União Europeia" e ainda a realização de um seminário subordinado ao tema "A Europa, as Energias Renováveis e a Eficiência Energética" (no dia 9 de Maio). Serão igualmente desenvolvidas acções de limpeza de praia com voluntariado, a pintura de um mural de 20 metros por crianças de 24 países diferentes na Praça do Mar . Está prevista a chegada do II Portugal Lés-a-Lés Ecológico (uma prova em que apenas podem participar veículos amigos do Ambiente, e que começa na Guarda e acaba em Quarteira) e o hastear das bandeiras dos 27 Estados-Membros ao som o hino da Europa com abertura do bolo gigante comemorativo dos 51 anos da UE.
Esta exposição contará com mais de duas dezenas de stands montados na Praça do Mar, em Quarteira, nos quais estarão presentes entidades públicas e privadas empenhadas na divulgação das energias renováveis, mobilidade sustentável e divulgação de energias que ajudem Portugal a atingir os objectivos de Quioto, o desenvolvimento sustentado e a diminuição da nossa dependência petrolífera, de forma a em sensibilizar os cidadãos para os hábitos ecológicos e preservação do ambiente.

Podem consultar o programa de actividades aqui.

+ info
António José Brito
Tel. 964144312

Eu assisti este evento no ano passado e aconselho, vivamente, a todos que gostam (ou não) desta temática a dar um pulinho à cidade de Quarteira para visitar esta exposição.

segunda-feira, abril 28, 2008

E um talk show, não?


"Bartoon" por Luís Afonso
Cortesia "Público" (23.04.08)

domingo, abril 27, 2008

"A legalização de porte de viaturas"

Clica para contemplar Por Phermad, 2007.
[Cartoon publicado originalmente no jornal Barlavento
]

sexta-feira, abril 25, 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

21 minutos de lucidez


Clicar na imagem para ver o vídeo

Convido todos os que ainda não viram este engraçado e muito didático vídeo, "A Origem das Coisas", a verem-no !
Perderão 21 minutos da vossa vida, mas estes 21 minutos podem alterá-la.

E depois de o visionarmos, esta é a pergunta que faço:
Qual vai ser a primeira decisão / postura que vamos adoptar daqui por diante?

terça-feira, abril 22, 2008

Portugal é insustentável?

Hoje com o jornal Público, um suplemento especial dia da terra: "Portugal é insustentável. Mas pode mudar". De borla, na compra do jornal, passe a publicidade. Vamos sustentar o sustentável. Para reflectir...todos os dias.

Biocombustíveis: o bom, o mau e o vilão - parte II


"Fome e sede biodisel"
Tom, Trouw Holanda
cortesia "Inimigo Público" (18.o4.08)

segunda-feira, abril 21, 2008

"A Política do Património", de Marc Guillaume

Marc Guillaume - A Política do Património (1980)
Campo das Letras, 2003
Tradução de Joana Caspurro
Apresentação de Vítor Oliveira Jorge



Doutorado em Economia, Mar Guillaume traz-nos um livro intrigante cuja leitura o coloca no capítulo das reflexões urgentes mas que a prática social remete já para o caixote das obras mais desprezadas de todos os tempos.

Segundo o autor, as sociedades modernas ocidentais vivem cada vez mais obcecadas pelo passado e pela conservação. Trata-se de uma prática consensual que, ao “tornar aceitável o desgaste do quotidiano”, acaba por condenar o próprio presente a uma morte antecipada.

“O passado conservado não é só o que existiu há muito tempo; é o conjunto de todos os elementos que são postos de parte porque deixaram de ser operatórios na sociedade presente. Da mesma maneira, o presente preservado hoje, porque se supõe ser o “passado” de amanhã, é composto por elementos que se julga que “vão passar”, ou seja, cessar em breve de ser operatórios”. (p.89)

Essa luta contra a perda da memória - em última análise, contra a morte - exerce-se bem no seio de um sistema produtivo que assenta na obsolescência, no desenraizamento e na destruição acelerados. Abatidos pelo fracasso resultante canalizamos as nossas parcas energias para a conservação “dos objectos materiais, excluindo o que é imaterial e necessariamente colectivo (a língua, a cultura, as instituições…).

Uma entidade externa que colectiviza objectos memoriais e os rituais que lhes estão associados perturba “o curso normal da memória e dos esquecimento, substituindo um passado vivido pelo imaginário de um passado eternizado. De tal modo que estes objectos, ao passarem a ser colectivos, perdem o essencial da sua eficácia simbólica: deixam de poder concluir o luto - particularmente quando eles próprios desaparecem. Carregados de significações novas, podem durar enquanto o Estado os proteger, porque este considera-os elementos úteis à sua própria semiótica. É por essa razão que o espaço social se satura de objectos comemorativos, de aniversários e de cerimónias, sem que a memória colectiva fique mais rica com isso.” (p.85)

Por entre um esforço insuficiente, cada vez mais individualista, de reencontrar nos destroços do passado alguma identidade surge a figura protectora do Estado, ao qual competirá “assegurar para si o monopólio da memória, reduzir a memória do todo à memória inscrita, conservada, autorizada”.

“Inquéritos sobre a toponímia das cidades mostram que as ruas do centro têm, na sua grande maioria, nomes de personalidades (notários, presidentes de câmara, médicos, doadores, vítimas de guerra) ligadas à cidade. Pelo contrário, as ruas das periferias, e em particular os loteamentos, têm sobretudo nomes sem memória (nomes de plantas, de países ou de cidades, etc.)
Estas hierarquias culturais e espaciais, atentamente geridas por múltiplas instâncias, desenham uma topografia rigorosa cujos valores são explícitos; topografia que deixa também transparecer pela ausência, menos nitidamente, as artes populares, como a canção, ou as novas, como o cinema.
Esta memória autorizada, querendo fazer do espaço e da cidade em particular um texto, semeado de citações, não se interessa pelas denotações mas somente pelas conotações que exprime.”
(p.145)


Foto: Eduardo F., Museu D. Diogo de Sousa
Braga, 14.04.2008

Mas mesmo o Estado realimenta a lógica perversa do processo de conservação-destruição. Os dispositivos de conservação em meio aberto (como paisagens, bairros, práticas culturais) “só muito parcialmente podem suspender as contingências económicas, e a tendência pesada da destruição predomina. (…)
Como está fora de questão, nos países industriais, pôr em causa a acumulação de capital e as contingências da competição internacional, a intervenção do Estado apenas pode ser secundária e compensatória, atenuando ou disfarçando os efeitos mais difíceis de suportar.”

