quarta-feira, março 26, 2008

Bancos (para nos sentarmos)



Fotos: Eduardo F. - Braga, 23.03.2008

Na cidade de Braga, como aliás em todas as localidades, os bancos, ditos públicos, podem ser medidores dos espaços vazios (isto é, sem construção em altura). As praças costumam ser pontilhadas por eles. E o número destes aumenta com o daqueles.
Nas aldeias, sobretudo as do interior, em Trás-os-Montes, nas Beiras e no Alentejo, é frequente vê-los encostados às paredes das casas, onde sempre uma população já envelhecida passa horas, a descansar, conversar e até a trabalhar (a fiar, coser...)

Não se trata da questão do conforto, se bem que seja um factor importante. Porque o conforto não é um valor que depende apenas do objecto "banco", porque mais convidativo a nos sentarmos num é o meio que o envolve: se há muito movimento, se há carros nas proximidades imediatas (e o fumo e o barulho associados), se há jardim, se o espaço não se encontra sujo, etc., etc.)...

A durabilidade dos materiais é algo que notamos mais nuns casos que noutros, e não parece haver qualquer razão directa entre esta característica e o conforto (mas, por exemplo, e para quem o prefere, é raro haver bancos de pedra com encosto...)

Outro aspecto sobre os lugares feitos para nos sentarmos: a sua disposição. Está mais que batida (e é tão natural e óbvia que nem a questionamos) a sua orientação para o vazio central das praças, paralelos aos bordos. Mas nem sempre tem de ser assim, podendo assumir um carácter mais livre. Sem deixar de ter uma certa ordem (ver a penúltima foto)...

Por último, deixo-vos a reflectir sobre um móvel/imóvel demasiado habitual nas nossas cidades (visão parcial, em fundo, na última foto). Uma pessoa até se habitua. Os comerciantes queixam-se. Os turistas talvez não gostem, mas parece que isso pouco nos importa (tem de ser, não é?) (uma celeridade urgia...)

terça-feira, março 25, 2008

Móveis imóveis na urbe

Peca por tardia e talvez tímida a tertúlia de Março, que começa a escassos 6 dias do fim do mês. Mas valeu a pena andar a tirar fotos num dia pascal, pasmacento mas de saudável cavaqueira, na quase deserta cidade de Braga. Porque obrigou-me a ter tempo para olhá-la com olhos de turista, com algum espanto perante certos imóveis e situações à frente do nariz de qualquer um.

O tema sobre o qual desejamos reflectir é sobre o mobiliário urbano. E por isso, aqui trazemos algumas fotos para dar o mote. Podem parecer pormenores, mas são estes que ajudam a mudar a nossa percepção do espaço. E neste caso, pelo menos à noite, são literalmente importantes.



Fotos de Eduardo F., Braga - 23.03.2008

Os candeeiros acima representados portam marcas estéticos-culturais (que incluem, claro está, as possibilidades...) da altura em que foram feitos. A ordem por que estão apresentados os quatro últimos exemplos pode, assim, parecer cronológica. Mas não dispomos de dados para garantir que seja a correcta.

Os candeeiros devem antes de mais atingir o objectivo para que foram feitos (a iluminação). Não só porque a época contemporânea é utilitarista, mas também porque o que se pede a tudo o que se coloca nas cidades é que não estorvem. Ou que não ocupem muito espaço.

Duvido um pouco da eficácia do último candeeiro e parecem-me bem simples as formas oval e cilíndrica dos segundo e quarto exemplos, porque permitem a projecção da luz em todos os sentidos. Se o efeito pretendido for, obviamente, esse.

Porque se não for, compreendo melhor a forma do último: situa-se na Praça Conde de Agrolongo (mais conhecido como Campo da Vinha, ou como a praça com um mamarraxo que tapa a visão ampla da mesma e do Convento do Pópulo), orlada por outros postes de iluminação, pelo que uma iluminação mais discreta até dê um ar mais "espaçoso", com o seu tom amarelo... (na escuridão não se conseguem avaliar as distâncias, e penso que talvez tenha sido isso o que se procurou ali...).

E por aqui ficamos, por agora.

segunda-feira, março 24, 2008

Expo Europa e Ambiente | 9 a 11 de Maio de 2008

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"Na sequência do sucesso do ano anterior, a Junta de Freguesia de Quarteira, em conjugação com a Câmara Municipal de Loulé, a Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico, a CCDR Algarve e a Quercus vão organizar de 9 a 11 de Maio de 2008 em Quarteira, um conjunto de actividades que englobará as Comemorações do Dia da Europa (9 de Maio de 2008), uma exposição dedicada à Europa, Energias renováveis e Mobilidade Sustentável intitulada Expo Europa e Ambiente (9 a 11 de Maio de 2008), um Seminário intitulado “A EUROPA, AS ENERGIAS RENOVÁVEIS E A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA” (9 de Maio de 2008), e ainda, tal como no ano passado, o “2º Portugal de Lés-a-Lés Ecológico” (uma prova dinamizada pelo Fórum Nova Energia em conjugação connosco, em que apenas podem participar veículos movidos a biocombustíveis como o biodiesel e o óleo vegetal directo, e que pela segunda vez, começa na Guarda e termina em Quarteira (na Praça do Mar), no dia 11 de Maio.

Esta exposição contará, este ano, com cerca de duas dezenas de stands montados na Praça do Mar, em Quarteira, nos quais estarão presentes entidades públicas e privadas empenhadas na divulgação das energias renováveis, mobilidade sustentável e divulgação de energias mais limpas que ajudem Portugal a atingir os objectivos de Quioto, o desenvolvimento sustentado, e a diminuição da nossa dependência petrolífera.

Porque esta iniciativa é interessante, inteiramente dedicada às energias renováveis, e tem forte impacto mediático, proporcionando portanto um bom retorno para a Vossa Empresa, vimos convidar Vªs Exªs a participar no nosso evento, com a montagem de um Stand nesta Exposição, bem como eventualmente com a colocação de faixas publicitárias, e ou patrocínio - agradecendo que nos respondam com brevidade, impreterivelmente até ao dia 15 de Abril de 2008.
Ficando ao vosso inteiro dispor para qualquer esclarecimento adicional, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos,"

Pela Comissão Organizadora,
António José Brito (964144312)


domingo, março 23, 2008

Por onde vamos?

No "documentário-filme" Uma Verdade Inconveniente, às tantas, Al Gore mostra uma imagem que foi mostrada numa conferência do Congresso americano (isto nos princípios dos anos 90) em que - maniquísmo já tradicional na linguagem dos políticos conservadores daquele conjunto de nações - aparecia uma balança. (A conferência do Rio estava em cima da mesa e os EUA tinham de definir a sua política económica interna):

De um lado da balança estão 3 barras de ouro ("Humm... gold bars! Humm...", diz Al Gore, num dos (poucos) momentos divertidos do filme) e no outro prato está uma representação, à escala, do planeta Terra.

