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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Causas concretas

"(...) mesmo quando a terra passou de períodos glaciares para interglaciares, sabemos que as alterações totais nas concentrações de CO2 - entre os máximos e os mínimos - não ultrapassavam 120 partes por milhão (ppm). Passava de 180 ppm para 300 ppm e depois regressava aos 180 ppm, fazendo-se acompanhar pela oscilação de seis graus centígrados na temperatura. No entanto, nos últimos dez mil anos tem estado estabilizada em torno de 280 ppm de CO2, pelo que o nosso clima também se mostrou muito estável.

Tudo isto começou a mudar de repente, mais ou menos a partir de de 1750. Logo após o despontar da Revolução Industrial, e sobretudo nos últimos 50 anos, a quantidade de CO2 na atmosfera terrestre aumentou de 280 ppm para 384 ppm, nível em que provavelmente nunca esteve durante 20 milhões de anos. E estamos agora em vias de acrescentar 100 ou mais ppm de CO2 à atmosfera nos próximos 50 anos. Este CO2 não provém dos oceanos. ["Quando os oceanos aquecem, libertam CO2", p.126] Provém da acção humana de queima de combustíveis fósseis e da desflorestação. ["A desflorestação é responsável por cerca de 20% de todas as emissões de CO2", p. 155].
Sabemo-lo porque o carbono pode ser datado e o carbono contido no dióxido de carbono produzido a partir da queima de combustíveis fósseis é de uma idade diferente do CO2 que se encontra nos oceanos. E as medições revelam, sem margem para dúvidas, que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera nos últimos 50 anos teve origem no carbono libertado na combustão de combustíveis fósseis."

(p. 127)

Continuaremos com o livro "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (2008, Actual Editora). Até que a voz nos doa.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Coisas Concretas

"Aqui em Montana fazemos a nossa vida fora de casa (...) e por isso sabemos quando o clima está a mudar"
(...)
Todos os anos, o Estado verifica a temperatura dos seus rios de trutas em Julho. As trutas gostam dos rios cujas águas são esfriadas pelo efeito da corrente proveniente das montanhas glaciares durante o Verão. Infelizmente, na última década, a camada de neve nalgumas montanhas derreteu toda em Julho, por isso os rios não estão a receber essa corrente fria e a truta está a ficar sob stress. A temperatura do famoso rio Flathead de Montana, que flui directamente do Glacier National Park, era de 11,3 graus centígrados em Julho de 1979 (...). Em Julho de 2006, era de 15,95 graus centígrados no mesmo mês e os rios que 20 anos antes corriam com cerca de cem por cento de neve derretida correm agora com 50 por cento de água da chuva e de nascentes. A truta de Montana tornou-se tão "stressada" que o Estado teve de vedar alguns rios à pesca.
(...)
E depois há os fogos florestais. A noroeste de Montana, as montanhas estão cobertas de abetos e lariços até ao limite florestal. Devido à subida média das temperaturas no Inverno, as árvores tornaram-se muito mais vulneráveis a insectos e outras pragas, cujas larvas normalmente morriam a temperaturas entre os 29 e os 35 graus negativos, temperaturas que eram habituais todos os Invernos, nos meses de Janeiro e Fevereiro. E tal não tem acontecido nos últimos anos.
"Agora temos hectares e hectares de árvores mortas ou moribundas nas montanhas rochosas (...) A Natureza tem o seu próprio método de lidar com o assunto - através de relâmpagos. Uma floresta saudável arderá um pouco e a seguir cai alguma chuva e volta a ficar tudo equilibrado. Agora, com tantas árvores mortas ou moribundas, cai um relâmpago e bum, ardem 200 mil hectares de árvores. Isso está a alterar toda a composição da floresta"

(pp. 138-139)

No seguimento dos avisos chocantemente expostos em "O Sétimo Selo", estamos a ler "Quente, Plano e Cheio", de Thomas L. Friedman (Actual Editora) e não resistimos a vir transcrever esta passagem. Não estranheis se viermos com outras...

Se pudermos alterar hábitos que até agora encarámos como insignificantes, mas que, grão a grão, vão enchendo o papo desta galinha colossal que estamos a enfrentar... pensemos que vale a pena gastar energia para nos transmitirmos novas concepções. De vida, não de morte anunciada, como as que temos vindo a ter,
despreocupada e alegramente, desde a Revolução Industrial do Séc. XVIII...

Sustentemos o Sustentável.
Não é uma questão de ética ou de política.
É de vida ou morte.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"O Mar Aqui Tão Perto", de José Carlos Fernandes

Clica para aumentarO Mar Aqui Tão Perto
José Carlos Fernandes [*]

Edição: 1998
Editora: Instituto da Conservação da Natureza
Páginas: 28


Andava eu a vaguear na Feira dos Parques Naturais, em Olhão, quando numa das bancas me saltou à vista um pequeno livro com um título tão forte como a ilustração que o acompanha. Desde logo, identifiquei-me com o personagem do livro, que acabei por o ler, ali mesmo.
“O mar aqui tão perto”, do conhecido autor de Banda Desenhada, José Carlos Fernandes, e promovido pelo Parque Natural da Ria Formosa, dá-nos a conhecer, de uma forma clara e pedagógica, o processo de erosão que tanto afecta a nossa costa, em particular, demonstra de que forma se reconstrói as dunas que se encontram em mau estado após os constantes galgamentos dos temporais de Inverno.

Se és um apaixonado e defensor fervoroso do meio natural, mas que desconheces os factores naturais e antrópicos que fazem evoluir a erosão costeira, lê o que a gaivota tem para te contar neste livro:

Escuta deixa-me contar-te uma história...

