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quinta-feira, setembro 20, 2012

Imprensa do dia (23): dois bons exemplos de notícias que podem ser pseudo notícias


Cientistas relatam aumento alarmante da mortalidade em ratinhos alimentados com rações de milho modificado. Especialista português admite que nunca a segurança dos transgénicos foi tão abalada como ontem mas duvida dos resultados.
in I online

A área mínima de gelo em 2012 é menor em 760.000 quilómetros quadrados do que a de 2007. O recorde anterior de 2007 já tinha sido batido a 27 de Agosto, mas o gelo no Árctico continuou a diminuir e a 16 de Setembro terá chegado ao mínimo deste ano, e ao mínimo de sempre desde que começaram os registos de satélite em 1979
. In Público online


Ambas as temáticas são nota de rodapé nas televisões. Apenas interessam quando são minimamente explosivas ou, quando os efeitos colaterais, digamos assim, nos atingem de alguma forma. A semântica conta: um recorde, qualquer que seja, é algo que nos diz muito. Quanto aos transgénicos, dificilmente são conversa para café ao lado dos recordes, embora às vezes transpire qualquer coisa sobre produção de combustível, provavelmente saída do canal National Geographic. Todavia, a questão dos transgénicos encaixa na listagem das traficâncias mais mal contadas das multinacionais. Isto para não lhe chamar outra coisa.

sexta-feira, setembro 14, 2012

A economia atrofia

Não, não devem ter percebido bem o título.
A economia atrofia, e não "é atrofiada". Que isto ainda é Português.
... mas se ninguém já mais pensa, então qualquer tentativa de comunicação está morta à nascença.
 
A economia desideologizou-se (g'anda palavrão!), dizem.
Que quer isso dizer?
 
Se até a sacrossanta lei da oferta e da procura, que tanto nos asseveram que "é mesmo assim" e "sem perceberes isso, não entenderás nada"...
 
[direi melhor: se não entender aquilo, não entro no reino da manipulação pela estupidez!]
 
...pode ser questionada quando questionamos... o valor.
É a este que temos de atender, é este que devemos analisar e criticar.
Se o preço (não confundir com valor) não passa de uma convenção à qual nem nos perguntaram, primeiramente (instituição), se acedíamos... e à qual acedemos de cada vez que, pobrérrimos, apenas dispondo da miséria do dinheiro, o trocamos pelos produtos que mantêm os nossos cadáveres obedientes e adiados por cá, por mais uns tempos da rentabilização e engrandecimento do capital.
 
Sim, a nós ninguém nos pergunta nada.
A nós não nos chamam para irmos a referendo sobre as coisas que nos afectam directamente a vida e as formas e nos reduzem as possibilidades de viver.
 
 
A Política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem naquilo que lhes diz respeito. Numa época posterior, acrescentaram-lhe a arte de forçar as pessoas a decidir sobre o que não entendem.
Paul Valéry
 
Não entendem, e quanto menos lhes for explicado, melhor!
Porque o Poder mutante, mutante para permanecer Poder - há séculos - sabe bem que ninguém nasce ensinado.
 
E quando acedemos a alguma forma de poder que pode destronar a máquina desse poder vigente, então lá se trocam as voltas, mudam-se umas coisinhas para tudo o que trabalhaste nada ou pouco voltar a valer. Num jogo do gato e do rato em que és sempre tu, indivíduo solitário entre os milhões que fazem de ti rolo de carne para canhão a ir para a frente da batalha, a levar e amortecer os tiros que eles próprios estimulam a que dispares, tu do outro lado da barricada de ti mesmo, inimigo de ti próprio, vendido e comprado, parasitado e dependentizado pelo veneno do Poder.
 
Querem-te para produzires.
"O que interessa é que os proles se propaguem; tudo o mais é indiferente", assim preza o grande irmão que é o paizinho a que vais dar de comer todo o santo dia, todo "o patrão nosso de cada dia".
Se a máquina está bem montada e a tua vida é uma roldana mais para a levar ao bom porto onde nunca atracarás para descansar,
então....
 
mata-te!
 
Tu és a base e a cadeira salazarenta, mas amnésica, do poder.
Se tu serrares as tuas pernas, o ditador cai.
Sem ser de podre!

 
Mas isso não é solução, não é suficiente.

Terás de fazer estragos durante a tua passagem.

Não estejas à espera que ele caia: empurra-o como e o mais que puderes!
É isso que te é implorado pela liberdade e negado pelo Poder e as instituições atrofiantes de merda cá do vil e torpe burgo terrestre.


 
"White man came / across the sea / He brought us pain / and misery", já cantava o Bruce Dickinson, vindo com a Dama de Ferro dois anos antes do 1984, ou seja, migalha de tempo metafórica e proporcional à instalação do império da porcaria que nos atola, quais atóis em que fazem experiências atómicas a ver se resistimos, a ver como reagimos, anotando os seus troikistas-cientistas as suas estatísticas a publicar para os manuais do aperfeiçoamento do poder que há-de vir, se este que vigora chegar a partir ou virar de casaca.
 
