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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

O carpe diem de alguns aborta o carpe diem de outros (mais uma definição de insustentabilidade)

Apesar do novo regime de arborização e rearborização, promovido pela ex-Autoridade Florestal Nacional, no mês de maio de 2012, ter sido alvo de fortes críticas por parte das fileiras florestais - que não a do eucalipto -, das Associações de Defesa do Ambiente e de milhares de cidadãos que assinaram duas petições contra a nova legislação, tudo leva a crer que o Conselho de Ministros se prepara para aprovar uma proposta que continua a ir no sentido de permitir novas plantações de eucaliptal sem qualquer regulamentação, sobretudo no Norte e Centro do País.



Por isso, como disse a ministra-eucaliptal Assunção Cristas, "o eucalipto cresce um bocadinho".

E andamos a basear o nosso desenvolvimento, insustentável, 

não é que quando a esmola é grande o pobre desconfia?

Então, os lucros rápidos não são de desconfiar?
Não paramos para pensar que este lucro dos eucaliptos está a pôr em causa o futuro de País enquanto lugar para viver?


Sim, a afirmação é grave.
Meditemos nela.
Continuem, por outra, a apelidar de profetas da desgraça ou de não-credíveis, aqueles que assim denunciam esta prática e forma de vivermos.

As consequências são conhecidas e mais que estudadas.
É só uma questão de tempo.

A longo prazo estarás morto, dizem uns.
A breve prazo não haverá longo prazo, dizemos nós.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

O atraso mental paga-se caro (II)

Não sei se viram a "menistra", a menor, a falar, na noite de segunda, no telejornal...


As reportagens sobre o tema do crescimento do eucalipto e respectivo comentário, do minuto 34:30 ao 41m40s.

e passamos a citar a hipocrisia, o atraso mental e a incompetência da senhora Assunção:


"O eucalipto cresce um bocadinho. [SIC]
Temos o declínio do pinheiro, essencialmente ao problema do nemátodo e ao problema dos incêndios...
(...)
Quando nós olhamos para a área arborizada de pinhais vemos que a fotografia não é assim tão má.
(...)
Temos oportunidade de no próximo programa de desenvolvimento rural e aproveitando esta lógica multi-fundos podermos encontrar instrumentos para apoiar a floresta, nomeadamente o pinheiro bravo e nomeadamente o sobreiro, que precisam de ser mais apoiados."


Com que então, apoiar o pobre do pinheiro bravo e - espante-se - o sobreiro!...
E com que então parece ser só o pinheiro que sofre com os incêndios...


Hipocrisia é mandar essas palavrinhas tecnocratas quando a praxis vai no sentido da desregulação, como o Vidal bem chamou à atenção aqui.

E vale a mesmo pena ouvir os comentários de Luís Alves, do jornal 24 Horas de terça, relativo ao dia 11.2.12.
Para quem não pode ver e ouvir, transcrevemos aqui (do minuto 38m19s ao 41m40s):



- Luís, ter mais eucaliptos o que é que pode significar. Falámos aqui do efeito dos incêndios, mas a Quercus diz que vamos ter uma mudança profunda na nossa floresta, com menos água.. por aí adiante.

- E eu concordo com tudo isso e acrescentaria algo mais. 
Aquilo de que se fala, com a nova legislação que o Governo pretende ver aprovada, até agora inédita na Europa, que será possível arborizar zonas com 5 ha ou rearborizar zonas até 10 hectares sem qualquer tipo de licença.
E vai mais longe: permite plantar zonas ardidas - a lei até agora obrigava a plantar com as mesmas espécies que lá estavam - e partir de agora, se esta lei for aprovada, pode-se plantar com qualquer espécie.

- As pessoas lá em casa estão a dizer "Mas eu não tenho nada a ver com isso!". Será?

- Tem, tem, porque a floresta portuguesa produz um conjunto de bens que são do usufruto de todos nós. As pessoas pensam que a floresta funciona só como um rendimento a curto prazo - no caso do eucalipto, em que as pessoas podem retirar rendimento em oito ou dez anos - mas esquecem-se que a longo prazo... eu não sei se as pessoas têm andado a ver a paisagem portuguesa -  ver um eucaliptal em fim de vida é absolutamente assustador, é paisagem lunar.

- É uma paisagem lunar porquê? Porque consome toda a água e seca tudo o que está à volta? É mesmo verdade essa imagem?