Ilustração de José Carlos FernandesNum imenso palácio de vidro, algures no Pólo Norte, vive o Sr. Efeito de Estufa. Parece ser uma morada improvável para alguém que, como ele, não suporta o frio e sofre de frieiras, mas acontece que ele vive fascinado pela paisagem do Árctico (...) mantém o aquecimento do palácio a funcionar dia e noite, se é que se pode falar de dias e noites num lugar como aquele. O que o Sr. Efeito de Estufa não sabe é que, cada vez que sobe um décimo de grau no termóstato, milhares e milhares de toneladas de gelo se despenham no oceano com um estrondo espantoso.
E assim, o nível do mar vai subindo todos os dias um bocadinho, uma coisinha de nada (...) mas ao fim de anos, de décadas, é o que se vê, as ondas começam a galgar as dunas, a empurrar as ilhas-barreiras em direcção ao continente.Ilustração de José Carlos Fernandes E como se isso não bastasse, temos o homem a asnear, obras a esmo, marinas, portos, esporões, dragagens, enrocamentos, como se pudesse moldar o mundo a seu bel-prazer.
E quando as dunas estão cobertas por vegetação ainda é o mal menor, o pior é quando há betão por todo o lado, jipes por todo lado, roullotes, barracas, vivendas, blocos de apartamentos, restaurantes, pizzarias, parques de estacionamento, tudo em cima das dunas, tudo espezinhado, nem uma planta para amostra. E depois espantam-se com os resultados...
As pessoas não são muito espertas, pois não?


Com “O mar aqui tão perto” encontraremos todos a resposta...

Boas leituras geográficas.

[*] José Carlos Fernandes nasceu, em 1964, em Loulé. É licenciado em Engenharia do Ambiente, foi assistente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou Botânica e fez investigação em Metais Pesados. Começou a dedicar-se ao desenho e à BD em fins de 1989. Entre 1989 e 1999, trabalhou no Parque Natural da Ria Formosa, onde viria a editar o livro “O mar aqui tão perto”. Tem colaborado em várias revistas e jornais, nomeadamente, O Independente e O Público. Nos últimos anos trabalhou sobretudo na série “A Pior Banda do Mundo”, que conta com 6 volumes editados. O seu primeiro volume, “O Quiosque da Utopia”, foi eleito o Melhor Álbum Português de 2002, pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e pelo Diário de Notícias.

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que, posteriormente, publicaremos, neste mesmo espaço.

sábado, outubro 25, 2008

Mercado de Acções

Durante o Outono e, os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um lider prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:
"O próximo Inverno vai ser frio?"
"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio", respondeu o meteorologista de serviço.

O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
"Vai ser um Inverno muito frio?"
"Sim", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
"Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?"
"Absolutamente", respondeu o homem, "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu: "Os Indios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de acções.

Difundida via e-mail

segunda-feira, setembro 29, 2008

O Sétimo Selo - Desertificação

Na roleta, o deserto aposta nos homens.
Altair, 29.11.98


Decorre hoje e amanhã o I Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas, na Universidade de Aveiro.

Clique na imagem para mais informações


A propósito, em boa hora regressamos ao tema, com mais um "estrato" do muito didático livro "O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos.
(Advertência: o texto que se segue não tem cortes, e pode ser encontrado nas páginas 248 e 249. Se não tem tempo para ler o livro, guarde mais estes ingredientes do futuro na sua cabeça...)


E ninguém vai escapar. O Midwest dos Estados Unidos, por exemplo, tem sido o celeiro da América, está em vias de se tornar um deserto. E o sul da Europa também. As vagas de calor tornaram-se mais frequentes e mais longas e um processo de desertificação gradual já se encontra em curso em Itália, na Grécia, em Espanha e em Portugal, com o Saara a crescer para norte. Isto tem implicações catastróficas. Olha o que se passou com as grandes vagas de calor de 2003 e 2007 no Sul da Europa. Para além de gigantescos fogos que consumiram em Portugal uma superfície florestal do tamanho do Luxemburgo, a onda de temperaturas elevadas em 2003 provocou uma quebra de 20% na colheita de cereais e inflacionou os preços em 50%. E em 2007 ainda foi pior, com temperaturas recorde a provocarem milhares de incêndios na Grécia, na Turquia e nos Balcãs. Dubrovnik chegou a ser evacuada e os gregos tiveram de declarar o estado de emergência em todo o país quando os incêndios descontrolados mataram mais de sessenta pessoas em três dias e chegaram aos subúrbios de Atenas.
- Achas que essas calamidades se vão tornar frequentes?
- Ah, não tenhas dúvidas. Estes incêndios foram apenas o prelúdio do que vem aí e repara que surgem numa altura em que se percebe que o planeta precisa de alimentar nos próximos 30 anos, de modo a sustentar uma duplicar a sua produçãopopulação que deverá duplicar em 60 anos. O problema é que a desertificação, a erosão dos solos e a salinização estão a reduzir a terra arável a um ritmo de 1% ao ano. - Inclinou a cabeça para sublinhar este ponto. - Um por cento ao ano significa 10% em dez anos. Há quem diga que, daqui a algumas décadas, metade do globo encontrar-se-á coberto pelo deserto. Os resultados já estão à vista: o crescimento da produção alimentar atingiu o seu pico em meados da década de 1980 e apresenta-se agora em declínio.
- Estás a falar a sério?
- Por que razão pensas tu que estamos tão preocupados? Os modelos mostram que, duplicando o dióxido de carbono na atmosfera, a maior parte dos Estados Unidos estará submetida a graves secas, com o consequente colapso agrícola. Bastará subir um grau pra que apareçam desertos no Nebraska, no Wyoming, em Montana e no Oklahoma. E acima dos dois graus Celsiusm também o sul da Europa estará transformado num deserto. Alguns cientistas franceses, por exemplo, puseram-se a projectar em quanto aumentará a evaporação da água de toda a região mediterrânica quando ocorrer uma ligeira subida da temperatura. Os modelos de computador revelaram que a evaporação diminuirá, o que é surpreendente, uma vez que o calor aumenta a evaporação. Depois de analisarem melhor os dados, os cientistas perceberam que a evaporação irá diminuir pela simples razão de que deixará de haver água no solo: sem água não há evaporação. Isso significa que o Saara cruzou o Mediterrâneo e o sul da Europa estará transformado num deserto. - Acenou com três dados. - O painel da ONU prevê que, se o limiar dos três graus for cruzado, a desertificação poderá conduzir a uma fome generalizada no planeta. A produção agrícola chinesa, por exemplo, entrará em ruptura total, com os campos de arroz, milho e trigo a decaírem 40%.