Os comentários subsequentes deixo-os para a memória de quem já viu o filme, ou, para quem não viu, para reflectir (agora vai passar a ser "refletir"...) um bocadinho sobre alguns valores (em poucas palavras, de um lado está o imediatismo, do outro a sustentabilidade).

(Em breve viremos cá falar um bocadinho de Uma Verdade Inconveniente)

Sempre achei absurdo quem defende que primeiro vamos desenvolver e depois tratamos do resto. E quando o "resto" é algo que pode pôr / põe o "desenvolver" em causa, então o absurdo atinge o paroxismo.
É como querer enxaguar o chão com um pano que vai absorvendo a água que continua a jorrar duma torneira que ainda não aprendemos a fechar.

Ou seja, há quem defenda que o que se faz e implanta deve respeitar certos princípios e valores. E depois, apercebendo-se de que há outros princípios, em grande medida (mas não completamente) antagónicos, eles lá arranjam forma de compatibilizar ambos. Quando um deles sai claramente a perder, pode-se dizer que não houve um planeamento eficaz. O que costuma ficar à vista é uma asneirada da grossa. E quando as asneiras grassam, após provocar o riso, costumam passar despercebidas.
É um exemplo desses que venho ilustrar hoje. À vista de toda a gente. Mas como sabemos que a nossa percepção é alterada pelo nosso posto, lá vão tornando-se invisíveis.

Ver melhor para acreditar
Foto de Eduardo F. - Fraião, 24.12.2007

A imagem retrata uma passadeira numa via circular periférica à parte este da cidade (Avenida Dom João II, maioritariamente localizada em Fraião, por trás do eixo onde se localizam quase todas as grandes superfícies comerciais de Braga). Por ela os automóveis costumam passar a velocidades médias superiores a 40 km/h (sei lá, digo eu!).
Outro factor importante: não há muitas moradias nas proximidades imediatas. Pelo que poucas pessoas devem, de facto, utilizar esta via para se deslocar a pé.

SÓ QUE... pormenor ainda mais importante e pertinente: esta circular está "provida" de ciclovia (sim, aquela pista verde que podeis ver na foto...). E, os bracarenses e não só sabem-no, a grande extensão da circular é muito usada como percurso de manutenção (é ver dezenas de pessoas, de bicileta ou a pé, de manhã, à tarde e de noite, num andamento mais ou menos acelerado. Sobretudo aos fins-de-semana).

Esta passadeira é logo das primeiras da avenida (em direcção a norte) e o grosso dos viandantes costuma virar logo para a / pela Av. Robert Smith (até porque se vierem para Sul o caminho puxa um bocadinho, e isso cansa...). Mas pelo que me lembro, quase todas as passadeiras ao longo dela padecem deste erro.

Bem... recentrando-me no que me trouxe cá hoje, queria dizer que o tal "planeamentozinho" pensou no automóvel. Depois, como que caída mais ou menos de pára-quedas, lá puseram a ciclovia (desde a Av. da Falperra até à Rua Luís António Correia são cerca de 2,3 kms para andar) e, já agora, não nos esqueçamos dos peões.

Bastava não ter projectado a "área verde" até à estrada e já não se cometiam atropelos destes. O verde não é muito significativo, mas ter de o pisar (quem anda de cadeira de rodas não põe lá os pés, isso é certo) é sintomático dos valores que regulam a cabeça pequenina de quem nos vai oferecendo os espaços em que vivemos.

sábado, março 22, 2008

"Mapping the Planet with Open Source", Gary E. Sherman


Mapping the Planet with Open Source
Gary E. Sherman
Edição Pragmatic Bookshelf

Livro para a iniciação à utilização de ferramentas SIG Open Source. Está direccionado para os utilizadores com maior ou menor experiência em ambiente SIG, abrindo portas para o mundo Open Source que oferece cada vez mais alternativas credíveis ao software pago.

sexta-feira, março 21, 2008

Manifestos na cidade: (des)acordo ortográfico?

Vidal: Braga, Março 08

Desde que o Homem desprezou o canivete que lhe permitia desenhar o seu amor, em corações sentidos, nos troncos das árvores, que algo irremediavelmente se perdeu. Com reflexos na paisagem. Expressa-se agora (ou talvez desde a famosa xaropada da SIC “Amo-te Teresa”) pelos muros ora em lamentos, ora em tormentos (nossos). Pena que aqueles não tenham corrector ortográfico. Não faz mal.
Ainda esta semana se lançou um dicionário com as mudanças relativas ao (controverso e necessário?) acordo ortográfico, desenhadas nos últimos anos e com aplicação progressiva nos próximos 5 ou 6. São muitas as transformações, que teremos oportunidade de futuramente abordar. No pardieiro linguístico em que vivemos, vai ser um regabofe.
Mas porké?...

Olha, apetece-me! (I)

Apetece-me começar uma crónica. Aqui começa uma crónica de poucos artigos que pretendo trazer até a este espaço que tenta pôr a Geografia no centro do assunto.

Não consiste noutra coisa que divulgar capas de discos (com tanta estandardização a música anda um bocado arredada das nossas geografias, não anda?) que retratam paisagens e delas dizer umas quantas palavras. Sim, sabemos que a matéria é imensa e a tarefa pode durar como o plástico na natureza, mas se formos andando não vamos caindo.

Ver maior

Imagem 1 - "Viagens na Minha Terra" - Rão Kyao (Lp, 1989)

Não, não sei que aldeia está retratada (é uma das coisas que pretendo descobrir através da vossa participação), mas gosto desta imagem. Apesar do tom escuro (seria das nuvens? seria também do verde da vegetação? - factores que ficam fixados no documento levantado e que, como nos mapas sobre os quais muitos trabalharão, podem levar a percepções diversas...), o que me apraz dizer é que se sente uma harmonia. O equilíbrio? Não, a justa medida, parece-me. Um crescimento lento e que, de lento, talvez tenha sido pensado. Talvez sem as megalomanias e riquezas que descaracterizam o espaço construído ou humanizado.

Estaremos a ser demasiado idílicos?
Viajemos, então, pela nossa terra.

quinta-feira, março 20, 2008

À solidão da cidade uma outra solidão...

Ó solidão do boi no campo,
Ó solidão do homem a rua!
Entre carros, trens, telefones,
entre gritos, o ermo profundo.
Ó solidão do boi no campo,
ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
a escuridão rompe com o dia.
Ó solidão do homem no campo,
homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
e as casas não têm sentido algum.
Ó solidão do homem no campo!
O navio-fantasma passa
em silêncio na lua cheia.
Se uma tempestade de amor caísse!
As mãos unidas, a vida salva...
Mas o tempo é firme. O boi é só.
No campo imenso a torre de petróleo.

"O Boi"

(Carlos Drummond de Andrade )

quarta-feira, março 19, 2008

Braga Revivida

Andava eu (talvez, não me recordo já muito bem, e o dito não contém as habituais referências que os livros têm: o ano de edição era o mais pertinente para precisar...) no 4º ou 5º ano escolar, quando a minha professora primária chega um dia com um saco de livros como estes à sala.