 
"Em meados de Julho de 1945, quando o general Dwight Eisenhower, então comandante das forças aliadas, é informado pelo secretário de Estado da Guerra americano, Henry Stimson, que a bomba atómica será de qualquer maneira lançada, a sua reacção é também digna de nota:
Enquanto ele expunha os factos, a senti um terrível mal-estar. Comuniquei-lhe as minhas apreensões, baseadas na convicção de que o Japão já estava vencido e que a bomba não tinha utilidade nenhuma."
John Hersey, Hiroshima (Antígona, 1997, p.215)
 
Nós já estamos vencidos, mas o ódio e o mesmo ressentimento que ergueram Hitleres querem criar feridas e furúnculos nos nossos joelhos. de peregrinos aos altares do capitalismo-comunismodoconsumo. E é por isso que ninguém assalta bancos para destruir o dinheiro: assalta bancos para fundar e comprar mais bancos e, aí sim, e assim, roubar mais a quem eles subjugaram.
De vez e até à última gota do suor e do sangue que só te disseram servirem para fazer guerras.
As guerras deles, mas a morte tua, só tua e dos milhares que seguem a teu lado para o abismo que inventaram para ti dizendo que era o possível cèuzinho de merda. (Sim, viram bem, ali está um acento grave, não porque era para esse lado que viravam os acentos quando os determinatizavam, mas porque a palavra deixa de ser aguda... e explicação, quiçá estúpida, era mesmo necessária?)
 
E assim, vais ser tido num hospital que eles compraram e privatizaram e, se puderes, pagas!
Do que não se lembraram antes de ti foi de não ter que poder e deixar esses fazedores de dinheiro à espera do Hulot que tu não serias.
 
E assim, vais crescer com fraldas descartáveis que duram sei lá quantos anos a degradar-se nas condições parcamente ambientais que os teus anteriores permitiram e te deixaram.
E assim, vais andar num carrinho que custou sei lá quantos luxos imbecis e de suores de camisolas.
É fixe a vista? Cospe prà frente, a toda a velocidade!, que não tarda vais levar contigo no focinho!
E assim vais papando a papa que o papa professa para ti, depois de converter o papá e a papisa sentados frente à tvwc, water-closet da propaganda das multinacionais sem rosto decifrável e apagável da alimentação, do vestuário, da educação, da habitação, do imobiliário, do amém serviço de Estado e seus acólitos municipais esbanjadores de alcatrão.
 
E assim, vais aprender bem as lições da história vistas sempre pelo lado do vencedor na tua escola por ele comprada, na tua escola da vida formadora para o "mercado de trabalho", seu colaborador amestrado prometedor e com grande potencial. Da mesma educação que, se for para renovar ou mudar, em nada te ajudará senão a te manteres à parte e não seres integrado e seres um "desleixado" e "vai trabalhar, malandro!", "desnaturado", "marginal", ou até "desempregado".
 
E assim, ao longo do teu crescimento, vais comer, vestir e... UI!!! TRABALHAR!! ao serviço deles, para eles, por eles, que te puseram no seu lugar a fazeres-lhes as vezes.
Eles é que põem as tuas mãos à obra, a tua boca à disposição do próximo produto de laboratório, o teu corpo à mercê das próximas vacinas antigripais e anti-ratinhos, anti-cancros, ratinho-orelhas-nas-costas da tua miséria ligada à máquina...
Eles é que têm motivos de sobra para te adularem, mas também para te rejeitarem se a tua maré de descontentamento subir e os encharcar.
 
E tu, mesmo assim, não vês em que é que o seu Poder está manifesto.
Mas basta olhares já, já tão alargado o seu domínio senhorial, para qualquer coisa tornada produto comprável e vendável, qualquer que seja o resultado não-natural que é erigido à tua volta.
 
 
 
Há muito que eu via este símbolo pelos campos de milho e me perguntava, na dúvida, se não seria isto obra do deus mafarrico que compra, ocupa, manipula (palavra-chave) e faz de cada agricultor-base gato-sapato dos seus pés fedorentos a arder no brómio do dinheiro.
Ainda ontem vi mais uma - estão por todo o lado!, não é na lua!, na lua não há manipulados, portanto não há manipuladores... mas tão-somente porque não há manipuláveis...,triste pena de alguns - e me lembrei de vir investigar.
Hoje ao ver esta imagem, cedida pelo Ondas3, me caíram os queixos da dúvida e se me abriu a boca da ira, ao perceber que esta MERDA está por todo o lado, invadiu tudo, com o beneplácito da ignorância, claro está, sempre ela no pódio a vencer-nos a corrida escorregadia.
 
Atentai bem, seus terroristas, na bela e verde palavrinha do canto inferior direito da placa na imagem e aí tereis as dúvidas estilhaçadas.
 
Não há estatísticas que aguentem o peso deste poder, do poder destruidor do dinheiro e do poder atrofiador da economia que o cria e sustenta.
Não há recenseamento possível para fixar o vento venenoso a semear doença. Imperialmente.
 
Que droga foi que venderam aos agricultores para que eles comprassem esta merda??
Sim, foi a vida.
A vida-doença, a vida-morte.
 
E talvez uma manipulação destas seja, como as ilhas de plástico flutuante e microscópico, o maior progresso da ciência bélica dos tiranos: injectaremos os chips no nosso corpo e um dia lá vamos, accionados a um clique da claque do Poder, para nos desligar. A seu bel-prazer.
Ou plastificados por dentro e aos poucos, ou então teorias da conspiração para o futuro e sempre a merda do futuro, sempre a merda do futuro a ameaçar sem sustentação, dizeis? mas se o futuro não vos serve de explicação, que me dizeis ao poder que é cumprido aqui e agora, sem precisar do futuro para nada? Digam lá?
 