[
Imagem retirada de Ciência Hoje (clique), de um artigo cujo título é:
"Portugal entre os três países mais desertificados da Europa"


Pelo que aprendemos, a "desertificação" não é considerada um risco. Tampouco parece ser uma preocupação. Mas o termo não nos soa a algo já consumado? É um somatório de impactos humanos e climáticos que depois se traduzem no solo. De progressão lenta, vai avançando, como a súbita surdez derivada do ruído em crescendo. Quebrar o ciclo, sair "da cepa torta", consiste em alimentar o solo (de humidade, raízes, consistência, matéria orgânica, coberto vegetal...). Porque se a formação de uns míseros centímetros de solo é processo que demora muitas décadas, é melhor empenharmo-nos já. E em FORÇA!
Sem parecer ir em modas ou em alarmismos momentâneos e amanhã já arrefecidos, essa devia ser uma das prioridades de topo de qualquer Ministério da Defesa e da Administração Interna. Mas é para isso que serve esse ministério?
- Não...
- Não??? Mas, então?! O nome está mesmo a dizer!!!!!
]

(...) (p. 250)
E receio não te ter revelado ainda o pior.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Albufeira mete água... de novo!

Foto de d.r. em Barlavento OnlineOlá a todos.


Como já devem saber, a baixa da cidade de Albufeira acordou novamente inundada! Isto já não é novidade para ninguém, qualquer algarvio sabe que o centro de Albufeira está construído numa área muito sensível, em especial, sob a bacia hidrográfica de um curso de água, chamado ribeira de Albufeira (corrigem-me se estiver enganado!) e entre arribas que sofrem da acção erosiva do mar (talvez, mais do homem do que, propriamente, do mar).

Albufeira candidatou-se ao programa Polis e fez muito bem…
Não vou descrever o objectivo deste programa, nem da intervenção efectuada e/ou a efectuar, mas deixo-vos a ligação onde podem consultar todos os pormenores do Programa Polis – Albufeira.

Tendo em conta o que aconteceu nesta madrugada, gostaria apenas destacar um objectivo:
“i) Articular este plano com as outras acções em curso nas áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente no que respeita a drenagem de águas pluviais e domésticas, infraestruturas eléctricas e outras;”

Sem dúvida nenhuma que este objectivo é mesmo o último a ser concretizado!
Primeiro as obras de fachada, depois as obras de fundo…
Faz-me lembrar quando uma autarquia coloca novo piso numa estrada e passado 1 mês esburaca-a toda para colocar a rede de esgotos e saneamento básico.
Meus amigos…

Mas continuando…
Não se preocupem que os responsáveis autárquicos estão atentos…
Todas as cheias que têm acontecido estavam previstas pela autarquia.

Para os mais desatentos, cito um artigo de 3 de Dezembro de 2007, publicado no jornal Barlavento, com alguns comentários meus:
Obras para resolver cheias na Baixa de Albufeira começam em 2008
"As obras de separação das redes unitárias de águas residuais domésticas e pluviais nas ruas Cândido dos Reis e 5 de Outubro, na Baixa de Albufeira, só vão começar em Outubro de 2008…"
Porque começam só em Outubro? Tendo em conta a urgência da intervenção a efectuar, suponho que só comecem em Outubro para não afectar a vida aos milhares de turistas que visitam a capital do turismo nacional na época balnear e, claro, para não se perder o "negócio da formiga" (ganhar de Verão, para hibernar de Inverno). Afinal, não serviu da nada, pois o "negócio foi por água abaixo"... destruindo todo o formigueiro comerciante!
Em Outubro começam as obras e o presidente é considerado herói municipal, porque soube responder de pronto! (uma coisa que já estava prevista há quase um ano).
Ahah Sou mesmo ridículo a interpretar as coisas, mas gosto de o ser…

“Acrescendo ao facto do centro de Albufeira ser uma zona baixa e de inundações frequentes, a condução das águas residuais domésticas e pluviais era feita por condutas unitárias, sem separação dessas águas.”
Acerca deste assunto lembro-me quando um programa de TV foi, no Verão, a Albufeira. Estavam à conversa com o repórter um grupo de pescadores, de um lado, e um vereador da Câmara, não me lembro qual, do outro. Como já passou algum tempo e não gravei o programa, vou descrever o discurso de uma forma fictícia, mas parecida ao real:
- Gostam das obras do Polis?
- Estão bonitas, mas é para inglês ver. Para nós, habitantes desta terra, não servem de nada!
- Então, porque dizem isto?
Na conversa entra um senhor mais entendido na matéria e fala das intervenções urbanísticas:
- Vamos esperar para ver, mas é certo que continuaremos com cheias à porta de casa. E sabe porquê? Está a ver a dimensão daquele cano? Não tem a dimensão para escoar todas as águas que esta zona recebe das chuvas.
- Sr. Vereador concorda com esta opinião?
- Claro que não. Todas a obras que estão a ser feitas, foram programadas da melhor forma e iremos executá-las com tempo e na melhor qualidade técnica possível.

Na altura fartei-me de rir e hoje recordo-me como os pescadores tinham razão!