A professora Gorete dirige-se a nós, pequenos seres para quem não sabia encontrar mais que um sentido nas palavras, mais ou menos nestas palavras:

- Olhai, meninos, vou dar-vos este livro porque [e esta foi a ideia com que sempre fiquei, não sei porquê. E era isso que gostava de confirmar] vai ser retirado do mercado. Depois, não há mais.

E pronto, lá ficámos com ele. Olhando para o móvel onde tinha guardado este objecto de memória, que ficou estes perto de quinze anos na prateleira, sem lhe ligar muito, como quase que invisível e, portanto, morto (um dia abordaremos este assunto...), resgatei-o há dias e fui lê-lo. Não queria mentir, mas acho que foi a primeira vez que o li. São pouco mais 20 minutos, sem grandes pressas.


Braga Revivida,
de José Sepúlveda Macedo e Carlos Dias Tavares

Trata-se de uma pequena viagem pela história da região e, em particular, da cidade de Braga. As personagens visitam os locais e, surpreendentemente entrados numa espécie de sonho, revivem os tempos antigos.

Desde o tempo castrejo (na Citânia de Briteiros), passando pela época romana (com a acção a passar-se ali pelos lados de Maximinos e pela Cividade), vivendo a Idade Média (dentro e à volta da Sé, bem no centro da então jovem cidade), pelos séculos da emergência do Barroco (por locais como a praça do município, o Museu dos Biscainhos, o Largo do Paço, pela Igreja dos Congregados e Santa Cruz do Monte (i.e. o monte do Bom Jesus)), até chegarem aos finais do século XIX (pela escola Sá de Miranda, pela Arcádia e junto ao velhinho Posto de Turismo), lá vamos vagueando pela História e por alguns acontecimentos que marcaram a cidade.

É giro reconhecer os espaços retratados e saber um bocadinho mais da nossa terra.


A tiragem do livro foi de 5500 exemplares, o que me leva a duvidar da "ameaça" da minha professora primária. Seria, por isso, interessante saber quantos dos amigos que nos visitam guardam este livro lá por casa...

terça-feira, março 18, 2008

Ameaças Biológicas

Ameaças Biológicas
Crónica do quotidiano
(A propósito da minha ida às finanças.)

Aguardava a minha vez, e deu-me para olhar os papéis que normalmente se afixam nos estabelecimentos públicos. Havia um que alertava para correio suspeito. A circular datava, salvo erro, de 2002. Dizia mais ou menos o seguinte:

"Se receber um carta...
a) proveniente do estrangeiro
b) com muitos selos
c) com uma caligrafia péssima
d) com pedaços de metal a sair do envelope
e) se o envelope tiver um cheiro estranho
f) se o envelope for pesado e volumoso
...
contacte a PSP e descreva a situação.
Aguarde a chegada dos agentes sem abrir o envelope."

Um comunicado destes decorria, parece-me, da senda de alarmismos pós 11 de Setembro (o de 2001, que o de 73 não é aqui chamado).
Os biólogos sabem-no e bem o alertam: há espécies animais e vegetais que invadem territórios até então estranhos e cujas consequências se enquadram nas seguintes hipóteses:

a) benéficas
b) prejudiciais
c) inócuas

Um exemplo que cai na alínea a) é a introdução da batata no continente europeu nos finais do século XVI. Por cá comia-se castanha, antes de a batata se expandir. Hoje há batatais em muitas regiões do país. E daí não parece ter vindo mal ao mundo...
Bem... o abuso - como em tudo - das batatas fritas não é coisa lá muito saudável. E a produção em série, a falta de tempo para almoçar e a proliferação de restaurantes de comida rápida ajudaram a mudar a nossa fisionomia. E as estatísticas da saúde. E outras coisas mais. (Uma agricultura intensiva tem recorrido a pesticidas e "o corpo é que paga. O NOSSO corpo. estamos a falar de ameaças biológica, mas aqui está um exemplo de ameaça química).

Um exemplo que cai na alínea b), para alternar na espécie, é a introdução do lagostim americano nos cursos de água europeus. Muito resistente à poluição, o lagostim prolifera e - como costuma acontecer - reduz a disponibilidade de alimento para as espécies autóctones. (Não, não estou a demonstrar uma faceta chauvinista ou nacionalista aplicada à biologia.) Veja-se o caso da lagoa de Bertiandos, na qual as (poucas) lontras lá existentes gostam muito deste pitéu. Concluindo: porque a Natureza é evolutiva, as leituras maniqueístas têm sempre de ser feitas com reservas.

De exemplos inócuos
a) desconheço (mas chegue-se à frente quem conhecer)
ou
b) não me apetece falar...

Todos os anos, os animais de estimação exóticos,
a) porque já não têm tanta piada, ou
b) porque cresceram demasiado, ou
c) porque a sua alimentação se tornou demasiado onerosa
...
são lançados no meio natural. (O tráfico ilegal de espécies grassa porque envolve dinheiro, esse material sem cor nem ética que muitos compra)

"Deixai vir a mim... as consequências", diz Deus.
Depois ele (ela) responde-nos torto!

Ora...
Isto veio a propósito da intenção do governo de proibir a importação de algumas raças de cães. A questão é que é a perigosidade das mesmas o motivo de legislação. Perigosidade em relação a efeitos físicos (mordeduras e por aí). Claro. (Não consta ainda que alguém se tenha lembrado de considerar um pitbull uma espécie perigosa para a diversidade biológica das famílias caninas existentes por cá...).


Mesmo assim gostava de dizer que:
Nunca passaria pela cabeça de ninguém proibir a espécie Eucalyptus. Ora aí está uma ameaça biológica com que, de norte a sul do país, toda a gente se depara sem pestanejar. (A proliferação de espécies exóticas constitui- já o dissemos e voltamos a dizer - uma forma de poluição.) É gravíssima a indiferença. Como se todos trabalhássemos na indústria do papel. Mesmo aqueles que se vêem ameaçados pela chegada dos fogos às suas casas, durante os habituais incêndios do Verão.

Na biologia como na política,
Contra os totalitarismos, a diversidade!

Enfim...
Fica-se por aqui esta crónica...

segunda-feira, março 17, 2008

"Uma descoberta do Mundo"

Cartaz do congresso"Nos dias 2, 3 e 4 de Maio realiza-se em Vila Real de Santo António a primeira sessão de um Congresso Itinerante Internacional que terá, posteriormente, continuação temática em Sevilha e Ceuta.

Sob o título "Itinerários e Reinos: uma descoberta do mundo. O Gharb al-Andalus na obra do geógrafo al-Idrisi", este congresso, uma co-organização da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e da Fundação Al-Idrisi Hispano Marroquí, propõe-se realizar uma análise da obra desta grande figura da geografia árabe medieval e da importância do seu trabalho para o desenvolvimento posterior de algumas ciências na época moderna: Geografia, Botânica e Cartografia, esta última fundamental no arranque das viagens europeias dos finais da Idade Média.