Emprestado do mesmo Ondas3, deixemos então o futuro para o domínio das vossas, dizeis, teorias da conspiração - que isso, acusais, não passa de "ideologia" - e vejamos algumas formas de controlo dos corpos e almas, AQUI E AGORA:
 
- Se um agricultor quiser semear algodão, milho, soja ou colza só o pode fazer comprando sementes transgénicas, uma vez que os gigantes dos transgénicos dominam 90% do mercado; muitos agricultores foram processados e acusados de roubo de patentes de sementes transgénicas quando de facto as suas culturas foram contaminadas por sementes e pólen de culturas transgénicas espalhadas pelo vento; eles não roubaram sementes nem patentes, eles foram vítimas de trespasse, de invasão de propriedade e, por isso, têm tentado fazer aprovar leis que os defendam da invasão de sementes transgénicas;
- São tretas as garantias dadas pelo ministério da Agricultura dos EUA de que os produtos alimentares transgénicos são seguros e que não precisam de rótulo; o próprio ministério já admitiu que essas garantias se baseiam em testes levados a cabo não por entidades independentes mas pelas próprias corporações que lideram o mercado dos transgénicos; o consenso científico mundial diz que os transgénicos não são seguros e, por isso mais de 40 países exigem a sua rotulagem e alguns até os proibem por comprovadamente serem maus, por exemplo, para o fígado e para os rins e contribuirem para a obesidade; se as gigantes das biotecnologias não se cansam de propagandear que os seus produtos vão eliminar a fome, reduzir a aplicação de pesticidas e de fertilizante químico, aumentar a tolerância à seca e a produção, então por que razão acham que rotular uma embalagem que contém transgénico vai confundir o consumidor? se estão assim tão seguros do seu sucesso, se realmente acreditam que os seus produtos são melhores, por que têm medo de os rotular? 
O que a realidade tem mostrado é que o cultivo de transgénicos tem aumentado a necessidade da aplicação de cada vez mais pesticidas, tem aumentado o aparecimento de parasitas cada vez mais resistentes aos químicos aplicados, para não falar do endurecimento das plantas do trigo e do algodão transgénicos a tal ponto que chegam a furar os pneus dos tractores.

Outras reflexões e desmontagens aqui 
 
 
Que foi que nos venderam, a nós, consumidores, para continuarmos a comprar esta merda invasiva??
Sim, foi a vida.
A vida doente.

A morte fingida.
 
Estou cansado de ver esta porcaria e esta economia-açougueiraprofissional a arregimentar os homens em varas.
De empalar e (varas) de porcos.

terça-feira, setembro 04, 2012

imprensa do dia (16): numerologias

A Europa do Sul tem medo da crise, a do Norte teme mais a doença in Público


Prejuízos das empresas públicas quase duplicam em seis meses:

(…) Nos transportes, continua a existir um défice operacional de 103,3 milhões. Isto apesar das medidas já tomadas pelo Governo (aumentos tarifários, corte de serviços e de pessoal) para cumprir as exigências feitas pela troika: reequilibrar as contas das transportadoras públicas ainda em 2012. – in Público



É preciso medo. Tenham medo, medo do medo, como canta a Capicua. Uma sociedade balofa e vazia entretém-se nas contas, nas estatísticas, nas diferenças castiças entre regiões.


Entretanto, nos transportes, após os imperiosos aumentos e cortes, as empresas continuam a sua caminhada para a gangrena e para (adivinha-se) a privatização, ou concessão, nunca se sabe. O que se sabe é isto:

Portugueses usam cada vez menos os transportes públicos: Todos perderam passageiros: comboios, metro e barcos. Queda foi generalizada nos meios analisados pelo Instituto Nacional de Estatística. Só o aeroporto de Lisboa contrariou a tendência.


Num período de crise profunda e de dificuldades acrescidas, cada vez menos pessoas utilizam os transportes públicos, supostamente mais acessíveis. Os aumentos, obviamente, contribuíram, e muito, para o efeito, mas também o fim de alguns descontos/reduções nas tarifas, a que agora se junta o propósito de corte dos 25% de desconto para os estudantes, arrecadando-se mais uns míseros euros, como se aí estivesse a solução.

Mesmo em Braga (notícia da RUM), registou-se uma diminuição na utilização dos transportes públicos. E já se sabe, menos passageiros, menos dinheiro, igual a cortes em algumas linhas e serviços, a história da bola de neve.


Desperdiçou-se uma oportunidade de promover a utilização do transporte público, não apenas como alternativa, mas como uma opção funcional e acessível financeiramente a todos, ao mesmo tempo que se reduzia a dependência automóvel, o tráfego e respectivos efeitos ambientais, entre outros. Fez-se exactamente o contrário, conseguindo a proeza da diminuição do número de utentes, mesmo com os aumentos nos combustíveis e mesmo com o país a saque. Alguém, com toda a certeza, ganha com isso.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Vulnerabilidade: qual delas?

Portaria n.º 259/2012. D.R. n.º 166, Série I de 2012-08-28

Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

Estabelece o programa de acção para as zonas vulneráveis de Portugal continental

"Os destinatários da presente portaria são os agricultores titulares de explorações agrícolas localizadas nas zonas vulneráveis.
 
Artigo 2.º
Objectivos
 
O presente programa tem como objectivos reduzir a poluição das águas causada ou induzida por nitratos de origem agrícola e impedir a propagação desta poluição nas zonas vulneráveis."
 