- É mesmo verdade. Quem for para a paisagem - não é muito difícil encontrar um destes eucaliptais - nós temos a maior mancha contínua de eucalipto da Europa e somos uma maiores do mundo, somos a quinta maior mancha a nível mundial...

- Isso quer dizer que aquele passeio que nós temos, até dentro duma cidade, debaixo dum pinhal ou doutro tipo de árvores, pode desaparecer?

- Completamente! Repara: é completamente anti-biodiversidade, é muito difícil encontrar seja que espécie for a conviver com um eucaliptal.
Mas eu iria até mais longe. Eu, enquanto jovem agricultor que, por exemplo, ando à procura de terra, vejo com estas medidas ainda mais limitante a opção de encontrar terra disponível. Os optimistas da medida dizem que isto pode promover o emprego e o regresso ao mundo rural, mas eu não estou a ver as pessoas à espera oito a dez anos a ver as árvores...

- Mas pode ter um efeito positivo: produz lucro rápido!

- Pois promove um lucro rápido: fala-se de quatro mil euros por hectare, mas por exemplo não se fala dos custos associados à reconversão do eucaliptal e esses são da responsabilidade do proprietário e podem superar os 750 mil euros por hectare, com a mobilização de máquinas pesadas.
Não se fala, por exemplo, que é absolutamente impossível recuperar um solo a curto prazo...

- Não se fala do que pode acontecer no Verão, com os incêndios: os incêndios dos eucaliptais são coisas dantescas.

- Ó João, eu até arriscaria aqui a fazer futurismo: eu vou fazer futurismo para o Verão de 2013:

Neste Verão nós vamos ter o país a arder, vamos ter pessoas a morrer, vamos ter [gastos de] milhões de euros em meios de combate a incêndios, que nós, contribuintes, pagamos; vamos ter jovens que, como eu, andam à espera do banco de terras, que já foi prometido pelo Governo [*], mas que não têm terras disponíveis porque provavelmente elas vão ocupadas por vinte anos, em contratos que vão servir só alguns, mas não vão servir os propósitos da agricultura portuguesa. 
Portanto, eu espero, para bem de todos nós, que estas medidas não vão de facto avante.


* A proposta do banco de terras, prometida pelo Governo, foi primeiramente feita pelo Bloco de Esquerda. Ao que as bancadas da maioria votaram contra.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

São valores... cotados na bolsa que não é TUA






Caros amigos do Tua,

Está disponível uma nova petição/manifesto em defesa da Linha e do Vale do Tua, para que todos possam manifestar o seu desagrado pela construção da barragem de Foz Tua.

Esta petição está endereçada às habituais instituições nacionais, Unesco e Parlamento Europeu:






A esta causa, juntaram-se recentemente vários artistas entre os quais se destaca o papel activo da Márcia e da Luísa Sobral que gravaram duas canções durante a sua visita ao Vale do Tua, em Dezembro passado! Ouçam e divulguem, pelo nosso Tua!


É importante a participação de todos e a divulgação da mensagem pelos vossos amigos e contactos. Esta é mais uma oportunidade e um importante contributo para a defesa da Linha e do Vale do Tua. Obrigada a TODOS!

Atentamente,

Célia Quintas 
Pela Linha do Tua

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Úfia!, que alíbio!...





Depois da esperança de um novo governo novo, ei-lo! 
Obrigado, senhores excelentíssimos.


Agora vamos, então, fechar as nossas contas do BPI, a ver se o senhor Ulrich aguenta. Aguenta, aguenta. Então depois tomaremos outras medidas. Que os governados também sabem governar. Os governantes só sabem governar-se.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Gritar aos moucos!

Está em todas os jornais nacionais de hoje.
(Também, dizem todos mais ou menos o mesmo...)
Mais ou menos escondida, está lá, plasmada.


"Eucalipto destrona pinheiro-bravo como primeira espécie da floresta portuguesa."


O que quer isto dizer?

Quer dizer muuuuita coisa.

Olhemos à nossa volta.
Temos algum papelinho no bolso, por exemplo?
Um papelinho esquecido no fundo do bolso, daqueles que andamos há dias para...

lá está! Zás!

... deitar ao lixo.

A biomassa circulante, a energia transformada, materializada nesta ou naquela - passe a expressão - matéria, a que depois, nós, os achadores de filões, passamos a chamar de recurso.
Que desbaratamos.
Que, para desbaratar, estimulamos a produzir mais e mais e mais.

