sexta-feira, abril 18, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
Tropeçar
Tropeçar acontece-nos quando apanhamos obstáculos no caminho.
(E bastam dois desses média para passar a acreditar que vai mesmo ser assim? Não. São já os tropeções que se continuam a dar, a querer meter os bois à frente do país - Ah! espera lá... é ao contrário... - que me fazem acreditar que, uma vez mais, vai ser assim...)
Não era o Churchill que dizia algo como "O tempo dos adiamentos está a chegar ao fim. Agora estamos a entrar numa fase das consequências."?
E depois? Algum dia teremos de dar o último tropeção.
- Mas...
e os que cá ficam?
- Tropeçarão também.
- Mas... mas...
- E depois???
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Edward Soja
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quinta-feira, abril 17, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Engenharia/Construção, Espaços escritos, Planeamento/OT, Portugal Provisório, Riscos
Definição das unidades territoriais para efeitos de organização territorial
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Rogeriomad
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quinta-feira, abril 17, 2008
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Reciclagens: Legislação, Planeamento/OT, Regiões
quarta-feira, abril 16, 2008
Operação: Impermeabilização e betonização total do país!
Vidal: Braga, Abril 08
Este espaço, na imagem, está ainda vivo e recomenda-se à Câmara Municipal de Braga ou a quem de direito, para construção. Sito junto ao Bairro da Misericórdia, oferece uma gama variada de possibilidades e “vistas” para urbanizações modernas, bairros sociais, viadutos e pequeníssimos espaços desportivos devidamente enclausurados entre edifícios e enjaulados para protecção dos transeuntes das feras que por lá circulam. Previna-se, todavia, que poderá encontrar duas ou três árvores e talvez um ou outro tufo de erva, nada de alarmante (e suficiente para WC canino). Pode ainda usufruir de espaços em contexto socio-económico degradado e de expressões artísticas sortidas e em permanente mutação. Acresce, um agradável e constante ruído do tráfego que circula nas várias vias que servem o local, não esquecendo as que por lá passam para outros sentidos. Tudo em prol da modernidade da nossa querida cidade.
Adenda: Depois de sabermos através da última edição do Expresso que Portugal já possui mais quilómetros de auto-estradas (proporcionalmente) que a maioria dos países europeus – não contando com aqueles que nem sequer as tem porque dela não necessitam, nem assenta aí o seu modelo de desenvolvimento, como a “atrasada” Irlanda -soubemos hoje que o presidente da Académica de Coimbra (recentemente reeleito), terá afirmado que estava a pensar construir um novo(!) estádio para a Briosa. Depois da remodelação, que na prática representou a construção de um estádio novo, e depois de vários milhões delapidados em estádios sem qualquer utilidade para a comunidade e às moscas, nada como continuar a pavimentar o país.
Acresce que o Sr. em causa tem vários processos em tribunal por alegados favorecimentos enquanto director municipal da Administração do Território na Câmara de Coimbra ter beneficiado promotores imobiliários em troca de donativos para o clube.
Construir ou não construir, eis a questão?
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Vidal
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quarta-feira, abril 16, 2008
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Reciclagens: Cidades, Engenharia/Construção, Foto do mês, Fototeca, Minho, Urbanismo
Como vai este país
Visão, 26.04.2007, pp 64 e 66
Para quem vai, com perdas (há sempre perdas...), poupar-se a ler o texto acima (datado?) deixe-me retirar duas frases sintéticas que ele contém:
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Edward Soja
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quarta-feira, abril 16, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Engenharia/Construção, PIN, Planeamento/OT
terça-feira, abril 15, 2008
Diferentes metodologias para a coesão económica territorial...
Tal como prometido na caixa de comentários do artigo "O novo Tratado Europeu" aqui deixo-vos a anedota adaptada, segundo o que o meu pai me contou (de acordo com o que o espanhol, que trabalha com ele, lhe tinha contado): Com a presidência da União Europeia o Primeiro-Ministro português, José Sócrates, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, decidiram reunir-se com os seus homólogos da Espanha para demonstrar como estão a ser aplicados os fundos estruturais e de coesão da União Europeia.
Os Ministros espanhóis, para demonstrar todo o seu poderio económico, mostraram-se logo disponíveis para receber os portugueses nas suas casas.
Num belo dia, em Espanha, durante um passeio, numa das belas quintas de José Luis Zapatero, vira-se o José Sócrates:
- Caro amigo Zapatero, como conseguiste construir tudo isto?
- Estas la mirar aquela autopista e aquel Hospital? Pergunta Zapatero.
- Sim, claro. Responde Sócrates.
- Mitad esta ahi. Afirma Zapatero, enquanto aponta para toda a quinta.
No fim da visita a Espanha decidiram marcar nova reunião, mas, desta vez, em Portugal, num dos aldeamentos turísticos de um grande grupo económico português que melhor sabe usar os fundos da União Europeia.
Noutro belo dia, mas em Portugal, a passearem no meio de palácios e palacetes, moradias de luxo, enormes piscinas, vários campos de golfe e courts de ténis, gigantes centros comerciais, e próximos de muitíssimos carros topo de gama dos empresários portugueses, vira-se o Zapatero para Sócrates:
- Hombre, cómo conseguiram construir todo isto?
- Estás a ver aquela auto-estrada e aquele Hospital? Pergunta Sócrates.
- Autopista? Hospital? No, no lo vejo ninguna autopista, tampoco Hospital. Responde Zapatero.
- Pois, está tudo aqui. Afirma Sócrates, enquanto aponta para todo o aldeamento.
Que interessa recebermos milhões e milhões de euros se não sabemos o que fazemos ao dinheiro. Todos de mãos dadas e vamos acreditar que será desta...
Poxa! Isto será mesmo uma anedota? Ou será uma história dramática verídica?
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Rogeriomad
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terça-feira, abril 15, 2008
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segunda-feira, abril 14, 2008
O Georden entre os nomeados
Jacob Cass
Not really a big fan of many of them but if I had to choose one it would be Georden.
Mar 10th, 2008
michael
I can vote for obama “ecogeek” and “georden” clinton for vice president
Mar 11th, 2008
Roberta Seldon
1. Georden
2. Planetsave
3. TreeHugger
4. Going Green
Mar 21st, 2008
Diana H
1. Georden
2. Viropop
3. Ecogeek
Mar 24th, 2008
Chaitanya VRK
Georden is Ok…!!!