Neste encontro de diálogo entre Oriente e Ocidente, que reúne especialistas de países europeus e do mundo árabe das duas margens do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Marrocos, Argélia, Egipto, Síria, Iraque e Arábia Saudita), afinal do mundo sem fronteiras que al-Idrisi retratou na sua obra, far-se-á também homenagem a outra grande figura da poesia e cultura luso-árabes: Ibn Darraj, natural de Cacela. Por isso se realizam em Cacela Velha algumas importantes actividades deste congresso: visita guiada ao seu património histórico, recital poético em várias línguas e descerramento de placa evocativa, em homenagem ao poeta ali nascido.

Vimos por este meio divulgar o programa, informar que se encontram abertas as inscrições, e convidá-lo(a) a participar no congresso. Junto enviamos programa / folheto e ficha de inscrição."


ORGANIZAÇÃO
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Fundación al-Idrisi Hispano Marroquí para la Investigación Histórica, Arqueológica y Arquitectónica


INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Câmara Municipal de Vila Real de Santo António
Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Catarina Oliveira
Antiga Escola Primária de Santa Rita
8900-059 Vila Nova de Cacela – Portugal
Tel. / Fax: 00351 281 952 600
ciipcacela@gmail.com

http://www.cm-vrsa.pt/

http://www.ciip-cacela.blogspot.com/



Fundación al-Idrisi Hispano Marroquí para la Investigación Histórica, Arqueológica y Arquitectónica
Fatima-Zahra Aitoutouhen Temsamani
Apartado 4.359 - 41080 Sevilla – España
Tel./Fax: 0034 955717926 Móvil: 0034 639853337
fal_idrisi@hotmail.com

sábado, março 15, 2008

Onde vivemos - Inquérito

Pois é, vindo em pezinhos de lá, o inquérito deste mês instalou-se ali ao lado.
Como as mudanças à nossa volta. E quando formos a ver, já a procissão passou.

Pensar sobre o l(ug)ar em que moramos é afirmar o nosso existencialismo. É reflectir sobre a saúde, a geografia, a economia, a política (ou seja, a ética). Sobre o nosso papel enquanto seres passantes, fugazes, em muitos casos, não indiferentes.

Os indicadores da qualidade de vida incorporam, sem dúvida, uma componente material (acesso aos cuidados de saúde, a infra-estruturas básicas, condições de habitabilidade...).

Contudo, a pergunta ali ao lado (não, não estamos a partir do princípio de que já todos a temos garantida!, porque ainda não ultrapassámos essa fase...) pretende (foi com esse mais com esse objectivo que a postulámos) que a avaliemos em função do meio que nos rodeia. Busca, portanto, uma abordagem mais ligada à saúde ambiental. Alguns dos marcadores que usamos aqui no Georden podem dar umas pistas para a sua leitura.

Olhando à nossa volta, as condições disponíveis permitem-nos uma boa qualidade de vida?

No fim do inquérito, poderemos discutir melhor este assunto, com os vossos comentários e as vossas apreciações e abordagens.
A pergunta está lançada.

sexta-feira, março 14, 2008

Manifestos na cidade


Manifestos na cidade e... degradação, paredes meias com construção a granel.
Vidal: Rua de Santa Cruz. Braga.Março 08

quinta-feira, março 13, 2008

O Georden está nomeado para o Logo Design Love Awards

Olá a todos.

O logótipo Georden foi recentemente nomeado, na categoria de blogs de ambiente, para o Logo Design Love Awards.

Clica para aumentar
Vejam mais em logodesignlove.com

quarta-feira, março 12, 2008

Estes estranhos nomes... (IV)

Recomecemos a viagem pela nossa terra. Que dizer de um país onde é perfeitamente possível ir de Cabeça Perdida (em Portimão) para a Cornalheira (em Meda)? Como é que os habitantes de Cabeça Perdida conseguem aguentar as piadas dos forasteiros que perguntam de onde é que eles vêm (“Nós vimos de Cabeça Perdida”) só para lhes poderem dizer “Está bem, filhos, mas aqui tenham calma, que não estão na vossa terra” e porem-se todos a rir dos pobres desgraçados de Cabeça Perdida.
Em Ponte da Barca há um lugar cujo nome dispensa os habituais apelos camarários do estilo “Este jardim é seu, conserve-o” ou “Este jardim é nosso - ponha-se a andar!”. Chama-se Cuide de Vila Verde. O problema é que há outras aldeias chamadas Vila Verde para cuidar e a única maneira de ser absolutamente claro é dizer “Cuide de Cuide de Vila Verde”. Há até nomes de terras que parecem títulos de LPs de cantoras portuguesas rascas, como Cima de Pele (Famalicão).
Blearggh!

Nesta linha pretensiosa há alguns lugares que parecem títulos de livros de poesia de terceira ordem, daqueles que agora abundam, com poeminhas muito limpinhos e sérios. Como Nave e Casas (em Loulé). E quem não chamaria um figo a Nave de Haver (em Almeida), a Água Longa (Paredes de Coura), a Entre-Ambos-os-Rios (Ponte da Barca) ou a Logo de Deus (Coimbra)?
Os nomes de que eu mais gosto são aqueles que se devem a quem não esteve para pensar muito. No concelho de Angra do Heroísmo há lugares que, numa admirável atitude de indiferença filosófica, se definiram pelos lugares que lhes estão próximos. Assim, temos Das Quebradas ao Solto e depois Do Solto às Duas Ribeiras, Da Ribeira do Mouro à Canada da Praia e Da Ribeira do Mouro à Canadinha. De facto, porque é que se hão-de complicar as coisas? Não é mais claro, por exemplo, dizer De Algés a Belém em vez de estar a insistir no confusionismo chauvinista de Pedrouços? No continente, onde cada terreola se acha com suficiente importância para merecer um nome só para ela, os únicos lugares que mostram um enfado aristocrático com a onomástica são sítios como Entre Bouças (Braga), Entre Latas (Guimarães) e Entre Valas (Soure). O nome mais notável de todos, guardo-o para o fim e vem, obviamente, dos Açores. É Caminho para Além (Angra do Heroísmo). Como quem diz “É um sítio que fica no caminho para outro”. É pena não haver prémios.
Para que o concelho de Angra do Heroísmo não se fique a rir, lembremo-nos de um lugar que há lá que soa pior ainda que a Buraca e Chelas (Lisboa) ou que Vilar de Porro (Ponta do Sol) - já alguém pensou no que seria passar uns dias connosco à Grota da Chouriça? Que amigos responderiam ao convite “Venham passar uns dias à Grota!”. É que O de Grota, para além da Chouriça, torna impossível uma resposta afirmativa.
Por outro lado, é inegável que a Angra tem os nomes mais estilosos. Compare-se o estilo continental com o insular. Em Famalicão, conta-me um amigo, há uma terra chamada Nine, porque dantes correspondia ao quilómetro Nove (em Inglês, Nine) da linha férrea. Na Angra do Heroísmo, num golpe de inspirada secura que só faz lembrar o bom gosto de Noel Coward, há um lugar chamado Às Nove. Só faltam os coctails! (Também há dois sítios na Angra do Heroísmo chamados Às Dez, mas, não sei porquê, não soam tão bem.).

