terça-feira, janeiro 08, 2008

Sem espaço?...

Vidal, Braga sem espaço. Janeiro 08

Esta sofreguidão da ocupação do espaço urbano, espraiando-o sem nome pelas redondezas, num processo de dissolução dos lugares, perda de identidades e de pedaços razoáveis de vazio opaco, ainda assim, suplanta-se nos centros, pelo tenebroso mister de polvilhar cada espaço como se a cidade envergonhada tivesse que se esconder. E tem.

Discute-se por isso, e bem, em Braga (leia-se o artigo publicado ontem, dia 7 no Diário Do Minho - sem link- elaborado por um elemento da ASPA), sobre quanto custa, sim, quanto custa economicamente, não termos espaços verdes e em última instancia, não termos espaços.

Vidal, Braga criativa. Janeiro 08

Veja-se nas imagens. A composição plástica(?) frenética da ocupação. E depois o aproveitamento(?), com a construção de um campito para a prática de desporto sob o viaduto. Boa composição.

domingo, janeiro 06, 2008

Ano novo vida nova?

É proibido proibir
Famigerada frase manifesto do Maio de 68

Cortesia Inimigo Público suplemento do Público de 4 Janeiro 08

Não me parece. Soubemos esta semana, de mansinho, para não incomodar as hostes em saída de festa, que o ano transacto foi negríssimo para as empresas portuguesas (grande parte no Norte do país). Sem embargo, representou um recorde no que toca a encerramento (falência) de unidades. Certamente 2008 só poderá ser melhor, visto já não existirem muitas para encerrar.

Este início de ano trouxe-nos, também, um aumento generalizado dos preços, acompanhado pela subida “mítica” do petróleo até aos 100 dólares o barril. Como curiosidade diligenciei um pequeno estudo comparativo com os nosso vizinhos Espanhóis e concluí, não sem pasmo que, para além dos combustíveis, electricidade, preços em mercearia (mais económicos - o costume) e o facto de possuírem menos carros e telemóveis por família (ou pessoa) e comprarem menos casas, ainda se verifica um estranho fenómeno de aproximação. É com pena que apuro que essa aproximação ocorre não pela subida do nosso poder real de compra, ou aumento significativo dos salários, não, não, mas porque os nossos preços (hotelaria, restauração, livros, discos, bla, bla) sobem, esticam-se sofregamente para acompanhar nuestros hermanos. É assim a Ibéria.

Começamos igualmente o ano com a conhecida (eufemisticamente falando) lei do tabaco, mais uma interdição sem proibição. De acordo, os tipos preocupam-se connosco. De acordo. Mas com decoro. Sem mentir. Não obstante o referido (em geral bem) em post anterior da autoria do meu amigo Rogermad, acrescente-se algumas reflexões para a fogueira. Já conhecia a lei, eu, e mais quantos? Alguns, bem o sei, porque os conheço, fartaram-se de tentar apurar, depurar, reflectir e até debater em conjunto a dita. Os parâmetros, bem, são acessíveis(?), claramente. Mais uma vez fui ao vizinho (aliás, várias vezes). É um facto: não se fuma em locais públicos fechados (embora estes tenham sempre um reservado para fumadores), não se fuma nos locais de trabalho e outros equiparados, etc, etc. Mas quando chegamos, à restauração, cafés e bares, verificamos que (pelo menos) em 40 a 50% destes (com menos de 50m2 e não só ) é permitido fumar, cabendo ao proprietário a decisão (sem grandes burocracias, obras ou hipocrisias). E cabe-nos a nós, amigos, depois escolher onde vamos. Direito ou oportunidade de escolha.

O que a mim me caceteia é esta morrinha crescente de proibições, arrogância, superioridade moral, perseguições mesquinhas, do cartão único e do sorria está a ser filmado. O que me chateia é pensarem por mim e o “que é melhor para mim?”. E não sou o único. Helena Matos (uma liberal de direita, logo, nos meus antípodas), que não consta ser fumadora, refere-se no Público de 3 Janeiro a algo que seria uma anedota (bem, nem há 40 anos seria possível), ou pelo menos ridículo, informando-nos que a policia andava atrás de fumadores (esses criminosos) e cito “Aos mesmos cafés onde não aparece em caso de assalto [ou pancadaria, acrescento eu] ocorrem para levantar autos por causa de uns cigarros. Loucura governamental? Nem pensar. Não só os ladrões não costumam pagar multas, como todo este totalitarismo sanitário nos reduz de cidadãos livres em criaturas de tal modo atarantadas com a lei que confundem cidadania com correcto índice de massa corporal”. Não irá também contra o direito de propriedade e liberdades individuais? Como se referia um destes dias um amigo advogado, “ o que vale neste país é que ninguém se apercebe que tem direitos, senão…”. Mas tem.

Para além disso, o fundamentalismo (perdão as leis) não é para todos. O Sr. Director da ASAE pode fumar às tantas da manhã. Mas em casinos, claro.

O que realmente me repugna é discutir-se tudo isto como a coisa mais relevante do mundo. No país da ribeira dos milagres (já contaram as descargas poluentes no ano de 2007?), no mesmo país onde se despejam electrodomésticos nos caminhos e nas bouças, onde se acama carne podre no papelão( aconteceu em Braga), no país onde qualquer miúdo (com menos de 18 anos) bebe álcool nos bares e discotecas e (como aconteceu comigo no passado) se não os servirmos são os”adultos” que se insurgem.

“Serve lá o puto que já é um homem”. No país do 1.6 gr de álcool no sangue a ultrapassar pela direita a 180km/h, onde não se respeitam sinais de trânsito, passagens de peões, e se cospe para o ar nunca para o chão. Num país meus amigos, onde a Caixa Geral de Depósitos (banco do estado) concede empréstimos ao Sr. Berardo e aliados para comprarem acções do BCP, numa dança politica, nos últimos tempos, que desculpem, dá vontade de vomitar, com semelhante promiscuidade nas nossas barbas (quem é o burro?)…

Este mesmo país de trabalho infantil escondido, do espaço público como WC para animais domésticos, do betão, dos centros comerciais (onde também é proibida a entrada a sem-abrigo, indigentes, ou simplesmente malta que não se assemelhe a um consumidor, nunca repararam?). Um país onde, deveria ser proibido, sim proibido, um ordenado mínimo de 400 Euros e de reformas de 200Euros(??), este pais é o meu, o nosso e isso ninguém pode negar:´”é o que temos”. Será?

Se fumo? Fumo. De acordo, os tipos preocupam-se (!), ou como diria o Amstrong quando pôs o pé na lua “um pequeno passo para a homem, um grande passo para a humanidade.” Sem rir…

sábado, janeiro 05, 2008

Rali Lisboa-Dakar: a anedota da semana passada

Não ligue à placa Fonte: Rogério Madeira, Quarteira, 11.04.2003.



Nas dunas da praia de Mira, encontram-se um piloto de ralis e um nudista.
Pergunta o nudista:
- Que fazes aqui?
- Estou a treinar para o Lisboa-Dakar. E tu?
- Eu vim fazer uma cagadela ao natural.
- És mesmo porco.
- Porco és tu que não me deixas cagar em paz.

O “Portugal de Fachada” gera conflitos.
Desde miúdo que me ensinaram que não se deve pisar as dunas.
As dunas não devem ser destruídas!
As dunas devem ser protegidas!
As dunas desempenham um papel importante na nossa frágil costa.
Etc. blá blá…
Ou será que no fim destas regras gerais de bom senso e de educação ambiental, existe uma outra que diga, excepto:
- se fores piloto de ralis;
- se participares no Lisboa-Dakar;
- se pedires autorização e pagares um imposto ao ICN para usares as dunas;
- se for por dois dias;
- se fores com um carro com a marca X;
- nas dunas estabilizadas e com vegetação;
- nas dunas que servem de areeiros;
- para fazer amor;
- para fazer cócó.