Mar 31st, 2008
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Rogeriomad
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segunda-feira, abril 14, 2008
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domingo, abril 13, 2008
"O novo Tratado Europeu"
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Rogeriomad
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domingo, abril 13, 2008
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Reciclagens: BD/Cartoon
sábado, abril 12, 2008
Saber viver em comunidade
Coloquei como título "Saber viver em comunidade", mas podia colocar, também, "A união faz a força", "Leões que se tornam gatos", "Búfalos derrotam os Reis da Selva", etc. Filme fabuloso!
Para além do sucesso no YouTube.com e na TV portuguesa, este é um dos filmes favoritos presentes na Videoteca Georden. Visitem-na!
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Rogeriomad
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sábado, abril 12, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Videoteca
sexta-feira, abril 11, 2008
5 PrOjEcToS na ponta dos dedos...
Por um lado, espero que estes projectos não fiquem muito tempo na mão e se tornem calos para muita gente. Por outro, espero que ganhem muitos calos com estes novos projectos, será sinal que os desenvolveram com trabalho, tempo, participação e dedicação.
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Rogeriomad
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sexta-feira, abril 11, 2008
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Reciclagens: Minho, Planeamento/OT, Regiões, Urbanismo
quinta-feira, abril 10, 2008
Biocombustíveis: o bom, o mau e o vilão
TrCom base em novos estudos, o conselho científico da Agência Europeia para o Ambiente defendeu hoje que a União Europeia deve suspender a meta dos dez por cento dos biocombustíveis utilizados nos transportes, até 2020.
Este conselho, composto por 20 cientistas independentes de 15 Estados membros, considera que a meta dos dez por cento é demasiado ambiciosa e terá efeitos “difíceis de prever e de controlar”. Por isso aconselha a sua suspensão e a realização de um novo estudo sobre os riscos e benefícios dos biocombustíveis, bem como a “definição de uma meta mais moderada e a longo prazo, se a sustentabilidade não puder ser garantida”.In Público online. Ler mais aqui
Um questão para se debater por aqui.
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Vidal
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quinta-feira, abril 10, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Economia, Média, Transportes/Mobilidade
quarta-feira, abril 09, 2008
Rubrica semanal de BD/Cartoon estará de regresso
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Rogeriomad
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quarta-feira, abril 09, 2008
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Reciclagens: A GEORDEN, BD/Cartoon
Comunicado para os que já sabem...
Mas há que contar com o imprevisto e acreditar que alguém, um dia, entre na capela por engano...
Portanto, a propósito disto e disto, aqui vai, com uns dias de atraso que não causam qualquer dano, o comunicado integral. (sublinhado vindo da própria fonte):
Plataforma Sabor Livre
Farta de mentiras
Na data em que se assinala o Dia das Mentiras, a Plataforma Sabor Livre (PSL) vem manifestar o seu descontentamento perante as falsas informações que têm sido reiteradamente veiculadas nos media sobre o suposto arquivamento da queixa contra o Estado Português, relativa à construção da barragem do Baixo Sabor.
Constatada a proliferação de falsidades a respeito do Processo Sabor nos restantes dias do ano, a PSL aproveita este Dia das Mentiras para inverter a sua forma de comemoração mais comum, repondo algumas verdades.
Desde o último Agosto que têm sido frequentemente difundidos anúncios do arquivamento da queixa da PSL por parte da Comissão Europeia, alguns deles tendo como fontes Membros do Governo, como foi o caso do próprio Ministro do Ambiente, outros com origem em representantes eleitos do poder local dos Municípios onde está prevista a construção da barragem do Baixo Sabor. Nenhum desses anúncios foi alguma vez confirmado pela Comissão Europeia, demonstrando uma total irresponsabilidade por parte do poder político nacional.
É falso que o processo de infracção junto da Comissão Europeia tenha sido arquivado. O mesmo, aliás, está longe de estar terminado, não existindo qualquer decisão definitiva que tenha sido formal ou informalmente transmitida à PSL.
O que é verdade é que, no passado dia 28 de Janeiro, a Comissão Europeia solicitou à PSL uma opinião fundamentada quanto ao desenlace do processo, tendo a Plataforma apresentado, em 27 de Fevereiro, o seu parecer, onde demonstra, de forma exaustiva, as diversas infracções em matéria ambiental provocadas pela eventual construção da Barragem do Baixo Sabor.
As pressões exercidas por diversos grupos de interesse, no sentido de viabilizar a construção da barragem, quer junto das instituições Europeias e que decidem o seu co-financiamento, quer junto da comunicação social, quer mesmo junto das populações, demonstram claramente o desespero destes altos responsáveis, que pretendem subjugar o interesse público intergeracional aos interesses imediatos e sem futuro.
Alternativas com menores impactes ambientais e menores custos económicos têm sido sucessivamente ignoradas. Se não houvesse ainda provas suficientes da existência destas alternativas, as mesmas foram cabalmente expressas no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que estudou 25 alternativas e seleccionou 10 delas. A barragem do Baixo Sabor foi ostensivamente excluída da avaliação levada a cabo pelo PNBEPH, uma vez que, face aos critérios utilizados para seleccionar os 10 empreendimentos, teria sido imediatamente rejeitada, por afectar a Rede Natura 2000.
Também o facto de ser lançado o concurso público para a construção da Barragem do Baixo Sabor, pela empresa de electricidade adjudicante, é uma tentativa de acrescentar valor à empresa sem bases fundamentadas, podendo dar sinais distorcidos e contraditórios ao mercado mobiliário.
As opções irresponsáveis dos decisores portugueses ficaram ainda expressas na falta de ambição do recentemente apresentado Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética, que se limita a prever uma redução de apenas 10% dos consumos até 2015, num país que tem uma das mais baixas taxas de eficiência no uso da energia eléctrica e que poderia poupar até 40% com medidas muito mais baratas e sensatas do que a construção de barragens.
É certo que a construção de barragens virá ao encontro do interesse de alguns, mas não beneficiará certamente o interesse das populações locais. Aliás, se as barragens criassem riqueza local, as zonas do Alto Cávado e Alto Douro seriam, de longe, as mais ricas do País. Infelizmente, todos sabemos que não é assim, sendo, pelo contrário, das que enfrentam maiores dificuldades de subsistência.
A solução de construir mais empreendimentos de produção de electricidade sem cuidar do uso eficiente da electricidade torna a economia portuguesa cada vez menos competitiva e, portanto, cada vez mais depauperada e incapaz de descolar para a eco-eficiência e para sustentabilidade.