E tem consequências.
Basta olhar a paisagem, a organização económica, talvez os incêndiozitos do nosso querido Agosto que se vai alargando como o deserto.
Com o empobrecimento dos nossos solos.
Mais a consequente e mais fácil sua erosão.
E os problemas com que as barragens e a édêpê, coitadinha, se deparam devido aos assoreamentos.
E os portos e a navegabilidade e a costa e o litoral e a perda de território nacional...

Aqui del' rei!!

...talvez a rarefacção e pauperização biológica e dos habitats.

- Ei, isso não está comprovado. Faltam estudos.

Faltam estudos para comprovar isso o raio que te parta!!

Pareces mais um denegridor dos que defendem que as ondas electromagnéticas têm impactos na saúde. Ou, mais poderosos-asquerosos-prepotentes ainda, pareces aquelas autênticas instituições empresariais com poder de Estado, do ramo alimentar e agro-químico, que andam a tapar o sol das pragas com a peneira da solução para a fome mais os Organismos Geneticamente Modificados que vos pariram!!

(Ver artigo de amanhã)

Há sempre os preconizadores do status quo.
Abundam os sistematizadores calcitrantes do mundo.
Para que tudo continue a mover-se no mesmo sentido errado em que se tem movido.

Há estudos que vêm meramente comprovar 
(às vezes legitimar, com a forma académica, se ainda damos crédito à ciência e ao saber e ao estudo e ao trabalho e ao pensamento e à organização de ideias e...) 
aquilo que já suspeitávamos.
Se já tivemos tempo para nos deter um bocadinho no assunto.

E agora, Portuguêsl?
De que mais precisas para mudar isto?

domingo, janeiro 27, 2013

Meus amigos, está aberta a caça (é preciso arranjar graveto para cumprir o orçamento e tapar os buracos)




(clicar na imagem para aumentar)


O Governo decretou caça à multa. A "ordem política" foi ontem assumida pelo ministro da Administração Interna(…) 


(sacado daqui, com imagem e tudo - a partir desta notícia).

domingo, janeiro 20, 2013

Oh, mas onde é que eu tenho a cabeça?



Ricardo Salgado esqueceu-se de declarar 8,5 milhões de euros ao fisco.
(Daqui)

(o verdadeiro artista sacado aqui)

Ora essa, não tem importância sr. Salgado, por quem é?...

[mula sem cabeça]

sábado, janeiro 19, 2013

A metafísica da agregação das freguesias

Vem sempre tarde ou a más horas.
A discussão não é pertinente, a coisa mais premente, "há questões bem mais importantes a tratar, por exemplo, o desemprego."

O despropósito da reforma administrativa manifesta-se em manifestações, associações e solidariedade, reivindicações identitárias, apelos à história.
Bem mais grave que isso, é - claro está, que é disso que se trata - a transferência dos poderes e dos órgãos de decisão ou, melhor, dos institutos e centros de apoio às populações.
Que vivem ali.
E não noutro sítio.

Por exemplo, por haver zonas demograficamente pouco densas,

(aquilo a que os nossos jornalistas e os nossos governantes, quais deles os primeiros papagaios: isto é, quem reproduz a imprecisão geográfica: desertificação difere, e muito, de despovoamento...pronto, esta não íamos deixar passar no branqueamento habitual da estupidificação)

- um tribunal, 
- um centro de saúde, 
- uma repartição de finanças, 
- um centro de dia

e outros instrumentos de apoio social que não dependem - nem necessariamente, nem devem, de todo - do intuito lucrativo que está a destruir tudo o que é colectivo

fecham e transferem-se, em nome da racionalização de recursos, ou da chamada reorganização austera e sinistra (mas, no caso, feita pela direita) em tempos de escassez de meios (e excesso de cabeças bem-pensantes), para áreas...
(aha! lá está!)
... mais povoadas.

Em suma, quando estes organismos passam 
- sim, adivinharam! - 
a ter um comportamento de implantação ou de organização geográfica idêntica a empresas.
Pois, com o lucro.
Em nome da poupança, que é disso que se trata, no fim de todas as contas orçamentais.

Isso são as implicações directas.
Isto são as dificuldades acrescidas que as agregações de freguesias trazem para quem vive nelas.
E não é pouco.

Os hiper-nomes (em tempos de já tudo dito, feito, misturado e deslavado) das paróquias assim daí paridas são mais um folclore de pouca ou nenhuma montaria.
Por exemplo, o concelho com mais freguesias no país, Barcelos, (89 freguesias) dará à luz a linda menina de nome "União das Freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha (São Pedro e São Martinho), como podemos ver nesta proposta.
Barcelos já teve mais que aquelas 89.
Não é engraçado?