Ok, as últimas duas excepções aceitam-se… são SUSTENTÁVEIS.

Durante muitos anos pensei que isso fosse verdade… mas até há bem pouco tempo descobri que o que me ensinaram estava errado.

Quem tem televisão em casa sempre vai a tempo de “aprender certo o que estava errado”.

Penso que todos já sabem do que escrevo, assim, no fim-de-semana irei testar o meu vermelhão 4x4 nas Dunas Douradas (Algarve).
Se aparecer as autoridades competentes a pedir satisfações, eu responderei:
“- Para Dakar qual das dunas devo seguir?”

Já posso imaginar um breve diálogo:
“- Olhe, muito sinceramente, com os 20 anos de experiência na polícia marítima, penso que deve seguir pelas arribas. Nas dunas existem muitas cagadelas de gaivotas, de naturistas e está sujeito a ficar atolado em *erda.”
- Mas é mesmo isso que quero. Quero ver se consigo desenrascar-me sozinho em caso do meu jipe ficar atascado. Olhe e já agora não se querem colocar aí para fazerem de dromedários. Tudo seria mais real.
- Dromedários?
- Não se façam de Estúpidos…
- Ah! Sim, somos Camelos…Quer dizer, FAZEMOS de camelos.”



Durante uma vida há sempre quem nos faça passar por CAMELOS!



[Este artigo foi escrito antes da anulação do Rali Lisboa-Dakar. Lamento o sucedido. Já tinha armado uma tenda em Monchique para ver passar a caravana e afinal nada feito. Tudo por causa de uma "ameaça terrorista islamita". Vocês acreditam nisto? Eu acredito na ameaça... agora ela ser terrorista e islamita ao mesmo tempo parece-me exagero dos franceses. Foi a forma que eles arranjaram de sabotar o rali. Há mais atentados a automóveis em Paris do que em todo o Portugal. Não foi em Paris que queimaram 300 carros na passagem do ano? Os desordeiros foram "rotulados" como oriundos dos países do magrebe. A França quer mesmo correr com eles...


E mais... se vamos fazer a nossa vida em função de ameaças, esqueçam...


Quem vai praticar o mal, não anuncia. Será que alguém chegou a telefonar à protecção civil de Nova Iorque a dizer que ia visitar as torres gémeas de avião? Olha! "Vou dar-te uma chapada, fica atento."


Mas é bem verdade se eu morasse no deserto da Mauritânia com um rendimento mensal de 2 cabras e 20 litros de leite, com 15 filhos para sustentar... vendo uma caravana de centenas de "brutas bombas"... montava-me numa cabra e tornava-me no "justiceiro do deserto" e limpava tudo o que era menino rico europeu. "Vá! Faça o favor de ir a pé que temos de cumprir o protocolo de Quioto... Além disso quero levar os meus filhos à escola e só tenho duas cabras..."


Em Quarteira, no outro dia, furaram os pneus a umas dezenas de carros (segundo o que ouvi dizer. Foi verdade?). Até a cidade de Quarteira, parece-me mais perigosa que a Mauritânia...

Mas o que me coloca mesmo triste é a situação do "homem das bifanas". Encomendou tanta carne para assar e não vai vender nada. Pior será, se ele for vegetariano. Enfim...

Há quem nos faça passar por Camelos!]

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Desculpe, faça o favor de apagar o cigarro…

Proibido fumarComo todos sabemos, no início do ano entrou em vigor a nova lei “contra o consumo do tabaco”. Apesar de já vir tarde, queria destacar a importância da Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto.

Assisti e li várias reportagens na TV e nos jornais sobre o assunto e, de forma geral, os portugueses estão a portar-se bem (aparentemente e se calhar, para já).

O restaurante onde, habitualmente, almoço cumpre na íntegra o disposto na Lei e os seus utentes, também. E denoto que muitos outros o fazem… com bom senso, chegamos lá…
O estranho para mim, e pergunto-me a mim mesmo muitas vezes: “É preciso uma lei para mostrar aos fumadores que quando acendem um cigarro incomodam terceiros?” (dependendo sempre do local e da situação). “É preciso uma Lei para educar a nova geração? É preciso uma Lei para vos mostrar que o tabaco mata e prejudica a saúde? Precisam de uma Lei para deixarem de fumar?”

A resposta é SIM (ou não, dependendo da questão). Num mar de gente fumadora há sempre quem não tenha bom senso e entra em conflito com o oceano de gente não fumadora. Logo é preciso estabelecer regras. (Queres fumar tudo bem, mas não prejudiques terceiros).

Não sou um fundamentalista do Anti-tabagismo, até hoje sempre frequentei cafés, discotecas (locais de muito fumo) e até já dei umas “passas”, no entanto, como não me soube a chocolate, fiquei apenas pela experiência. Por isso, estou bastante contente com a nova lei e com a consequente alteração dos maus hábitos de uma minoria (sim, minoria) de portugueses.

No entanto, como tudo de bom (ou mau, depende do ponto de vista) na vida tem entraves, a Associação Nacional de Discotecas (ou sei lá como se chamam. Nem sabia que havia uma entidade destas) já defende a alteração da Lei e está a recolher 5 mil assinaturas para levar a discussão à AR.

Facilmente eles chegarão a este número e proponho que nas listas, para além do nome e n.º de bilhete de identidade venha o grau de alcoolemia de cada assinante.
Fazer uma recolha de assinaturas na saída da discoteca, às 5, 6, 7 da matina, depois de uma noite de muito álcool é ridículo. Mas não me surpreende…

Depois assistimos a respostas (anedotas) como esta que vi na TV (na RTP):
- É a favor da nova lei? (Jornalista)
- Claro que não! Não faz nenhum sentido. Ainda para mais numa discoteca. Só vem a uma discoteca quem quer. Os não fumadores se quiserem podem ir a uma “Rave”, que é ao ar livre, não precisam de vir às discotecas. (Resposta com tom arrogante, da jovem lúcida no álcool mas embriagada no raciocínio).

Seguindo o raciocínio dela: Só vai a um restaurante quem quer! (podem comer em casa) Só entra na escola quem quer! (apesar de obrigatória, podem ser autodidactas)! Só entra no trabalho quem quer! (podem ser desempregados ou domésticos)! Só entra no Teatro/Cinema/Salas de espectáculos quem quer! (podem assistir a tudo isso na TV, em casa). Só entra no Hospital quem quer (podem morrer no local do acidente). Só entra nos transportes públicos quem quer! (podem ir a pé).
Puxa, digam-me lá se os fumadores não são animais? (Sim, tenho hábito de generalizar a coisa… ok. Vou ter calma…) Peço desculpa, esqueci-me que os animais não fumam… (Ok. Vou ter calma…) :P

Continuando…
Não tenho o dicionário comigo, mas o que é uma discoteca?
Bem, para mim vem logo duas coisas à cabeça: Local de venda e de passagem de discos de musica. Local de música, dança e de convívio/lazer, de diversão nocturna.

Ou será a discoteca um local para fumar cigarros, traficar algo ilícito e de consumo de bebidas alcoólicas? E só por acaso há música e acabamos por dançar e curtir o som...
Não percebo porquê que as cabeças de cartaz de promoção de uma festa de discoteca são sempre DJ, grandes nomes da “música de dança”, techno, etc.? Proponho aos proprietários das discotecas promoverem o seu negócio da seguinte forma: “Temos tabaco e vinho!”