Lisboa, 31 de Março de 2008
Plataforma Sabor Livre:
Associação Olho Vivo,
FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens),
GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente),
LPN (Liga para a Protecção da Natureza),
Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza) e
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves)
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Edward Soja
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quarta-feira, abril 09, 2008
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terça-feira, abril 08, 2008
O meu país: reflexões avulsas
Ultimamente tem-se comentado muito as grandes obras públicas, designadamente para a área metropolitana de Lisboa. Curiosamente, num ano apenas, os grandes desígnios nacionais, as grandes obras (onde já ouvi isto?), a alavanca que nos irá catapultar para qualquer coisa, foram analisadas, argumentadas e praticamente decididas. Ora, a mim intriga-me o facto de, por ex., no caso particular do aeroporto a coisa espraiar-se por 40 anos e relativamente à travessia sobre o Tejo, concretamente para o Barreiro, ter, pelo menos, 20 anos de “reflexões”, “apontamentos” e “estudos”. Das duas uma: ou se andou a perder tempo (e muito dinheiro) em estudos, mezinhas, aconselhamentos, “diálogo”, e não se pretendia fazer nada (sendo que mesmo tendo em conta a complexidade das questões, convenhamos que 40 anos é sempre demasiado); ou, dizíamos, esta alavanca foi forçada por algo, que eu pessoalmente desconheço, tendo obviamente em linha de conta mais uma vez, que a complexidade das questões não se terá esfumado.
Acontece que estas pequeníssimas coisas custam dinheiro. Custam dinheiro os estudos, os atrasos, o tempo a passar, as expropriações, indemnizações, adiamentos, e por fim, a obra em si mesma…mais as ligações, acessos, impactos ambientais (deste último, nem um pio, só no fim).
A complexidade de gerir isto com o ordenamento do território parece-me, de todo, esquecida ou, pelo menos, colateral. Isso mesmo é sustentado, na forma retalhada como se vai tomando decisões, colando-se depois as partes que certamente não irão fazer um todo.
Ainda recentemente um especialista em economia regional e planeamento territorial, (com duas décadas de experiência) me confidenciava que se continuava a fazer tudo de forma fragmentada para não dizer negligente, atentando apenas em critérios e análises quantitativos ou estatísticos (ainda assim pouco adaptáveis às especificidades dos locais), sem um enquadramento de carácter sociológico, histórico e psicológico. Não se podendo “pensar” um país, quando o ordenamento do território é feito de forma estanque e, por outro lado, sem superfície de contacto, com o mapa judicial ou das urgências, entre outros, levando a casos caricatos de centralizações acumuladas e de territórios regionais desconexos.
A expressão da litoralidade e a bipolarização que vem do séc. XIX, um modelo da época de Fontes Pereira de Melo, acentua-se a cada ano que passa, sob a capa do desígnio nacional. Foi assim também com as auto-estradas, começadas (como dizia um amigo meu) ao contrário e que quando chegam ao destino não encontram ninguém.
Acresce que paradoxalmente (e sem rir) quer-se atrair investimento e massa critica para o interior, fixando populações, e ao mesmo tempo, fecham-se equipamentos indispensáveis para aquelas (especificas!) populações.
Todas estas acções provocam reacções, com consequências nas cidades, potenciando as migrações e o aumento populacional das áreas metropolitanas, a betonização, concentração das forças produtivas, (e dos equipamentos), tráfego, danos ambientais e na qualidade de vida e, consequentemente, mais construção e obras públicas, num ciclo vicioso.
Por último e mais importante, será interessante saber quanto custam (e já custaram) todas as obras, incluindo o TGV, e já agora, quem vai pagar? Não seremos nós todos?
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Vidal
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terça-feira, abril 08, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Cidades, Economia, Planeamento/OT, Regiões
segunda-feira, abril 07, 2008
"Tudo o que sempre quis ignorar..."
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Rogeriomad
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segunda-feira, abril 07, 2008
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Reciclagens: Espaços escritos
sábado, abril 05, 2008
Estudos sem nicotina...
Mobile phones could kill far more people than cigarette smoking or asbestos, a study by a leading cancer expert has concluded.
Via Dragoscópio
Palavra que até fazia falta. Mas aposto, aposto, que lhe iam à carinha laroca, como no caso da outra com a Stôra, lá no Porto.
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Vidal
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sábado, abril 05, 2008
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sexta-feira, abril 04, 2008
Rumo a Pequim...
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Vidal
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sexta-feira, abril 04, 2008
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Reciclagens: BD/Cartoon, Manifestos, Média
quarta-feira, abril 02, 2008
Braga: circular é viver?
Os transportes públicos de Braga são uma fábula. São transportes, são colectivos, são de passageiros, mas não cumprem a sua função: retirar carros da cidade; transportar as pessoas de forma rápida; criar uma rede fiável com horários alargados e bem definidos, sistematizados a pensar nas áreas de trabalho, residência e lazer. Mas não estão sozinhos na contenda.
Recentemente, vindo eu da Universidade do Minho em Gualtar, decidi, ao fim da tarde fazer a viagem para o centro (Braga Shopping) de autocarro. Assinale-se que este trajecto (faço-o muitas vezes a pé, outras vezes a várias horas de BUS, e compreendo bem que outros o façam de carro) demora cerca de 25 minutos.
De autocarro, pelo menos, no que está estabelecido na volta, serão menos de vinte. Não é muita a diferença, mas a determinadas horas e com chuva é importante. Acresce que, quando mais é necessária, isto é, nos movimentos pendulares casa/trabalho, ou Universidade/casa, de manhã e ao fim da tarde, é um verdadeiro pesadelo. Desde logo, é certo, porque há carros a mais; desde logo porque estaremos em hora de ponta (o que em Braga, no centro, é o dia todo, confinado que está o tráfego a meia dúzia de ruas projectadas para outras andanças); desde logo, porque se estaciona em qualquer lado. Todavia, é importantíssimo esclarecer que na cidade não existem corredores BUS, ou se existem (nas palavras camarárias), são pseudo corredores, em que o transito num dos sentidos (e durante pequeníssimos trajectos e em número reduzido) é permitido apenas a estes, em ruas estreitas, sendo que no outro sentido circulam (e confluem para ambos), carros e autocarros, sempre com apenas duas faixas de rodagem. Normalmente o BUS circula com os outros veículos, com consequências óbvias em termos de tempo, conforto e qualidade final do serviço.