Vá, deixemos isso para depois.


Na era das comunicações virtualizadas,
- a mãe a chamar o filho pelo feicebuque para ir jantar,
- o amigo a enviar uma mensagem à moça da fila da frente, 
- o amante de futebol a ler as estatísticas da época da equipa húngara de Zalaergeszeg, 
- acordar às 7h da manhã e ler as notícias no La Vanguardia, no Deutsche Zeitung, no Herald Tribune ou no Monde Diplomatique, para não perder pitada do que se passa lá fora, "que a coisa aqui tá preta...", como cantava, ao meu amigo, o Chico),
- o comentário "lol" à fotografia daquele moço que foi apanhado a fugir, nu, à frente de uma galinha em fúria,
-

Na era da desestruturação social, laboral, familiar, associativa,
- muros de estradas pagáveis que separam pessoas que tiveram que ir trabalhar, sob ameaça de despedimento, para uma sucursal no extremo do país, com as excelentes condições psíquicas e de integração social,
- casais que não têm filhos (sei lá, estéreis por causa dos químicos na porcaria de janquefude que conseguem pagar para comer, que é a mais barata e que serve para aniquilar as "classes inferiores"), que não podem ter filhos (que a vida está cara), a juntarem-se cada vez mais tarde (que não há condições para suportar uma renda, quanto mais pedir crédito a um banco para ficar agarrado o resto da vida a pagar a estúpida da casa em que vais morrer enjaulado), com pouco tempo para socializar, sair à noite (que há consumo mínimo),
- o abandono dos pais depois das férias. Não, o abandono dos pais no HOSPITAL, não no canil,
- o despedimento fácil, barato e a dar milhões a quem não pode perder um bocadinho de tempo a olhar para o outro, que "taime ij mónei", dizem os padres do só funcional mundo utilitário moderno,
- o entretenimento imposto e sorrateiro a criar divisões, desinteresse, a esvaziar ideias e a desestruturar, pela base, qualquer possibilidade de agregação de esforços em prole para lá da limpeza do cotão teu do umbigo. Ah!, viva a a liberdade de associação! Viva a Democracia!
- as horas tão infrutíferas e mal-pagas de vida que perdemos a trabalhar para ganhar a vida. Para trabalhar. E as horas escassas do dito descanso-rentabilização-das-forças-para-amanhã-vergares-de-novo-e-bem, produtivamente-a-mola-que-serve-para-a-máquina-em-que-nunca-te-revês-e-onde-te-perdes-todos-os-dias, que te não deixam espaço senão para dizeres que estás farto e que só queres estar sozinho e que os amigos e os familiares e as viagens e os passeios nos parques que tu não tens na tua cidade podem ficar para outra altura, ok? depois ligo-te, sim?.

Na era da mobilização autocrática
- a da obrigação de deixar o apartamento
- a da obrigação de não permanecer no local
- a da ordem para sair do bairro, que vai ser demolido, a do campo, que vão começar as obras para o futuro e novo aeroporto de Notre-Dame-des-Landes, 
- a da obrigação de sobreviver noutra terra, "plena de oportunidades"
- a da transferência de pessoal para serviços para os quais não estavas preparado e se não te adaptares vais prà rua.

Na era dos fluxos instantâneos
- do dinheiro virtual à pressão de um "enter"
- do lixo humano escravo e emigrante à pressão de um "out!" (por xenofobia ou ordem dos serviços de estrangeiros e fronteiras.. bah!, fronteiras...!)
- dos objectos de consumo que mandas vir pela net do outro lado do mundo, mas que vieram da China, sempre da China, ou de um outro país onde fica sempre mais fácil produzir e é mais fácil poluir, que ninguém vai saber e todos lucramos com isso: eles, porque lhes damos trabalho, tu, porque tens a coisa a sair-te mais mais barata, e eu, que tive a brilhante ideia de congregar esforços virtuais e liguei uma coisa à outra, aqui sentado em frente a este computador brilhante e cheio de cristais líquidos,
- do lixo que antes não o era e só agora que já usaste e desembrulhaste o objecto é que te apercebeste que é... lixo, que envias - chamando as forças de limpeza, 24 horas por dia, sempre ao teu dispor, em nome da saúde pública - para longe dos teus olhos cada vez mais mirrados


Nestas eras todas, em que, devido à liquidez, não consegues formalizar uma teoria, pois quando terminas a frase já tudo parece ter mudado e o que querias dizer já aí vem contradito pelo que agora se te apresenta;
nestas eras todas, em que devido à comunicação, física ou informacional, os efeitos já não se restringem a este ou àquele sítio, lugar, zona, região, país...

nós observamos que...

a fusão das freguesias é uma decorrência normal da perda de fronteiras que figuram apenas como ideias ou traços num mapa, também ele desenhado com base em ideias.