Se chegarmos a este consenso, então, proponho que Fumar nas Discotecas deve ser uma excepção. Realmente, a LEI deve ser revista. Enfim…

Para a jovem embriagada no raciocínio (pena não ter a oportunidade de dialogar este assunto contigo) e a todos proponho que façam uma distinção entre Discoteca e uma Fumateca (já criadas no dia 1, que sobreviverão na ilegalidade e ainda não são conhecidas pelo público em geral fumador).
Pelo próprio nome, as diferenças parecem-me mais que óbvias (uma ajuda: seguem a lógica de Biblioteca, Ludoteca, Videoteca, BDteca, etc.)

Por último, transcrevo um poema escrito em 1997, que encontrei por acaso que nos fala de reciclar hábitos (neste caso, outros hábitos)...
No caso que quero aqui sustentar, posso interpretar o poema da seguinte forma: "A Terra de cinzas do queimar do cigarro", pode comprometer as gerações vindouras.

Reciclar hábitos

Manhãs cinzentas
Cobrem a terra de cinzas.
O perigo aproxima-se,
Junto das gerações vindouras.

Florestas sem cor
Vão gritando de dor.
Águas poluídas
Vão esperando por um outro sabor.

Sensibilizar a Humanidade
Torna-se então urgente.
Para não passarmos a viver,
Num mundo doente.

Pega no teu lixo
E divide-o por secções.
Cada tipo no seu caixote,
Nada de confusões.

Papéis, vidros, plásticos
Reciclar, reciclar, reciclar.
Não é tão difícil
Só tens de colaborar.

Ratazana
25.Abr.97

Mudemos de hábitos, sempre com tolerância...

Novamente desejo um bom ano… mas desta vez…
livres de “passas” ou de livres “passas”…

Rogériomad

Transcrevo o objecto do artigo e podem/devem consultar a referida Lei na íntegra aqui (.pdf).

Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto
Aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo.

Artigo 1.º
Objecto
A presente lei dá execução ao disposto na Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde para o Controlo do Tabaco, aprovada pelo Decreto n.º 25 -A/2005, de 8 de Novembro, estabelecendo normas tendentes à prevenção do tabagismo, em particular no que se refere à protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco, à regulamentação da composição dos produtos do tabaco, à regulamentação das informações a prestar sobre estes produtos, à embalagem e etiquetagem, à sensibilização e educação para a saúde, à proibição da publicidade a favor do tabaco, promoção e patrocínio, às medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do consumo, à venda a menores e através de meios automáticos, de modo a contribuir para a diminuição dos riscos ou efeitos negativos que o uso do tabaco acarreta para a saúde dos indivíduos.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Um buraco com tendência para aumentar

Clica para cairFonte: Rogério Madeira, Fonte Santa (Quarteira), 31.12.2007.



No início do ano temos sempre tendência para fazer contas.

Dezembro é mês de todos os gastos (escusados) em “porcarias”, excentricidades, banalidades, etc.”
Janeiro é mês de aumentos em água, electricidade, gás, gasolina, portagens, etc…
Talvez melhor perguntar o que é que não aumenta? Todos responderiam de pronto: “os salários!”
Janeiro, também, é mês de saldos! Com 50% de desconto sempre podemos tentar comprar aquele casaco que custava 300 euros. 150 euros? “Bem baratinho”…

Mas esquecemos as contas, porque o buraco económico é bem maior do que o que pretendo mostrar (mas ambos estão associados).

Este buraco é exemplo de muitos outros e encontra-se numa situação provisória faz meses.
Infelizmente, no Portugal Provisório assistimos a isto com regularidade por todo o território.
Eu, como todos os restantes munícipes, sentimo-nos indignados porque estas situações arrastam-se por tempo indeterminado e, em caso de acidente, sabemos bem que os “gestores autárquicos” ou empresa responsável pelas obras se esquivam ao assumir das responsabilidades.
Esta situação já foi resolvida várias vezes, mas logo após qualquer “chuvinha” o piso volta a abater. Provisoriamente tenta-se resolver a situação.
Andamos sempre “a tapar buracos”. Não é grave…
O grave é não estarmos conscientes o suficiente para saber o que andamos a fazer… e caminhamos para a incompetência.

Esperamos ver a realidade alterada em breve… se não foi à terceira, que seja à quarta tentativa… se não for à quarta… não se esforcem muito, pois já terão o rótulo de incompetentes.
Na gestão autárquica é habitual assistirmos a obras para obter votos em eleições ou para melhorar a imagem do autarca, nunca se pensa que uma mínima intervenção pode melhorar a qualidade de vida das populações.

Se amanhã a comitiva do Presidente da República (desculpem, talvez para Quarteira seria melhor a do Cristiano Ronaldo) passasse nesta estrada teríamos, já esta noite, piso novo com duas faixas de rodagem, passeios, ciclovia, postes de iluminação a funcionar e canteiros de flores com sistema de rega automático. Pior que o “Portugal Provisório” só mesmo o “Portugal de Fachada”.

Um abraço.

Rogeriomad


Nota: Para quem não conhece, este buraco encontra-se logo após uma curva e durante a noite a estrada não se encontra iluminada. Foi ontem (02.01.2008) tapado com terra batida (já tinha escrito o artigo).

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Com sete palmos de terra se constrói uma cabana com a tipologia de moradia unifamiliar

Clica para habitarFonte: Rogério Madeira, Quarteira, 30.12.2007.
Nota: Se olharmos a Norte encontram-se os condomínios privados, a Sul encontra-se o “mar de Quarteira”, a poente encontram-se as dezenas de hotéis e apartamentos turísticos de Vilamoura, a nascente a cidade Quarteira. Querem melhor localização que esta para se viver?


Numa região com 395.218 habitantes, com 251.822 alojamentos familiares dos quais 145.627 são residências habituais e 106.195 “ocupados” para uso sazonal ou secundário e com 25.858 alojamentos vagos. Se somarmos os alojamentos ocupados e vagos e se pensarmos que em regra cada alojamento alberga 3 habitantes, a região do Algarve terá uma capacidade de alojamento para 833.040 habitantes, ou seja, mais que o dobro que a população residente algarvia. (Dados do INE, 2001).
Recordo que neste valor não está incluído o número de fogos previstos em planos de urbanização ou de pormenor e nos alvarás de loteamento recentemente aprovados por todo o território da região.

Numa cidade com 16.129 habitantes, com 21.302 alojamentos familiares dos quais 5.659 estão ocupados para uso residencial habitual e 15.643 “ocupados” para uso sazonal ou secundário e com 1.350 alojamentos vagos. Se somarmos os alojamentos ocupados e vagos e se pensarmos que em regra cada alojamento alberga 3 habitantes, a cidade de Quarteira terá uma capacidade de alojamento para cerca de 67.956 habitantes, ou seja, 4 vezes mais que a população residente quarteirense. (Dados do INE, 2001).
Recordo que neste valor não está incluído o número de fogos previstos no “Plano de Urbanização de Quarteira Norte” (em discussão pública) e alvarás de loteamento recentemente aprovados.

Tendo em conta estes números e a realidade da habitação urbana existente na região do Algarve como na cidade de Quarteira (qualidade da construção e preço dos apartamentos), resta-me desejar (o mais correcto será… continuar a sonhar…) que o ano 2008 traga habitação para todos!