(Está quase a terminar esta divertida crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)

segunda-feira, março 10, 2008

Ironia da perspectiva

Clica para aumentarFoto de Rogério Madeira, Portalegre, 22.01.2007.

domingo, março 09, 2008

Passeio em Ansião

No dia 29 de Março a Al-Baiaz (Associação de Defesa do Património) vai organizar a sua primeira actividade pedestre em 2008 no concelho de Ansião.

Trata-se do Passeio Pedestre: Nos trilhos de Alcalamouque.

O ponto de encontro será às 9:20 no largo do Castelo de Santiago da Guarda, compartida para a Freguesia de Alvorge, perto de Alcalamouque, onde se iniciará opasseio guiado pelo Professor Doutor Mário Lousã (ISA).
Neste percurso, os interessados terão a oportunidade de passar por caminhos tradicionais, lugares perdidos no tempo e o extenso carvalhal de Alcalamouque, onde se podem encontrar carvalhos centenários, entre outros pontos de interesse.

A taxa de participação inclui seguro e águas e apenas serão aceites até 35 inscrições.
Inscrições via e-mail: albaiaz@sapo.pt
Contacto directo: 939314417 / 933124101

Difundido via correio-e.

quarta-feira, março 05, 2008

Sem memória

A propósito das cheias que nos acordaram (terão mesmo?) para, nem que seja, nos lembrar que vivemos na Terra, eis aqui esta crónica cómica, ao melhor jeito de Ricardo Araújo Pereira (vulgo RAP).


Aumente e leia
Visão de 21 de Fevereiro de 2008, p. 114




Já lá diz a canção "O Fim da História?", dos Mão Morta:

Não sabendo a verdade
do problema colocado,
não se pode definir
a estratégia a seguir.
(...)
Sem futuro nem passado
o presente é instante
a outro instante colocado
sem futuro nem passado.


(Voltaremos a este assunto.)

terça-feira, março 04, 2008

Livro Verde

Há já algum tempo que tomámos conhecimento desta iniciativa. Aqui fica o nosso modesto contributo para que ele seja mais alargado. A ilustrar, aqui fica um exemplo mais de mobilidade condicionada (neste caso, aos peões, privados do seu espaço).

Braga - Rua do Sardoal
Foto: Eduardo F. - 10.05.07

Está ainda a decorrer o processo de Audição Pública do “Livro Verde – Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana”, que pretende contribuir para a criação de uma política europeia consistente em matéria de mobilidade urbana.

Cidadãos, autoridades públicas (locais, regionais e nacionais), empresas de transporte, sindicatos, associações representativas de interesses diversos na área da mobilidade, universidades e centros de investigação, todos são chamados a participar, podendo e devendo estar no centro deste debate. Penso que, neste âmbito, o nosso papel enquanto geógrafos e planeadores é essencial.

Não existindo soluções únicas e simples para os complexos problemas com que as sociedades urbanas de hoje se debatem, e de que são indispensáveis os contributos de vários saberes e experiências, convido-vos a participar nas iniciativas desta consulta pública. Essa participação poderá ser feita através do site criado para o efeito pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P., em http://livroverde.imtt.pt/

A resposta portuguesa deverá ser dada até ao dia 15 de Março (devendo os comentários chegar algum tempo antes desta data para poderem ser considerados) tendo por base os comentários inseridos nesta página e os resultados dos Workshops realizados.


Difundido via correio-e.

segunda-feira, março 03, 2008

Estes estranhos nomes... (III) (continuação)

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Foto: António J. M. Correia


Há alguém que sabe se há ou não um lugar chamado Não Há? Na edição de 1889 do Dicionário Chorographico de F. A. de Mattos, há. Há um Não Há na freguesia de Cardosas no concelho de Arruda dos Vinhos. Na recente edição do Novo Dicionário Corográfico é que não há Não Há. Como é que deixaram desaparecer esta terra? Será que nunca houve Não Há? Ou será que ainda há? Nem se pense que o nosso carolliano niilismo onomástico fica por aqui, porque também houve, algures, um lugar chamado Nenhures. A fonte consultada, uma obra de Fausto Caniceiro da Costa, não diz onde fica. Se calhar nem sequer fica em Cascos de Rolha, que também não existe. (Escusado será dizer que nas últimas edições do Dicionário Corográfico não vem Nenhures em lado nenhum).
Se já não há Não Há nem Nenhures, talvez ainda haja Talvez, na freguesia de Vidais, no concelho de Caldas da Rainha. Tanto Não Há como Talvez aparecem no Dicionário Corográfico de 1889, mas não no de 1981. Há Talvez ou Não Há? Ou não há nem um nem outro?

Começo assim para não começar logo a falar em Picha. Não queria falar dela. A semana passada consegui chegar ao fim da crónica sem referi-la. Porém, a insistência de uma mão-cheia de leitores atentos, informados e boçais, forçaram-me a mencionar o notório lugarejo, vergonha eterna da freguesia e concelho de Pedrógão Grande. Espanta-me como os visitantes continuam sem se revoltar. Parece impossível que se percam nomes engraçados como Não Há, Talvez e Nenhures, todos de bom recorte literário, e se persista teimosamente em manter o nome deste lugar. Já em 1942, um estudioso local, um Frei Humberto, escrevia no seu opúsculo O Nome da Picha, que era tempo de altertar as autoridades no sentido de mudar o nome para qualquer coisa menos ofensiva, como Pénis, por via erudita, ou, por via popular, Pilinha.

Picha tem as casas mais baratas do país, só porque os potenciais residentes são incapazes de enfrentar uma morada tão rasca. Não é um nome que torne distinto um cartão de visita. Mesmo com uma nota de rodapé a explicar que picha significa “galheta; ou cartão pequeno”. Imagine-se também o incómodo do viajante que se ponha a caminho e seja obrigado a pedir indicações para lá chegar. Sujeita-se a que o mandem para o sinónimo.
Se fosse um caso isolado, passaria. Infelizmente, não é. Nem quero pensar na trabalheira e no embaraço dos nossos nobres e honrosos tradutores e intérpretes da CEE, ao procurar equivalentes nas outras línguas europeias (como se diz Não Há? Il n’y a Pás? No Such Place?).
De facto, para além de Picha, Portugal conta igualmente com dois lugarejos denominados Venda da Gaita. Uma fica em Almoster e outra em Tomar, e isto não pode continuar assim.


(Prosseguimos com a divertida e informativa crónica de MEC, extraída da compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.)

domingo, março 02, 2008

Inquérito defumado

Polémicas à parte (sem que isso sirva de bode expiatório para não discutirmos o que quer que seja), o resultado do nosso inquérito de Fevereiro, sobre a nova lei do tabaco, mostra um posicionamento inequívoco de quem nos visita.