A agregação de freguesias é a materialização da enxurrada do capitalismo e dos valores da economia a sobreporem-se a tudo o que possa ser expropriado, esvaziado, explorado, transformado, vendido e transferido.

Na era dos assaltos que ficaram por fazer ninguém sairá seco deste planeta azul de cores misturadas.
Viva a riqueza cultural: enquanto eu profito, (fico com o graveto, 'tás a ver?) tu ficas a ver navios.
Pois, pá, é para isso que...Viva a riqueza cultural e coloral do planeta das notas verdes e do fitoplâncton em redução abismal.

Globalização é o mundo a rodar tão rápido quanto uma batedeira: para misturar bem.
Para desorientar bem.
E envolver tudo.
Mas... sempre a bater no mesmo lado.
E sempre o mesmo a bater bem.
Às claras.
Sem interrupção que nos valha.

A metafísica da agregação das freguesias acaba mesmo aqui: nas fronteiras, vistas, agora sim também aí, como um anacronismo. Barreira finalmente derrubada pela racionalização económica sob a capa do bem comum que fica sempre para depois.

A reformulação de fronteiras e a renomeação ocorrem quando o poder é outro, sendo outro porque assim impõe mudanças, assim se afirmando como novo poder. Numa pescadinha-falácia de rabo-na-boca que não conseguirás comer.

Trata-se, simplística e kuhnianamente, de mudança de paradigma.
A meta deixa de ser física, passou a ser objectivo. 
But, em francês, goal, em inglês, understand silly oldman?

Ou talvez não seja outro paradigma.

Porque este último assalto era um dos assaltos que faltavam depois do despojamento que tem vindo a ser praticado pela rapina secular dos bancos.
Agora que se proporcionou e todos estamos com a corda no pescoço, incluindo os porcos capitalistas dos banqueiros de todo mundo, unidos e divididos, eis o momento.
Vem tarde e a más horas!!!

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Olha, estes chutam para o lado que estão virados



FMI admite risco de falhanço da ajuda a Portugal e contágio à zona euro

Mas afinal em que ficamos, senhor professor: bom aluno, mau aluno, assim-assim, não está a correr bem, vamos indo, falta isto, temos muito daquilo, cábulas, marrões? Não interessa, pois não? No final o resultado já se sabe.

[imagem

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Agora os lugares de estacionamento são propriedade de uma empresa

"A Câmara Municipal de Braga aprova quinta-feira, em reunião de executivo, a minuta do contrato referente à concessão de exploração de estacionamento pago na via pública a celebrar com a empresa Britalar — Sociedade de Construções, SA. Na mesma reunião, a autarquia deve aprovar ainda a autorização para que a Britalar cesse a posição contratual a favor da E.S.S.E., uma empresa do mesmo grupo com sede em Espinho, no distrito de Aveiro.
Quatro milhões cento e dez mil euros é quanto o Município de Braga vai encaixar de imediato com esta concessão, a título de adiantamento. O prazo de concessão é de 15 anos, contados a partir do início da exploração, mas prorrogável. A concessionária fica obrigada ao pagamento de uma renda mensal da concessão equivalente a 51,5% das receitas brutas de exploração.
 
Recorde-se que foi em Setembro último que a Britalar ganhou o concurso público relativo à concessão de estacionamento."
 
Notícia do Correio do Minho, um acólito mais do poder
 
 
Uma das empresas do costume, a quem dão o bonito e peneireiro nome de "concessionária".
 
Relembre-se que a Britalar ganhou o concurso...
Concurso? Qual concurso? Não ouvi falar de concurso "nenhum"!
 
- Ouvisses!
O guito já cá vai cantar!
 
 
Ah, convém dizer que agora que há menos centímetros quadrados com relva (que fosse!) na cidade, para onde foram eles senão ocupados com pedra estacionável ou pedra pura e simples.
 
Ah, na paisagem já esventrada e no horizonte perdido a olhar para as paredes, dizemos que esta região vai ficando cada vez e palpavelmente menos interessante para viver.
É o capital, o tal do gostinho especial.
 