 
Sim, convém definir o âmbito desta portaria.
As "sinopses" das leis estão - é impressão nossa? - a tornar-se como os títulos das notícias, que anunciam coisas relativamente diferentes das que tratam no corpo das ditas?
Ou não estaremos nós a perder o hábito da dúvida e atiramos para cima dos nossos olhos mentais, para podermos passar a página à frente, a interpretaçãozinha errada do costume?
(- Que estupidez: substituir a dúvida pelo preconceito...)
 
Por momentos pensámos que se tratava da vulnerabilidade dos solos (no que toca especificamente à erosão.)
Não que a poluição não lhe esteja intimamente ligada, mas...
Porque a desertificação avança e com o abandono das terras então ninguém fica a lutar por ela (pela Terra, pelo solo propriamente dito).
A não ser que deixá-la em paz... seja a melhor solução para travar a degradação e erosão dos solos.
Aqui ou em qualquer lado, seria bom.
 
Mas não é.
Vamos ter muita luta pela frente, companheiros.
 
Que pequenas acções diárias, minhas e tuas, implicam o avanço ou o retrocesso da desertificação?
Cada um que encontre as respostas possíveis: há muitas, o que importa é o caminho que a elas nos leva, e se for bom, a resposta está sustentada.
Aí, toca a agir!
Sem ser por decreto.
Que temos de ser mais lúcidos que isso!

"A ética não espera pela política."
 
Fernando Savater

terça-feira, agosto 28, 2012

Amadora conta?


Amadora, em 1940, via-se assim.
 
 
E este retrato é tão impressionante como estoutro que já aqui também divulgámos.

A evolução dos efectivos na Amadoradados do INE, gráfico via cm-amdora.pt
 (reparemos como a coisa está estável, com tendência para o decréscimo, já há duas décadas...)
 
A fotografia aérea lá em cima (passe o talvez pleonasmo), a circular pelo grupo Geografia PT (autor ou arquivo não referidos), deixa-nos a pensar no que RAIO ESTAMOS A FAZER...
À paisagem.
Ao modo de vida.
À concepção da morte.
(Puxa!. sim, sim... Quem se desliga da vida, desliga-se da morte. E vice-versa. Por isso é que a morte é tabu, para que desaprendamos de lutar. Pela vida e contra tudo o que a oprime...)
 
 
À força do crescimento (populacional, porque técnico, porque económico, porque violento...) saem sacrificados os laços, tão duradouros, estáveis e -além do mais- com toda a garantia de futuro - que unem o animal Homem (um animal mais na biota) à Terra.
Talvez já não unam. Talvez esses laços, a havê-los - claro que os há! e essa é a esperança.... dos outros seres vivos- estejam apenas tão frouxos como um suicida que nem força anímica tem para saltar da cadeira...)
 
E se a vida é viver, doravante ou há muito, apenas num tapete flutuante, a empregada da limpeza não se deixará levar: connosco cegos, ela trata de pôr as asneiras para baixo do tapete.
 
Mas nós romperemos esse tecido cada vez mais fino e frágil com as nossas botas cardadas e insensíveis e acharemos duas coisas: um passado longínquo e um presente a prazo.
 
E isso será somente o que o futuro já tem reservado para nós.
Uma réstia, inútil, de consciência.

Amadora conta como exemplo (...a nunca mais seguir)?

segunda-feira, agosto 27, 2012

Imprensa do dia (11): filetes de plástico

A ameaça de plástico saltou fronteiras e já está no Atlântico:

Não será preciso esperar para assistir às consequências da existência destas partículas de plástico – a maioria com menos de três milímetros. “Isto está a matar o oceano, haverá colapsos de espécies inteiras, centenas de milhares de mamíferos a morrer todos os anos”, garante Moore, que tem testemunhado de perto esta realidade. “Não podemos fazer isto ano após ano e esperar que essas espécies sobrevivam”, sublinha.

in Jornal I online


Todo o artigo é merecedor de registo. Mas o problema não é exclusivamente do(s) oceano(s). Apenas não fazíamos a mínima ideia que a coisa estava assim e, muito provavelmente, nada disto terá mais repercussão que duas ou três conversas de café, voltando ao nicho académico e aos rodapés das coisas interessantes. O problema real é que tanto a terra como a água, em geral, estão contaminadas por este derivado de petróleo, entre outros. É um facto.


Charles J. Moore reconhece no paradigma económico parte do problema, obrigando-nos a agir, segundo o próprio, de “forma suicida”. Obrigando? O paradigma económico não obriga a nada, é o homem (alguns homens/mulheres!) quem concebe e quem gere o tal paradigma económico. E nem sempre o faz, como sugere Moore, “apenas para promover crescimento económico”, e se o faz é para proveito de alguns, em determinadas regiões. Esta falácia de que a ruína física do planeta é o resultado (inevitável!) da (suposta) busca do desenvolvimento, ou melhor, do famigerado crescimento económico, já não faz qualquer sentido. Ou não deveria. Entretanto, deleitem-se com os “trinta quilos de plástico no estômago de um camelo na África do Sul” ou com as “baleias e golfinhos cujo plano alimentar já integra este derivado do petróleo”.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Imprensa do dia (8): há campos e campos...