No caso do trajecto que efectuei no autocarro de Celeirós (várias linhas circulam com passagem no centro), após um cruzamento, ainda sensivelmente no início da rua de Santa Cruz (no sentido UM / Centro) a circulação apenas é permitida ao BUS (não se trata de um corredor definido), tal não se verificando no inverso (estamos perante apenas duas faixas). Ora, com saída às 18h45m demoramos uns bons 15m a chegar ao fim da rua, talvez mais. Carros estacionados em ambas as bermas, obras, e simplesmente carros e autocarros a não conseguirem cruzar, não ajudaram. Não se pense que ao chegar à rodovia a coisa melhora. Pelo contrário. Não existindo qualquer hierarquia de ruas, todos os caminhos desaguam na dita. Mais a mais, há muito tempo que esta zona está saturadíssima, enclausurada em trânsito, estacionamentos, prédios, centros comercias. A denominada rotunda do Feira Nova, estava digna de um filme de terror do mais gore que possam imaginar.
Enfim chegados à D. Pedro V (rua relativamente estreita, com apenas duas faixas), já carregando uma boa meia hora de viagem, deparamo-nos com o costume por estas paragens: muito tráfego; carros estacionados em ambos os lados; estacionamentos em segunda-fila (inacreditável), os condutores apenas na conversa (ou para ir buscar o menino); carros em velocidades verdadeiramente celeradas em espaços exíguos (tipo poço da morte); e o BUS que, nesse sentido (durante parte da rua), dispõem de aparente (já que com as intersecções de vias, saídas de estacionamentos e garagens, não se percebe bem) prioridade, simplesmente não consegue passar, porque no sentido contrário circulam também autocarros (o que já é o bastante, pasme-se, para não cruzar a qualquer hora do dia), e carros saídos, literalmente, de todas as direcções. Se juntarmos a isto os estacionamentos, as não cedências de passagem, bem, é impossível…descrever. Acresce que o BUS tem paragens, praticamente em cada cem metros (algum critério?).
Chegados à Rua de São Victor, mais do mesmo. Largo da Senhora a Branca. Paragem.Ufff: quase 45 minutos de viagem.
Este trajecto até nem seria dos piores se existisse um planeamento sério dos transportes. Quando refiro transportes, englobo trajectos de BUS, existência de corredores, controlo do estacionamento, alternativos rodoviários (estamos perante um eixo antigo que liga o centro da cidade a Gualtar e Bom Jesus, e que já foi servido pelo eléctrico até aos anos 1960) e, pedindo muito, pensar a cidade como um todo, já que falamos da …mesma cidade. Relativamente ao civismo e cidadania, estamos conversados.
Uma possibilidade seria também o eléctrico ou o metro de superfície, mas tal deveria ter sido levado em conta aquando da pedonização alargada e mal estruturada de parte importante do centro (mas poderá afigurar-se como alternativa se não pensado como projecto turístico ou pseudo saudosista), e do sistema de transportes que não foi programado para funcionar, em termos práticos, como transporte público. Os problemas não são de hoje, reflectem uma ideia errada de crescimento da cidade que já tem quatro décadas mas que agora se agudizou.
Na realidade nós sabemos que o transporte público em Braga é cogitado em termos sociais e vai de encontro à máxima portuguesas de que quem não tem carro caça com BUS. Ainda é um mini tabu andar de Bus. Coisa de velhotes, alguns estudantes e…pobres. E assim o pensam técnicos e sobretudo o poder político, que, obviamente não os utiliza. Antes de pedirmos a redução da viagem Porto/Braga de comboio para 40 minutos deveríamos reflectir nestes
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Vidal
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quarta-feira, abril 02, 2008
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Reciclagens: Cidades, Minho, Planeamento/OT, Transportes/Mobilidade
terça-feira, abril 01, 2008
Olha, apetece-me! (II)
É com acontecimentos assim que as praças são vividas na sua plenitude, cheias até rebentar com as costuras. Não reconheço muito bem o espaço retratado (parece-me a Praça Duque de Saldanha, mas agradecia a vossa participação) mas aí está ele como dificilmente o veremos, repleto. Foram assim, os dias pós-revolução de um Abril muito diferente deste em que entrámos hoje. Parece mentira?
A dominação contém uma grande quota parte de aceitação, de anuência, por parte daqueles que são dominados. E uma coisa é certa: se enchermos as praças de carros, dificilmente poderemos ocupar esse espaço com pessoas. A menos que se ponham em cima deles, o que também era bonito. Sobretudo se forem os seus carros.
Na torrente revolucionária que tudo arrastou, e que extinguiu, por uns tempos (vá lá, dias...), todos os seus opositores, os indiferentes e os saudosistas, todos vieram para a rua misturar-se na população eferevescente. Viva os camaleões! Viva a união popular!
Os senhores que estão em grande plano (ok, são eles as estrelas, os protagonistas, por assim dizer) nem se deram a esse trabalho. O eles terem estado ali parece-me tão mentira como a bela disposição das flores (parecem cravos) que os enfeitam.
April fools' day!
Iupi!
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segunda-feira, março 31, 2008
Desenho urbano e espaços públicos (II)
4 - ... Para espaços públicos transparentes e contextuais.
Em 1987, quando a renovação urbanística de Barcelona começou a centrar-se nas grandes obras do período olímpico, o Servicio de Proyectos Urbanos (SPU), criado em 1980 com o fito de implementar os projectos de espaços públicos, encetou também uma nova fase. A partir daquele momento, todos os projectos de espaços públicos seriam desenhados por arquitectos pertencentes ao SPU, quando até 1986, a metade dos projectos, especialmente os dos espaços mais importantes, tinham sido entregues a arquitectos externos de reconhedido prestígio. Com esta internalização do processo de desenho pretendia-se forjar uma cultura do espaço público a partir das experiências e explorações dos seis primeiros anos. O resultado foi uma série de espaços projectados em finais dos anos oitenta e princípios dos noventa baseados num plano horizontal unitário e totalmente legível, e um trabalho meticuloso com os elementos urbanos, meticuloso no número de elementos, no desenho de cada um deles e na sua implementação.
A Avinguda de la Catedral foi construída como protótipo dos novos projectos. Colocou-se um pavimento de pedra completamente contínuo ao longo e a toda a largura do espaço, até aos limites das fachadas que o definem. Ainda que os carros tenham acesso a certas partes da praça (para aceder ao parque subterrâneo ou para cargas e descargas), todos os desníveis dos passeios pré-existentes foram suprimidos, criando um plano horizontal integrado onde os peões têm total prioridade. Os elementos urbanos foram reduzidos ao mínimo: um alinhamento de árvores e candeeiros, alguns bancos e os acessos ao parque de estacionamento.
A junção destes elementos constitui uma parte essencial do projecto: todos estão ordenados segundo uma mesmo alinhamento paralelo às fachadas, diferenciando um espaço linear vinculado ao comércio de planta baixa dos edifícios residenciais, de grande espaço livre, unitário e aberto às edificações administrativas e institucionais.