E porque é que são sempre as mesmas empresas a ganhar os consórcios e as empreitadas que a Câmara, a troco do interesse dos munícipes, claro, leva a cabo na cidade cada vez menos verde?
 
Fica a pergunta.
A pergunta a que apenas os corruptos podem responder com precisão e cavalgadamente.
Mas não o fazem.
 
Já que quem o quer não o pode.
Fica, portanto, a curta pergunta interminável.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Diz que é um relatório bem feito (?)


FMI propõe corte de 20% dos funcionários públicos e de 7% nos salários do Estado.[e muito mais]
 (sacado daqui)




Quase tão bem feito como aqueloutro que dizia que há limites para a austeridade. Para estes tipos, meus amigos, não há limites, ou melhor, os limites estão balizados ao nosso bolso. O capital, esse, é pecúlio alheio, intocável, já se sabe. 

[obey]

segunda-feira, dezembro 31, 2012

A continuar (o intervalo foi só para corroborar as partes)

Braga, capital do fiasco (e da pedra, da corrupção e destruição do betão...)
24.12.12, Foto de Edward Soja
 
Até prò ano, amanhã.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Intocável República dos Miguéis Frasquilhos



"Todos os anos é publicado o IPC, o Índice de Percepção da Corrupção e todos os anos também as Nações Unidas publicam o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano.

[Portugal: 33º Lugar no IPC.

Somos melhores que Itália, onde há Máfia, e somos melhores que a Grécia, que está completamente desestruturada. É isto que os nossos governantes devem dizer lá fora, nas reuniões sobre corrupção, com grande orgulho.]

E se se derem ao trabalho de comparar as tabelas dos dois índices, ou, se quiserem, os mapas do IDH e os do IPC, vão ver que eles decalcam exactamente.
Vê-se a olho nu, mas mesmo que não se vissem, já há muitos trabalhos académicos que demonstram que há uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento. Ou seja, a corrupção desenvolve-se ao contrário do desenvolvimento. 
Pelo que, se não há países corruptos desenvolvidos e nem há países desenvolvidos corruptos, nós sabemos que se na próxima geração queremos ter algum desenvolvimento, temos de combater a corrupção. E só combatendo a corrupção, combatemos também a crise em que estamos. Porque se foi a corrupção que gerou a crise, a única forma de evitar a crise é combater a corrupção."



Se os nossos corruptozinhos de tigela-cheia adoram mostrar gráficos lá para casa de alguém, alguém devia pintar mapas de IPC e IDH nas paredes das suas casas. 

Há alguém com capacidades de "bombing" informativo por aí?

(calma, não é "bombing" neles... Ide aprender a gíria, que é linguagem tecnocrática...)

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Meus amigos, anda alguém a gastar à barão e não somos nós...

mas já se imaginava, não?



Quando alguém lhe disser que “gastamos acima das possibilidades” poderá recomendar a quem o diz a leitura de um estudo do Banco de Portugal e do INE chamado “Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010”, publicado em Maio de 2012.

O estudo está aqui  (sacado daqui)

terça-feira, dezembro 18, 2012

Óculos escuros?



Privatizações. Governo esconde há cinco meses relatório sobre a EDP
(Daqui)

Não se trata de esconder. O que se verifica, na prática, é a abertura dos bolsos dos consumidores aos novos (?) transeuntes da modalidade eléctrica. O negócio da privatização, em si mesmo, não esconde mesmo nada, antes liberta (eu diria isenta). E essa (suposta) liberdade, meus amigos, é que encapota o rabiosque da questão.  Mas se calhar não é bem isso. 

domingo, dezembro 16, 2012

Meus amigos, asfixia é isto

PORTUGAL


Paula Montez, activista defensora da “estratégia da não violência, da desobediência civil e da resistência pacífica”, foi constituída arguida sem provas, tem termo de identidade e residência e foi notificada por telefone registado em nome de outra pessoa?
(Sacado DAQUI)

Seja quem for, activista ou (das)activista. É absolutamente inaceitável. Não vai lá com a minha bomba da asma, pois não? Bom, sempre a podemos mandar à cabeça de alguém. 

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Centro de emprego natalício



Desempregados fazem de Pai Natal por 43 cêntimos/hora.