Produção de cereais este ano será a mais baixa desde 2005 devido à seca - in Jornal de Notícias

Promotor [parque Alqueva] assegura serviços mínimos na manutenção do campo de golfe até ao final de Agosto, mas não está interessado, neste momento, em dar continuidade ao projecto in Público


Recentemente o jornal Público (05-08-12 - sem link) dava destaque a um estudo de Filomena Duarte, do Instituto Superior de Agronomia, onde se certificava que o país havia baixado significativamente o seu grau de auto-suficiência na carne (apenas nas aves se manteve elevada com cerca de 93% - a de suíno caiu de 100,07% para 51,3%), na fruta e azeite, nas raízes e tubérculos, sendo que nas leguminosas secas terá passado de “80,4% para 10,1%”. Registou-se um equilíbrio positivo apenas nos hortícolas (muito por força da produção de tomate), nos ovos, leite e manteiga, no vinho, cerveja e água. E isto em pouco mais de duas décadas (1980 e 1990 dados do INE), o referido estudo foi efectuado no final da primeira década de 2000.


Estas coisas passam(-nos) totalmente ao lado. Resultado de políticas nacionais e europeias (ou da ausência destas), Portugal revela uma cada vez maior dependência do exterior, a todos os títulos notável. E a tudo isto teremos forçosamente que associar os inevitáveis riscos naturais, os imponderáveis.


Talvez fosse importante uma definição decisiva no que toca à produção agrícola, à agricultura e ao mundo rural, e respectivas indústrias adjacentes. Não se trata de escolher entre campos de cultivo ou de golfe, mas às vezes lá que parece, parece.

sexta-feira, agosto 17, 2012

A Monsanto e seus clones voltam a atacar...

Fantástico: a Monsanto e outros gigantes dos trangénicos e dos químicos parecem ter conseguido o cúmulo do absurdo – pagar uma pipa de massa para manter o cidadão desinformado e no escuro. Para conseguir derrotar a Proposta 37, que exigia a rotulagem dos alimentos transgénicos,  a Monsanto contribuiu com 4,2 milhões de dólares, perfazendo 23 milhões de dólares só esta semana. Refira-se que a Dupont, a Dow, a BASF, a Syngenta e a PepsiCo também injetaram dólares para boicotar a lei da rotulagem dos alimentos transgénicos, num total calculado em mais de 13 milhões. Right To Know.

Via Ondas3

Imprensa do dia (5): projectos há muitos

Alqueva já tem condições para que o Alentejo volte a ser o "celeiro da nação". - in Público


Soubemos na semana passada da falência do gigantesco “Parque Alqueva” do grupo de José Roquette. Segundo parece, a Caixa Geral de Depósitos desconfia (agora) da sustentabilidade do projecto, e não se chega à frente com o financiamento, o que seria de louvar, não tivéssemos nós a impressão que a história terá água no bico (ou contrapartidas?). De qualquer modo, não tenhamos pena do Grupo de Roquette, que coitado lá se aguentará, e já que tanto se reclama por iniciativa privada, mercados e afins, que invista capitais próprios nos seus projectos donde retirará, como se sabe, os seus dividendos.


A questão é outra: qual a função primordial do Alqueva? Regadio. Agricultura. Servir a população da região. Ponto. Depois, obviamente, projectos que criem desenvolvimento e emprego, respeitando as idiossincrasias do território e da região.


Como ressalva Fernando Madrinha (Expresso 11-08-12), pode ser que "por linhas tortas, se comece agora a escrever direito". E para além disso, questiona se não haverá outro modo de explorar o potencial turístico proporcionado pela barragem do Alqueva, “se não com projectos megalómanos que replicam o Algarve uns quilómetros mais para Norte”?

Claro que há, e certamente que não precisam de ser grandiosos como o “Parque Alqueva” (hotéis e campos de golfe?) o qual até já recebeu 7,2 milhões de Euros do QREN, que terá agora que devolver.


Mais um exemplo, a par dos elefantes brancos desportivos, da total ausência de um planeamento/ordenamento do território, sério e abrangente. E já agora, no meio de tudo isto, depois destes anos todos, alguém sabe quanto dinheiro foi gasto?

A MONSANTO FORJA, OCULTA E MENTE a todos. Aos quais, contudo, quer chegar

Dêem as vossas opiniões (sobre as questões colocadas, e - inevitavelmente - tal como estão colocadas) sobre a Política Agrícola Comum da União Europeia.

O endereço é este:

Está em Português e é bem curto.


O Parlamento Europeu (PE) está a consultar os cidadãos sobre a Política Agrícola Comum (PAC), através de um questionário que pode ser respondido na internet. A PAC está em processo de reforma e o PE quer saber a opinião dos europeus sobre questões como a produção agrícola sustentável, os excedentes, os subsídios ou a qualidade dos alimentos que consumimos.

Notícia via Correio do Minho. (Clicar para ler mais)


Façamos-lhes chegar o que pensamos. Pelo menos sobre o que nos perguntam...

Entretanto, aqui fica uma grande reportagem que foi censurada em França - com legendas em Castelhano - sobre os malefícios dos OGM, organismos geneticamente modificados

 
Reportagem francesa sobre transgénicos censurada (Documental) from angel284014 on Vimeo.

1
Interessante, interessantíssimo saber que, na peça (com cerca de 22 minutos valiosíssimos), os jornalistas tinham visitado o "quartel general" da Monsanto e que... essa foi uma das últimas vezes que jornalistas lá estiveram. Desde então não mais lhes foram abertas as portas. Humm... estranho! Muito estranho, este comportamento obscurantista por parte de uma empresa que nos governa ou quer governar o organismo...