Por último, o desenho dos elemntos urbanos é fundamental. Nos desenhos personalistas dos anos oitenta, cada projectista criava os elementos que ia utilizar, que em muitos casos ficavam estilizados para reforçar a sua imagem visual. Em 1989 criou-se uma Unidade de Elementos Urbanos (UEU) com o objectivo de desenhar elementos minimalistas e estandardizá-los. Os acessos ao estacionamento subterrâneo da Avenida da Catedral, uma estrutura de vidro que integra as escadas e os elevadores, e transparente o suficiente para permitir a visão para o outro lado, é um exemplo claro deste desejo minimalista de elementos urbanos que passem praticamente despercebidos.
Neste sentido, a primeira característica dos novos espaços é a sua transparência. Ao contrário dos projectos do primeiro período, que tentavam focar a percepção em si mesmos, os novos espaços centram a atenção na envolvente construída, e antes de tudo, nos usos e actividades que aí se desenvolvem. Já não aspiram a ser espaços públicos monumentais a partir da sua configuração do plano horizontal. São espaços desenhados para oferecer cenários apropriados à vida da cidade, tanto para a vida do quotidiano, como para os eventos colectivos singulares. O laconismo formal dos espaços convida a cidade e os cidadãos a tomarem a palavra. Isto significa uma mudança importante na concepção da dimensão cívica dos espaços públicos, na reflexão sobre como eles podem constituir uma expressão da esfera pública.
Em vez de propor formas facilmente identificáveis que representem em si próprias o âmbito público, os novos espaços oferecem entornos legíveis aptos a gerar experiências de diversidade social de espaços públicos inclusivos, uma manifestação tangível da esfera pública contemporânea. Os espaços públicos transparentes estão concebidos para potenciar encontros e interacções, a vivência cívica de ver e ser visto, a experiência da convivência na diversidade.
Foto Eduardo F. - Almeirim, 24.10.2007
Ligação no GEOramio
A foto retrata uma das muitas ruas compridas (neste caso, a Rua do Brasil), e paralelas, de Almeirim. Note-se a diferença do piso, godos quartzíticos, quando entramos nestas ruas. O uso maioritariamente residencial talvez não seja alheio a esta tentativa de distinção (apesar de criar mais ruído quando se circula de automóvel por este piso, é um pavimento que convida / mais adequado a velocidades mais reduzidas)
Em segundo lugar, estes espaços públicos transparentes mudam também a forma como os projectistas concebem o seu desenho. A criatividade pessoal aplica-se não ao desenho de formas expressivas, mas à selecção e combinação subtil dos elementos. Não se trata de desenhar um objecto formal, mas de jogar com uma linguagem de elementos urbanos simples (incluindo pavimentos, mobiliário urbano e elementos vegetais), que podem até ser padronizados. A criatividade centra-se na sintaxe desta linguagem. Ao mesmo tempo, a transparência dos espaços contribui para a sua abertura ao entorno urbano. Desta maneira, os projectos sintáticos são muito mais contextuais. Inspiram-se mais nas condições locais, em vez de se basearem em imaginários e temáticas pessoais.
Se pegamos no exemplo da Avenida da Catedral, o alinhamento dos elementos urbanos está localizado tendo em conta as diferenças formais e funcionais da fachada residencial, os bancos concentram-se exclusivamente em frente à catedral e aplica-se um trabalho subtil ao pavimento. A orientação das lajes de pedra muda no antigo limite da pequena Plaça Nova, que desapareceu quando parte dos edifícios que ocupavam o actual espaço da avenida foram destruídos durante a Guerra Civil Espanhola. Através desta mudança praticamente imperceptível, o espaço linear dinâmico que liga o Eixample, a extensão do século XIX, com a cidade medieval, distingue-se do espaço muito mais estático e contemplativo que se extende à frente da catedral. Quando se entra no antigo recinto da cidade romana, o tipo de lajes mantém-se, mas o material muda para indicar esta mudança do percurso histórico. Da mesma forma, o pavimento de pedra é substituído por relva para pôr a sua singularidade em relevo. O diálogo com a envolvente urbana oferece ao projectista tantas ou mais possibilidades criativas que as permitidas pela inculcação de uma marca ou estilo pessoais.
(...)
Tradução do Castelhano por Eduardo F.
Penso que no texto fica elucidado o papel dos pormenores na percepção e apropriação dos espaços públicos. Criação de uma imagem identificável, sim. Mas relacionando-a com a envolvente, com os seus usos e actividades. A fragmentação é, portanto e seguindo este raciocínio, sinal de desapropriação: o carácter museológico dos centros de muitas cidades europeias (com restrições de usos, e as leis do mercado a remarem em competição) afasta-os da fonte de vida, que são os seus habitantes.
Este é um assunto a que voltaremos em breve.
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segunda-feira, março 31, 2008
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sábado, março 29, 2008
Jornadas de Geografia e Planeamento 2008
Jornadas de Geografia e Planeamento 2008
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GEORDEN
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sábado, março 29, 2008
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Desenho urbano e espaços públicos
Segue-se a primeira parte de um excerto (ponto 3) de um texto de Miquel Martí, "La renovación del espacio público en Barcelona (1979-2003)", retirado da Urbanismo #17 (Revista da Associação dos Urbanistas Portugueses), de Verão de 2004. Nele se aborda essa questão das identidades espaciais, da legibilidade do desenho urbano. São assuntos que se relacionam com a obra de Kevin Lynch "A Imagem da Cidade", que foi livro do mês em Dezembro passado.
3 - Do Desenho dos Espaços Públicos Singulares, Monumentais e Pessoais
Desenhar espaços públicos na cidade compacta existente, com envolventes edificadas consolidadas que não deviam ser substancialmente modificados pela intervenção no espaço público, aparecia nos começos dos anos 80 como um campo particular e autónomo dentro do desenho urbano para o qual não existia em Barcelona uma experiência e um saber acumulados. Os arquitectos que empreenderam o processo de renovação da cidade abordaram estes projectos como se de objectos de desenho se tratasse. Cada espaço público era tratado considerado como uma entidade autónoma que devia ser convertida numa peça única do espaço público, como uma obra marcada com o cunho próprio do seu autor.
Estas abordagens pessoais dos autores coincidiam perfeitamente com a vontade municipal daquela época de monumentalizar a cidade através da nova política dos espaços públicos. Esta ideia de monumentalidade requeria espaços que constituíssem episódios urbanos facilmente reconhecíveis. Os espaços públicos, através do impacto do seu desenho formal, deviam contribuir para que os cidadãos se apropriassem deles e se identificassem com eles. O recurso extensivo às esculturas como elemento central em muitos destes projectos era a expressão mais simples desta monumentalidade, já que rapidamente se incorporavam no imaginário urbano dos seus habitantes. Esta era a concepção cívica do espaço público neste primeiro período: espaços formalmente expressivos, facilmente identificável com a intenção de representar uma esfera pública que os cidadãos pudessem sentir como própria, valiosa e colectiva.