Para fornecer uma compensação para a degradação que ameaça uma paisagem urbana, um bairro é classificado como área protegida. Mas esta compensação, já parcial na sua origem, pode ser esvaziada da sua substância pelo facto de o dispositivo regulamentar das áreas protegidas produzir um espaço privilegiado de valorização económica: os imóveis são adquiridos pelos investidores, remodelados, alugados ou vendidos a preços muito mais elevados do que anteriormente à sua classificação: a operação salda-se pela partida das populações presentes e por uma desestruturação profunda do ambiente vital anterior. A conservação reduz-se neste caso a uma pura materialidade de fachada, que serve de suporte, graças a uma injecção de capital, a novas hierarquias do território e segregações sociais.
O mecanismo em jogo neste exemplo é geral: num mundo submetido a uma destruição maciça, a conservação de alguns elementos isolados forçosamente acarretará a sua valorização económica. Quando um objecto vai para o museu, todos os objectos vizinhos são assim valorizados nos mercados de arte ou de antiguidades. Quando um espaço é protegido porque é visto como “antigo”, “tradicional” ou “natural”, adquire valor, tal como a sua vizinhança. E esta valorização faz quase sempre falhar profundamente o propósito visado - ou aparentemente visado - pela conservação
.” (p.133)

Um livro pleno de actualidade.
A ler urgentemente.

domingo, abril 20, 2008

"Os cavaleiros do Golfalipse"

Clica para contemplar Por Phermad, 2007.
[Cartoon publicado originalmente no jornal Barlavento
]

sábado, abril 19, 2008

Balsa, A Cidade Perdida

Clica para descobrir Balsa"O filme documental "Balsa, A Cidade Perdida" está a realizar a segunda parte das filmagens, que se iniciaram na segunda-feira passada, dia 14 de Abril, e se prolongam durante treze dias.

Está a decorrer a produção do filme documental "Balsa, A Cidade Perdida", realizado por José Manuel de S. Lopes e produzido pela Disfarce Filmes, para ser exibido na RTP2, com a duração de cerca de 50 minutos. A segunda parte das rodagens teve início na passada segunda-feira, 14 de Abril e estende-se por treze dias. Além da RTP2, o filme terá apoios da CCDR do Algarve e de outras entidades.

Balsa era a capital do Algarve no período romano, uma cidade portuária.

Querendo dá-la a conhecer, o filme será a junção de duas partes, uma ficcional e outra documental, que se desenvolvem em paralelo e com autonomia e só se unem na última cena, dando assim um sentido multiplicador ao documentário.

A vida em Balsa e o minimalismo do quotidiano de um balsense serão retratados como ficção.

Por outro lado e devido à quase inexistência de ruínas, a parte documental reconstrói a cidade em 3D e terá filmagens subaquáticas e no sítio onde a cidade se situava. Mostra peças arqueológicas que estão, por exemplo, no Museu de Faro e Museu Arquelogógico Nacional; os restos arqueológicos fenícios, em Tavira, onde se encontrava o primeiro núcleo de Balsa; e entrevistas a especialistas da cidade, que serão os narradores. Conta-se com a presença de Luís Fraga da Silva, Maria Garcia Pereira Maia, Manuel Andrade Maia, Vasco Gil Mantas, Luís Filipe Matos Raposo e José Manuel dos Santos Encarnação.

A problemática central estará em torno do futuro que se dará à antiga cidade. Se continua quase desaparecida e submersa em águas e terras, ou se renasce e permite um estudo e conhecimento do passado e segredos que esconde."

sexta-feira, abril 18, 2008

18 abril: dia internacional dos munumentos e sítios

Clica para entrarTema 2008: Património Religioso e dos Espaços Sagrados

"O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado, pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), em 18 de Abril de 1982 e aprovado pela UNESCO no ano seguinte. A partir de então, esta data comemorativa tem vindo a oferecer a oportunidade de aumentar a consciência pública relativamente à diversidade do património e aos esforços necessários para o proteger e conservar, permitindo, ainda, sensibilizar para sua vulnerabilidade."


+ info

Ainda a construção...

"Iraque"
Hajjaj, Al-Ghad, Jordánia
cortesia "Inimigo Público"(04-04-08)

quinta-feira, abril 17, 2008

Tropeçar

Ler para crer? Ler para crer
Visão, 17.04.2008, pp 114 e 116


Tropeçar acontece-nos quando apanhamos obstáculos no caminho.


Pensei que tinha ouvido mal quando ouvi, pela televisão (tanto faz por que meio, a fonte é sempre só uma...), que a localização estava escolhida. E que o EIA iria estar concluído daí a não sei quantos meses...

(E bastam dois desses média para passar a acreditar que vai mesmo ser assim? Não. São já os tropeções que se continuam a dar, a querer meter os bois à frente do país - Ah! espera lá... é ao contrário... - que me fazem acreditar que, uma vez mais, vai ser assim...)

Tropeçar é um hábito.
E depois?? Eu tropeço todos os dias. Faz bem à saúde!.

Não era o Churchill que dizia algo como "O tempo dos adiamentos está a chegar ao fim. Agora estamos a entrar numa fase das consequências."?
E depois? Algum dia teremos de dar o último tropeção.


- Mas...
e os que cá ficam?
- Tropeçarão também.
- Mas... mas...
- E depois???


(P.S. - parece-me que ainda não ouvi uma discussão que começasse com uma pergunta assim: "E o que é que a nova ponte sobre o Tejo tem a ver com o novo aeroporto?" ou estoutra: "Como é que o TGV vai fazer entrar pessoas em Lisboa?"...
Mas tenho andado distraído. E, como disse, votado algum descrédito aos meios de comunicação para as massas...)

Definição das unidades territoriais para efeitos de organização territorial


Estabelece a definição das unidades territoriais para efeitos de organização territorial das associações de municípios e áreas metropolitanas, para a participação em estruturas administrativas do Estado e nas estruturas de governação do Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007-2013 (QREN)

quarta-feira, abril 16, 2008

Operação: Impermeabilização e betonização total do país!


Vidal: Braga, Abril 08

Este espaço, na imagem, está ainda vivo e recomenda-se à Câmara Municipal de Braga ou a quem de direito, para construção. Sito junto ao Bairro da Misericórdia, oferece uma gama variada de possibilidades e “vistas” para urbanizações modernas, bairros sociais, viadutos e pequeníssimos espaços desportivos devidamente enclausurados entre edifícios e enjaulados para protecção dos transeuntes das feras que por lá circulam. Previna-se, todavia, que poderá encontrar duas ou três árvores e talvez um ou outro tufo de erva, nada de alarmante (e suficiente para WC canino). Pode ainda usufruir de espaços em contexto socio-económico degradado e de expressões artísticas sortidas e em permanente mutação. Acresce, um agradável e constante ruído do tráfego que circula nas várias vias que servem o local, não esquecendo as que por lá passam para outros sentidos. Tudo em prol da modernidade da nossa querida cidade.

Adenda: Depois de sabermos através da última edição do Expresso que Portugal já possui mais quilómetros de auto-estradas (proporcionalmente) que a maioria dos países europeus – não contando com aqueles que nem sequer as tem porque dela não necessitam, nem assenta aí o seu modelo de desenvolvimento, como a “atrasada” Irlanda -soubemos hoje que o presidente da Académica de Coimbra (recentemente reeleito), terá afirmado que estava a pensar construir um novo(!) estádio para a Briosa. Depois da remodelação, que na prática representou a construção de um estádio novo, e depois de vários milhões delapidados em estádios sem qualquer utilidade para a comunidade e às moscas, nada como continuar a pavimentar o país.