2
Se os OGM são inofensivos para a saúde, como é que um OGM que está "programado" para resistir aos herbicidas pode passar incólume à óbvia acumulação com que vai levar? Pois, se resiste, pode-se aplicar à vontade. Se os herbicidas matam plantas indesejáveis (dizem eles), será que isso é bom para quem vai ingerir os alimentos assim conseguidos?

3
(ISTO NÃO É NOVO)
Ratos alimentados a OGM sofreram alterações nos órgãos. Um laboratório independente em Itália concluiu-o mas o governo deixou de financiar a investigação. Giro, não é? Tudo nos conformes. Do controlo implacável.

4
(10m00s) Documentos forjados para passar no aval do, vejam, Comité do Gene Biomolecular (se traduzi bem). Ah, grande Corinne Lepage (que já aparecera antes no documentário sobre o nuclear que publicámos aqui há uns tempos), ex-ministra do Ambiente de Alain Jupé!
Os estudos pedidos que lhe enviaram, porque ela os pediu ao Ministério da Agricultura, não eram os mesmos que foram usados para dar o aval aos OGMs e sua comercialização. Novamente pedidos, a resposta fez-se chegar assim: trata-se de um estudo confidencial. Bonito, não é?

(11m50s)
"Depreendemos, portanto, que o governo francês deu prioridade à vontade da multinacional estadunidense [Monsanto] [de manter o estudo confidencial] à transparência que deve aos seus cidadãos."

Ora, "O segredo sobre um estudo relativo à saúde pública é ILEGAL. Deve ser do conhecimento público."
ESTA É UMA VERDADE TÃO ÓBVIA! 

AH, QUE RAIVA!!!!!!!!!!!!!

5
(21m00s)
Já viram alguém a aplicar o PRINCÍPIO DE PRECAUÇÃO depois de o mal estar já no terreno?? 
Pois bem, o mesmo comité que avalizou os OGM em França, depois de as cobaias serem os ratos para passarem a ser nós mesmos, vai estar atento e que..."deverá ser feita uma vigilância"...


Agora em off:
Como os transgénicos poderão ser produzidos sem problema, talvez o preço seja mais baixo que os então "outros" alimentos. (Já vistes um filme chamado Soylent Green?) Isto significa que os primeiros a ingeri-los serão as camadas mais baixas da população.

Ora, já estais a ver aonde quero chegar.
Mas deixo a conclusão para vós mesmos.

Entretanto, mais ou menos alteração do fígado, do pâncreas e do sangue, como se diz na reportagem, vemo-nos daqui a 5, 10 ou 20 anos.
Vemo-nos?

quinta-feira, julho 26, 2012

Isto é bem capaz de ser importante

Em apenas quatro dias, a superfície de gelo que cobre a maioria da Gronelândia começou a derreter quase na totalidade, um fenómeno nunca antes observado. Ao mesmo tempo, vídeos na Internet mostram uma ponte destruída e uma carrinha a ser levada pelo caudal do rio.

in Público (com vídeos)

sexta-feira, julho 13, 2012

Ah, Homem!

Imagem via GreenPages

Se os ambientalistas portugueses quiserem fazer parar a construção da barragem do Sabor ou do Foz-Tua, talvez devam falar com Rajendra Singh, 52 anos, presidente da Tarun Bharat Sangh (TBS), uma organização não-governamental indiana, e pedir-lhe alguns conselhos.

Rajendra teve um papel central na suspensão da construção de uma mega-barragem, no rio Bhagirathi, um dos principais afluentes do Ganges. Em 2010, o Governo indiano aceitou desmantelar a obra até aí erigida.

E se o assunto forem as pedreiras que esventram os parques naturais das serras de Aire e Candeeiros ou da Arrábida, talvez devam fazer o mesmo. Depois de uma luta aguerrida, nos anos 1990, o Supremo Tribunal Indiano obrigou 470 minas de mármore a encerrarem, no Parque Nacional de Sariska.

Por outro lado, se os problemas de falta de água no Alentejo ou em Bragança precisam de solução, o presidente da TBS terá, com certeza, uma resposta. Por sua causa, hoje, em todo o Rajastão, um dos mais pobres e áridos Estados indianos, existem mais de 10 mil johads, construções que retêm as chuvas das monções, erguidas pelas comunidades rurais, em centenas de aldeias. Através da sua política de conservação e gestão da água e das florestas, onde antes havia zonas desérticas, agora há campos agrícolas; onde havia leitos secos, de pó e pedra, há hoje correntes fortes e peixes; onde havia aldeias sem gente, voltou a haver escolas e serviços de saúde.
Pode um homem mudar o mundo? Parece que sim.

Quando o líder da comunidade de Golpalpura, Maangu Meena, chamou Rajendra Singh, estava com cara de poucos amigos.
Disse-lhe: 

"- Você e os seus companheiros são boas pessoas, mas estão a fazer tudo mal! Nós não precisamos dos vossos medicamentos, nem da vossa educação. Podemos ter tudo isso na cidade. Se querem fazer algo útil, resolvam o problema da falta de água!"



DE MÉDICO A CAVADOR




Foi um choque. Como podiam ser tratados assim voluntários com cursos superiores? Singh, então com 26 anos, era licenciado em medicina e tinha uma pós-graduação em literatura hindu e os seus amigos também eram "doutores". Tinham largado tudo, abandonado os empregos e as famílias, e há sete meses que se dedicavam às populações daquele distrito.