Estes desenhos monumentais e pessoais originaram lugares estilizados, introvertidos e não raras vezes fragmentados, que exploravam uma ampla diversidade de linguagens formais, reflexo dos estilos pessoais dos seus autores (fig. 1).
Certamente, a necessidade de responder a uma grande quantidade de necessidades funcionais depois de décadas de abandono do espaço público (espaços para as crianças brincarem, praças para eventos colectivos, zonas estáticas para idosos, zonas de contacto com a natureza...) levou ao excesso de desenho de alguns dos primeiros espaços renovados, que incorporaram muitos mais usos que os que a sua escala e dimensão podiam permitir. Mas em sum, a estilização foi o resultado da aproximação monumental e pessoal ao projecto de espaço público. Além disso, devido a este excesso de desenho e aos discursos pessoais que sustentavam os projectos (desde o desejo de reinterpretar elementos da arquitectura clássica até todo o tipo de temáticas de inspiração paisagista), os novos espaços públicos tendiam a competir com a sua envolvente urbana (com a envolvente edificada, mas também com os seus usos e actividades), enquanto expressão de significados e imagens.
No entanto, nas múltiplas situações com as quais os projectistas se confrontam nestes primeiros anos, inicio-se uma exploração das possibilidades e das ferramentas dos projectos do espaço público: as linguagens minimalistas ofereciam alternativas aos projectos estilizados, as intervenções em envolventes edificadas altamente qualificadas (como nos "cascos" antigos como o da Gràcia), exploraram meios para articular os espaços em vez de os isolar, enquanto que a transformação de algumas ruas com diferenças de cota pré-existentes (como na Via Julia) mostraram possibilidades não de criar limites mas de os integrar. É sobre a base destas experiências que a cultura do espaço público em Barcelona estava pronta para evoluir e se distanciar do projecto do espaço público concebido como objecto de desenho.
Tradução do Castelhano por Eduardo F.
O ponto 4 (a segunda parte do "estrato" que nos propusemos trazer aqui) demonstra a importância do mobiliário urbano para, como diz Miquel Martí, a "transparência dos espaços públicos". Daqui a uns dias poderão lê-la aqui, no Georden.
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sábado, março 29, 2008
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sexta-feira, março 28, 2008
1.º Seminário da DREL
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GEORDEN
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sexta-feira, março 28, 2008
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quinta-feira, março 27, 2008
Estes estranhos nomes... (V)
O que é mais irritante é não se poder evitar os nomes dos lugares. Podemos evitar os palavrões e as palavras feias quando falamos e escrevemos, mas somos obrigados a dizer os nomes dos sítios. Há, por exemplo, uma aldeiazinha chamada Fundo da Rameira, no concelho de Vila do Rei. Qualquer conversa acerca deste local é automaticamente obscena. Se alguém perguntar se eu vou ao Fundo da Rameira, o que é que eu posso responder? Que prefiro ficar a meio? Que tenciono somente andar lá à volta? E, mais uma vez, na estrada, é tentar excessivamente um indígena ordinário perguntar-lhe: “Olhe, se faz favor, é capaz de me dizer como é que se vai para o Fundo da Rameira?”. Ele poderá pôr logo em cheque as honras da irmã e da mãe.
(O próximo "estrato" termina esta divertida crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)
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quinta-feira, março 27, 2008
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quarta-feira, março 26, 2008
Bancos (para nos sentarmos)
Na cidade de Braga, como aliás em todas as localidades, os bancos, ditos públicos, podem ser medidores dos espaços vazios (isto é, sem construção em altura). As praças costumam ser pontilhadas por eles. E o número destes aumenta com o daqueles.
Nas aldeias, sobretudo as do interior, em Trás-os-Montes, nas Beiras e no Alentejo, é frequente vê-los encostados às paredes das casas, onde sempre uma população já envelhecida passa horas, a descansar, conversar e até a trabalhar (a fiar, coser...)
Não se trata da questão do conforto, se bem que seja um factor importante. Porque o conforto não é um valor que depende apenas do objecto "banco", porque mais convidativo a nos sentarmos num é o meio que o envolve: se há muito movimento, se há carros nas proximidades imediatas (e o fumo e o barulho associados), se há jardim, se o espaço não se encontra sujo, etc., etc.)...
A durabilidade dos materiais é algo que notamos mais nuns casos que noutros, e não parece haver qualquer razão directa entre esta característica e o conforto (mas, por exemplo, e para quem o prefere, é raro haver bancos de pedra com encosto...)
Outro aspecto sobre os lugares feitos para nos sentarmos: a sua disposição. Está mais que batida (e é tão natural e óbvia que nem a questionamos) a sua orientação para o vazio central das praças, paralelos aos bordos. Mas nem sempre tem de ser assim, podendo assumir um carácter mais livre. Sem deixar de ter uma certa ordem (ver a penúltima foto)...
Por último, deixo-vos a reflectir sobre um móvel/imóvel demasiado habitual nas nossas cidades (visão parcial, em fundo, na última foto). Uma pessoa até se habitua. Os comerciantes queixam-se. Os turistas talvez não gostem, mas parece que isso pouco nos importa (tem de ser, não é?) (uma celeridade urgia...)
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quarta-feira, março 26, 2008
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terça-feira, março 25, 2008
Móveis imóveis na urbe
Os candeeiros acima representados portam marcas estéticos-culturais (que incluem, claro está, as possibilidades...) da altura em que foram feitos. A ordem por que estão apresentados os quatro últimos exemplos pode, assim, parecer cronológica. Mas não dispomos de dados para garantir que seja a correcta.
Os candeeiros devem antes de mais atingir o objectivo para que foram feitos (a iluminação). Não só porque a época contemporânea é utilitarista, mas também porque o que se pede a tudo o que se coloca nas cidades é que não estorvem. Ou que não ocupem muito espaço.
E por aqui ficamos, por agora.
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Edward Soja
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terça-feira, março 25, 2008
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segunda-feira, março 24, 2008
Expo Europa e Ambiente | 9 a 11 de Maio de 2008
Esta exposição contará, este ano, com cerca de duas dezenas de stands montados na Praça do Mar, em Quarteira, nos quais estarão presentes entidades públicas e privadas empenhadas na divulgação das energias renováveis, mobilidade sustentável e divulgação de energias mais limpas que ajudem Portugal a atingir os objectivos de Quioto, o desenvolvimento sustentado, e a diminuição da nossa dependência petrolífera.