Acresce que o Sr. em causa tem vários processos em tribunal por alegados favorecimentos enquanto director municipal da Administração do Território na Câmara de Coimbra ter beneficiado promotores imobiliários em troca de donativos para o clube.

Construir ou não construir, eis a questão?

Como vai este país

"- Olá, Sr. Contente
- Olá, Sr. Feliz.
Diga à gente,
Diga à gente
Como vai este país"


Não me admira que haja senhores felizes e contentes. O mundo é composto da relação de contrários.
A democracia de baixa qualidade que vamos alimentando por incúria, desleixo e inacção destrói a ética com que a política devia ser praticada? (Sim, política para o povo deveria equivaler a ética... mas se calhar sou demasiado ingénuo nestas minhas noções de política...).


Ler para saber mais

Visão, 26.04.2007, pp 64 e 66

Para quem vai, com perdas (há sempre perdas...), poupar-se a ler o texto acima (datado?) deixe-me retirar duas frases sintéticas que ele contém:

"Setenta mil desses hectares jamais verão qualquer contrução. São terrenos reclassificados apenas para fazer subir o seu valor"

e

"Isto [a requalificação de solos] não se faz para obter verbas, mas sim para satisfazer interesses."

Sim. E daí nascem Srs. Felizes e Srs. Contentes.

terça-feira, abril 15, 2008

Diferentes metodologias para a coesão económica territorial...

Ilustração de Fernando Madeira, 2006Tal como prometido na caixa de comentários do artigo "O novo Tratado Europeu" aqui deixo-vos a anedota adaptada, segundo o que o meu pai me contou (de acordo com o que o espanhol, que trabalha com ele, lhe tinha contado):

Com a presidência da União Europeia o Primeiro-Ministro português, José Sócrates, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, decidiram reunir-se com os seus homólogos da Espanha para demonstrar como estão a ser aplicados os fundos estruturais e de coesão da União Europeia.


Os Ministros espanhóis, para demonstrar todo o seu poderio económico, mostraram-se logo disponíveis para receber os portugueses nas suas casas.

Num belo dia, em Espanha, durante um passeio, numa das belas quintas de José Luis Zapatero, vira-se o José Sócrates:
- Caro amigo Zapatero, como conseguiste construir tudo isto?
- Estas la mirar aquela autopista e aquel Hospital?
Pergunta Zapatero.
- Sim, claro. Responde Sócrates.
- Mitad esta ahi. Afirma Zapatero, enquanto aponta para toda a quinta.

No fim da visita a Espanha decidiram marcar nova reunião, mas, desta vez, em Portugal, num dos aldeamentos turísticos de um grande grupo económico português que melhor sabe usar os fundos da União Europeia.

Noutro belo dia, mas em Portugal, a passearem no meio de palácios e palacetes, moradias de luxo, enormes piscinas, vários campos de golfe e courts de ténis, gigantes centros comerciais, e próximos de muitíssimos carros topo de gama dos empresários portugueses, vira-se o Zapatero para Sócrates:
- Hombre, cómo conseguiram construir todo isto?
- Estás a ver aquela auto-estrada e aquele Hospital? Pergunta Sócrates.
- Autopista? Hospital? No, no lo vejo ninguna autopista, tampoco Hospital. Responde Zapatero.
- Pois, está tudo aqui. Afirma Sócrates, enquanto aponta para todo o aldeamento.

Que interessa recebermos milhões e milhões de euros se não sabemos o que fazemos ao dinheiro. Todos de mãos dadas e vamos acreditar que será desta...

Poxa! Isto será mesmo uma anedota? Ou será uma história dramática verídica?

segunda-feira, abril 14, 2008

O Georden entre os nomeados

Após a nomeação do logótipo do Georden no Logo Design Love, foram já vários os comentários que referem o Georden como o melhor. Muito obrigado a todos!

Jacob Cass
Not really a big fan of many of them but if I had to choose one it would be Georden.
Mar 10th, 2008

michael
I can vote for obama “ecogeek” and “georden” clinton for vice president
Mar 11th, 2008

Roberta Seldon
1. Georden
2. Planetsave
3. TreeHugger
4. Going Green
Mar 21st, 2008

Diana H
1. Georden
2. Viropop
3. Ecogeek

Mar 24th, 2008

Chaitanya VRK
Georden is Ok…!!!
Mar 31st, 2008

domingo, abril 13, 2008

"O novo Tratado Europeu"

Clica para contemplar Por Phermad, 2007.
[Cartoon publicado originalmente no jornal Barlavento
]

sábado, abril 12, 2008

Saber viver em comunidade


Coloquei como título "Saber viver em comunidade", mas podia colocar, também, "A união faz a força", "Leões que se tornam gatos", "Búfalos derrotam os Reis da Selva", etc. Filme fabuloso!
Para além do sucesso no YouTube.com e na TV portuguesa, este é um dos filmes favoritos presentes na Videoteca Georden. Visitem-na!

sexta-feira, abril 11, 2008

5 PrOjEcToS na ponta dos dedos...

Clica para conhecer

Ainda bem que se afastaram da denominação "Grandes projectos" ou "Grandes obras", como referiam no anterior site aos projectos que tinham programado. Se antes apelidavam os projectos em curso de "Grandes", que nos leva para a dimensão ou volumetria, hoje estamos a falar de "5 projectos" âncora para o desenvolvimento do Município de Guimarães. Sem dúvida uma mudança súbtil de ver a realidade no que se refere ao planeamento.

Muitos dos projectos já não são uma novidade para ninguém, uma vez que a imprensa local/regional tem vindo anunciar as suas futuras execuções, no entanto, quando consultei o site do Município de Guimarães (faz tempo que não o visitava) fiquei bastante agradado com a disponibilização da informação destes 5 projectos numa palma da mão. Para além de conter os documentos em .PDF, contém, também, uns breves filmes que nos mostram, de forma dinâmica, o que está projectado e o que foi ou é a realidade actual desses espaços urbanos e/ou periurbanos.

Por um lado, espero que estes projectos não fiquem muito tempo na mão e se tornem calos para muita gente. Por outro, espero que ganhem muitos calos com estes novos projectos, será sinal que os desenvolveram com trabalho, tempo, participação e dedicação.

quinta-feira, abril 10, 2008

Biocombustíveis: o bom, o mau e o vilão

TrCom base em novos estudos, o conselho científico da Agência Europeia para o Ambiente defendeu hoje que a União Europeia deve suspender a meta dos dez por cento dos biocombustíveis utilizados nos transportes, até 2020.
Este conselho, composto por 20 cientistas independentes de 15 Estados membros, considera que a meta dos dez por cento é demasiado ambiciosa e terá efeitos “difíceis de prever e de controlar”. Por isso aconselha a sua suspensão e a realização de um novo estudo sobre os riscos e benefícios dos biocombustíveis, bem como a “definição de uma meta mais moderada e a longo prazo, se a sustentabilidade não puder ser garantida”.
In Público online. Ler mais aqui

Seria também interessante reflectir nesse pormenor “colateral”, associado ao facto da UE não ter solo arável, não apenas para cumprir as metas acima referidas, como para ( hoje em dia) plantar seja o que for. É um processo com mil anos. Consequência lógica os EUA e a UE, (para além das sementes e política agrícola), vão querer “ajudar”, os países em África, impondo, claro está, a plantação de cereais. Como referia um cientista recentemente, para alimentar os (nossos) transportes e não pessoas que os produzem. Irónico?
Um questão para se debater por aqui.

quarta-feira, abril 09, 2008

Rubrica semanal de BD/Cartoon estará de regresso

Que vaca será esta?