Continuando…

Ainda na tentativa de melhorar o problema das cheias, está neste momento a decorrer uma auditoria, a pedido da autarquia, coordenada por João Levy, do Instituto Superior Técnico, no sentido de se efectuar um estudo rigoroso relativamente às infra-estruturas colocadas no âmbito do Programa Polis, para se apurar se, de facto, existem dificuldades que não foram previstas ou mesmo erros de projecto ou execução.”
Pelo que tenho visto, não seria necessário chamar o ISTécnico para tal, bastava consultar a população, os mais velhos, pois sempre que os vejo a falar só saem palavras sábias.
Parece-me óbvio que o projecto tem erros, erros de quem programou no gabinete, ou então, é mesmo má qualidade da equipa projectista…

No mesmo artigo:
“Quem acha que as obras pecam pela demora é José Vieira, proprietário do bar «Marmota», situado na Rua Cândido dos Reis. «Acho que deviam ter sido feitas há mais de 10 anos. A cidade cresceu e não foi feito nada para resolver a situação. Todos os anos temos cheias e inundações e estas obras fazem falta», disse ao «barlavento».
Quando dizem cheias em Albufeira, os técnicos devem associar cheias de turistas e não de água. Daí as obras demorarem…

Deixo-vos ainda outro artigo para lerem:
Polis Albufeira iniciou construção do Emissário Pluvial Submarino junto à praia
17 de Setembro de 2008

O que é isto de Emissário Pluvial Submarino?
É um sistema pluvial que tentará evitar as inundações na baixa de Albufeira.
E, já vem tarde, mais uma vez…

Vamos lá ver se será desta que se resolvem todos estes problemas:
“Desidério Silva, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, já tinha revelado ao «barlavento» que considera a infra-estrutura «um grande investimento para acabar, de uma vez por todas, com o problema da acumulação das águas pluviais, naquela zona», e consequentes inundações, as quais têm sido motivo para queixas de comerciantes e moradores.”

Estaremos atentos…

O Sétimo Selo - Efeito Budyko

Recapitulando: estamos na Sibéria e é nesta passagem que repescamos o conceito de albedo, que já tínhamos explicado aqui. Por acaso (ou estará cada vez mais presente?), este processo foi aflorado de forma leve e nada alarmante num documentário sobre o clima que a RTP2 exibiu ao começo da tarde de ontem, domingo.


"Nunca ouviste falar no efeito Budyko?
Mikhail Budyko descobriu que a neve reflecte para o espaço a maior parte do calor do sol que sobre ela incide, o que ajuda a manter o clima frio." Mas como a temperatura tem vindo a subir, essa "neve tem vindo a derreter, deixando emergir o solo que havia por baixo. Ora esse solo, como é escuro, absorve o calor, o que provoca mais calor, o qual provoca mais derretimento de neve, o que faz emergir mais solo escuro, que provoca ainda mais calor, numa espiral sem fim. É isso o efeito Budyko."

Para quem quiser mais previsões feitas por Mikhail Budyko pode consultar aqui, (em Inglês).

"O grave é que a temperatura cruzou um tal limite que este tipo de processo foi desencadeado em todo o planeta, incluindo o mar. Só em 2005 desapareceu 14% do gelo permanente do Árctico.
(...)
Como a água ficou mais quente, começou a derreter mais gelo, o que é um problema, porque o gelo reflecte mais de 80% do calor do sol. Já o oceano, pelo contrário, absorve mais de 90% desse calor, uma vez que é escuro.
(...)
Como o gelo está a derreter, há mais oceano a receber calor, o que torna a água mais quente e faz derreter ainda mais gelo, o que diminui mais a superfície reflectora e alarga de novo a superfície absorvente de calor, num ciclo vicioso que intensifica o efeito de estufa.
(...)
Como o oceano está mais quente, a água fica mais pobre em nutrientes e algas. Ora são as algas que atiram o dióxido de carbono para o fundo do mar. Como há menos algas, o dióxido de carbono fica à superfície." E por aí fora...

E perguntamo-nos, nós, que estamos a ler isto, com preocupação:

"Mas isso está mesmo a acontecer?
Pois está. Olha para as florestas equatoriais. (...) sem a sombra das árvores o solo aquece mais e, consequentemente, faz aquecer mais o planeta, o que provoca uma maior diminuição das florestas e retira sombra a mais solos, que assim aquecem mais e provocam maior diminuição florestal, num novo ciclo vicioso.
(...)
A Amazónia viveu em 2005 uma seca nunca vista. Secaram vários afluentes do rio Amazonas e a água potável teve de ser enviada por helicópteros para aldeias da grande floresta supostamente húmida. E sabes por que razão se utilizaram helicópteros? Porque a água dos rios estava demasiado baixa para a navegação!
A seca de 2005 pode ter sido o primeiro sinal do iminente e catastrófico colapso da Amazónia, que é inevitável se as temperaturas subirem três a quatro graus Celsius. Nessa situação, a floresta transformar-se-á num deserto."

(E convém relembrar que são as árvores que absorvem o dióxido de carbono...)

"A Terra é um ser vivo com capacidade de auto-regulação, o que significa que sempre conseguiu manter-se próxima da temperatura e da composição química mais adequadas à vida. Fez isso durante 3 mil milhões de anos."

Para acabar com uma imagem ilustrativa, uma passagem sobre os glaciares:
"Os glaciares dos Alpes já perderam 50% do seu gelo e os dos Andes triplicaram a velocidade de recuo, diminuindo um quarto da sua superfície em apenas três décadas".

Ver em detalheFrentes do glaciar Jakobshavn (de 1851 a 2006) e respectivas velocidades de deslizamento
Fonte: UNEP



A imagem, retirada de uma página do UNEP (Programa das Nações Unidas para o Ambiente, no acrónimo Inglês), mostra-nos as datas das frentes de um glaciar na Gronelândia. Em baixo, a tabela evidencia que a velocidade do seu gelo tem vindo a aumentar com os anos. E por tudo o que ficou dito e redito, não é grande empreitada perceber porquê...

Há mais para saber - e preocupar-nos - em próximos estratos de O Sétimo Selo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O Sétimo Selo - Gaia

As personagens do diálogo seguinte encontram-se no lago Baikal, na Sibéria. Estamos no capítulo XVIII, quando o livro revela toda a gravidade e importância para poder figurar num blogue sobre a sustentabilidade. O texto, cortado e adaptado, é longo. Mas isso foi porque o que se diz não pode mais ser calado.