Observo a classe baixa a viver na rua, em barracas ou cabanas, em alojamentos colectivos de solidariedade, em decadentes bairros sociais, a classe média a pagar renda ou empréstimo durante uma vida para ter casa (com má qualidade tendo em conta aquilo que pagou, paga ou pagará) e uma classe alta despreocupada e exploradora desta triste realidade.

Uma vivenda com primeiro andar com escadas interiores e exteriores, garagem com veículo estacionado, terraço com tanque, varanda com “antena parabólica”, um barbecue, uma casota e um cão de guarda “é o que todos queremos”.
Como disse Zeca Afonso “com sete palmos de terra se constrói uma cabana” (em “Os índios da meia praia”). Clique aqui para ler a letra.
Não é difícil de alcançar este nosso sonho…

O português (o “espantalho” ou o “fantoche”) com imaginação consegue realizar os seus sonhos.

O futuro em Portugal parece-me cinzento…
…mas o importante é continuar a sonhar e tentar concretizar aquilo que sonhamos.

Eu(nós) tentarei(emos) continuar a sonhar em 2008. Bom ano a todos.

Bem, vamos trabalhar! (se nos deixarem…)

Nota: Vidal… há uns meses atrás (talvez anos) pediste-me valores, no que se refere à capacidade de alojamento na região do Algarve. Na altura, tinha-te dito que a população duplicava, mas que não sabia de números. Pronto! Aqui estão os números. Ainda bem que aguardaste pela minha resposta… sinal que não deixaste de sonhar! Em breve, tentarei arranjar-te valores da população flutuante (continua a sonhar). Bom ano amigos.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Verdade Inconveniente (Versão Serra de Ariques)

O amigo João Forte tem força. E o Georden, enquanto blogue que Sustenta o Sustentável, apoia e divulga aquelas pequeninas atrocidadezinhas que vão acontecendo no dia a dia, como a moinha, "que não impede ninguém de sair de casa" (citando Adolfo Luxúria Canibal, mais uma vez ele...)

Vêde por vós. É o mínimo que podemos dizer.


Começa bem o ano...

domingo, dezembro 30, 2007

"Peixe frito com arrozinho de tomate..."

Clica para naufragar Por LEM, 2005.



Este é último cartoon da série "Nau Fragos", feitos por LEM em 2005. No próximo ano 2008 haverá mais novidades artísticas. Estejam atentos.


Se és autor de BD/Cartoon e se estás interessado em publicar a tua obra no Georden, entra em contacto connosco georden@gmail.com.

sábado, dezembro 29, 2007

Roteiros Sonoros

Aqui fica uma boa proposta pela rede. (Mas não esquecer, fazer o trabalho de casa e depois ir para a rua, para o campo,para tirarmos as nossas impressões)

O site
Cinco Cidades traça um perfil sonoro de vários lugares de cinco cidades do continente. Braga, Porto, Lisboa, Guarda e Torres Vedras têm as suas histórias, as suas pessoas, os seus sons. O projecto está a cargo do Folk Songs Trio, que pretende usar os registos nas suas performances.


Clique na imagem para aceder ao Cinco Cidades


A propósito disto, ouvi aqui há uns tempos, num programa na Rádio 3 (RNE) chamado La Ciudad Invisible, uma ideia que vinha na mesma linha. Os convidados da edição desse dia tinham registado em fita magnética, caminhando e a diferentes horas do dia, os sons da plaza mayor de Salamanca. O resultado foi difundido no programa e traduziu um grande momento de rádio, apelando à imaginação e à vivência do lugar e das pessoas que por lá passam.

É uma leitura possível para a vivência dos espaços. Neste caso, através da componente auditiva, que Lynch também considera importante para estruturar a nossa imagem da cidade. Interessante e recomendável.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Queimar as pestanas

Já nem pestanejamos.

(Vai ficar um bocado descredibilizado por não apresentar-vos a fonte aqui e agora, mas foi num jornal local. Ou o Diário do Minho, ou o Correio do Minho, um deles. De há uns dias atrás, pouco antes
destoutro artigo, com o qual tentámos lançar o tema de tertúlia deste mês. Como sabem, ou para quem não está a par, sobre Novas Centralidades.)

O motivo do artigo do jornal era a criação de mais um espaço comercial. Mais propriamente um supermercado. Onde? Em Famalicão. E quais foram, então, as linhas que não me fizeram pestanejar?

Em resumo dizia isto:

A empresa x espera espera ter o novo espaço construído já em ________ (não me lembro... isto parece tudo hipotético... mas não desmobilizeis, que já vereis como e em que é que é perfeitamente verosímil). Primeiro vai realizar o estudo de impacto ambiental e depois avançará com as obras...

(que pena não ter aqui o texto à mão...)
Ou seja, a empresa que quer construir o espaço comercial é a mesma que vai fazer o estudo de impacto ambiental...
Isto para além de neste país os EIA serem um procedimento a preencher. Pressupõe-se sempre que não haverá quaisquer problemas que entravem o processo.

A promiscuidade já é assim tão grave para não ser (a) notícia ?

quinta-feira, dezembro 27, 2007

gvSIG


O gvSIG é uma ferramenta "open source" de manipulação e edição de dados geográficos.

Permite uma fácil utilização dos principais formatos raster e vectoriais e a visualização, em simultâneo, de dados de origem local e remota através dos serviços WMS, WCS e WFS.

É um aplicativo de "interface" amigável (o que torna a sua utilização bastante intuitiva) que se assume como uma possível alternativa ao ArcView, com a vantagem de ser totalmente gratuito e de permitir o seu desenvolvimento por qualquer pessoa.

Fazer download aqui.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Outro dado adquirido...

Capitalismo = Democracia

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Dado Adquirido

Capitalismo = Desenvolvimento

domingo, dezembro 23, 2007

"Uma luz... de Natal"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Adamastor de Molho

Ler atentamente Ler conscientemente
Notícias Magazine, 14.10.07, pp. 124-125

O artigo é simples, bem escrito e conciso. Chama-se "Só se sabe o que é grande" é convido todos a lê-lo. Trata-se do poder que temos. Poder que tem sido mal usado.

Um prenda para nós, neste Natal e nos que aí vêm.

O Natal vai ser quando o Homem não quiser.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Filme do Festival P/ARTES Algarve 2007

Olá a todos. Para quem não compareceu ou para quem quiser recordar, aqui está a reportagem fotográfica do "Festival P/ARTES Algarve 2007".


Festival P/ARTES / Algarve

aconteceu dia 7 e 8 de Dezembro no IPJ / Faro...

Graças ao empenho de todos esta iniciativa conjunta
com o IPJ de Faro foi um SUCESSO!!

OBRIGADO A TODOS!

Registo fotográfico e sonoro já está disponível no sítio do costume
[ www.drmakete.com ]


cumprimentos e até já!

Terminal Studios
núcleo de Banda Desenhada

Nota: Os participantes e colaboradores que queiram alguns recuerdos deverão entrar em contacto connosco para receber as coordenadas.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Em que rua fica o Canadá?

Sei, por alguns amigos professores, que se afigura, hoje por hoje, tarefa quase impossível reprovar meninos na escola. Torna-se necessária uma data de explicações, justificações e papelada, não esquecendo o desejo (e amor) legítimo do governo pelas estatísticas, para consolo da OCDE. Mesmo assim, só o ano passado, lê-se no Público, mais de 120.000 alunos chumbaram no ensino básico. Mesmo assim. É claro que com as “novas oportunidades” poderão fazer em quinze dias, três anos, com ou sem lobotomia, a bem das estatísticas, menos da preocupação com verdadeira formação.