Olá a todos.

Depois das colecções "R*", "Nau Fragos", a rubrica semanal de cartoons sustentáveis regressa ao Georden. A não perder no próximo Domingo (13.04.08) a publicação do primeiro cartoon da colecção "Quadros Nucleares" de Phermad.

Comunicado para os que já sabem...

Acaba por ser sempre assim: o padre passa a vida a falar para os convertidos...
Mas há que contar com o imprevisto e acreditar que alguém, um dia, entre na capela por engano...

Portanto, a propósito
disto e disto, aqui vai, com uns dias de atraso que não causam qualquer dano, o comunicado integral. (sublinhado vindo da própria fonte):


Plataforma Sabor Livre
Farta de mentiras

Na data em que se assinala o Dia das Mentiras, a Plataforma Sabor Livre (PSL) vem manifestar o seu descontentamento perante as falsas informações que têm sido reiteradamente veiculadas nos media sobre o suposto arquivamento da queixa contra o Estado Português, relativa à construção da barragem do Baixo Sabor.

Constatada a proliferação de falsidades a respeito do Processo Sabor nos restantes dias do ano, a PSL aproveita este Dia das Mentiras para inverter a sua forma de comemoração mais comum, repondo algumas verdades.


Desde o último Agosto que têm sido frequentemente difundidos anúncios do arquivamento da queixa da PSL por parte da Comissão Europeia, alguns deles tendo como fontes Membros do Governo, como foi o caso do próprio Ministro do Ambiente, outros com origem em representantes eleitos do poder local dos Municípios onde está prevista a construção da barragem do Baixo Sabor. Nenhum desses anúncios foi alguma vez confirmado pela Comissão Europeia, demonstrando uma total irresponsabilidade por parte do poder político nacional.

É falso que o processo de infracção junto da Comissão Europeia tenha sido arquivado. O mesmo, aliás, está longe de estar terminado, não existindo qualquer decisão definitiva que tenha sido formal ou informalmente transmitida à PSL.

O que é verdade é que, no passado dia 28 de Janeiro, a Comissão Europeia solicitou à PSL uma opinião fundamentada quanto ao desenlace do processo, tendo a Plataforma apresentado, em 27 de Fevereiro, o seu parecer, onde demonstra, de forma exaustiva, as diversas infracções em matéria ambiental provocadas pela eventual construção da Barragem do Baixo Sabor.

As pressões exercidas por diversos grupos de interesse, no sentido de viabilizar a construção da barragem, quer junto das instituições Europeias e que decidem o seu co-financiamento, quer junto da comunicação social, quer mesmo junto das populações, demonstram claramente o desespero destes altos responsáveis, que pretendem subjugar o interesse público intergeracional aos interesses imediatos e sem futuro.

Alternativas com menores impactes ambientais e menores custos económicos têm sido sucessivamente ignoradas. Se não houvesse ainda provas suficientes da existência destas alternativas, as mesmas foram cabalmente expressas no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que estudou 25 alternativas e seleccionou 10 delas. A barragem do Baixo Sabor foi ostensivamente excluída da avaliação levada a cabo pelo PNBEPH, uma vez que, face aos critérios utilizados para seleccionar os 10 empreendimentos, teria sido imediatamente rejeitada, por afectar a Rede Natura 2000.

Também o facto de ser lançado o concurso público para a construção da Barragem do Baixo Sabor, pela empresa de electricidade adjudicante, é uma tentativa de acrescentar valor à empresa sem bases fundamentadas, podendo dar sinais distorcidos e contraditórios ao mercado mobiliário.

As opções irresponsáveis dos decisores portugueses ficaram ainda expressas na falta de ambição do recentemente apresentado Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética, que se limita a prever uma redução de apenas 10% dos consumos até 2015, num país que tem uma das mais baixas taxas de eficiência no uso da energia eléctrica e que poderia poupar até 40% com medidas muito mais baratas e sensatas do que a construção de barragens.

É certo que a construção de barragens virá ao encontro do interesse de alguns, mas não beneficiará certamente o interesse das populações locais. Aliás, se as barragens criassem riqueza local, as zonas do Alto Cávado e Alto Douro seriam, de longe, as mais ricas do País. Infelizmente, todos sabemos que não é assim, sendo, pelo contrário, das que enfrentam maiores dificuldades de subsistência.

A solução de construir mais empreendimentos de produção de electricidade sem cuidar do uso eficiente da electricidade torna a economia portuguesa cada vez menos competitiva e, portanto, cada vez mais depauperada e incapaz de descolar para a eco-eficiência e para sustentabilidade.

Lisboa, 31 de Março de 2008

Plataforma Sabor Livre:
Associação Olho Vivo,
FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens),
GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente),
LPN (Liga para a Protecção da Natureza),
Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza) e
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves)

terça-feira, abril 08, 2008

O meu país: reflexões avulsas

Ultimamente tem-se comentado muito as grandes obras públicas, designadamente para a área metropolitana de Lisboa. Curiosamente, num ano apenas, os grandes desígnios nacionais, as grandes obras (onde já ouvi isto?), a alavanca que nos irá catapultar para qualquer coisa, foram analisadas, argumentadas e praticamente decididas. Ora, a mim intriga-me o facto de, por ex., no caso particular do aeroporto a coisa espraiar-se por 40 anos e relativamente à travessia sobre o Tejo, concretamente para o Barreiro, ter, pelo menos, 20 anos de “reflexões”, “apontamentos” e “estudos”. Das duas uma: ou se andou a perder tempo (e muito dinheiro) em estudos, mezinhas, aconselhamentos, “diálogo”, e não se pretendia fazer nada (sendo que mesmo tendo em conta a complexidade das questões, convenhamos que 40 anos é sempre demasiado); ou, dizíamos, esta alavanca foi forçada por algo, que eu pessoalmente desconheço, tendo obviamente em linha de conta mais uma vez, que a complexidade das questões não se terá esfumado.

Acontece que estas pequeníssimas coisas custam dinheiro. Custam dinheiro os estudos, os atrasos, o tempo a passar, as expropriações, indemnizações, adiamentos, e por fim, a obra em si mesma…mais as ligações, acessos, impactos ambientais (deste último, nem um pio, só no fim).

A complexidade de gerir isto com o ordenamento do território parece-me, de todo, esquecida ou, pelo menos, colateral. Isso mesmo é sustentado, na forma retalhada como se vai tomando decisões, colando-se depois as partes que certamente não irão fazer um todo.