Sim 38 (80%)
Não 8 (17%)
Sem opinião 1 (2%)


De realçar a cada vez mais forte participação por parte dos nossos leitores. Só vós tornais possível e com sentido esta iniciativa.
A todos os que votaran, e em nome da Georden, muito obrigado.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Capelinhos


Foto de César, Ilha do Faial (Vulcão dos Capelinos) - Açores

O Portugal moderno...

Segundo o relatório conjunto sobre a protecção social e inclusão social, que é apresentado na segunda-feira e deverá ser adoptado no dia 29 pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social, em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza(…)
Neste caso, Portugal está em penúltimo lugar e é apenas ultrapassado pela Polónia - ambos com mais de 20 por cento de risco de exposição à pobreza - de uma tabela liderada pela Finlândia e Suécia, com sete por cento de risco.

Sol online

sábado, fevereiro 23, 2008

Sacudir a água do capote…

Imagem com a cortesia do Inimigo Público, suplemento do Público de 22.02.08
António Jorge Gonçalves

terça-feira, fevereiro 19, 2008

"A régua e esquadro: novas geografias", de Eric Hobsbawm

A Questão Do Nacionalismo
nações e nacionalismo desde 1780

Eric Hobsbawm
Tradução: Carlos Lains
Edição Terramar


Parece que existe mais um País. Mais uma Nação? Todavia, existem nações dentro de países e países que não fazem uma Nação. Existem Povos que não têm país e acham-se um povo ou uma nação sem terra. Aliás o termo Nação, segundo Hobsbawm é relativamente recente (assoma com o liberalismo há cerca de 200 anos).
Quem sabe um bocadinho de história, observa que antes da “costura” de Estaline e Tito, os Balcãs eram (e continuam) um pedaço de terra em constante polvorosa, polvilhados de povos, ora independentes ora pertença de Impérios (e respectivos desmembramentos e alianças). Sim, e uma manta de retalhos, com várias etnias, povos, raças e credos diferentes (veja-se a Bósnia Muçulmana, a Croácia Católica–limite do império austríaco, a Eslovénia que fora Austríaca e a Sérvia Cristã Ortodoxa, outrora pertença do império Otomano), com os seus aliados históricos e ódios de estimação (também históricos). Tudo isso se diluiu na Jugoslávia de Tito.
A “desmancha” de início da década de 1990 foi um remake (de alguns “assuntos pendentes”- Hobsbawm) do pós - primeira guerra Mundial e dos renovados traçados de régua e esquadro (países e nações), não apenas nos Balcãs, mas em larga medida por todo o Leste europeu. Aliás, a primeira grande guerra teve lá o seu despoletar e não se afigura, de todo, tarefa fácil o entendimento da região. É necessário conhecer a sua história e os seus povos. Na segunda grande guerra estes também se dividiram profundamente na barricada. No caso do Kosovo, importa não desprezar que os Sérvios o consideram berço da sua Nação.
Em tudo isto, a televisão (fala-se do caso como do da Dona Deolinda que tem um filho lá fora a lutar pela vida), e um certo relativismo e branqueamento perpetrado pela Europa, não ajudam nada. Mais a mais, com réguas e esquadros de quem não conhece (e como poderia?) a realidade europeia e a sua história: EUA.
Outros povos (Nações?) acham-se (há muitos anos) com os mesmos direitos. A saber: País Basco, Córsega, Irlanda (apenas para referir Exs. na Europa). Fala-se do tal efeito dominó na TV como quem come nozes. A Europa pacífica e adormecida, ainda há pouco mais de 50 anos se dizimou numa guerra fraticida. A maior de todas! A memória esvai-se…
E reflectir sobre a imagem da Sérvia neste retrato? E que fará a Mãe Rússia? Que repercussões na Espanha, França ou mesmo Inglaterra? Não são de desprezar as questões de geopolítica e a vontade (porque também é disso que se trata) de poder, domínio (económico ou outro) e conquista. Para outros, poucos, de história (a sua) e honra.
Do livro de Hobsbawm apenas acrescento que é preciso lê-lo. Porque nada é o que parece ser. Povos=Nações= Países?
Mais duas propostas, para melhor compreender a região, de forma mais ou menos “ligeira”. Outro livro, nesta caso um romance: “Águias Brancas sobre a Sérvia” de Lawrence Durrell (Biblioteca de Bolso Dom Quixote) e um filme: “Underground “– Era uma vez um país, de Emir Kusturica.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Água vs Arquitectura

Clica para entrar Lisbon Aqueduct - May'07 - João Morgado _ www.photo.joaomorgado.com

"Nos dias de hoje é cada vez mais importante repensar a forma como se usa e abusa dos recursos naturais… a água é um bem precioso à vida e começa a ser cada vez mais escasso. O que poderemos fazer para inverter a situação?
De que forma a arquitectura e o urbanismo poderão ter um papel activo num desenvolvimento sustentável?

Quanto custa ao meio ambiente construir um edifício sustentável?
"

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Urban Expo - 1.º Salão Internacional

Associação Portuguesa de Gestão de Centros Urbanos"Nos dias 7 e 8 de Março de 2008, irá decorrer em Faro a URBAN EXPO - 1º Salão Internacional da Requalificação, Modernização e Promoção dos Centros Urbanos em simultâneo com o URBAN CONGRESSO - 1º Congresso de Gestão de Centros Urbanos.

A Urban Expo vai apresentar aos gestores urbanos e autarcas das cidades e vilas portuguesas os mais recentes equipamentos, tecnologias e serviços para a requalificação, apetrechamento, modernização e promoção dos centros urbanos.

Estão abertas as inscrições para as empresas que queiram estar presentes como expositoras e/ou patrocinadoras."

Clica aqui para ver brochura.

Para mais informações contacte:
Davide Alpestana
Gestor de Centro Urbano
91 289 52 65
dalpestana@gmail.com

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sobrevivência Global

Timothy O’Riordan, Professor Emérito de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, estará em Lisboa este mês para o Ciclo de Conferências “Enfrentando a Crise Global do Ambiente”, uma iniciativa do Programa Gulbenkian Ambiente.

A conferência intitula-se "Preparando a Sociedade e o Ambiente para a Sobrevivência Global" e realiza-se às 18 horas de 19 de Fevereiro (na Sala 1 da Fundação Calouste Gulbenkian.)

As inscrições estão abertas até 16 de Fevereiro, e podem ser feitas através do endereço pgambiente@gulbenkian.pt

Mais informações
aqui.
Ler a curta mas interessante entrevista a Timothy O’Riordan.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Mutantes

Vidal: Braga, Av. Central, Fevereiro 08.