Todo o sistema se alicerça no facilitismo. Alguns pais, também o sei, não concordam nada com isso. Deveríamos, nesse sentido reflectir por que cargas de água, só nos últimos vinte anos existiram umas 300 mudanças de paradigma e umas 150 nos métodos de ensino, avaliação, e nem sequer UMA reforma concertada.
Como diria Al Capone: Em que rua fica o Canadá?

Na demanda do controlo da populaça (apanágio de sistemas acabados?), e de um mundo asséptico e forever young lá teremos o cartão único, a vídeo-vigilância, (que já aqui falamos), a propaganda oficial em constante desfile de vaidades a mostrar um país que não existe e, por fim, imagino os velhos cafés, tertúlias e bares, livres de fumo. E um bufito a cada esquina, já agora. Até existirá uma linha de denúncia desses bandidos. É verdade.

Já agora, para espreitar grandiosa e escorreita prosa, podem ler sobre o Grande Irmão, a crónica do Batista-Bastos no DN. Para quem sabe onde fica o Canadá, ou pretende saber, pelo menos.

"A Imagem da Cidade", de Kevin Lynch

Ver maior
KEVIN LYNCH
A Imagem da Cidade
Tradução de Maria Cristina Tavares Afonso
Edições 70, Colecção Arte e Comunicação, 2005


De Kevin Lynch, o livro "A Imagem da Cidade" (The Image of the City, 1960, no original) é, ainda hoje, uma pedra basilar naquilo a que hoje se chama Geografia da Percepção.

Através de um estudo de três cidades dos Estados Unidos (Boston, New Jersey e Los Angeles), Lynch tentou esboçar qual a imagem que os seus cidadãos faziam das mesmas. Para tal, a sua equipa realizou inquéritos e viagens com transeuntes, conhecedores ou não das suas cidades.

Com isso pretendia aperceber-se da imaginabilidade que os habitantes fazem do lugar onde vivem. Ou seja, perceber, através da expressão verbal e de circuitos pela cidade, quais os elementos que marcam a memória das pessoas. Porque é com essa memória que as pessoas organizam mentalmente o espaço e nele aprendem a delocar-se.

O objectivo é entender de que forma os edifícios, os monumentos, as vias, os obstáculos e os cruzamentos (aquilo a que Lynch chamou os elementos da cidade, isto é, que são comuns aos espaços urbanos) ajudam a criar a familiaridade com o espaço em que vivemos. No fundo, está em questão, mais uma vez, a identidade do espaço e o sentido de lugar. Com o qual criamos laços emotivos e vivenciais.

Daí as áreas principais tratadas ou subjacentes à obra serem a psicologia, a linguagem, o urbanismo e a arquitectura. O objectivo último é o de entender como o urbanista e o planeador pode ajudar a tornar mais viva e memorável a imagem de uma cidade.

O livro acaba por ser muito interessante, mesmo para quem, como eu, começar por torcer o nariz à tradução. E, claro, temos de ter sempre presente que o estudo se reporta aos anos 50 e ao imaginário estadunidense, bem diverso do europeu. No entanto, os princípios estão lá. Pensando o espaço para o tornarmos melhor.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com, que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.

terça-feira, dezembro 18, 2007

O Retábulo das Maravilhas

Clica para aumentarDe JACQUES PRÉVERT - Te-Atrito

20 e 21 de DEZEMBRO 2007 21h30
Teatro Lethes

Direcção Artística, tradução e encenação: Pedro Monteiro
Interpretação: André Canário, António Salvador, Filipa Rei, Igor Martins, Pedro Monteiro, Rita Neves
Assistente de encenação e operação de luz: Tânia Silva
Direcção musical: Igor Martins
Consultor artístico: José Manuel Ávila Costa
Desenho de luz: Pedro Monteiro
Assistente de produção: Isadora Justo
Design gráfico: Pedro Bolito
Guarda-roupa: Pelcor

«É um espectáculo tão espectacular, de uma beleza tão bela e de uma emoção tão emocionante que me faltam as palavras para falar dele» (Chanfalla)
Os artistas chegam à cidade pelos caminhos escritos nos cata-ventos. Como é tradição, trazem uma criança raptada que toca música enquanto apresentam aos notáveis da terra o verdadeiro, o único, o singular, o admirável Retábulo das Maravilhas de que toda a gente culta já ouviu falar… mas tais maravilhas só são visíveis para quem tiver a consciência tranquila.

PRODUÇÃO: Te-Atrito

+ info
www.teatrolethes.pt

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Já nem pestanejamos...

Ver em pormenor
Foto 1 - Telhado do Braga Parque - Feira Nova

Fonte: Eduardo F. - 17.12.07

Como deverão estar lembrados, a tertúlia deste mês é dedicada a novas centralidades. Ou seja, vamos discorrer um bocadinho sobre a construção de grandes superfícies, a criação de áreas dedicadas ao comércio e ou serviços.

Como cada um saberá, temos vindo a assistir, tão normalmente que até chateia, ao aparecimento de novas superfícies onde as pessoas, sobretudo aos domingos, costumam enfiar-se para... "manejar os cotovelos e o olhar".

O mundo é globalizado por causa da economia e "o que está a dar" é o comércio, talvez o mais visível sinal dos investimentos municipais e administrativos. A lógica "desenvolvimentista" baseada no vazio.
(Outro sector-fole é o turismo. Não, não negamos a existência, a relevância e o seu papel, fundamentais para o tecido económico e, já agora, para funcionarmos enquanto sociedade. Trata-se tão somente de ocultar, com grande movimento de capitais e agitação frenética, os desequilíbrios e a grande dependência económica do sector produtivo do país... mas essa é outra matéria.)

O consumo de espaço por que era responsável a indústria nas periferias das cidades, em tempos não muito distantes, pertence hoje, podemos dizê-lo, à construção de habitações, vias de comunicação e áreas de comércio.

É até por isso que costumamos deparar-nos com aquela típica megalomania provinciana do
"A maior superfície comercial" daqui e dali. Aliás, parece que todas essas obras precisam, sine qua non para avançarem, de um slogan desse género. Se repararem bem na foto 2 (área ainda em construção, à saida da N101 - Braga-Guimarães), podemos ler algo como "O maior centro de comércio de Braga", frase sintomática do estado a que o concelho e, até, o distrito chegou: é que com tantas superfícies, os solgans parecem estar esgotados, restando a esta nova área o "miserável" título de "centro de comércio". (Não sei em que difere esta expressão da de "centro comercial", mas aqui fica a minha dúvida.)

Ver em pormenor

Foto 2 - "O maior centro de comércio de Braga"!
Fonte: Eduardo F. - 17.12.07

O eixo retratado aqui é uma autêntica catedral do consumismo municipal, canalizando ele magotes de carros e grandes romarias de bichinhos fim-de-semaneiros. Agora, além da MediaMarket, do Carrefour, do Feira Nova (cujo telhado é retratado na primeira foto), do Aki e do Staples e do novo "retail center" (porque em Inglês é mais bonito), há também a "pseudo-elitista" Fnac.

Mas não se fica por isto. Ao longo do eixo Braga-Barcelos, já se prepara aquele que dizem vir a ser, imagino, "o maior Eleclerc do país", ou coisa que o valha. E depois há uma loja de móveis que, aquando da sua inauguração, escolhida para um domingo (lá está, nada é escolhido ao calhas...), apanhou este escriba desprevenido (de tão informado que andava destas coisas...). De qualquer forma deu para retratar um típico eixo rodoviário em terra de ruminídeos de lã virgem (fotos 3 e 4).