Ainda recentemente um especialista em economia regional e planeamento territorial, (com duas décadas de experiência) me confidenciava que se continuava a fazer tudo de forma fragmentada para não dizer negligente, atentando apenas em critérios e análises quantitativos ou estatísticos (ainda assim pouco adaptáveis às especificidades dos locais), sem um enquadramento de carácter sociológico, histórico e psicológico. Não se podendo “pensar” um país, quando o ordenamento do território é feito de forma estanque e, por outro lado, sem superfície de contacto, com o mapa judicial ou das urgências, entre outros, levando a casos caricatos de centralizações acumuladas e de territórios regionais desconexos.

A expressão da litoralidade e a bipolarização que vem do séc. XIX, um modelo da época de Fontes Pereira de Melo, acentua-se a cada ano que passa, sob a capa do desígnio nacional. Foi assim também com as auto-estradas, começadas (como dizia um amigo meu) ao contrário e que quando chegam ao destino não encontram ninguém.

Acresce que paradoxalmente (e sem rir) quer-se atrair investimento e massa critica para o interior, fixando populações, e ao mesmo tempo, fecham-se equipamentos indispensáveis para aquelas (especificas!) populações.

Todas estas acções provocam reacções, com consequências nas cidades, potenciando as migrações e o aumento populacional das áreas metropolitanas, a betonização, concentração das forças produtivas, (e dos equipamentos), tráfego, danos ambientais e na qualidade de vida e, consequentemente, mais construção e obras públicas, num ciclo vicioso.

Por último e mais importante, será interessante saber quanto custam (e já custaram) todas as obras, incluindo o TGV, e já agora, quem vai pagar? Não seremos nós todos?

Adenda: Tudo isto me recorda a notícia do dia: quando auscultado sobre o encerramento de duas grandes unidades fabris, a Delphi e a Yazaki (cerca de mil funcionários para o desemprego), um responsável governamental terá afirmado que serão encaminhados para os técnicos dos centros de emprego. Formação profissional e criação de empresas são a solução milagrosa. Os trabalhadores já devem estar mais descansados…

segunda-feira, abril 07, 2008

"Tudo o que sempre quis ignorar..."

Clica para ler Fonte: Diário de Notícias, 06.04.2008, pp. 20-21

sábado, abril 05, 2008

Estudos sem nicotina...

Mobile phones could kill far more people than cigarette smoking or asbestos, a study by a leading cancer expert has concluded.

Via Dragoscópio

Sem rir e sem mais delongas ou comentários, seria interessante saber a posição do Sr. Engenheiro, preocupado, como se arroga com a nossa saúde e bem-estar. Talvez...locais para telemóveis? Quem sabe, dividir áreas para quem opere com ou sem?
Palavra que até fazia falta. Mas aposto, aposto, que lhe iam à carinha laroca, como no caso da outra com a Stôra, lá no Porto.

sexta-feira, abril 04, 2008

Rumo a Pequim...

Pequim 2008
Chappatte "Le Temps", Genebra
Com a cortesia do "Courrier Internacional"

quarta-feira, abril 02, 2008

Braga: circular é viver?

Os transportes públicos de Braga são uma fábula. São transportes, são colectivos, são de passageiros, mas não cumprem a sua função: retirar carros da cidade; transportar as pessoas de forma rápida; criar uma rede fiável com horários alargados e bem definidos, sistematizados a pensar nas áreas de trabalho, residência e lazer. Mas não estão sozinhos na contenda.

Recentemente, vindo eu da Universidade do Minho em Gualtar, decidi, ao fim da tarde fazer a viagem para o centro (Braga Shopping) de autocarro. Assinale-se que este trajecto (faço-o muitas vezes a pé, outras vezes a várias horas de BUS, e compreendo bem que outros o façam de carro) demora cerca de 25 minutos.

De autocarro, pelo menos, no que está estabelecido na volta, serão menos de vinte. Não é muita a diferença, mas a determinadas horas e com chuva é importante. Acresce que, quando mais é necessária, isto é, nos movimentos pendulares casa/trabalho, ou Universidade/casa, de manhã e ao fim da tarde, é um verdadeiro pesadelo. Desde logo, é certo, porque há carros a mais; desde logo porque estaremos em hora de ponta (o que em Braga, no centro, é o dia todo, confinado que está o tráfego a meia dúzia de ruas projectadas para outras andanças); desde logo, porque se estaciona em qualquer lado. Todavia, é importantíssimo esclarecer que na cidade não existem corredores BUS, ou se existem (nas palavras camarárias), são pseudo corredores, em que o transito num dos sentidos (e durante pequeníssimos trajectos e em número reduzido) é permitido apenas a estes, em ruas estreitas, sendo que no outro sentido circulam (e confluem para ambos), carros e autocarros, sempre com apenas duas faixas de rodagem. Normalmente o BUS circula com os outros veículos, com consequências óbvias em termos de tempo, conforto e qualidade final do serviço.

No caso do trajecto que efectuei no autocarro de Celeirós (várias linhas circulam com passagem no centro), após um cruzamento, ainda sensivelmente no início da rua de Santa Cruz (no sentido UM / Centro) a circulação apenas é permitida ao BUS (não se trata de um corredor definido), tal não se verificando no inverso (estamos perante apenas duas faixas). Ora, com saída às 18h45m demoramos uns bons 15m a chegar ao fim da rua, talvez mais. Carros estacionados em ambas as bermas, obras, e simplesmente carros e autocarros a não conseguirem cruzar, não ajudaram. Não se pense que ao chegar à rodovia a coisa melhora. Pelo contrário. Não existindo qualquer hierarquia de ruas, todos os caminhos desaguam na dita. Mais a mais, há muito tempo que esta zona está saturadíssima, enclausurada em trânsito, estacionamentos, prédios, centros comercias. A denominada rotunda do Feira Nova, estava digna de um filme de terror do mais gore que possam imaginar.

Enfim chegados à D. Pedro V (rua relativamente estreita, com apenas duas faixas), já carregando uma boa meia hora de viagem, deparamo-nos com o costume por estas paragens: muito tráfego; carros estacionados em ambos os lados; estacionamentos em segunda-fila (inacreditável), os condutores apenas na conversa (ou para ir buscar o menino); carros em velocidades verdadeiramente celeradas em espaços exíguos (tipo poço da morte); e o BUS que, nesse sentido (durante parte da rua), dispõem de aparente (já que com as intersecções de vias, saídas de estacionamentos e garagens, não se percebe bem) prioridade, simplesmente não consegue passar, porque no sentido contrário circulam também autocarros (o que já é o bastante, pasme-se, para não cruzar a qualquer hora do dia), e carros saídos, literalmente, de todas as direcções. Se juntarmos a isto os estacionamentos, as não cedências de passagem, bem, é impossível…descrever. Acresce que o BUS tem paragens, praticamente em cada cem metros (algum critério?).

Chegados à Rua de São Victor, mais do mesmo. Largo da Senhora a Branca. Paragem.Ufff: quase 45 minutos de viagem.

Este trajecto até nem seria dos piores se existisse um planeamento sério dos transportes. Quando refiro transportes, englobo trajectos de BUS, existência de corredores, controlo do estacionamento, alternativos rodoviários (estamos perante um eixo antigo que liga o centro da cidade a Gualtar e Bom Jesus, e que já foi servido pelo eléctrico até aos anos 1960) e, pedindo muito, pensar a cidade como um todo, já que falamos da …mesma cidade. Relativamente ao civismo e cidadania, estamos conversados.