Não deixa de ser interessante como neste país se vive permanentemente num gigantesco faz de conta, com carácter vitalício, asseguramos. Quando se faz algo, previsto na lei por Ex., esse algo é realizado no estritamente necessário e, se possível, de forma aparente, imediata, “pública”. Neste caso nem interessa ser a mulher de César mas fundamentalmente, parecê-lo. Os efeitos práticos, isto é, se servirá para alguma coisa, são devaneios, apanágio de visionários ou poetas. Atente-se na imagem:

Braga. Avenida Central. Um Multibanco, apetrechado, à primeira vista (eu diria vista desarmada) com as novas “tendências” (é assim mesmo) relativas à decoração e imagem, assim como as mais modernas acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida. Debalde. Na realidade, a altura obedece às características minimais para se acessar em cadeira de rodas, por Ex., não fosse o mau jeito de, não um, mas dois, patamares de acesso. Nestes, para além da altura e da mini escadinha, observa-se (não sei se seria para o efeito) um espaço reduzido para qualquer cadeira de rodas, desde que, claro está, consiga, apesar de tudo, subir. Ainda estou para aqui a pensar se seria esse o objectivo…subir(?).

Resta a opção mutante. Se não serve para subir, se apresenta uma altura “razoável” e um desnível considerável, apenas resta o recurso a outras opções. Esticar o braço como o homem elástico, materializar-se dentro da caixa, voar, (mas neste caso não precisaria de cadeira, pois não?), ou qualquer outro poder. De resto, sempre pode pedir a alguém de confiança(?) para lhe levantar dinheiro. Gente honesta não falta…

domingo, fevereiro 10, 2008

Estes estranhos nomes... (II)

Foto: António J. M. Correia
Cortesia
Registos Geográficos


Portugal não pode considerar-se inteiramente moderno enquanto ainda tiver lugares chamados Má Vontade (Faro). Qualquer belga sente-se ridículo quando as forças das circunstâncias o obrigam a escrever num envelope, só porque quer mandar um cartão de Natal ao amigo que tem no Machico, “João Madeira, Vivenda Porto da Cruz, Ribeira Tem-te Não Cais”. Ribeira Tem-te Não Cais, tal como o anterior Fonte do Bebe e Vai-te, não é, muito simplesmente, admissível.
Os Portugueses adoram estas coisas, mas elas não podem continuar. Aliás, a própria CEE certamente não irá permitir.
No Ano Europeu do Ambiente, há pelo menos um sítio onde seria indispensável realizar uma conferência internacional - é em Sujeira, no concelho de Coimbra. Para não falar do absurdo que é ter dez Infestas, o que já ultrapassa qualquer infestação, sem contar com os São Mamedes e os São Raimundos da mesma. Como se tudo isto não bastasse, há ainda uma indesculpável aldeola no concelho de Ferreira do Zêzere chamada Infestinos.
Claro que há algumas hipóteses mais positivas. Por exemplo, seria um êxito organizar um concerto da Tina Turner em Pretarouca, no concelho de Lamego. Há terras com nomes que parecem títulos de livros de Eugénio de Andrade, como Ferido de Água (concelho de Paredes). Há saldos de todas as espécies. Toda a gente conhece o Vale de Pegas (Albufeira) e a Venda das Raparigas (Alcobaça), mas há lugares mais especializados como a Venda da Luísa (Condeixa-a-Nova) ou a Venda da Gaiata (duas em Tomar, uma em Pedrógrão Grande) e ainda lugares lamentavelmente racistas, como seja a infame Venda dos Pretos, em Leiria. Com nomes destes, nunca haveremos de ir a lado nenhum.
O desenvolvimento não se compadece com estes barbarismo e idiotismos. Não haverá fundos regionais para sítios chamados Fofim de Além e Fofim de Aquém (Vila Nova de Gaia), Fonte do Judeu Morto ou Marmelar? Mesmo as terras com formas verbais (as minhas predilectas) como “Farto” (Arcos de Valdevez) e “Gostei” (Bragança) não têm a mínima graça quando são traduzidas.
Para minimizar os estragos injustos que provocam os nomes dos lugares, para deixar de marcar as vidas e as carreiras de todos aqueles infelizes da Sarnada (Paredes), de Porca, de Porcas, de Porquetra e de Porquetras, de Porrais e de Porreira, de Pocilgas (Vila do Porto) e da Porcalhota, é necessário adoptar o esquema norte-americano e começar a dar nomes de cidades estrangeiras às centenas de terras com nomes horríveis. Sarilhos Grandes passaria a ser Paris (não Paris, Texas, mas Paris, Montijo), Sarilhos Pequenos seria Versalhes, a Costa da Ervilha seria Istambul-a-Nova, e o Cabeço do Cão Morto seria Viena. Sejamos civilizados.
Três Figos de Baixo (concelho de Monchique) passaria a ser Walton-on-Thames. Saca Bolos, nome absurdo, poderia ser o Luxemburgo. O Fogueteiro seria Leningrado. E por aí fora, no verdadeiro espírito universalista que nos caracteriza. Assim é que não. Temos a corografia mais ridícula da Europa.



Este é o segundo extracto de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso, "Nomes da nossa terra que urgiria esquecer", que vem incluída na compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Estes estranhos nomes... (I)

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Foto: António J. M. Correia

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu. Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia.
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide. Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço. Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. Para não falar na Cova da Piedade, no Fogueteiro e na Cruz de Pau.

Um dos mais notáveis documentos da nossa cultura é o Dicionário Corográfico de Portugal, de A.C. Amaral Frazão (Domingos Bandeira, Porto, I981). Contém cerca de 1000 nomes de lugares, aldeias, vilas e cidades portuguesas. Ao ler os nomes de alguns sítios, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na CEE. De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. Imagine-se o impacte de dizer «Eu sou da Margalha» (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente «E a menina, de onde é?», e a menina diz: «Eu sou da Fonte da Rata» (Espinho). E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando «E onde mora, presentemente?», só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).
É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda. Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Tarouca, de uma Vergadelas?

É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma de «terra». Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro),
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros («I am from the Fountain of Drink and Go Away...»).

Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa (Torres Vedras). Verá que não é bem atendido. Toda a gente levará a mal o passageiro que provier de um A-do-Cavalo (Trancoso) ou de um A dos Caos (Sintra), que nem sequer é capaz de ser A dos Cães, só para embirrar e soar mal. Como se isto não bastasse, há muitos compatriotas nossos que nasceram com o handicap de serem de A do Barbas (Leiria) ou de A de Loucos (Vila Franca de Xira). E injusto. E é muito pouco europeu.

Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima. Fica perto da aldeola de Sacripanta, e da lendária vila Sacana (estes dois últimos são mentira). Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo Não sei, A Mousse é Caseira, ou Vai Mais um Rissol.
É certo que já há algumas terrinhas com nomes pós-modernos. Há s terras chamadas Formal, onde toda a gente anda de smoking e lê os formalistas russos — uma em Ovar, outra em Vila Nova de Gaia e uma em Espinho. Há, nas Caldas da Rainha, um moderníssimo Imaginário, terra natal de muitos dos nossos grandes intelectuais sem imaginação nenhuma. Existe uma Invenções (concelho de Resende). No concelho de Santana, lá está uma Diferença. Há, em Vila Nova de Ourém, uma Memória. Imagine-se só o que um poeta rasca era capaz de fazer com esta informação (exemplo de um primeiro verso: «Lembro-me da Memória como se inda ontem lá estivesse...»). Para os nossos cineastas e encenadores há uma terra santa, um Jerusalém dos Subsídios, que se chama Verba (em Aveiro). Há uma aldeia ultramoderna que até se refere a si mesma - chama-se Própria (concelho da Feira). Por último, como convém, só há uma Verdade — a de Melgaço, e mais nenhuma.