Ver melhor Ver melhor
Fotos 3 e 4 - Panorama paranormal - Sequeira
Fotos: Eduardo F. - 17.02.07

Mas, estarão estas novas áreas a criar espaços úteis para o desenvolvimento? Integrados e planeados? Que vai acontecer quando a oferta for (e parece que há muito já o é) maior que a procura? Que utilidade terão esses edifícios? Que novas potencialidades trazem para as regiões?

Há mais perguntas a fazer. Aproveitamos, por isso e aqui, para renovar o apelo à participação de quem nos visita e lê. Problematizemos, pois!

domingo, dezembro 16, 2007

"A recta final"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

26º GeoForum

Ver em detalhe

Programa do 26º GeoForum
Difundido via correio electrónico

Este ano o GeoForum debruça-se sobre a Protecção Civil. Em discussão vão estar as suas abordagens e ferramentas científicas.


A entrada é gratuita e pode ser feita através de geografia@ulusofona.pt.
A todos os interessados aqui fica esta proposta.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Inquérito Encarnado

Servem estes breves linhas como chamada de atenção para a pergunta deste mês.
E a pergunta é:

O que faz o Pai Natal?

'Bora lá a escolher a resposta que achais mais acertada?

Com a vossa ajuda tornamos mais real a interactividade que queremos para o Georden.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Entorses e Vazios

Ler o quase vazio
Povo de Guimarães - 7-12-2007, p.3


Está bem, está bem. Serve para divulgar o evento, sobre o qual pouco se diz. Os média gostam é de tricas. Se lhes retirarmos a frasezinha polémica vai-se a ver e não há nada.
Até o insuspeito Povo de Guimarães...

domingo, dezembro 09, 2007

"Melhor que a cafeína..."

Clica para naufragarPor LEM, 2005.

sábado, dezembro 08, 2007

Plastificados

Caio nesse hipnótico abraço
Desta viagem entre flores plásticas (flores plásticas)

Primavera de Destroços,
Mão Morta



Luís Goes - Canções de Amor e de Esperança
Canções de Amor e Esperança - Luís Goes, 1971
(Não me importa que a imagem tenha pouca qualidade. Além de, como dá para perceber, retratar uma lixeira, serve também para lembrar o grande cantor do fado e balada de Coimbra que foi e é
Luís Goes)


Hoje apetece-me divagar sobre polímeros, mais concretamente sobre o plástico, que é o mais popular dos seus materiais.

Aqui há tempos, vi um documentário no canal francês TV5, que se debruçou sobre o plástico. Peço desculpa por não mencionar fontes e pela possível consequência que tal pode gerar no leitor (nomeadamente a falta de credibilidade).

Começou assim. Estava um investigador a olhar para as ondas baixas de uma praia (penso que era Plymouth, ou Bath... já não posso precisar. Mas, sem "subterfugir", isso não é o mais importante) e nelas rolava uma garrafa de plástico. Dessas, de água. O que acontece às garrafas vazias numa onda? Rolam ali e dali dificilmente saem.

Começou ele por dizer que o plástico demora não sei quantos anos a degradar-se e essas coisas e tal... o "tanto bate até que fura" e o "roça que desgasta" estão na base dessa degradação.

A questão é que o plástico não se degrada. Chamamos degradação à sua multidivisão em partes cada vez mais pequenas, até se tornar invisível a olho nu. A fibra de plástico continua lá, diminuta, mas não há processo natural que o degrade e o transforme num material inócuo.
Eu aprendi nas aulas de Poluição Aquática que o plástico é um material sintetizado por processos artificiais. E que é essa mesma transformação, tão díspar daquilo que encontramos no meio ambiente, que o torna tão resistente aos seus agentes degradativos: isto é, "são fraquinhos", mal o beliscam.

Ora, o investigador pôs-se a analisar a areia da praia mencionada e concluiu que 1/3



- vou repetir: 1/3 -



da areia era plástico. Só isso. Depois o documentário seguia, com estudos associados ao mesmo tema, mas noutros locais. Entre os quais o mar Mediterrâneo. Há mergulhadores que vão ao fundo do mar para encontrar tesouros e, quando não se procura uma coisa, quase sempre não o vemos. O que foi dito é que o Mediterrâneo - agravado pela sua condição de mar com pouca circulação de água - está cheio de lixo. E depois falava-se do turismo - as costas de Valência, acima de Barcelona, as de França, da Grécia, da Turquia, etc... são óptimas fontes de lixo e poluição - que assim o tornava num vazadouro de excelência.



... Onde é que eu ia? Ah, já sei. Ora - prosseguia o mesmo investigador - se o plástico se decompõe em pedaços cada vez mais pequenos, até à escala de fibras microscópicas, o que acontece é que ele vai acabar por ser tragado pelos animais marinhos (deu-se o exemplo dos moluscos), uma vez que o vão encontrando em cada vez mais quantidades e num espaço cada vez mais amplo. Daí decorre que, nós, que não vivemos fora do mundo, vamos acabar por comer esses animaizinhos.



A conclusão é esta: ESTAMOS A PLASTIFICAR-NOS POR DENTRO. Não, não, não é brincadeira nem um jogo de palavras. É isto que está a acontecer. É isto que estamos a provocar.



Vim partilhar isto convosco a propósito de, há dois dias atrás, o Governo querer impor uma lei que obrigue ao pagamento dos sacos plásticos aquando a sua compra nos supermercados. (Nos Estados Unidos - vemo-lo nos filmes - usam-se sacos de papel. Tenho conhecimento de que na África do Sul se usam sacos de pano, de grande resistência e capacidade volumétrica. Pode ser uma solução.)
Alguns supermercados já tinham
implementado essa regra, sem serem obrigados, o que se saúda. O objectivo é obviamente ensinar - indo à carteira, última esperança para a pedagogia ética - para diminuir o consumo - LOGO, a produção - de plásticos e reduzir as toneladas de lixo a que temos de dar um destino.

Ou seja, o Governo quer legislar uma coisa tão simples e quase insignificante (sim, é um passo, mas... ainda vamos aqui???) e logo no mesmo dia vêm os interesses instalados protestar??

Assim não vamos a lado nenhum.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

República de bananas

Relativamente à famigerada, como se diz, festa, da cimeira UE/África, sem tabus, apenas uma nota, digna de um repasto de estrelas decadentes: Um descer de calças envolto em pragmatismo míope (é assim que eles falam, no seu sentido desmentido). Ou, como refere aquele gajo das direitas do tempo do “antigamente” João Gonçalves, com quem eu nunca iria à bola, Tudo fecha para ver passar os beduínos nas suas viaturas à prova de humanidade. Na Europa não somos melhores. Mais nada!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Rotas da Tortura e da Memória


Porta da prisão de Caxias - Fonte: Resistir.info


Ontem, na 2:, no programa Sociedade Civil, estiveram a debater a questão da memória e da nossa relação com a ditadura salazarenta que nos oprimiu e privou durante 48 anos. Isto, a propósito do Movimento Não Apaguem a Memória.

Como disse Fernando Rosas, a memória é um processo de construção social, que se faz no PRESENTE. A memória do passado constrói-se HOJE.
Portugal, sobretudo Lisboa, foi palco dos mais memoráveis acontecimentos da nossa história recente. Onde exactamente, perguntamo-nos? Por aí...