Porque esta iniciativa é interessante, inteiramente dedicada às energias renováveis, e tem forte impacto mediático, proporcionando portanto um bom retorno para a Vossa Empresa, vimos convidar Vªs Exªs a participar no nosso evento, com a montagem de um Stand nesta Exposição, bem como eventualmente com a colocação de faixas publicitárias, e ou patrocínio - agradecendo que nos respondam com brevidade, impreterivelmente até ao dia 15 de Abril de 2008.
Ficando ao vosso inteiro dispor para qualquer esclarecimento adicional, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos,"
Pela Comissão Organizadora,
António José Brito (964144312)
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Rogeriomad
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segunda-feira, março 24, 2008
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domingo, março 23, 2008
Por onde vamos?
De um lado da balança estão 3 barras de ouro ("Humm... gold bars! Humm...", diz Al Gore, num dos (poucos) momentos divertidos do filme) e no outro prato está uma representação, à escala, do planeta Terra.
Os comentários subsequentes deixo-os para a memória de quem já viu o filme, ou, para quem não viu, para reflectir (agora vai passar a ser "refletir"...) um bocadinho sobre alguns valores (em poucas palavras, de um lado está o imediatismo, do outro a sustentabilidade).
Sempre achei absurdo quem defende que primeiro vamos desenvolver e depois tratamos do resto. E quando o "resto" é algo que pode pôr / põe o "desenvolver" em causa, então o absurdo atinge o paroxismo.
É como querer enxaguar o chão com um pano que vai absorvendo a água que continua a jorrar duma torneira que ainda não aprendemos a fechar.
Ou seja, há quem defenda que o que se faz e implanta deve respeitar certos princípios e valores. E depois, apercebendo-se de que há outros princípios, em grande medida (mas não completamente) antagónicos, eles lá arranjam forma de compatibilizar ambos. Quando um deles sai claramente a perder, pode-se dizer que não houve um planeamento eficaz. O que costuma ficar à vista é uma asneirada da grossa. E quando as asneiras grassam, após provocar o riso, costumam passar despercebidas.
A imagem retrata uma passadeira numa via circular periférica à parte este da cidade (Avenida Dom João II, maioritariamente localizada em Fraião, por trás do eixo onde se localizam quase todas as grandes superfícies comerciais de Braga). Por ela os automóveis costumam passar a velocidades médias superiores a 40 km/h (sei lá, digo eu!).
Outro factor importante: não há muitas moradias nas proximidades imediatas. Pelo que poucas pessoas devem, de facto, utilizar esta via para se deslocar a pé.
SÓ QUE... pormenor ainda mais importante e pertinente: esta circular está "provida" de ciclovia (sim, aquela pista verde que podeis ver na foto...). E, os bracarenses e não só sabem-no, a grande extensão da circular é muito usada como percurso de manutenção (é ver dezenas de pessoas, de bicileta ou a pé, de manhã, à tarde e de noite, num andamento mais ou menos acelerado. Sobretudo aos fins-de-semana).
Esta passadeira é logo das primeiras da avenida (em direcção a norte) e o grosso dos viandantes costuma virar logo para a / pela Av. Robert Smith (até porque se vierem para Sul o caminho puxa um bocadinho, e isso cansa...). Mas pelo que me lembro, quase todas as passadeiras ao longo dela padecem deste erro.
Bem... recentrando-me no que me trouxe cá hoje, queria dizer que o tal "planeamentozinho" pensou no automóvel. Depois, como que caída mais ou menos de pára-quedas, lá puseram a ciclovia (desde a Av. da Falperra até à Rua Luís António Correia são cerca de 2,3 kms para andar) e, já agora, não nos esqueçamos dos peões.
Bastava não ter projectado a "área verde" até à estrada e já não se cometiam atropelos destes. O verde não é muito significativo, mas ter de o pisar (quem anda de cadeira de rodas não põe lá os pés, isso é certo) é sintomático dos valores que regulam a cabeça pequenina de quem nos vai oferecendo os espaços em que vivemos.
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Edward Soja
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domingo, março 23, 2008
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sábado, março 22, 2008
"Mapping the Planet with Open Source", Gary E. Sherman
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Cesar
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sábado, março 22, 2008
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sexta-feira, março 21, 2008
Manifestos na cidade: (des)acordo ortográfico?
Desde que o Homem desprezou o canivete que lhe permitia desenhar o seu amor, em corações sentidos, nos troncos das árvores, que algo irremediavelmente se perdeu. Com reflexos na paisagem. Expressa-se agora (ou talvez desde a famosa xaropada da SIC “Amo-te Teresa”) pelos muros ora em lamentos, ora em tormentos (nossos). Pena que aqueles não tenham corrector ortográfico. Não faz mal.
Ainda esta semana se lançou um dicionário com as mudanças relativas ao (controverso e necessário?) acordo ortográfico, desenhadas nos últimos anos e com aplicação progressiva nos próximos 5 ou 6. São muitas as transformações, que teremos oportunidade de futuramente abordar. No pardieiro linguístico em que vivemos, vai ser um regabofe.
Mas porké?...
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Vidal
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sexta-feira, março 21, 2008
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Olha, apetece-me! (I)
Não consiste noutra coisa que divulgar capas de discos (com tanta estandardização a música anda um bocado arredada das nossas geografias, não anda?) que retratam paisagens e delas dizer umas quantas palavras. Sim, sabemos que a matéria é imensa e a tarefa pode durar como o plástico na natureza, mas se formos andando não vamos caindo.
Imagem 1 - "Viagens na Minha Terra" - Rão Kyao (Lp, 1989)
Não, não sei que aldeia está retratada (é uma das coisas que pretendo descobrir através da vossa participação), mas gosto desta imagem. Apesar do tom escuro (seria das nuvens? seria também do verde da vegetação? - factores que ficam fixados no documento levantado e que, como nos mapas sobre os quais muitos trabalharão, podem levar a percepções diversas...), o que me apraz dizer é que se sente uma harmonia. O equilíbrio? Não, a justa medida, parece-me. Um crescimento lento e que, de lento, talvez tenha sido pensado. Talvez sem as megalomanias e riquezas que descaracterizam o espaço construído ou humanizado.
Estaremos a ser demasiado idílicos?
Viajemos, então, pela nossa terra.
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Edward Soja
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sexta-feira, março 21, 2008
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quinta-feira, março 20, 2008
À solidão da cidade uma outra solidão...
Ó solidão do boi no campo,
Ó solidão do homem a rua!