Há dois casos do mais puro e acintoso dadaísmo. Como se não fosse já difícil suportar a vergonha de haver um Isqueiro no mapa, Portugal tem logo quatro. Quatro Isqueiros! Dois em Barcelos e dois em Caminha. Ou seja, quatro isqueiros todos juntinhos uns aos outros, criando a grande confusão nos turistas e demais excursionistas da Ronson, e isto sem um único Fósforo no resto do país.

No que toca à Política, nota-se que a Esquerda não vai bem. Só existe um Cunhal, no concelho de Alvaiázere. (Onde é que fica Alvaiázere, por amor de Deus?) Constâncio, não há. Há uma Constância e um Constance, o que não é a mesma coisa. Eanes também não há, isto apesar de um Martinho e de dois Medeiros, nos concelhos de Castelo de Vide, de Montalegre e de Vila Nova de Gaia, respectivamente. A Direita, em gloriosa contrapartida, arranca logo com uma dúzia inteira de Moreiras, 7 Freitas, 3 Cavacos e 1 Pires. Quanto ao presidente da República, não se registam, infelizmente, Mários nem Soares. O que há é uma Mariola de Cima, em Monchique, e um fabuloso Maroques, em Tavira. Toda a Campanha presidencial esperei ver o cabeçalho “Mário conquista Maroques” ou “Freitas visita Freitas, Freitas, Freitas, Freitas e Freitas”. Mas em vão.
Na política internacional, deve haver mouro na costa porque apesar de uma Espanha (Lousada) e de uma França (Bragança) e de um Brasil (Barcelos), e na ausência vergonhosa de uma Inglaterra, de uns Estados Unidos da América, de uma Argentina e de uma Suécia, há nada mais nada menos que cinco Marrocos! Só nos apazigua o facto de haver uma terreola no concelho de Tábua chamada Meda de Mouros ou, como se diz maliciosamente em Tábua, deixando cair os érres, a Meda de Mouos.

Depois, há um monte melhor do que a Montanha Mágica de Mann, onde se concentram todos os heroinómanos deste país - é o Monte das Picadurinhas, no concelho de Iaméu (não é nada, é no de Ourique). Não fica muito longe de outro notório hippy - o Monte da Má Coisa, em Montemor-o-Novo. Aliás, no capítulo psicadélico, o lugar mais estranho deve ser Helenos ou Raso (Pombal). Diz um frique ao outro: “Vamos fumar uma broca a Helenos ou Raso?”. O outro, zonzo de droga, pensa um bocadinho e responde: “A Raso”. O primeiro, aturdido de estúpido, não compreende e indaga: “Mas arrasas o quê, meu?”.


Este é o primeiro extracto de uma crónica de Miguel Esteves Cardoso, "Nomes da nossa terra que urgiria esquecer", publicada em data não referida (mas Mário Soares era presidente, na altura, e - parece - Vítor Constâncio era de esquerda...) e vem incluído na compilação "Explicações de Português", 2ª ed - Novembro de 2001, Assírio & Alvim, pp. 231-241.
Achei que valia a pena partilhá-la com todos os que nos visitam. A não perder os próximos "estratos".

terça-feira, fevereiro 05, 2008

É só fumaça!

Chamamos a vossa atenção para o inquérito deste mês, o qual tem como pergunta:

És a favor da nova "Lei do Tabaco"?

As respostas têm sido muitas, mas julgamos que a questão ainda mal começou a ser colocada...

Para citar uma personagem da nossa história recente (Jaime Neves):
- É só fumaça!

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Que fazer aos espaços centrais?

Ler em caracteres maiores
Povo de Guimarães - 01.02.08, p.3

(Como costumam pintar bem as imagens do que será o futuro das coisas após uma intervenção requalificadora... E "requalificadora" também é passível de discussão...)

domingo, fevereiro 03, 2008

Do bairrismo: um exemplo prático

Na cidade de Braga, sair à noite costuma significar, além de entrar em estabelecimentos fechados, repletos (a culpa é nossa, porque, à partida, eles estão vazios...), exíguos e onde se respira mil vezes e mal o mesmo ar (refiro-me aos locais onde é permitido - vá-se lá saber como - fumar), sair com um papelinho onde nos carimbaram, ou não, com preços daquilo que consumimos.

Na cidade de Guimarães, sair à noite costuma significar ir para o centro histórico da cidade, onde a mesma fervilha de vida e liberdade. Liberdade é a palavra-chave neste meu protesto que aqui deixo. Já o discuti muitas vezes com amigos e pareceu-me que o copo se encheu a tal ponto para o partilhar.

Na cidade de Guimarães as pessoas entram e saem sem qualquer preocupação. O que tem um efeito altamente benéfico para quem - como penso que é o objectivo - quer divertir-se e estar bem com os amigos: é que o ar é muito menos pesado.

Porque não nos sentimos obrigados a ficar,
porque se sairmos vamos ter de pagar
e isto de andar a entrar
e sair de bar em bar
não está a dar
para quem ainda não começou a trabalhar


Pergunto-me sobre os porquês de tão opostas estratégias. Serão directivas camarárias?

Seja como for, o bairrismo, quanto a mim, só significa uma coisa, ou antes de outras coisas: atraso mental. Repito: atraso mental.

O futebol, esse desporto maravilhoso e bonito que, como qualquer desporto, devia promover a saúde a convivência sã entre os povos, tem - julgo eu - um papel importante para alimentar (senão a criar!!!) esse efeito perverso que é o bairrismo. Pois bem. Entre aqueles a que os bracarenses chamam de espanhóis e os assistentes, que apenas querem ver um bom jogo, fica o bairrismo de ambos, que ambos divide mas que ambos une na estupidez.

Claro que há estabelecimentos onde se paga o dito "consumo obrigatório" que muitos dizem "ser proibido", mas que nós vamos pagando onde é "obrigatório". Mas eu - que não sou muito dado a esses espaços e ambientes decadentes onde corpos dançam inconscientes ao som do álcool - manifesto a minha liberdade em preferir os espaços onde não há "consumo obrigatório".

É óbvio que depois se diga que Braga não tem vida à noite e os seus sitiados não queiram ver o que se passa na sua congénere vizinha...

Enfim, cada um queixa-se daquilo que o afecta. Deixo-vos com uma citação fenomenal que descobri estar disponível há poucos dias. (Não, não é bairrismo, juro...)



quinta-feira, janeiro 31, 2008

Convivência entre o meio urbano e o rural na cidade (ou aldeia) de Braga

Clica para aumentar Foto de crg_destino: UMinho, a 900m de si_Braga, Jan'08 em www.claudettechiclette.blogspot.com

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aqui.