"Vínhamos para fazer a revolução, combater as injustiças, não para tratar da água", recorda. Os outros foram-se embora, desiludidos. Ele ficou.

"Durante sete meses, cavei um buraco, dez a doze horas por dia, sem saber muito bem o que estava a fazer. Os velhos camponeses iam-me ensinando, enquanto se riam de mim." 

O esforço deu origem a uma johad, um reservatório tradicional de recolha de chuva, usado durante séculos nas aldeias rurais da Índia. Construídas nos declives naturais, em forma de pequenos lagos ou barragens, as johads serviam para armazenar, durante o ano, a água que caía nas monções. Além de ser usada para usos domésticos e agrícolas, a água capturada ia-se infiltrando e recarregava os lençóis freáticos. Mas já nada disto acontecia.

"Na Índia, a água é um assunto das mulheres. 
Nos anos 1980, eram obrigadas a caminhar durante sete ou oito horas para recolherem cerca de 30 litros. Os homens tinham abandonado as aldeias para procurar trabalho na cidade, porque as terras eram tão áridas que não havia agricultura ", conta Singh. Mas o resultado do seu voluntariado, em 1986, foi o primeiro passo para a mudança: na primeira época de chuvas, a johad recolheu tanta água que algumas nascentes de poços secos começaram a correr. O fenómeno não era visto há décadas e isso revelou a Singh a sua verdadeira missão.

Decidido a espalhar a boa nova, organizou uma peregrinação para divulgar a sua forma de combater a seca: palmilhou as povoações que viviam nas margens do rio Arvari, morto há mais de 60 anos.
Na aldeia de Bhaonta-Kolyala, nascente original do curso de água, os habitantes estavam entusiasmados com o que tinha acontecido e pediram a Singh que os ensinasse a fazer johads. Mas ele pôs condições: tinham de formar um Gram Sabha, uma assembleia local, onde cada família tivesse o seu representante. Além disso, todas as decisões relativas ao uso da água e à gestão das florestas e das pastagens tinham de ser tomadas em conjunto.
Criou, assim, uma forma de envolver toda a comunidade na resolução dos problemas que mais a afetavam: a seca extrema, a erosão dos solos, a desertificação.

Nos anos seguintes, as populações ribeirinhas, com a ajuda da organização criada por Rajendra, construíram 375 estruturas, ao longo do rio. Devido à constante recarga de aquíferos, em 1990, o Arvari correu, pela primeira vez, durante umas semanas e, no ano seguinte, durante um mês. Até que, em 1996, se tornou num rio perene, fluindo todo o ano. Seguiram-se outros seis afluentes: Ruparel, Sarsa, Sabi, Bhagani, Jahajwali, Majis Hari todos renascidos pela mão de Singh.


DEMOCRACIA VERDE




Quando chegou a água, chegou também o Governo, pronto a concessionar a exploração pesqueira no rio, agora com peixe em abundância. Mas as populações opuseram-se fortemente. Criaram o Parlamento do rio Arvari, uma assembleia constituída por representantes das 72 aldeias sediadas nas margens do curso de água representa, hoje, mais de 100 mil pessoas e reivindicaram para si a gestão do rio. "Quanta água podemos tirar? Que culturas se devem plantar? Quanta madeira se pode cortar das árvores? Foi este tipo de responsabilidade que os habitantes assumiram", explica Singh.

As grandes beneficiárias desta revolução talvez tenham sido as mulheres.
Deixaram de percorrer dezenas de quilómetros em busca de água potável e podem agora dedicar-se a outras actividades.
Mais: a TBS fomentou uma política de igualdade de género, criando conselhos específicos nos quais as opiniões femininas são tidas em conta e fazendo depois chegar os seus pareceres vinculativos aos Gram Sabha de cada aldeia.

"Na minha cultura, 'civilização' significa respeitar as mulheres, a água e os rios.
Com a regeneração das áreas agrícolas, começou a haver rendimento disponível, que vem da venda do leite e dos cereais.
As mulheres assumiram a gestão desse dinheiro e ganharam poder", nota Singh.
"Agora, podem tomar decisões e são sempre as mulheres que tomam as decisões mais sábias." Estas batalhas culturais são difíceis mas comparando-as com as tentativas de assassínio por parte de industriais das pedreiras ou com os processos judiciais movidos pelo Estado contra si ou a sua organização (377 acusações, das quais foi sempre absolvido), parecem muito simples.
E para Singh, são: "Se vives para a natureza, ela dá-te sempre a proteção de que precisas." O activista foi agora convidado pelo primeiro-ministro para integrar a Autoridade Nacional para a Bacia do Ganges, uma agência estatal autónoma, com plenos poderes e meios financeiros, cuja missão é despoluir o rio sagrado. 

"Deviam fazer o mesmo no Tejo, que bem precisa. Posso vir cá quando quiserem, é só convidarem."




Notícia, integral mas adaptada, transcrita daqui: Visão Verde

segunda-feira, julho 02, 2012

"Lest the mirror stop turning"*



* verso de uma música dos King Crimson, "Cirkus"



"Lest" é uma palavrinha maravilhosa que quer dizer "para impedir que".

"Para impedir que o espelho pare de rodar", somos assediados em contínuo, como por metralhadora inesgotável, movida a dinheiro, por propagandas e ideias-feitas, inquestionáveis, inquestionadas, que nos esmagam a paz de espírito e, por conseguinte, nos anulam a capacidade de análise.