Em praças e ruas da cidade.
- Quem não viu já aquela gente toda em alegria, aqueles "sete rios de multidão", como canta o Zé Mário, a descer a Rua do Alecrim logo nos primeiros dias da revolução? Hoje em dia, passam carros. E se a memória não estiver nas pessoas, essa atenção não poderá ser dada à via.
- A praça do Carmo, na qual se foram refugiar os diversos governantes em fuga, uma praça repleta de gente, naquele dia maravilhoso. Hoje, está cheia de carros. Construídos todos eles após esse dia. Qual a memória do principal palco da revolução para quem lá passa?

Na sede de Lisboa da PIDE, na rua António Maria Cardoso, estão a construir um empreendimento de luxo. Foi esse o motivo por que o Movimento Não Apaguem a Memória se criou. Há dias, o mesmo enviou uma carta aberta ao Parlamento a reivindicar o papel do Estado no seu dever de preservar a memória.

A democracia não pode ser indiferente à história que a possibilitou. Por isso, o dever da memória é um dos deveres do Estado democrático.

Toda a memória tem de ter uma manifestação física. As praças e os edifícios estão - ou estavam - ali, ou algures, mais ou menos por estas ou aquelas bandas.
Um condomínio de luxo é o carimbo paradigmático dos poderes que nos regem: o poder económico e particular toma conta do espaço colectivo, sem que ninguém o detenha. Perde-se a memória. Limpa-se o horrendo lugar. Limpa-se a negritude, as coisas más por que passámos.

Um dia, a PIDE será considerada a melhor e mais zelosa polícia que os portugueses tiveram. Tal como Salazar foi algures considerado um bom governante, pacato, modesto, simples e inofensivo.

Fernando Rosas, Rúben de Carvalho e Nuno Teotónio Pereira disseram que António Costa e Cavaco Silva aceitaram a proposta de criar em Lisboa um itinerário dos palcos dessa e de outras histórias. E com a criação de um museu da polícia política não se pretende enclausurar a memória num espaço para poucos. Daí a importância daqueles itinerários. Por onde as pessoas normalmente passam, nos seus trajectos quotidianos.
Claro, os espaços dos acontecimentos não se limitam à capital.

Pátio do Forte de Peniche - Fonte: Arte Photographica


Eu nunca estive em Auschwitz. Nem tenho qualquer desejo mórbido. Mas aconselho ao leitor uma visita a Peniche, à prisão onde alguns morreram e muitos sofreram. Lá, além do museu etnográfico, está instalado o museu da resistência. E vai ver coisas inimagináveis. Não me refiro só aos sinais das atrocidades lá cometidas, mas a coisas espantosas que os presos conseguiram fazer.

Aproveitando a sugestão do programa, faça uma viagem à memória. E traga um pouco dela para sua casa. Consigo.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Prémio Internacional Almirante Gago Coutinho

"No âmbito dos 50 anos sobre a morte de Gago Coutinho e 140 anos sobre o seu nascimento, a realizar em 2009, a Sociedade de Geografia de Lisboa decidiu atribuir no ano de 2009 o Prémio Internacional Almirante Gago Coutinho, no valor de 2.500 Euros, destinado a galardoar trabalhos originais de investigação no âmbito das Ciências da Terra, que, por algum modo, contribuam para o avanço do conhecimento nessa área científica. Podem concorrer a este Prémio cidadãos nacionais ou estrangeiros, devendo os trabalhos ser redigidos em português, francês ou inglês.

Os trabalhos a concurso devem ser inéditos e dar entrada na Secretaria da Sociedade de Geografia de Lisboa até ao dia 30 de Setembro de 2008."

Consultar regulamento

Mais informações:
Tel.: 21 342 54 01 / 21 342 50 68
E-mail: soc.geografia.lisboa@clix.pt

terça-feira, dezembro 04, 2007

Uma (ainda) criança com 11 anos.

Vidal: R. Mouzinho da Silveira, centro histórico do Porto, Nov 07

Comemora-se (comemora-se?) hoje a elevação (ou será reconhecimento?) a Património da Humanidade do centro histórico do Porto, com a cortesia UNESCO. Foi a 4 de Dezembro de 1996. Bem, na realidade, a área classificada equivale apenas a cerca de 49 hectares (correspondendo aos limites da muralha Fernandina edificada no séc XIV mais o Mosteiro de Santo Agostinho) englobados nos 102ha de Centro Histórico (cidade do Porto), e cerca de 130ha na denominada área protegida que engloba parte da zona ribeirinha de Gaia e o Mosteiro de Santo Agostinho na Serra do Pilar. Digo comemora-se, mas deveria dizer recorda-se, já que os políticos vestem traje de gala nas apresentações mediáticas e depois é o que se vê. E o que se viu o ano passado foi nada, já que a Câmara Municipal achou por bem não assinalar condignamente a data. Porque será? Este ano para não passar em claro, um movimento independente denominado “Cidadãos do Porto S.A” lançou um manifesto de discussão e mobilização para os problemas da baixa e centro histórico, como pode antever em A Cidade Surpreendente.

Em verdade, muito terá já sido feito, revestido ou não, de vã aparência, esse manto que tudo asperge, apanágio de “modernidades” discutíveis; todavia, a prática do dia a dia, alicerçada em estudos recentes demonstra, não apenas passividade, como um certo desleixo irresponsável na abordagem de tão sensível temática. Prova-o, não apenas a roupagem decadente de algum edificado, compreensível (até) à luz de difíceis relações público/privado e a uma malha urbana de traçado medieval, mas também esse esquecimento envolto em taipais envergonhados e, enfim, o despovoamento (cerca de 13.000 residentes, seriam perto de 45.000 na década de 1950) envelhecimento e empobrecimento acelerado. Embora se reconheça que esta área não padece (ainda) de Museolização celerada ou da doença da “parque tematização”, revelando apenas alguns laivos de gentrificação, normal destes espaços, o que releva dos nossos passeios é uma tristeza miudinha (até mesmo na noite IRRECONHECÍVEL da ribeira), uma decadência mansa com roupagem de turismo uniformizado. O Porto é mais que isso.

Não li ainda os jornais do dia. Não sei por isso, de comemorações “oficiais” ou oficiosas. Sei que, no ano passado o Jornal de Notícias publicava uma reportagem muito pouco abonatória, 10 anos passados, aliás, reconhecido nas palavras de um responsável da SRU (sociedade de reabilitação urbana), Porto vivo.

Uma (ainda) criança de 11 anos. Para o ano há mais…

Descubra as diferenças...

No dia 2 de Julho de 2007 escrevi sobre um passeio em forma de cascata com 4 faixas de rodagem. Imaginei-me numa cadeira de rodas e o que pensaria ao ver tal obstáculo. Hoje mostro-vos duas fotos do mesmo local e peço-vos para descobrirem as diferenças. As diferenças são muitas, mas há uma fundamental que facilitará a vida a muito povo.

O Portugal Provisório precisa de muita coisa, mas principalmente de paciência...

Obrigado...

Clica para aumentarQuarteira, 01.07.2007.

Clica para aumentar Quarteira, 02.12.2007.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Aldeia "global" em compras



Somos anjos de pureza
evadidos dos lazeres
carregamos a tristeza
não trazemos mais haveres

Era tudo em vão
um brincar sem dor
sem qualquer paixão
que nos desse ardor

Nosso sonho era o arrepio
deste mundo a ser mudado
Só tivemos o fastio
de um objecto a ser comprado

(...)
Foi apenas um lugar
onde à falta de faca
aprendemos a manejar
os cotovelos e o olhar

Anjos de Pureza, Adolfo Luxúria Canibal


(Então a DECO viu o seu número de associados aumentar por causa da naturalização do jogador...)
Muita gente diz não gostar de política. E dos políticos. Sobretudo destes. Compreende-se.
Fora de discussões já tidas, hoje apetece-me falar da política comum.