Uma possibilidade seria também o eléctrico ou o metro de superfície, mas tal deveria ter sido levado em conta aquando da pedonização alargada e mal estruturada de parte importante do centro (mas poderá afigurar-se como alternativa se não pensado como projecto turístico ou pseudo saudosista), e do sistema de transportes que não foi programado para funcionar, em termos práticos, como transporte público. Os problemas não são de hoje, reflectem uma ideia errada de crescimento da cidade que já tem quatro décadas mas que agora se agudizou.

Na realidade nós sabemos que o transporte público em Braga é cogitado em termos sociais e vai de encontro à máxima portuguesas de que quem não tem carro caça com BUS. Ainda é um mini tabu andar de Bus. Coisa de velhotes, alguns estudantes e…pobres. E assim o pensam técnicos e sobretudo o poder político, que, obviamente não os utiliza. Antes de pedirmos a redução da viagem Porto/Braga de comboio para 40 minutos deveríamos reflectir nestes 45, a carvão.

Adenda: Acresce referir que já fui utente diário dos TUB (transportes urbanos de Braga) durante mais de um ano e ainda os utilizo. Voltaremos ao assunto.

terça-feira, abril 01, 2008

Olha, apetece-me! (II)

Já a havíamos começado aqui. A segunda capa não é propriamente sobre paisagem, mas também vai um pouco por aí.

Imagem 2 - "Não Deixes que Calem Mais a Tua Voz" - Conjunto António Mafra (Ep, 1974)


É com acontecimentos assim que as praças são vividas na sua plenitude, cheias até rebentar com as costuras. Não reconheço muito bem o espaço retratado (parece-me a Praça Duque de Saldanha, mas agradecia a vossa participação) mas aí está ele como dificilmente o veremos, repleto. Foram assim, os dias pós-revolução de um Abril muito diferente deste em que entrámos hoje. Parece mentira?

A dominação contém uma grande quota parte de aceitação, de anuência, por parte daqueles que são dominados. E uma coisa é certa: se enchermos as praças de carros, dificilmente poderemos ocupar esse espaço com pessoas. A menos que se ponham em cima deles, o que também era bonito. Sobretudo se forem os seus carros.

Na torrente revolucionária que tudo arrastou, e que extinguiu, por uns tempos (vá lá, dias...), todos os seus opositores, os indiferentes e os saudosistas, todos vieram para a rua misturar-se na população eferevescente. Viva os camaleões! Viva a união popular!

Os senhores que estão em grande plano (ok, são eles as estrelas, os protagonistas, por assim dizer) nem se deram a esse trabalho. O eles terem estado ali parece-me tão mentira como a bela disposição das flores (parecem cravos) que os enfeitam.

April fools' day!
Iupi!

segunda-feira, março 31, 2008

Desenho urbano e espaços públicos (II)

Eis a segunda parte (ponto 4) do excerto do artigo de Miquel Martí "La renovación del espacio público en Barcelona (1979-2003)", retirado da Urbanismo #17 (Revista da Associação dos Urbanistas Portugueses), de Verão de 2004.

4 - ... Para espaços públicos transparentes e contextuais.

Em 1987, quando a renovação urbanística de Barcelona começou a centrar-se nas grandes obras do período olímpico, o Servicio de Proyectos Urbanos (SPU), criado em 1980 com o fito de implementar os projectos de espaços públicos, encetou também uma nova fase. A partir daquele momento, todos os projectos de espaços públicos seriam desenhados por arquitectos pertencentes ao SPU, quando até 1986, a metade dos projectos, especialmente os dos espaços mais importantes, tinham sido entregues a arquitectos externos de reconhedido prestígio. Com esta internalização do processo de desenho pretendia-se forjar uma cultura do espaço público a partir das experiências e explorações dos seis primeiros anos. O resultado foi uma série de espaços projectados em finais dos anos oitenta e princípios dos noventa baseados num plano horizontal unitário e totalmente legível, e um trabalho meticuloso com os elementos urbanos, meticuloso no número de elementos, no desenho de cada um deles e na sua implementação.

A Avinguda de la Catedral foi construída como protótipo dos novos projectos. Colocou-se um pavimento de pedra completamente contínuo ao longo e a toda a largura do espaço, até aos limites das fachadas que o definem. Ainda que os carros tenham acesso a certas partes da praça (para aceder ao parque subterrâneo ou para cargas e descargas), todos os desníveis dos passeios pré-existentes foram suprimidos, criando um plano horizontal integrado onde os peões têm total prioridade. Os elementos urbanos foram reduzidos ao mínimo: um alinhamento de árvores e candeeiros, alguns bancos e os acessos ao parque de estacionamento.
A junção destes elementos constitui uma parte essencial do projecto: todos estão ordenados segundo uma mesmo alinhamento paralelo às fachadas, diferenciando um espaço linear vinculado ao comércio de planta baixa dos edifícios residenciais, de grande espaço livre, unitário e aberto às edificações administrativas e institucionais.
Por último, o desenho dos elemntos urbanos é fundamental. Nos desenhos personalistas dos anos oitenta, cada projectista criava os elementos que ia utilizar, que em muitos casos ficavam estilizados para reforçar a sua imagem visual. Em 1989 criou-se uma Unidade de Elementos Urbanos (UEU) com o objectivo de desenhar elementos minimalistas e estandardizá-los. Os acessos ao estacionamento subterrâneo da Avenida da Catedral, uma estrutura de vidro que integra as escadas e os elevadores, e transparente o suficiente para permitir a visão para o outro lado, é um exemplo claro deste desejo minimalista de elementos urbanos que passem praticamente despercebidos.

Neste sentido, a primeira característica dos novos espaços é a sua transparência. Ao contrário dos projectos do primeiro período, que tentavam focar a percepção em si mesmos, os novos espaços centram a atenção na envolvente construída, e antes de tudo, nos usos e actividades que aí se desenvolvem. Já não aspiram a ser espaços públicos monumentais a partir da sua configuração do plano horizontal. São espaços desenhados para oferecer cenários apropriados à vida da cidade, tanto para a vida do quotidiano, como para os eventos colectivos singulares.
O laconismo formal dos espaços convida a cidade e os cidadãos a tomarem a palavra. Isto significa uma mudança importante na concepção da dimensão cívica dos espaços públicos, na reflexão sobre como eles podem constituir uma expressão da esfera pública.
Em vez de propor formas facilmente identificáveis que representem em si próprias o âmbito público, os novos espaços oferecem entornos legíveis aptos a gerar experiências de diversidade social de espaços públicos inclusivos, uma manifestação tangível da esfera pública contemporânea. Os espaços públicos transparentes estão concebidos para potenciar encontros e interacções, a vivência cívica de ver e ser visto, a experiência da convivência na diversidade.