Isto é uma espécie de novelo de impactos ambientais que partem da hipótese de Gaia. No fim do novelo, com toda a interdependência dos factores, estão consequências gravíssimas.

(Para quem nunca ouviu falar, o lago Baikal "é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra." (bastou ir à Wikipédia...)


"A Terra tem a capacidade de se auto-regular. Mas, também como qualquer ser vivo, isso só acontece dentro de determinados parâmetros de temperatura. (...) No caso aqui da água, descobriu-se que a temperatura crítica são os dez graus. Quando a temperatura sobe acima dos dez graus, a água tende a ficar livre de nutrientes, o que prejudica a vida. Daí que as águas tropicais sejam transparentes e límpidas: não têm nutrientes, à excepção de uma limitada quantidade de algas. Essas águas estão para o mar como o deserto para a terra. Pela inversa, as florestas do mar são as águas do Árctico e do Antárctico, uma vez que esses oceanos polares estão abaixo dos dez graus e, por isso, podem encontrar-se nutrientes por toda a parte. (...)"

Só lá no fundo, onde a temperatura está abaixo dos dez graus, é que a vida encontra nutrientes. Isto significa que a maior parte dos oceanos são desertos. (...) As águas acima dos dez graus na camada superior cobrem 80% da superfície da água do mundo."

Portanto, se a temperatura global subir, o deserto expande-se.

Cá fora, a temperatura crítica são os 20 graus. Com temperaturas abaixo dos 20º, como no Inverno, a água da chuva mantém-se muito tempo na terra e facilita a vida. Mas no Verão, essa água evapora-se rapidamente e os solos secam. Quando a temperatura média supera os 25 graus, a evaporação torna-se demasiado rápida e, a não ser que a chuva seja quase contínua, a terra transforma-se em deserto.

As florestas equatoriais, como a Amazónia ou a grande floresta do Congo, constituem justamente uma nova resposta de auto-regulação da Terra. Como a evaporação com altas temperaturas é muito rápida, a Terra criou ali um ecossistema que consegue aguentar as nuvens sobre a floresta, obtendo assim chuva quase contínua.
Mas este sistema só é viável dentro de determinados limites térmicos.
Uma subida de 4 graus da temperatura média acelera ainda mais a evaporação e destrói este equilíbrio, transformando a floresta equatorial num deserto.

Sabes o que separa uma floresta equatorial de um deserto? Uns meros quatro graus célsius. O que significa que esses quatro graus cruzam algures um valor crítico. Daí que o aumento da temperatura global seja um problema muito grande se ultrapassar determinado limite térmico.

E o pior é que há indicações de que esse processo já foi desencadeado"...

terça-feira, setembro 16, 2008

O albedo não é um segredo

Capa de Albedo 0.39 (Lp, 1975, RCA), de Vangelis Papathanassiou


O conceito de Albedo, importante termo em Climatologia, traduz a proporção entre as radiações luminosas recebida e reflectida por um corpo não luminescente, ou seja, um corpo desprovido de luz própria. (Esses corpos podem ser planetas, como a Terra, satélites, como a Lua, ou outros (neve, nuvens...)

É um termo que aprendi pela primeira vez muito antes de o estudar nas aulas, pois o senhor Vangelis tem um álbum (de 1975) chamado Albedo 0.39, com cuja capa, aliás, me apeteceu começar este artigo. (É por estas e por outras que continuo a defender que a música nos pode ensinar muito...)

O número 0,39 (ponto é o que os saxónicos usam... nós, ao referir-nos a números decimais, usamos vírgulas...) é o mesmo que 39%. O albedo de um corpo exprime-se na grandeza de 0 a 1, ou de 0 a 100%. O 39% refere-se ao valor do albedo da Terra. Quer dizer que a Terra reenvia para o espaço 39% da luz que recebe.

É por exemplo o albedo da neve que nos obriga a usar óculos (se não quisermos ficar com queimaduras na retina), e não necessariamente a luz do sol, quando (se...) subimos a altas montanhas. Porque a neve tem um albedo muito alto. E o seu valor é mais alto quanto mais fresca ela for. Aliás, como podemos verificar numa tabela como esta, o albedo do gelo pode variar entre os 20 e os 40% e o da neve entre os 40% (se for antiga) e valores superiores aos 80% (se for acabadinha de cair). (Tomem atenção aos valores com que o asfalto se fica...)

O albedo depende, entre basicamente de 3 factores:
(um, relativo ao corpo emissor)
- da intensidade da luz,
(outro, relativo à posição entre o emissor e receptor)
- do ângulo de incidência,
(outro, relativo ao corpo receptor)
- do superfície do corpo que reflecte (ou não) essa luz.

É graças ao albedo que a Terra pode, por um lado (através das nuvens, que a filtram) proteger-se da radiação, ou, por outro, manter uma temperatura agradável (quando corpos escuros, com pouco albedo, retêm a energia recebida).


ver maiorO albedo da Terra
Imagem extraída de Visible Earth (NASA)


Da análise da imagem acima podemos perceber a importância do terceiro factor enunciado. As maiores taxas coincidem com partes do globo (no mapa não foram considerados a água, a Antárctida e parte da Gronelândia) que estão cobertas de corpos claros: neve, numas partes, areia, noutras. E a diferença entre ambas as áreas é também visível, com os extremos norte da Sibéria e da América do Norte num vermelho mais denso / carregado que o do deserto do Saara. E isso não é só por haver outros corpos nesta parte do norte de África, mas porque, vimo-lo acima, a neve reflecte mais que a areia.

E sobre o amigo albedo, para já, ficamos falados.
"Quem tem medo do albedo mau, albedo mau...?"


Este é um artigo introdutório a mais um estrato do livro de JRS, "O Sétimo Selo".

quarta-feira, setembro 10, 2008

O que não vemos...