No longo processo industrial - que alguns dizem que ainda atravessamos, outros dizem que agora estamos na fase pós-industrial...

Estas concepções são sempre centradas no espaço. O que quer dizer aquela expressão? Que já não há indústrias? Talvez não seja isso. Mas o que acontece actualmente é que os países ricos transferiram a produção para os países pobres. Como uma fábrica suja que vende os seus equipamentos bem limpinhos na parte da frente e se pudéssmos ver por uma nesga, lá atrás a realidade arrepia e repele - as traseiras da aldeia global, já alguém lhe chamou...

... - vimos povos a ser enjaulados, em nome da sobrevivência e do lucro (impondo esta forma de "funcionamento" fica a parecer que nenhuma outra existe!), vimos povos a lutar por um bocadinho de dignidade e respeito. Depois pelo exercício da sua opinião, pela escolha da sua vontade, a conquista dos direitos, árdua e sangrenta, com tanto fascismo e barbárie em forma de governos políticos e repressão militar...


("- Haver emprego duradouro era dantes. Agora JÁ NÃO PODE ser assim.")


Hoje, a aldeia global (aquela, esta, que Adolfo diz ter sido sempre "sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico e que, de qualquer modo, o que verdadeiramente importa se mantém secreto") tomou conta das nossas vidas e em todos os aspectos da sociedade recebemos instruções para não a questionarmos (a propósito disto, tenhamos atenção ao livro "A Formação da Mentalidade Submissa, de Vicente Romano (Ed. Deriva, 2006).

Perdemos os direitos políticos. E para constatarmos isto, basta querermos usá-los. Basta isso. E logo nos veremos confrontados com pensamentos de resignação (tais como "Não compensa", ou "Não tenho tempo nem dinheiro para pagar a um advogado que me defenda...").

A violência por parte do cidadão é reprimida, agora com violência pura e dura só se for realmente preciso (que é para isso, tantos estímulos mediáticos servem. Para nos amolecer e limpar de pensamentos perigosos). As manifestações e os confrontos nas reuniões dos 7 países (mais os que se, coitados, querem em bicos de pés, fazer parte da face criminosa do mundo) comprovam isso. Porque os maus são os manifestantes, não as forças militarizadas que reprimem as ideias que os movem. Já não há guerras no mundo rico. Essas foram também transferidas. Para os países que tenham recursos que nos interessam, recentemente descobertos, ou porque agora a sua exploração compensa e dá lucro. Transferimo-las, se ainda as não tinham.

Perdemos os direitos. Já não podemos exercê-los. E nada trazemos (os tais haveres, da canção em epígrafe) senão o mimetismo do acto de consumir. Aqui está a nossa última esperança. E é aqui que venho falar de política. A verdadeira política. Pelo menos enquanto os poderosos conseguirem controlá-la. Depois arranjam outra "linguagem" que não possamos entender e, por consequência, dominar.

No processo de produção, e falo de tudo aquilo que consumimos, necessário à vida ou perfeitamente dispensável à sobrevivência, estão envolvidas muitas organizações e concepções da sociedade. Assim, lentamente, com o desenvolvimento da tecnologia, o crescimento demográfico e o das cidades, fomos transferindo a produção daquilo que comíamos. Passaram dos nossos campos, para os campos d'além muralhas urbanas. Dos nossos quintais para as fábricas e plantações, lá longe da poluição e dos solos alcatroados e estéreis das cidades.

Mais uma vez, um processo de troca. Demos isso, perder o poder e a consciência da produção, em troca da facilidade e da rentabilidade. Porque na cidade não há espaço, nem temos tempo para isso e é muito mais fácil (leia-se barato) apenas comprar que produzir.

(A transferência é o contra-argumento aos que acusam que o poder se perdeu. Não. Nós é que o deixamos escapar e voltar para as mãos dos carrascos que decidem sobre as nossas vidas.)

Da mesma forma, como "o que verdadeiramente importa se mantém secreto", e não podemos averiguar as condições de produção, vamos engolindo e calando. Calando-NOS, porque não se deve falar quando se engole, ou corremos o risco de nos engasgarmos. E morrer, até. (também podia funcionar como metáfora, sim...).

Vêm as instituições, no sistema democrático (sim, sabemos bem o que significa a democracia: pode significar pena de morte, a decisão de ir para a guerra, a coexistência de tetramilionários com milhões de crianças e idosos na miséria, a auto-flagelação para ter pretexto para fazer o que se quer, coitadinhos deles e tal...), e criam algo como o Rótulo Ecológico. Está bem. Não negamos a sua importância. É aliás com isso que temos de jogar. Mas depois vem a parte da informação. E quem no meio desta confusão pode averiguar a veracidade daquilo que lhe dizem ser desta e ou daquela maneira?

De alguma forma, teremos de sair daqui.
Tem de haver uma saída.

E "a erva daninha deve ser arrancada de novo e de cada vez que nasce sobre a fronteira" que nos divide entre cidadãos da democracia participativa e cidadãos da democracia virtual. Agora no campo económico. Porque tudo é economia. E não há mais campos em que batalhar. Não com facas, que é proibido, mas com a consciência.

Em tempo de compras, será que apelos anti conseguem fazer-se ouvir?
E no dia 25, mesmo que as lojas estejam abertas até às 19 horas, nós já teremos saído à rua. Com o nosso silêncio e a nossa força da negação.
De cotovelos e olhares fechados.

domingo, dezembro 02, 2007

"Num conto de fadas sem reis nem rainhas"

Clica para naufragar Por LEM, 2005.

Inquérito

Pois é, caros amigos. Aqui há tempos falámos de fronteiras.
Com isso quisemos lançar o debate, entre nós, sobre ideia - para uns visionária, para outros com algum sentido - da união dos povos da Ibéria numa única pátria.

O inquérito que lançámos foi, infelizemente, pouco participado, como podeis constatar aí ao lado.
Daí podermos tirar poucas ou nenhumas conclusões.

Assim, e para que fique registado no Georden (que não se junta à volatilidade da memória), à pergunta

És a favor da criação da Ibéria de J. Saramago?

14 pessoas responderam, das quais:
7 a favor
6 contra
e
1 sem opinião


Interprete quem puder. Novas perguntas se seguirão.
Estejam atentos ao Georden, sustentando o sustentável.

sexta-feira, novembro 30, 2007

WC Patos...

Vidal: Praça Mouzinho de Albuquerque, Braga, Novembro

Como praticamente não vejo televisão, olho o mundo…

Ambiente. Palavra (vã) que, como a Pasta Medicinal Couto, anda na boca de toda a gente. Até engasgar. É uma correria de ambiente que o mais desconfiado dos sofistas contemporiza com um sorriso. Ambiente, assim como, Ambipur, Ambi(valente), ou ambi qualquer coisa, faz parte do repuxo publicitário actual.
É artigo de toilette. Ou de WC. Como neste particular, que se espalha por Braga inteira….

Vidal: A mesma praça, sem comentários

Não será por falta de aviso, ou limpeza, já que, justiça seja feita, a praça e jardim são limpos periodicamente por funcionários, julgo, da Câmara Municipal. Todavia, não raro, a ocupação do espaço público por estes intrusos atinge proporções inusitadas.
O tempo medieval do água vai já está para trás? Não cremos. E tudo isto num país onde é frequente ler "Proibido pisar a relva"...