Foto Eduardo F. - Almeirim, 24.10.2007
Ligação no GEOramio
A foto retrata uma das muitas ruas compridas (neste caso, a Rua do Brasil), e paralelas, de Almeirim. Note-se a diferença do piso, godos quartzíticos, quando entramos nestas ruas. O uso maioritariamente residencial talvez não seja alheio a esta tentativa de distinção (apesar de criar mais ruído quando se circula de automóvel por este piso, é um pavimento que convida / mais adequado a velocidades mais reduzidas)

Em segundo lugar, estes espaços públicos transparentes mudam também a forma como os projectistas concebem o seu desenho. A criatividade pessoal aplica-se não ao desenho de formas expressivas, mas à selecção e combinação subtil dos elementos. Não se trata de desenhar um objecto formal, mas de jogar com uma linguagem de elementos urbanos simples (incluindo pavimentos, mobiliário urbano e elementos vegetais), que podem até ser padronizados. A criatividade centra-se na sintaxe desta linguagem. Ao mesmo tempo, a transparência dos espaços contribui para a sua abertura ao entorno urbano. Desta maneira, os projectos sintáticos são muito mais contextuais. Inspiram-se mais nas condições locais, em vez de se basearem em imaginários e temáticas pessoais.

Se pegamos no exemplo da Avenida da Catedral, o alinhamento dos elementos urbanos está localizado tendo em conta as diferenças formais e funcionais da fachada residencial, os bancos concentram-se exclusivamente em frente à catedral e aplica-se um trabalho subtil ao pavimento. A orientação das lajes de pedra muda no antigo limite da pequena Plaça Nova, que desapareceu quando parte dos edifícios que ocupavam o actual espaço da avenida foram destruídos durante a Guerra Civil Espanhola. Através desta mudança praticamente imperceptível, o espaço linear dinâmico que liga o Eixample, a extensão do século XIX, com a cidade medieval, distingue-se do espaço muito mais estático e contemplativo que se extende à frente da catedral. Quando se entra no antigo recinto da cidade romana, o tipo de lajes mantém-se, mas o material muda para indicar esta mudança do percurso histórico. Da mesma forma, o pavimento de pedra é substituído por relva para pôr a sua singularidade em relevo. O diálogo com a envolvente urbana oferece ao projectista tantas ou mais possibilidades criativas que as permitidas pela inculcação de uma marca ou estilo pessoais.

(...)

Tradução do Castelhano por Eduardo F.

Penso que no texto fica elucidado o papel dos pormenores na percepção e apropriação dos espaços públicos. Criação de uma imagem identificável, sim. Mas relacionando-a com a envolvente, com os seus usos e actividades. A fragmentação é, portanto e seguindo este raciocínio, sinal de desapropriação: o carácter museológico dos centros de muitas cidades europeias (com restrições de usos, e as leis do mercado a remarem em competição) afasta-os da fonte de vida, que são os seus habitantes.

Este é um assunto a que voltaremos em breve.

sábado, março 29, 2008

Jornadas de Geografia e Planeamento 2008

Clicar para entrarJornadas de Geografia e Planeamento 2008

29 de Abril de 2008

Palácio de Vila Flôr, Guimarães

"Imagem e ciberespaço constituem dois dos grandes temas em torno dos quais se revêem teorias e práticas geográficas, pelo modo como as tecnologias da experiência, dentro das quais se articulam cultura visual e cultura virtual, remetem para espacialidades alternativas, mas também pelo modo como tais tecnologias denotam a emergência de uma pluralidade de Outras subjectividades e de Outros quadros relacionais. Implodindo a “naturalização” de paisagens culturais que povoam o imaginário geográfico ocidental moderno, imagem e ciberespaço forçam a compreensão dos sistemas de signos geográficos que circulam como construções neutras forjadas para a legitimação de uma muito específica ética sobre a qual assenta a organização dos arquivos culturais modernos; a relação do ser humano (como sujeito activo) com o ambiente físico (como objecto passivo) enquanto categoria moral central. O debate que propomos com as presentes Jornadas pode precisamente partir desde este ponto, em que torcemos o texto geográfico até que este nos deixe perceber o que está para lá de uma tão grande construção, uma construção situada num tempo e espaço específico que herdamos como cosmovisão."

Organização

Departamento de Geografia da Universidade do Minho

Desenho urbano e espaços públicos

Em dois artigos anteriores (aqui e aqui) referimo-nos brevemente a alguns elementos urbanos que ajudam a forjar identidades e caracterizar as praças públicas (no caso de Braga).

Segue-se a primeira parte de um excerto (ponto 3) de um texto de Miquel Martí, "La renovación del espacio público en Barcelona (1979-2003)", retirado da Urbanismo #17 (Revista da Associação dos Urbanistas Portugueses), de Verão de 2004. Nele se aborda essa questão das identidades espaciais, da legibilidade do desenho urbano. São assuntos que se relacionam com a obra de Kevin Lynch "A Imagem da Cidade", que foi livro do mês em Dezembro passado.


3 - Do Desenho dos Espaços Públicos Singulares, Monumentais e Pessoais

Desenhar espaços públicos na cidade compacta existente, com envolventes edificadas consolidadas que não deviam ser substancialmente modificados pela intervenção no espaço público, aparecia nos começos dos anos 80 como um campo particular e autónomo dentro do desenho urbano para o qual não existia em Barcelona uma experiência e um saber acumulados. Os arquitectos que empreenderam o processo de renovação da cidade abordaram estes projectos como se de objectos de desenho se tratasse. Cada espaço público era tratado considerado como uma entidade autónoma que devia ser convertida numa peça única do espaço público, como uma obra marcada com o cunho próprio do seu autor.
Estas abordagens pessoais dos autores coincidiam perfeitamente com a vontade municipal daquela época de monumentalizar a cidade através da nova política dos espaços públicos. Esta ideia de monumentalidade requeria espaços que constituíssem episódios urbanos facilmente reconhecíveis. Os espaços públicos, através do impacto do seu desenho formal, deviam contribuir para que os cidadãos se apropriassem deles e se identificassem com eles. O recurso extensivo às esculturas como elemento central em muitos destes projectos era a expressão mais simples desta monumentalidade, já que rapidamente se incorporavam no imaginário urbano dos seus habitantes. Esta era a concepção cívica do espaço público neste primeiro período: espaços formalmente expressivos, facilmente identificável com a intenção de representar uma esfera pública que os cidadãos pudessem sentir como própria, valiosa e colectiva.
Estes desenhos monumentais e pessoais originaram lugares estilizados, introvertidos e não raras vezes fragmentados, que exploravam uma ampla diversidade de linguagens formais, reflexo dos estilos pessoais dos seus autores (fig. 1).