(Ler mais aqui - sacado daqui)

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Quando o avanço da técnica corrobora o atraso moral

1
Prà rua ia üa figura, Nuno Santos, assim lhe chamaram da banda de lá, da banda da GNR, a tal do Um Dó Li Tá, quem está preso preso está.
Assi lhe preguntaram:
- Qu'é isso, compadre irmão de todos os que cá 'stavam e para lá foram: agora tu também vais prò céo?
Ao que o home respondeo:
- Eu num vou: elles me lleban. Bela prisão esta, a que convostedes me juntam.
Para mais sclarecimentos u informaciones, cunbém tirar provas com o Relvas e sua cu-mandita-mandada.

2
O pugrama Clara Câmera está prestes a atingir o orgasmo: a coroação é o fim e as palmas que se erguem são para o calar. A voz enserenadora de Luís Caetano é a rainha a morrer: viva a rainha, aplaudem da Ponte os Senhores Doutores Albertos das Cervejas e os amigos dos Compáis.
Assi também se fuíram o Coelho que Acontecia e mais o Rosa Mendes e a Raquel Freire, que tiveram que emigrar, porque iesta tierra num é par bós. Ah, esperai um cachico, que o Rosa Mendes já 'staba lá fuora.
Mas agora que os processos submarínicos de privatização da nossa retrete pública estão concluídos e que a venda de 49% da RTP eliminará, diz o rei Borges (outro doutor que os cegos num puderam eleger) a “extraordinária tentação que tem o poder público de intervir na televisão”, agora, íamos dizendo, vamos ver finalmente a "a extraordinária tentação que tem o poder privado de intervir na televisão".
Passa a redundância e a troca, sem possibilidade de escrutínio...

3
Também a escolha, obscura, da Rosa Veloso para correspondente em Madrid cheirou tão mal que levou o Rodriguinhos a sair do cargo que aquele primeiro inforcado de cima foi ocupar.
E se as pressões por algo que o Marcelo, não o Caetano, mas o sobrinho, tenha dito também levou a uma comissão de inquérito parlamentar que em nada deu, agora vem a TVI querer meter o bedelho no Governo Sombra, razão pela qual também este pode bem chegar ao fim.
Que se estará a passar dentro da fortaleza do Eixo do Mal para nengun turpedo atingir aqueles ímpios?


4

Na Madeira, o senhor Raimundo Quintal foi acusado judicialmente por uma empresa de construção, a BRIMADE - Sociedade de Britas da Madeira, S.A., por estar a ofender o seu bom nome. Motivo: Quintal aponta a extracção de pedras e britagem na ribeira de Santa Luzia. Como os seus apontamentos não extravasam o direito de liberdade de expressão e são críticas cientificamente fundamentadas, o juíz não lhe pôde apontar qualquer pena. Caramba! o poder dos que querem fazer dinheiro ainda não conseguiram atingir o direito de falar... Pelo menos neste caso não foi suficiente.


5

Em Braga, enquanto os velhotes de Diário do Minho na mão vão, parados, olhando as obras que o cimento armado tece contra o espaço privatizável...
- a estrada é de quem a usar, sim, mas os materiais que lá puserem são de algures, foram extraídos e trabalhados pelas empresas costumeiras do compadrio corrupto e foi para elas que se dirigiu, canalizado sem podermos mexer a nossa palha, o dinheiro que indirectamente para lá atirámos - 
... as ruas continuam escuras, a iluminação da época consumista consome muito e ainda não foi ligada - para bem de todos os bracarenses, que protestam em risos desbragados com os dentes amarelos do desemprego e do desamparo, o ruído e o pó imperam e, mesmo em frente dos nossos olhos contentes, vão substituindo as flores dos canteiros do cimo da Liberdade. Bela forma de renovar o contrato com os jardineiros (coitados, não têm culpa, não é?), rentabilizar a negociata "verde" e chupar mais um bocadinho do sangue dos contribuintes que podem contribuir só pra dar dinheiro mas não para escolher o que fazer com ele.
É idêntica a acção medieval que repetem no Porto do Funchal, ao despejar recursos que o mar insiste em levar enquanto a lei de meios insiste em pagar e os burgomestres insistem em aplicar.


6

O Dióxido de Cloro é um produto desinfectante, usado em muitos Estados europeus e americanos para tratar as suas águas, que, ao contrário do hipoclorito de sódio (lixívia), não provoca metabolitos cancerígenos. Embora esta seja usada em toda a Espanha.
O Império ataca sempre três vezes e por isso Andreas Kalcker enfrenta pena de prisão e uma multa entre 90 e 100 mil euros. "Não querem argumentos, usam a força" do dinheiro. Para vergar a razão.