Clique para lerPúblico, 04.09.2008, p.16

Não há como contornar: o que nasce, nasce de algo. (Deixemos de lado as explicações criacionistas religiosas...).

Vários factores contribuem para um dado resultado. Os fenómenos regionais podem ter (e muitas vezes têm) causas exteriores à região. Já o aplicamos quando se falou de globalização. Os furacões, como outros factores que representam um risco (até que ponto meramente natural?) para as populações, ENGLOBAM-SE na tão propalada questão das alterações climáticas.

As coisas que não sentimos, podem ser tão pequenas como 0,3 graus célsius, mas em certos fenómenos, o factor multiplicador é grande e incontornável.
Que são 0,3 graus? O nosso corpo nem o sente...

Mas a frequência e a intensidade dos furacões cada vez mais noticiados nos últimos tempos deixam marcas, em forma de estatísticas e danos materiais e humanos.

Quando deixamos de olhar para o lado, deparamo-nos com cenários de destruição.
De menosprezarmos o que não se vê, passamos a não conseguir evitar o que se abate sobre nós.

sábado, setembro 06, 2008

"O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos




Título: O Sétimo Selo
Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano: 2007
Editora: Gradiva
ISBN: 978-989-616-208-5
Paginação: 504 páginas


Por onde começar?
Qualquer escritor já se deve ter interrogado sobre quais os resultados que o seu livro pode ter. Na sociedade ou no mero leitor. Há alguns que num esforço imenso tentam controlar todas as frases, escolher aquelas palavras e não outras, moderar o fôlego com as pausas necessárias, deixar espaço para pensar, às vezes, ser dúbio... tudo para controlar, para agarrar pelo pescoço o "querido leitor".

Tal como no cinema, onde muitos não procuram - mas não lhe podem fugir - a alienação, eu gosto desse grupo de escritores. Porquê? Ora, porque na minha maneira de ver foram / são capazes do domínio da arte da escrita, da arte de comunicar, de emocionar, de passar - enterrando-a bem em nós! - a preciosa mensagem de que querem a toda a força libertar-se. E sabemos muito bem que chegar aos outros, com ou sem megafones, requer muito trabalhinho...

Que o digam os visionários, desacreditados pela cegueira do presente e pelo umbiguismo dos valores da sociedade... Ou - entrando assim na história deste "Sétimo Selo" - que o digam os cientistas, a quem
- cortam fundos para investigação
- são comprados por empresas
- escolhem sobre o que devem investigar
e / ou
- oferecem balas na cabeça
(e ponto final, parágrafo)

O livro que escolhi para hoje, pela matéria que aborda, não precisa de nada dessa "arte" de manipular os leitores. José Rodrigues dos Santos não é (não há problema em dizê-lo; o próprio tem humildade suficiente para reconhecer que não é a isso que aspira...) um prosador de primeira água, que desses há poucos (e isto sou eu quem o afirma). Jornalista de formação, percebe-se de imediato o intento em transmitir factos reais, baseados e confirmados por quem sabe. E isso é notoriamente o mais importante. Daí que no posfácio não deixe de agradecer aos colaboradores, revisores científicos e conselheiros (diremos quem foram no próximo artigo sobre o livro do mês) que ajudaram a tornar este "Sétimo Selo" naquilo que deveria ser.

E que deveria ser este livro?
(Atenção, afirmo-o já: não fui pago para fazer publicidade, nem sou vendedor da editora que lançou este livro no mercado...
Bem, feita esta a advertência, vou prosseguir)
Devia ser um livro para mudar tudo. A frase na contra-capa está lá e é (não devia, É!) para ser levada a sério:

"Prepare-se para o choque."

(Continua.)

Nota: Envie a sua sugestão de leitura para georden@gmail.com que posteriormente publicaremos neste mesmo espaço.


quarta-feira, julho 16, 2008

CLIMA 2008

Clica para entrarI Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas
29 e 30 de Setembro de 2008
Universidade de Aveiro
Com o Alto Patrocínio de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República

Este evento pretende constituir-se como um fórum de reflexão sobre esta temática e afirmar-se como um evento de referência, passando a realizar-se em cada 2 anos.

Objectivos
- Abordar o estado do conhecimento sobre as causas, implicações e soluções de mitigação das alterações climáticas;
- Divulgar e debater as principais orientações estratégicas e políticas em termos europeus e nacionais;
- Divulgar e incentivar as boas práticas de combate e mitigação dos impactes das alterações climáticas, promovendo a divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelos investigadores e empresas portuguesas;
- Constituir um espaço de reflexão sobre o papel da Engenharia do Ambiente na procura de soluções que permitam combater e mitigar os impactes das alterações climáticas;
- Promover uma reflexão conjunta entre os principais stakeholders nesta matéria, incluindo decisores políticos, investigadores, empresas e representantes da sociedade civil.

Temas
- Políticas e estratégias europeias de combate às alterações climáticas;
- Mitigação dos impactes das alterações climáticas;
- Estratégias em Portugal de combate às alterações climáticas;
- Os sectores da Energia, Transportes, Resíduos e Florestas e as alterações climáticas;
- Papel dos diversos stakeholders: agências de energia e autarquias locais, empresas e sociedade civil.


Descontos nas inscrições até 31 de Julho de 2008.

Este é um evento
Carbono Zero.

Organização
APEA - Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente


+ info
clima2008.info

sábado, junho 14, 2008

Solo permanentemente gelado...

Alterações climáticas e o solo gelado da Antárctida.
Portugal no centro de um programa científico internacional.
Programa Gulbenkian Ambiente
17 Junho 2008
Auditório 3, 18.00h
Sessão aberta ao público


Clica para aumentar "Perfurações no permafrost"
Localização da perfuração GULBENKIAN/PERMADRILL 2 no Monte Reina Sofia
Ilha Livingston, Antárctida.
De Vanessa Batista, no Arquivo fotográfico do Portal Polar.