Fig. 1 - La Rambla del Carmel (Manuel Ribas Piera, 1985)
(Imagem e legenda retiradas do artigo, p.14 )

Os espaços eram estilizados, padeciam de um excesso de desenho, devido à grande quantidade de recursos expressivos utilizados: introdução de vários níveis topográficos, criação de ambientes diversos (espaços minerais [ou seja, a existência de rochas ou água), áreas de jogos, jardins...), implantação de esculturas, e sobretudo, um grande número de elementos urbanos (candeeiros, bancos, fontes...). Os espaços eram também estilizados pelo excesso de desenho na formalização dos diversos elementos empregues. A Rambla del Carmel, propondo "desenhos geométricos no pavimento, candeeiros decorativos, bancos e colunas desenhadas para o efeito, uniões simbólicas como o prolongamento de algumas malhas urbanas, muros de pedra trabalhados, uma ponte veneziana e várias esculturas, dois monumentos, uma fonte semicircular e um hemiciclo informal", constitui praticamente uma caricatura de um espaço público estilizado. Noutros casos, o excesso de desenho leva directamente a propor a introdução de estruturas arquitectónicas no espaço, como pequenas pontes historicistas, arcadas e pórticos, coretos, jardins... incorporados em muitos espaços, como na proposta de Óscar Tusquets de 1982 para a Avenida da Catedral, que acabou por não ir avante.

Certamente, a necessidade de responder a uma grande quantidade de necessidades funcionais depois de décadas de abandono do espaço público (espaços para as crianças brincarem, praças para eventos colectivos, zonas estáticas para idosos, zonas de contacto com a natureza...) levou ao excesso de desenho de alguns dos primeiros espaços renovados, que incorporaram muitos mais usos que os que a sua escala e dimensão podiam permitir. Mas em sum, a estilização foi o resultado da aproximação monumental e pessoal ao projecto de espaço público. Além disso, devido a este excesso de desenho e aos discursos pessoais que sustentavam os projectos (desde o desejo de reinterpretar elementos da arquitectura clássica até todo o tipo de temáticas de inspiração paisagista), os novos espaços públicos tendiam a competir com a sua envolvente urbana (com a envolvente edificada, mas também com os seus usos e actividades), enquanto expressão de significados e imagens.

São estas características de autonomia e falta de contextualidade dos espaços que lhes conferem o seu carácter introvertido: os desenhos copiam-se a si próprios, ignorando a envolvente urbana. Frequentemente esta introversão traduz-se no estabelecimento de limites artificiais entra o espaço renovado e os seus arredores, geralmente através do jogo com diferenças de nível ou modificações topográficas. Esta busca da autonomia espacial, e às vezes do isolamento, aumenta envolventes desconfigurados e pouco qualificados de muitos bairros populares da primeira periferia.

A praça Sóller, construindo uma plataforma mineral elevada rodeada por um pórtico, é um paradigma destes espaços introvertidos, neste caso erigindo limites arquitectónicos. Noutros espaços também surgem limites internos, por vezes não pretendidos. O desejo de combinar num mesmo lugar diferentes usos e ambientes conduziu frequentemente a justaposições que fragmentaram o espaço público. A mesma praça Sóller divide-se num espaço plano mineral e num parque inclinado com vegetação abundante, criando um espaço fragmentado em duas partes únicas (figs. 2 e 3).

Figs 2 e 3 - Plaza Sóller (J.M Julià, J.L. Delgado, A. Arriola e C. Ribas, 1981)
(Imagens e legenda retiradas do artigo, p.16)

Os espaços públicos criados na primeira parte da década de oitenta podem parecer muito díspares devido às múltiplas linguagens formais que usam, dependendo de cada autor: desde um espaço eclético como o Moll de la Fusta inspirado em diferentes períodos históricos, no qual se combinam arcadas de ladrilho, mobiliário urbano neo-gaudiano, e pontes pós-modernas, até espaços baseados em tradições estilísticas tão diversas como o racionalismo arquitectónico na praça dos Països Catalans ou o Land-Art no Parc de la Estació Nord.

No entanto, nas múltiplas situações com as quais os projectistas se confrontam nestes primeiros anos, inicio-se uma exploração das possibilidades e das ferramentas dos projectos do espaço público: as linguagens minimalistas ofereciam alternativas aos projectos estilizados, as intervenções em envolventes edificadas altamente qualificadas (como nos "cascos" antigos como o da Gràcia), exploraram meios para articular os espaços em vez de os isolar, enquanto que a transformação de algumas ruas com diferenças de cota pré-existentes (como na Via Julia) mostraram possibilidades não de criar limites mas de os integrar. É sobre a base destas experiências que a cultura do espaço público em Barcelona estava pronta para evoluir e se distanciar do projecto do espaço público concebido como objecto de desenho.


Tradução do Castelhano por Eduardo F.

O ponto 4 (a segunda parte do "estrato" que nos propusemos trazer aqui) demonstra a importância do mobiliário urbano para, como diz Miquel Martí, a "transparência dos espaços públicos". Daqui a uns dias poderão lê-la aqui, no Georden.

sexta-feira, março 28, 2008

1.º Seminário da DREL

Clica para ver o programa

"O I Seminário da Revista Direito Regional e Local, subordinado ao tema "As unidades de execução na gestão urbanística" terá lugar no dia 4 de Abril de 2008, na Universidade do Minho, em Braga."

Ver programa aqui

quinta-feira, março 27, 2008

Estes estranhos nomes... (V)

Algures no Algarve à saída de Portimão, há um lugarejo chamado Donalda. Provavelmente foi uma última tentativa desesperada para aliciar os dinheirinhos da Disneylândia. O nome não vem referido nas fontes habituais. O que vem é pouco: uma Margarida (em Marvão) e uma alusão (discreta) ao Tio Patinhas, em Pão Duro (Alcoutim). Desilude qualquer busca no sentido de achar um Mickey ou uma Minnie. Há dois Ratos, um em Barcelos e outro em Famalicão, mas são cruelmente cancelados por duas Ratoeiras, uma em Celorico da Beira e outra em Vila Nova de Gaia. Walt Disney não acharia graça nenhuma. Quanto à pobre Minnie, o melhor é nem falar na ratinha - nem na Ratinha de Portalegre. Onde desaparece a ternura do diminutivo, o efeito é ainda mais insultuoso, como testemunha a Rata em Castelo de Paiva e Rata em Santiago do Cacém. Por estas e por outras é que preferiram construir a Disneylândia em França e não em Portugal, como chegou a ser noticiado. Fica mal nos cartazes: “Venha à Disneylândia, Venha à Rata!” É uma falta de respeito. (Faço aqui uma pausa para que os habitantes habitualmente martirizados com Picha possam dar-se ao luxo de fazer graça a estes seus compatriotas.)
O que é mais irritante é não se poder evitar os nomes dos lugares. Podemos evitar os palavrões e as palavras feias quando falamos e escrevemos, mas somos obrigados a dizer os nomes dos sítios. Há, por exemplo, uma aldeiazinha chamada Fundo da Rameira, no concelho de Vila do Rei. Qualquer conversa acerca deste local é automaticamente obscena. Se alguém perguntar se eu vou ao Fundo da Rameira, o que é que eu posso responder? Que prefiro ficar a meio? Que tenciono somente andar lá à volta? E, mais uma vez, na estrada, é tentar excessivamente um indígena ordinário perguntar-lhe: “Olhe, se faz favor, é capaz de me dizer como é que se vai para o Fundo da Rameira?”. Ele poderá pôr logo em cheque as honras da irmã e da mãe.


(O próximo "estrato" termina esta divertida crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)