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"Portugal subiu oito lugares no índice sobre desempenho nas alterações climáticas, sendo o 3.º entre 58 países, um comportamento justificado pela crise e pela política energética", desta notícia nos encheram os ouvidos, mas "as previsões de seca são as piores para Portugal e por isso são necessárias políticas para reduzir a vulnerabilidade. Neste momento 28% do território está em seca, enquanto 21% está em boas condições. O número e a intensidade das secas tende a aumentar, durante o seculo XXI, especialmente nos cenários com maior aumento dos gases de efeito de estufa." 
"Portugal tem das maiores variações do índice de produtibilidade hidroelétrica da Europa, o que coloca desafios à produção de energia elétrica com necessidade de um sistema de apoio por outra fonte de energia. Este ano Portugal já perdeu 250 milhões de euros pela importação de combustíveis fósseis e de eletricidade devido à seca do início do ano." (Quercus)

E com as construções na zonas húmidas dos nossos litorais e com a submersão de muitas zonas ribeirinhas com "potencial de negócio" via chupistas da electricidade... de Portugal, dizem eles, que estamos nós a fazer para inverter ou travar isso?
Somos melhores, mas não é por nossa mão: é por desleixo.
E se pioramos nos indicadores de qualidade ecológica, não é por desleixo, mas por acções. Erradas.
Donde se depreende que era bem melhor morrermos todos e deixarmos a Terra em paz.
Recuperaria no seu ritmo, mas era um instantinho comparado com as porcarias que andamos a fazer desde a revolução industrial.

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Apesar da tentativa (e da parvoíce na cerimónia dos Prémios da Gazeta) o presidente de alguns portugueses continua calado.

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Em Alberta, no Canadá, está à espreita o negócio da extracção de petróleo a partir de areias betuminosas. Os chacais, venham eles donde vierem, estão prontos a abocanhar os lucros e a deixar por lá, a espalhar-se, os detritos e seus problemas ambientais. Que não é nada com eles. Nem connosco. Uma reportagem fotográfica do Daily Mail mostrava imagens de meter medo, mas por algum motivo que desconhecemos "the page you search does not exist".
Mas há esta notícia, com algumas imagens.
E as forças da autoridade, já habitual e esperadas, controlam manifestantes.

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No bairro de Santa Filomena, na Amadora, mais pessoas foram desalojadas sob as forças policiais. As forças da ordem, braço armado da força do dinheiro.
Para desalojar e poder demolir sem matar ninguém. 
Para rentabilizar o espaço. Com o espaço já cuidadosamente trabalhado pelo poder económico, lá mais não conseguirão entrar. Paredes económicas limitativas, segregacionistas os afastam do sítio donde foram expulsas.
Fizeram o mesmo para construir a barragem das Três Gargantas e fazem o mesmo para expandir as cidades, quando estas, infladas pela pobreza dos que a ela chegam, crescem demasiado rapidamente.
Saber mais aqui.

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A polícia aguentou horas, não quis dissuadir os davids e deu-lhes, aos davids e a outras personagens que nada tinham que ver com aquela história nada bíblica, com uma "carga de serenidadezinha". Como se o uso da violência fosse apanágio das forças que estão do lado da Democracia. 
Parabéns aos polícias, então.

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Como é bom viajar a preços baixinhos, nas companhias de baixo custo tão na moda, os tráfegos nos aeroportos e a massificação do turismo aumenta de ano para ano. Malgrat a perda de poder de compra. Ou, melhor, DEVIDO à perda do poder de compra. Por isso, em Nantes se preparam para - oh! consequência impensável! - construir um aeroporto. Na luta contra está a ZAD - Zone a Défendre, cuja página na internet foi "classificada por uma autoridade" (?, qual? porquê? para quê?) como não segura.
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"Os cidadãos das democracias antigas, que passavam o dia em discussões sobre os negócios da cidade, em debates públicos, ao ar livre, escutando o orador do momento, passeando no fórum, não se poderiam conceber no clima húmido e enevoado de Londres ou de Hamburgo, que, pelo contrário, favorece a vida interior, no club e no lar.
A construção rápida de cimento armado está mudando a fisionomia das cidades, tanto pela demolição dos bairros velhos e pitorescos como pelo alastrar de subúrbios industriais e dormitórios, de altos e insípidos edifícios, tristes símbolos da vulgaridade de uma civilização universal, arrogante nos seus recursos mecânicos mas empobrecida no conteúdo humano. Nada o mostra melhor que a aviltante renovação das cidades."

Orlando Ribeiro, "Portugal, O Mediterrâneo e O Atlântico
(primeira edição em 1962)


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