E, "não sabendo a verdade do problema colocado, não se pode aferir a estratégia a seguir."

Da mesma forma, a "inevitabilidade do capitalismo", o "fim da história", o "não há outra alternativa" (como se a que é imposta fosse UMA alternativa...).

A partir daí, acenam o futuro risonho com a destruição do presente. 
Nas suas mais variadas formas e fastios. 




Como estas:


"Teremos de fazer sacrifícios para sairmos da desastrosa situação económica em que caímos."

(mesmo que para "a operação ser um sucesso o paciente morra")


(versus)



"O terrorismo serve para a sociedade aceitar a sua própria escravatura em nome da liberdade".

(frase de um livro de Eric Fratini que ainda está por publicar)



Lede isto.


(voltaremos aqui, porque tudo isto faz parte do Portugal Provisório que vai enferrujando e calcinando a reversibilidade...)

domingo, junho 24, 2012

País de Parolos (tomo terceiro)

Alegam, vendem, acenam que com menor trânsito o ar da cidade de Braga vai melhorar.

Com as obras em curso (largo da Senhora-a-Branca, Campo das Hortas, Rua dos Chãos, Av. Central, Rua do Raio e Rua de S. Lázaro, Praça Municipal, sobretudo estas, mas vêde por vós mesmos aqui), uns vão dizendo:

"Mira, que bonito, no es verdad?"

Outros queixam-se do barulho, da poeira, das dificuldades para, neste ou naquele ponto, passar para "aquele lado", e nem estamos a falar de pessoas com cadeira de rodas ou de cegos, cujos obstáculos não carecem de obras.... Pois, também aqui encontrais espaço avesso às vossas locomoções e flanagens:

EMIGRAI, PAROLOS, QUE OS PAROLOS QUE VOS QUEREM LÁ, EMBORA ELES CÁ CONTINUAM PORQUE TÊM DE FICAR A TOMAR CONTA DAS COISAS, OS LACAIOS, OS CHACAIS...!

Mas pelo que vemos, ouvimos e visitamos (sempre pelos passeios possíveis, que não queremos incumprir e passar por espaços que os construtores nos vão mantendo vedados) concluímos:

(excepto para o que está previsto para o Largo Carlos Amarante, como a imagem no-lo pinta, bonito, bonita)

- em nada estas intervenções urbanas parecem contribuir para aumentar o espaço não-betonizado (em todas elas vence a pedra que, como já dissemos noutro tomo desta parolice, é condição sine qua non destes belos planos), pelo que de intervenção terão muito pouco.
Assim, persistem a elevada taxa de escorrência (e o concomitante desaproveitamento das águas pluviais) e o bem sentido aquecimento do cidade (já várias vezes falámos nisto), pois os raios solares não descansam mais com isto. (Experimentem olhar para o termómetro da vossa viatiure dentro e fora da cidade. Sobretudo de dia, que é o que está em questão. Mas também de noite se regista.

- assim, do alcatrão transfigurado em pedra ou da pedra renovada, escassas ou inotórias parecem estas intervenções: a fluidez de trânsito permanecerá a mesma.
Fazem umas mudanças aqui e ali, mas não as complementando com outras obras, talvez mais oportunas - dizei de vossa justiça - e que não de mais e mais impermeabilização para bracarense ver e calar e chupar no dedo...

(CHUPA, PAROLO, QUE PENSAS QUE É BONITO E PARA TEU BEM!)

...talvez agrave até os problemas que dizem, acenam, vendem, vencem, estar a querer resolver.

Perdem.
Ponto.

PERDE, PAROLO, "QUE ELES TRATAM, ELES DECIDEM, DECIDEM TUDO POR TI".

Perdemos.
Porque eles sabem muito bem que estas obras não vão mudar a qualidade de vida dos munícipes (os empreiteiros dessas britalares e dê-ésses-tês  e quejandos recrutam, só para o efeito e coerência desta acusação, os trabalhadores fora do município de Braga: por isso, são apenas parasitas que não ténias.), mas apenas cumprir o servicinho do arranjinho, do trabalhinho, do roubozinho do costume.


Há quem, criticando, ainda acredita estes estrategos acreditam, bem lá no fundo de si, que, com estas obras, algo vai melhorar... Dou o benefício da dúvida. Porque tenho confiança nesse amigo. Não porque acredite que eles acreditam. 

E, não querendo falar da anedota que é aquela via verde, dita ciclovia, ali por Gualtar, Nogueiró etc, com carros a cortar os pés, as rodas, aos "verdes", e não o contrário, que os "verdes", e são tantos ao fim da tarde, que "caminhar até faz bem, dizem, unânimes, os médicos!", é que têm de se submeter, pelos desníveis dos passeios, à circulação motorizada...
... esperamos para ver no que vai dar a intervenção, dita requalificação do ... glup... rio Este...
Uma coisa é certa: aqueles prédios construídos em cima da ... glup outra vez... margem não foram implodidos. Alguns são até bem recentes (ver ali ao lado das piscinas). 
Talvez não seja bom prenúncio.

"Mas... deixai-nos governar, caramba!"!

(Quer-se dizer: estiveram a desgovernar estes anos todos e agora querem fazê-la bonita para apagar a memória do que foi andar a betonizar esta cidade. Apagar a memória, não a betonização da cidade...)




Em prol da melhoria ambiental obras a sério urgem. Não empreitadas de fachada!
E O PAROLO SOU EU??