"No âmbito do Ano Polar Internacional 2007-2008, o Programa Gulbenkian Ambiente apoiou um projecto de investigação liderado pelo Professor Gonçalo Vieira da Universidade de Lisboa. Este projecto envolveu várias componentes, sendo uma delas o projecto PERMADRILL-2007 (Permafrost Drilling in the Maritime Antarctic) visando a monitorização do permafrost (solo permanentemente gelado) e da camada activa (parte superficial não gelada) nas ilhas Livingston e Deception, Ilhas Shetland do Sul, próximo da Península Antárctica. Esta componente consistiu na instalação e manutenção de duas perfurações de 20 a 25 metros de profundidade para monitorização das temperaturas do permafrost. Estas perfurações serão registadas com a designação de Gulbenkian 1 e Gulbenkian 2 no quadro da Global Terrestrial Network for Permafrost.

Em toda a Antárctida só existem, actualmente, 4 estruturas de tipo e profundidade semelhantes. O estudo do permafrost é um dos meios mais seguros para detectar a evolução do processo de alterações climáticas, que é particularmente relevante numa zona do globo como a Antárctida, onde a temperatura média aumentou 2,5ºC no último meio século."

Programa
18.00 - Sessão de Abertura com o Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian - Emílio Rui Vilar (a confirmar)
18.10 - Documentário: "+ a Sul. Em busca do solo gelado da Antárctida" de Gonçalo Vieira e Cristina Teixeira.
18.30 - Vanessa Batista - A campanha de perfurações em permafrost na ilha Livingston no âmbito do projecto PERMADRILL-PERMAMODEL
18.50 - Gonçalo Vieira - A importância global do estudo do permafrost e o contributo da investigação portuguesa na Antárctida
19.10 – Debate
19.30 – Sessão de Encerramento


+ info
portalpolar.com

--
EQUIPA LATITUDE60!
Educação para o Planeta no Ano Polar Internacional
Centro de Estudos Geográficos - Universidade de Lisboa
Faculdade de Letras, Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa, Portugal
+351 217940218
email: projecto.latitude60@gmail.com

sábado, fevereiro 23, 2008

Sacudir a água do capote…

Imagem com a cortesia do Inimigo Público, suplemento do Público de 22.02.08
António Jorge Gonçalves

segunda-feira, janeiro 21, 2008

"Seis Graus", de Mark Lynas

Clica para aumentarSeis Graus: O Nosso Futuro Num Planeta em Aquecimento
Mark Lynas [*]

Título original: Six Degrees
Edição: Porto, Outubro de 2007

Editora: Civilização Editora

Tradução: Michele Hapetian
P.V.P.: Aprox. 15€
Páginas: 310


“Num relato quase fotográfico, o novo livro de Mark Lynas apresenta um possível futuro da nossa civilização se o actual ritmo do aquecimento global persistir. Por muito surrealista que pareça, esta obra não é ficção científica nem sensacionalista. Os seis graus do título referem-se à possibilidade assustadora de as temperaturas médias subirem cerca de seis graus nos próximos cem anos. Os contrastes ambientais serão desmedidos: haverá, por um lado, rios dez vezes maiores que o Amazonas, mas, por outro, mais de metade da população mundial sofrerá os efeitos da seca. No entanto, apesar de uma visão quase apocalíptica, o autor termina com a apresentação de diversas estratégicas que permitem contornar o problema do aquecimento global. Com um pouco de antevisão, alguma estratégia e sorte, podemos pelos menos deter o rumo catastrófico pelo qual nos temos deixado levar. Mas esta é a altura de agir.”

Uma vez que a tertúlia deste mês foi sobre educação ambiental, e apesar de ainda me encontrar a ler o primeiro capítulo (Um grau), gostaria de sugerir como livro do mês o “Seis Graus” de Mark Lynas. Um relato sério e consciente sobre um tema delicado, bastante em voga, como o do aquecimento global.
O autor questiona-se sobre o que acontecerá se o nosso planeta aquecer seis graus: “O que irá acontecer, à medida que o mundo for aquecendo? (…) o que sucederá às nossas costas, às nossas cidades, às nossas florestas, aos nossos rios, aos nossos campos de cultivo e às nossas montanhas?”
O autor pretende, com base num estudo exaustivo sobre o tema e na consulta de variada literatura científica, responder a todas estas questões.

Boas leituras geográficas,

[*] Mark Lynas é um autor britânico, jornalista e activista ambiental que se interessa pelas mudanças climáticas. É licenciado em História e Política pela Universidade de Edimburgo. Nasceu em 1973 e mora em Oxford, na Inglaterra.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Azonet - Açores no estudo das alterações climáticas

No passado dia 27 de Setembro do corrente ano, o docente do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, Paulo Fialho, em palestra integrada nas Jornadas sobre Mudança Global organizadas pelo Comité da Comunidade Nacional para a Mudança Global, demonstrou a importância da localização do arquipélago dos Açores para o estudo das alterações climáticas mundiais.


Com o titulo de “Azonet - AZores Observation NETwork. Porquê apostar num supersite em Portugal?”, Paulo Fialho chamou a atenção para a localização privilegiada do Arquipélago dos Açores no Atlântico Norte, localização que se assume de elevada importância no contexto mundial para a monitorização atmosférica, dando especial relevo ao potencial do topo da montanha do Pico para o estudo dos mecanismos de reacção química e transporte sobre a região do Atlântico Norte Central.


Montanha do Pico (Ilha do Pico - Açores)

Actualmente a rede de estações Azonet trabalha parceria com o Instituto de Meteorologia e é constituída por três estações localizadas na ilha Terceira e uma na montanha do Pico, que monitorizam a presença na atmosfera de dióxido de carbono, ozono, monóxido de carbono ou hidrocarbonetos, entre outros, a radiação solar e a meteorologia clássica.


"O objectivo destas estações é a monitorização dos constituintes da atmosfera em áreas remotas, nomeadamente o transporte de poluição intercontinental, por exemplo entre o continente americano e o europeu”, Paulo Fialho, em declarações ao DI.