Entre carros, trens, telefones,
entre gritos, o ermo profundo.
Ó solidão do boi no campo,
ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.
Ó solidão do homem no campo,
homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
e as casas não têm sentido algum.
Ó solidão do homem no campo!
O navio-fantasma passa
em silêncio na lua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo.
"O Boi"
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Vidal
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quinta-feira, março 20, 2008
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quarta-feira, março 19, 2008
Braga Revivida
A professora Gorete dirige-se a nós, pequenos seres para quem não sabia encontrar mais que um sentido nas palavras, mais ou menos nestas palavras:
- Olhai, meninos, vou dar-vos este livro porque [e esta foi a ideia com que sempre fiquei, não sei porquê. E era isso que gostava de confirmar] vai ser retirado do mercado. Depois, não há mais.
E pronto, lá ficámos com ele. Olhando para o móvel onde tinha guardado este objecto de memória, que ficou estes perto de quinze anos na prateleira, sem lhe ligar muito, como quase que invisível e, portanto, morto (um dia abordaremos este assunto...), resgatei-o há dias e fui lê-lo. Não queria mentir, mas acho que foi a primeira vez que o li. São pouco mais 20 minutos, sem grandes pressas.
Trata-se de uma pequena viagem pela história da região e, em particular, da cidade de Braga. As personagens visitam os locais e, surpreendentemente entrados numa espécie de sonho, revivem os tempos antigos.
Desde o tempo castrejo (na Citânia de Briteiros), passando pela época romana (com a acção a passar-se ali pelos lados de Maximinos e pela Cividade), vivendo a Idade Média (dentro e à volta da Sé, bem no centro da então jovem cidade), pelos séculos da emergência do Barroco (por locais como a praça do município, o Museu dos Biscainhos, o Largo do Paço, pela Igreja dos Congregados e Santa Cruz do Monte (i.e. o monte do Bom Jesus)), até chegarem aos finais do século XIX (pela escola Sá de Miranda, pela Arcádia e junto ao velhinho Posto de Turismo), lá vamos vagueando pela História e por alguns acontecimentos que marcaram a cidade.
É giro reconhecer os espaços retratados e saber um bocadinho mais da nossa terra.
A tiragem do livro foi de 5500 exemplares, o que me leva a duvidar da "ameaça" da minha professora primária. Seria, por isso, interessante saber quantos dos amigos que nos visitam guardam este livro lá por casa...
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Edward Soja
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quarta-feira, março 19, 2008
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terça-feira, março 18, 2008
Ameaças Biológicas
(A propósito da minha ida às finanças.)
Aguardava a minha vez, e deu-me para olhar os papéis que normalmente se afixam nos estabelecimentos públicos. Havia um que alertava para correio suspeito. A circular datava, salvo erro, de 2002. Dizia mais ou menos o seguinte:
"Se receber um carta...
a) proveniente do estrangeiro
b) com muitos selos
c) com uma caligrafia péssima
d) com pedaços de metal a sair do envelope
e) se o envelope tiver um cheiro estranho
f) se o envelope for pesado e volumoso
...
contacte a PSP e descreva a situação.
Aguarde a chegada dos agentes sem abrir o envelope."
Um comunicado destes decorria, parece-me, da senda de alarmismos pós 11 de Setembro (o de 2001, que o de 73 não é aqui chamado).
Os biólogos sabem-no e bem o alertam: há espécies animais e vegetais que invadem territórios até então estranhos e cujas consequências se enquadram nas seguintes hipóteses:
a) benéficas
b) prejudiciais
c) inócuas
Um exemplo que cai na alínea a) é a introdução da batata no continente europeu nos finais do século XVI. Por cá comia-se castanha, antes de a batata se expandir. Hoje há batatais em muitas regiões do país. E daí não parece ter vindo mal ao mundo...
Bem... o abuso - como em tudo - das batatas fritas não é coisa lá muito saudável. E a produção em série, a falta de tempo para almoçar e a proliferação de restaurantes de comida rápida ajudaram a mudar a nossa fisionomia. E as estatísticas da saúde. E outras coisas mais. (Uma agricultura intensiva tem recorrido a pesticidas e "o corpo é que paga. O NOSSO corpo. estamos a falar de ameaças biológica, mas aqui está um exemplo de ameaça química).
Um exemplo que cai na alínea b), para alternar na espécie, é a introdução do lagostim americano nos cursos de água europeus. Muito resistente à poluição, o lagostim prolifera e - como costuma acontecer - reduz a disponibilidade de alimento para as espécies autóctones. (Não, não estou a demonstrar uma faceta chauvinista ou nacionalista aplicada à biologia.) Veja-se o caso da lagoa de Bertiandos, na qual as (poucas) lontras lá existentes gostam muito deste pitéu. Concluindo: porque a Natureza é evolutiva, as leituras maniqueístas têm sempre de ser feitas com reservas.
De exemplos inócuos
a) desconheço (mas chegue-se à frente quem conhecer)
ou
b) não me apetece falar...
Todos os anos, os animais de estimação exóticos,
a) porque já não têm tanta piada, ou
b) porque cresceram demasiado, ou
c) porque a sua alimentação se tornou demasiado onerosa
...
são lançados no meio natural. (O tráfico ilegal de espécies grassa porque envolve dinheiro, esse material sem cor nem ética que muitos compra)
"Deixai vir a mim... as consequências", diz Deus.
Depois ele (ela) responde-nos torto!
Ora...
Isto veio a propósito da intenção do governo de proibir a importação de algumas raças de cães. A questão é que é a perigosidade das mesmas o motivo de legislação. Perigosidade em relação a efeitos físicos (mordeduras e por aí). Claro. (Não consta ainda que alguém se tenha lembrado de considerar um pitbull uma espécie perigosa para a diversidade biológica das famílias caninas existentes por cá...).
Mesmo assim gostava de dizer que:
Nunca passaria pela cabeça de ninguém proibir a espécie Eucalyptus. Ora aí está uma ameaça biológica com que, de norte a sul do país, toda a gente se depara sem pestanejar. (A proliferação de espécies exóticas constitui- já o dissemos e voltamos a dizer - uma forma de poluição.) É gravíssima a indiferença. Como se todos trabalhássemos na indústria do papel. Mesmo aqueles que se vêem ameaçados pela chegada dos fogos às suas casas, durante os habituais incêndios do Verão.
Enfim...
Fica-se por aqui esta crónica...
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Edward Soja
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terça-feira, março 18, 2008
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Reciclagens: Ambiente/Ecologia, Planeamento/OT
