Diário Insular|AZORESdigital


quarta-feira, julho 04, 2007

Quem Te Vê ?

Não sei se tendes visto os documentários que a RTP tem passado, a propósito do evento do próximo dia 7, o Live Earth. Bem, na segunda o tema do programa foi interessante e enervante, se se pode dizer assim.

Falaram das tentativas de o Homem, não de prever, mas de controlar os estados do tempo. Os Estados andaram muitas vezes por trás dessas façanhas, quase nunca por bons motivos.

Houve (e há) um pouco de tudo, recorrendo a tecnologias das mais simples às mais evoluídas:

- a famosa técnica de lançar iodeto de prata para, com esses núcleos de condensação, precipitar a formação de nuvens;
- o lançamento de um produto sintético (que absorve não sei quantas vezes o seu peso em humidade) em furacões e tempestades, para diminuir a sua energia;
- a criação de uma fina película de uma substância no oceano atlântico, que impediria a evaporação e alimentação dos furacões, condicionando a sua formação e direcção;
- a detonação antecipada de explosivos junto a nuvens (pois os geofísicos concluíram que os furacões se alimentam da energia dos raios), para impedir estragos em zonas mais graves;
- o aquecimento da ionosfera (diziam que podiam aquecê-la até 50 mil graus célsius) através de ondas de rádio, o que faria as correntes de jacto elevarem-se em altitude (não percebi muito bem este estrategema...)

Enfim...
E pergunto-me: como é que somos capazes de acreditar que podemos modificar os estados do tempo, com tudo isto, e não somos capazes de acreditar que podemos modificar os estados do tempo?

Acho que ficamos confusos, não foi? Pois é absurdo. Uma contradição.
Ou seja, está provado (para quem é céptico, digo de outra forma: é cada vez mais consensual) que o Homem contribuiu (e continua a fazê-lo) para o aquecimento global. Parece que nisso já muitos acreditam.

Que diferença vemos então entre "acreditar que podemos mudar" e em "acreditar que podemos mudar"? Eu não vejo diferença alguma. Apenas vejo energias a serem mal canalizadas. A querermos um estado mais natural e equilibrado de formas artificiais e forçadas.

Isto tem, mais uma vez, que ver com as concepções que temos do mundo. E parece-me que muitas delas entrarão em extinção a breve prazo. Mas que vê isso?...

domingo, junho 17, 2007

"Ajude já antes que derreta"

Clique para aumentar"Esta brochura foi preparada no âmbito das actividades da campanha “Ajude já antes que derreta”, promovida pelo Fórum Algarve.
A campanha destina-se a divulgar a crianças e jovens, as causas e consequências das modificações climáticas, e promover os comportamentos que diminuam o impacto do Homem no clima.

As actividades desta campanha são apoiadas pelas receitas obtidas na pista de gelo, que esteve aberta ao público durante o período de Natal de 2006 no Fórum Algarve."



Clique para regar
“As alterações do clima ocorrem por causas naturais. No entanto, a actividade do Homem pode ter ajudado a que essas alterações sejam mais rápidas. Isso acontece devido à libertação para a atmosfera de gases que aumentam o “efeito estufa” e que favorecem o aquecimento da Terra”

Fiquei surpreso com este desenho. Com esta idade sempre que desenhava um sol, desenhava uma praia ou um monte verde com um rio a transbordar de água. Com o passar dos tempos, as fontes de inspiração mudam.



Desenho de Sérgio Romualdo, 14 anos, EB 2,3 João da Rosa, Olhão.

Clique e não respire
“Dos gases libertados pelo homem, o que mais contribui para o “efeito de estufa” é o dióxido de carbono. Quando utilizamos carvão, petróleo ou gás (combustíveis fósseis não renováveis), libertamos dióxido de carbono para a atmosfera.

Um clima mais quente tem consequências em todas as zonas do Planeta. Os primeiros sinais são visíveis nas zonas próximas dos pólos, onde a quantidade de gelo diminui e os glaciares ficam mais pequenos. A água que estava nestes glaciares e sobre regiões cobertas de gelo aumenta o nível do mar em toda a Terra.”


Com este desenho, só tenho uma pergunta a fazer: será que estamos acordar tarde para este assunto? Vá. Está na hora de acordarmos...

Desenho de Lina Hasse, 15 anos, EB 2,3 Dr. António João Eusébio, Moncarapacho


Clica para remendar“Muitos países, preocupados com o futuro do planeta, assinaram um acordo para reduzir o impacto que as acções do homem têm sobre o clima. Este acordo chama-se protocolo de Quioto. Portugal assinou este protocolo.”

O protocolo de Quioto servirá como remendo?


Desenho de Diogo Brito, 13 anos, EB 2,3 Dr. António João Eusébio, Moncarapacho


Clique para ir no ventoDavid José Santos, 12 anos, EB 2,3 Poeta Bernardo Passos, São Brás de Alportel

Este desenho é igual aos meus quando tinha 12 anos. Desculpem, estou a mentir. Nas minhas paisagens ilustrativas não se encontravam parques eólicos. No telhado da casa nunca colocava painéis solares e as janelas encontravam-se sempre fechadas. Esta mostra as janelas abertas e de cortinas corridas para arejar e entrar a luz natural.


Clique para sorrir ou chorarCatarina Santos, 13 anos, EB 2,3 Santo António, Faro

Sem querer menosprezar os restantes trabalhos, para mim estes dois desenhos estão fantásticos. Fizeram-me rir e diz tudo. A ideia, penso, que não é original mas a autora certamente quando os fez, também, não pensou nisso. Desenhou aquilo que sente. Dois mundos com dois sentimentos distintos, devido ao tratamento que é lhe dado.

Com tudo isto, vejo que as novas gerações já têm uma visão diferente. Certamente cuidarão melhor do nosso planeta que nós. Vamos contemplar a sua arte, para ver se aprendemos alguma coisa com eles.